Em um momento em que se fala tanto em falta de ética na política, aconteceu no dia 21 de agosto o 8º Seminário Ética e Transparência na Atividade Seguradora, em São Paulo. “Fico feliz de vir a um seminário como este num momento em que a temperatura em Brasília está elevadíssima. A iniciativa mostra a preocupação do setor em ter a ética na essência da cultura das organizações”, disse o ministro Marco Aurélio Mello, em sua palestra durante o evento promovido pelo Sindicato das Seguradoras, Previdência e Capitalização de São Paulo (Sindseg SP), reforçando que ética nada mais é do que o respeito aos princípios. “A observância dos hábitos ao bem comum e não individual.”
Os números apresentados por diversos palestrantes mostram o empenho das seguradoras na busca da ética e transparência como principais parâmetros para desenvolver o relacionamento com os consumidores. “O serviço prestado pela indústria de seguros, na ótica do Procon, melhorou muito”, disse Luiz Antonio Guimarães Marrey, secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania. Para ele, a atividade de seguro é essencial para qualquer país, principalmente para o Brasil, que começa a apresentar forte crescimento econômico e, conseqüentemente, do setor de seguros com novos produtos e serviços.
“As ofertas de seguros devem trazer, de forma exaustiva, informações claras para o consumidor no período pré-venda, como as coberturas que oferece até como o cliente deve proceder em caso de sinistros. Este procedimento é vital para evitar problemas futuros”, comenta. O secretário citou o seguro de garantia estendida. “Trata-se de um produto novo, mas que tem gerado problemas e pode ser melhorado. Entre janeiro e agosto deste ano o Procon registrou 900 queixas deste seguro”.
A indústria de seguros representa menos de 5% das queixas recebidas pelo Procon, que tem as operadoras de telefônia na liderança do ranking. Os principais problemas que chegam aos órgãos de defesa do consumidor em relação a indústria de seguros são a demora na entrega da apólice, descumprimento do contrato, serviços prometidos e não cumpridos, demora no pagamento de indenização e recusa com base no perfil do motorista. “É preciso ver se o consumidor é instruído a preencher de forma correta o questionário”, alerta o secretário.
A boa notícia, segundo o secretário, é que além de a indústria de seguros ter poucas queixas comparadas a outros setores, ainda exibe um elevado índice de acordos realizados dentro do Procon. Das queixas que chegaram ao Procon de São Paulo contra seguradoras entre 2003 e 2008, o índice de negociação foi de 30%, sendo em apólices de vida o maior percentual, com 37% de acordos, e o residencial, com 27%, o menor índice. “Entre janeiro e agosto deste ano o índice de acordos saltou para 70%”, revelou o secretário, sendo o maior em automóvel, com 87% dos casos solucionados, e residência permanecendo como o menor, com 54%.
Segundo o advogado Antonio Penteado Mendonça (foto), um dos organizadores do evento e também mediador, os dados apresentados pelo secretário da Justiça e da Defesa do Consumidor são positivos para o setor que tem atuação na venda massificada. “Isto mostra que o setor está se saindo bem. O total de reclamações não atinge 300 mil em todos os níveis, sejam em ações judiciais, queixas no Procon ou na Susep. Se pensarmos que temos entre 80 milhões a 100 milhões de relações envolvendo relações de seguros — uma única seguradora autorizou mais de 80 milhões de procedimentos em saúde em um ano –, fica claro que o segmento cumpre seu papel.”
Finalmente os opostos se atraíram. Jayme Garfinkel, um apaixonado por seguro, e Roberto Setubal, conhecido na indústria de seguros por sua aversão ao produto, anunciaram ontem a criação da maior seguradora de automóvel e de residência do Brasil: Porto Seguro Itaú Unibanco Participações (Psiupar).
Há anos (muitos mesmo, mais de 15), escuto opiniões de seguradores, analistas, consultores, corretores, consumidores sobre os mais diversos assuntos da indústria de seguros do Brasil e do mundo. Alguns me despertam mais a curiosidade.
