Previdência ou providência divina?

images2A longevidade é uma conquista interessante. É muito bom saber que estamos vivendo mais. Mas já parou para pensar o que isso significa em termos financeiros? Todos terão de abrir mão do consumo hoje para poupar e garantir qualidade de vida na terceira idade. Claro que investir na saúde ajuda. Principalmente a diminuir
os gastos com remédios e médicos. Mas só isso não basta. “É fundamental fazer uma reserva financeira para a aposentadoria.

Estou me referindo a uma poupança própria, sem considerar o plano de previdência da empresa, a promessa de aposentadoria do governo ou apostar em heranças. Amanhã ninguém sabe se terá o marido, o emprego ou se a empresa existirá. Mas, se poupar, saberá que terá a sua reserva financeira para enfrentar o amanhã”, diz José Roberto Carreta, consultor da Mercer, uma das maiores empresas globais de consultoria em previdência.

Por mais forte que seja o governo, ele não tem capacidade para arcar com os custos da previdência social, que não param de crescer. Os sistemas públicos de previdência no mundo todo já começam a dar sinais de exaustão, inclusive em países desenvolvidos. E a explicação é simples. Enquanto a expectativa de vida aumenta, a natalidade mundial sede pessoas acima de 80 anos. Segundo José Carlos Libânio, cientista social e ex-coordenador da Organização das Nações Unidas (ONU), nos últimos 75 anos a população de idosos cresceu 11 vezes – de 1,7 milhão para 18,5 milhões de pessoas, ou seja, de 4% para 10% da população total.

No Brasil, um país considerado jovem, a previsão é ter 30 milhões de pessoas acima de 60 anos em 2020 e 64 milhões em 2050. Ou segue um ritmo inverso. Resultado: desequilíbrio no sistema, com poucos contribuindo para pagar benefícios a muitos. O mundo mudou rapidamente. Basta olhar para alguns anos atrás. Antigamente, a média era seis filhos por mulher. Hoje é de 1,8, segundo pesquisa divulgada por Lowell Catlett, professor de economia da Universidade do Estado do Novo México. Hoje, a expectativa de vida do brasileiro é de 68 anos para homens e de 76 para mulheres. No entanto, para quem chega aos 60 anos, a expectativa de viver mais cresce, sendo que as mulheres têm mais 23 anos e os homens outros 19.

Esse cenário mundial exige mudanças para equilibrar o sistema de previdência oficial, que enfrenta problemas de déficit atuarial e financeiro em todo o mundo. Dos 30 países que compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), quase todos executaram mudanças de maior ou menor proporção dos anos 90 para cá, revela estudo da entidade. O aumento da idade mínima para a aposentadoria e o fim do benefício de deixar a renda vitalícia para o cônjuge são os ajustes mais comuns. Até mesmo quem já fez uma reforma, como o Chile, citado como modelo durante os últimos 25 anos, começa a mudar novamente.

O que prova ser arriscado demais depender do governo daqui para a frente. Apesar de a aposentadoria oficial do Brasil ser considerada a mais generosa do mundo, com teto de dez salários mínimos, é bem provável que as regras do jogo mudem até chegar o seu dia de parar de trabalhar. A atual crise financeira veio reforçar essa tese. Muitas empresas enfrentam dificuldades e o número de desempregados não pára de crescer. A OCDE estimou em 20 milhões os empregos perdidos em razão desta crise financeira, iniciada em julho de 2007. Os que mantêm o emprego se submetem a duras negociações com os empregadores sobre redução dos benefícios, numa tentativa de preservar o número de postos de trabalho.

O fundo de previdência é o principal alvo dessas conversas. Bem antes desta crise internacional, as maiores montadoras dos Estados Unidos, como General Motors (GM) e Ford, já enfrentavam sérias dificuldades para competir com as concorrentes japonesas. Tudo começou com o alto custo de mande ter planos de aposentadoria e de saúde dos funcionários. Um cálculo famoso para ilustrar a situação da GM é que ela tem dez aposentados para cada funcionário que contribui para o fundo de pensão.

