Ganho da Zurich recua 75% no trimestre

images11O grupo suíço Zurich Financial Services divulgou hoje queda de 75% no lucro líquido do primeiro trimestre do ano, para US$ 362 milhões, comparado com US$ 1,42 bilhão do mesmo período do ano anterior. O lucro operacional recuou 40%, para US$ 1 bilhão. Os prêmios brutos em ramos elementares recuaram 12%, para US$ 9,8 bilhões, e o índice combinado da operação ficou em 95,8%. Em vida, os prêmios evoluíram 2%, para US$ 5,5 bilhões.

Segundo o CEO James Schiro informou na nota divulgada pelo grupo, “o resultado apresentado mostra a melhora contínua da solidez do grupo diante das turbulências financeiras e revela a nossa habilidade em manter nosso nível de solvência”.

Perda com investimentos reduz lucro da Liberty

images16As vendas do grupo Liberty Mutual no primeiro trimestre deste ano evoluíram 7,6%, para US$ 7,03 bilhões, crescimento de US$ 521 milhões sobre mesmo período de 2008. O lucro líquido, excluindo-se as perdas provenientes da desvalorização de ativos, foi de US$ 270 milhões, comparada a US$ 321 milhões no ano anterior. O lucro líquido final do trimestre foi de US$ 28 milhões e os ativos avançaram em US$ 414 milhões sobre dezembro, totalizando US$ 104,7 bilhões. Um resultado significativo, levando-se em consideração a queda de 6% no PIB americano.

No entanto, as perdas com catástrofes e com investimentos reduziram a rentabilidade no período. As indenizações no período passaram de US$ 166 milhões para US$ 326 milhões nos três primeiros meses do ano. Além disso, a volatilidade dos mercados acionários e os efeitos da crise financeira causaram perdas financeiras de US$ 373 milhões, comparada ao ganho de US$ 60 milhões em mesmo período do ano passado.

“O resultado operacional do Grupo mostra o nosso foco contínuo em crescer com rentabilidade. No entanto, nós sentimos o impacto negativo do mercado de capital como mostra a queda nos valores dos ativos de nosso portfolio de investimento”, disse o CEO do grupo Edmund Kelly, em nota divulgada sobre os resultado do trimestre. E completou: “A recente aquisição da Safeco resultou em crescimento de receitas e melhorou nossos resultados o que demonstra que a integração está atingindo nossas expectativas.”

Seguro gera 55% do lucro do Paraná Banco

images1A área de seguros e de resseguro do Paraná Banco, controlador da JMalucelli Seguradora e JMalucelli Resseguradora, respondeu por 55% do lucro líquido de R$ 20 milhões do grupo no primeiro trimestre deste ano, percentual muito acima da contribuição de 31% resgistrada no quarto trimestre de 2008. Segundo nota divulgada pelo Paraná Banco, a crise financeira estimulou a
demanda por seguro garantia, tendo em vista que a instabilidade financeira limitou o acesso a fiança bancária, substitutivo direto do seguro garantia.

Além disso, diz a nota, o governo federal vem investindo no setor de infraestrutura, como medida anticíclica, e estes são projetos que demandam a contratação do seguro garantia. Este cenário, aliado a estratégia do grupo em atuar em resseguro, contribuiu para elevar o volume de prêmios totais emitidos pela JMalucelli Seguradora em 75,7%, para R$ 85,2 milhões.

Um dos destaques do grupo na área de seguro neste primeiro trimestre foi a criação de uma holding operacional, a JMalucelli Participações em Seguros e Resseguros, que desde janeiro de 2009 concentra toda a estrutura funcional e organizacional comum das três empresas: JMalucelli Seguradora, JMalucelli Re e JMalucelli Vida e Previdência. Segundo o banco, esta estrutura permite, além dos ganhos de produtividade e escala, a manutenção de políticas uniformes de subscrição e análise de crédito, mantendo a independência comercial e técnica. A JMalucelli Vida e Previdência deverá ser convertida para JMalucelli Seguradora de Crédito após homologação do órgão regulador.

Segundo dados disponíveis na Susep até fevereiro de 2009, a JMalucelli Seguradora detinha 51,3% de participação de mercado, em prêmios emitidos, e sinistralidade de 1,0%. A JMalucelli Seguradora possui ratings A-(Bra), perspectiva Positiva, pela Fitch Ratings e BrA- / estável pela Standard & Poors.

