Programa de catástrofes naturais espanhol CCS irá cobrir danos segurados na tragédia de Valência

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Com agências internacionais

Uma parte significativa da compensação das perdas causadas pelas enchentes na Espanha será coberta pelo Consorcio de Compensación de Seguros (CCS). A entidade pública, vinculada ao Ministério da Economia, Comércio e Indústria, compensará os cidadãos que sofreram danos assim que os avaliadores puderem se deslocar para as áreas afetadas, conforme declarou o ministro da Economia, Carlos Cuerpo, na rede social X, na semana passada.

Em 29 de outubro de 2024, inundações extremas, provocadas por chuvas torrenciais intensas, impactaram as regiões espanholas de Valência, Albacete, Cuenca e leste da Andaluzia. O governo espanhol mobilizou 10 mil pessoas para dar suporte nas regiões atingidas pelas fortes chuvas ao longo desta semana, chamada de “evento Dana”. O número de vítimas já chega a 211, e mais de 2 mil pessoas continuam desaparecidas na região que cerca a terceira maior cidade do país. De acordo com a Morningstar DBRS, as perdas seguradas devido às inundações extremas nas regiões leste e sul da Espanha devem ultrapassar € 1 bilhão, considerando os danos significativos a pessoas, propriedades, veículos e empresas, bem como ao setor agrícola.

Na Espanha, a cobertura de riscos extraordinários, incluindo inundações e tempestades, é obrigatória para qualquer cobertura de seguro básica oferecida por companhias de seguro privadas. O CCS não recebe financiamento público; em vez disso, é financiado por um encargo sobre os prêmios de apólice pagos pelos segurados e cumpre suas obrigações por meio da constituição de uma reserva de equalização. Essa entidade garante que, desde que a propriedade afetada esteja previamente segurada, a compensação pode ser fornecida tanto para danos materiais quanto imateriais. Estes incluem perda de aluguel, despesas de acomodação temporária e interrupção de negócios.

O CCS “cobre a compensação” “desde que” a propriedade tenha sido previamente segurada, esclarece a Organização de Consumidores e Usuários da Espanha (OCU). Eles também alertam que o Consórcio aplica períodos de carência, de modo que os segurados não poderão utilizar sua apólice até que um certo período de tempo tenha se passado – geralmente sete dias – desde o início da apólice. Além disso, a entidade cobrirá o valor pelo qual a propriedade foi avaliada com base no contratado com a seguradora privada. Portanto, a organização solicita que o governo implemente uma assistência extraordinária para cobrir propriedades não seguradas.

Por sua vez, o CCS informou que cobrirá os danos causados às pessoas e propriedades seguradas, incluindo residências, comunidades, veículos, estabelecimentos comerciais e indústrias em Valência, Albacete, Málaga, Cuenca e leste da Andaluzia. Especifica que, além dos danos materiais, também compensará os afetados por danos imateriais, como perda de renda de aluguel, despesas de acomodação resultantes da inabitabilidade da casa ou perda de receita devido ao fechamento de estabelecimentos comerciais, industriais e de serviços.

Dada a magnitude dos eventos, especialistas acreditam que as consequências para o setor de seguros e resseguros privados serão significativas, com grandes reivindicações de indenizações, o que possivelmente comprometerá a rentabilidade da subscrição das companhias de seguros espanholas.

As recentes enchentes trágicas no sul do Brasil, particularmente no estado do Rio Grande do Sul em abril, destacaram a necessidade urgente de soluções eficazes de gestão de riscos para mitigar as perdas causadas por desastres climáticos. O modelo espanhol, exemplificado pelo Consorcio de Compensación de Seguros, serve como um exemplo relevante para o governo brasileiro considerar. Se um programa de seguros semelhante estivesse em vigor no Brasil, com cobertura de danos climáticos obrigatória, os esforços de recuperação na região sul poderiam ter sido mais eficientes e menos onerosos para as finanças públicas. Dos R$ 100 bilhões em perdas sofridas durante as enchentes no Rio Grande do Sul, apenas 6% contavam com cobertura para catástrofes.

Novas regras de solvência para seguradoras britânicas começam em janeiro de 2025

A indústria de seguros e poupança de longo prazo do Reino Unido, representada pela Association of British Insurers (ABI), está preparada para fortalecer sua atuação em benefício de clientes, da economia e da sustentabilidade nos próximos anos. Carol Hall, chefe de Assuntos Digitais e Internacionais da ABI, explica que as prioridades da associação para 2024 e 2025 envolvem três pilares principais: conquistar a confiança dos consumidores, investir em pessoas e no planeta e colaborar com membros e stakeholders para moldar um mercado eficaz.

“Queremos moldar um ambiente legislativo, regulatório e tributário que libere o potencial pleno do nosso setor para apoiar clientes e a economia globalmente”, enfatizou em entrevista ao Sonho Seguro, durante o Brazil UK Insurance Forum, promovido em parceria com a CNseg, a conferação das seguradoras no Brasil. Hall destaca que o seguro desempenha um papel essencial na segurança financeira das pessoas após desastres, enquanto a poupança de longo prazo é fundamental para a resiliência financeira futura. A ABI pretende assegurar que os clientes de seus membros tenham uma experiência positiva com a indústria de seguros e poupança, promovendo crescimento, confiança e uma atuação inclusiva, com foco em desafios econômicos, ambientais e de saúde.

