Solicitações de indenizações de seguros no RS superam R$ 5,6 bilhões 

O volume total de pedidos de indenizações de seguros relacionados à enchente no Rio Grande do Sul cresceu mais de 43% entre 18 de junho e 31 de julho. O terceiro levantamento elaborado pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) junto às suas associadas mostra que os pedidos de indenizações dos clientes junto às seguradoras alcançaram R$ 5,6 bilhões, valor R$1,71 bilhão a mais do que o divulgado em 19 de junho, quando os registros somaram R$ 3,885 bilhões.

Para o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, apesar do importante crescimento, os números mostram uma desaceleração nas solicitações dos anúncios de sinistros, o que indica que os dados estão perto do valor final. “Os pedidos seguem em alta, mas houve desaceleração no crescimento. Para os próximos meses, é possível que tenhamos crescimento apenas nos pedidos de Grandes Riscos, já que requerem processos de avaliação de perdas mais demorados, que envolvem vistorias minuciosas”, afirma.

Os dados referentes às solicitações de pagamento de seguros automóvel e agrícola em julho tiveram uma leve redução frente aos números anunciados em junho. Isso é resultado de ajustes nos dados repassados pelas seguradoras, já que o levantamento é referente aos avisos de sinistros e não de pagamentos efetivados.

Em quantidade, as seguradoras registraram 57.045 avisos de sinistro desde o início de maio. As solicitações definidas como Outros (Empresarial, Transporte, Riscos Diversos e Riscos de Engenharia) foram as que registraram maior crescimento (65,3%). Foram 7.133 pedidos de indenizações, somando R$ 817,9 milhões. 

Já em termos absolutos, Grandes Riscos aumentou em quase R$ 1,5 bilhão de um mês para outro, alcançando pagamentos superiores a R$ 2,8 bilhões, sendo até agora o que registrou o maior volume de indenizações. Já são 821 sinistros avisados. 
 

Rio Grande do Sul- Indenizações Avisadas

It’sSeg anuncia Patrícia Martins como diretora da nova área de canais  

Fonte: It’sSeg

A It’sSeg Company anuncia a chegada de Patrícia Martins como diretora da nova estrutura de Canais – Partners da companhia, voltada ao atendimento de clientes e parceiros.

A executiva soma mais de 20 anos de experiência no mercado de seguros e chega com a missão de reorganizar a área de parceiros e produtores da corretora. Formada em Relações Públicas pela Cásper Líbero, é pós-graduada em Administração com ênfase em Gestão Empresarial pela FAAP e possui MBA em Desenvolvimento de Liderança pela Fundação Dom Cabral.

Patrícia acumula passagens por grandes empresas como Alfa Seguros, Allianz Seguros, Allianz Saúde, MDS Group, entre outras. A nova diretora da It’sSeg tem expertise com diversos produtos de seguros de riscos empresariais e experiência para gerenciar ações comerciais com ampla visão de distribuição de seguro.

Newe Seguros estrutura nova área comercial comandada pelo vice-presidente Henrique Camillo

Henrique Camillo Newe Seguros

Fonte: Newe Seguros

À frente da vice-presidência Comercial, Parcerias, Marketing e Atendimento ao Cliente da Newe Seguros, Henrique Camillo conta que tomou a decisão de aceitar o convite para estruturar a nova área atraído pelos desafios do ousado plano de negócios da seguradora para os cinco próximos anos.

Há três meses no cargo, o que, segundo o próprio, parecem três anos, o novo executivo usou esse tempo para conhecer processos e pessoas, e pôde compartilhar com elas o seu olhar provocativo para a necessidade de saída da zona de conforto para atingimento das metas previstas no plano estratégico de crescimento para 2029. “Participei de diversas reuniões individuais e com equipes de todas as áreas, e reuni os principais pontos de atenção que precisamos endereçar para alcançar os objetivos traçados pelo board da companhia. E com a entrada dos novos investidores internacionais, cujo fundo é gerido pela BlueOrchard, estamos evoluindo para uma estrutura de negócios mais ampla, o que nos exigirá a conquista de novos canais de distribuição e a criação de novos produtos, incluindo os princípios ESG”, afirma. 

Com mais de 25 anos de experiência em posições executivas para grandes organizações no Brasil, América Latina, Caribe e EUA, e tendo atuado os últimos 10 anos como empreendedor e fundador de startups, Camillo esteve diretamente envolvido em questões relacionadas à estratégia, desenvolvimento de negócios, liderança de pessoas, gestão de riscos e estrutura de programas de seguros. Dessa forma, acredita que pode contribuir com este novo ciclo de vida da Newe, que passa a buscar novos segmentos, sem deixar de ser especialista em agronegócios e linhas financeiras, com visão estratégica focada no cliente.