Cerca de 94% dos prêmios emitidos pela JMalucelli Re foram provenientes da seguradora do grupo, sendo o restante originado por outras seguradoras nacionais. O volume de prêmios de resseguros emitidos totalizou R$ 61,6 milhões, lucro líquido de R$ 3,6 milhões e ROAE anualizado de 20%. Classificada como resseguradora local, a JMalucelli Re está no grupo de resseguradoras que tem o direito de primeira recusa de 60% dos prêmios ressegurados até 2012 e 40% após este período, segundo regulamentação do setor.

Hannover Re fatura 24,6% mais no trimestre

images40A Hannover Re, presente no Brasil como ressegurador admitido, divulgou ontem um balanço positivo das operações do primeiro trimestre. As vendas registraram alta de 24,6%, para 2,1 bilhões de euros. O lucro líquido crescer 42,7%, para 216 milhões de euros, considerando os efeitos da aquisição da carteira de vida do ING. O lucro operacional cresceu 24,5%, para 305,8 milhões de euros. O índice combinado ficou em 95% e a previsão de retorno sobre o capital para este ano é de 18%, tendo como parâmetro os resultados do trimestre.

Wilhelm Zeller, CEO do grupo, destacou dois pontos no balanço do grupo: a melhora no nível de retenção dos clientes, de 88,7% para 91.7%, e a compra da carteira de vida do ING. “Para nossa companhia, os efeitos da crise financeira passaram longe”, comentou na nota divulgada.

Os prêmios de resseguro das operações de ramos elementares tiveram incremento de quase 10%, para 1,7 bilhão de euros, graças a retomada de preços do mercado de seguros no primeiro trimestre do ano para recuperar as perdas geradas em 2008. Segundo o executivo, em resseguros de catástrofes também foi registrada recuperação das taxas praticadas, principalmente em áreas mais expostas aos danos causados pela natureza.

A maior perda do grupo em catástrofe foi com as chuvas de inverno. O evento apelidado de Klaus, com estragos no sul da França e norte da Espanha, já totaliza indenizações de 63 milhões de euros. O fogo na Austrália também gerou perdas de 12,5 milhões de euros.

Em vida, os prêmios brutos cresceram 30%, para 1 bilhão de euros no primeiro trimestre. Deste total, o portfolio do ING Life representa 193 milhões de euros. O nível de retenção, segundo a empresa, foi de 90,6%. Recentemente, o grupo Hannover Life fechou uma parceria para desenvolver as operações de resseguro de vida com o grupo paranaense J.Malucelli no Brasil.

Lucro da Munich Re cai 46% no trimestre

images25Perdas com investimentos derrubaram o lucro da Munich Re, maior resseguradora do mundo e presente no Brasil como resseguradora local. No primeiro trimestre do ano a resseguradora alemã divulgou lucro liquido de 420 milhões de euros, queda de 46% em relação ao mesmo período do ano passado. Os prêmios, por sua vez, evoluíram 5,3%, para 10,4 bilhões de euros no período.

Nas renovações de abril, quando ocorrem as principais negociações do ano, o grupo registrou incremento médio de 7% nas taxas praticadas no Japão e na Coréia, gerando alta de 11% no volume de prêmios. O índice combinado das operações de resseguro ficou em 97,3%, um percentual melhor do que os 103,7% do mesmo período do ano anterior.

Crise afeta faturamento das corretoras

O impacto da crise financeira global pode ser visto no balance do primeiro trimestre das três maiores corretoras de seguros do mundo. O lucro, no entanto, tem sido preservado depois do foco em corte de custos registrado desde 2004, quando as investigações e posteriores punições do então ex-procurador de Nova York, Eliot Sptizer, revelaram perdas aos segurados, forçando uma ampla mudança na gestão das corretoras. No cargo de governador de Nova York em 2006, Sptizer renunciou ao cargo em março do ano passado após escândalo sexual.

Boa parte do ganho das corretoras vem de comissões e fees cobrados sobre o valor do programa de seguro. Com a queda no volume contratado pelas empresas para proteger o patrimônio em razão da desaceleração das economias, as principais corretoras estão divulgadno queda nas receitas.