Em saúde, o rombo é imenso também. Algo próximo a 2 mil dólares da venda de cada carro são usados para pagar despesas com saúde dos funcionários. Os riscos de chegar à melhor idade com poucos recursos, para a vaidade basta: quer manter um corpinho de 30 aos 60 anos? Essa manutenção em um custo fixo mensal alto e por isso requer uma poupança farta. Para aquelas que conquistaram a independência financeira há pouco tempo, basta erguntar: tem alguma velhinha em sua família que precisa da ajuda dos parentes?

“Eu mesmo ajudo minha irmã de 82 anos. Foi professora a vida toda. Tem duas fontes de renda. Somando tudo, dá 2 mil reais por mês. É insuficiente para tudo o que necessita”, conta o consultor de finanças pessoais Willian Eid, da Fundação Getúlio Vargas. Comece a poupar agora para poder unir qualidade com quantidade. Se aposentar com 70% do salário final, é um bom número, diz Carreta, fazendo uma conta simples. Uma pessoa que ganhe hoje 10 mil reais e queira se aposentar com uma renda de 7 mil reais, precisará contribuir com a previdência oficial para receber do governo 3 mil reais e poupar mais 15% da receita mensal por 25 anos para ter uma reserva individual entre 600 mil reais e 800 mil reais, que significará os outros 4 mil reais.

O tempo de acumulação potencializa o investimento, pois faz aumentar o impacto dos juros no capital acumulado. Para quem começa cedo, contribuições mensais de 200 reais já asseguram uma boa perspectiva de rendimento na aposentadoria. Quem deixa para começar mais tarde, terá de aportar uma soma muito maior para ter uma quantia que permita viver a aposentadoria com conforto.

Os consultores têm muitos argumentos para convencer o público feminino a não cair na armadilha das promoções, compras por impulso, de usar as reservas para trocar eletrodomésticos, o apartamento ou abusar do mimo na festa de aniversário da filha. Para muitas mulheres, apelar entanto, podem ser minimizados com a poupança para a previdência privada, um investimento que deve ser compulsório e “imexível”. “Tudo tem um preço. Por isso, é preciso estabelecer prioridades”, diz Fábio Colombo, administrador de investimentos, que atua desde 1979 no mercado financeiro.

A crise traz oportunidades. Parece clichê, mas com o tempo você verá que é realidade. A crise atual não tem prazo para acabar e os próximos meses serão de muita oscilação dos preços das ações. Por isso, o momento é mais indicado para ficar em um porto mais seguro, como títulos de renda fixa. “A rentabilidade dos fundos de renda fixa está elevada e é uma boa opção no momento”, diz Fabiano Vila, gerente da Um Investimento, corretora que acaba de criar um clube de investimentos só para mulheres. Mas, se a taxa de juro está atraleiro são os produtos conhecidos como Vida Gerador de Benefícios Livres (VGBL) e Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL). Ambos assemelham-se a fundos de investimentos, mas tem vantagens fiscais.

“A desvantagem fica com as taxas de administração, geralmente mais elevadas do que as praticadas nos fundos tradicionais”, diz Colombo. O mais recomendado é aplicar até 40% de sua poupança total nesses fundos, para não ter de sacar em caso de emergência, já que o Imposto de Renda penaliza quem quiser sacar. “Num momento de crise como este, é preciente para quem tem investimento, está salgada para quem tem dívida. “Não deixe a dívida crescer. O juro do cheque especial em dezembro estava em 174,9% ao ano. Torna-se impagável. É preciso sair correndo das dívidas”, recomenda.

A parcela de investimento destinada à sua aposentadoria tem de ser encarada como compulsória e debitada antes das despesas. O ideal é poupar entre 15% e 20% da renda mensal. Quanto mais poupar, mais confortável será sua situação financeira no futuro.