Camillo conta, ainda, que quer fortalecer o segmento do agronegócio com seguros diferenciados para lavoura, máquinas e equipamentos e também o seguro paramétrico: “Estamos reforçando nossa ida ao campo para verificar outras dores do agricultor, como finanças, transportes e garantias financeiras. Consigo trazer produtos próprios ou tenho que conectar parceiros estratégicos como MGAs (Managing General Agent) para fortalecer soluções e serviços? Por que não ofertar um serviço de telemedicina internacional com parceiro para o agricultor, que em sua grande maioria reside afastado de um hospital de ponta?”, vislumbra o executivo.  

Ele afirma ter chegado à Newe num momento de grandes mudanças no mercado de seguros: “A grande tragédia do Sul instigou ainda mais preocupações e precisamos mostrar que existem soluções para cidades e para empresas que vão muito além do risco de catástrofe e dos riscos nomeados e operacionais. O seguro paramétrico, por exemplo, pode solucionar as limitações que vemos hoje com cobertura para alagamentos, de catástrofes, e perdas por eventos da natureza. Há grande experiencia internacional nesses cenários, como Estados Unidos, Japão e países da Europa que podem ser adaptadas para eventos recorrentes como temos tido no Brasil, principalmente para proteger a infraestrutura”. 

Segundo ele, o paramétrico pode ser usado em infinitas possibilidades e não apenas para mensurar danos de safras. “No Texas, por exemplo, há seguro paramétrico que cobre danos causados por um tiroteio até 90 metros da residência do segurado. É isso que estamos levantando neste momento. Soluções que aliviem a dor dos clientes e que vão diferenciar a Newe da concorrência, nos tornando a primeira opção do cliente”, citou Camillo. 

O novo vice-presidente ainda tem a missão de apoiar o crescimento das demais carteiras da Newe e equilibrar, ao patamar dos produtos rurais, as ofertas de Seguro Garantia, Fiança Locatícia e Responsabilidade Civil, incluindo Seguro Cibernético, Erros&Omissões e M&A. Em seus planos, estão a construção de novas parcerias, criação de novos produtos e investimento em tecnologia voltado para facilitar o trabalho do corretor, dar agilidade aos processos e transparência à gestão. 

Ele destaca que a Newe se posiciona como a seguradora que tem em seu DNA a criação de soluções para pequenas e médias empresas que a maioria das vezes ficam fora dos planos de negócios do mercado: “Temos o nosso poder de decisão local, agilidade na criação de novos produtos e um painel de resseguradores globais que agregam ainda mais consistência à operação. Existe um universo de possibilidades nessa faixa de mercado e, com esses diferenciais, nos apresentamos como a melhor opção para as PMEs.”

E o mais importante, segundo Camillo, é colocar essas possibilidades em pauta, não somente para agregar novas soluções à carteira da Newe mas, também, para que a cultura do seguro se estabeleça e tenha aderência ao dia a dia das pessoas e das empresas: “Estamos prontos para debater sobre como elevar a participação do seguro no Brasil, de forma que ele exerça o papel de proteger o que realmente é necessário para o crescimento sustentável da economia”, finaliza. 

Bradesco Vida e Previdência reforça importância do pós-venda

Fonte: Bradesco

Uma pesquisa conduzida globalmente pela KPMG apontou que 80% dos respondentes acreditam que a fidelidade a uma marca está relacionada a um tratamento especial ou personalizado recebido após a aquisição de um produto ou serviço, ou seja, no período chamado de pós-venda. Segundo José Pires, diretor Comercial da Bradesco Vida e Previdência, os corretores de seguros devem encarar essa fase da jornada do cliente como uma oportunidade estratégica para ampliarem a sua carteira.

“São os corretores que entendem o momento de vida dos clientes, que mais conhecem os produtos, quais melhorias podem ser feitas para aumentar as vendas e incrementar a entrega para o segurado. Portanto, um pós-venda bem executado fideliza clientes, aumenta a rentabilidade e cria um diferencial competitivo”, explica Pires.

Confira a seguir cinco dicas do executivo para a realização de um pós-venda eficiente no mercado de seguros:

Defina um cronograma: Essencial estabelecer um tempo para entrar em contato com seus clientes, seja por telefone, e-mail ou outros canais. “Você pode segmentar seus contatos por tipo de seguro, data de renovação ou outros critérios relevantes”.

Personalize suas mensagens: Evite mensagens genéricas. “Use o nome do cliente, mencione apólices específicas ou faça referência a conversas anteriores para tornar suas mensagens mais pessoais”.