A Aon divulgou queda de 3% no faturamento do trimestre, para US$ 1,9 bilhão. O lucro líquido cresceu 28%, para US$ 280 milhões. Parte do recuo do faturamento foi causada pelas oscilações nas moedas. Segundo nota do grupo, houve crescimento orgânico de 1% no segmento de seguros, a Aon Risk Service, responsável por US$ 1,5 bilhão do faturamento. A aquisição da corretora de resseguros Benfield no ano passado ajudou a incrementar as receitas com resseguro em 54%, para US$ 395 milhões. A area de consultoria registrou queda de 10%,para US$ 309 milhões.

O grupo Marsh McLennan divulgou lucro líquido de US$ 176 milhões no primeiro trimestre deste ano, um resultado bem melhor comparado a perdas de US$ 210 milhões do mesmo período do ano anterior. A crise abateu em 13% o faturamento consolidado do grupo, para US$ 2,6 bilhões, sendo US$ 1,4 bilhão da divisão de riscos e seguros, com queda de 8%, e US$ 1,1 bilhão da divisão de consultoria, recuo de 16%.

O lucro da Willis cresceu de US$ 166 milhões para US$ 192 milhões no primeiro trimestre deste ano, considerando a compra da Hilb Rogal & Hobbs Company (HRH), Com a aquisição, o faturamento cresceu 17%, para US$ 930 milhões. Considerando-se o efeito da variação das moedas, o faturamento registra queda de 12%. Os negócios internacionais registraram incremento, enquanto na América do Norte amargaram declínio.

Lucro da Scor Re cai e da Everest Re cresce

s0205-931A safra de balanços da indústria de seguros mundial continua apresentando resultados diferenciados. A maioria das empresas que já divulgou o relatório financeiro tem ressaltado as operações internacionais e a parceria de longo prazo com clientes como fatores positivos dos resultados do primeiro trimestre.

A resseguradora francesa Scor, presente no Brasil como resseguradora admitida para atuar em ramos elementares e também vida, registrou queda de 30% no lucro líquido do primeiro trimestre deste ano, para € 93 milhões. No mesmo período do ano anterior, o ganho do grupo foi de € 133 milhões. A rentabilidade sobre o patrimônio caiu de 15,7% para 11,1%, segundo informa o grupo em seu balanço trimestral.

Os prêmios, por sua vez, cresceram 15,4%, para 1,5 bilhão. Os prêmios de vida totalizaram € 693 milhões, evolução de 12,2%. O índice combinado de ramos elementares subiu um ponto percentual, para 99,4%. Um dos pontos destacados no balanço do grupo foi o crescimento das operações internacionais de ramos elementares e o sucesso das renovações dos contratos no mês de janeiro e abril, quando acontecem as principais negociações da indústria de seguros.

Segundo comentou na nota Denis Kessler, presidente e CEO da Scor, o sucesso das renovações no mês de abril, com incremento de preços de 4,1%, pouco acima dos 3,1% registrados em janeiro, demonstram a seriedade da subscrição e a estratégia do grupo em continuar apresentando resultados e capacidade financeira sólidos em um cenário de crise.

O grupo Everest Re, presente no Brasil como ressegurador admitido, conseguiu elevar em 40% o lucro líquido do primeiro trimestre deste ano, para US$ 108,6 milhões, segundo balanço mundial divulgado pelo grupo. Os prêmios evoluíram em um ritmo menor, passando de US$ 877,5 milhões para US$ 997,8 milhões, alta de 14%. Os prêmios de resseguros puxaram o crescimento, com índice de 19%, enquanto os prêmios de seguros registraram baixa de 3%.

De acordo com a nota divulgada pelo grupo, as operações internacionais puxaram o crescimento das vendas. O índice combinado ficou praticamente estável comparado ao mesmo período do ano anterior, em 89%. Segundo informou na nota Joseph Taranto, presidente da Everest Re, o relacionamento de longo prazo com clientes foi um dos fatores que ajudou o grupo a registrar um resultado sólido mesmo em cenário de crise mundial.

Uma árvore chamada Allianz*

42-21521900Nasce uma árvore especial em meu condomínio. “É preciso salvar o planeta”, dizem os que conhecem a história da árvore batizada de Allianz.