Em automóvel, um assunto que sempre chamava a minha atenção, era a resistência de Jayme Garfinkel, presidente da Porto Seguro, a maior seguradora de automóvel do Brasil, em ter um sócio estrangeiro ou mesmo abrir o capital da seguradora. Uma história, verdadeira ou não, que ilustra o comportamento de Jayme, foi uma conversa que teve com sua mãe, dona Rosa, sobre o assunto. Segundo contam pessoas próximas à família, ao pronunciar a frase “mãe estava pensando em ter um sócio na Porto”, dona Rosa rapidamente respondeu com uma pergunta: “mas meu filho, por que você não disse que estava precisando de dinheiro?”.
Tais alternativas eram consideradas pelos especialistas um caminho natural para poder otimizar o crescimento da companhia diante de um cenário promissor para a indústria de seguros no Brasil, que chamava a atenção do mundo pela discrepância de um indicador. Nas economias maduras há um paralelismo entre o tamanho da economia e o da indústria de seguros. No Brasil há uma vala. Temos a décima maior economia do mundo e somos o 19º maior mercado de seguros.
Enquanto Jayme pensava, os estrangeiros investiam em parcerias ou na carreira solo no Brasil. Jayme ficou quase uma década conversando com estrangeiros, sem conseguir se convencer de que este era o caminho do sucesso. Muitos dos estrangeiros que vieram desistiram do Brasil, inclusive a francesa AXA, cuja carteira de automóvel foi comprada pela Porto e deu origem a Azul.
Quando Garfinkel decidiu abrir o capital da Porto foi atropelado pelas crises econômicas da década de 90. Foi só quatro anos depois, em novembro de 2004, que a Porto fez o primeiro IPO. E o fez mais para resolver o impasse com familiares, que queriam vender a participação que tinham, do que para capitalizar a seguradora. A abertura colocou a Porto em destaque, ao ser a única seguradora a ingressar no mais alto nível de governança corporativa do mercado acionário.
Outra atitude que me aguçava o interesse era a antipatia com que Roberto Setubal, presidente do Itaú, um banco sustentável, tratava o assunto seguro, mesmo diante de um cenário tão promissor traçado por analistas financeiros e tendo um potencial de vendas fantástico, uma vez que menos de 10% dos clientes do banco tinham um seguro de carro com a seguradora do grupo. Seu concorrente Bradesco, por exemplo, tem 35% do lucro do banco proveniente das operações das seguradoras, principalmente da área de vida e previdência. No Itaú esta relação não chega a 10%.
O pai, Olavo Setubal, falecido em agosto do ano passado, nutria simpatia pela indústria de seguros. Tanto que em 1921 foi fundada a Companhia Ítalo-Brasileira de Seguros Geraes, uma das pedras fundamentais do Grupo Itaúsa. Todos os envolvidos com seguro tentavam mostrar o lado bom de seguros para Setubal. Até mesmo com a hipótese de venda da operação. Muitas foram as conversas no passado, inclusive com a Porto e com estrangeiras. Mas nada, o que me deixava mais curiosa e atenta em relação ao mercado de seguros.
Uns diziam que as perdas com o Hospitaú – um seguro saúde ótimo para o cliente e caríssimo para a seguradora – pareciam que jamais seriam esquecidas. Além do mau negócio com seguro saúde, Setubal não queria correr o risco de perder um cliente do banco por ter sido mal atendido pelos serviços da seguradora, comentavam os mais experientes.
Mas o argumento mais convincente vinha das contas matemáticas. Banqueiros do mundo todo argumentam que ganham mais disponibilizando o canal bancário para uma seguradora especializada, que chegam a pagar comissão de até 30% das vendas para remunerar o balcão de vendas. E isso sem ter de correr o risco de garantir o pagamento de indenizações em caso de acidentes e livres de administrar funcionários, corretores, oficinas mecânicas, rede de prestadores de serviços entre outros.
Para as seguradoras independentes, ter um canal de distribuição para produtos massificados é praticamente uma questão de sobrevivência, principalmente quando os maiores bancos do país afirmam que a área de seguros passou a ser uma prioridade para compensar a queda da rentabilidade.
Bem, depois de tantos anos, com mudanças na regulamentação do setor, adoção de critérios internacionais como Solvência II, criação de código de éticas das seguradoras, reformulação de produtos e serviços e aumento do poder aquisitivo da população, Roberto Setubal passou a apoiar algumas ações. Autorizou a criação de uma seguradora de grandes riscos em parceria com o grupo XL Capital, das Bermudas, formando a Itaú XL Seguros Corporativos. Também anunciou a abertura de uma seguradora de vida no Chile.
