Fusões levam adrenalina ao mercado*

*matéria feita com exclusividade para o especial Seguros do Jornal Valor Econômico, que circulou dia 19 de outubro, Dia do Securitário

Quem pensa que as notícias sobre fusões, aquisições e parcerias na indústria de seguros se esgotaram está enganado. Muita coisa ainda vai acontecer para o setor atingir o nível de consolidação esperado pelos especialistas, principalmente na área de saúde.

De 2008 até outubro deste ano, foram divulgadas doze importantes transações entre seguradoras. As conversas não se limitam a seguradoras. Envolvem também resseguradoras e corretores. Algumas delas são fruto de negociações mundiais, um mercado aquecido em razão das perdas geradas pela crise financeira.

“Essa tendência deve se manter por mais algum tempo, porque grande parte das negociações visa fortalecer as empresas em função da concorrência”, diz o consultor de seguros Luiz Roberto Castiglione. As empresas buscam escala para compensar a perda do ganho financeiro gerada pela queda das taxas de juros, que até então compensavam os prejuízos operacionais, principalmente em segmentos como o de seguro de carro. “É fundamental reduzir custos neste cenário competitivo, onde o aumento de preço é praticamente um tiro no pé.”

As empresas também buscam fazer frente à necessidade de capital determinada pelas regras de risco, implementadas em 2008, com exigência gradual de aporte de recursos até 2011. Além do risco de subscrição, outros de mercado e financeiro serão incluídos na regulamentação que visa adequar a indústria de seguros brasileira aos padrões internacionais.

Planos de previdência, seguro de vida individual e títulos de capitalização são segmentos que serão incluídos nas normas e exigirão um robusto aporte de capital.

Aliado a este fato, os bancos passaram a se interessar pelo setor e são responsáveis pelos acordos que mudam a configuração do setor. A criação da Porto Seguro Itaú Unibanco Participações (Psiupar), anunciada em agosto, onde a Porto Seguro deterá o controle, ganhando o rótulo de “o negócio da década do setor de seguros”. No entanto, em outubro, o Banco do Brasil e a Mapfre anunciaram uma associação que deixou os analistas e concorrentes em dúvida sobre qual delas era a mais importante.

A disputa pelo canal de vendas do Banco do Brasil envolve um enorme número de seguradoras. A Mapfre foi a escolhida e deverá ficar com boa parte dos negócios. Segundo Aldemir Bendine, presidente do BB, a similaridade na cultura dos dois grupos teve peso importante.

Outro fator decisivo foi o contrato bem feito da Mapfre em 2005, quando comprou com ágio de 46%, por R$ 225 milhões, 51% da Nossa Caixa Vida e Previdência do governo do Estado de São Paulo, com direito de exclusividade de venda no balcão do banco, mesmo se vendido, por 20 anos. O banco paulista foi parar nas mãos do BB, que ficou preso ao contrato, e quer elevar o faturamento atual de R$ 10 bilhões com seguros para R$ 25 bilhões até 2012.

A Porto Seguro, apesar de liderar com folga as vendas em automóvel, vinha perdendo rentabilidade pela forte concorrência desencadeada pelos bancos. Resolveu seu problema ao associar-se ao Itaú Unibanco numa negociação que durou nove dias.

“A Porto Seguro e o Itaú Unibanco passarão a oferecer o que há de mais completo no mercado brasileiro para seus milhões de clientes e, em especial, para os corretores. Estamos nos entendendo muito bem e vejo que temos muito a fazer”, diz Jayme Garfinkel, presidente da Porto, que passou a deter 28% de market share em automóvel, com R$ 3,6 bilhões em prêmios até agosto. A parceria Mapfre e BB ficou em segundo, com R$ 1,8 bilhão.

Entre as outras aquisições de seguradoras há o Santander, que comprou a participação da Tokio Marine na Real Vida e Previdência e negocia o acordo de exclusividade de venda da seguradora japonesa garantido por dez anos na época da negociação, em 2005. Outra japonesa, a Yasuda, comprou 50% da Marítima Seguros, que ensaiou anos abrir o capital sem sucesso. A Minas Brasil, seguradora controlada pelo Banco Mercantil, foi comprada pelo grupo Zurich. A Mongeral, especializada em vida, fez acordo com a Aegon. A Liberty comprou a Indiana, da família Afif Domingos.