Para a indústria seguradora, a mudança climática já é um fato. É o risco que mais preocupa executivos das seguradoras em todo o mundo quando vão traçar suas estratégias de atuação, desenvolvimento de mercados e precificação de produtos. Seguradores e resseguradores afirmam em seus discursos que o setor mudará radicalmente sua forma de avaliar suas exposições aos riscos diante de uma mudança tão abrupta no clima.

Até 2005, muitas seguradoras não computavam custos com mudanças climáticas em seus preços. No entanto, depois de perdas superiores a US$ 80 bilhões e mais de 150 milhões de pessoas afetadas com catástrofes naturais naquele ano, tendo o furacão Katrina como o principal, muitas passaram a considerar o custo em suas apólices e investir em estudos e campanhas, além de estimular projetos sustentáveis, que respeitem o meio ambiente e a sociedade, com taxas de prêmios mais acessíveis.

Algumas empresas do setor foram além. Querem mais do que apenas criar produtos que reduzam os riscos de prejuízos e insolvência que as mudanças climáticas podem causar. Querem realmente ajudar a salvar o planeta. O grupo Allianz é um dos maiores incentivadores de medidas para reduzir a poluição do planeta. Internacionalmente, informa, o grupo comprometeu-se em reduzir a emissão de CO2 em 20%, até 2012, além de investir 500 milhões de euros em fontes renováveis de energia, assim como em outros projetos sociais e sustentáveis.

O Lloyd’s of London entre várias ações lançou o projeto Risco 360, que tem como meta estudar tendências na freqüência de catástrofes, estimulando discussões sobre como gerenciar o risco no ambiente. Segundo a instituição, com mais de três séculos de experiência em seguros, em 2050 catástrofes como o furacão Katrina se tornarão quatro vezes mais freqüentes do que no início do século.

Em 2005, a Munich Re lançou a “Iniciativa de Seguro da Mudança Climática de Munique”, que reúne seguradores, climatologistas, economistas e organizações independentes (ONGs), com o objetivo de desenvolver soluções do ponto de vista securitário para as perdas crescentes decorrentes de eventos extremos relacionados ao clima.

A Swiss Re, além de um amplo programa relacionado à mudança climática, mantém um banco de dados que associa estatísticas relativas a catástrofes naturais com informação sobre seguros, dados econômicos e um mapa interativo com estimativas sobre o risco climático. O programa de mudança climática da seguradora também se baseia no tripé pesquisa de risco climático, desenvolvimento de produtos e conscientização.

As seguradoras no Brasil começam a avançar em seus esforços. Até 2005, a iniciativa se resumia na economia de luz e uso de papel reciclado. Em 2006, algumas partiram para calcular a emissão de CO2 e plantar as árvores necessárias para neutralizar a poluição gerada pela empresa. Já em 2007, novas atitudes. Porto Seguro e Mapfre auxiliam na vistoria de automóveis e informam motoristas sobre medidas para reduzir a poluição. HSBC e Bradesco Capitalização revertem uma parte da receita de produtos para entidades ligadas a projetos ecológicos e sociais.

Em 2009, o ano começou com atitudes invejáveis. Depois de lançar o Ecoblos, uma biblioteca virtual sobre temas sustentáveis no ano passado, a Mapfre inaugurou em março a Villa Ambiental, primeira iniciativa do governo dentro do Programa Criança Ecológica, que prevê 37 projetos que serão desenvolvidos do Governo do Estado de São Paulo com o apoio da iniciativa privada.

A Allianz lançou o kit digital na Ecogerma – Feira e Congresso de Tecnologias Sustentáveis, organizada pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanhã, realizada em março, em São Paulo. Ele estava entre os vários destaques da feira, ao lado dos elevadores ecoeficiente da ThyssenKrupp, do plástico biodegradável da Basf, da linha de aquecimento solar e de ferramentas à bateria com tecnologia de íons de lítio da Bosch.