E agora, com o seguro próximo de chegar a 4% do PIB, o dobro da participação que tinha há 15 anos, indicadores macroeconômicos estáveis e o Brasil sendo um país considerado seguro para investimentos pelas agências de rating, Garfinkel e Setubal finalmente se encontraram com estratégias opostas no que diz respeito a seguro. Um precisa ter escala em seguro para manter o interesse dos acionistas no negócio. O outro necessita maximizar o ganho do banco e assim partir para a internacionalização com mais “gás” para enfrentar concorrentes de peso.
A combinação perfeita, principalmente se levarmos em conta a semelhança no jeito de ser. Ambos são herdeiros e por apostarem em atitudes sustentáveis tornaram suas empresas líderes nos segmentos em que atuam. Afinal, é preciso ter amor pelo que faz para fazer bem feito. O lucro, vital para reinvestir no negócio, é uma consequência da boa gestão. A quantidade é importante, desde que inseparável da qualidade. Assim, tanto Garfinkel como Setubal, mesmo sem focar a liderança, se tornaram líderes. A nova seguradora é líder disparada do segmento de automóvel, com 28% das vendas do primeiro semestre. Praticamente o dobro do segundo colocado.
Por isso, analistas acreditam que Garfinkel e Setubal fecharam um dos maiores negócios da indústria de seguros, que servirá para ilustrar, como um caso de sucesso, a história de um novo mercado de seguro no País. O mais famoso até ontem, em termos de estratégia, volume financeiro e sucesso da parceria era a associação do Unibanco com a AIG, em 1996.
A similaridade aqui é que José Rudge, hoje vice-presidente do Itaú Unibanco, esteve à frente das duas negociações. Outro grande negócio deverá ser anunciado em breve pelo Banco do Brasil, envolvido em uma verdadeira engenharia financeira há quase dois anos para ser um dos maiores neste segmento.
Vapt vupt – O curioso foi a forma como os executivos contaram a negociação. Para um desatento, parece que foi por acaso. Segundo eles, a Porto negociava há meses com o Bradesco, que a cortejava desde meados dos anos 90. No dia 30 de junho deste ano, a Porto precisou fazer um comunicado à CVM pois a notícia havia vazado. Explicou em nota que mantinha conversas, mas não envolvia o controle da companhia.
Um dia, enquanto almoçava com sua mãe, Garfinkel foi procurado pela jornalista da revista Época, dizendo o que todos comentavam. Havia boatos de que o Bradesco havia dito que as negociações com a Porto estavam difíceis. Aparentemente, ambos queriam o controle, o que estaria emperrando a negociação.
Magoado pela forma com que o assunto estava sendo tratado, com o vazamento de informações, Garfinkel ligou na manhã seguinte, dia 14 de agosto, para o Itaú. Em nove dias fecharam um acordo. Possível? “A Porto Seguro tem tradição, reputação, marca e performance invejável. Temos confiança na parceria que estamos criando, por isso fizemos em velocidade recorde”, afirma Pedro Moreira Salles, presidente do Conselho do Itaú Unibanco.
Não querer ter o controle da operação e o ranking não ser uma prioridade de Setubal facilitaram as conversas. “Em ranking, não temos a liderança porque o controle da operação é da Porto e por isso não podemos consolidar os números”, comentou tranqüilamente Setubal durante a coletiva de imprensa.
Mas quando o assunto é rentabilidade…”Estou noites sem dormir para negociar a criação desta nova empresa. Agora ficarei muitas outras para ajudar a colocar a empresa em operação e conseguir o lucro que eles esperam que a seguradora apresente”, disse Garfinkel, para quem “o sucesso de um negócio depende de trabalho, inteligência e sorte. Como sorte e inteligência a gente não controla, o negócio é trabalhar muito”, acrescentou o herdeiro da Porto Seguro.
Líder de mercado – A Psiupar, a mais nova seguradora da indústria de seguros, será formada por uma troca de papeis entre Porto Seguro e Itaú Unibanco, num negócio avaliado em R$ 1,7 bilhão, segundo informou Setubal. A Psiupar nasce com a transferência das carteiras de seguro automóvel e de residência do Itaú Unibanco para a Porto, com a transferência do patrimônio líquido consolidado de R$ 3,050 bilhão (R$ 950 milhões do Itaú e R$ 2,1 bilhão da Porto).
