Léssel Manna, da Heidrick & Struggles, conta qual perfil de executivo está em alta

O crescimento do mercado de seguros e a transformação pela qual o setor passa tem mudado muito o perfil do executivo das seguradoras. Já tivemos épocas em que o perfil comercial era o mais top, depois o de atuário, depois o de tecnologia. Agora o que mais tem sucesso e demanda é para executivos com uma pegada comercial, mas aliada a estratégia com visão de médio e longo prazo para transformar seguros em serviços. Conta pontos já ter em mente olhar o concorrente. Não apenas uma seguradora, mas sim outros atores da economia, como Google, Natura, Sadia, para citar nomes aleatórios. Como essas empresas estão atraindo clientes? Como agregar valor ao cliente de uma dessas empresas com a oferta de seguros?

Este é o cenário de contratação que Léssel Della Manna, consultora de Executive Search há 15 anos, atuando na prática de Serviços Financeiros, tem visto em seguros. Atualmente ela está na Heidrick & Struggles, multinacional americana, uma das pioneiras no setor de recrutamento de executivo e consultoria de liderança. Foi a Heidrick que convenceu Glaucia Smithson, executiva com 20+ em seguros de grandes riscos, a conversar com a seguradora de vida Prudential.

Era apenas uma conversa, que acabou com a contratação de Glaucia como vice-presidente de Parcerias Estratégicas Multicanais da Prudential. A executiva tinha dezenas de propostas para atuar em grandes riscos, onde atua há anos trazendo inovação para a operação, e uma área de está aquecida com a perspectiva da retomada do investimento no Brasil. E a Prudential dezenas de candidatos com experiência em vida. “Fiquei realmente encantada com a equipe da Prudential e com a liderança da Patricia Freitas. O projeto é irresistível e estou muito animada”, contou Glaucia ao Sonho Seguro. A matéria completa com ela será publicada em breve.

Na Porto também se vê a tendência apontada por Léssel. A partir de janeiro quem assume o comando é Paulo Kakinoff, que integra o Conselho de Administração da companhia desde março de 2020, atuando também nos Comitês de Auditoria, Marketing, Pessoas, Remuneração e Risco Integrado. Tem 25 anos de experiência executiva, exercendo a função de CEO na indústria automobilística e na aviação civil. Atua como membro do Conselho de Administração de empresas dos setores de construção civil, energia renovável, locação de ativos, papel e celulose, logística e mobilidade, além de ONGs nas áreas de educação e esporte.

“Eu sou do mercado. Só no grupo Porto estou há 21 anos e sete como CEO”, diz o atual CEO, Roberto Santos. Segundo ele, a Porto entra numa nova fase em 2024 e a experiência de Kakinoff, com amplitude de visão de outros negócios como indústria automotiva em Volkswagem e Audi, bem como na Gol, têm muita valia”. 

De acordo com Léssel, o mercado de seguros ainda é tradicional, ficando atrás das tendências ágeis dos bancos. “A tecnologia tem a capacidade de se estender e alcançar áreas remotas de maneira rápida e confiável, superando as limitações que outros métodos enfrentam para levar o seguro a esses locais”, diz.

A questão da sucessão nas seguradoras/corretoras ainda é um desafio a ser enfrentado. “Há um vasto espaço para crescimento no Brasil e na América Latina, especialmente nas classes C e D, que ainda não foram muito exploradas. É importante notar que o Brasil é o maior mercado na América Latina em termos de tamanho e potencial”.

Por essas razões, 2023 vem batendo recordes de contratação de profissionais de seguros. “A demanda está elevada, e dentro de serviços financeiros, é um dos setores que mais está contratando. Observamos isso principalmente em seguros de vida, cuja demanda aumentou muito após a pandemia. Porém, tem havido algumas integrações recentes em seguradoras e corretoras, o que equilibra um pouco esse cenário”.

Segundo ela, os principais cargos demandados estão ligados ao comercial. “Principalmente o comercial estratégico. Vai além de simplesmente ser um executor de tarefas, demandando a habilidade de forjar relacionamentos sólidos e eficazes, que não apenas abrem portas, mas também estabelecem bases para colaborações duradouras. Contudo, o que se destaca ainda mais é a capacidade de assimilar e co-criar a estratégia da organização junto à sua liderança. O Executivo Comercial nesse caso assume uma dimensão visionária e transformadora, é um parceiro de ideias, capaz de trazer insights perspicazes para o planejamento estratégico”, conta.

Tal movimentação se deve à necessidade de expandir o alcance de seguros no Brasil e na América Latina. Temos por volta de 150 milhões de latino-americanos sem qualquer tipo de cobertura. As metas estão sendo batidas, mas há expansão nos canais já existentes, em canais alternativos, plataformas, alcançar o B2B e B2B2C que não está muito familiarizado com seguros e que pode se beneficiar com as coberturas.

