Microsseguro será o produto da década, diz FGV

1173996187i0343l11Com matérias nos principais jornais, a pesquisa da FGV diz que a melhora na distribuição de renda no país e a subsequente queda na desigualdade está contribuindo para a área de microsseguros ser o produto da próxima década, assim como o microcrédito tem sido para esta.

Segundo o economista-chefe do Centro, Marcelo Cortes Neri, “o microseguro guarda a promessa de ser na próxima década o que o microcrédito foi no mundo nas últimas duas décadas”. Atualmente, a faixa A e B (renda acima de R$ 4,8 mil) responde por 46% da demanda. As classes C (até R$ 4,8 mil), D (R$ 1,1 mil) e E (R$ 800), que representam 85% da população, contribuem com 15,6%, 4,1% e 1,4% do total de seguros no País, respectivamente. Em todas as classes, a maior preocupação é a saúde. Cerca de 16% da população brasileira já possui algum tipo de seguro – em sua maioria, seguro saúde (12,9%), seguido de seguro de vida (4,3%) e automóvel (2,9%).

No período entre 2003 e 2008, cerca de 27 milhões de pessoas, o equivalente a metade da população da França, saíram das classes D e E, e passaram a fazer parte das classes ABC, a chamada “nova classe média brasileira”.

Um mercado e tanto para os executivos de seguros conquistarem com produtos sustentáveis e evitar o desgaste de imagem que as seguradoras de saúde dos EUA enfrentam hoje, o que acaba atingindo a credibilidade do setor como um todo.

E parece que todos querem realmente conquistar este público. Veja as declarações dos principais executivos do mercado financeiro nas últimas semanas. Itaú Unibanco apostou no setor ao associar-se a Porto Seguro. Banco do Brasil prepara uma engenharia financeira para ser um dos maiores em poucos anos.

No Bradesco, o assunto é “eixo do negócio. “Acredito que o seguro será a indústria que mais vai crescer no século XXI. Podemos ver que é a única que pode quantificar, qualificar e proteger do risco. Assim, me coloco como parceiro e amigo do seguro nacional”. A afirmação é do presidente do Banco Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, ao ser homenageado pelo Clube Vida em Grupo do Rio de Janeiro (CVG-RJ), durante a realização da 33ª edição de sua tradicional festa dos Destaques 2008-2009 no último dia 8.

Resseguradores lançam associação mundial

11400468097ae9501Dez dos principais executivos de resseguradoras estiveram presentes no último sábado para comunicar a criação de uma associação mundial de resseguros – Fórum Global de Resseguros (FGR), que terá Denis Kessler, diretor executivo da SCOR RE, como presidente, e Patrick Thiele, presidente da PartnerRe como vice-presidente.

Segundo informaram os executivos, o objetivo da associação é ajudar as resseguradoras a conviver com o momento de mudança trazido com a crise mundial, principalmente no que diz respeito as novas regras que regulamentarão o mercado, como Solvência II.

Além das regras de capital de risco, estão sendo preparadas outras regras para terem uma abrangência mundial pelos órgãos reguladores dos principais mercados financeiros do mundo, principalmente no que diz respeito a securitização. “Estas questões não podem ser tratadas apenas nos Estados Unidos, Europa ou Japão. Precisamos de uma voz global para tratar de questões globais “, disse ele.

A criação da associação é visto como um passo importante pelo setor, uma vez que mesmo sendo o resseguro uma atividade globalizada, não havia uma entidade que representasse globalmente o setor. A associação, segundo seus membros, pretende complementar e não substituir as relações já existentes. “Acreditamos na concorrência leal e a associação visa promover o valor do resseguro na economia global”, disse Kessler.

Também fazem parte do conselho do FGR Nikolaus von Bomhard da Munich Re, Hiroshi Fukushima da Toa Reinsurance, Lord Peter Levene do Lloyd’s, Lippe Stefan da Swiss Re, Montross Tad da General Re, Michael McGavick da XL Capital, Robert F. Orlich da Transatlantic Holdings, Greig Woodring do Reinsurance Group of America, e Wallin Ulrich da Hannover Re.

(imagem dreamstime)

A.M.Best e S&P preveem cenário estável

Depois da Fitch e Moody’s alterarem de estável para negativo a perspectiva da indústria de resseguros na semana passada, a AM Best e a Standard Poor’s anunciaram perspectiva estável para as resseguradoras, durante apresentações no 53º Rendez-Vous de Septembre, encontro anual dos resseguradores, que começou no dia 4 em Monte Carlo e se encerra no dia 10.

