Swiss Re prevê desaceleração do crescimento real de vendas de seguros em 2025

america latina

A Swiss Re divulgará, no próximo dia 21, um estudo que projeta uma desaceleração no crescimento econômico e do setor de seguros na América Latina para os próximos anos, diante do aumento dos riscos globais. O relatório prevê que o PIB real da região crescerá 2,2% em 2025, abaixo dos 2,5% estimados para 2024. Esse desempenho reflete uma tendência de longo prazo mais moderada, em parte devido a deficiências estruturais persistentes, como baixa produtividade, infraestrutura defasada e desafios fiscais que ainda não foram resolvidos.

No setor de seguros, a Swiss Re estima um crescimento real de 3,8% nos prêmios totais para a América Latina em 2025, frente a uma projeção de 7,6% em 2024. Apesar da desaceleração, o mercado de seguros continua a apresentar um desempenho superior ao crescimento econômico da região, uma tendência que vem se consolidando ao longo das últimas duas décadas. A Swiss Re indica que as condições de endurecimento do mercado, especialmente nas linhas de seguro de danos e responsabilidade, deverão influenciar as dinâmicas de precificação nos próximos anos.

Especificamente, o setor de seguros de Vida e Saúde (L&H) na América Latina deverá crescer 4,0% em 2025, em comparação com 8,0% em 2024. Já os prêmios de Ramos Elementares (P&C), excluindo Vida e Saúde, devem desacelerar de 6,3% neste ano para 3,3% no próximo ano. Ainda assim, a lacuna de proteção na região permanece significativa, com um déficit estimado em US$ 151 bilhões em prêmios equivalentes para 2023.

Perspectiva Econômica e de Seguros no Brasil

Para o Brasil, a Swiss Re projeta uma desaceleração do PIB real para 2,0% em 2025, após um crescimento de 3,0% em 2024, impulsionado, em parte, por uma inflação persistente. A inflação anual no país deverá se manter elevada, atingindo 4,0% em 2025, após 4,2% em 2024, ambos acima da meta estipulada.

O mercado de seguros no Brasil deve refletir essa desaceleração econômica, com os prêmios reais projetados para crescer 3,6% em 2025, em comparação aos 7,0% estimados para 2024. O setor de Vida e Saúde, por exemplo, deve desacelerar de 7,7% para 3,5%, enquanto o setor de P&C (Ramos Elementares) deve reduzir de 5,6% para 3,7%.

Além disso, recentes mudanças regulatórias, como a Resolução 460 e a Lei 14.599, que instituem o seguro de responsabilidade obrigatório para transportadores rodoviários de passageiros e transporte terrestre de mercadorias, podem impulsionar o crescimento dos prêmios de responsabilidade no país. O estudo destaca ainda que, apesar das chuvas intensas e inundações registradas no Rio Grande do Sul no primeiro semestre de 2024, os sinistros de P&C não tiveram aumento significativo.

Com essas projeções, o estudo da Swiss Re lança luz sobre um cenário de desafios econômicos e de crescimento mais lento, demandando atenção das seguradoras para uma estratégia de adaptação ao contexto de riscos globais crescentes.

Capitalização na Era da IA e do Digital’ é tema de painel em evento de tecnologia e inovação

Fonte: Fenacap

Otimizar processos, ampliar a análise de grande volume de dados e personalizar produtos são algumas das possibilidades que a inteligência artificial proporciona aos mais variados segmentos. Devido à presença cada vez maior dessa tecnologia no dia a dia de pessoas e empresas, o CQCS Insurtech & Inovação 2024, evento que aconteceu nos dias 12 e 13 de novembro, em São Paulo, trouxe o tema para o painel “Capitalização na Era da IA e do Digital”. O presidente da Federação Nacional de Capitalização (FenaCap), Denis Morais, participou do debate abordando as principais aplicações dessa ferramenta no setor. Ele destacou ainda as questões de governança e segurança envolvidas nesse processo. 

O CEO da Liderança Capitalização, Renato Terzi, e o diretor da Capemisa Capitalização, Marcio Coutinho, participaram do painel, que discutiu como a inteligência artificial e o uso de dados estão transformando as empresas, as relações de consumo e os produtos. A conversa foi mediada pelo especialista em TI Canabarro Pereira. Os executivos compartilharam suas experiências e visões sobre a relevância dessas tecnologias em um mundo cada vez mais digital e exigente.