Desde o Brexit, uma das maiores reformas para o setor de seguros do Reino Unido foi a introdução do Solvency UK, que entra em vigor em 31 de dezembro de 2024. Essa mudança regula a saída do padrão europeu Solvency II, podendo liberar £100 bilhões para investimentos em ativos produtivos do Reino Unido na próxima década. “Para impulsionar esse investimento, estabelecemos um fórum de líderes do setor como parte do nosso Investment Delivery Forum, que servirá de catalisador para projetos de infraestrutura no Reino Unido”, afirma Hall.

Com mais de 300 empresas associadas, a ABI representa um setor robusto que emprega mais de 300 mil pessoas em carreiras qualificadas e de longo prazo, das quais dois terços atuam fora de Londres. Esse setor administra cerca de £1,5 trilhão em investimentos, gera £18,5 bilhões em impostos para o governo e contribuiu £36 bilhões para a economia britânica em 2021. Em 2022, as exportações de serviços de seguros e poupança de longo prazo no Reino Unido alcançaram £23,5 bilhões.

A ABI delineou um manifesto com a ambição de estabelecer uma parceria ativa com o governo para enfrentar alguns dos maiores desafios do país. Isso inclui promover o crescimento econômico e a competitividade, estimular as economias e investimentos nacionais, possibilitar a transição para a energia limpa e reforçar a resiliência climática, além de melhorar a capacidade do país de enfrentar riscos novos e emergentes.

Segundo Hall, a associação vem liderando a sustentabilidade no setor de seguros com seu Climate Change Roadmap, publicado em 2021, que estabelece marcos cruciais para reduzir as emissões do setor pela metade até 2030 e atingir o Net Zero até 2050. Muitas empresas já aderiram à campanha ‘Race to Zero’ da ONU, estabelecendo metas de descarbonização e avançando com planos de transição. “Nossas diretrizes de boas práticas apoiam o setor no engajamento com cadeias de fornecimento para reduzir as emissões relacionadas ao atendimento de sinistros e clientes”, afirma Hall. O Roadmap será atualizado em 2025, reforçando o compromisso com a transição da economia para o Net Zero.

Bradesco Seguros amplia vendas nos canais digitais em 43% no ano

O faturamento dos produtos comercializados nos canais digitais do Grupo Bradesco Seguros atingiu R$ 4,3 bilhões nos primeiros nove meses de 2024, chegando a 3,4 milhões de itens, com crescimento de 42,8% na quantidade de negócios em comparação com o mesmo período de 2023. O app da Bradesco Seguros, que reúne cerca de 90 funcionalidades considerando todas as linhas de negócios, superou a marca de um milhão de usuários únicos e 6,8 milhões de transações por mês.

“Esses importantes resultados são reflexo do foco contínuo da companhia nos nossos clientes e corretores, para entregar experiências cada vez mais fluidas e resolutivas, por meio de investimentos estratégicos em tecnologia, inteligência em dados e design”, destaca José Loureiro, diretor de Inovação, Digital e Dados do Grupo Bradesco Seguros.

Grupo Bradesco Seguros participa com 46% do lucro do banco

bradesco seguro predio

O Grupo Bradesco Seguros registrou lucro líquido de R$ 2,4 bilhões no terceiro trimestre de 2024, o que representa crescimento de 8,1% em relação ao trimestre anterior, com evolução do ROAE de 22,1% para 23,74%. No acumulado de janeiro a setembro, o lucro líquido atingiu R$ 6,5 bilhões, alta de 0,4% frente ao mesmo período de 2023. O banco reportou lucro recorrente de R$ 5,2 bilhões no terceiro trimestre de 2024, alta de 13,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Em comparação com o segundo trimestre, a cifra escalou 13%. Assim, o braço de seguridade foi responsável por 46% do lucro do banco no terceiro trimestre.

Já o faturamento (receitas de prêmios, contribuições de previdência e receitas de capitalização) somou R$ 31,5 bilhões no trimestre, aumento de 4,2% sobre o trimestre anterior, e R$ 89,6 bilhões no ano, alta de 14,0% na comparação com os nove primeiros meses de 2023.

A boa performance do faturamento e a melhora dos índices de sinistralidade e comercialização contribuíram para o avanço do resultado das operações, que apresentou evolução de 4,2% no acumulado do ano, em relação ao mesmo período de 2023. Merece destaque a redução de 2,4 p.p na sinistralidade frente ao segundo trimestre de 2024, atingindo 76,2%. Quanto às indenizações e benefícios pagos de janeiro a setembro, o Grupo retornou à sociedade um total de R$ 41,8 bilhões.

Em seguro de vida, a grade de produtos da Bradesco Vida e Previdência apresentou avanços no período. Os destaques ficaram por conta do lançamento do seguro Empresarial Flexível MEI, focado no microempreendedor individual, e da evolução do Empresarial Flexível Pessoa Chave, produto que se diferencia pela flexibilidade de coberturas e assistências.

Já em previdência, a companhia alcançou uma captação líquida de R$ 8,0 bilhões no ano, e lançou o Pecúlio Super Simples Bradesco, produto que concede indenização única aos beneficiários no valor mínimo de R$ 25 mil e máximo de R$ 1,2 milhão, em caso de falecimento do participante do plano previdenciário.