Planos de ação individualizados: Crie planos de ação personalizados para cada cliente, com base em seus riscos e necessidades específicas. “Ofereça acompanhamento regular e proativo para garantir que eles estejam sempre protegidos e satisfeitos”.

Seja o primeiro a se comunicar: Mantenha contato regular com seus clientes, mesmo que não haja sinistros ou renovações iminentes. “Envie dicas de segurança e de utilização dos serviços contratados e aproveite para reforçar que está à disposição para qualquer solicitação ou esclarecimento”.

Conheça a fundo seus clientes: Utilize ferramentas de CRM para gerenciar as informações de seus clientes, centralizar o histórico de interações e automatizar tarefas repetitivas. “Por meio da análise desses dados, será possível segmentar a base de contatos e oferecer um atendimento personalizado e proativo”.

Pires ressalta que os corretores parceiros têm a importante missão de estarem cada vez mais próximos dos beneficiários, seja presencialmente ou por meios digitais. “A tecnologia é uma grande facilitadora deste processo, mas, por si só, não elimina o atendimento humano. Acreditamos no modelo que chamamos de ‘phygital’, aliando o melhor do físico ao melhor do digital. É fundamental que o cliente tenha opções para interagir com a empresa quando e como desejar”, conclui.

Patrícia Coimbra assume como diretora de Gente e Cultura da Porto

A Porto anuncia que Patrícia Coimbra é a nova diretora de Gente e Cultura da companhia. A executiva tem mais de 30 anos de experiência na área de Pessoas, Sustentabilidade, TI e Planejamento Estratégico-Econômico, com passagens por empresas nacionais e multinacionais nos setores de Petróleo e Gás, Bens de Consumo, Telecomunicações, Seguros e Serviços Financeiros. Também já presidiu a Comissão de Recursos Humanos da CNseg, a confederação das seguradoras.  

Na nova posição, Patrícia se reportará diretamente ao CEO do Grupo Porto, Paulo Kakinoff, e será responsável por conduzir as estratégias de fortalecimento e evolução da Cultura da empresa para os seus mais de 13 mil colaboradores.

Bradesco Seguros lança ferramenta para corretor ampliar presença no digital

Giuliano Generali Bradesco

Fonte: Bradesco

Em um cenário no qual consumidores estão cada vez mais exigentes e conectados, o Grupo Bradesco Seguros reforça sua estratégia digital e disponibiliza uma nova ferramenta que permite aos corretores de seguros criarem sites de venda, como um e-commerce.

Página de Vendas viabiliza o fortalecimento da presença digital do corretor de maneira fácil, possibilitando uma nova forma de prospecção de clientes e diversificação das vendas. Sem a necessidade de investimentos e conhecimentos técnicos, o profissional consegue criar seu próprio site de vendas com jornadas digitais em apenas 4 passos simples.

Para Giuliano Generali, Superintendente Sênior de Canais Digitais e Experiência do Cliente no Grupo Bradesco Seguros, a adoção de jornadas digitais pelos corretores é uma grande oportunidade para aprimorar a relação com o cliente e complementar os resultados. “As novas tecnologias têm criado muitas possibilidades para levar soluções de proteção cada vez mais personalizadas e onde o cliente estiver, como essa nova ferramenta que possibilita aos nossos parceiros comerciais mais opções para a oferta de produtos aos seus clientes. Essa é mais uma entrega alinhada à nossa estratégia de apoiar os nossos corretores com ferramental, tecnologia, dados e capacitação, para que eles tenham condições de operar nesse modelo digital e dinâmico, complementando a oferta e o trabalho consultivo que eles realizam para produtos de maior complexidade” afirma o executivo.

Nesse primeiro momento, a Página de Vendas permite a oferta de planos odontológicos, mas, até o fim do ano, a previsão é disponibilizar outros produtos, como o Seguro Viagem e Residencial.

O Grupo Bradesco Seguros trabalha para que as relações entre clientes, corretores e a marca possam ocorrer em múltiplas ocasiões e formatos. Acreditamos que o digital e o físico se complementam, e, ao oferecer soluções como a Página de Vendas, que se somam ao atendimento humanizado dos corretores, contribuímos para essa integração e uma melhor experiência dos clientes.

Indenizações por catástrofes avançam para US$ 62 bilhões no  1º  semestre de 2024, segundo Munich Re

mudanças climáticas

Perdas globais no primeiro semestre de 2024, de US$ 120 bilhões, foram menores do que no ano anterior (US$ 140 bilhões). No entanto, 2023 foi afetado por perdas extremamente altas em conexão com o terremoto severo na Turquia e na Síria. Em uma comparação de longo prazo, as perdas totais no primeiro semestre de 2024 superaram claramente os valores médios tanto dos últimos dez anos quanto dos 30 anos anteriores, detalha o estudo divulgado hoje pela resseguradora Munich Re.