Além disso, foram abordadas estratégias para integrar tecnologia e personalização aos produtos de Capitalização, explorando como a análise de dados pode aprimorar as ofertas e alinhá-las às necessidades dos consumidores modernos.

“A Capitalização está comemorando 95 anos de operação no país, mas o setor está em constante renovação e atenta às inovações para oferecer produtos cada vez mais adequados aos clientes. E a inteligência artificial faz parte desse processo, transformando a maneira como as empresas lidam com o consumidor desde o atendimento. Elas já utilizam, por exemplo, sistemas automatizados, com suporte rápido e eficiente. A IA pode levar à personalização de produtos e serviços, aumentando a satisfação de quem adquire os títulos”, analisa Denis Morais.

Durante sua apresentação, o executivo ressaltou que o uso da IA ainda precisa de atenção, principalmente em se tratando de segurança e governança. É importante garantir, por exemplo, que todos os processos estejam em conformidade com as políticas e requerimentos legais e regulatórios.

“A implementação de controles de segurança é fundamental para reduzir riscos e garantir a privacidade dos dados. A gestão envolve a identificação de ameaças potenciais e a recomendação de soluções para mitigá-las”, afirma o executivo. Ele informou ainda que existem empresas na China usando robôs até como membros de conselhos com direito a voto e veto sobre as decisões.

O CQCS Insurtech & Inovação 2024 acontece no Pro Magno Centro de Eventos até esta quarta-feira (13/11). O painel “Capitalização na Era da IA e do Digital” foi patrocinado pela i4pro, empresa especializada em soluções tecnológicas para a área de seguros.

Bradesco Vida e Previdência recebe ‘Movimento Minha Vida Protegida’

A Bradesco Vida e Previdência recebeu, nesta segunda-feira, dia 11, em São Paulo, mais um encontro do ‘Movimento Minha Vida Protegida’, iniciativa que tem como objetivo fomentar a importância do seguro de vida no planejamento financeiro e familiar.

A abertura do encontro ficou a cargo de Jorge Nasser, presidente da companhia, que foi convidado a integrar o quadro de embaixadores do Movimento. Ele enfatizou a importância da iniciativa e pontuou que o seguro de vida é uma ferramenta fundamental de segurança e planejamento financeiro, que todo brasileiro deveria ter acesso, independentemente da sua classe social e momento de vida.

Nessa mesma linha, José Pires, diretor Comercial da Bradesco Vida e Previdência, também embaixador do Movimento, pontuou que o atendimento dos corretores deve ser personalizado, colocando o cliente no centro do negócio. “Os corretores desempenham um papel importante nesse processo, orientando os clientes na escolha das melhores coberturas. É de extrema importância que eles se apropriem do negócio e façam um trabalho 360º. Além disso, a presença constante e o acompanhamento próximo ajudam a construir uma relação de confiança e segurança, parte essencial para entender as necessidades do segurado”, observa Pires.

Para uma plateia lotada, um dos idealizadores da iniciativa, Rogerio Araújo, conduziu uma palestra detalhada sobre o papel do corretor. Para ele, o corretor passa a ser um agente transformador a partir do momento que começa a enxergar a si mesmo como alguém que irá cuidar da saúde financeira do segurado. “A família de baixa renda busca proteger as pessoas que amam e compor patrimônio da melhor forma; já a de renda média, protege tudo aquilo que está construindo, enquanto à de alta renda pode utilizar o seguro de vida para conquistar a sua liberdade financeira, alavancagem e sucessão patrimonial”, explica o consultor.

O evento também contou com a participação dos especialistas em seguros Elizeu Dias e Luciano Tane, e reuniu cerca de 150 pessoas, entre corretores, representantes de assessorias, executivos e equipes Comercial e de Produtos da companhia. Esse é o segundo encontro do Movimento Minha Vida Protegida que a Bradesco Vida e Previdência recebe este ano. O primeiro foi realizado no início de outubro, no Rio de Janeiro.

