Baden Baden: queda de preço para 2010

images14O futuro do resseguro, uma operação que ajuda as seguradoras a mitigar o risco de catástrofes naturais ou feitas pelo homem, está sendo traçado no tradicional encontro em BadenBaden, refúgio de milionários na Alemanha, que teve início no domingo e termina na quinta-feira. Lá, instalados em um belo SPA e cassino, elas se reúnem com seus clientes para discutir a renovação dos maiores contratos de resseguro do mundo que vencem em janeiro de 2010.

A recuperação dos mercados acionários em 2009 ajudou resseguradoras e seguradoras a reconstruir seus balanços financeiros. Aliado a este fato, a natureza foi, digamos, generosa com a indústria de seguros. A safra de furacões nos EUA até agora está bem aquém das previsões, com perdas abaixo do previsto.

Neste cenário, as seguradoras e resseguradoras estão conseguindo recuperar capital, o que já é demonstrado pelo fim do ciclo de alta de preço. Em vários nichos de negócios já se observa descontos, porém as condições de cobertura e exigências de informações permanecem severas.

A demanda por resseguro, até então em queda em razão da recessão da economia, deve crescer em 2010. Tanto pela maior consciência de riscos a que todos estão expostos, percepção aguçada com a crise financeira, como também para fazer frente a uma forte necessidade de capital das seguradoras para cumprir novas regras de Solvência II, elaboradas pela Comissão Europeia.

O objetivo do órgão regulador é fortalecer o capital das seguradoras, impondo que elas priorizem a qualidade na subscrição de risco, tornando o seguro caro e as coberturas limitadas para os segurados com pouca transparência, que não investem em segurança e também em relacionamento duradouro, assim como para aqueles com um histórico de sinistros volumoso e com custos elevados. A compra de resseguro é uma das saídas para dar um fôlego ao comprometimento do patrimômio e poder alavancar as vendas sem ter de injetar capital.

Este é o tom do 25º tradicional encontro de resseguros. Munich Re disse ter uma farta capacidade para ofertar aos clientes. Swiss Re acrescentou que tem uma equipe profissional para buscar as melhores soluções para contratos saudáveis. Hannover Re aposta em queda de preço para os riscos na Alemanha. A Scor disse que irá buscar aumento de preço em algumas carteiras deficitárias. A Guy Carpenter vislumbra um cenário de queda de preços. A expectativa dos analistas que acompanham o encontro é de uma queda média de preço entre 5% e 10%.

Uma das preocupações mundial é com a inflação, que pode vir a prejudicar a rentabilidade dos resseguradores em todas as linhas de negócio, segundo alerta feito pela Towers Perrin durante palestra no evento. Isso porque em muitos contratos há claúsulas onde as reclamações podem ser feitas anos depois de ocorrido o acidente. Com a inflação, pode haver um valor maior do que o previsto de desembolso. Historicamente, a inflação tem gerado créditos futuros. Mas atualmente, a indústria não vinha introduzindo o risco de inflação, que era praticamente um indicador descartado nas economias desenvolvidas.

Uma taxa de inflação de 3% poderia causar um forte impacto nas contas das resseguradoras. Além do valor financeiro, geralmente em economias com um período de inflação mais longo, a ocorrência de sinistros é maior, afetando mais severamente as contas financeiras das companhias.

A Towers mostrou no evento um estudo interessante, segundo divulgaram as agências internacionais. Quando a inflação chegou em 3,4% em 2000, o índice de sinistralidade em 2002 chegou a 99% nas linhas de ramos elementares. Quando em 2002 a inflação teve baixa para 1,6%, a sinistralidade caiu para 73% em 2004.

O que acontecerá com a SulAmérica?

1225389742zjo49p1O dia começou com diversas notícias relevantes. A Chubb dobrou o lucro líquido no mundo; a Allianz é contratada pela Shell; a Mapfre venceu licitação da Repar, refinaria controlada pela Petrobras, para fornecer seguro de riscos de engenharia.

Começou o VIII Seminário da ABGR, que trouxe debates interessantes sobre o resseguro. Também teve início em Baden Baden, nome da cidade no sul da Alemanha, conhecida como refúgio dos milionários alemães, o 25º encontro de resseguradores, que aponta um cenário extremamente favorável para a indústria de seguros em 2010.

No início da noite, a seguradora canadense Fairfax inaugurou no Brasil o seu braço de resseguros, a Odyssey Re, com escritório na alameda Santos, em São Paulo, onde é vizinha da Swiss Re, e aguarda a aprovação da Susep, que voltou a ter um ritmo lento à espera da contratação de novos funcionários. Fato que acontecerá se o presidente Lula assinar a autorização.