Hoje os instrumentos disponíveis no mercado financeiro brasileiro são os produtos conhecidos como Vida Gerador de Benefícios Livres (VGBL) e o Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL). Ambos assemelham-se a fundos de investimentos, mas tem vantagens fiscais. “A desvantagem fica com as taxas de administração geralmente mais elevadas do que as praticadas nos fundos tradicionais”, diz Colombo. O mais recomendado é aplicar até 40% da poupança nesses fundos, uma vez que há penalidade para quem quiser sacar. “Num momento de crise como este é preciso ser mais conservador e procurar instituições de primeira linha, tradicionais, com boa nota de avaliação para aportar seus recursos”, recomenda Colombo.

Considere a diversificação. O mais indicado é começar com a caderneta de poupança, que não cobra taxas e é isenta de imposto de renda. Com recursos acima de 5 mil reais, já é possível negociar taxas menores nos fundos de investimentos. Outros produtos financeiros, como títulos do Tesouro e ações também são recomendados para diversificar o portfolio. A partir do acúmulo de 24 salários em ativos líquidos é possível partir para aplicações de menor liquidez, mais difíceis de serem resgatados em momentos inadequados.

Fique atenta para não ser obrigada a abrir mão do hábito de poupar. Se a despesa aumentou e a renda permaneceu inalterada, a saída é cortar custos. A mesma receita utilizada para perder peso: quanto mais se come, mais precisará se exercitar para manter o peso. Uma fórmula simples para manter a parcela da previdência é se organizar e colocar suas despesas dentro do ABCD: A de alimentos, B de básicos, C de contornável e D de dispensável, sugere Eid.

Comece a cortar os dispensáveis. Se não for suficiente, parta para os contornáveis. Se tiver de partir para os básicos, reduza a quantidade. Se tiver de chegar até os alimentos, resta optar por ter uma qualidade menor até passar a crise. Para aqueles que perderam o emprego ou tiveram o salário reduzido, a receita é a mesma para que use o menos possível da poupança acumulada. Assim, sua previdência estará muito mais garantida. Afinal, só rezar não basta. É preciso unir a previdência com a providência para manter aquele corpo de 30 aos 60.

Matéria veiculada na revista Elas&Lucros, número 3/2009

Corretoras investem em aquisições

A consolidação no segmento de corretores de seguros está intensa, tanto no Brasil como no exterior. A novidade desta semana é a compra da John B. Collins Associates Inc, oitava maior corretora do mundo, pela Guy Carpenter, segunda maior corretora de resseguros do mundo controlada pelo grupo Marsh & McLennan. Em dezembro do ano passado, a Aon Re, maior corretora de resseguros do mundo, finalizou a compra da Benfield Group Ltd, terceira maior, por US$ 1,75 bilhão.

No Brasil, o ano de 2009 foi aberto com duas aquisições da Lazam MDS. Em apenas uma semana, a corretora de seguros controlada pelos grupos Suzano e Sonae adquiriu a ADD Makler e a carioca Miral. Aquisições e parcerias são prioritárias dentro da estratégia das três maiores corretoras estrangeiras no Pais – Aon, Marsh e Willis -, assim como investimentos em serviços e produtos como forma de encantar o cliente e obter crescimento orgânico.

O movimento de consolidação das corretoras de seguros e resseguros justifica-se pela necessidade de eficiência e redução de custos que já vinha sendo prioritário mesmo antes da crise financeira. As corretoras foram fortemente abaladas pela queda do valores segurados – um ponto de referencia para o calculo da comissão – , pela economia de gastos perseguida pelos segurados e seguradoras, bem como pela acirrada competição que se instalou na indústria de seguros mundial nos últimos três anos.

A consultoria tem se tornado uma palavra chave entre os profissionais de vendas, bem como o gerenciamento de risco, vital para que as empresas consigam bons preços e coberturas abrangentes em seus programas de seguro e de resseguro.

