Fiquei imaginando o trabalho dos corretores de seguros com os problemas enfrentados pelo American International Group (AIG) nos últimos meses. São milhões de clientes inseguros espalhados por 130 países, desde aqueles que depositaram suas economias para resgatá-las na aposentadoria até mesmo mega-projetos, como a hidrelétrica do Rio Madeira, apólice que conta com uma das maiores garantias do mundo.
Imagina explicar para segurados que a maior seguradora do mundo em valor de mercado, com ativos superiores a US$ 1 trilhão, com rating máxima “AAA” das agências de classificação esteve a beira de quebrar. Não foi à falência porque recebeu US$ 85 bilhões no dia 16 de setembro do banco central dos Estados Unidos, o Fed. Já o Lehman Brothers, quarto maior banco de investimentos dos EUA, não teve a mesma sorte. Pediu concordata dois dias antes.
Se ela, cheia de status financeiro, esteve à beira de um colapso, imagine as outras, pensaria qualquer pessoa com o mínimo de bom senso. E o que dizer aos segurados em geral se nem mesmo os mais renomados economistas conseguem prever quem estaria a salvo? Pior, todos os analistas são unânimes em afirmar que mais notícias de falência de grandes instituições estão por vir.
Alguns clientes da Unibanco AIG me procuraram para saber o que eu achava da situação. A primeira pergunta a eles foi: e o seu corretor? Não tinham. Eles haviam recebido um email da seguradora, assegurando que os problemas enfrentados pela AIG não afetariam a operação local. Mas isso não os tranqüilizou. “Preciso ter certeza. De alguém que me diga se devo mudar ou não de seguradora. Quem enviou o email certamente tem interesse em segurar os clientes para minimizar a crise”.
Eis a mostra da importância do corretor. O consumidor quer alguém que o tranqüilize. Alguém sem vínculos com a instituição. A crise financeira que assola o mundo todo terá poucos reflexos aqui no Brasil. O corretor brasileiro talvez seja poupado deste problema de insolvência das companhias. Até mesmo porque o prazo para elas se adaptarem às regras de solvência foi flexibilizado, dando tempo dos controladores buscarem capital ou um sócio.
Mas os corretores brasileiros têm outros desafios: tornar o seguro um investimento para o segurado. Até mesmo o seguro de automóvel, que aparentemente parece ter serviços iguais e preços diferentes, precisa ser explicado. Os consumidores têm adorado poder chamar um profissional para socorrê-los com uma invasão de vírus ou uma pane no computador.
Porém, quantas vezes eles podem acionar este profissional durante a vigência da apólice? E o motorista amigo para levá-los para casa em caso de mal estar pode ser solicitado sempre que necessário? Imagine o que o segurado irá pensar do seguro na quarta vez que ligar para solicitar o serviço e ouvir da atendente “o senhor já usou o seu limite neste serviço”. Com certeza o arquivo do cérebro do consumidor desavisado não acessará palavras como ética, transparência e bom investimento.
Quando o assunto passa a ser o seguro de vida, a ajuda do corretor é ainda mais prioritária. O consumidor tem sido abordado pelo cartão de crédito, pelo gerente do banco, pelo vendedor de financiamento, pelo call center da seguradora, no caixa das lojas de varejo e por muitos outros profissionais ávidos por ofertar proteção em caso de morte. A grande maioria dos consumidores hoje tem várias apólices. Juntas custam uma fortuna e oferecem uma proteção abaixo das expectativas do cliente.
Ninguém melhor que o corretor para assessorar o cliente sobre as coberturas necessárias para deixar os beneficiários em segurança caso ele venha a falecer antes de seus filhos terem condições de se sustentarem. Quem tem dívidas, pode livrar a família do ônus e proteger o patrimônio da família com o seguro de vida. E mesmo aqueles que tem patrimônio podem ter um seguro para arcar com custos durante o período de levantamento e divisão de heranças.
Os corretores podem mostrar aos clientes que as apólices de seguro são um investimento interessante, sobretudo quando o pior acontece. Ao contrário de muitos funcionários sem especialização, que ofertam o produto de forma comercial, ficando a impressão de ser algo desinteressante e utilizado como troca de favores.
A eficiência dos corretores no mercado de seguros fica evidente quando se levanta o número de queixas do setor na Superintendência de Seguros Privados (Susep) e nos órgãos de consumidores. Em ambos, as reclamações são inferiores a 1% do total das indenizações pagas, que superam 8,5 milhões anualmente. Com certeza isso conta muitos pontos a favor do corretor, que vende um produto complexo para a grande parte da população.
Por isso, só posso finalizar este artigo no mês que se comemora o Dia dos Corretores, com um enorme P A R A B É N S a todos aqueles profissionais dedicados, que priorizam e se dedicam aos seus clientes, tornando o seguro um bem necessário para tornar famílias e empresas sustentáveis. E não se esqueçam de aderir ao Código de Ética lançado pela Fenacor, um selo de qualidade que ficará cada vez mais em evidência depois deste “tisunami” financeiro mundial.
Artigo publicado na Revista Apólice – novembro/2008

As mudanças demoraram a acontecer na indústria de seguros brasileira. Mas agora parecem não ter fim. Todo dia tem novidade. Seguradora ampliando atuação para um nicho ou região. Executivos trocando de desafios, como Sérgio Santiago deixando o IRB Brasil Re para fazer parte da equipe da J.Malucelli Re. Uma seguradora transformando prejuízo em lucro, como a MetLife, com ganhos de R$ 21,7 milhões neste primeiro semestre do ano. Na outra ponta, a Porto Seguro registrando queda de quase 36% no lucro líquido acumulado do ano até julho, com R$ 160 milhões. Até eu, que escrevo desde 1992 (com algumas saídas) sobre o setor para a Gazeta Mercantil, deixei o jornal no final de agosto.
A Associação Brasileira de Gerência de Riscos (ABGR) comemora hoje 25 anos. Neste ano, a festa tem um sabor especial. O gerente de risco, na maioria das vezes um profissional sem muito destaque dentro das corporações, passou a ser valorizado diante da necessidade de uma maior regulação por parte de órgãos reguladores, que buscam informações para efetuarem uma fiscalização mais eficiente da solvência das companhias. “A tendência é profissionalizar a função de gerente de risco, um profissional que agrega valor ao acionista ao mensurar riscos e formas de mitigá-los”, diz Andres Holownia, presidente da ABGR e gerente de riscos da Scania.
A MetLife, maior seguradora de vida dos Estados Unidos, foi a seguradora de vida que registrou a menor variação na bolsa de valores de Nova York (NYSE) neste ano, mesmo com a forte volatilidade do mercado acionário internacional. Segundo estudo feito pela Economatica, entre as 74 empresas de seguros que operam na Bolsa de Nova York, apenas 17 registraram alta e 57 tiveram queda de até 84% do início deste ano até 13 de maio. A MetLife ficou estável, com desvalorização de apenas 0,5%.