Em prêmios, a nova empresa passa a ter R$ 2,32 bilhões em veículos e de R$ 198 milhões em residências. Em clientes são 3,4 milhões de automóveis (1.250 do Itaú e 2.150 da Porto) e 1,2 milhão de residências seguradas (810 do Itaú e 425 da Porto). O Itaú Unibanco vai deter 43% da Psiupar e os controladores da Porto 57%. A nova empresa, por sua vez, deterá 70% da Porto Seguro SA e os 30% restante ficarão no mercado.
A nova seguradora agradou o mercado. As ações da Porto Seguro apresentaram alta de quase 10% ontem e as do banco Itaú Unibanco evoluíram quase 1%. A Psiupar será gerida pela Porto Seguro e venderá, no Brasil e no Uruguai, três marcas: Porto Seguro, Itaú Unibanco e Azul. Por deter exclusividade na venda de produtos residenciais e de automóvel nas agências do banco, a Psiupar pretende oferecer produtos diferenciados para agradar todos os segmentos de clientes do Itaú Unibanco, desde o mais rico até o de menor renda.
Segundo os executivos, nada muda para os clientes, com as apólices e os serviços já contratados vigorando normalmente. Os funcionários do Itaú Unibanco que fazem parte da operação serão transferidos para a nova empresa, que ocupará o espaço onde estava o Unibanco, no prédio da avenida Eusébio Matoso. Neste local está concentrada toda a operação de seguros do segundo maior banco do Brasil por ativos. “Pretendemos fazer como fizemos na Azul, respeitando a identidade do negócio. Por isso, funcionários, clientes e corretores não precisam se preocupar”, disse Garfinkel.
Uma das preocupações do grupo era com os corretores, sempre avessos a concorrência das vendas pelo canal bancário. “O Itaú já tinha um bom relacionamento com os corretores, assim como o Unibanco. Agora quem vai pilotar isso é o Jayme”, disse Setubal, apostando no sucesso, uma vez que a Porto Seguro desenvolveu sua liderança com base no relacionamento com o seu maior canal de vendas. São cerca de 20 mil corretores de seguros cadastrados na maior seguradora de carro do Brasil.
XL em discussão – Segundo Roberto Setubal, a associação começou com automóvel e residência, mas pode se estender para outros produtos. Em grandes riscos, a atuação do Itaú Unibanco está sendo rediscutida. O Itaú tem uma joint venture com a XL na Itaú XL Seguros Corporativos. Com a fusão com o Unibanco, comprou a participação da AIG na Unibanco AIG Seguros. Ficou com a maior operação de grandes riscos da indústria de seguros. “Estamos rediscutindo com a XL o negócio, mas não pretendemos sair da operação de grandes riscos”. Os segmentos de Previdência e Vida, bem como as operações de títulos de capitalização, permanecem sem alterações.
Concorrência – A conclusão da operação depende de aprovação dos acionistas, da Superintendência de Seguros Privados (Susep) e do Sistema Brasileiro de Defesa de Concorrência (SBDC). Setubal está tranqüilo quanto a aprovação, uma vez que a concorrência existe com a oferta de três marcas e os produtos em questão, auto e casa, são pulverizados no mercado.
No entanto, as seguradoras sem canal bancário com certeza perderão noites de sono para descobrir uma fórmula de sobreviver a este novo cenário do seguro automóvel no Brasil dominado pelas seguradoras ligadas a bancos. “Assim como eu, todos vão perder noites de sono”, comentou Garfinkel, referindo-se a tendência mundial de bancassurance (vendas de seguros nas agências bancárias).
Este era um encontro que já estava marcado. A parceria era apenas uma questão de tempo. O encontro do Bradesco pode estar com alguma seguradora de A a Z, bem como o da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e do Santander. Entre os acordos mais recentes temos Liberty com Indiana, Yasuda com Maritima, e Zurich com Minas Brasil.
A disputa nos canais bancários por seguros patrimoniais envolve, oficialmente, a espanhola Mapfre e a SulAmérica. Nas duas o segmento de automóvel representa no mínimo 40% das vendas totais. Há até quem fale na volta da parceria desenhada na decada de 80 entre SulAmérica e Bradesco. Quem imagina que a concorrência está no limite, preste atenção ao que diz o tio de Garfinkel, segundo ele um simples filósofo de Atibaia: “Tudo pode piorar”.