Tokio Marine alcança a marca de 3 milhões de veículos segurados

Marcelo Goldman Tokio Marine Seguradora

Fonte: Tokio

Graças a um amplo e completo portfólio de produtos e oportunidades de venda para seus mais de 43 mil Corretores, a Tokio Marine Seguradora acaba de atingir a marca de 3 milhões de veículos segurados no Brasil, se consolidando como a terceira maior Seguradora no segmento de Automóveis do mercado. 

Em agosto de 2012, a Companhia atingiu 500 mil veículos segurados e, desde então, não parou mais de crescer. Apenas nos últimos quatro anos, a Tokio Marine teve um incremento de um milhão de veículos em sua frota segurada. A recente conquista vem ao encontro dos bons resultados que a Seguradora vem desempenhando nesse setor. De janeiro a setembro de 2024, a Tokio Marine aumentou seu faturamento em 5,6% nesse segmento, enquanto o mercado cresceu 2%.

“Nos últimos 13 anos, a Tokio Marine vem crescendo acima da média de mercado, saltando de uma participação de mercado de 3% para quase 14%. Em faturamento, a Companhia passou de R$ 600 milhões para cerca de R$ 8 bilhões nos últimos 12 meses, sem nenhum movimento de fusão ou aquisição. Fomos pioneiros em oferecer uma gama de produtos acessíveis aos diversos perfis de clientes em uma única seguradora e em alguns serviços bastante demandados, como a cobertura de para-choque”, declara Marcelo Goldman, Diretor Executivo de Produtos Massificados da Tokio Marine.

Dentre as principais iniciativas da Tokio Marine no segmento de Automóvel nos últimos destaca-se o lançamento do Tokio Marine Auto Econômico, produto com preço cerca de 30% abaixo do seguro tradicional. Para Arnaldo Bechara, Diretor de Automóvel, Precificação e RD Massificados da Tokio Marine, o conjunto de ações inovadoras desenvolvidas pela Companhia para seus Clientes e Parceiros de Negócios tem sido fundamentais para o crescimento da Seguradora. “Contamos com a sinergia das mais variadas equipes da Companhia, sempre com o foco em prover a melhor solução para nossos Clientes, Corretores e Assessorias. A excelência operacional em conjunto com a inovação, seja ela tecnológica ou não, está no DNA da Tokio Marine”, comenta o executivo. 

Em 2024, a Companhia anunciou novidades para o Seguro Moto com a inclusão de cobertura de incêndio e roubo/furto. “Nosso portfólio de produtos e serviços é muito completo. Temos diversas opções para oferecer a diferentes tipos de público, desde coberturas muito completas até o produto mais simples. Sempre avaliamos a expansão do nosso portfólio e nossa intenção para os próximos anos é continuar aumentando a penetração em regiões onde enxergamos grandes oportunidades.”, finaliza Bechara.

Seguro de vida precisa se reinventar para reduzir o gap de proteção financeira da sociedade

No evento CQCS Insurtech & Inovação, realizado em São Paulo nos dias 12 e 13 de novembro, o painel “Reinventando o Seguro de Vida Todo Dia” trouxe para discussão os desafios e oportunidades do mercado de seguros de vida no Brasil. O debate contou com a presença de Nuno David, diretor comercial de marketing da MAG Seguros, Ramon Gomez, vice-presidente comercial da MetLife, e Rogério Araújo, sócio da TGL Corretora de Seguros.

Para Nuno David, a penetração do seguro de vida no Brasil ainda é muito baixa: apenas 17% da população possui cobertura, e a maioria dessas apólices são contratadas como parte de financiamentos, sem que os consumidores estejam plenamente conscientes da proteção que possuem. Segundo ele, a porcentagem de pessoas que contratam seguros por meio de uma venda consultiva pode ser inferior a 5%. “Temos um grande número de famílias que não possuem a proteção financeira necessária para manter seu padrão de vida em caso de imprevistos”, afirmou.