Todas estas notícias foram esquecidas pelo anúncio internacional da venda de todos os ativos de seguros do grupo holandês ING. O que acontecerá com a SulAmérica? Esta foi a pergunta mais pronunciada nesta segunda-feira entre os executivos que trabalham com seguro. Afinal, trata-se de uma das seguradoras mais querida do mercado.

A resposta vinda da empresa foi inócua. “Trata-se de uma decisão do ING com a Comissão Europeia”. “É um plano de reestruturação deles”. Não poderia ser diferente. A questão vem sendo debatida há muitos anos. Mas o fim da parceria da centenária seguradora com o Banco do Brasil, anunciada em outubro, colocou mais lenha na fogueira. Hoje, com o anúncio da venda de todas as operações de seguros mundialmente pelo ING, sócio do grupo que tem no comando o herdeiro Patrick Larragoiti, a SulAmérica liderou as rodas das conversas.

Segundo nota do ING, atendendo às recomendações de reestruturação contidas em um acordo fechado junto a Comissão Européia, o grupo será divido em duas partes: operações bancárias e operações de seguros. As atividades de seguros e de gestão de investimentos serão vendidas e os recursos obtidos serão usados para reduzir a alavancagem e adequar o capital do grupo as padrões de Basiléia.

Tal separação dos ativos deverá ocorrer até 2013, mas depois disso o balanço deverá ser 30% menor do que o apresentado no início da crise. Paralelamente, o grupo fará um aumento de capital de 7,5 bilhões de euros (US$ 11,2 bilhões) para pagar parte dos 10 bilhões de euros que recebeu de ajuda do governo holandês durante a crise financeira.

Os investidores parecem não ter gostado do anúncio. As ações do grupo apresentavam forte desvalorização na bolsa ontem. No Brasil, a questão era sobre o que acontecerá com a SulAmérica sem o sócio e quem poderia comprar a participação do ING na seguradora.

O ING, através do ING Insurance International BV, possui uma participação de 21,18% na SulAmérica, sendo 12,78% das ações ordinárias e 31,55% das preferenciais. Tem também participação no capital da Sulasapar Participações, que por sua vez possui 59,45% do capital votante da SulAmérica, o que representa 32,84% do capital total da seguradora.

Com certeza a resposta a esta questão virá em breve. O mercado de seguros é a bola da vez para os investidores e a SulAmérica é uma boa porta e entrada para aqueles que querem participar deste mercado. No passado, entrar no grupo seria um risco e tanto, diante da falta de transparência de informações e um sofisticado emaranhado de participações acionárias cruzadas.

Mas desde que foi para a bolsa, o grupo vem aprimorando a governança corporativa e tem focado suas atividades em ramos que busca eficiência. O resultado pode ser conferido no lucro liquido apresentado nos últimos dois anos e na alta das ações da empresa na Bovespa. Desde o início do ano as ações estão valorizadas em 160%. É esperar para ver.

Resseguro foi tema da abertura da VIII ABGR

images31Uma grande expectativa de melhora no cenário do resseguro em 2010 deu o tom da abertura do VIII Seminário Internacional de Gerência de Riscos e Seguros, evento tradicional promovido pela Associação Brasileira de Gerenciamento de RIsco (ABGR), patrocinado pelas seguradoras, corretores e resseguradoras e que teve início hoje e termina na quarta-feira, em São Paulo.

Um fato que todos lamentam é o país ter esperado tantos anos pela abertura do mercado de resseguros e quando ela efetivamente aconteceu, em abril de 2008, o mundo é abalado por uma crise financeira sem precedentes. “Afortunadamente, no Brasil a crise chegou mais tarde e mais leve. Assim, o País sai da crise antes do que outros países”, diz Andres Holownia, presidente da ABGR e gerente de riscos da Scania.

Todos concordam que o Brasil é o país do momento e que a abertura de resseguros dá mais brilho e sustentabilidade ao mercado. No entanto, os executivos são unânimes em afirmar que é preciso melhorar algumas regras e procedimentos. “Esta abertura, ainda que imperfeita, com um complexo sistema de diferentes tipos de resseguradores, restrições e exigências, precisa ser aprimorada para atrair a farta capacidade de capital que o Brasil precisa diante de um potencial tão relevante de crescimento para os próximos anos”, acrescenta Holownia.

Segundo o Banco Mundial, o Brasil pode se tornar a quinta maior potência do mundo até 2016. Hoje, o país ocupa a décima colocação no ranking das maiores economias do mundo. Segundo o presidente Lula, em seu discurso no “Café da manhã com o presidente” hoje, o Brasil terá de se esforçar muito para que esta previsão se torne realidade.

