Criar um provável cenário de aposentadoria e saúde para daqui a 20 anos. Este é o desafio de um grupo de trabalho internacional do qual a Mercer, uma das principais consultoria de benefícios do mundo, faz parte, juntamente com a OCDE e outros colaboradores.
Robert Dumas, especialista da Mercer, que participa do desafio, detalhou a primeira fase do trabalho durante palestra no seminário Mercer, Gerenciando o plano de previdência em um cenário de incertezas, realizado hoje em São Paulo.
”É mais fácil projetar um futuro distante atualmente”, comentou o especialista em previdência para uma platéia composta por mais de 200 executivos de Recursos Humanos. Os estudos iniciaram há pouco tempo e está na primeira fase, onde seis grupos, entre eles governo, empresas e famílias, estão sendo pesquisados.
Para tal previsão, diante de tanta voltatilidade verificada nos últimos meses com a crise financeira, o grupo traça três possibilidades, considerando principalmente as diferenças demográficas, as inovações financeiras, as mudanças climáticas, os sistemas de previdência em cada país, entre outros. No entanto, todas as variáveis levam em conta o crescimento econômico e as atitudes sociais e políticas de cada país.
O primeiro cenário é “Os vencedores e o resto”. Ou seja, um grande crescimento global atrasará as consequências da explosão demográfica, mantendo os sistemas oficiais generosos. No entanto, o déficit do sistema oficial é mantido, forçando os governos a empurrar a população para uma poupança individual. Neste cenário, as pessoas mais qualificadas terão um plano privado administrado com um grau acentuado de sofisticação de riscos e retorno, e os menos qualificados teriam o beneficio mínimo do governo.
“Todos no mesmo barco” é o segundo cenário. Crescimento moderado, retorno sobre capital mais baixo e busca por instrumentos moderadores seriam o tom deste período. Nos países desenvolvidos haveria uma reforma do sistema oficial, com aumento da idade de aposentadoria e planos sustentáveis. Nos países em desenvolvimento seria a mesma realidade, com melhora da qualidade dos serviços.
O terceiro cenário seria “Cada um por si”. Neste mundo, o grupo de estudo projeta uma prolongada recessão, até 2020, dificuldade fiscal com os serviços de pensão e de saúde públicos, exigindo medidas agressivas dos governos para passar a responsabilidade para os indivíduos. A oferta de uma garantia mínima por parte dos governos e enfoque para melhorar a educação financeira para a população poupar mais seriam as prioridades de governos e empresas para ter um futuro com menos custos sociais envolvendo a aposentadoria e saúde da população.
Na fase dois do programa a missão do grupo será criar opções para melhorar a sustentabilidade dos planos de pensão e de saúde, como gerenciar melhor os gastos, aumentar a idade de aposentadoria, opções de transferência de riscos para seguradoras e mercado financeiro e assim fortalecer a poupança individual da população, o que definirá a situação econômica e social de cada pais.

A crise financeira global pouco afetou a indústria de seguros brasileira em lucro e faturamento até o momento. Mas os balanços do primeiro trimestre já começaram a apresentar um viés de baixa. Praticamente todas as maiores seguradoras apresentaram lucro no trimestre, mas o índice combinado (faturamento menos indenizações de despesas), que mede a eficiência operacional das companhias, já começa a apresentar piora. Quanto mais próximo de 100%, pior.
Os investimentos do grupo espanhol Mapfre na América Latina começam a dar retorno, principalmente agora que o país sede é o que mais tem sofrido com a crise financeira dentro da União Europeia. O lucro mundial totalizou 287 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano, praticamente estável ao resultado obtido no mesmo período do ano passado. Os prêmios avançaram 11%, para 4,5 bilhões de euros.
Os balanços do primeiro trimestre do ano continuam trazendo perdas. Allianz, Generali e ING divulgaram hoje seus balanços com resultados afetados, em grande parte, pela desvalorização dos ativos com a crise financeira, a pior desde o crash da Bolsa de Nova York, em 1929.
A Berkshire Hathaway, grupo que tem o megainvestidor Warren Buffett como principal acionista, divulgou perdas de US$ 1,53 bilhão no primeiro trimestre deste ano, um acontecimento raro na história da companhia, que mesmo em 2001, com os atentados terroristas contra os EUA, apresentou um balanço mais positivo do que o deste primeiro trimestre do ano. No primeiro trimestre de 2008, a Bershire apresentou lucro líquido de US$ 940 milhões. Boa parte das perdas, US$ 986 milhões, foi originada nos derivativos.
A Porto Seguro, maior seguradora de automóvel do Brasil, registrou lucro líquido de R$ 69,3 milhões no primeiro trimestre deste ano, evolução de 56,9% comparado ao ganho obtido no mesmo período do ano passado. Em 2008, o grupo encerrou o ano com lucro de R$ 290,2 milhões, baixa de 30,9%.
A American International Group (AIG) divulgou perdas de US$ 4,35 bilhões no primeiro trimestre deste ano, uma melhora comparada ao prejuízo de US$ 7,8 bilhões o mesmo período anterior e dos US$ 60 bilhões do último trimestre de 2008.
A Swiss Re, presente no Brasil como resseguradora admitida, divulgou queda de 76% no lucro líquido do primeiro trimestre deste ano comparado ao mesmo período do ano anterior. O fato de ter lucro neste início de ano, de US$ 132 milhões, é animador, pois mostra a recuperação diante dos problemas enfrentados no ano passado, quando divulgou prejuízo de US$ 761 milhões e aumento de capital de US$ 2,6 bilhões. Os prêmios ganhos em ramos elementares tiveram incremento de 5%, para US$ 3,4 bilhões.