David destacou a importância de encontrar novas formas de atingir diferentes públicos e a necessidade de ampliar o portfólio e a inovação, especialmente em um país tão diverso quanto o Brasil. Uma das iniciativas da MAG Seguros é criação da seguradora digital F/Seguros, em parceria com a Favela Holding.A estratégia inovadora de seguros nas favelas, que visa oferecer proteção para uma população estimada em 18 milhões de brasileiros, tradicionalmente com pouca oferta de serviços financeiros. “Esse é um trabalho que abre um mercado enorme”, reforçou. O diretor da MAG também citou iniciativas como o Open Insurance e a regulação de seguros on-demand, que abrem novas possibilidades de mercado e são oportunidades para os corretores de seguros explorarem.

Ramon Gomez trouxe uma abordagem mais filosófica sobre o papel da inteligência artificial (IA) como uma força transformadora da sociedade, que deve ser entendida e avaliada pelo setor de seguros. Ele pontuou que a IA pode trazer neutralidade e precisão para decisões de precificação, algo que atualmente enfrenta falhas devido ao medo de perder negócios. Gomez comentou que, embora a IA traga oportunidades, também levanta preocupações, especialmente quanto ao controle sobre suas operações. Ele citou exemplos de drones militares que reagiram de forma inesperada, destacando o perigo de confiar cegamente na tecnologia.

Para Gomez, a evolução tecnológica tem o potencial de criar um cenário distópico, com até 50% de desemprego no mundo, gerando uma nova classe de “inúteis laborais” que perderiam suas funções tradicionais. “Precisamos de políticas inclusivas e de uma melhor distribuição de renda para que a transformação digital e a IA tragam dignidade e oportunidades, especialmente para pessoas que hoje estão desassistidas”, afirmou.

Rogério Araújo defendeu que a expansão do seguro de vida passa por educação e conscientização da população. “Precisamos levar o seguro de vida para a sociedade e assumir o protagonismo na educação financeira”, disse. Segundo ele, o papel dos corretores é fundamental, pois eles precisam despertar nos clientes a necessidade de proteção financeira para garantir que suas famílias possam manter o padrão de vida, mesmo em momentos de crise.

Araújo destacou o movimento “Minha Vida Protegida”, que tem como objetivo levar a importância do seguro de vida para a sociedade brasileira. “De janeiro a agosto de 2024, o setor pagou R$ 24 milhões por dia em indenizações de seguros de vida individuais e coletivos. Precisamos investir em educação e reinventar o seguro todos os dias para torná-lo acessível a uma população em constante transformação”, finalizou.

O debate reforçou a necessidade de inovar no setor, buscando um equilíbrio entre a evolução tecnológica e a inclusão de um público diverso e, muitas vezes, desassistido. Os participantes enfatizaram a importância de adaptar o seguro de vida às diferentes realidades do Brasil e de investir em educação para que a população entenda e valorize a proteção financeira proporcionada pelo seguro. “Este é o maior desafio do segmento de seguro de vida dos próximos anos. Como incluir a multidão das pessoas que estão desassistidas. Talvez a gente tenha falhado em conquistar as pessoas que estão investindo em bets. Espero que a gente tenha a sorte de mudar isso”, finalizou Ramon Gomez.

UNEP FI e ICS enfatizam seguro como um instrumento para mitigar impactos climáticos

Carla Simões, de Baku

Na Conferência do Clima, em Baku, no Arzebaijão, entidades internacionais como a UNEP FI, a iniciativa financeira do programa das Nações Unidas para o meio ambiente, e o Instituto Clima e Sociedade (ICS) disseram que os produtos do mercado segurador são instrumentos fundamentais no processo de mitigação e adaptação aos riscos do clima como os seguros rural, para infraestrutura e os inclusivos.  

As duas entidades participaram do painel “O Papel do Setor de Seguros na Transição Climática – De Baku a Belém”, promovido pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), e que recebeu também a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o deputado federal Arnaldo Jardim.  

Butch Bacani, head de Seguros da UNEP FI, disse em sua apresentação que não há indústria melhor no mundo que consiga acelerar e ajudar neste processo de transição climática que as seguradoras.  É possível, segundo ele, canalizar parte dos recursos para investimentos na transformação da economia para baixo carbono. 