Segundo as agências internacionais, John André, vice-presidente da Fitch, na próxima semana a classificadora de riscos deverá afirmar, em sua revisão, boa parte dos ratings das resseguradoras de ramos elementares. A melhora da perspectiva do setor, explicou, é a disciplina na subscrição de risco que boa parte das companhias vem adotando como forma de manter uma base sólida de capital.

O crescimento nos mercados emergentes foi outro fator que contou pontos positivos na avaliação da A.M.Best, que entrevistou diversos executivos de resseguradoras para poder emitir a avaliação. Segundo o executivo, a recuperação da crise financeira está acontecendo mais rapidamente nos mercados emergentes, o que pode acarretar em bons negócios, e rentáveis, para as resseguradoras.

Encontros mundiais traçam cenário de 2010

11776077744grxme1O cenário internacional da indústria de seguros em 2010 começa a ser desenhado com a realização de dois dos principais encontros anuais. O primeiro deles é 53º Lês Rendez –Vouz Montecarlo 2009, que começa hoje e vai até o dia 10 de setembro, e o 25º Baden Baden, nome da cidade no sul da Alemanha, conhecida como refúgio dos milionários alemães, onde o evento será realizado entre 25 e 29 de outubro.

Tanto Montecarlo como Baden-Baden são uma tradição no setor. Ambos representam um mergulho de uma semana do resseguro, onde os resseguradores se encontram com seguradoras para começarem a conversar sobre as renovações dos contratos de resseguros para o ano seguinte. Há várias palestras, onde as tendências aparecem, envolvendo preços, capacidades, além dos principais problemas que o setor vivencia.

Montecarlo começa oficialmente dia 7, segunda-feira. Mas, na verdade, as discussões começam hoje, com boa parte dos participantes chegando ao adorável principado de Mônaco para aproveitar uma das mais famosas cidade da costa francesa.

Estão inscritos mais de 2,5 mil participantes de 80 países, entre resseguradores,seguradores e corretores, para discutir, prioritariamente, os ensinamentos da crise mundial que levou boa parte do capital de algumas companhias da indústria de seguros, o que abriu uma onda de consolidação em todo o mundo.

Em 2008, o evento em Montecarlo sinalizou o fim do ciclo de queda das taxas de seguros e de resseguros (soft market), que foi substituído por uma forte elevação de preços (hard market), falta de capacidade de cobertura e exigências rigorosas para a subscrição de riscos. Porém, a situação neste ano é mais animadora do que a de 2008, quando as catástrofes naturais causaram perdas econômicas de US$ 200 bilhões, sendo US$ 40 bilhões provocadas pelos furacões Gustav e Ike. Além disso, a indústria já contabilizava perdas superiores a 10% de seu capital com a volatilidade dos mercados acionários.

Neste ano, a crise de liquidez parece quase totalmente superada, porém ainda tem um custo elevado para quem precisa captar recursos no mercado de capitais. As catástrofes permanecem num nível inferior ao do ano passado, com exceção do mercado aeronáutico, com registrou no primeiro semestre deste ano vários acidentes, inclusive a queda do AIR France na costa brasileira em junho, com a morte de 228 pessoas.

Outros dois seguros enfrentam problemas e devem ainda apresentar taxas elevadas. Um deles é o seguro de responsabilidade civil de executivos, conhecido como D&O, em razão do alto índice de processos movidos por acionistas contra administradores de instituições financeiras, e também o de transporte de mercadorias em navios que transitam nos mares da África, região alvo dos piratas.

Diante deste cenário, a tendência é de que as taxas e condições de resseguros de riscos patrimoniais voltem a patamares normais nas renovações de janeiro, mês do ano com maior concentração de negócios da indústria, seguido pelo mês de abril.

A aposta é de uma parada no aumento de preços, o que não significa redução. Alguns resseguradores alegam que alguns segmentos podem apresentar alta nas taxas, que ainda não voltaram aos patamares de 2006, seguido por dois anos seguidos de quedas bruscas causadas pela concorrência desenfreada.

As tendências verificadas no encontro de Montecarlo são a base de o Baden Baden. No encontro do ano passado, o presidente da Munich Re, Nikolaus von BomHard, preconizou aumento de dois dígitos nas taxas de resseguros para recompor o capital das empresas afetado pelas perdas financeiras acarretadas pela crise mundial. Seus concorrentes foram mais conservadores. O que se viu, no entanto, foi um aumento médio de 15%.