Todos esperam como o cenário político econômico vai se desenrolar. Se o cenário é favorável, há mais contratações e mudanças com ofertas melhores. “Após o pagamento do bônus no primeiro trimestre, normalmente temos uma movimentação maior, porém as empresas já começam a se movimentar para mapear o mercado e procurar executivos no segundo semestre, dado que as posições mais elevadas podem demorar 6 meses ou mais para serem preenchidas”.

Se o cenário positivo se concretizar, Léssel acredita que o perfil mais procurado em seguros será por executivos que consigam equilibrar visão de curto e longo prazo, definir prioridades estratégicas e criar um impacto positivo na organização, orientado principalmente por propósito. Deve começar influenciando o micro – seu time, seus pares, a companhia e finalmente a indústria como um todo. Esse executivo é ‘antifrágil’, ou seja, vê oportunidade de crescimento e prospera frente a contratempos, imprevisibilidades e mudanças.

Algumas dicas da Léssel

  • Atualizar-se sempre com os temas mais relevantes, conheça insurtechs, participe de programas de incubação e aceleração. Pode também participar de Hackathons e Insurtech Hubs.
  • Buscar complementar o conhecimento com áreas que não conhece, complementares. Participar de eventos, palestras, cursos e workshops relacionados à sua área de atuação e áreas correlatas.
  • Oferecer-se para compartilhar seu conhecimento em palestras e workshops, aumentando sua exposição e visibilidade.
  • Manter o networking sempre ativo e fortalecer as conexões profissionais, trocando com outros executivos do setor.

Apoio do corretor na contratação do seguro é destaque em pesquisa 

Fonte: Bradesco

Levantamento realizado pela Bradesco Seguros revelou que 44% de pessoas que possuem um plano de saúde contrataram seus seguros com o apoio de corretores. Além deles, 14% informaram ter adquirido através de site pela internet, 7% com seus gerentes de banco e 5% através de aplicativo para smartphone. Com a participação de pessoas de todas as regiões do país, o trabalho foi realizado, no mês de maio, fazendo uso de chatbots inteligentes, criado pela empresa On The Go, que mistura software de pesquisa otimizado por inteligência artificial e uma equipe de especialistas.
 

De acordo com Flávio Bitter, diretor-gerente da Bradesco Saúde, o índice revela a importância do papel do corretor para o negócio de seguros, especialmente no setor de saúde, que tem sido cada vez mais valorizado com um bem essencial para os brasileiros. “Temos implementado uma série de iniciativas inovadoras para tornar ainda melhor a experiência e eficiência de atendimento aos clientes. A pesquisa reforça, ainda, a importância de oferecermos novas ferramentas aos corretores. Neste ano, lançamos o Canal de Apoio ao Corretor (CAC) para esclarecimento de dúvidas e realização de simulações que impactam na agilidade e excelência no relacionamento com o beneficiário”, conta o diretor.

Relatório da Allianz Commercial mostra aumento de ciberataques e extorsão em 2023 

O número de casos de ransomware e extorsão aumentou em 2023, segundo o relatório da Allianz Commercial, Tendências de Segurança Cibernética 2023: As últimas ameaças e as melhores práticas de mitigação de riscos – antes, durante e após um hack

De acordo com o documento, os hackers aumentaram o direcionamento às cadeias de suprimentos de TI e, por meio de ataques cibernéticos em massa, estão encontrando novas formas de extorquir dinheiro de grandes e pequenas empresas. A maioria dos ataques de ransomware envolve o roubo de dados pessoais ou comerciais sensíveis, com o propósito de extorsão, aumentando o custo e a complexidade dos incidentes, assim como o dano à reputação. A análise da Allianz Commercial sobre as grandes perdas cibernéticas mostra que o número de casos em que ocorre exfiltração de dados está aumentando a cada ano – dobrando de 40% em 2019 para quase 80% em 2022, com 2023 significativamente mais alto. 

“Este ano, a frequência de reclamações cibernéticas aumentou novamente, à medida que grupos de ransomware continuam a evoluir suas táticas”, diz Scott Sayce, Chefe Global de Cyber da Allianz Commercial. “Com base nas reclamações ocorridas durante o primeiro semestre de 2023, esperamos ver cerca um crescimento de 25% nas reclamações até o final do ano. Os hackers estão focados novamente nas economias ocidentais, com ferramentas mais poderosas, processos aprimorados e mecanismos de ataque. Dada essa dinâmica, uma empresa bem protegida é necessária para enfrentar a ameaça e, cada vez mais, o elemento mais importante disso é o desenvolvimento de capacidades fortes de detecção e resposta”. 

Como está evoluindo o risco de ransomware? 