O setor de resseguros recebeu quase 70 resseguradoras desde 2008, quando o mercado foi aberto após 69 anos de monopólio. Na semana passada, o Banco do Brasil informou que pretende comprar a participação do governo no IRB Brasil Re, empresa de economia mista, com 100% das ações ordinárias nas mãos do Tesouro.

Das preferenciais, sem direito a voto, 50% pertencem ao governo e 50% estão pulverizadas entre as seguradoras, sendo Bradesco dona de 21% e Itaú Unibanco 18%. Trata-se de uma compra estratégica, que tirará os resseguradores da zona de conforto. Afinal, trata-se do governo aumentando sua fatia em um setor que acaba de privatizar.

Os corretores de seguros também são protagonistas de boa parte das fusões realizadas no setor. O grupo Aon tem sido um dos mais ativos, com mais de 15 compras nos últimos anos de corretores especializados, seja em nichos de negócios ou em regiões do país. “Estamos atentos a novas aquisições, pois nosso objetivo é estar ao lado do nosso segurado”, diz Fernando Pereira, vice-presidente da Aon.

A Lazam MDS aproveitou a crise para partir para um processo de internacionalização. “Estamos avaliando dez propostas de aquisição em seis países”, diz Eduardo Bom Ângelo, presidente da corretora que tem como controlador o grupo Suzano.

Depois de anunciar duas aquisições no início do ano, o grupo assinou em setembro um contrato para a formação de uma joint venture envolvendo quatro empresas, criando uma holding com uma carteira de prêmios superior a US$ 1,8 bilhão, o que lhe garante a 15ª colocação no ranking mundial de corretores.

Base avançada*

*Matéria feita com exclusividade para o especial Seguros do Jornal Valor Econômico, que circulou dia 19 de outubro, Dia dos Securitários

A indústria brasileira atravessa uma fase movimentadíssima, com notícias de grande importância aparecendo regularmente nas últimas semanas. Na última, por exemplo, o Banco do Brasil anunciou interesse em comprar participação no IRB Brasil Re, ressegurador local e estratégico para todas as seguradoras do mercado.

Na semana anterior já havia anunciado parceria com a Mapfre na área de bens patrimoniais como automóvel, residência, empresas, rural, além de vida. Em agosto, Itaú Unibanco e Porto Seguro anunciaram a criação da Porto Seguro Itaú Unibanco Participações (Psiupar), considerado o negócio da década no setor.

“As circunstâncias são extremamente favoráveis para que o país concretize o tão sonhado Brasil do futuro”, diz o presidente da CNSeg, João Elísio Ferraz de Campos. O vento sopra a favor. Os fundamentos sólidos da economia são a base sem a qual o país não teria enfrentado a crise financeira internacional de forma tão positiva, dizem os analistas.

Não bastassem todas essas novidades, os executivos das seguradoras tiveram de correr para refazer as estratégias de 2010, uma vez que o Brasil será o anfitrião da Olimpíada em 2016 e da Copa do Mundo em 2014.

“Tantos investimentos vão gerar empregos e, com certeza, precisarão de proteção de seguros. Um ambiente propício para o crescimento das seguradoras”, comemora Patrick Larragoiti, presidente da SulAmérica.

Apesar do desafio de recuperar a receita perdida com o fim da parceria com o Banco do Brasil na Brasilveículos, Larragoiti está otimista com 2010. “Temos muitas oportunidades de negócios no Brasil a partir de agora.”

As seguradoras viram cair vários obstáculos que travavam o crescimento do setor, como a falta de renda da população, normas antiquadas, produtos ineficientes e caros e profissionais limitados pelas amarras do monopólio de resseguro (o seguro da seguradora).

A Superintendência de Seguros Privados (Susep) se empenha em modernizar o arcabouço regulatório do setor. Mais de mil normas foram editadas nos últimos cinco anos, desde a obrigatoriedade de criar códigos de ética para os profissionais até a implementação da primeira etapa das normas de Solvência II, semelhante ao acordo da Basileia seguido pelos bancos em todo o mundo. “Esse esforço valeu a pena. As seguradoras brasileiras passaram praticamente ilesas nesta crise”, diz Armando Vergílio, titular da Susep.

Segundo ele, as companhias estão sólidas e capitalizadas para fazer frente ao crescimento esperado para o setor. Hoje, oferecem produtos diferenciados, com coberturas mais adequadas às necessidades do consumidor, contratos claros e preços acessíveis. Como prêmio pelos investimentos feitos na governança corporativa, deixaram de aparecer no ranking de reclamações dos órgãos de defesa do consumidor.