As inundações catastróficas, tempestades extremas e dois terremotos resultaram em perdas totais de aproximadamente US$ 120 bilhões. As perdas seguradas globais, de US$ 62 bilhões, são significativamente maiores do que a média de dez anos, que é de US$ 37 bilhões. O número de fatalidades relacionadas a desastres naturais diminuiu em comparação com anos anteriores. 68% das perdas totais e 76% das perdas seguradas são atribuíveis a tempestades severas, inundações e incêndios florestais.

As perdas seguradas aumentaram ligeiramente em relação ao ano anterior, de US$ 60 bilhões para US$ 62 bilhões – e significativamente acima dos valores médios dos últimos 10/30 anos (ajustados pela inflação: US$ 37 bilhões/24 bilhões). Notavelmente, a participação de reivindicações por “riscos não máximos” – que incluem tempestades severas, inundações e incêndios florestais – foi novamente alta: 68% do total de perdas e 76% das perdas seguradas foram causadas por esses desastres naturais.

Desastres naturais mais custosos no primeiro semestre de 2024

O desastre natural mais custoso no primeiro semestre do ano foi um terremoto no Japão no Dia de Ano Novo. Com uma magnitude de 7,5, abalou a costa oeste do Japão, perto da Península de Noto. Numerosos edifícios desabaram e milhares de pessoas ficaram sem energia ou água potável por semanas. Mais de 200 pessoas morreram. As perdas totais estimadas foram de cerca de US$ 10 bilhões, incluindo perdas seguradas de aproximadamente US$ 2 bilhões. O país é considerado bem preparado para desastres naturais: quando ocorrem, medidas preventivas como métodos de construção resistentes a terremotos, sistemas avançados de alerta precoce e uma estratégia robusta de resposta emergencial podem salvar muitas vidas.

“Desastres naturais relacionados ao clima, especialmente na América do Norte, são novamente proeminentes nas estatísticas de perdas do primeiro semestre. Além disso, houve inundações em regiões onde são extremamente raras, como Dubai. Considera-se altamente provável que as mudanças climáticas desempenhem um papel nessa tendência. As mudanças climáticas implicam em riscos em evolução que todos – sociedade, economia e setor de seguros – terão que se adaptar, para mitigar as perdas crescentes de eventos relacionados ao clima”, comentou Thomas Blunck, Membro do Conselho de Administração da Munich Re, em nota sobre o estudo.

Generali GC&C anuncia parceria estratégica com a SRS Altitude

Fonte: Generali

A Generali Global Corporate & Commercial (GC&C) anuncia uma parceria estratégica com a SRS Altitude, a primeira Managing General Underwriter (MGU) europeia especializada em Transferência Alternativa de Risco (ART). O acordo marca a entrada da GC&C no segmento de soluções de (Res)seguro Estruturado dentro do mercado de ART, alinhando-se com a ambição da GC&C de aprimorar sua proposta de valor neste segmento.

Por meio desta colaboração, GC&C irá aprimorar suas ofertas de ART & Captive e expandir sua base de clientes em várias linhas de negócios, além de permitir que GC&C aproveite inúmeras oportunidades de venda cruzada, fortalecendo assim sua proposta de valor.

Christian Kanu, CEO da Generali Global Corporate & Commercial, afirmou: “Estou orgulhoso desta parceria com a SRS Altitude e estou convencido de que ela representa uma oportunidade única para fortalecer ainda mais nossa oferta de Transferência Alternativa de Risco. Este acordo aumentará as oportunidades de venda e fortalecerá nossa proposta de valor geral. Graças a esta colaboração e ao nosso alcance global e expertise, seremos capazes de fornecer os melhores serviços da categoria aos nossos clientes”.

Loredana Mazzoleni Neglén, CEO da SRS Altitude, comentou: “A SRS Altitude aproveitará a capacidade de resseguro dedicada, o alcance global e a excelência técnica da Generali Global Corporate & Commercial para fornecer soluções de ART personalizadas para clientes corporativos. Nossas forças combinadas fornecerão expertise e capital excepcionais, atendendo às necessidades únicas dos clientes”.