De acordo com o relatório da Allianz Commercial, a frequência de reclamações cibernéticas se estabilizou em 2022, refletindo a melhoria da segurança cibernética e das ações de gerenciamento de riscos entre as empresas seguradas. Agências de aplicação da lei visando gangues, juntamente com o conflito Rússia-Ucrânia, também ajudaram a conter a atividades de ransomware. No entanto, os ataques de ransomware sozinhos aumentaram 50% durante o primeiro semestre de 2023. Os chamados kits de Ransomware como, por exemplo, o serviço (RaaS), com preços a partir de apenas US$40, continuam sendo um fator chave na frequência dos ataques. As gangues de ransomware também estão realizando ataques mais rápidos, com o número médio de dias para executar caindo de cerca de 60 dias em 2019, para quatro. 

“Incidentes de dupla e tripla extorsão – usando uma combinação de criptografia, exfiltração de dados e ataques de Negação de Serviço Distribuído – para obter dinheiro não são novos, mas agora são mais prevalentes”, diz Michael Daum, Chefe Global de Reclamações de Cyber da Allianz Commercial. “Vários fatores são combinados para tornar a exfiltração de dados mais atraente para os atores de ameaças. O escopo e a quantidade de informações pessoais coletadas estão aumentando, enquanto as regulamentações de privacidade e violação de dados estão se tornando mais rigorosas globalmente. Ao mesmo tempo, a tendência para a terceirização e o acesso remoto leva a mais interfaces para os atores de ameaças explorarem”.  

A exfiltração de dados pode aumentar significativamente o custo de uma perda ou reclamação cibernética. Tais incidentes podem levar mais tempo para serem resolvidos, enquanto os serviços jurídicos e de forense de TI podem ser extremamente caros. Se dados foram roubados, as empresas devem saber exatamente quais dados foram exfiltrados e provavelmente terão que notificar os clientes, que podem buscar compensação ou ameaçar litígio. 

Este ano, aconteceram vários grandes ataques cibernéticos em massa, à medida que os hackers aproveitaram as vulnerabilidades em software e fraquezas nas cadeias de suprimentos de TI para atingir múltiplas empresas. Por exemplo, o ataque cibernético em massa MOVEit, que explorou um produto de software de transferência de dados, impactou milhões de indivíduos e milhares de empresas, contribuindo para o aumento da frequência de reclamações em 2023 até o momento, afetando múltiplos segurados simultaneamente. 

“Podemos esperar mais ataques cibernéticos em massa no futuro. As empresas e suas seguradoras precisam entender melhor a interconectividade e as dependências que existem entre organizações e dentro das cadeias de suprimentos digitais “, diz Daum. 

Aumento de casos públicos 

No passado, o número de incidentes cibernéticos que se tornaram públicos foi baixo. Atualmente, a história diferente, pois, com a exfiltração de dados, os hackers ameaçam publicar os dados roubados online. A análise da Allianz Commercial sobre grandes perdas cibernéticas (€1 milhão+) mostra que a proporção de casos que se tornaram públicos aumentou de cerca de 60% em 2019, para 85% em 2022, com previsão ainda maior para 2023. 

“Hoje, se você tem exfiltração de dados, é provável que se torne público, e toda empresa precisa estar preparada para isso”, diz Rishi Baviskar, Chefe Global de Consultoria de Risco Cibernético da Allianz Commercial. 

Com potenciais consequências financeiras e de reputação custosas, as empresas podem se sentir mais pressionadas para pagar resgates quando os dados foram roubados. O número de empresas que pagam um resgate aumenta ano após ano, passando de apenas 10% em 2019 para 54% em 2022, novamente com base na análise apenas de grandes perdas (€1 milhão+). As empresas estão duas vezes e meia mais propensas a pagar um resgate se os dados forem exfiltrados, além da criptografia. 

No entanto, pagar um resgate por dados exfiltrados não resolve necessariamente o problema. A empresa ainda pode enfrentar litígios de terceiros por violação de dados, especialmente nos Estados Unidos. Existem poucos casos em que uma empresa deva acreditar que não há outra solução além de pagar o resgate para poder recuperar o acesso aos seus sistemas ou dados. Qualquer parte afetada deve sempre informar e cooperar com as autoridades. 

A importância da detecção precoce e resposta rápida 

Proteger uma organização contra invasões cibernéticas continua sendo um jogo de gato e rato, no qual os cibercriminosos têm a vantagem. A análise da Allianz Commercial de mais de 3 mil reclamações cibernéticas nos últimos cinco anos, mostra que a manipulação externa de sistemas é a causa de mais de 80% de todos os incidentes. Os hackers usam a inteligência artificial (IA) para automatizar e acelerar os ataques, criando malwares, phishing e simulações de vozes mais eficazes. Combinado com a explosão de dispositivos móveis conectados – o relatório mostra um número crescente de incidentes causados por má segurança cibernética nessa área -, os caminhos de ataque parecem propensos a aumentar. 