Projeções da autarquia e também das empresas sinalizam que o faturamento do setor crescerá 10% em 2009, para R$ 100 bilhões. Um resultado e tanto considerando que o PIB do país pode crescer 1%, se tanto, segundo as projeções divulgadas até outubro. Para 2010, as expectativas são de vendas 20% maiores diante de um PIB que poderá evoluir 5%.

O presidente do conselho de administração da Mongeral Aegon, Nilton Molina, acredita que, em uma década, o setor poderá responder por até 6% do PIB brasileiro, dobrando sua participação atual.

Para Marco Antonio Rossi, presidente da Bradesco Seguros e Previdência, os produtos de acumulação de recursos, como o VGBL, continuam impulsionando o crescimento do setor. “Mas os seguros de bens também apresentarão desempenho robusto, uma vez que a população hoje tem mais bens para segurar.” O seguro prestamista, que garante o pagamento da dívida em caso de morte do tomador, e os seguros de grandes riscos, em razão dos projetos de infraestrutura, também estão entre as vedetes do setor para 2010.

A crise mundial, além de aumentar a percepção da população aos riscos a que todos estão expostos e estimular as vendas, chamou a atenção dos bancos para o setor. Com a necessidade de recuperar a rentabilidade perdida com a queda dos juros, muitos banqueiros perceberam que o Brasil exibia uma indústria de seguro sólida e rentável, com produtos modernos e com grande potencial de crescimento. Resultado: os quatro maiores bancos – Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander – partiram para uma acirrada disputa na venda de seguros.

O que deixou os corretores e as seguradoras independentes atordoados. “A liderança está com quem negocia através do corretor de seguros, como Porto Seguro e Bradesco. O BB é outro que promete ter o corretor como parceiro. Vamos ver”, avalia Leôncio Arruda, presidente do maior sindicato de corretores de seguros, o Sincor, do Estado de São Paulo.

Bradesco e Santander apostam no setor há tempos. “Estamos bem preparados para o crescimento da economia, que beneficiará muito a atividade seguradora”, diz o executivo da Bradesco, líder do ranking de rentabilidade do setor e que participa com 30% do lucro do banco.

O Santander também vem há tempos desenvolvendo parcerias. Tanto que a seguradora do grupo passou de um market share de 1% em 2005 para 3% em 2008, diz Gilberto Abreu, responsável pela área de seguros dentro do banco espanhol que acaba de fazer a maior captação da história do mercado de ações do Brasil.

Sem poder falar de perspectivas futuras em razão do período de silêncio exigido após um IPO, o executivo diz que os R$ 14 bilhões captados estão previstos para as operações de crédito. “Nossa vantagem é trabalhar com três seguradoras na venda de seguro de carro (SulAmérica, Marítima e Tokio Marine), cada uma com duas opções de produtos.”

Concentração do setor estimula especialização*

*Matéria feita com exclusividade para o especial Seguros do Jornal Valor Econômico que circulou no dia 19 de outubro de 2009, Dia dos Securitários

O crescimento do mercado de seguros estimula parcerias entre as empresas e a maior concentração nas vendas de apólices para veículos. A Porto Seguro, maior seguradora de carro do Brasil, ganha mais 4,5 mil pontos de distribuição do Itaú Unibanco. A Mapfre também agrega ao seu principal canal de vendas, o corretor, outros 12,5 mil pontos de atendimento, sendo 3.155 agências do Banco do Brasil.

Além disso, elas ganham abrangência nacional e internacional, uma vez que a parceria visa acompanhar a expansão dos bancos no exterior, além da disposição dos bancos em ofertar seguros para o consumidor. Até então, seguro perdia espaço para produtos financeiros como crédito, fundos e previdência. Tanto que a penetração de seguros na base dos clientes dos bancos não chega a 10%. “Temos muito para crescer”, afirma Aldemir Bendine, presidente do Banco do Brasil, que pretende saltar dos atuais R$ 10 bilhões em faturamento para R$ 25 bilhões até 2012.

O desenho que se forma no setor é um em que os bancos dominam a venda de seguros massificados, com a presença do corretor nos negócios. A negociação entre Itaú e Porto e entre Banco do Brasil e Mapfre torna o setor de automóvel extremamente concentrado, com as cinco maiores donas de 90% das vendas. Mas isso não assusta as seguradoras especializadas, como Liberty, Allianz, Chubb e ACE. “Somos a única puro sangue do setor”, diz Acácio Queiroz, presidente da Chubb, seguradora sem vínculos bancários, que se destaca na oferta de apólices desenhadas sob medida para pessoas de alto poder aquisitivo.