Segundo os especialistas, ainda serão anunciadas muitas outras operações envolvendo fusões e aquisições na indústria de seguros, principalmente quando as regras de exigência de capital baseado em risco forem estendidas às operações de previdência privada. O que já está sendo discutido pela Susep.
A Caixa Seguros, que detém operações em seguros, vida e previdência, capitalização e consórcio, divulgou lucro líquido de R$ 354,8 milhões no primeiro semestre deste ano, crescimento de 17,4% comparado aos R$ 302,2 milhões no mesmo período do ano anterior. O patrimônio líquido evoluiu 20%, para R$ 1,96 bilhão. A rentabilidade sobre o patrimônio ficou em 21%.
O presidente da Caixa, Thierry Claudon, informou em nota divulgada à imprensa, que o resultado deve-se ao grande e ainda pouco explorado potencial do mercado de seguros, previdência, consórcio e capitalização no Brasil. “Acredito no início de uma nova era para a cultura do seguro, pois hoje os brasileiros sabem que é importante investir na proteção e no futuro da família. Se pensarmos no cenário atual, a maioria da população não tem um seguro de vida ou um plano de previdência porque simplesmente não recebeu a educação financeira adequada para assegurar sua qualidade de vida. A boa notícia é que este quadro está mudando”.
Em seguros, a Caixa encerrou o último semestre com alta de 25,4% nos prêmios ganhos, passando para R$ 757,9 milhões. O índice de sinistralidade se manteve praticamente estável nos seis primeiros meses do ano: 52%. Em capitalização, o grupo obteve receita de R$ 445,9 milhões, alta de 12,8%.
Após comunicar o fim das negociações com o Bradesco na sexta-feira, a Porto Seguro comunica hoje a associação com o Itaú Unibanco. Depois de fechar com queda de 3,61% na sexta-feira, as ações ON da Porto Seguro, da qual Jayme Garfinkel detém 57%, subiam 9,43%, a R$ 17,51, na abertura da bolsa nesta segunda-feira.
Segundo a nota, a associação visa à unificação de operações de seguros residenciais e de automóveis, bem como Acordo Operacional para oferta e distribuição, em caráter exclusivo, de produtos securitários residenciais e de automóveis para os clientes da rede Itaú Unibanco no Brasil e no Uruguai. A conclusão da operação depende de aprovação dos acionistas, da Superintendência de Seguros Privados (Susep) e do Sistema Brasileiro de Defesa de Concorrência (SBDC).
A Porto vai emitir ações equivalentes a 30% de seu novo capital social, que serão repassadas ao banco Itaú Unibanco. A Itaú Unibanco Seguros de Automóvel e Residência (PSIUPAR) passará a ser gerida pela Porto Seguro que assim contará com as marcas Porto Seguro, Itaú Unibanco e Azul, que serão oferecidas em todos os canais de venda, por meio de diferentes produtos e serviços.
O Itaú Unibanco vai deter 43% da Psiupar e a Porto o restante. A nova empresa, por sua vez, deterá 70% da Porto Seguro e os 30% restante ficarão no mercado. O banco poderá indicar dois dos sete membros do conselho de administração da seguradora. “Não se espera que essa Associação acarrete efeitos relevantes nos resultados deste exercício social”, afirma o Itaú Unibanco em nota.
A fusão cria um grupo com prêmios de R$ 2,32 bilhões em veículos e de R$ 198 milhões em residências, com 3,4 milhões de automóveis e 1,2 milhão de residências seguradas. O patrimônio líquido será de R$ 3 bilhões.
Tendo como base os resultados do primeiro semestre deste ano, a Itaú Unibanco sai da quarta colocação em vendas de seguro de carro para a primeira, ocupada pela Porto Seguro, com prêmios de R$ 689 milhões e R$ 1,609 bilhão, respectivamente, totalizando R$ 2,298 bilhões, praticamente o dobro do Bradesco, segundo colocado, com R$ 1,086 em prêmios emitidos no primeiro semestre deste ano. O valor representa 28% dos prêmios totais de vendas de seguro de carro no primeiro semestre, com R$ 8,068 bilhões.
Para detalhar à imprensa a associação o presidente da Porto Seguro, Jayme Brasil Garfinkel, e presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal participarão de uma coletiva de imprensa, às 15 horas, em São Paulo.