A Bradesco Saúde anunciou a ampliação da sua rede de prestadores credenciados na região Centro Oeste, fortalecendo a capacidade de atendimento em municípios que são referência do agronegócio brasileiro.
No ramo de seguro de automóveis, a Bradesco Seguros firmou, com a Livelo, parceria que possibilita a utilização de pontos na contratação total ou parcial do seguro. A companhia anunciou, ainda, a criação do Bradesco Seguro Moto, para atender às necessidades específicas desse segmento, disponível para motos de uso particular, nacionais e importadas, sob regras contidas nas condições do produto.

Em Ramos Elementares, a Bradesco Seguros lançou, em conjunto com o Bradesco Expresso, um produto pré-formatado que visa a proporcionar praticidade para o cliente e ampliar o acesso ao seguro residencial.

Já a Bradesco Capitalização alcançou, no terceiro trimestre de 2024, crescimento de 33% no faturamento pelos canais digitais, em relação ao mesmo período do ano anterior, mantendo a liderança do mercado.

A Atlântica Hospitais concluiu as operações anunciadas nos trimestres anteriores, como a aquisição de participação de 20% do Grupo Santa, rede de hospitais líder no Centro-Oeste, além de criação da nova rede de Hospitais, Atlântica D’Or, com a inauguração das unidades de Guarulhos (SP) e Alphaville (SP) durante o mês de outubro.

Grupo HDI aprimora portfólio de seguros de vida

Igor di beo HDI

Fonte: HDI

O Grupo HDI, um dos principais conglomerados seguradores do Brasil, anuncia novidades em coberturas e serviços em sua linha de Vida. As atualizações foram apresentadas em encontros com corretores, distribuidores e parceiros promovidos pelo Brasil, ao longo dos últimos meses.

O Grupo passa a operar com um portfólio de Vida ainda mais robusto e alinhado às necessidades de seus segurados, contando com todo o legado e a experiência das marcas HDI, Sompo Consumer e Yelum – antiga Liberty Seguros.

“Este é um movimento que nos permite consolidar nossa ampla oferta de produtos de Vida, que atende tanto pessoas físicas quanto empresas, já presentes nas marcas do grupo. Seguimos investindo em melhorias e inovações para garantir a melhor experiência para nossos clientes,” destaca Igor Di Beo, vice-presidente de Vida e RE do Grupo HDI. “E os encontros com os corretores são fundamentais para reforçar nosso compromisso de proximidade e parceria, além de mostrar as novas soluções que trarão mais tranquilidade e proteção aos segurados.”

Novidades no portfólio de seguros de Vida

A partir de 13 de setembro, os clientes de Vida Individual – da HDI Seguros – passaram a contar com a Telemedicina Fleury, que oferece atendimento digital para casos de baixa complexidade, descontos em medicamentos e exames em laboratórios credenciados. Além disso, a cobertura de Assistência Funeral Plus foi ampliada para incluir pais, cônjuge e filhos do segurado principal.

No caso da Yelum, a marca apresenta a nova cobertura de Assistência Funeral Familiar Plus, disponível nos produtos Vida Especial e Vida Perfil. A cobertura abrange o segurado principal, seus pais, cônjuge e filhos com planos que vão de R$ 5 mil a R$ 10 mil. Além disso, o serviço de Telemedicina Saúde e Bem-estar do Hospital Israelita Albert Einstein – disponível no produto Vida Perfil – agora inclui teleorientação em psicologia, nutrição, educação física, fisioterapia e fonoaudiologia.

Além disso, o Grupo HDI está preparando uma série de ações focadas na frente de Vida voltadas para corretores e parceiros que acontecerão até o final deste ano, entre elas um episódio especial do Cresçacast, podcast do Cresça Corretor, programa de relacionamento da companhia.

“Estamos muito satisfeitos e otimistas com a evolução do nosso portfólio de Vida. Nossa prioridade é oferecer soluções que realmente façam a diferença na vida dos nossos clientes, proporcionando mais segurança, conveniência e acesso a serviços essenciais. A inovação em nossas coberturas e serviços reflete o compromisso contínuo do Grupo HDI em aprimorar a experiência dos nossos segurados”, conclui Di Beo.

Relação comercial entre Brasil e Reino Unido é evidenciada em evento de seguros em Londres

Dyogo Oliveira, presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), destacou, na abertura do Fórum Brazil UK, o papel vital do setor segurador na economia brasileira e as oportunidades de crescimento e inovação no mercado. Segundo ele, o Brasil vem atraindo investimentos das maiores seguradoras e resseguradoras internacionais, refletindo um mercado moderno e em expansão.

“Temos hoje cerca de R$ 2 trilhões em reservas técnicas, que representam 26% da dívida pública brasileira, uma contribuição relevante para o país”, afirmou Oliveira. Ele ressaltou ainda o volume de indenizações pagas em 2023: “Recebemos mais de 60 mil pedidos de indenizações, que totalizaram R$ 6 bilhões, contra uma perda econômica estimada em R$ 100 bilhões. Esse é o nosso maior desafio: expandir o acesso aos produtos de seguro para que mais pessoas possam ter estabilidade financeira diante de momentos difíceis.”

Oliveira enfatizou também a necessidade urgente de o setor enfrentar os riscos climáticos. “Não há como escapar dos riscos climáticos; as seguradoras precisam estudá-los para oferecer soluções adequadas. A mudança climática chegou a um ponto crítico, com o aquecimento global atingindo 1,5°C. O setor de seguros tem um papel essencial na transição energética, e precisamos aproveitar a oportunidade que os riscos climáticos nos oferecem”, disse ele, ressaltando a importância da inovação contínua no setor.