Luis Maurette, presidente das empresas do grupo Liberty Mutual no Brasil, aposta na especialização. “Formatamos produtos sob medida, desde o seguro de automóvel até riscos específicos como os de satélites, e facilitamos a vida do corretor com investimentos em tecnologia”, afirma.

Max Thierman, presidente da Allianz, aposta também na especialização do maior grupo segurador da Europa, responsável por boa parte do seguro da Copa na Alemanha em 2006. “Nossa área de grandes riscos está mais do que preparada para conquistar as apólices de riscos de engenharia que serão demandadas já no próximo ano para garantir a realização da Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016”, diz. A ACE, especializada em seguros de eventos, montou um comitê só para prospectar negócios com os jogos mundiais, conta Paulo Tavares, diretor comercial da ACE.

Para Carlos Matta, consultor da PricewaterhouseCoopers, as seguradoras médias vão conquistar os clientes com serviços exclusivos e por classes sociais específicas. Já as grandes seguradoras vão explorar a presença geográfica que os bancos estão proporcionando. “O apoio dos bancos é de extrema importância para o crescimento do setor”, diz.

Segundo recente pesquisa divulgada pela FGV, apenas 16% da população brasileira possui algum tipo de seguro. O seguro saúde é o principal, com 12,9%, seguido de seguro de vida (4,3%) e automóvel (2,9%). Atualmente, as classes A e B, com renda mensal acima de R$ 4,8 mil, respondem por 46% da demanda por seguros. As classes C (até R$ 4,8 mil), D (R$ 1,1 mil) e E (R$ 800), que representam 85% da população, contribuem com 15,6%, 4,1% e 1,4% do total de seguros no país, respectivamente.

Um mercado e tanto, principalmente para duas prioridades do governo: produtos populares, com custo mensal a partir de R$ 10, e microsseguros, com prêmios de até R$ 5 para garantir necessidades básicas da população de baixa renda em caso de morte ou invalidez.

Dados como esses fazem o Brasil exibir um entusiasmo pouco visto na indústria mundial atualmente. Para se ter uma ideia do desânimo das seguradoras nos EUA, pesquisa realizada durante um evento da KPMG em Nova York, em setembro, revelou um dado interessante se comparado ao Brasil. Entre os 271 executivos de seguradoras americanas pesquisados, apenas 9% colocam a indústria em uma forte posição nos próximos anos.

Aquisição da Bradesco na Odontoprev traz ganhos

1233596984a458d61O aumento da participação da Bradesco Dental no mercado de seguro odontológico será benéfico para o grupo, avalia a corretora Link Investimentos em relatório divulgado hoje. Segundo fato relevante divulgado nesta segunda-feira, feriado no mercado securitário, o Bradesco fechou acordo para assumir 43,5% da OdontoPrev. A Bradesco Dental será incorporada pela OdontoPrev e em troca o banco receberá ações da companhia.

Caso se concretize, o Bradesco passará a ser acionista da maior empresa de planos de saúde odontológico da América Latina. A Odontoprev é responsável por cerca de 25% do mercado, com uma carteira de 2,6 milhões de clientes no final de junho deste ano.
o grupo poderá se beneficiar da venda cruzada de planos médicos e odontológicos, analisa a corretora. Nos últimos cinco anos, este nicho evoluiu a uma taxa média de quase 20%.

A surpresa, segundo a corretora, ficou na aquisição de uma participação minoritária por parte do Bradesco, que até agora vem demonstrando interesse em compras onde pode deter o controle acionário. Apesar de gostar de ter o controle, o grupo investe em segmentos prioritários quando é possível fazer um bom negócio, como no início deste ano, quando comprou uma fatia minoritária na rede de laboratórios Fleury.

Após os órgãos reguladores aprovarem a negociação, a nova empresa surge com 3,9 milhões de clientes, sendo 2,6 milhões da OdontoPrev e 1,3 milhão da Bradesco Dental, com receita líquida anualizada de R$ 533 milhões.

Segundo informou o Bradesco em fato relevante, “a associação das duas companhias deve proporcionar ganhos de escala e de sinergia com combinação das melhores práticas de gestão de sinistros e, principalmente, pela combinação das plataformas comerciais e do acesso aos canais de distribuição do Banco Bradesco”.

Pelo novo acordo de acionistas firmado entre Bradesco e o fundador da OdontoPrev, o banco indicará três de oito membros do Conselho de Administração, incluindo seu presidente. Zanetti permanecerá na presidência-executiva da companhia.