Realmente a ação da Allianz é um exemplo para a indústria local de seguros, que já reduziu o envio de papel aos corretores e segurados. Na Allianz, o segurado recebe apenas a carteirinha e pela Internet. O restante está na página da seguradora na web para consultas. O kit imprensa foi entregue em um moderno pen drive. Encantou os jornalistas. E para fechar com chave de ouro, a empresa entregou um cartão de visitas em papel reciclado, com sementes. Ao chegar em casa, anota-se os dados do executivo na agenda e o cartão deve ser picado e plantado em um jardim. Assim nasce a Allianz no meu condomínio.

Mas será que atitudes tão pequenas farão a diferença diante de tantas calamidades previstas com as mudanças climáticas para um futuro próximo? “Sim, todas as atitudes são benéficas. Pequenas atitudes podem mudar o mundo”, respondem prontamente os especialistas. E você, o que está fazendo para ajudar a salvar o planeta?

*Articulista da Revista Apólice

O desafio é conquistar a geração Ipod*

ca2zhk3dca04jj6tcas3ib2ocaofxef1carzskglca0za2b6cacvkjkfcajp3is6ca4lj4cacaiaojizcarp215jcawp666kcaolfi7bcantg8dlcapnkgulcazf5ardcatls1ytcag1x4z6ca7u0uf3Os executivos de previdência privada aberta nunca trabalharam tanto. Estão atolados de desafios desencadeados com a crise financeira global e a queda da taxa básica de juros da economia. A etapa final do processo é conquistar os jovens, apelidados de “Geração Ipod” por especialistas internacionais. Os jovens usam MP3 não só por modismo. E sim porque eles mesmos querem escolher as músicas que vão ouvir. A mesma lógica é aplicada em previdência.

Segundo os especialistas, os mais jovens não têm memória inflacionária. Nunca conheceram alguém que tenha ficado rico aplicando na caderneta de poupança. Sabem que precisam correr riscos para ter um rendimento mais elevado. Vivem conectados. Não convivem com os amigos. Interagem. Idolatram jovens talentos que enriqueceram com projetos inovadores e com a valorização de ações de empresas como o Google ou Facebook, por exemplo.

Para conquistá-los, o primeiro passo é acalmar os pais que investem em planos de previdência para garantir o futuro do jovem. Desde a explosão da crise, em setembro do ano passado, o empenho foi mostrar que o setor estava sólido e que as empresas de previdência cumpriam regras rígidas de aplicação. As seguradoras não podem aplicar em derivativos descasados e têm limites – no máximo 49% do patrimônio – para apostar em ações, segundo explicou a Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão regulador das companhias. “Nenhuma empresa teve problemas nos últimos 30 anos”, ressalta o vice-presidente de vida e previdência da SulAmérica, Renato Russo.

Paralelamente, as empresas treinaram o call center para explicar aos clientes quais os impactos da crise nos investimentos de previdência. Conseguiram. O setor encerrou 2008 com crescimento, mesmo com elevado volume de saques. As contribuições em planos abertos evoluíram 13%, para R$ 31,8 bilhões, segundo dados da Federação Nacional de Previdência Aberta e Vida (Fenaprevi). O segmento que mais cresceu foi o de planos para jovens, com 46%, para contribuições de R$ 2,9 bilhões. Por ter ainda uma participação pequena, este nicho é a grande aposta das empresas para os próximos anos.

A incógnita era o comportamento dos participantes que tinham migrado da renda fixa, um porto seguro para as aplicações de previdência, para a renda variável, numa busca por uma rentabilidade mais atraente diante do quadro de juros decrescentes da economia brasileira. “A previdência aberta no Brasil é uma indústria nova. A maturidade do investidor surpreendeu. Tivemos pouca migração de clientes dos planos com ações para planos conservadores, com 100% em renda fixa”, conta Juvêncio Braga, da Caixa Seguros.

Os resgates, que cresceram entre outubro e janeiro, também cessaram. Em fevereiro deste ano, os depósitos superaram os saques, gerando captação líquida positiva de R$ 1,07 bilhão, 74% acima dos R$ 400 milhões registrados em janeiro, segundo dados do site Fortuna. “A rentabilidade foi preservada nos planos de renda fixa. No caso dos fundos com aplicações em renda variável, os clientes sentiram a queda do valor dos ativos com o recuo da bolsa”, afirma Renato Donatello, diretor de investimentos da Brasilprev, empresa de previdência privada aberta do Banco do Brasil, em parceria com a americana Principal e Sebrae. O Ibovespa encerrou o ano com baixa de 41%. “Mas já se observa uma boa recuperação e alguns fundos já compensaram integralmente a queda gerada pela crise.”