Seguro rural: recursos incertos para enfrentar riscos crescentes

Brasilseg Seguro rural

Fonte: Valor Econômico, Revista Agronegócio

Previsibilidade. Esta é a palavra mais repetida quando o assunto é o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), que visa proteger a safra, especialmente de riscos climáticos. Mas de previsível nem o tempo, nem os recursos disponibilizados pelo governo federal aos produtores. “Temos as adversidades do clima com a ocorrência do El Niño na safra atual e previsão de La Niña em 2024/2025. Precisamos de previsibilidade para elevar a área segurada e mitigar riscos dos produtores com custos cada dia mais elevados”, afirma Guilherme Rios, assessor técnico da Comissão Nacional de Política Agrícola da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Desafios não faltam para o seguro rural avançar no Brasil. O governo tem relegado esse tipo de seguro a segundo plano, sem novos recursos incluídos no anúncio do Plano Safra 2024/2025, assim como foi em 2023, acentuando a instabilidade orçamentária, o que, segundo os entrevistados, destrói o planejamento das seguradoras e dos produtores, que acabam recorrendo ao refinanciamento da dívida em caso de perdas.

Como o seguro rural segue o ano civil, e não o ano safra, os recursos só são definidos junto com o Orçamento da União. De acordo com o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, o pleito de seguro rural em torno de R$ 3 bilhões será trabalhado na elaboração da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2025. A CNA luta para conseguir R$ 4 bilhões diante das incertezas climáticas. As contratações do PSR estão concentradas em seis atividades, que representaram aproximadamente 85% do orçamento aplicado no ano de 2023, como soja, milho, trigo, maçã, café e uva.

Mesmo anunciando os recursos pretendidos, o governo não cumpriu ou atrasou os valores disponibilizados no orçamento aprovado pelo Congresso Nacional nos últimos três anos. No primeiro semestre deste ano, foram liberados apenas R$ 346,5 milhões para a subvenção ao prêmio do seguro rural do orçamento de R$ 947,5 milhões de 2024. Ao todo, foram subvencionadas 31,9 mil apólices, com área coberta de 1,6 milhão de hectares e valor assegurado de R$ 8,8 bilhões. Em 2021, R$ 1,15 bilhão, suficiente para segurar 17% da área plantada no Brasil. Em 2022, pouco mais de R$ 1 bilhão. Em 2023, o pedido era de R$ 2 bilhões, mas só vieram R$ 933 milhões, o que cobriu apenas 8% da área plantada.

O Plano Safra 2024/2025 trouxe apenas um aporte de R$ 500 milhões destinado ao Rio Grande do Sul, que sofreu com enchentes e inundações. “Um evento semelhante teria proporções catastróficas para o agro se tivesse ocorrido três ou quatro semanas antes no Sul, antes da colheita da safra”, diz Daniel Castillo, vice-presidente de resseguros do IRB(Re).

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) monitora a atuação das seguradoras habilitadas no PSR no Sul do Brasil. Do total de aproximadamente 16 mil apólices comercializadas para as principais culturas de verão (arroz, milho e soja), cerca de três mil estavam com aviso de sinistro até junho. De acordo com a Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg), o seguro rural acumula 2.215 pedidos de indenizações, estimadas em R$ 181 milhões até 16 de junho.

A tragédia no Sul colocou novamente na pauta do setor a criação de um fundo catástrofe para fazer frente a perdas acima da série histórica, como a registrada em 2022. “Apenas entre os anos de 2020 e 2022, as seguradoras pagaram aos produtores rurais cerca de R$ 16 bilhões em indenizações”, comenta Jônatas Pulquério, diretor do departamento de gestão de risco na Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (SPA/Mapa).

De acordo com Rios, da CNA, com o maior volume de perdas, o fundo se torna urgente para manter as seguradoras no ramo e preços mais estáveis para os produtores. O fundo seria acionado para recompor as perdas das seguradoras em caso de eventos climáticos severos acima da série histórica, evitando assim a instabilidade da oferta do seguro. A CNA também quer blindar os recursos, por meio da transferência dos recursos para Operações Oficiais de Crédito (OOC).

Os executivos de seguros afirmam que a demanda dos produtores é grande e há frustração com os valores liberados. “A insuficiência de recursos destinados à subvenção do prêmio do seguro rural coloca em risco a segurança financeira dos produtores, que precisam recorrer a renegociações de dívidas, o que é um ônus maior para o governo do que reservar recursos para o subsídio”, argumenta Joaquim Neto, presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).

A Brasilseg, líder do segmento, manteve-se presente em todas as regiões de atuação, por ter um contrato de resseguro adequado. “É fundamental que se criem mecanismos que viabilizem a universalização do seguro em todo o país, para reforçar o conceito do mutualismo e dar sustentabilidade diante das perdas que certamente serão registradas em virtude dos fenômenos climáticos cada vez mais frequentes e impactantes”, comenta Amauri Vasconcelos, CEO da Brasilseg, uma empresa da BB Seguros.