Em fevereiro, as três maiores corretoras divulgaram os resultados de 2008. A Aon Corporation obteve receita total U$ 7,6 bilhões em 2008, crescimento de 4% em comparação ao ano anterior. O aumento das vendas nas Américas foi impulsionado pelo varejo nos Estados Unidos e pelos países da América Latina. O lucro líquido da Aon com seguros e beneficios cresceu 71% em 2008, para U$ 1,5 bilhão.

A Marsh & McLennan Cos. Inc. divulgou faturamento total de US$ 11,6 bilhões em 2008, incremento de 4% comparado ao resultado de 2007. No entanto, apresentou prejuízo de US$ 73 milhões, comparado a um lucro de US$ 2,5 bilhões no ano anterior. Segundo comunicado do grupo, um dos maiores corretores e consultores de seguros do mundo, a maior parte da perda, US$ 1,9 bilhão, se refere ao fim da operação da Putnam Investments. A área de corretagem e gerenciamento de riscos de seguros totalizou receita de US$ 4,5 bilhões, alta de 4% comparado a 2007. Este valor inclui a corretora de resseguros Guy Carpenters, com US$ 803 milhões, recuo de 6%. Em consultoria, consolidando a receita da Mercer e da Oliver Wyman, o grupo MMC faturou US$ 5,1 bilhões em 2008, alta de 6% em comparação ao ano anterior. A Kroll obteve faturamento de US$ 866 milhões.

A Willis, terceira maior corretora de seguros do mundo, registrou queda de 26% no lucro líquido, para US$ 303 milhões, principalmente por custos com a aquisição da Hilb Rogal & Hobbs Co. e volatilidade das moedas nos diversos países onde atua. O faturamento com comissões e fees cresceu 12%, para US$ 2,8 bilhões, sendo que o crescimento orgânico cresceu 9%, mas foi impactado pelo declínio nas taxas de prêmios, totalizando um crescimento real de 4%. Segundo comunicado divulgado pela corretora Willis, o declínio nos prêmios foi causado por vários fatores, entre eles mudanças nos limites de exposição.

SulAmérica: lucro recorde

A SulAmérica obteve lucro líquido de R$ 415,9 milhões em 2008, crescimento de 29,4% em relação ao lucro de R$ 322 milhões do ano anterior. O resultado é o maior já registrado na história da seguradora, que abriu capital no final de 2007. Excluídos os efeitos de eventos extraordinários, o lucro líquido da companhia foi de R$ 381,8 milhões, evolução de 12,5% em bases recorrentes.de ativos de R$10,3 bilhões.

Os prêmios de seguros totalizaram R$ 7,7 bilhões, com crescimento de 12,4% em 2008. O índice combinado (receita menos indenizações pagas e custos)atingiu 98,4% no ano. Segundo comunicado do grupo, associado ao ING e com sócio na área de seguridade do Banco do Brasil, a seguradora contava com uma base de 6,3 milhões de clientes, com destaque para as carteiras de automóveis, de seguro saúde e de planos administrados.

Os prêmios de seguro saúde, que representam 52,4% do total de prêmios de seguros da companhia, cresceram 9,1%, para R$ 4,1 bilhões. As vendas de seguros automóvel atingiram R$ 2,3 bilhões, alta de 18,2% em relação a 2007. A frota segurada alcançou 1,922 milhão de veículos. O segmento de pessoas cresceu 45,8% em 2008, alcançando R$ 496,6 milhões, principalmente pelo crescimento de 123,2% nos prêmios de VGBL. Outros ramos movimentou prêmios de R$ 782 milhões, com redução de 0,6% em relação a 2007.