Outro assunto destacado no ano passado era a necessidade urgente de mudanças nas agências de rating em razão dos problemas da AIG, que levou US$ 180 bilhões do governo dos EUA para evitar um efeito dominó de falências. Neste ano, uma nova regulamentação para a indústria, principalmente no que diz respeito a derivativos, e as consequências das mudanças climáticas são outros temas de destaque dos dois eventos.

A programação completa dos eventos pode ser acessada nos sites http://www.rvs-monte-carlo.com e www.badendirectory.com

Promotor alerta sobre seguros “defeituosos”

1144844475zrdysn1Os promotores de cidadania e do consumidor sempre têm casos interessantes para contar. Afinal, o dia a dia destes profissionais é estudar as queixas que chegam a eles sem acordo entre as partes. Dois casos engraçados foram contados pelo promotor da Cidadania e do Consumidor de Jacareí (SP), José Luiz Bednarski, durante sua palestra no 8º Seminário Ética e Transparência na Atividade Seguradora, em São Paulo, realizado em agosto de 2009.

Segundo ele, há alguns produtos “defeituosos” vendidos no mercado de seguros. Um deles é o seguro contra roubo para armário embutido. Isso mesmo.

“Tenho o caso de uma senhora, que acabara de ficar viúva e estava com o dinheiro do pecúlio do falecido marido. Foi até uma loja do Ponto Frio para comprar um paneleiro. Um armário para guardar suas panelas. Segundo ela, o preço estava ótimo. R$ 400.

Disse ao vendedor que levaria e pagaria à vista. Minutos depois o vendedor voltou e disse que havia se enganado no preço e que o valor era R$ 500. Apesar de consciente de seus direitos, sobre poder levar pelo preço informado no início da conversa, manteve a compra porque realmente tinha gostado do armário.

Quando chegou em casa e colocou óculos, se deu conta que os R$ 100 a mais se referiam a um seguro contra roubo. Voltou à loja para dizer que queria seu dinheiro de volta, pois não pediu o seguro. O vendedor que a atendeu disse que a velha senhora teria de procurar outro departamento, pois ele tratava apenas de vendas. Seguro era em outro lugar.

Bem, resumindo, o caso foi para a Justiça, que mandou a varejista e a seguradora devolver o dinheiro e pagar dez salários mínimos de indenização por danos morais.

Este fato ilustra bem o que quero dizer. É preciso fazer uma varredura nos seguros defeituosos. Imaginem o ladrão chegar na sua casa e dizer: fique tranquila minha senhora. Não quero roubar a sua tevê de plasma. Só me empresta uma chave de fenda que quero roubar o seu paneleiro!!!!!”

Realmente, esta história foi engraçada e demonstra que as seguradoras que usam vendedores de lojas precisam investir muito em treinamento, evidenciando que fazer uma boa venda, pautado pela ética, é mais lucrativo do que a ilusão do ganho imediato.

Um outro produto defeituoso citado pelo promotor foi alguns tipos de seguro desemprego. “Um senhor, demitido da Embraer no auge da crise, entre outros 4,2 mil que foram desligados pela empresa aérea em 19 de fevereiro deste ano, pensou que no meio de tanta notícia ruim pelo menos tinha um consolo. O seguro desemprego comprado pelo cartão Carrefour. Quando ligou para pedir a indenização foi informado que o seguro não cobria desemprego em massa”. A plateia deu gargalhadas. Porém, a situação é dramática para quem a viveu. Pior ainda se levarmos em conta que a indústria de seguros está apenas embrionária no Brasil.

(banco de imagem www.dreamstime.com)

Cenário ainda é negativo para resseguros, diz Fitch

catk8kgqca9fj5ofcahy30gtca5edg9xcabakxjoca6nbaurcaloqc3qcamy4dp9cancx8cgcap6nv3mcaccl6yfcadchov3cat6il8ucaqs1djgcax62dggcaynih82casiqwotcafihaeocaf0ebgoAs perspectivas para o setor de resseguros global continuam negativas, segundo a agência Fitch, uma das maiores classificadoras de risco do mundo. As resseguradoras globais terão de lutar para conseguir capital a um preço acessível para reconstituir o patrimônio, caso sofram grandes perdas com catástrofes.