 Maria Netto, CEO do Instituto Clima e Sociedade, alertou para a frequência e severidade dos fenômenos climáticos com impactos cada vez mais negativos para as economias no mundo todo. Ela, inclusive, levantou preocupações sobre a elevação de um risco sistêmico do setor financeiro e segurador devido à falta de ferramentas disponíveis e capazes de considerar os novos cenários levando em conta as mudanças do clima. 

“Sistemicamente se não começarmos a considerar os novos cenários, há um risco de falha no sistema. A segunda coisa é a falta de ferramentas que conversem com seguros e o setor financeiro. No ICS, temos ferramenta sofisticada sobre vulnerabilidade com algumas projeções, mas muitas falhas. É uma ferramenta de governo que não foi feita para isso” 

A executiva defende que os tomadores de decisão local como governo e investidores encontrem uma ferramenta útil e comum a todos para avaliar e precificar igual o risco dado a nova realidade.

“Ano passado foram contabilizados US$ 280 bilhões de perda com desastres naturais no mundo, 40% estavam segurados. Isso significa uma perda enorme que não foi planejada e a probabilidade é que isso continue crescendo exponencialmente a partir de um certo momento se não estabilizar o efeito do gás estufa e a temperatura da terra”, ressaltou Maria Netto. O presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, que conduzia o painel, acrescentou que o setor segurador tem capacidade de fazer muito mais se instrumentalizado.

CNseg e ICS também falaram sobre o potencial do Adapta Brasil, uma plataforma do Ministério de Ciência e a Tecnologia que integra dados de riscos e de vulnerabilidades climáticas. É de interesse comum que o Adapta seja aperfeiçoado, com aplicações customizadas para o setor segurador.

O deputado federal Arnaldo Jardim disse, durante o painel em Baku, que não há como falar em financiamento da transição climática sem pensar conjugado com o setor segurador e chamou a atenção para o exemplo da infraestrutura brasileira que hoje, segundo a legislação atual, todo o compartilhamento de risco seja de demanda ou da operação fica para o concessionário. 

Jardim disse que em fevereiro apresentará um projeto que vai alterar a lei das concessões que vai incluir o princípio do compartilhamento de risco, ou seja, os riscos climáticos e de demanda serão estabelecidos de forma mais solidária entre os partícipes da obra para dar garantia de continuidade.

Butch Bacani defendeu a participação do setor segurador nas concessões e projetos desde o dia zero para mitigar e compartilhar os riscos. “Infraestrutura deve ser prioridade número um e o seguro deveria ser envolvido na construção do projeto para garantir infraestrutura adequada as novas necessidades de resiliência climática, garantindo assim maior sucesso e redução de risco”, completou. 

Seguros para o agronegócio

Além dos seguros para infraestrutura, os painelistas alertaram para o impacto das mudanças climáticas na agricultura brasileira. Atualmente, cerca de 7% da área cultivada no País tem seguro rural, alertou o deputado Arnaldo Jardim, que é vice-presidente da Frente Parlamentar da Agricultura. Hoje, disse, o sistema de informação, de meteorologia é insuficiente para estabelecer parâmetros necessários para o produtor rural e por isso, tem defendido cada vez mais o seguro paramétrico. 

Davi Bomtempo, diretor de Sustentabilidade da CNI, reiterou o compromisso da indústria com a agenda de descarbonização e destacou o papel do seguro na mitigação dos riscos climáticos que comprometem diversas atividades econômicas do País. “Existe um amplo mercado que precisa avançar em termos de seguros e falamos em várias agendas de certificação. Talvez o seguro seja forma complementar dessa certificação que passa a ser mais robusta”. 

O executivo da CNI acrescentou que o setor produtivo brasileiro trabalha com comando, controle e fiscalização para o baixo carbono e a gestão de risco conecta com agenda de adaptação climática mais positiva e que conecta com infraestrutura resiliente que vem crescendo nas COPs.

Seguros Inclusivos

 Butch Bacani acrescentou que, além da infraestrutura, os seguros inclusivos devem ser prioridade para o Brasil. Dyogo então aproveitou para ressaltar a importância do Seguro Social de Catástrofe, um seguro inclusivo apresentado pela CNseg a deputados e ao Executivo. 