No ano passado, a Brasilseg ampliou em 44% o volume de negócios com parceiros agro para além do balcão do Banco do Brasil, em especial com revendas agrícolas, cooperativas e correspondentes bancários, e a expectativa é continuar fortalecendo essas relações em 2024.

Fabio Damasceno, diretor técnico de seguro rural da Mapfre, segunda maior seguradora do segmento, acredita que a discussão no seguro rural, principalmente com a tragédia do Rio Grande do Sul, deve incluir todo o setor atingido, governo e sociedade para mudar esse cenário de incertezas. “O cerne da questão são as mudanças climáticas, que se anteciparam em muitos anos, e as ofertas atuais de seguro precisam ser revistas. Embora os modelos de precificação tenham evoluído, o clima e a conjuntura econômica são dinâmicos e podem alterar completamente a estratégia e a percepção de risco de todos os envolvidos. A imprevisibilidade de recursos, calendário e contingências relacionadas aos subsídios adicionam mais complexidade.”

Imprevisibilidade no seguro rural suscita debates sobre clima, produto e tecnologia

Apesar da grande importância do subsídio para ampliar o uso do seguro rural no agronegócio no Brasil, a imprevisibilidade tem incentivado a criação de novas estruturas de oferta de seguros para o segmento. Como alternativa, as empresas da cadeia de valor do agro, tais como, cooperativas, fornecedoras de insumos, instituições financeiras e revendas agrícolas, começaram a buscar por soluções estruturadas, visando oferecer solução para todo o seu portfólio de produtos, afirma Paulo Vitor Rodrigues, diretor regional de Food & Agribusiness na corretora Aon LATAM.

Nesta semana, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) liberou R$ 210 milhões de recursos adicionais exclusivos para contratação de seguro rural no Rio Grande do Sul no 2º semestre deste ano, por meio do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural. O auxílio financeiro do governo federal que apoia a contratação de seguro rural irá beneficiar cerca de 22 mil produtores gaúchos, com aproximadamente 31 mil apólices. O ministério também prevê que a área rural segurada deve alcançar 1 milhão de hectares e o valor total dos bens segurados pode alcançar R$ 9,5 bilhões.

A liberação do valor extra foi possível após a pasta alterar a distribuição do orçamento total de R$ 1,15 bilhão do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) para 2024, conforme a Resolução 101, do Comitê Gestor Interministerial do Seguro Rural, publicada nesta segunda-feira (29). E ocorre após as fortes chuvas que atingiram o estado nos meses de abril e maio.

Em nota, o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária, Guilherme Campos, afirmou que o governo federal está atento aos problemas enfrentados pelos produtores das regiões do estado atingidas pela catástrofe climática de maio.

De acordo com a CNseg entre 2013 e 2023, desastres naturais causaram R$ 639,4 bilhões de prejuízos em todo o Brasil, sendo 56% dos prejuízos no setor agropecuário. Na última safra, apenas 7% das lavouras cultivadas no Brasil estavam seguradas. Segundo o presidente da Confederação, é importante que seja ampliados os recursos do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), além de outros mecanismos, junto à União, para que se possa mitigar os riscos das operações do Seguro Rural em um contexto de mudanças climáticas. “Não dá para ter mais esse modelo com restrição orçamentária tão severa do PSR, não é mais sustentável. Podemos ter sérios problemas na agricultura brasileira nos próximos anos, se não tivermos uma expansão dos mecanismos de cobertura de risco”, destacou.

Devido ao cenário de perdas das safras de 2021 e 2022, onde somente de janeiro a junho de 2022 foram indenizados mais de R$ 7,7 bilhões, segundo dados da Susep, 352% acima do mesmo período do ano anterior, as seguradoras enfrentaram mais dificuldades na negociação de seus contratos de resseguros, tornando as condições mais restritivas e a capacidade mais limitada. Isso impactou o acesso ao seguro para pequenos e médios produtores de maneira individual.

Daniel Castillo, vice-presidente de Resseguros do IRB(Re), afirma que no ramo agrícola, o efeito da tragédia do Sul foi relativamente pequeno, pois boa parte da safra já estava colhida. Além disso, o estado já vinha de quatro quebras de safra nos últimos cinco anos, o que já estava refletido na precificação e tinha reduzido as contratações na região pois os produtores se encontravam sufocados com o baixo preço das commodities e alta de custos de produção. Para o setor de máquinas e equipamentos, a perda poderá ser maior. “Estamos em processo de avaliação do prejuízo total com as seguradoras”, informou.