“As condições voláteis persistem nos mercados de capitais, com incertezas sobre a disponibilidade e capacidade de capital novo em caso de necessidade significativa das resseguradoras”, avalia David Stephenson, diretor de seguros da Fitch, no estudo “2009-2010 Global Reinsurance Review and Outlook”, divulgado ontem.

Segundo ele, não há mais possibilidade das resseguradoras operarem com bases limitadas de capital por um período prolongado de tempo. “Isto representa uma vulnerabilidade para o setor de resseguros”,acrescenta.

As resseguradoras mais vulneráveis, segundo o estudo, são as de riscos patrimoniais com atuação em riscos de catástrofes em regiões mais afetadas. Estas podem ter dificuldade de obter capital, que ainda é escasso, apesar da melhora da liquidez mundial.

A curto prazo, as principais preocupações da Fitch estão nas resseguradoras de ramos elementares, uma vez que a perspectiva é de redução das margens de subscrição, o que terá um impacto negativo sobre a lucratividade. Em vida também há um certo temor em razão da volatilidade do mercado acionário, uma vez que elas dependem mais do resultado financeiro do que as resseguradoras de ramos elementares.

Apesar dos riscos, a Fitch acredita que o setor de resseguros será um dos primeiros setores da indústria de seguros a voltar para uma perspectiva de rating estável. A perspectiva estável do setor exigiria um retorno às condições dos mercados de capitais que sugerem resseguradoras terão acesso a financiamentos a preços razoáveis que lhes permitam reconstruir o capital depois de um evento de grande catástrofe.

Para que esta perspectiva positiva volte, é preciso que os spreads financeiros voltem a um patamar razoável, permintindo que as resseguradoras possam recompor capital em caso de uma perda catastrófica.

IRB tem queda de 55% no lucro do semestre

images7O IRB-Brasil Re sentiu os efeitos da crise como seus concorrentes. O ressegurador local, que mesmo depois de 16 meses após a quebra do monopólio ainda detém mais de 80% dos negócios no País, registrou lucro líquido de R$ 48,2 milhões no primeiro semestre deste ano. O resultado é 55% inferior aos R$ 108,8 milhões obtidos no mesmo período do ano anterior, o que reduzirá os ganhos com equivalência patrimonial para seus principais sócios privados, Bradesco e Itaú Unibanco.

O patrimônio líquido de R$ 1,9 bilhão ficou praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado operacional com resseguros de R$ 19,4 milhões representou praticamente 15% dos R$ 141,6 milhões obtidos no primeiro semestre de 2008. Segundo nota divulgada pelo IRB, os resultados foram influenciados por vários fatores, como o aumento da frequência e, principalmente, da severidade dos sinistros.

O índice de sinistralidade do semestre foi de 89,12%, aumento de 19,70% em relação ao igual período de 2008. Incêndio em grandes fábricas e sinistros de engenharia na indústria petrolífera, por exemplo, geraram perdas elevadas. As carteiras que apresentaram maior aumento do índice de sinistralidade, comparando-se o primeiro semestre de 2009 com o mesmo período de 2008, foram: Seguros de Governo (50%), Riscos de Propriedade (43,27%) e Riscos de Transportes (25,94%), informou o IRB em nota.

Devido ao aumento de retenção em algumas linhas de negócios, os prêmios ganhos cresceram 6,24%, totalizando R$ 857,7 milhões, com destaque para energia com alta de 26,46%, atingindo R$ 45,9 milhões; transportes, com evolução de 24,87%, para R$ 243,5 milhões; e pessoais, avanço de 22,03%, para R$ 73,4 milhões.

O índice de retenção, ou seja, a porcentagem que o IRB-Brasil Re assumiu do total dos riscos, subiu de 49,93%, no primeiro semestre de 2008, para 53,40%, no primeiro semestre de 2009. As despesas administrativas apresentaram queda de 25,44%, alcançando o valor de R$ 75,6 milhões. O resultado financeiro atingiu R$ 119,1 milhões, crescimento de 55,28% em relação ao primeiro semestre de 2008.

Apesar de o rendimento em moeda nacional ter sido de 6,10%, superior à taxa Selic no período, a variação da taxa do câmbio influenciou negativamente o resultado financeiro, tendo os ativos denominados em moeda estrangeira rendimento de menos 15,71%.