“Estamos defendendo o seguro social de catástrofe com indenização de R$15 mil para as pessoas afetadas por enchentes”. O executivo da CNseg acrescentou também que recentemente foram lançadas as primeiras apólices de seguros de reflorestamento, em parceria com órgãos florestais brasileiros para parcerias público-privadas de restauro”. 

CNseg e Atlantic Council anunciam parceria para fomentar o papel dos seguros

por Carla Simões, de Baku

Em 2024, o Brasil presenciou alguns dos piores impactos da crise climática em diversas regiões, prejudicando a infraestrutura, biodiversidade e economia local. Como parte de uma agenda para construir mecanismos para resiliência climática, a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) anunciou, nesta quarta-feira (13), em Baku-Azerbaijão, uma parceria estratégica com o Centro de Resiliência Climática do Atlantic Council, think thank norte-americano, que reunirá iniciativas regionais e globais para conscientização da importância do setor segurador para implementação de medidas para adaptação às mudanças climáticas.

O anúncio foi feito durante painel Garantindo a Adaptação Climática no Brasil e na América Latina (em tradução livre), organizado pelo Atlantic Council, e que reuniu uma série de executivos para debater práticas no setor de seguros que abordem a adaptação climática tendo como pano de fundo a crescente pressão sobre sociedade e governos no Brasil e na região para mobilizar recursos para enfrentar os riscos e custos climáticos. 

Globalmente, o setor segurador já cobre 30% das perdas com desastres climáticas, mas o setor, e seus produtos, ainda não estão nos compromissos da COP como instrumentos de políticas nacionais e objeto dos acordos internacionais. A parceria entre CNseg e Atlantic Council vem nesse cenário e terá o objetivo de compartilhar tendências da indústria de seguros brasileira e suas prioridades para lidar com os impactos climáticos, trazendo à luz os desafios e destacando as soluções ou ações inovadoras do país que podem e devem ser replicadas para enfrentar as alterações climáticas.

O painel contou com a participação do presidente da CNseg, Dyogo Oliveira; de Jorge Gastelumendi, diretor sênior do Centro de Resiliência Climática do Atlantic Council; Amy Barnes, head de Estratégia de Clima e Sustentabilidade da Marsh McLennan; Antonio Augusto Rebello Reis, sócio do escritório Mattos Filho; a pesquisadora do INPE e do IPCC, Thelma Krugg; e o executivo do Instituto Clima e Sociedade (ICS), Roberto Kishinami.

De acordo com, Dyogo Oliveira, ter o suporte do Atlantic Council na promoção do seguro como instrumento de adaptação climática nos fóruns internacionais é de suma importância, especialmente pelo networking nos quais o think tank americano está inserido. “Teremos agora o Atlantic Council nos apoiando na identificação de atores e plataformas regionais e globais, incluindo aqueles relacionados ao G20 e à COP30, nos quais o setor segurador brasileiro precisa dialogar”, destaca. 

O memorando de entendimento assinado entre as partes prevê ainda a atuação junto a atores regionais e globais relevantes na preparação para o G20 e a COP30, a organização de agendas com atores regionais e globais que sejam de interesse do setor de seguros no Brasil e criação de inteligência.

CEO da MAG prepara jantar para 80 representantes da CUFA no G20; na pauta a democratização dos seguros

Amanhã, o CEO da MAG Seguros, Helder Molina, receberá em sua casa cerca de 80 representantes da Central Única das Favelas (CUFA) do mundo inteiro, que participam do G20, grupo que reune as maiores economias do mundo. “Minha família está no setor de seguros há muitos anos, mas esse é o projeto da minha vida”, afirmou Molina. “Quero ir embora e deixar algo importante como este projeto”, disse ele durante o evento CQCS Insurtech & Inovação.

A CUFA está envolvida no G20 por meio do G20 Favelas, uma iniciativa que visa levar as demandas das favelas para o cenário global. Trata-se de uma cúpula social organizada pelo governo brasileiro para ampliar a participação da sociedade civil nas decisões do G20, no evento que acontece no Rio entre 14 e 16 de novembro.