As capacidades e ferramentas de detecção e resposta precoces estão se tornando cada vez mais importantes. Cerca de 90% dos incidentes são contidos precocemente. No entanto, se um ataque não for interrompido nas fases iniciais, as chances de evitar que ele se torne algo muito mais sério e caro diminuem consideravelmente. 

“A segurança cibernética tradicional tem se concentrado na prevenção, com o objetivo de manter os ataques fora de uma rede. Embora o investimento em prevenção reduza o número de ciberataques bem-sucedidos, sempre haverá um ‘hiato’ que permitirá que os ataques passem. Por exemplo, não é possível impedir que todos os funcionários cliquem em e-mails de phishing cada vez mais sofisticados “, diz Baviskar. 

As empresas devem direcionar gastos adicionais em segurança cibernética para detecção e resposta, em vez de apenas adicionar mais camadas de proteção e prevenção. Apenas um terço das empresas descobre uma violação de dados por meio de suas próprias equipes de segurança. No entanto, a tecnologia de detecção precoce está, prontamente, disponível e eficaz. 

“Os sistemas de detecção estão constantemente melhorando e podem evitar muita dor, reduzindo os tempos de detecção e resposta. Isso é algo que procuramos em nossas avaliações e subscrições de risco cibernético”, acrescenta Baviskar. 

Violações cibernéticas que não são detectadas e contidas precocemente podem ser até mil vezes mais caras do que aquelas que são e a a detecção e resposta precoces podem evitar que uma perda de €20.000 se transforme em uma de €20 milhões, destaca o relatório. 

“A prevenção impulsiona a frequência dos ataques e a resposta é responsável pelo quão significativa será a perda – seja um incidente de TI menor ou uma crise corporativa. Acreditamos que as empresas podem se preparar de maneira significativa e há espaço para melhorias em como elas respondem a essas ameaças de atacantes. Em última análise, as capacidades de detecção precoce e resposta serão essenciais para mitigar o impacto dos ciberataques e garantir um mercado de seguros cibernéticos sustentável no futuro”, conclui Daum”.

Fenaprevi cria ferramenta que facilita consulta à nova pesquisa realizada junto ao DataFolha

operarios previdencia

Fonte: Fenaprevi

A Federação Nacional de Previdência Privada e Vida — Fenaprevi acaba de lançar em seu sítio oficial um novo painel interativo que permite explorar os resultados da pesquisa lançada recentemente “A Percepção dos Brasileiros sobre a Necessidade de Proteção e Planejamento: o Papel dos Seguros e da Previdência”.

Encomendada ao Instituto DataFolha e apresentada no fim de outubro, a pesquisa — que já está na segunda edição (a primeira é de 2021) —, buscou mapear o sentimento do brasileiro em relação à necessidade de se proteger, planejar seu futuro financeiro, projetar como irá se sustentar na aposentadoria, além de sua atual visão acerca dos produtos do segmento, como previdência privada e seguros de pessoas.

O dashboard disponibiliza a consulta aos dados da pesquisa por meio de uma interface dinâmica que também conta com vetores, gráficos e tabelas, e cujos indicadores podem facilmente ser verificados por meio da aplicação de filtros diferenciados, pelo cruzamento de informações e da obtenção de recortes específicos, conforme o interesse de quem interage com a ferramenta.

“Desde o início, nosso objetivo foi garantir a melhor experiência para os usuários no consumo da pesquisa, que está tão rica em informações do ponto de vista social e para o nosso mercado”, explica Beatriz Herranz, diretora-executiva da Fenaprevi. 

Aplicação de taxa Selic para dívidas civis voltará para julgamento no STJ 

CNseg STF
Legenda: Glauce Carvalhal, diretora jurídica da CNseg: definição da Selic como taxa para atualização de débitos civis está em linha com o momento econômico do país.

Fonte: CNseg

No dia 9 de novembro de 2023, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) deve retomar a discussão a respeito do índice que deve ser seguido para correção de condenações por dívidas civis. O debate no judiciário acontece há dez anos. Glauce Carvalhal, diretora jurídica da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) aponta que a definição impactará todos os setores produtivos e, inevitavelmente, a economia do país. Por isso, a indústria seguradora apoia a determinação da fixação da Selic como única taxa para atualização de débitos nestes casos.

Atualmente, na maioria das decisões, aplica-se uma taxa de 1% ao mês, somada aos percentuais previstos em tabela de taxas usual do Tribunal responsável pelo julgamento, o que, na análise da executiva é insustentável a longo prazo. “É preciso ter uma definição que traga equilíbrio financeiro às partes envolvidas nessas disputas judiciais, as taxas como estão sendo usadas atualmente, representam uma disparidade inexplicável, em um país em que até os investimentos não recebem remunerações em tal patamar”, explica. 