O segmento dental, assim como o de seguro, necessita de escala para ser lucrativo. Em razão disso, a consolidação da Odontoprev se deu por uma série de fusões ao longo dos últimos anos, como da DentalCorp e da Careplus, informa o relatório. “Acreditamos que o potencial de crescimento do setor é elevado para os próximos anos, com aumento da penetração dos planos odontológicos”.

ING vende carteira de resseguro para RGA

O grupo holandês ING, que no Brasil é sócio da SulAmérica, anunciou na última sexta-feira a segunda venda de ativos neste mês. Depois de vender no início de outubro a divisão de investimentos do banco em Genebra, por US$ 506 milhões, à vista para o banco suíço Julius Baer, anunciou a venda da carteira de resseguros de vida e acidentes pessoais nos Estados Unidos para a Reinsurance Group of America Inc (RGA), resseguradora especializada no segmento vida. Detalhes do acordo não foram revelados.

Acredita-se que a venda dará ao ING ganhos de 100 milhões de euros dentro da estratégia apelidada de “back to basics“, que prevê levantar recursos entre 6 bilhões e 8 bilhões de euros e assim devolver ao governo holandês parte do empréstimo de 10 bilhões de euros feito em 2008, no ápice da crise financeira, com a venda de negócios que estão fora do core business de um dos maiores grupo de bancassurance do mundo.

Segundo nota divulgada pelo ING, “a transação se encaixa na estratégia do ING de simplificar sua estrutura e manter o foco em operações de seguros voltadas para pessoas, como vida e previdência”, afirmou Tom McInerney, CEO do ING Insurance Americas na nota.

Segundo informou a RGA às agencias internacionais, a aquisição da ReliaStar dará ao grupo maior presença no mercado da América do Norte.

E onde está o entusiamo?*

*artigo publicado na revista Apólice deste mês

Uma pesquisa feita durante um evento da KPMG em Nova York em setembro deste ano revelou um dado interessante se comparado ao Brasil. Entre os 271 executivos de seguradoras americanas pesquisados, apenas 9% colocam a indústria em uma forte posição nos próximos anos. Ou seja, um desânimo total.

Desanimo lá, entusiasmo aqui. Será mesmo? Aparentemente parece ser, mesmo com a falta de notícias de negociação de apólices. Mas temos discursos interessantes. Mais de 60 resseguradoras no primeiro ano de abertura do resseguro, executivos de bancos dizendo que o setor oferece um enorme potencial de ganho, vários projetos de infraestrutura que necessitam de apólices. Até mesmo o presidente Lula fala do potencial do crescimento de seguros. Quer até criar uma seguradora estatal.

Peraí. O governo, que tem o controle do mercado de grandes riscos através do IRB Brasil Re, liderou um monopolio por 69 anos, quer ampliar sua atuação no setor? Bem, isso só pode estar acontecendo para resolver uma situação problemática. Como a de Barack Obama. Ele quer mudar o sistema de saúde dos Estados Unidos porque o que existe hoje é inviável: caro e não atende às necessidades do consumidor e nem do governo.

Será que o mesmo está acontecendo no Brasil? As empresas privadas passaram anos lutando pela abertura do mercado de resseguro sem ter se preparado? E as resseguradoras, que tanto queriam a abertura, por que agora não ofertam capacidade?

É uma verdadeira catástrofe estar passando por este cenário. Sim, pois ter CSN sem seguro, Celesc sem seguro e Petrobras sem conseguir a cobertura necessária para proteger seu patrimônio é assustador. Se a explosão de uma fábrica de fogos em Santo André, São Paulo, é capaz de tirar vidas e deixar várias famílias sem sustento, imagine um acidente em maiores proporções.

E não são só riscos considerados “vultosos” que estão sem seguro. Corretores presentes em uma discussão sobre resseguro realizada em meados de setembro pela APTS em São Paulo informaram que até mesmo bons clientes, como médias empresas, estão sem cobertura pela falta de apetite das seguradoras, que por sua vez culpam os resseguradores. Estes repassam o problema para a crise mundial. Daí, como ninguém resolve, o governo decide intervir.

Um executivo de resseguradora, daqueles mais ferrenhos na briga pela abertura do setor, em recente conversa sobre este cenário, assumiu que acredita que o mercado de seguros brasileiro realmente não estava preparado para a abertura e que um comentário que se tornou comum é “éramos felizes com o IRB e não sabíamos”.