Segue a íntegra do comunicado da Porto Seguro enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM): Em atendimento à Instrução CVM n.º 358/02, Porto Seguro S.A. (“Porto Seguro”) informa a seus acionistas e ao mercado que não tiveram sequência seus entendimentos com a Bradesco Seguros S/A (“Bradesco”), informados à CVM nos dias 30.6.2009 e 5.8.2009, visando a eventual combinação dos investimentos detidos pela Porto Seguro nas seguradoras por esta controladas com o investimento detido por Bradesco na seguradora Bradesco Auto RE.
A temporada de formação de furacões no Atlântico, entre junho e novembro, tem o seu primeiro evento depois de quase dois meses em razão do El Nino, que inibe a formação de furacões no Atlântico, levando-os para o oceano Pacífico. Depois das tempestades Ana e Claudette, veio o Bill, que ganhou força e já passou da categoria 2 do último dia 17 para a categoria 4 nesta quarta-feira, segundo informou o National Hurricane Center dos Estados Unidos. Bill está nas ilhas Bermudas, com ventos de 215 quilômetros por hora e poderá ganhar ainda mais intensidade.
Os especialistas prevêem a formação de até três furacões nesta safra. Apesar de reduzido número, os estragos que eles podem causar são incalculáveis. O furacão Katrina foi responsável pelo maior prejuízo financeiro em 2005. Segundo cálculos da Swiss Re, só esse furacão gerou perdas econômicas superiores a US$ 135 bilhões, sendo US$ 40 bilhões indenizadas pelas seguradoras, superando o furacão Andrew, ocorrido em 1992, com indenizações de US$ 22 bilhões e os atentados terroristas de Nova York, em 11 de setembro de 2001, com US$ 21 bilhões.
A principal preocupação das seguradoras está com o Golfo do México, local de grande concentração de plataformas de petróleo, que consumiu metade das indenizações do Katrina. O setor de energia, que engloba riscos de petróleo, embarcações e mineração, movimenta prêmios anuais de US$ 4 bilhões.
A grande perda aconteceu em 2005, com a ocorrência de quatro furacões – Katrina, Rita, Wilma e Dennis-, com intensidade elevada. Mas foi o Katrina que causou boa parte das perdas de US$ 20 bilhões registradas no Golfo do México nas plataformas de petróleo. O efeito foi a saída de várias seguradoras do ramo, aumento do preço do seguro e conseqüentemente a redução de capacidade de capital para segurar os riscos.
Curiosidade – Os nomes dos furacões são retirados de uma lista de mais de 100 nomes, que são repetidos em um ciclo de 6 anos. Segundo explicam os especialistas, os nomes dos furacões e das tempestades tropicais são dados sempre que seus ventos atingem 62 quilômetros por hora.
Quando um furacão causa danos excessivos seu nome é retirado da lista. Isso já aconteceu com mais de 60 nomes, entre eles o Katrina.
O nome Bill foi utilizado em junho de 2003. A tempestade tropical Bill que devastou o estado norte-americano da Louisiana em junho causou prejuízos de US$ 22 milhões para as seguradoras e pelo baixo custo, o nome Bill permaneceu na lista de nomes de furacões e está agora sendo usado novamente.
Cerca de 5 mil moradores pediram indenização por danos causados às suas residências atingindo o montante de US$ 9,1 milhões. Além deles, 2.128 motoristas exigiram indenização por ferimentos sofridos nos acidentes provocados pelas chuvas e outros 252 motoristas reivindicaram US$ 656 mil pelos danos aos seus veículos. Estas indenizações somaram US$ 5,1 milhões. Os prejuízos causados a 1.555 estabelecimentos comerciais custaram quase US$ 4,5 milhões em indenizações.
Classificação – Existe uma escala que mede o poder de destruição dos furacões a partir da intensidade dos ventos. A escala vai de 1 a 5, sendo o quinto grau o mais violento e arrasador. Segundo o site apolo11.com, somente três furacões categoria 5 atingiram a costa dos EUA no século passado: um deles, sem nome, atingiu a Flórida em 1935, Furacão Camille em 1969 e Furacão Andrew em 1992.