O desafio agora, passado o pior da crise, é reter o investidor e atrair novos participantes para garantir o crescimento. “Claro que não teremos os índices de evolução dos últimos anos, mas fecharemos o ano com taxas positivas”, garante Lúcio Flávio Conduru de Oliveira, diretor geral responsável pela Bradesco Vida e Previdência, líder do setor.

A intenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de alterar a fórmula de calcular o rendimento da tradicional caderneta de poupança trouxe um tempero a mais para o setor. O assunto ainda está em estudo, mas já foi o suficiente para fazer com que as pessoas repensem seus investimentos. Aliado a este cenário, o Brasil passa por uma consolidação bancária. A briga pela liderança no ranking torna a oferta ao consumidor mais atraente em termos de rentabilidade e custos de taxas. Com produtos reformulados, as empresas correm atrás dos clientes.

O empenho das empresas num primeiro momento é tentar atrair recursos para os planos de previdência infantil, uma vez que os depósitos se caracterizam realmente com prazos superiores a dez anos. “Não há um investimento de longo prazo melhor do que os fundos de previdência”, garante Osvaldo do Nascimento, diretor de previdência do Itaú Unibanco, um dos maiores bancos do mundo. Numa segunda etapa, o setor pretende explorar o incentivo fiscal dado pelo governo para quem investe em previdência.

O participante não paga imposto enquanto o dinheiro está sendo acumulado, uma vez que no PGBL e no VGBL o rendimento é isento de tributação, o que o torna mais interessante do que os fundos de investimentos que sofrem tributação. A combinação do PGBL e da tabela progressiva para o jovem tem um efeito muito favorável, explica Nascimento.

Ao resgatar o patrimônio acumulado, o jovem estará estudando, com renda inferior ao teto da Receita Federal e despesas que podem ser abatidas. De cada R$ 100 de saque, por exemplo, pagará 15% de IR, valor que pode ser recuperado na declaração anual.

A combinação VGBL e tabela regressiva tem um efeito semelhante. “O valor será tributado no resgate, porém recuperado na declaração anual. Um efeito e tanto no longo prazo e que fica evidente neste cenário de baixas taxas de juros reais”, afirma.

A segunda parte da estratégia das empresas é conquistar a “geração Ipod”. Para convencê-los a manter os investimentos que os pais fizeram será preciso mais criatividade e transparência por parte das empresas. A maioria das seguradoras já disponibiliza serviços de previdência na internet e também no Iphone. Mas mesmo com tantos investimentos em tecnologia, o processo para saber quais as ações que compõem o fundo de previdência pode ser considerado pré-histórico.

É preciso entrar no site da Associação Nacional dos Bancos de Investimentos (Anbid) para consultar. E mesmo assim há atraso de quase quatro meses nas informações. “É uma tendência ter uma divulgação mais abrangente, um leque maior de opções de fundos para os jovens, principalmente em renda variável e buscar retorno no longo prazo atraente para este participante tão plugado”, diz Donatello, da Brasilprev.

*Matéria produzida com exclusividade para o suplemento especial Previdência Jovem do jornal Valor Econômico, no dia 30 de abril de 2009

Fôlego jovem*

images3Garantir a educação dos filhos está no topo da lista de preocupações de pais e avós quando o assunto é o futuro. “Fiz um plano de previdência para Gabriela e Luiz Gustavo logo que nasceram”, conta o atleta e empresário que acaba de lançar o livro para crianças “Tchibum!”, Gustavo Borges.
O nadador recordista em medalhas das Copas do Mundo (31, ao todo) e a esposa Bárbara (foto) esperam poder pagar a faculdade das crianças sem mexer no fundo, deixando a poupança para ser usada como um presente de formatura. “Mas, como o futuro é imprevisível, optamos por garanti-lo agora”, diz.