Outro ponto prioritário, segundo Oliveira, é a segurança cibernética. “Estamos cada vez mais dependentes da tecnologia e colocamos nossa vida inteira no celular, acreditando que estamos seguros. No ano passado, o Brasil sofreu cerca de 8 bilhões de ataques cibernéticos. Precisamos desenvolver tecnologias que garantam a eficiência e a produtividade, mas também minimizem os riscos associados”, pontuou ele.

Para encerrar, Oliveira destacou a relevância da infraestrutura como terceira prioridade nas discussões do evento. O novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal prevê investimentos de R$ 1,7 bilhão em diversos modais de infraestrutura no país, onde o setor segurador desempenha um papel fundamental.

“Nenhuma obra ocorre sem a participação do setor de seguros. Estimamos R$ 5 bilhões em prêmios para o setor apenas com os projetos já mapeados pelo governo”, afirmou. “Trabalhamos para que o mercado de seguros esteja preparado para enfrentar esses desafios com parcerias internacionais, fortalecendo o intercâmbio entre Brasil e Reino Unido”, concluiu Oliveira.

Reino Unido e Brasil: ampliação das relações bilaterais

O secretário-Executivo do Ministério do Planejamento e Orçamento, Gustavo Guimarães, apresentou o cenário macroeconômico do Brasil. Guimarães destacou as reformas estruturais recentes e a melhoria institucional que têm impulsionado o PIB e o mercado de trabalho. Ele também abordou desafios importantes, como a implementação da reforma tributária, o controle da dívida pública e medidas para fortalecer a competitividade do país. .

Em sua apresentação, o secretário chamou atenção, entre outros pontos, para o crescimento das vendas no varejo e da utilização da capacidade instalada da indústria, bem como para o tamanho do mercado brasileiro, tanto em termos de PIB quanto de PIB per capita, em relação a outros países emergentes.

Os slides também destacaram que o desempenho do PIB vem superando as projeções do mercado. Guimarães discorreu ainda sobre as principais regras e metas do Regime Fiscal Sustentável, sobre os desafios da transição demográfica e sobre a Estratégia Brasil 2050, que é o plano para o longo prazo do país.

Já do lado do Reino Unido, Cathryn Law, diretora de estratégia internacional e relações comerciais do Departamento de Negócios e Comércio do Reino Unido, destacou a importância do Brasil como maior parceiro comercial britânico na América do Sul e enfatizou as oportunidades de ampliação dessa relação bilateral. Apesar de não poder comentar amplamente sobre o cenário econômico britânico devido à divulgação do aguardado Orçamento do Reino Unido no mesmo dia, Law reforçou o potencial de cooperação entre os dois países.

“O Brasil é o maior parceiro comercial do Reino Unido na América do Sul. Temos fluxos consideráveis e que devem aumentar nos próximos anos. Como disse o embaixador Patriota, isso é apenas a ponta do iceberg e pode crescer ainda mais,” afirmou Law, mencionando também a recente visita de um secretário britânico ao Brasil, onde se encontrou com diversas empresas e com o ministro Geraldo Alckmin. “Ele voltou entusiasmado e elogiou muito o Brasil”, comentou.

Ela ressaltou que o crescimento é uma das principais missões do Reino Unido e que os serviços financeiros representam uma prioridade para o governo britânico. “O setor de seguros, especificamente, é muitas vezes subestimado, mas desempenha um papel essencial para a resiliência econômica, contribuindo com 32% do PIB da City de Londres, sendo que quase 70% dos clientes vêm do exterior,” explicou Law. “Esse setor contribui para avançar o crescimento econômico e desempenha um papel especial em relação aos riscos climáticos, que hoje representam um importante negócio para as empresas.”

O Reino Unido, de acordo com Law, possui vasta expertise em modelagens climáticas e na transição para zero emissões, o que confere ao país uma posição de destaque no cenário internacional. Ela apontou a convergência de interesses com o Brasil nesse tema, um dos grandes desafios globais. “As companhias britânicas têm muita expertise em modelagens climáticas e na transição para zero emissões. Sabemos que esses desafios também são prioritários para o Brasil”, comentou.

Law abordou ainda a importância do setor de seguros na mitigação de riscos climáticos e na construção de resiliência financeira para as nações, mencionando que o Reino Unido tem “apetite ao risco” para aumentar o acesso ao resseguro, o que pode reduzir os custos para os contribuintes. “O setor de seguros tem um papel muito importante para enfrentar as mudanças climáticas. Por exemplo, se aumentarmos o capital de resseguros em 1%, reduziremos em 22% os custos para os contribuintes,” disse Law, observando que muitos países estão buscando a liberalização dos resseguros para mais opções e economia.

Ela também destacou que os reguladores britânicos, em parceria com o Lloyd’s of London, estão focados em práticas que apoiem a conversão para uma economia de carbono zero. “Essa é uma mudança substancial, com foco no crescimento sustentável e na mitigação dos riscos climáticos,” concluiu.

Acordo assinado entre ABI e CNseg

Para impulsionar a colaboração em questões relacionadas às mudanças climáticas e à segurança cibernética, a Associação das Seguradoras Britânicas e a CNseg assinaram um Memorando de Entendimento (MoU). O documento sedimenta o compromisso entre as duas entidades no compartilhamento de boas práticas e casos de sucesso das seguradoras brasileiras e do mercado de (re)seguros do Reino Unido.