AIG perde US$ 100 bi

No mesmo dia em que divulga perdas de quase US$ 100 bilhões em 2008, o American International Group anuncia que terá mais US$ 30 bilhões do banco central dos Estados Unidos. O Federal Reserve detém o controle de 80% da AIG por já ter injetado US$ 150 bilhões para salvar a ex-maior companhia de seguros do mundo da falência. A AIG tem tentado vender algumas operações importantes, como a American International Assurance, na Ásia, e a American Life Insurance, que opera em 50 países. Mas até agora não obteve sucesso nas conversas que envolvem as maiores seguradoras do mundo. A operação no Brasil foi adquirida pelo Itaú Unibanco.

Caixa Seguros fatura R$ 4,9 bi

A Caixa Seguros, parceria entre a Caixa Econômica Federal e o grupo francês CNP, lucrou R$ 637,7 milhões em 2008, crescimento de 13,5% sobre os R$ 561,8 milhões de 2007. O faturamento chegou a R$ 4,9 bilhões, evolução de 25,6%. A rentabilidade sobre patrimônio líquido ficou em 41,8%, segundo informações contidas no balanço consolidado do grupo que atua em previdência, seguros, capitalização e consórcio.

Lucro da Mapfre cresce 33%

A Mapfre Brasil obteve lucro, antes dos impostos e participações, de R$ 280,3 milhões em 2008, 33,2% superior ao de 2007. O lucro líquido da seguradora alcançou R$ 218,6 milhões de janeiro a dezembro do ano passado, incremento de 41,4% sobre o ano anterior. O faturamento em prêmios e contribuições totalizaram R$ 3,6 bilhões, aumento de 20,7%  em relação a 2007.

 

Segundo nota divulgada pelo grupo, os números de 2008 são resultado de uma série de ações e medidas construídas ao longo dos últimos cinco anos, decorrentes de investimentos em tecnologia e capacitação dos colaboradores. “Os investimentos continuarão em 2009 por meio da construção de centros de atendimento para os nossos clientes, além de oferecer novas modalidades de seguros”, afirma o presidente das empresas do grupo Mapfre no Brasil, Antonio Cássio dos Santos.


Os ativos totais consolidados atingiram a cifra de R$ 5,5 bilhões, volume 21,3% superior ao ano anterior. As provisões técnicas cresceram 33% encerrando o ano passado com R$ 3,1 bilhões, e o patrimônio líquido foi incrementado em 8,5%, saindo de R$ 1,305 bilhão para R$ 1,416 bilhão. Já as reservas de previdência alcançaram R$ 1,1 bilhão contra R$ 873 milhões em 2007, um crescimento de 28,2%.

 

As despesas administrativas da companhia mantiveram-se no mesmo patamar de 2007, representando 11% dos prêmios retidos, e o índice de sinistros sobre prêmios ganhos teve uma leve alta de 0,4%, atingindo 52,3% em 2008. A Mapfre ainda atingiu a marca de 97,4% de índice combinado no ano passado, o que representou uma significativa melhora de 1,7% em relação a 2007.

 

Em vida, a seguradora ocupou a terceira posição, com participação de mercado de 11,1%.  No segmento de automóveis, passou a ser a quinta maior colocada, com 6,94% de market share.


Os resultados obtidos pela Mapfre Seguros também apontam crescimento na área de seguros gerais. A companhia encerrou o exercício com aumento significativo, consolidando-se na quarta posição no ranking deste segmento, com 6,57% de participação de mercado. Em garantias e crédito, a Mapfre ocupa a terceira posição, com market share de 8,76%.

 

 

 

 

Perdas de US$ 200 bilhões

As catástrofes naturais geraram perdas econômicas de US$ 200 bilhões em 2008, segundo o estudo “Topics Geo —Natural catastrophes 2008”, divulgado nesta sexta-feira pela resseguradora alemã Munich Re. Deste valor, as seguradoras arcaram com US$ 45 bilhões, pagando pessoas e empresas que compraram proteção para seus patrimônios.