O mercado de seguros também terá de continuar se esforçando para que os efeitos positivos da abertura do resseguro sejam efetivados. Felipe Smith, diretor de grandes riscos da Tokio Marine, disse se sentir frustrado com a abertura. “A nossa expectativa era ter mais produtos, mais capacidade e preços mais acessíveis logo no primeiro ano de abertura para ofertar aos nossos corretores e segurados. Mas não é bem este cenário que estamos vivenciando com quase um ano e meio de mercado livre e quase 70 resseguradores instalados no País”.

Segundo o executivo da Tokio, grupo japonês que tem três braços de resseguros no Brasil, sendo duas resseguradoras e o Klin, um dos maiores sindicatos do Lloyd’s of London, o que se vê hoje no Brasil são produtos que já estavam disponíveis no mercado brasileiro e eram pouco comercializados. “Como o POSI, um seguro para proteger os diretores de empresas envolvidos em emissões de ações”, comentou durante a abertura do evento da ABGR.

Os palestrantes citaram outros problemas, além da falta de produtos. “Temos uma série de ações que precisam ser tomadas para atrair um número maior de resseguradores para o Brasil”, diz Francisco Pinho, executivo da Aon Benfield Re. Seu concorrente, Eduardo Hussen, executivo do grupo Marsh McLennan, que tem corretoras na área de seguros e de resseguros, concorda. “Nosso grande desafio é como atrair resseguradores internacionais. Apesar do grande número já instalado no Brasil, ele significa menos de 50% dos resseguradores mundiais”, enfatiza.

Segundo avaliação de números divulgados pela Superintendência de
Seguros Privados (Susep), dos 67 resseguradores listados no site da autarquia, os cinco locais têm 85% do prêmio de R$ 2,4 bilhões dos prêmios de resseguro até agosto. Mesmo com tantas resseguradoras, Pinho acredita que o Brasil enfrentará dificuldades para fazer a colocação de riscos facultativos em razão de a legislação limitar a atuação dos resseguradores eventuais, geralmente empresas especializadas em nichos de negócios complexos e de riscos vultosos.

“A legislação para eventuais já foi flexibilizada, mas é preciso um pouco mais de estímulo para que estes resseguradores eventuais se interessem mais pelo Brasil”, diz Pinho. A Petrobras é um dos clientes que precisa encontrar mais capacidade para a colocação de seu milionário contrato de resseguros. Segundo um executivo da Petrobras, o contrato foi prorrogado em razão da necessidade de buscar uma capacidade acima da que estava disponível no mercado brasileiro para riscos facultativos.

A redefinição da estratégia das seguradoras brasileiras dentro deste momento de crise e de consolidação do mercado brasileiro de seguros também é um dos fatores que frustrou os compradores de seguro. “Alguns clientes se queixam da falta de oferta, mas acreditamos que este novo cenário do setor estará definido em 2010”, diz Pinho, da Aon.

No entanto, uma simples volta na feira que acontece paralelamente ao evento, se nota a falta de interesse de seguradoras locais. Apenas a Allianz, Itaú, Tokio Marine e J.Malucelli tinham estandes no evento, em um local pequeno e dividido com corretores como Marsh e Aon, além dos prestadores de serviços da indústria de seguros. Na última edição, Bradesco, SulAmérica e Mapfre disputavam a tapa cada milímetro da feira de exposição.

Para Jacques Bergmann, executivo que deixou o grupo Itaú no início deste ano para montar a operação da seguradora canadense Fairfax no Brasil, elogiou a abertura e enfatizou que ela foi feita da melhor forma que pode e que como acontece em todos os mercados requer aperfeiçoamentos. Principalmente na parte tributária.

Segundo os palestrantes, é preciso definir melhor a tributação do mercado de resseguros, pois está havendo bitributação dos contratos de seguro. Também é importante avaliar as regras de solvência das seguradoras. “Muitas vezes o banco não está preparado para fazer a operação de câmbio para as seguradoras por falta de uma regulamentação mais clara e isso acaba gerando risco de oscilações das moedas. Esta situação pode afetar a capacidade de subscrição das seguradoras”, comenta Bergmann.

Fazer o repasse de riscos para seguradoras cativas de clientes também se tornou um problema na indústria de seguros. Antes da abertura do resseguro, esta operação, conhecida como fronting, era disputada pelas seguradoras, uma vez que o risco de crédito era nula por ser o IRB Brasil Re, detentor do monopólio nos últimos 69 anos, ser controlado pelo Tesouro Nacional.

Com a abertura, as seguradoras passaram a ter o risco de crédito da operação de resseguro e isso praticamente inviabilizou os contratos de fronting. Segundo os seguradores, é difícil calcular o preço de uma operação de fronting, principalmente em um momento onde a crise ainda pode esconder surpresas. Diante do risco, a opção tem sido não atuar neste tipo de operação.