O MoU também inclui compromissos de colaboração antes da Conferência das Partes (COP30), que será realizada em Belém, capital do Pará, na região Norte do Brasil, em 2025. Para o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, a assinatura do Memorando de Entendimento vai conferir perenidade ao desenvolvimento do conhecimento sobre os produtos de seguros.

“Já estamos prevendo a realização de estudos conjuntos e trocas de informações que permitirão que o mercado brasileiro se desenvolva mais rapidamente com soluções mais rápidas”, sinalizou Oliveira. O executivo destacou que o início da parceria entre a CNseg e a ABI permitirá criar uma troca produtiva de informações e processos para projetos de mitigação de riscos associados às mudanças climáticas.

Hannah Gurga, diretora-geral da ABI, afirma que as mudanças climáticas e a lacuna global de proteção de seguros são áreas que a ABI e a CNseg estão comprometidas em enfrentar. À medida que nos aproximamos da COP30, estou feliz em marcar nosso relacionamento contínuo com a CNseg com este importante MoU para aprimorar nossos esforços em melhorar a resiliência diante de riscos emergentes.

“É uma oportunidade fantástica de mostrar a importância de nossa indústria na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas e, o que é mais importante, encontrar maneiras de resolver a lacuna global de proteção de seguros. Nossas duas organizações se comprometeram com uma colaboração mais próxima em questões que incluem as mudanças climáticas, os riscos cibernéticos, a tributação e muitos mais”, complementou Gurga.

Assinado durante o Fórum de Seguros Brasil-Reino Unido (Brazil-UK Insurance Forum), evento organizado pela ABI e CNseg na embaixada brasileira na quarta-feira, 30 de outubro, o MoU também reconhece o compromisso contínuo mútuo em promover a cooperação, trocar opiniões e compartilhar informações sobre assuntos de interesse comum.

Embaixador destaca afinidades entre os governos

O embaixador do Brasil no Reino Unido, Antônio Patriota, destacou na abertura do evento que há muita afinidade entre o novo governo trabalhista britânico e o governo brasileiro do presidente Lula, o que favorece os laços bilaterais.

Em 2025, será comemorado o bicentenário das relações diplomáticas entre Brasil e Reino Unido, ocasião para a qual o presidente Lula convidou o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. “Há muita convergência em temas como a transição energética ecológica”. Segundo ele, as relações comerciais também podem ser intensificadas, ampliando as oportunidades de crescimento para ambos os países.

“Estamos ansiosos para trabalhar com o Brasil” afirma diretora da associação de seguradoras britânicas

Hannah Gurga, diretora-geral da Association of British Insurers (ABI), destacou durante o Fórum Brazil UK a resiliência e a adaptabilidade do setor de seguros britânico diante dos desafios atuais, com uma visão de longo prazo para enfrentar riscos climáticos e cibernéticos. “O mercado de seguros está profundamente enraizado na sociedade, e nosso propósito hoje permanece o mesmo de 300 anos atrás: onde o futuro era incerto e cheio de riscos, nós trouxemos segurança. Mas, como setor, sempre tivemos que nos adaptar. À medida que a sociedade ao nosso redor muda, nós também mudamos,” afirmou Gurga em entrevista ao Sonho Seguro.

Ela destacou o papel do setor em momentos difíceis, afirmando que o seguro está presente em situações adversas para auxiliar as pessoas a retomarem suas vidas. “Estamos presentes nas ocasiões difíceis, pagando 18 milhões de libras todos os dias em seguros de vida, cobertura para doenças graves e sinistros de bens. O setor emprega 300 mil pessoas em todo o país e desempenha um papel claro na promoção da inovação e do crescimento, permitindo que as empresas gerenciem seus riscos e se concentrem em criar novos produtos, inovar e investir,” explicou Gurga.

Um exemplo prático desse compromisso com a sustentabilidade e inovação é o parque eólico offshore em Lindsey, o maior do mundo, que foi construído com investimento de fundos de pensão e seguradoras do Reino Unido, gerando energia para abastecer a cidade de Manchester. A ABI considera esse projeto uma amostra da contribuição do setor segurador para a transição para uma economia verde.

A ABI estabeleceu, em 2021, o Climate Change Roadmap, um roteiro de mudanças climáticas para o setor de seguros do Reino Unido, que é monitorado anualmente. “Além do monitoramento, realizamos uma Conferência Climática, que este ano aconteceu em julho, para debater nosso progresso e traçar novas metas em parceria com outros países. Estamos ansiosos para trabalhar com o Brasil e explorar maneiras de lidar com riscos climáticos emergentes,” afirma a ABI, que considera o alinhamento com o país uma oportunidade de trocar conhecimento e desenvolver soluções conjuntas.

A associação destaca também o modelo britânico de resiliência contra inundações, o Flood RE, um programa desenvolvido para lidar com as consequências das mudanças climáticas e mitigar os impactos em regiões vulneráveis. “Essa é uma abordagem que pode ser usada para lidar com alguns dos efeitos da mudança climática, mas existem outros programas em outros países. Por isso, é essencial que haja um intercâmbio de ideias e que cada país aprenda com a experiência do outro,” comenta a ABI.

Em um contexto global, a ABI enfatiza a importância de parcerias público-privadas, ressaltando que este ano o G7 formalizou uma estrutura de alto nível para tal cooperação entre governos e seguradoras privadas. “Acreditamos que esse desenvolvimento é uma forma eficaz de enfrentar grandes desafios, como mudanças climáticas e riscos cibernéticos, que exigem esforços coordenados e recursos significativos. O setor de seguros tem o conhecimento técnico e a capacidade de modelagem para apoiar o enfrentamento desses riscos complexos e sistêmicos,” reforça a ABI.