Este foi o terceiro ano mais caro em termos de catástrofes, superado apenas em 2005, quando furacões como Katrina, Rita e Wilma causaram estragos volumosos, assim como o terromoto Kobe no Japão. O evento que causou maior perda econômica em 2008 foi o terremoto em Sichuan, China, com perdas superiors a US$ 85 bilhões. Entre os 16 eventos naturais ocorridos no ano passado, o mais caro foi o furacão Ike, com perdas de US$ 15 bilhões.

O estudo completo pode ser consultado no site www.munichre.com.

JMalucelli e Hannover: parceria

malucellihannoverO grupo Hannover Re, quinto maior ressegurador do mundo, e a JMalucelli Re, resseguradora local, assinaram uma parceria que visa impulsionar a venda de seguros de vida no Brasil, um segmento que representa menos de 10% das vendas totais das seguradoras brasileiras, excluído o VGBL, um produto de acumulação de renda. Menos de 3% do total dos prêmios de vida e acidentes pessoais, cerca de R$ 7 bilhões em 2008, conta com um programa de resseguro. Em países desenvolvidos, o ramo vida representa praticamente a metade das vendas totais de seguro, deixando claro o potencial do Brasil.

O acordo, válido pelo prazo de três anos e que prevê exclusividade, visa à construção de um relacionamento entre os dois grupos em prol da indústria de seguros brasileira. “A Hannover treinará a nossa equipe com seu know how e nós desenvolveremos negócios locais para ela com o relacionamento que temos com todo o mercado”, diz Alexandre Malucelli, presidente da JMalucelli Re.

Rudiger Mehl, membro do conselho executivo e responsável pelas operações internacionais da Hannover Life Re, está entusiasmado com o acordo. “O Brasil tem muito potencial na área de vida e saúde. E nos temos muitos produtos e capacidade de resseguro para ajudar as seguradoras brasileiras a aumentar as vendas neste segmento”, comentou durante almoço com jornalistas realizado em São Paulo.

O grupo Hannover tem como meta aumentar a fatia do ramo vida, mais rentável e menos sujeito a oscilações bruscas comparado ao ramo de bens, duramente afetado por catástrofes naturais nos últimos anos. “Nosso objetivo é elevar de 35% para 45% a participação do ramo vida no faturamento total do grupo”, informa Mehl.

Em 2008, o grupo Hannover Re faturou 3 bilhões de euros em prêmios de vida. Em janeiro deste ano anunciou a compra da carteira de vida da americana Scottish Re, adquirida pelo grupo ING em 2004, com prêmios anuais próximos a US$ 1,2 bilhão. A compra fará da Hannover Re a quinta maior resseguradora individual de vida. Na América Latina sua participação é de apenas 100 milhões em prêmios de vida.

A JMalucelli Re, por sua vez, focada em apólices de garantia, atingiu em menos de sete meses os planos traçados para os três próximos anos. “Isso nos permitiu iniciar já o desenvolvimento de negócios em outros segmentos”, conta Malucelli. Com operações iniciadas em junho, a JMalucelli Re encerrou 2008 com prêmios de R$ 130 milhões, atuando junto a seis seguradoras. Também almeja atender as necessidades de resseguro de países da América Latina, onde já entrou com pedido de autorização junto aos órgãos reguladores. A participação de resseguros e seguros, nicho em que é líder absoluto no ramo garantia, no resultado do Banco Paraná, controlador das empresas, foi expressivo: 31% em 2008.

Além da sinergia na área de vida, a parceria entre Malucelli e Hannover aumenta as chances de negócios em resseguro, uma vez que ambas poderão deter 100% dos contratos. Segundo a regulamentação do setor, resseguradoras locais têm a preferência de 60% dos negócios até o final deste ano e de 40% a partir de 2010. Assim, a alemã Hannover, autorizada como resseguradora admitida, passa a contar com o benefício da preferência da paranaense Malucelli, registrada como local.