Categoria 1 – ventos entre 119 e 153 km/h
Categoria 2 – ventos entre 154 e 177 km/h
Categoria 3 – ventos entre 178 e 209 km/h
Categoria 4 – ventos entre 210 e 249 km/h
Categoria 5 – ventos maiores que 249 km/h
O Banco do Brasil conseguiu recuperar o estatus de maior banco do Brasil e da América Latina por manter o pé no acelerador de crédito no auge da crise, como ordenava o presidente Lula. A estratégia ajudou o banco oficial a obter bons resultados, como um lucro líquido de R$ 4,063 bilhões no primeiro semestre, com alta de 0,6% em comparação com igual período do ano anterior.
A indústria de seguros traz mudanças para o BB, assim como o BB mudará a concorrência nos setores em que atua, principalmente automóvel. As quatro empresas de seguros que o BB possui – Brasilveículos, Brasilsaude, Brasilprev e Brasilcap, em parceria com sócios privados como SulAmérica, Icatu Hartford, a americana Principal, e mais a Aliança do Brasil da qual detém 100%, agregaram R$ 848 milhões ao lucro liquido do BB em equivalência patrimonial e receitas de serviços, incremento de 12% em relação a 2008.
Segundo informaram os executivos do BB ontem durante a divulgação dos resultados, a nova configuração da área de seguridade do banco está em andamento e deverá ser divulgada em breve. Negociações com novos sócios envolvem a espanhola Mapfre, a americana Principal e a SulAmérica, onde o BB pode vir a comprar a participação do holandês ING. O que já está sendo implementado é a venda de produtos por intermédio de corretores independentes, até então concentradas na corretora cativa da instituição.
Outra notícia de peso do dia também envolve o BB. Porto Seguro, Mapfre e SulAmérica perdem o canal de vendas da Nossa Caixa para a Brasilveículos.Segundo nota divulgada pela Nossa Caixa, comprada pelo BB, a Brasilveiculos passa a ter exclusividade nas vendas de seguros de veículos feitas nas agências da Nossa Caixa.
O acordo tem prazo de 12 meses a partir de hoje e terá como intermediário das operações a BB Corretora de Seguros e Administradora de Bens. Pela exclusividade na comercialização, a Nossa Caixa será remunerada mensalmente com base no total dos prêmios líquidos recebidos pela BrasilVeículos. Na nota, o percentual de participação nos prêmios não foi divulgado.
As mudanças reforçam a musculatura do BB em seguro de carro estimulam que outros bancos passem a priorizar o atendimento aos correntistas que hoje possuem seguro de carro em outras seguradoras. Um tema e tanto para as seguradoras independentes e os corretores priorizarem, principalmente com a tendência dos clientes em concentrarem seus negócios em uma instituição para obterem descontos em tarifas e produtos.
A SulAmérica divulgou lucro líquido de R$ 188,4 milhões no primeiro semestre deste ano, alta de 9,5%, recorrentes, em relação ao mesmo semestre do ano passado. A rentabilidade do patrimônio anualizada foi de 14%. A receita em prêmios de seguros chegou a R$ 4,1 bilhões, evolução de 12,8% na comparação com o primeiro semestre de 2008.
Os prêmios de seguro saúde – principal carteira da companhia com 50,7% do total de prêmios de seguros – aumentaram 9% no segundo trimestre alcançando R$1,1 bilhão, graças ao crescimento de 16,1% na carteira de seguro saúde grupal, cujo destaque foram as vendas para o segmento de pequenas e médias empresas, que registraram incremento de 21,8%. Os planos odontológicos tiveram evolução de 36%.
Na segunda maior carteira da companhia, a de seguro de automóveis, com 34,1% do total de prêmios de seguros, a receita cresceu 22,5% no segundo trimestre de 2009 ante ao mesmo trimestre do ano anterior, chegando a R$ 733,8 milhões. “O crescimento desta carteira reflete a reação positiva do mercado de automóveis às medidas de incentivo adotadas pelo governo, como a manutenção da redução da alíquota de IPI incidente sobre os veículos novos e redução na taxa básica de juros”, informou na nota o vice-presidente Corporativo e de Relações com Investidores da SulAmérica, Arthur Farme d’ Amoed Neto (foto).
A sinistralidade total da companhia no segundo trimestre foi de 76,5%. Na indústria de seguros, índice de sinistralidade significa o percentual de prêmios que é utilizado para pagar sinistros. No acumulado do semestre este índice foi de 74,4%. O índice combinado chegou a 101,1% no segundo trimestre, com aumento de 0,6 ponto percentual em relação ao segundo trimestre de 2008. No acumulado do primeiro semestre este índice ficou em 99,5%. E o resultado dos investimentos totalizou R$ 172,4 milhões no segundo trimestre com rentabilidade equivalente a 119,5% do CDI.