Além disso, a associação ressalta a contribuição econômica do setor de seguros no Reino Unido, que representa o maior mercado de seguros e poupança de longo prazo da Europa e a quarta maior indústria do mundo. Gerenciando ativos superiores a £1,6 trilhão e atendendo a mais de 18 milhões de apólices de pensão, a ABI considera essa capacidade financeira um elemento-chave para impulsionar o crescimento e a inovação.

Com cerca de 900 seguradoras e 330 provedores de poupança de longo prazo, o setor emprega aproximadamente 300 mil pessoas no Reino Unido, gerando mais de £30 bilhões anualmente para a economia britânica. A ABI enxerga essa força econômica como essencial para assegurar resiliência às empresas e cidadãos, bem como para enfrentar os riscos de um futuro cada vez mais desafiador.

Peso no bolso dos consumidores

As apólices anuais para cobertura de edifícios e conteúdos atingiram, em média, £396 entre maio e junho, de acordo com dados publicados pela ABI. Esse valor representa um aumento de 6% em relação aos três meses anteriores e foi 19% superior ao mesmo período do ano passado.

No seguro de carros, o prêmio médio caiu 2%, para £622 no segundo trimestre deste ano, marcando a primeira queda em dois anos, conforme dados da ABI. Em resposta ao aumento significativo dos prêmios pagos pelos motoristas no Reino Unido, ministros britânicos prometeram trabalhar para conter os custos dos seguros automotivos.

“Em primeiro lugar, somos muito solidários quanto à situação em que muitas famílias se encontram devido à inflação e às pressões do custo de vida. O desafio de lidar com o custo do seguro automotivo tem sido uma prioridade da ABI há algum tempo. No outono passado, criamos um subgrupo da diretoria voltado para a questão da acessibilidade do seguro automóvel, presidido por Colm Holmes, CEO da Allianz no Reino Unido,” explicou a ABI em entrevista ao Sonho Seguro.

No início deste mês, o governo do Reino Unido realizou sua primeira reunião da força-tarefa do seguro automotivo. “Foi um prazer sermos convidados para fazer parte do painel e compartilhar a perspectiva do setor de seguros e o papel que podemos desempenhar, enfatizando que esse é um esforço coletivo. Nem uma empresa, nem um setor, nem mesmo um governo podem enfrentar sozinhos alguns dos desafios que estamos enfrentando; precisamos trabalhar juntos para ajudar a lidar com os riscos e, assim, reduzir o custo para os consumidores,” concluiu a ABI.

Retomada do PAC deve dobrar a demanda por seguro garantia, diz CNseg

forum brasil Reino Unido cnseg

por Carla Simões

Os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento do governo federal previstos de R$ 1,7 trilhão vão demandar a atuação do setor segurador e ressegurador para garantia das obras no Brasil. A nova Lei de Licitações prevê que o percentual do Seguro Garantia, quando exigido, suba dos atuais 5% para até 30% do valor do contrato, viabilizando a inclusão da cláusula de retomada nas apólices. Essa mudança permitirá que as seguradoras possam garantir a efetiva conclusão das obras na hipótese de a empresa contratada não cumprir sua obrigação. Hoje, aproximadamente 40% das obras públicas no Brasil estão paralisadas.

Durante o Fórum Brasil-Reino Unido, em Londres, integrantes do governo brasileiro e britânico e executivos de seguradoras e resseguradoras discutiram os desafios e as oportunidades que a nova leva de investimentos em infraestrutura trarão para o Brasil. 

Entre janeiro e agosto desse ano, o ramo de Seguro Garantia alcançou R$ 3,3 bilhões em arrecadação. A expectativa é crescer 29,1 % em relação a 2023, quando somou R$ 4,3 bilhões. Números da CNseg apontam que a demanda adicional com as obras do PAC poderia subir mais R$ 5 a 10 bilhões até 2030, de acordo com o presidente da Confederação Nacional das Seguradoras, Dyogo Oliveira. 

 Para este volume se confirmar, porém, todos os contratos deveriam exigir o percentual de 30% como importância segurada. “Temos um longo caminho até lá. Hoje, muitas contratações federais não exigem seguro garantia e, quando o fazem, se concentram no percentual de 5%. O governo pode ampliar o uso do seguro e esperamos que isso aconteça gradativamente ao longo dos anos”, explica Leonardo Deeke Boguszewski, Presidente do Conselho de Administração da Junto Seguros.

Para Jorge Sant’Anna, CEO da BMG Seguros, é urgente aproximar o mercado internacional dos projetos brasileiros de infraestrutura. Pelos cálculos da BMG, seriam necessários entre R$ 40 e R$ 45 bilhões de resseguro para fazer frente ao aumento de obras do PAC até 2030.

O CEO do IRB, Marcos Falcão, reconhece a importância do mercado ressegurador e entende que o aumento de capacidade deve ser dividido com resseguradoras internacionais. O executivo acredita que o IRB, como ressegurador que conhece o Brasil, pode contribuir também ajudando a educar o mercado ressegurador mundial sobre as oportunidades no país.