Taxas de seguros caíram em 2008*

As taxas dos seguros empresariais continuaram registrando queda no quarto trimestre de 2008, segundo pesquisa realizada pelo Risk and Insurance Management Society Inc (Rims), entidade americana semelhante à Associação Brasileira de Gerenciamento de Risco (ABGR) no Brasil.

De acordo com o levantamento, as taxas dos seguros patrimoniais, responsabilidade civil geral e directors & officers (D&O) foram as que mais apresentaram redução, informaram os gerentes de riscos das corporações norte americanas. A média de prêmios no seguro de responsabilidade civil geral caiu 5,9% no quarto trimestre de 2009. No trimestre anterior, o recuo verificado nas taxas foi de 9,6%. Em seguros patrimoniais, o recuo foi de 3,8%, taxa modesta perante os 8,5% verificados no terceiro trimestre.

O seguro de D&O continuou com a tendência dos trimestres anteriores: alta dos prêmios em razão da elevação das taxas e de um número maior de contratos por parte das instituições financeiras, as mais afetadas pela crise do subprime, e redução dos prêmios para os demais segmentos. As taxas recuaram 1,2% abaixo dos 2,1% do terceiro trimestre de 2008.

Excluindo as instituições financeiras, os prêmios recuaram 4,5%, comparado com 7,5% do terceiro trimestre. No entanto, a tendência é de que o ciclo de queda das taxas esteja perto do fim, após um período de quase cinco anos de baixa.

De acordo com os autores do estudo, as perdas financeiras com a crise internacional, elevado índice de indenizações com as catástrofes naturais e práticas contábeis inadequadas, incluindo o escândalo Madoff, farão com que as seguradoras tenham de recuperar capital para continuar dentro das margens de rentabilidade exigidas pelos acionistas. Eles acreditam na estabilidade das taxas até o terceiro trimestre de 2009, quando começam a entrar num ciclo de alta até o início de 2010.

*matéria escrita com exclusividade para o site www.fenaseg.org.br

Crescimento menor, mas sem recessão

A grande maioria das seguradoras passou o mês de outubro refazendo orçamentos de 2009. Uma pena ter de revisar para baixo as projeções de crescimento de vendas, de lucratividade, de contratação de funcionários e de investimentos. Porém, é uma situação melhor do que países da Europa e dos Estados Unidos têm enfrentado. Enquanto lá eles vislumbram recessão, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deverá sair dos 5% previstos para 2008 para 3,5% no próximo. O governo fala em 4%, mas analistas projetam algo entre 2,6% e 3,5%.

“É uma situação privilegiada. O País cresceu 3,5% em 2006, melhor ano da indústria de seguros”, defendeu Antonio Cássio dos Santos, presidente da Mapfre. Santos ilustrou a diferença entre o Brasil e os países do hemisfério norte. “Nós vivemos a falta de liquidez do Plano Collor. Soubemos nos virar nas mais de treze crises que tenho lembrança. Eles não. A última crise que esses países viveram foi a Segunda Guerra Mundial”, acrescentou. Além disso, o Brasil tem hoje uma economia mais forte do que quando estouraram as outras crises.

Faz sentido. O governo dos Estados Unidos gastou US$ 4 trilhões até meados de outubro deste ano com medidas para mitigar os efeitos da crise financeira iniciada com as hipotecas de alto risco (subprime) em junho de 2007. Apesar da ajuda, várias instituições faliram. Se não fosse uma injeção de US$ 85 bilhões do Federal Reserve (FED), o banco central dos EUA, a maior seguradora do mundo, a AIG, teria ido a bancarrota. E mesmo assim os mais otimistas prevêem recessão para o país no próximo ano. E a gigante, com US$ 1 trilhão de ativos, sucumbiu por uma divisão de crédito hipotecário que movimentava prêmios próximos a US$ 2 bilhões. Nada comparado ao faturamento de US$ 110 bilhões em 2007.