Assim também desejam os pais dos gêmeos Rafael e Daniela. O susto foi tão grande com a gravidez de gêmeos que até o plano de previdência veio em dose dupla. “Quando fui contar para meu sogro que tinha começado a poupança para garantir a educação das crianças, ele me disse que também havia adquirido o mesmo produto financeiro para elas”, conta Alexandre Pereira dos Santos. A mãe, Renata Húngaro, agradece, pois qualquer iniciativa para assegurar a educação dos filhos é preciosa, ainda mais num cenário profissional tão competitivo como o atual.

Motivado pela maior consciência dos pais em garantir uma educação diferenciada aos filhos, o segmento de previdência infantil cresce em média mais de 50% ao ano, passando de R$ 833 milhões em 2005 para R$ 2,9 bilhões em 2008. Já os planos voltados para aposentadoria registraram evolução média de 18% no mesmo período, encerrando 2008 com contribuições de R$ 31,8 bilhões e reservas superiores a R$ 140 bilhões.

“Hoje, de cada R$ 1 milhão destinados a planos de previdência, quase R$ 100 mil são investidos em planos para menores. Há 4 anos, eram R$ 40 mil”, compara Lúcio Flávio Conduru de Oliveira, diretor geral responsável pela Bradesco Vida e Previdência, dona de 63,7%, ou seja, mais da metade de toda a receita de planos para menores arrecadada no ano passado.

Uma das explicações para o interesse é que os pais despertaram para a necessidade de poupar. “A educação não se restringe a escola. É fundamental que ela seja dada em casa. E mexer com dinheiro é um dos pontos mais importantes da educação de uma criança”, diz Willian Eid, especialista em finanças pessoais da Faculdade Getúlio Vargas e autor de diversos livros.

A primeira lição que os pais podem dar aos filhos é a da disciplina. Uma recente pesquisa da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) mostrou que as pessoas tendem a poupar mais em momentos de crise. Por isso, o setor de previdência privada tende a sofrer impacto menor que outros setores com a desaceleração da economia e a evolução do desemprego. As estatísticas mostram que em momentos de dificuldades os saques ou suspensão dos depósitos ficam dentro da média nos planos de aposentadoria mas são raros nos planos infantis. “Se o pai precisa de recursos, busca em outras aplicações para evitar mexer na poupança do filho”, afirma Luis Martinez, gerente de produtos de previdência Icatu Hartford.

Outro ponto positivo para o setor é a intenção do governo em mudar o cálculo da rentabilidade da caderneta de poupança. “Sempre é o momento certo de pensar no futuro. As pessoas vão refletir sobre suas aplicações e perceberão as vantagens tributárias da previdência como uma aplicação de longo prazo”, diz Tarcísio Godoy, presidente da Brasilprev e diretor da Fenaprevi. Com tais justificativas, a estimativa da entidade é de contribuições de R$ 35 bilhões em planos de previdência em 2009, mantendo a expansão de 13% registrada em 2008, com o jovem vitalizando a demanda.

Para quem acha que a educação é o melhor investimento que se pode fazer para os filhos é bom pesquisar bem antes de contratar um plano. E mesmo aqueles que já o têm, como Gustavo Borges, precisam ficar atentos às novidades lançadas pelas empresas. “Será que estou pagando taxas muito elevadas por ter um plano antigo?”, questiona Borges ao parar para pensar no assunto.

É bom investigar, recomendam os analistas, pois a competição entre as empresas está acirrada. De um lado, grandes grupos beneficiados pela solidez diante da crise. Por outro, empresas independentes, com estrutura mais enxuta e que buscam atrair o consumidor com gestores diferenciados, isenção de taxa de carregamento, rentabilidade acima da média e serviços.

Antes de tomar qualquer decisão, é preciso ter em mente o objetivo para aproveitar o benefício fiscal que os produtos de previdência oferecem. “O Brasil tem os melhores incentivos fiscais do mundo. É preciso entendê-los. Quem souber usar, otimizará os ganhos no longo prazo”, afirma Osvaldo do Nascimento, diretor de produtos de previdência do Itaú Unibanco, que conta com mais de 250 mil planos para jovens em carteira.