A adaptação do IRB-Brasil Re às regras de contabilidade da Superintendência de Seguros Privados – SUSEP e do Conselho Nacional de Seguros Privados – CNSP, obrigatória a desde janeiro de 2009, também impactou os resultados do período analisado, já que a empresa teve que constituir provisão de IBNER (sigla em inglês para “sinistros ocorridos mas não suficientemente avisados”) no valor de R$ 1 bilhão.

Segundo a nota, dois anos depois da abertura do mercado brasileiro de resseguros, o IRB-Brasil Re detém um volume de prêmios emitidos pelo mercado ressegurador doméstico igual ou acima, em termos nominais, daquele observado no último ano de monopólio do setor, demonstrando a preferência das seguradoras. A perspectiva para o segundo semestre de 2009 é positiva.

ACE disputa contratos da Copa 2014

capkirdvcak648w1caztq66hcamzg10jcab082xfcaqfuk0aca7r0upqcaphv4lbcaxoyjdmca8zm9xpcaqjit3gcayh18psca8bgqsccajp002scar1jf8cca93f4q6cajb5tarca4kumfqcas7m4e0A realização da Copa do Mundo no Brasil em 2014 tem movimentado a indústria de seguros local. Segundo projeções de executivos do mercado, com investimentos previstos em mais de R$ 100 bilhões em obras de infraestrutura, que podem gerar algo próximo de R$ 1 bilhão em prêmios de seguros, as seguradoras treinam suas equipes de vendas para conscientizar os investidores da existência do seguro como um mitigador de riscos.

Entre elas, a ACE, com faturamento global superior a US$ 19 bilhões, busca se posicionar para abocanhar parte dos seguros do mundial. “A ACE está presente em 50 países e com negócios em 140 nações. Nessas condições, a empresa está continuamente envolvida com seguros e resseguros de grandes eventos”, diz Marcos Couto, presidente do grupo no Brasil.

No Brasil, por exemplo, ela foi responsável pela proteção securitária do histórico show dos Rolling Stones na praia de Copacabana, que reuniu mais de um milhão de pessoas em um acontecimento que considerou uma ampla variedade de riscos. Alguns shows memoráveis que lotaram estádios brasileiros tais como os do U2, Banda RDB e outros também contaram com a proteção da ACE. Da mesma forma, o carnaval do sambódromo de São Paulo diversas vezes contratou o seguro da companhia. Veja a seguir a entrevista:

Sonho Seguro: Como a ACE esta se preparando para atender a demanda de seguro para a Copa de 2014?
Marcos Couto – A ACE espera ter uma grande participação nos investimentos que serão realizados ao longo dos próximos anos para a realização da Copa. Estamos planejando junto com nossos escritorios regionais uma estratégia para atender as diversas demandas que surgirão em vários segmentos de seguros, entre eles os Riscos de Engenharia, Garantia e Responsabilidade Civil, entre outros.

SS – Que tipo de produtos acredita que terá maior procura?
MC – Acreditamos que os Riscos de Engenharia e o Garantia e os de Responsabilidae Civil serão os mais disputados, pois estas modalidades de seguro estarão diretamente ligados aos investimentos que serão realizados tanto pela área pública com o privada. A alta movimentação de publico gerará também uma demanda por seguro viagens e assistências, além das necessidades proprias da rede hoteleira em estar protegida contra possiveis acontecimentos com seus hospedes, durante a realização do evento.

SS– Quais seguros o grupo tem interesse em oferecer para garantir a realização deste evento?
MC – Na área de garantia, poderemos oferecer os seguros de performance tradicionais e sabemos que a demanda principal se dará na área de construção. Entre os principais produtos a serem oferecidos são seguro garantia em suas quatro versões: licitante; executante; adiantamento de pagamento; e de perfeito funcionamento.

SS – Esses seguros serão comprados por qual tipos de empresas?
MC – Estes seguros podem ser oferecidos para construtoras, fornecedoras de equipamentos e prestadores de serviço, lembrando que para os dois últimos não possuímos as restrições que temos para construtoras . Normalmente os seguros de Garantia, como o proprio nome diz, estão muito ligados a fatores que visam garantir a execução de obras e sua entrega no prazo, e a consequente realização do evento.