A minha memória rapidamente resgatou a estatização do seguro de acidente de trabalho ocorrido na década de 60. Imagine o governo resolver, em vez de abrir uma estatal, voltar a estatizar o resseguro? A única reação que tive foi dizer “Cruz credo!”, o que fez com que mudássemos de assunto.

Depois parei para refletir e fiquei com inveja dos americanos em ter um presidente decidido a resolver problemas pequenos, médios e grandes. Ele disse: “Não sou o primeiro presidente a tentar melhorar o sistema de saúde americano. Mas serei o último”.

Acredito que ele realmente conseguirá, mesmo com todo o lobby que as seguradoras têm feito no congresso americano. Ele avança na reforma com determinação em ter um sistema de saúde equilibrado. Como atua com ética, transparência e flexibilidade, aposto que sairá vencedor desta luta, que inicialmente lhe custou uma queda de ibope, já quase totalmente recuperada em menos de dois meses de atitudes coerentes e muita dedicação em esclarecer a sociedade sobre sua proposta.

Imagine se os corretores dissessem: “não sou o primeiro a tentar fazer o mercado de seguros crescer. Mas serei o último da minha geração a ver esta participação tão ínfima do setor no PIB de um país que está entre as dez maiores economias do mundo”. Ajudaria bastante.

O corretor é um agente que tem o poder de fazer a seguradora aceitar o risco e melhorar o produto. O problema é que muitos corretores não conseguem mostrar para as se/resseguradoras se o cliente é bom ou ruim em razão da falta de levantamento de dados.

Na dúvida, a desculpa da falta de capital gerada pela crise serve como escudo para a ineficiência. Se o risco é ruim, o segurado deve ser orientado sobre o que deve ser feito para mitigá-lo.

Em massificados, os corretores também têm grande poder de ajudar a mudar o setor, que ainda vende seguro de roubo para armário embutido, contou o promotor da Cidadania e do Consumidor de Jacareí (SP), José Luiz Bednarski, em sua palestra no seminário de Ética e Transparência realizado em setembro, em São Paulo. Podem exigir das seguradoras mudanças nos produtos “defeituosos” e mostrar ao consumidor a importância de ter sua vida e patrimônios protegidos.

E se levarmos em conta o atual momento, o corretor é a bola da vez. Roberto Setubal, do Itaú Unibanco, e Aldemir Bendine, presidente do Banco do Brasil, disseram que o corretor é um importante canal de vendas. Jayme Garfinkel, Patrick Larragoiti, Acácio Queiroz, Antonio Cássio dos Santos, Luis Maurette, Max Thiermam também afirmam isto há tempos. Ainda mais agora diante de tanta competição.

Sendo assim, este é um momento ideal de conseguir boas negociações para os consumidores e evitar que eles fiquem insatisfeitos e o governo tenha de intervir. E podem usar outra frase de impacto, como a dita por Trabuco durante entrevista ao jornal Valor Econômico se alguém vier com aquele papo de que você é pequeno ou só vende automóvel: “A gente tem que respeitar as diferenças. E olha, cá entre nós, respeitar as diferenças é um negócio ultramoderno! É a tal da diversidade”.

Para manter o entusiasmo verdadeiro — não só da boca para fora — de todos com a indústria de seguros brasileira é preciso investir em atitudes sustentáveis: respeito por si mesmo, pelo próximo e pelo planeta.

BB vai comprar participação do governo no IRB

Veja a íntegra do Banco do Brasil propondo a compra da participação do governo no IRB Brasil Re divulgada hoje:

Em conformidade com o § 4º, do artigo 157, da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e com a Instrução CVM nº 358, de 03 de janeiro de 2002, o Banco do Brasil S.A. (“BB”) comunica que:

1. Dando prosseguimento ao processo de reorganização de sua área de seguros, conforme explicitado no item 1 do Fato Relevante de 06/10/2009, e no intuito de buscar complementaridade nas operações das suas seguradoras, o BB propôs, e a União Federal, por intermédio do Ministério da Fazenda, aceitou iniciar tratativas sem efeito vinculante, visando à aquisição de participação acionária no IRB–Brasil Re S.A. (“IRB”), observadas a regulamentação vigente e as condições inerentes às operações dessa natureza, notadamente a obtenção das autorizações prévias necessárias.