O PGBL é indicado para quem faz a declaração completa do Imposto de Renda. Ele permite o abatimento de até 12% da renda bruta. Já o VGBL tem o ganho tributado no saque. É possível optar por duas tabelas de IR. A regressiva tem tributação de 35% de IR sobre os rendimentos no primeiro ano e cai para 10% no décimo ano, alíquota menor do que a aplicada em fundos de investimentos, de 15%. Já a tabela progressiva é mais indicada para quem vai compensar a alíquota de até 27,5% sobre os rendimentos na declaração anual de IR. “São vantagens importantes e que ficaram ainda mais competitivas com a tabela regressiva de Imposto de Renda”, diz Juvêncio Braga, diretor da Caixa Seguros.

O plano de previdência, ao contrário de outros produtos financeiros, traz a possibilidade do titular de agregar um seguro de risco, por um custo próximo a 2% do aporte mensal. “Em caso da morte ou invalidez do titular, o filho receberá o valor total previsto pelo participante”, explica Edson Franco, diretor de produtos de previdência do grupo Santander, onde o plano infantil representa 5% da base total de clientes de previdência, com reservas de R$ 47 milhões.

Este foi o diferencial que atraiu o casal de médicos Vera Lúcia Tavares Nakamura e Marcelino Yoshikazu. “Além dos benefícios fiscais, poder agregar um seguro de vida que complete o valor que estimamos que será necessário para nosso filho cursar o ensino médio no exterior foi decisivo para a nossa opção de poupança”, conta a endocrinologista Vera Lúcia. “E é melhor poupar desde já, pois estou com 46 anos. Daqui a dez, quando ele for para a universidade, terei 56 anos e a disposição para fazer plantões e ter uma renda extra diminui muito.”

Quanto mais cedo se começa a poupar, maior será o efeito no longo prazo. O fim da inflação trouxe mais transparência aos ganhos das aplicações financeiras, facilitando a comparação entre fundos. “E a portabilidade existe não só para celular e plano de saúde. Ela também existe para a previdência. Quem não estiver satisfeito com rentabilidade ou com os serviços prestados pode mudar, sem qualquer custo”, diz Bento Zanzini, vice-presidente responsável por vida e previdência na Mapfre Seguros, que viu sua carteira crescer no primeiro trimestre deste ano, principalmente pela portabilidade.

Mais recentemente, com a queda da taxa básica de juro, a Selic, o investidor passou a ter mais clareza ainda do efeito multiplicador dos juros. Um cálculo tradicional dos consultores financeiros mostra que um rendimento de 1% ao mês durante dez anos significa 230% no final do período em razão dos juros compostos, ou seja, juros sobre juros.

Segundo cálculos de Edson Lara, diretor de varejo do HSBC Seguros, quem comprar um plano para o filho assim que nascer e projetar uma renda de R$ 60 mil aos 18 anos – valor estimado do custo de uma universidade -, terá de fazer aportes mensais de R$ 130. Se começar esta poupança quando o filho tiver dez anos, terá apenas oito anos para compor os R$ 60 mil e precisará contribuir mensalmente com R$ 480, considerando-se rentabilidade anual de 6%.

Por isso, é bom ficar de olho nas taxas cobradas pelas empresas, pois meio ponto percentual faz uma grande diferença no longo prazo. A taxa de administração é cobrada anualmente sobre o patrimônio e a de carregamento é aplicada sobre os aportes. A concorrência tem feito com que várias empresas isentem os clientes com aportes elevados da taxa de carregamento. A taxa de administração, que há pouco tempo superava 4%, pode ser encontrada por menos de 1% ao ano.

Novos benefícios fiscais para tornar o produto ainda mais atrativo são negociados com o governo. A Fenaprevi tenta convencer o governo de que dar incentivos para educação e saúde desonera o governo, a medida empurra as pessoas para a iniciativa privada. “Estimular a poupança de longo prazo é um benefício enorme para as pessoas e também para o governo”, diz Renato Russo, vice-presidente da SulAmérica e da Fenaprevi.

Além disso, o estímulo amenizaria os impactos diretos na previdência oficial no longo prazo. O tema “custo da educação” tem tido o poder de mudar o futuro de um país. Ele tem sido muitas vezes um fator decisório no planejamento familiar. Já se tornou rotina escutar a célebre frase “se não fosse tão caro educar, teria outro” de mães de filho único. E o efeito de baixa natalidade pode ser devastador para um país. Afinal, quem alimentará a receita da previdência oficial para pagar os benefícios dos idosos de amanhã?