O cardápio do jantar? “Comida brasileira, claro”, disse Molina ao Sonho Seguro. Em recente entrevista, Marcus Vinícius Athayde, coordenador da CUFA Global, disse ser “essencial levar o G20 para dentro e fora das favelas do Brasil, pois essa é a forma de o mundo compreender nossa capacidade de elaboração”. “Não se resolvem os problemas de um território sem que seus moradores estejam à mesa”, acrescentou Celso Athayde, fundador da Cufa e CEO da Favela Holding em entrevista à Folha.

Molina destacou o compromisso da seguradora com a inclusão financeira e social das comunidades de favela no Brasil. Em parceria com a Favela Holding, a iniciativa F/Seguros busca ampliar o acesso a seguros essenciais para famílias em situação de vulnerabilidade, gerando oportunidades de renda e apoio em momentos difíceis.

“Quando um morador da comunidade precisa enterrar alguém, passa pela necessidade de um seguro básico, o seguro funeral”, explicou Molina. Ele ressaltou que as favelas brasileiras abrigam cerca de 18 milhões de pessoas, com mais de R$ 200 bilhões circulando anualmente. “71% dos moradores são autônomos, e 53% das mulheres são as que comandam os lares, orientando os filhos e dando direção às famílias.”

Molina compartilhou que dedica grande parte de seu tempo a este projeto, que considera “sensacional”, fundamentado em três pilares essenciais: proporcionar seguros e serviços para a base da pirâmide, capacitar mais de 100 mil corretores e fazer com que o dinheiro das indenizações de proteções adquiridas para casa, vida, desemprego, celular circule dentro das próprias comunidades, promovendo saúde, educação e esporte.

A seguradora digital F/Seguros está em sua fase piloto e já iniciou a comercialização de seus produtos direcionados, com a capacitação de moradores de algumas das maiores favelas do país, como Rocinha, Complexo da Penha, Brasilândia e Paraisópolis, para atuar como consultores de seguros.

Para alcançar seus objetivos, o projeto conta com o apoio CUFA, que colabora na identificação e formação de talentos locais. Enquanto a MAG Seguros oferece sua expertise em seguros e formação profissional, a CUFA aporta seu conhecimento sobre as favelas, facilitando a escolha de moradores com potencial para uma carreira no setor de seguros.

A meta do projeto é ambiciosa: capacitar até 5 mil líderes e formar 50 mil vendedores, expandindo para 16 favelas adicionais. A sustentabilidade do modelo está alicerçada em crescimento escalável e indicadores de gestão robustos, com a expectativa de que o F/Seguros se torne uma solução prática e confiável para todo o Brasil. Favela não é carência, favela é potência.

Allianz reporta lucro líquido de 2,47 bilhões de euros

Fonte: Reuters

A alemã Allianz (ALVG.DE) superou as expectativas nesta quarta-feira com um aumento de 22% no lucro líquido do terceiro trimestre, impulsionado pela redução das perdas com catástrofes naturais, e apresentou uma perspectiva mais otimista para 2024.

A divisão de seguros de bens e acidentes foi destacada como uma área de força específica, uma vez que os sinistros relacionados a catástrofes naturais diminuíram em relação ao ano passado, embora esses danos ainda permanecessem elevados, informou a empresa.

A Allianz, um dos maiores grupos de serviços financeiros da Europa e operadora da gigante marca PIMCO, reportou um lucro líquido atribuível aos acionistas de 2,47 bilhões de euros (US$ 2,62 bilhões) nos três meses até setembro, em comparação com 2,02 bilhões de euros no ano anterior. O valor superou a previsão de consenso de 2,37 bilhões de euros. A Allianz afirmou que seu lucro operacional para 2024 deverá agora atingir a metade superior de sua faixa de meta, entre 13,8 bilhões e 15,8 bilhões de euros.

“As catástrofes naturais testaram novamente a resiliência financeira e operacional da Allianz, testes que superamos com sucesso”, disse o CEO Oliver Baete.

Os ativos geridos pela Allianz para terceiros aumentaram em 37 bilhões de euros em relação ao final do segundo trimestre, chegando a 1,84 trilhão de euros, impulsionados pelos ganhos de mercado e entradas líquidas. A Reuters informou no mês passado que a Allianz estava avaliando opções para sua divisão menor de gestão de ativos, a Allianz Global Investors, incluindo uma possível fusão ou venda parcial da divisão.