2. O IRB-Brasil Re é o maior grupo ressegurador da América Latina, com R$ 10,4 bilhões em ativos, R$ 1,8 bilhão em prêmios emitidos e R$ 940 milhões em prêmios retidos, posição de julho de 2009. A União Federal possui 100% das ações ordinárias do IRB e 50% do capital total.

3. Com 571 funcionários, a resseguradora contabilizou, em julho de 2009, patrimônio líquido R$ 1,9 bilhão, provisões técnicas líquidas de R$ 3,3 bilhões, sinistros retidos de R$ 834 milhões e lucro por ação de R$ 81,96. Mais detalhes podem ser encontrados no site da resseguradora (www.irb.gov.br).

4. Fatos adicionais, julgados relevantes, serão divulgados ao mercado de acordo com a evolução das tratativas.

Brasília, 15 de outubro de 2009.

Ivan de Souza Monteiro
Vice-presidente de Finanças, Mercado de Capitais e Relações com Investidores

Plano de previdência requer atenção*

1176463035xi0asd1*artigo escrito para a Revista Apólice

Quem poderia imaginar uma taxa de juros de um dígito no Brasil. Pois é. Poucos acreditavam que isto um dia aconteceria. Por isso, quase ninguém se dá conta do impacto da redução dos juros no plano de previdência. E aqui está uma grande oportunidade do corretor dar uma orientação relevante para o seu cliente.

Uma conta simples que todos podem fazer em site de corretoras, seguradoras, bancos ou de consultores financeiros é a simulação do impacto da taxa de juros no rendimento de longo prazo. Vamos imaginar que uma pessoa de 30 anos resolva poupar para a previdência. Com esta idade, poderá contribuir por 30 anos. Levando-se em conta a expectativa de vida, receberá seu benefício por 23 anos.

Se a disponibilidade deste cliente for de depósitos mensais de R$ 500, ele teria uma renda mensal de R$ 3,5 mil a partir dos 60 anos no ano passado, quando a taxa real de juro ainda era de 10% ao ano, época de vendas recordes de VGBL. Hoje, com a taxa Selic em 8,75% e juro real de 4,5% (descontada a inflação), a renda mensal desde mesmo plano cai para R$ 1,3 mil.

Isso aconteceu pois o principal item da simulação feita naquela época – a taxa de juro – mudou significamente. Há apenas dois anos, os juros estavam em 12,50% e há quatro, em 19,75%. Isso faz uma enorme diferença no planejamento da aposentadoria. Um impacto e tanto para a realização dos sonhos futuros. De deixar qualquer cliente preocupado e grato por ter sido alertado.

Há algumas saídas. Aumentar o valor do depósito mensal, ter um objetivo que exija menos recursos financeiros ou arriscar a aumentar o retorno financeiro do fundo correndo mais risco. Foi exatamente esta última alternativa que fez surgir nos Estados Unidos os fundos “life time” ou “life cycle funds”, lançados no Brasil em 2006 como fundos ciclos de vida pela BrasilPrev, Icatu e MetLife, ou fases da vida, como batizou o Itaú.

Esses fundos foram lançados para clientes com pouca experiência no mercado financeiro. Além de ter um forte coração para lidar com o sobe e desce das bolsas, o consumidor precisa entender um pouco de fundamentos econômicos para saber escolher ações de companhias promissoras, o momento mais oportuno de comprar e vender os papéis e ter tempo para cumprir a burocracia de negociar a carteira no dia a dia para atualizá-la. Pode também encontrar um home-broker ou optar pelos fundos “ciclo de vida”, onde os gestores de recursos fazem todo aquele trabalho citado anteriormente.

O objetivo desses planos é buscar um equilíbrio entre o tempo que o cliente tem para fazer a sua poupança e os riscos que pode correr nos diferentes períodos da vida. O cliente determina qual o valor que necessitará no futuro e quando precisará do dinheiro. Os gestores ficam com a responsabilidade de otimizar o retorno financeiro e proporcionar maior tranqüilidade no momento de utilização do patrimônio acumulado, calibrando as apostas em renda fixa e renda variável.

Quanto mais jovem, maior será a alocação dos recursos em ações. Na medida em que a data de realização do projeto de vida se aproxima, menor será o investimento em renda variável, com os ativos aplicados em um porto mais seguro, como os títulos de renda fixa públicos ou privados. Na Brasilprev, a recomendação é que se o resgate estiver programado para 2020, o percentual de ativos aplicados em ações passará, ao longo dos anos, de 20% para 30%. Se o limite for o ano de 2030, o percentual cresce de 34% para 42%, e, no último caso, para a data final de 2040, a migração é de 45% para 49%.