No Brasil, as medidas são pontuais e ainda não se tem notícia de qualquer falência de instituições financeiras. O Banco Central do Brasil (BC) tomou medidas pontuais para mitigar o risco de contágio de crise internacional. Boa parte das medidas visou trazer liquidez. Entre elas o afrouxamento das exigências de depósitos compulsórios a partir de 24 de setembro. Além da liquidez, o BC permitiu que bancos pudessem adquirir carteiras de crédito de bancos de pequeno e médio portes que se viram em dificuldades com a escassez de recursos no mercado internacional. E depois autorizou bancos oficiais, como Caixa e Banco do Brasil a comprar bancos. Também gastou US$ 23 bilhões em leílões cambiais para segurar a valorização do dólar frente ao real até o dia 20 de outubro.

Uma situação interessante no Brasil é a postura das empresas que amargaram perdas. Algumas já mostram interesse em processar bancos por entender que foram mal assessoradas pelos executivos financeiros, como a Sadia, por exemplo, que registrou perdas superiores a R$ 760 milhões com operações financeiras com câmbio. Temos também investidores mais pobres com a queda das bolsas. E por enquanto só. O nível de desemprego se mantém, o presidente Lula garante que os investimentos, principalmente do Programa de Aceleração dos Investimentos (PAC) vão continuar e o crédito logo deverá se estabilizar com as medidas adotadas pelo BC.

Nada perto do que passa os EUA. O preço dos imóveis não pára de cair. A insegurança faz com que consumidores, empresas e bancos sejam extremamente cautelosos, o que tira a liquidez do mercado e ajuda a afundar a economia. Todos aguardam para comprar um carro novo, para planejar uma viagem de férias, para pedir um empréstimo, ou para aprovar uma nova contratação. O índice de confiança do consumidor americano caiu para 57,5 pontos em setembro. Trata-se da maior queda de confiança já vista desde que o índice começou a ser apurado, em 1978.

Imagina quem irá pensar em comprar seguro. Com certeza aqueles mais propensos a receber uma indenização. E qual será a estratégia adotada para vender seguro nesta realidade? A redução das vendas da indústria de seguros será inevitável. Junto com a queda do faturamento, as companhias registram perdas com os ativos financeiros e o índice de sinistralidade começa a se elevar com os pedidos de indenizações das catástrofes naturais e também da crise, principalmente as carteiras de crédito, de responsabilidade civil de executivos e de erros e omissões de executivos. Um cenário propício para aumento de preço de resseguro.

Sem contar na preocupação com os planos de aposentadoria. Uma pesquisa da AARP, uma organização que defende os interesses de pessoas com mais de 50 anos nos EUA, informou que um em cada cinco trabalhadores nesse faixa já deixou de contribuir com seu plano de aposentadoria privada, devido à dificuldade de pagar gastos básicos, como alimentação e moradia. A perda financeira trazida com a crise poderá reduzir a expectativa do patrimônio estimado e com isso os trabalhadores poderão ser forçados a se aposentar mais tarde ou receber benefício menor do que o esperado. Além disso, com a insegurança generalizada de quebras de empresas ou de perdas ainda maiores, muitos investidores estão sacando de suas contas antecipadamente.

Por acreditarem que este cenário internacional trará reflexos no Brasil pela redução do consumo e do crédito, executivos estão revendo o orçamento de 2009. Eles não esperam nada de tão grave, desde que o noticiário internacional sobre falências continue sem trazer resseguradoras ou seguradoras de porte em suas manchetes. E ninguém está imune. Segundo avaliou o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, a atual crise financeira global demonstra a falência dos sistemas regulatórios das economias avançadas, incapazes de fixar regras para o gerenciamento de risco das maiores instituições financeiras privadas e de estabelecer mecanismos para disciplinar o mercado. Diante disto, é importante redobrar a atenção na escolha dos parceiros e usar o primeiro semestre do ano para adequar estruturas e deixar a empresa pronta para a retomada do crescimento da economia a partir do segundo semestre.

Artigo publicado na Revista Apólice – dezembro/2008