Começou a safra de balanços do primeiro trimestre do ano. A expectativa de analistas em relação ao desempenho das companhias de seguros e de resseguros é de resultados positivos, porém menores do que os registrados em mesmo período do ano passado, quando a crise financeira ainda se espalhava vagarosamente.
Neste ano, as consequências da crise começam a aparecer nos números. O PIB dos EUA, por exemplo, no primeiro trimestre deste ano teve redução de 6%. Como consequência, as seguradoras tiveram menos bens para proteger. O primeiro trimestre do ano também é um período fraco no que diz respeito a ocorrência de catástrofes naturais em países onde a penetração de seguros é elevada, como EUA, países da Europa e Japão.
Boa parte da redução do lucro nas resseguradoras que já divulgaram o balanço do primeiro trimestre vem da perda com investimentos. Já o declínio dos prêmios resulta da desaceleração das economias mundiais e redução dos capitais segurados pelas empresas como contenção de custos.
A resseguradora PartnerRe divulgou lucro líquido de US$ 141,5 milhões no primeiro trimestre deste ano, acima dos US$ 129 milhões do mesmo período do ano passado. Os prêmios no período registraram ligeiro declínio, para US$ 1,3 bilhão. O índice combinado das operações de ramos elementares ficou em 87% no trimestre, melhora de cinco pontos comparado aos 92,3% do mesmo período do ano anterior. Segundo nota da empresa, o retorno sobre o patrimônio foi de 16,9%. Patrick Thiele, CEO do grupo, lembrou, no comunicado, que o primeiro trimestre do ano foi um período sem registro de catástrofes naturais. O balanço completo pode ser consultado no site www.partnerre.com.
O grupo XL Capital, que no Brasil tem uma parceria com o Itaú Unibanco, divulgou lucro de US$ 3 milhões no primeiro trimestre deste ano, diante dos US$ 244 milhões do mesmo período do ano anterios. O balanço traz perdas de US$ 251 milhões nos investimentos do primeiro trimestre deste ano, acima dos US$ 102,3 milhões do mesmo período do ano anterior. Os prêmios registraram declínio de 29,6% no período, para US$ 1,5 bilhão. Em nota, o grupo atribui a perda às condições gerais do mercado de seguros, com a queda dos valores segurados, e também pela desaceleração da economia. O índice combinado ficou em 93%, praticamente estável comparado ao mesmo período do ano anterior. O balanço completo pode ser consultado no site www.xlcapital.com
A Montpelier Re comemorou alta de US$ 300 mil em seu lucro do primeiro trimestre, para US$ 53,2 milhões. Os prêmios líquidos totalizaram US$ 237,8 milhões no período, 7,5% acima do mesmo perído de 2008. O índice combinado, que mede a eficiência da companhia ao considerar faturamento menos indenizações e despesas (quanto mais abaixo de 100% melhor), ficou em 74%, melhor do que os 89,7% do período anterior. O balanço completo pode ser consultado no site www.montpelierre.com
Já a Axis Capital divulgou queda de 49% no ganho do primeiro trimestre deste ano, para US$ 124,9 milhões. A justificativa, segundo comunicado do grupo, foi a perda com investimentos, que chegaram a US$ 40,6 milhões nos três primeiros meses do ano, comparado com ganhos de US$ 35,7 milhões no primeiro trimestre de 2008. Os prêmios tiveram incremento de 6%, para US$ 1,1 bilhão. O índice combinado registrou piora, passando de 81% para 86%. O balanço completo pode ser consultado no site www.axisre.com

As agências de classificação de riscos poderão recuperar um pouco da credibilidade com as novas medidas aprovadas na semana passada, dia 23, pelo Parlamento Europeu. O comitê dos 27 países membros aprovou novas medidas que pretendem melhorar a transparência e independência das agências de classificação de riscos. As empresas que quiserem atuar na União Européia terão de cumprir as determinações de registro da normativa aprovada por 569 votos a favor, 47 contras e quatro abstenções. As normas passarão a valer 20 dias após a publicação oficial e as empresas terão um prazo de seis meses para se adaptar.
O balanço da Chubb Corporation traz uma amostra da deteriorização das classes mais ricas nos Estados Unidos, afetados tanto pelas perdas de investimentos no mercado acionário como pelo desemprego. O grupo, um dos maiores em seguros diferenciados para a alta renda, registrou lucro líquido de US$ 341 milhões no primeiro trimestre de 2009, abaixo dos US$ 664 milhões registrados em 2008.
Acostumadas a exibir índices de faturamento e de rentabilidade crescentes nos últimos anos, as resseguradoras e seguradoras internacionais terão de suar a camisa para apresentar bons resultados neste ano – principalmente enfrentando um cenário em que a taxa de juros é declinante, o volume de pedidos de indenização ascendente e o mercado acionário, ainda volátil.
A indústria de seguros mundial ficará mais regulada. Esta é a conclusão de uma pesquisa feita pela Geneva Association (Associação de Genebra), entidade que reúne cerca de 80 CEOs da indústria de seguros mundial. A pesquisa foi realizada durante encontro que reuniu cerca de 70 especialistas para comemorar o 25º aniversário do grupo de estudo de em regulação, supervisão e questões legais. Entre os profissionais estiveram presentes Peter Braumüller, presidente da International Association of Insurance Supervisors (IAIS) e Roger Sivegny, presidente da National Association of Insurance Commissioners (NAIC), responsável pela fiscalização das seguradoras nos Estados Unidos.
Uma grande preocupação dos governos em todo o mundo em relação a ocorrência de catástrofes é ter um planejamento em como reconstruir o país diante da destruição. Várias medidas podem ser tomadas. Melhorar a atratividade dos seguros oferecidos no país, introduzir alguns seguros obrigatórios, assegurar a idoneidade dos canais de distribuição, investir na conscientização dos riscos a que a população está exposta e também na credibilidade da indústria de seguros.
Os efeitos da crise já são sentidos no Brasil. Ao mesmo tempo em que há sinais de vitalidade, com fila de espera para a compra de alguns modelos de veículos zero quilômetro, há também uma dura realidade, como os 100 mil veículos já recuperados pelos bancos até fevereiro em razão da inadimplência. Segundo especialistas, a intensidade com que o País será atingido dependerá do esforço de cada indivíduo, de cada empresa, de cada governo.
Começa a valer nesta quarta-feira, dia 15, a portabilidade dos planos de saúde. O consumidor que não estiver satisfeito pode mudar de empresa sem ter de cumprir novamente as carências, que vão de 24 horas para urgência até 300 dias para gravidez. Alguns procedimentos têm carências de até 180 dias, como para cirurgias e procedimentos de alta complexidade e dois anos para doenças pré-existentes.
O custo de seguro sequestro está hoje dez vezes mais caro do que em outubro de 2008 para navios em razão do grande número de ataques de piratas, principalmente no golfo Anden, onde as embarcações no oceano Índico precisam atravessar para chegar ao Canal Suez.
O terremoto na região de Abruzzo, na Itália, sendo a cidade L’Aquila a mais atingida, deverá totalizar perdas econômicas entre 2 bilhões e 3 bilhões de euros. Porém, nem todos os prejudicados contam com uma apólice de seguros para amenizar as perdas materiais. Na Itália, a demanda por proteção contra prejuízos causados por terremotos é muito baixa em seguros massificados. Já nos empresariais a inclusão desta cobertura é mais usual.