Apesar da aparente facilidade, é preciso acompanhar de perto o rendimento desses fundos, as notícias do mercado financeiro e se ele realmente está adequado à realidade do cliente. Afinal, a recente crise financeira adiou o sonho de milhares de americanos que no passado ficaram empolgados com as apostas no mercado acionário e mesmo estando perto da idade de se aposentar, tinham 90% do portfólio em ações, o que não é recomendado. Agora, o tempo de trabalho aumentou em média cinco anos para recuperar as perdas geradas com a crise e poder se aposentar com o que haviam planejado quando ingressaram no plano.

É necessário que fique claro para o consumidor o que ele está levando para casa, pois na maioria das vezes ele não é capaz de perceber isso sozinho. Muitos já estão atentos à necessidade de correr mais riscos. Em janeiro de 2008, cerca de 25% do dinheiro dos investidores estava em fundos de previdência com ações e 75%, nos de renda fixa. Atualmente, a relação mudou para 20% e 80%, respectivamente.

Como a bolsa praticamente recuperou as perdas do último trimestre de 2008 no primeiro semestre de 2009, os ansiosos que sacaram os recursos perderam. Por isso, é preciso ficar de olho na rentabilidade e nas taxas cobradas pelos fundos, principalmente neste período de ajustes de custos promovido pelas empresas de previdência. Afinal, um ponto percentual faz uma grande diferença em uma aplicação de longo prazo.

Santander lança produtos para crianças

images13O grupo Santander Brasil, que reúne os bancos Santander e Real, aproveita o Dia das Crianças para lançar o plano de previdência Prev Educar e os títulos de capitalização Din Din da Alegria, que têm parte da renda revertida para a ONG Doutores da Alegria. Trata-se de plano de previdência especialmente desenvolvido para apoiar os pais no planejamento do futuro da família, por meio de uma reserva financeira que contribuirá pagar a faculdade, a pós-graduação ou as primeiras iniciativas profissionais dos seus filhos.

“Este plano pode ser contratado também por tios, avós, padrinhos, enfim, por todos aqueles preocupados com a tranqüilidade financeira das crianças”, afirma Edson Franco, superintendente executivo de Previdência e Capitalização do Grupo Santander Brasil, em nota distribuída à imprensa.

O produto, vendido nas agências do Santander e do Banco Real, tem depósito mínimo de R$ 50 por mês e acumula os recursos, que são rentabilizados mensalmente. O próprio cliente define a data em que o beneficiário passará a receber uma renda mensal pelo período de cinco anos ou em que resgatará o valor total. “Durante o período de acumulação, recomendamos que o contratante faça aportes esporádicos ou atualize o valor da contribuição mensal, o que pode aumentar o valor da reserva financeira final quando for resgatada”, observa Franco.

Segundo o executivo, garantir um futuro estável e promover uma educação de qualidade para os filhos são preocupações constantes na vida dos pais. Tanto é assim que a contratação dos planos de previdência para menores cresceu 18% em julho deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado, superando os R$ 250 milhões, segundo dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi).

Canadá proibirá bancos de vender seguro na web

1102890390q81y8d11Os bancos do Canadá enfrentam um sério problema. O Canadá pretende proibir os grandes bancos de comercializar produtos de seguro em seus sites, segundo divulgaram hoje as agências internacionais. O ministro das Finanças do país, Jim Flaherty, informou que a alteração na regra será feita no início do próximo ano, segundo carta divulgada aos bancos. O mercado de seguros do Canadá movimenta US$ 108 bilhões.

Entre os maiores bancos do Canadá estão nomes como Royal Bank of Canada , Toronto Dominion Bank, Bank of Nova Scotia , Bank of Montreal e Canadian Imperial Bank of Commerce. Todos eles têm como objetivo aumentar as vendas de seguros, assim como no Brasil.

Trata-se de uma batalha liderada pelos corretores há muitos anos, pois com o avanço dos bancos na área de seguros os profissionais de vendas vem perdendo mercado nos últimos anos. A lei do Canadá proíbe a venda direta de seguros em filiais. Recentemente, no entanto, os bancos conseguiram autorização para vender seguro pela internet, segundo parecer de advogados dizendo que o site do banco não é considerado agência.

Os bancos se mostraram chocados com o anúncio do ministro da fazendo do Canadá e pretendem recorrer da medida, principalmente porque o negócio seguro se tornou importante fonte de rentabilidade para as instituições.