SS – E quais outros seguros serão demandados com a Copa?
MC – Os seguros de Responsabilidade Civil também serão muito importantes devido a grande quantidade de obras, e transito de pessoas antes e durante a realização da Copa. Os principais produtos serão para os contrutores, para hoteis, por exemplo. Também acredito que haverá grande demanda pelo Responsabilidade Civil Profissional e Responsabilidade Civil Geral e outros seguros destinados ao público também serão oferecidos, como seguro viagem, Acidentes pessoais com assistencia etc.

SS – Em quais eventos mundiais o grupo ACE participou e com quais tipos de apólice?
MC – A ACE por ter atuação mundial certamente já participou de vários outros eventos de Grande porte a nível local e mundial, seja como seguradora ou ressseguradora, tais como Formula 1, grandes shows de renomados artistas, etc. e que geram uma movimentação grande de pessoas e investimentos, que por sua vez beram necessidades adicionais de seguros.

Norma global de securitização sai em 2011

ca7be96scakyibvaca6fx09acangzwymca2vuzi8cas3txs8canqq6a1canjqfwkca3tojc0ca3t2tvqcacifx6nca3lavd4caiz67hncar3gyyvcajpjzdfcau04lzocab6v2nvca1q9a42ca4s28gxA Associação Internacional de Supervisores em Seguros (International Association of Insurance Supervisors-IAIS), sediada na Basileia, Suíça, informou que pretende divulgar as novas regulamentações sobre securitização de seguros, bem como orientar os órgãos reguladores de todos os países sobre a transferência de riscos de seguros para o mercado de capitais, apenas em 2011.

A IAIS, que representa 190 reguladores espalhados pelo mundo e realizará no Brasil a sua 16ª conferência anual em outubro, divulgou na semana passada o relatório “Developments in (Re)insurance Securitization”. O estudo identificou a securitização como uma das principais preocupações relacionadas com a transparência e estabilidade financeira da indústria de seguros. Por ser uma atividade de pulverização de risco em todo o mundo e por ter regras diferentes em cada país, a entidade entende que a prática de securitização traz problemas globais e por isso deve ser tratada de forma global para se ter maior coerência na supervisão dos riscos securitizados.

O relatório pode ser acessado no site www.iaisweb.org.

Analistas aprovam negociação entre Porto e Itaú

As notícias da indústria de seguros continuam em torno da negociação entre Porto Seguro e Itaú Unibanco. É unânime a opinião de que este foi o grande negócio do século para ambos. Além de conquistar uma carteira de bom tamanho, Jayme Garfinkel ainda ganhou uma rede de distribuição de mais de 4,5 mil pontos, tem a confiança dos corretores e a perspectiva de internacionalização junto com os planos do Itaú. Além disso, a negociação agregou valor para as ações, uma vez que a expectativa de ganhos de sinergia, pelo mercado, seja em receita ou despesa, supera R$ 404 milhões.

A seguir, os comentários de analistas e profissionais do setor sobre a negociação.

Standard & Poor’s
De acordo com Standard & Poor”s Ratings Services, o negócio de seguros a ser transferido a Porto Seguro é pequeno para o conglomerado financeiro do Itaú Unibanco e, portanto, não terá impacto sobre o resultado da instituição. “No entanto, esperamos que o Itaú Unibanco se beneficie da expertise reconhecida da Porto Seguro no ramo de seguros de automóveis e da posição de mercado mais robusta das operações combinadas. Potenciais sinergias e a alavancagem por meio da rede de distribuição deverão possibilitar ao Itaú Unibanco se favorecer de seu investimento na área de seguros e melhorar sua rentabilidade”, explica o relatório divulgado pela instituição. A S&P destaca que a associação para unificar suas operações de seguros residenciais e de automóveis não terá impacto imediato sobre os ratings do Itaú Unibanco (BBB/Estável/A-3 e brAAA/Estável/brA-1).

Credit Suisse
A recomendação do Credit Suisse para as ações do Itaú Unibanco é de outperform. Os analistas avaliam que a transação é muito positiva para o banco, que combina a sua ampla rede de distribuição com a Porto Seguro, que detém forte expertise no seguro de carro. A pequena participação do segmento de seguros no resultado do banco, em torno de 12%, tende a crescer após a associação. No primeiro semestre, o negócio representou pouco menos 12% do lucro da instituição. Os analistas do Credit acreditam que as operações com seguros passem a ser um importante driver de crescimento dos resultados do banco nos próximos anos, diante da potencial de penetração adicional dos produtos, especialmente dentro da base de clientes ex-Unibanco. Por este motivo,

Merill Lynch
Jorg Friedemann, analista do Merill Lynch Bank of América, recomenda a compra das ações do Itaú Unibanco. O preço alvo é de R$ 35 para as ações. O acordo anunciado é classificado como positivo, já que se enquadra perfeitamente na força da carteira de financiamento de veículos do banco, o que permite oportunidades de venda para seguros de automóveis. A Porto Seguro tem uma marca forte em seguros de veículos e experiência no ramo de auto, com 21% de market share.