A especialista lembra que as seguradoras também incluem as taxas de correção no cálculo de provisionamento judicial. “Caso a Selic não seja a escolha do STJ, os valores a serem pagos pelos devedores nas indenizações terão volumes mais altos. Com isso, as seguradoras precisarão trabalhar em um provisionamento muito mais elevado e mais lastro, o que refletirá no bolso do segurado, que poderá pagar um valor mais alto na contratação.”, explica.

Para a diretora jurídica da CNseg, outra questão importante que deve ser considerada é o momento econômico no qual o Brasil se encontra. “Em um cenário de incertezas, é preciso ter cautela, pois temos uma população em situação financeira delicada, assim como, as empresas. Diante de um valor exorbitante a ser pago, as empresas terão que tomar decisões difíceis o que pode impactar em toda a cadeia produtiva.”

A representante da entidade reforça que a indústria de seguros não é contra a aplicação de atualização monetária nos débitos civis , mas o setor avalia que a taxa Selic é a mais adequada no que diz respeito ao pagamento de dívidas civis as taxas de juros e correção monetária deveriam ser aplicadas às indenizações de dívidas civis.

A estimativa do setor de seguros 

À título exemplificativo, cerca de 31,64% das empresas que representam o setor de seguros privados, tendo por base a sua participação nos prêmios, e que operam nos ramos de vida, de danos e de responsabilidades, tinham registrado em seus balanços de abril de 2023, R$ 5,9 bilhões de reais em provisão de sinistros judiciais a liquidar.  O que representa cerca de 36,51% da provisão de sinistros a liquidar (administrativos e judiciais), sendo valores brutos de resseguro, salvados e ressarcidos.

Desses R$ 5,9 bilhões, em torno de R$ 3,71 bilhões (63%) são referentes às indenizações em si, e R$ 2,21 bilhão (37%) são juros moratórios e correção monetária. Cabe ressaltar que o prazo médio de pagamento dos sinistros judiciais registrados no balanço das companhias é de 53 meses.

Como forma de estimar o valor total de provisão de sinistros judiciais a liquidar, por todas as empresas do setor de seguros que operam nos ramos de vida, de danos e de responsabilidades, foi extrapolado em torno de 31,64% do valor para as empresas. 

Sendo assim, de acordo com a estimativa da CNseg, haveria um valor aproximado de R$ 18,7 bilhões de reais em provisões.

O PL 1.086/22 do presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco

No ano passado, a regulamentação definitiva do índice de correção das ações judiciais também foi tratada pelo presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco. Na ocasião, a  proposta do PL 1.086/22 tinha como objetivo, de acordo com o autor, ‘pacificar o entendimento’ sobre quais taxas de juros e correção monetária deveriam ser aplicadas às indenizações de dívidas civis e, também, às indenizações trabalhistas. Glauce explica que o projeto de Pacheco propõe que parte da correção seja feita com base na Selic e outra parte com base no IPCA. 

“O projeto apresentado pelo presidente do Senado está mais próximo a realidade das empresas da indústria seguradora, se comparado a prática atual. O próprio STJ tem se debruçado no tema e acredito que esta seja, inclusive, uma oportunidade para fomentar debates enriquecedores sobre o nosso setor que, hoje, representa 6,2% do PIB”, destaca.  

Atualmente, o projeto de lei (1.086/22) está com o senador Weverton Rocha (PDT) para emissão de relatório. 

BB Seguridade lucra R$ 5,8 bilhões até setembro

BB Seguridade

A BB Seguridade atingiu a marca de R$ 5,8 bilhões de lucro líquido nos nove primeiros meses deste ano (9M23), volume que representa aumento de 32,0% em relação ao mesmo período do ano passado. Considerando apenas o período de julho a setembro (3T23), o lucro líquido alcançou R$ 2,1 bi, registrando crescimento de 23,7% sobre 3T22. 

Nos primeiros nove meses de 2023, o resultado operacional gerencial, líquido de imposto, evoluiu 24,3% em relação ao 9M22, explicando a maior parte do crescimento do lucro, com redução da sinistralidade dos seguros rurais, forte evolução das vendas de seguros prestamista e rural e aumento do volume arrecadado em previdência e capitalização. 

Nesse mesmo período, o resultado financeiro gerencial consolidado, líquido de impostos, de todo o grupo – BB Seguridade e suas investidas – cresceu 86,1% na comparação com o 9M22, atingindo R$ 1,2 bilhão. O desempenho é atribuído principalmente à deflação do IGP-M e variação positiva do IPCA, que contribuíram significativamente para a melhora do resultado financeiro dos planos de previdência de benefício definido, além do aumento da taxa de retorno das aplicações e expansão do saldo médio de ativos financeiros totais.