ICEYE apoia governos e seguradoras com análise de inundações no Brasil

cqcs 2024
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Durante o CQCS Insurtech Inovação, realizado em São Paulo, Mirka Vahtera, líder de contas estratégicas de seguros e Llder da EMEA na ICEYE, detalhou o apoio oferecido pela empresa a empresas e governos na resposta a inundações, tanto no Brasil quanto em outras regiões afetadas por desastres naturais.

Recentemente, a ICEYE auxiliou no monitoramento das enchentes que atingiram o sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul. Vahtera explicou que a capacidade de alerta antecipado de inundações da empresa identificou o aumento dos níveis de água quatro dias antes do evento. Durante as enchentes, a equipe de previsão operacional da ICEYE capturou mais de 160 imagens de radar de abertura sintética (SAR) para analisar a evolução da situação. A empresa também coletou 830 pontos auxiliares de dados, incluindo imagens de redes sociais e de estações de nível de água, para fornecer dados detalhados sobre a extensão e profundidade das enchentes, mapeando uma área total de 30 mil km².

A ICEYE colaborou com o governo brasileiro por meio de sua parceria com o Programa de Resposta a Desastres da Esri e a empresa Imagem, disponibilizando suas análises para várias agências governamentais nacionais e locais. Segundo Vahtera, essa coordenação tornou as análises parte fundamental da resposta à crise, permitindo que as agências tivessem uma estimativa precisa do número de edifícios impactados e das populações afetadas. Os dados seguem sendo usados para apoiar as atividades de recuperação a longo prazo, além de terem sido compartilhados com seguradoras globais, como a Swiss Re, para auxiliar na resposta imediata de sinistros.

No recente caso de enchentes em Valência, na Espanha, a ICEYE também atuou junto ao governo local, proporcionando avaliações rápidas dos danos e otimizando operações de resposta. Em colaboração com a Conselleria de Innovación, Industria, Comercio y Turismo da região, a empresa contribuiu para acelerar a recuperação da rede industrial local, utilizando dados que permitiram o monitoramento em tempo real da evolução da tempestade e seus impactos.

A Comunidade Valenciana concentrou quase 80% dos danos, com 3.650 das 4.600 edificações impactadas. Em Valência, um pouco mais de 50% das construções alagadas registraram de 0 a 50 cm de água, enquanto 45% sofreram com 50-150 cm. Aproximadamente 4,5% enfrentaram inundações de 150-250 cm, e pouco menos de 0,5% das construções registraram mais de 250 cm de água.

Na área metropolitana de Valência, cerca de 1.300 edifícios foram impactados, especialmente nos bairros de Benetussar, La Torre, Alfafar e Paiporta, considerados entre os mais afetados. Esses bairros concentram mais da metade das edificações impactadas em Valência, destacando a gravidade do cenário na cidade.

Vahtera explicou que a ICEYE agora opera de forma completa no Brasil, oferecendo soluções de monitoramento de inundações que abrangem desde previsões antecipadas até resposta rápida com dados detalhados sobre extensão e profundidade das enchentes. Empresas de seguros utilizam esses dados para melhorar o atendimento ao cliente, comunicação, dimensionamento de perdas e avaliação de risco de longo prazo. Além disso, os produtos da ICEYE possibilitam mecanismos alternativos de transferência de risco, como seguros paramétricos, que permitem pagamentos rápidos após eventos.

A ICEYE também vislumbra o uso de seus dados para apoiar propostas da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) para compensação rápida de famílias afetadas por desastres naturais, como a criação de um seguro de baixo custo que utilize boletos de serviços públicos para cobrança e depósitos diretos para pagamentos. Em uma estrutura paramétrica, os dados da ICEYE poderiam ser utilizados como gatilho para esses pagamentos, como ocorre em projetos similares em Nova York, Lagos e Accra, onde a ICEYE fornece informações de inundação ao nível de edifícios em até 24 horas após o pico das águas.

Vahtera encerrou destacando que, caso a CNseg opte por uma estrutura tradicional de indenização, os dados da ICEYE também podem auxiliar no processamento de sinistros e na automação de pagamentos, utilizando dados históricos de inundações para precificação mais precisa dos seguros no Brasil.