Ativa Corretora
A Ativa Corretora afirma que o negócio é positivo principalmente para a Porto Seguro, que continuará listada no Novo Mercado e ainda usará a rede de agências do Itaú Unibanco para distribuir seus produtos. Já para o Itaú, a parceria foi bastante barata. Pelos cálculos da corretora, o Itaú pagou um múltiplo de 1,66 vez a relação preço\/valor patrimonial (P\/VPA) pela ação da Porto Seguro, bem abaixo das 5 vezes pagas pela Yasuda na compra de 50% da Marítima em maio. Para o Itaú, uma maior exposição no setor de seguros é positiva, uma vez que diversifica o ramo de atuação num momento de crescimento menor das carteiras de crédito e dos “spreads”.

Austin Asis
A incorporação da carteira de seguro para veículos do Itaú Unibanco reforça a liderança da Porto Seguro no mercado, segundo levantamento de Erivelto Rodrigues, da Austin Rating. Para ele, a proposta do Itaú foi melhor que a do Bradesco para a seguradora. “Ela mantém o controle da empresa e pode oferecer o produto na rede do banco. Se tivesse fechado com o Bradesco, sua carteira seria incorporada”, disse para a Folha. Para o Itaú, a vantagem é que poderá focar no setor bancário e não no de seguro automotivo.

Alfa Seguradora
“Esta recente associação, gerou de fato uma grande empresa do setor, que possuirá o expertise da Porto ,mais o grande balcão do Itaú/Unibanco a sua disposição, para fazer o que bem entender. Mas nós acreditamos que as seguradoras de pequeno e médio porte, assim como a Alfa, sofrerão menos o impacto, se comparadas aos “big players”, por estarem firmes na operação com alguns corretores de seguros e principalmente por terem escolhido nichos específicos de mercado”.

Sincor-RS
O presidente do Sincor-RS, Celso Marini, avaliou a associação entre Itaú Unibanco Seguros e Porto Seguros. “Por um lado isto demonstra um fato preocupante, que é a redução do número de seguradoras no Brasil. O leque se reduz cada vez mais e isto representa a concentração do mercado nas mãos de poucos. Por outro lado, temos o prenúncio de uma companhia muito forte, com grandes reservas técnicas e uma carteira operacional gigantesca. Em relação aos corretores de seguros, fica a esperança de que a nova companhia mantenha e amplie a política de parceria com nossa categoria”.

Flávio Faggion, consultor da Siscorp, especializada em seguro
Como não vejo que, pelo menos a curto prazo, a Porto venha a mudar os preços (para baixo), o mercado de seguro de automóveis não vai aumentar de tamanho. A Porto terá que pensar numa estratégia de preços dos seguros vendidos pelos corretores e aqueles vendidos nas agências do Itaú. Acredito que vai haver certa homogeneização. Os concorrentes ficarão muito atentos no comportamento da Porto bem como os concorrentes. É muito provável que as seguradoras tomem atitudes mais agressivas do que vem fazendo até hoje. Se esses movimentos forem na linha de redução de preço (que não tenho muitas expectativas) poderá, aí sim, representar algum aumento do tamanho do mercado, mas mesmo assim não muito significativo. Quanto aos investimentos dos estrangeiros nos seguros de massa, acredito que essa parceria tenha arrefecido um pouco a vontade deles.

Luis Roberto Castiglione, consultor
Luis Roberto Castiglione, consultor e membro da Academia Nacional de Seguros e Previdência (ANSP) e do Instituto Roncarati de Seguros, diz que o principal ganho da negociação entre Porto e Itaú será o aumento da margem para a Itaú Unibanco. No longo prazo, a Porto Seguro poderá atingir rentabilidade melhor para a carteira do Itaú, cujos sinistros retidos somaram R$ 1,1 bilhão no primeiro semestre. Caso o índice de sinistralidade fosse o mesmo da Porto, a margem líquida seria 4,5 vezes maior para o banco.