Destaques:

• Seguros: volume de prêmios emitidos chega a R$ 13,1 bi, com crescimento de 12,4% 

Os prêmios emitidos cresceram 12,4% s/ 9M22, totalizando R$ 13,1 bi no período de janeiro a setembro, com evoluções em todas as linhas de negócios. Os destaques do período foram o seguro rural, impulsionado pelas linhas de vida produtor rural (+25,0%) e penhor rural (+17,9%), e o seguro prestamista (+34,6%), com aumento da penetração no crédito e redução dos cancelamentos. Nesse mesmo período, o volume de prêmios emitidos via parceiros aumentou 55% e o índice de churn do seguro de vida caiu 16%. 

• Previdência: contribuições chegam a R$ 43,5 bi, com aumento de 9,2% no 9M23 

A captação líquida acumulada até setembro de 2023 foi de R$ 7,3 bilhões, mais de sete vezes superior ao mesmo período de 2022, impulsionada pelo aumento das contribuições (+9,2%), melhora do índice de resgate (-1,0 p.p.) e queda do índice de portabilidade (-1,2 p.p.). Como consequência, as reservas tiveram alta de 12,7%, contribuindo para uma expansão de 5,2% nas receitas com taxa de gestão. Nesse mesmo período, a previdência registrou incremento de 7,0% na base de clientes. Já o NPS (Net Promoter Score) evoluiu 14,1 p.p., na comparação Set/23 x Set/22.

• Capitalização: arrecadação ultrapassa R$ 4,7 bi, com mais vendas de títulos PU e expansão da base PM

A arrecadação com títulos de capitalização cresceu 12,1%, chegando a R$ 4,7 bi. Esse movimento é explicado pelo aumento das vendas de títulos de pagamento único e pela expansão da base de títulos de pagamento mensal, que gerou maior volume de recorrência em relação ao 9M22. Com relação à base de clientes, houve incremento de 7,7% e o NPS (Net Promoter Score) evoluiu 8,4 p.p., na comparação Set/23 x Set/22.

Akad firma acordo com MGA para entrar no mercado de Riscos Industriais

Fonte: Akad

A Akad Seguros prepara uma investida inédita para atuar no mercado de grandes riscos patrimoniais. A seguradora digital investida pela GP Investimentos anunciou um acordo com a Beyond Seguros, um MGA vinculado ao grupo financeiro Multiplica, visando reforçar sua estrutura técnica para retornar ao segmento. A companhia busca aumentar a oferta de seguros para os clientes com atividades industriais ou de alta complexidade, por exemplo: fábricas, galpões, arenas esportivas, aeroportos, rodovias e shopping centers.

O MGA – ou Managing General Agent – funciona como uma agência especializada de seguros com autoridade de subscrição para as seguradoras. Na parceria com a Akad, a Beyond agrega experiência de mercado, estrutura e tecnologia enquanto atua na oferta de capacidade de resseguro e trabalha como intermediária com os corretores. 

O MGA surgiu e se popularizou nos Estados Unidos ainda no século passado, quando seguradoras precisaram expandir o alcance da operação sem despender grandes recursos na abertura de novos escritórios regionais. Apesar de recente no Brasil, o modelo já é visto como estratégico para impulsionar o mercado de seguros no País rumo ao objetivo de alcançar uma fatia de 10% do PIB até 2030.

Atualmente, a Akad opera com uma carteira focada em escritórios, clínicas, comércios e setor de serviços nos riscos empresariais. Com a entrada do MGA, a seguradora vislumbra uma possibilidade de expandir a oferta do seguro empresarial para companhias de maior porte, chegando a novas verticais de mercado. A cobertura protege o segurado de riscos como incêndios, alagamentos, desmoronamentos e explosões, além de assegurar os lucros cessantes por decorrência de eventos naturais.

“A expertise da Beyond para identificar os riscos dessas indústrias e precificar de forma personalizada nos coloca em condições de expandir, diversificar e atender os clientes da nossa carteira”, confirma Mariana Miranda, Head de Marketing e Vendas da Akad. Segundo a executiva, a seguradora já projeta faturar acima de R$ 100 milhões em prêmios com o seguro empresarial a partir do ano que vem, o que representaria perto de 10% do faturamento total da companhia.

A Beyond tem como fundador Fernando Martinez, executivo com mais de 20 anos de atuação no mercado de grandes riscos com passagens pela Unibanco AIG e Alfa Seguros. O empreendedor já havia criado a PMR Seguros, corretora especializada com foco na distribuição de produtos em todo o território nacional, posteriormente fundindo-se com a ItsSeg, onde fez parte do conselho de administração. Completam a equipe nomes como o do sócio Sandro Povegliano, Daniela Estimo (Property e Engenharia) e Roberto Gallego (Comercial).