Segundo Castillo, disseminar a gestão de riscos é uma missão séria. “Estamos cientes de que existe uma grande lacuna de proteção no mundo e, em especial, no Brasil. Eventos como esse mostram claramente a diferença entre a perda segurada e as perdas econômicas. Acreditamos em um amplo debate entre o mercado de seguros, o poder público e os agentes do setor agrícola (empresas de tecnologia, cooperativas, bancos etc). Entendemos que o setor precisa de proteção, pois eventos catastróficos como o do Rio Grande do Sul têm o potencial de destruir toda a cadeia produtiva e a economia de diversas cidades. Um evento semelhante teria proporções catastróficas para o agro se tivesse ocorrido três ou quatro semanas antes”.

O debate deveria envolver temas como o crédito ao produtor, o seguro agrícola e a subvenção federal se espelhando em modelos que deram certo em outros países. Desta forma, os bancos seguiriam atuando na captação e financiamento, as cooperativas na tecnificação do produtor, as empresas de tecnologia seriam demandadas para apresentar soluções para modernizar o programa, o mercado segurador no zelo pelo resultado e de suas margens de lucro e o governo nas políticas públicas de auxílio ao produtor, vinculados ao crédito e ao seguro.

Felipe Alves, CEO da Essor Seguros, segue na mesma linha de “união” de todos. ‘A frequência e severidade dos acontecimentos recentes realçam a necessidade de implementar ferramentas adicionais para prevenção e mitigação de riscos e um modelo de seguro catastrófico, onde haja colaboração entre os setores público e privado, com responsabilidade compartilhada entre estes”, cita.

No caso do seguro para catástrofes, há vários exemplos na América Latina. Especificamente para o setor agrícola, um exemplo é o modelo mexicano, onde existem seguros adquiridos pelo governo federal em colaboração com os governos estaduais, conseguindo potencializar os recursos disponíveis, que, através do pagamento do prêmio do seguro, conseguiram proteger os produtores do país (com respectivas regras de distribuição).

“A gestão conjunta de questões relevantes de governança por todos os atores na cadeia do agronegócio é crucial. Além disso, gostaríamos de reforçar a necessidade de criar um modelo de seguro para catástrofes, envolvendo a colaboração de entidades públicas e privadas. É inegável que continuaremos a enfrentar eventos imprevistos com mais frequência, portanto, precisamos estar preparados e seguros para enfrentá-los”, destaca o CEO da Essor.

Outra saída tem sido o seguro paramétrico, com ou sem subvenção. “Sem previsibilidade fica difícil”, afirma Rodrigo Motroni, vice-presidente da Newe Seguros. “Estamos testando e funciona”, conta, citando o case do Sul da Bahia para o pequeno produtor. O seguro paramétrico é baseado na definição de índices verificáveis por meio do uso de tecnologia, sem a necessidade de vistoria presencial de peritos como no seguro rural tradicional, o que reduz os custos e amplia a possibilidade de acesso por pequenos produtores. A modalidade permite a adoção de condições customizadas conforme cada atividade.

Em fevereiro deste ano foi paga a primeira indenização ao produtor baiano devido à falta de chuvas entre agosto e novembro. Na elaboração e contratação da apólice, foi apurada a média de precipitação na região desde 1981 e foram definidos os “gatilhos” para que a indenização fosse acionada e interrompida. Ou seja, se durante aqueles meses chovesse menos do que o “combinado” pelas partes, o cacauicultor teria direito à indenização. O seguro foi feito para uma área de três hectares onde Edmundo Almeida planta cacau no sistema cabruca. A apólice custou R$ 400, já que ele teve subsídio de 40%.

Além do subsídio

Rodrigues, da AON, afirma que a compra do seguro rural não está limitada ao acesso ao programa de subvenção do governo, porém, ele é um grande impulsionador para as vendas. “Quando analisamos os recursos disponibilizados nos últimos 10 anos, é possível observar que a variação de apólices contratadas acompanha a variação do programa. Nos anos em que foram disponibilizados maiores volumes, o número de apólices também subiu e vice-versa”, diz.

Há casos dos seguros de grandes produtores e dos seguros florestais, em que devido ao tamanho das áreas, o programa de subvenção acaba não sendo o maior diferencial e há a contratação do seguro por parte do produtor. Segundo Rodrigues, algumas empresas da cadeia de valor do Agro, visando promover uma proteção ao seu produtor, garantindo a perenidade de suas operações, estão oferecendo subsídios privados para seus clientes, viabilizando assim a contratação do seguro rural, mesmo com a falta de recursos da subvenção federal.