A Brasilprev registrou lucro líquido de R$ 115,6 milhões no primeiro semetre deste ano, 22,5% superior ao registrado nos primeiros seis meses de 2008. Os ativos administrados cresceram 27%, para R$ 23,3 bilhões. “Os números reforçam a boa atuação da Brasilprev que, mesmo num cenário desafiador, manteve crescimento consistente”, comenta o presidente da Brasilprev, Tarcísio Godoy (foto), em nota divulgada à imprensa.
A captação líquida da Brasilprev no primeiro semestre foi de R$ 2,1 bilhões, um aumento de 31,6% face ao resultado de 2008. Esse indicador representa todo o recurso arrecadado pela empresa nos planos PGBL e VGBL, menos os resgates realizados no período O PGBL registrou crescimento de 25,4%, para R$ 619,5 milhões, e o VGBL de 63,2%, para R$ 1,8 bilhão.
O índice de resgates dos produtos PGBL e VGBL totalizou 8,8% face a 13% do mercado como um todo. O investimento em educação financeira dos clientes e a rentabilidade dos fundos administrados são algumas das ações da empresa para ter um índice abaixo da média do mercado.
As operações de seguros, previdência e capitalização do Itaú Unibanco geraram resultado de R$ 620 milhões para o banco no segundo trimestre do ano e de R$ 1,1 bilhão no acumulado do semestre. Em lucro líquido recorrente, a seguradora do maior banco do Brasil obteve R$ 292 milhões no segundo trimestre do ano, abaixo dos R$ 324 milhões do primeiro trimestre. Segundo nota do grupo, o lucro líquido na comparação dos trimestres foi menor em razão, principalmente, de no primeiro trimestre ter recebido dividendos do IRB Brasil Re, no qual mantém participação acionária, e pelo desempenho menos favorável dos fundos de investimentos.
O lucro representou 11% do ganho de R$ 2,5 bilhões do banco no segundo trimestre. Deste valor, a operação de previdência aberta tem o maior peso, com R$ 192 milhões, seguida por seguro, com R$ 61 milhões e capitalização, com R$ 37 milhões.
O faturamento cresceu em todas as atividades em razão da fusão entre Itaú e Unibanco, anunciada em novembro do ano passado. Em seguros, os prêmios passaram de R$ 1,1 bilhão para R$ 2,8 bilhões nos semestres comparados. Em previdência, as contribuições evoluíram de R$ 3,5 bilhões para R$ 4,7 bilhões. Capitalização apresentou receita de R$ 507 milhões para R$ 752 milhões. A maior carteira do grupo em seguros é vida e acidentes pessoais, com 29,5% dos prêmios ganhos. O seguro automóvel é o segundo maior, com 23,9%, seguido por garantia estendida, com 16%, outros com 14%, risco patrimonial com 11%, e transporte com 3,8%.
A despesa de comercialização, geralmente baixa em seguradoras ligadas a bancos, é um item que chama a atenção na Itaú Unibanco, por representar praticamente um terço dos prêmios ganhos, com R$ 424 milhões no segundo trimestre. Os sinistros retidos somaram R$ 710 milhões. O índice combinado, que indica a eficiência dos custos operacionais em relação ao prêmio ganho, ficou em 90,7%.
A consolidação da fusão entre Itaú e Unibanco na área de seguros está praticamente finalizada, com as operações consolidadas no prédio antes ocupado pelo Unibanco, na avenida Rebouças. Tanto as operações da Unibanco Seguros, que ficavam no prédio da avenida Eusébio Matoso (do outro lado do rio pinheiros) como os que estavam no centro de operações do Itaú no Jabaquara, estão mudando neste mês de agosto para o novo endereço.
A maior parte dos produtos já foi reformulada, com destaque para os seguros de acidentes pessoais. Um dos produtos que ainda está sem rumo definido é o seguro saúde, que era administrado pela Unibanco. Apesar de a carteira contar apenas com apólices grupais, o Itaú não tem apetite pelo setor, que foi o responsável por dar prejuízo ao banco anos atrás, com o Hospitaú, hoje administrado pela Omint.
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