O presidente da CNseg concorda que a ampliação da capacidade em seguro garantia é fundamental para continuidade das obras de infraestrutura no país. “O mercado internacional conhece bem o mercado brasileiro, mas tivemos um período longo de baixo investimento. A retomada dos investimentos fará com que o mercado de seguro demande mais capacidade dos resseguradores nacionais e internacionais”.

Segundo Leonardo, eventos como esse promovidos pela CNseg no exterior ajudam a reforçar o comprometimento do governo brasileiro com a execução da agenda de infraestrutura. “O sucesso dos grandes projetos depende de um adequado compartilhamento de riscos. Governo, empresas e agentes financiadores, em conjunto com o mercado segurador e ressegurador, precisam dialogar. Se cada um fizer a sua parte, o Brasil tem todas as condições de transformar sua infraestrutura ao longo da próxima década”, conclui o Chairman da Junto.

Seguro cibernético: treinamento de funcionários e serviços para clientes

A transformação digital tem trazido avanços inéditos para a indústria de seguros, com tecnologias como inteligência artificial (IA) generativa, big data e estratégias de cibersegurança assumindo um papel central. No painel “Tendências de Inovação para a Indústria de Seguros”, especialistas exploraram como essas inovações estão moldando o setor, mas também alertaram para os desafios éticos e de segurança que acompanham essa modernização.

Caroline Dunn, Chief Underwriting Officer da Zurich no Reino Unido, discutiu o impacto da IA generativa no aprimoramento da modelagem de riscos. A Zurich tem utilizado mais de 27 fontes de dados externas para prever cenários, como riscos de incêndio, com base em variáveis que incluem localização e atividades dos vizinhos. “Combinando dados externos com nossos próprios registros, conseguimos uma visão mais detalhada do perfil de risco dos clientes”, explicou. Segundo ela, a IA não apenas amplia a capacidade de antecipação de riscos, mas também auxilia na personalização da precificação e aceitação dos seguros.

Richard Vinhosa, CEO da EZZE Seguros, destacou o potencial da IA para a análise de comportamento dos clientes, o que ele acredita ser fundamental para oferecer soluções que atendam melhor às necessidades dos segurados. No entanto, ele alerta que o desenvolvimento contínuo de inovação requer investimentos em tecnologia, que atualmente representam cerca de 10% dos recursos das seguradoras, dados os altos custos de sinistros e comissões.

Com o aumento dos ataques cibernéticos, o setor de seguros enfrenta o desafio de proteger dados e fornecer segurança aos clientes. Luke Foord-Kelcey, chefe global de Cibersegurança da Howden Re, explicou que sua equipe oferece serviços suplementares nas apólices, incluindo alertas de vulnerabilidade e recomendações para fortalecer a defesa dos sistemas corporativos. “A tecnologia de segurança cibernética evoluiu rapidamente, mas a maior vulnerabilidade ainda está nos colaboradores, então o treinamento constante se tornou essencial”, afirmou Luke.

Caroline apontou que, no Reino Unido, as seguradoras investem substancialmente na proteção de dados e na conscientização dos funcionários, considerando a crescente demanda por seguros cibernéticos que oferecem também serviços pré e pós-sinistro. Roberto Santos, presidente do conselho da CNseg, também alertou para os riscos internos no Brasil, como a coação de funcionários para a venda de dados, e reforçou a importância de regulamentações rigorosas e testes de vulnerabilidade contínuos para enfrentar essas ameaças.

O seguro cibernético é um produto relativamente novo, mas que tem se expandido rapidamente, destacaram os participantes. Caroline explicou que os clientes mais sofisticados buscam não só a indenização, mas também suporte técnico e jurídico em caso de invasões. Luke ressaltou que 80% das chamadas de emergência cibernética conseguem ser resolvidas em tempo real, mostrando que o mercado está preparado para atender as demandas, embora a diversificação da carteira de riscos ainda seja uma meta para reduzir a exposição sistêmica.

Richard apontou que o mercado ainda tem potencial de crescimento, especialmente entre empresas com grande exposição digital, como bancos e empresas de saúde, que compreendem a importância de um seguro cibernético. No entanto, ele alerta que muitos negócios ainda subestimam a necessidade de cobertura.

Questões éticas e regulatórias

Com o uso crescente de IA e big data, questões éticas também emergem, especialmente em relação à hiperpersonalização e discriminação. Miqdaad Versi, sócio da Oxbow Partners, argumentou que a personalização excessiva pode trazer impactos discriminatórios, algo que precisa ser abordado com regulamentações claras. “Algoritmos podem acentuar desigualdades sem que percebamos, discriminando inadvertidamente por fatores como raça ou localização”, afirmou Versi.

Ele detalhou dados de uma pesquisa sobre a maturidade da IA generativa nos mercados especializados e de resseguros, baseado em entrevistas com a liderança sênior de 22 das maiores resseguradoras, seguradoras e players especializados do mundo, realizadas entre abril e maio de 2024. O estudo revelou que as seguradoras atualmente não estão preparadas para adotar inteligência artificial (IA) generativa em seus modelos operacionais. O relatório, publicado em julho de 2024, mostrou que a pontuação média atribuída pelas seguradoras para seu nível de preparo em adotar IA generativa foi de apenas 5,2 em 10.

A maioria (80%) dos respondentes também destacou que os objetivos estratégicos de suas empresas são a maior barreira para a adoção da IA generativa. Enquanto isso, muitos outros participantes da pesquisa indicaram que estão adotando uma posição de “esperar para ver”, realizando investimentos em capacidades fundamentais, mas observando ativamente onde outros estão progredindo.