Atualmente, o grupo HDI, composto pelas marcas HDI e Yelum, oferece seguros para Equipamentos Agrícolas em duas modalidades. A primeira é a de Benfeitorias, que é voltada para equipamentos não financiados por crédito rural. A segunda é a de Penhor Rural, que é indicada para equipamentos financiados por crédito rural. Entre os itens cobertos estão tratores, colheitadeiras e implementos, ou seja, qualquer material relacionado às atividades agrícolas, pecuárias, aquícolas e florestais. “Em breve, lançaremos o produto Cultivo no estado do Paraná”, conta Marcos Siqueira, diretor de Transportes e Equipamentos Rurais do Grupo HDI Seguros.

Tecnologia agrega valor à cadeia

As plataformas digitais podem melhorar significativamente as vendas e a distribuição de seguros agrícolas de várias maneiras, afirma Luiz Leonardo Leite Filho, gerente de inovação em agro da Munich Re. Com base na análise de dados capturados, por meio destas plataformas, as seguradoras podem viabilizar a oferta de produtos personalizados, adaptados às necessidades específicas de cada agricultor, com base nos tipos de cultivo, localização geográfica e perfis de risco.

A Munich RE embarcou numa jornada de desenvolvimentos e hoje oferece um conjunto de ferramentas que chamamos de Agro Digital Suite (ADS). Em linhas gerais conta com uma plataforma que viabiliza a distribuição, pela seguradora, do seguro; uma sistemática de análise de risco a nível de talhão; e um módulo de gestão ativa das carteiras.

“Além de alavancarem as vendas, podem contribuir significativamente para uma melhor experiência do agricultor na etapa pós venda, seja enviando notificações sobre os processos de emissão das apólices, suporte a abertura e andamento de sinistros e viabilizando o compartilhamento de informações sobre o risco do produtor com a seguradora”, comenta. Podem ainda ser via de conexão com outros serviços, tais como ferramentas de gestão agrícola, serviços financeiros e acesso ao mercado, oferecendo uma solução abrangente e que agregue valor à cadeia produtiva, aumentando assim a percepção de valor no seguro agrícola pelos agricultores e retroalimentando as seguradoras”, acrescenta.

André Lins, corretora Alper Seguros, aposta na tecnologia como aliada do crescimento do seguro rural, mesmo sem subsídios. “Lançamos a plataforma Agrobiz, 100% digital, para descomplicar a administração e distribuição de serviços agrícolas, entre eles os seguros para diferentes tipos de culturas. Apostamos no potencial deste segmento e nossa meta é plugar inúmeras utilidades além da contratação e gestão dos seguros”. 

Para o executivo da Aon, as plataformas digitais são ferramentas fundamentais na estratégia de distribuição do seguro agrícola. Elas permitem levar autonomia e agilidade para quem está na ponta da operação, podendo ser o corretor, a cooperativa, instituição financeira ou o próprio produtor diretamente. Através das plataformas digitais, é possível escalar a operação, sem que haja um grande aumento no custo. “Um dos principais desafios dessas plataformas está na conexão com os sistemas das seguradoras, geralmente feitas através de uma API (Application Programming Interface), que nem todas as seguradoras possuem ou oferecem para se conectar a uma plataforma terceira”.

Alves, da Essor, concorda, mas faz ressalvas. As plataformas digitais podem ajudar na distribuição e são extremamente importantes na obtenção e controle de informações, contribuindo para tornar a contratação do seguro mais simples e transparente. “Porém ainda é de extrema importância a consultoria no momento da contratação do seguro agrícola, onde o produtor terá a possibilidade de escolher a opção de seguro que melhor se adapta ao seu risco e acima de tudo, entender com clareza sobre as condições de cobertura e os diferenciais de cada seguradora. Ainda estamos em um processo de conscientização da necessidade do produtor rural adquirir um seguro para proteger seu cultivo e seu patrimônio. Trata-se de um produto com uma contratação altamente consultiva, que envolve diversos aspectos relacionados ao local do risco, datas de semeadura, início de cobertura, índice de produtividade garantido, entre outros”.

Felipe Prado Ribeiro, diretor técnico responsável pelas áreas de RD Equipamentos, Produto Financial Lines & Responsabilidade Civil e Produto Agricultura da Sompo, conta que incrementou parcerias com hubs de inovação e agtechs com objetivo de desenvolver serviços de valor agregado que devem contribuir com todo o processo desde a subscrição, gerenciamento de riscos e indenização de sinistros. Entre eles, o uso de monitoramento de colheitas via satélite, drones para vistorias entre outras possibilidades de serviços. Desde 2023 a seguradora tem uma parceria com a Agtech Innovation, hub de inovação especializado no agronegócio que faz parte do network PwC. A parceria foi estabelecida como objetivo fomentar a inovação aberta para o desenvolvimento de soluções que agreguem valor aos seguros voltados ao agronegócio, segmento em que a companhia tem expressiva atuação.