Segundo Martinez, a Beyond aposta em um programa de gestão de risco ativo em toda vigência da apólice para garantir uma análise mais assertiva e condizente com o perfil do segurado. “A maioria das seguradoras tradicionais declina propostas de seguro apenas pela atividade ou precifica de acordo com uma média”, conta o executivo. “Com uma análise mais detalhada da qualidade do risco, o mercado pode absorver empresas hoje desassistidas pelos grandes grupos”, diz o fundador da Beyond. 

Ainda de acordo com Martinez, um dos trunfos da Beyond para ampliar a proposta de valor é a parceria técnica com os consultores Alfredo Chaia e Guilherme Brochmann, da Risk Veritas – referências no mercado de gestão de riscos e seguros corporativos quando o assunto é apoiar organizações grandes e complexas a mapear, quantificar, gerenciar e financiar seus riscos, em escala nacional e global.

“A credibilidade da nossa equipe no mercado é o que nos possibilita conseguir bons contratos de resseguro de grandes riscos para atuar nessa nova linha”, conclui o executivo.

Valor: jornal traz o debate em Las Vegas sobre a tempestade perfeita para o setor de seguros

ITC Las Vegas CQCS Valor

O jornalista Sergio Tauhata, do Valor Econômico, foi convidado pelo CQCS para cobrir o InsurTech Connect (ITC), maior evento de tecnologia e seguros do mundo, do qual participa um grupo de executivos brasileiros formado pelo executivo Gustavo Doria. Segue abaixo uma curadoria das principais matérias publicadas no Valor. Para ler, é preciso ser assinante.


AI
Como a IA vai transformar os seguros ainda não está claro, dizem especialistas. 
Nos corredores do InsurTech Connect (ITC), maior evento de tecnologia e seguros do mundo, uma certeza: as mudanças serão grandes e tudo acontecerá rapidamente.

AI PARA MELHORAR A VIDA DAS PESSOAS
A onda tecnológica potencializada pela inteligência artificial (IA) generativa vai trazer um poder que poucos setores vão ganhar nessa transformação: o de impactar de maneira positiva a vida das pessoas, afirmou o executivo-chefe (CEO) da seguradora americana John Hancock, Brooks Tingle. “O setor de seguros está talvez na posição mais poderosa entre vários setores no mundo diante das mudanças trazidas pelas IAs de impactar profundamente e de maneira positiva a vida das pessoas”, disse.

AMÉRICA LATINA 
O setor de seguros na América Latina exibe um potencial de aumento em novos prêmios de US$ 300 bilhões nos próximos anos, afirmou o fundador e CEO da HCS Capital, Alex Horvitz. A cifra significa um crescimento adicional de quase duas vezes o tamanho do mercado da região hoje, que gerou US$ 175 bilhões em receitas.

CLIMA ENCARECE SEGUROS
O aumento da severidade e frequência dos riscos climáticos começa a afetar os preços de seguros patrimoniais. Segundo o diretor e cofundador da seguradora australiana The Bridge Internacional, Stuart Blake, nos últimos 12 meses houve um aumento de 30% nos prêmios de seguros de automóveis e residências na Austrália, impactados por maior frequência de inundações e incêndios florestais. O executivo afirmou ainda que, nos Estados Unidos, os preços de apólices auto estão no maior patamar em 46 anos.

SEGURO EMBEDDED
O mercado de seguro “embedded”, aquele distribuído com bens e serviços no momento da compra, pode alcançar US$ 700 bilhões no mundo, afirmou Adam Blumencranz, sócio da firma de venture capital Distributed Ventures. Segundo o gestor, o surgimento das APIs, protocolos de conexão entre sistemas e plataformas, abriu um grande mercado de distribuição de seguros por meio de parcerias.

TEMPESTADE PERFEITA
Há uma tempestade perfeita tecnológica vindo e quem não se mover, sairá machucado, afirmou o empreendedor americano Gary Vaynerchuk, autor de livros sobre empreendedorismo, além de ter sido investidor anjo ou consultor de empresas como Uber, Birchbox, Snapchat, Facebook, Twitter e Tumblr.

INSURTECHS
O universo das insurtechs, ou seja, as startups de seguros, vive uma “explosão cambriana” nos últimos cinco anos, afirmou o sócio-fundador da Semperviren Venture Capital e criador do InsurTech Connect (ITC), Caribou Honig. “A transformação na indústria de seguros é derivada da tecnologia, uma ‘tech transformation’”, disse, durante o ITC 2023.