Richard destacou a importância de um arcabouço legal robusto que proteja os clientes e defenda os princípios éticos, lembrando que a tecnologia é um meio e não um fim. “A responsabilidade de garantir práticas éticas cabe a todos no setor, pois é sobre as pessoas que estamos falando, e não apenas sobre tecnologia”, concluiu.

A transformação digital na indústria de seguros promete oferecer soluções mais personalizadas e seguras aos clientes, desde a prevenção de sinistros até a resposta a ataques cibernéticos. Contudo, a modernização vem com o desafio de proteger dados e garantir que a IA seja usada de forma ética. No Brasil e no mundo, os líderes do setor buscam equilibrar inovação e responsabilidade, conscientes de que uma abordagem sólida e ética será fundamental para conquistar a confiança dos consumidores e manter o setor de seguros relevante e resiliente.

Mudanças climáticas exigem nova modelagem para precificar riscos de seguros

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Durante o painel “Desafios Globais para o Mercado de Seguros”, executivos do setor discutiram os esforços necessários para enfrentar a crescente intensidade de desastres naturais e as lacunas na cobertura de seguros ao redor do mundo, especialmente em economias emergentes como o Brasil. A pauta foi marcada pela relevância da modelagem de risco, parceria público-privada (PPP) e incentivo à conscientização da população.

Pedro Farme d’Amoed, CEO da Guy Carpenter Brasil, ressaltou que a modelagem de riscos, pouco utilizada no Brasil até recentemente, é uma área que precisa ser fortalecida. Ele apontou que o afastamento histórico do país desse processo se deveu à baixa frequência de catástrofes naturais, mas alertou que as recentes inundações no sul destacam a urgência de mudança. “O lançamento de uma modelagem específica para o país é um primeiro passo, mas há necessidade de políticas públicas e de parcerias com governos para proteger comunidades vulneráveis”, afirmou Farme, apontando exemplos como México, Chile e Peru, que já avançaram em colaborações para proteção a desastres.

Daniel Castillo, vice-presidente do IRB RE, enfatizou a importância da conscientização para evitar futuros desastres econômicos. “As inundações no sul do país foram gravíssimas e o pior erro que podemos cometer é ignorar essa lição”, alertou Castillo. Segundo ele, a população brasileira ainda não compreende plenamente os riscos que podem enfrentar, mas com uma política de conscientização, a cultura de seguro poderia se expandir, tal como ocorre em países onde o seguro de terceiros é obrigatório.

Um ponto central do debate foi como o setor de seguros pode alavancar sua influência para promover práticas de baixo carbono e investimentos em tecnologias sustentáveis. Farme destacou que a indústria seguradora tem papel de destaque como investidora e que pode, inclusive, contribuir para a criação de créditos de carbono no Brasil. Ele sugeriu que os recursos de superávit do setor poderiam ser aplicados para fomentar projetos de reflorestamento e outras práticas ambientais, especialmente com a proximidade da COP 30 no Brasil, um evento em que o setor pretende apoiar ações inovadoras.

Sid Miller, consultor estratégico da Lloyd’s of London, complementou que o seguro paramétrico tem o potencial de ampliar a cobertura em mercados locais e de compensar perdas de maneira rápida e precisa. Ele citou o exemplo de Nova Zelândia, onde o setor de seguros conseguiu cobrir 5% do PIB do país após um evento catastrófico. “Essa experiência mostrou como a resiliência, somada ao controle de preços, pode trazer resultados benéficos para as populações afetadas”, argumentou Miller, destacando que a colaboração entre seguradoras e governos é essencial.

Outro desafio exposto foi a baixa penetração de seguros em áreas vulneráveis. Segundo Castillo, o seguro compulsório, comum na Europa para veículos, poderia ser um modelo interessante a ser adotado no Brasil para ampliar a proteção da população. Ele destacou que, em locais onde a adesão é mais alta, como Reino Unido e Estados Unidos, a conscientização faz a diferença, com o seguro visto como uma ferramenta essencial para a recuperação econômica.

Farme também mencionou um estudo em colaboração com o Banco Mundial que evidencia a grande lacuna de proteção entre populações de diferentes continentes. “No Brasil, a cobertura é mínima e, nas áreas mais pobres, onde o impacto dos desastres é mais severo, há uma necessidade urgente de produtos acessíveis, como microsseguros ou seguros subsidiados pelo governo”, explicou.

COP 30 e Compromisso com o Desenvolvimento Sustentável

Em vista da COP 30, que será realizada no Brasil, o painel destacou o papel que a indústria de seguros pode desempenhar para apoiar práticas sustentáveis e contribuir para o sucesso do evento. Farme argumentou que o setor tem o poder de incentivar o reflorestamento e que o Brasil deve aproveitar essa oportunidade para se tornar um grande produtor de créditos de carbono. Miller, por sua vez, apontou que o Lloyd’s trabalha junto a organismos internacionais, como a ONU e o Banco Mundial, para fortalecer iniciativas de combate às mudanças climáticas.

O painel concluiu com um chamado à colaboração entre seguradoras, governos e a sociedade. Com as mudanças climáticas se intensificando, os executivos destacaram que o setor de seguros pode desempenhar um papel transformador, não apenas no suporte às vítimas de desastres, mas na criação de uma cultura de resiliência e sustentabilidade, capaz de preparar o Brasil e outros países para os desafios ambientais e econômicos do futuro.