AI SERÁ MANDATÓRIA
A indústria de seguros será um dos setores globais onde a inteligência artificial [IA] será mandatória. “Estamos apenas tateando as possibilidades e, possivelmente, vivemos no início de uma nova era, que vai trazer novos padrões para a indústria de seguros”, afirmou o vice-presidente da FPT Software nos EUA, Joseph Yee.

SRO: quanto mais preparada, mais seguradora vai ganhar com o uso de dados

Luciana Dias Prado, sócia de Seguros, Resseguros e Previdência Privada do Lefosse, acredita que no longo prazo, para as seguradoras que forem disruptivas e que saibam trabalhar com os dados fornecidos via SRO no ambiente do Open Insurance, os ganhos podem ser impactantes, já que, daqui em diante, a estratégia de negócios não conseguirá mais se dissociar da revolução tecnológica e de dados que estamos vivenciando em todos os setores da economia.

“O que pode hoje parecer um gasto considerável e até desproporcional, principalmente para as seguradoras com maior volume de negócio, pode se transformar em um investimento de inteligência em tecnologia, já que se que as seguradoras que mais despenderam tempo e recursos com a implantação do SRO, também deveriam ser aquelas melhor preparadas para entender como os dados podem e serão utilizados tanto pelo regulador quanto pelo consumidor final, o que deveria lhes trazer uma visão mais sistêmica de soluções a serem oferecidas aos seus clientes com o intuito de coloca-las à frente de suas concorrentes”, diz ao Sonho Seguro.

Fato é que o SRO e o Open Insurance, acrescenta Luciana, são movimentos inevitáveis, apesar da desaceleração de suas implantações. “As seguradoras que não olharem para essas mudanças como oportunidades de novas frentes de negócio e de novas formas de se relacionar e de impactar o cliente, poderão sofrer impactos negativos em seus resultados.”

Swiss Re reverte prejuízo e lucra US$ 2,46 bilhões em 9 meses

Christian Mumenthaler Swiss Re

A resseguradora Swiss Re voltou a lucrar nos primeiros nove meses do ano, ao se recuperar de um período difícil do ano anterior, e manteve suas metas para o ano inteiro.

O lucro líquido de US$ 2,466 bilhões no período se compara a um prejuízo de US$ 285 milhões um ano antes. O lucro marca uma recuperação em relação ao ano passado, quando a empresa contabilizou pedidos de indenizações do furacão Ian na Florida, e à medida que a guerra na Ucrânia, a inflação e os mercados voláteis também prejudicavam o desempenho.

A Munich Re, maior concorrente da Swiss Re, reportou um lucro líquido melhor do que o esperado para o terceiro trimestre e elevou as suas perspectivas para o ano inteiro.

O presidente-executivo, Christian Mumenthaler, disse que a empresa estava operando em um “ambiente de risco elevado, caracterizado por eventos de perdas significativas”. “O desempenho da Swiss Re nos primeiros nove meses de 2023 é o resultado de nosso foco contínuo na qualidade da subscrição. Isso nos permitiu navegar em um ambiente de risco elevado que continua a ser caracterizado por perdas significativas para o setor de seguros.”

O diretor financeiro, John Dacey, disse que “com as taxas de juros altas, vemos melhorias no rendimento recorrente e em nossos resultados gerais de investimento. Combinado com o melhor desempenho de subscrição, isso fortaleceu significativamente a capacidade de ganhos do grupo”.

O retorno sobre o capital próprio (ROE) de 25,9% nos primeiros nove meses de 2023 ante a um ROE de –2,1% nos primeiros nove meses de 2022. A melhoria significativa foi impulsionada principalmente pelo desempenho de subscrição em P&C Re e L&H Re, apoiado pelo aumento dos resultados de investimento.

Os prêmios líquidos ganhos e as receitas de taxas do grupo aumentaram 4,2%, para US$ 33,7 bilhões nos primeiros nove meses de 2023, em comparação com US$ 32,4 bilhões no mesmo período do ano anterior. A taxas de câmbio constantes, os prêmios líquidos ganhos e as receitas de serviços cresceram 5,3%.

O grupo obteve um retorno sobre os investimentos (ROI) de 3,5% nos primeiros nove meses de 2023, em comparação com 1,6% no mesmo período do ano anterior. No terceiro trimestre, o ROI foi de 4,8%, apoiado por ganhos líquidos realizados decorrentes de vendas imobiliárias, que foram parcialmente compensados por perdas provenientes de vendas específicas de títulos de rendimento fixo de menor rendimento. Globalmente, a carteira de investimentos continua a se beneficiar de taxas de juro mais elevadas. O rendimento da renda recorrente atingiu 3,7% no terceiro trimestre, enquanto o rendimento do reinvestimento da renda fixa ficou em 4,9%.

A posição de capital da Swiss Re permaneceu com um índice do Group Swiss Solvency Test (SST) de 314% em 1º de julho de 2023.