Afinal, ninguém quer arriscar fazer parte dos grupos que foram engolidos pela crise, como AIG, Lehman Brothers e outros 101 bancos americanos. Ou memso o grupo ING, que anunciou hoje que venderá das operações de seguros no mundo para pagar o empréstimos de 10 bilhões de euros que teve de solicitar ao governo holandês. “As empresas que sobrevirão a esta crise não são as maiores e sim as que se adaptarem mais rapidamente às mudanças”, diz o executivo da Marsh.

Allianz está pronta para 2010, diz Max Thiermann

images22010 promete ser um ano e tanto para a indústria de seguros. E a Allianz já está pronta para surfar a onda do crescimento do Brasil, considerado por economistas e investidores como o lugar para se estar investido nos próximos anos. “Para 2010, as oportunidades acontecerão em diversos ramos, desde o automóvel até o grande risco”, diz Max Thiermann, presidente da Allianz (foto).

Segundo o executivo, o mercado de seguros tem passado por grandes transformações, desde as proporcionadas pelo crescimento do País até mesmo por sediar mundiais como a Copa 2014 e Olimpíadas 2016. Aliada a este cenário, a indústria de seguros tem vivido um forte movimento de fusões e aquisições, concentrando ainda mais o setor. “É natural que os principais atores do setor estejam realinhando-se. Existem seguradoras que atuam e têm interesse nos dois segmentos, pessoas e bens patrimoniais, como é o caso da Allianz Seguros”, diz.

Em automóvel, segundo Thiermann, a carteira da Allianz tem apresentado crescimento bem acima da média de 12% do mercado. “Até setembro, registramos alta de 32%, principalmente devido à expansão das vendas em regiões como Nordeste, Sul e Centro-Oeste. Além disso, permanecemos entre as líderes em Minas Gerais. Nossa expectativa é de encerrar 2009 nesse mesmo patamar”, informa.

A Allianz manterá a estratégia de ampliar a participação regionalmente em 2010. Em seguro rural, um nicho de mercado que a Allianz tem priorizado, o alvo será oferecer soluções completas de seguros para os pequenos produtores. A carteira de Saúde dará foco aos seguros para micro, pequenas e médias empresas.

Como a atividade seguradora permeia todos os setores da economia, diz, o desenvolvimento do nosso mercado será intenso com o Mundial de 2014 e com os jogos olímpicos no Rio de Janeiro em 2016. Para a Copa, já anunciaram que a grande maioria dos investimentos será destinada para infraestrutura, que consumirá recursos entre R$ 80 bilhões e R$ 100 bilhões. Vale destacar as obras que se destinam à mobilidade urbana (metrôs, corredores de ônibus, estacionamentos, entre outros), assim como a melhoria e ampliação das malhas viária, ferroviária e aérea, além da expansão da rede hoteleira.

A área de grandes riscos, segundo ele, está mais do que preparada para conquistar os seguros provenientes das obras de infraestrutura que serão necessárias para garantir a realização da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016. “A reativação da economia e as obras do PAC também vão aquecer o mercado de grandes riscos. Produtos novos estão sendo estruturados por nossa seguradora para serem lançados no próximo ano”, afirma.

No entanto, o presidente da Allianz lembra que é importante dizer que os seguros que serão demandados para esses dois eventos esportivos não surgem às vésperas. Grande parte terá de estar praticamente pronto até 2013, quando acontece a Copa das Confederações. Diferentemente de outras obras, que têm um deadline flexível, a Copa e as Olimpíadas têm data mercada.

O seguro entra em ação já na etapa das licitações, pois para participar destas é necessário o Garantia do Licitante para os licitados, que cobre cerca de 10% a 20% do valor a ser contratado. Neste momento, as apólices mais demandadas são as conhecidas como Advanced Loss of Profit (Alop), para cobrir a perda de lucros esperados, caso haja atraso na obra em razão de dano material, também serão muito importantes para o mercado.

Outras modalidades do seguro garantia, como o de execução da obra, também farão parte das primeiras levas de investimentos para os eventos. Vários outros segmentos do setor de seguros serão beneficiados, tais como riscos de engenharia, no qual a Allianz é uma das líderes nacionais e líder internacional; responsabilidade civil e riscos operacionais, que abrange a operação portos, aeroportos, fábricas, usinas, entre outros. O seguro de entretenimento, que dá cobertura aos jogos e demais eventos paralelos que venham a ocorrer para aproveitar o intenso fluxo de turistas que o Brasil receberá também é um importante contrato para a indústria de seguros e para os organizadores.

Mudanças Climáticas – As mudanças climáticas também permanecerão no foco do grupo em 2010. O Grupo Allianz continua sua parceria com a Organização Não Governamental (ONG). “Nosso acordo com a WWF envolve a realização de novas pesquisas que serão compartilhadas com a sociedade”, garante Thiermann. Além disso, acrescenta, o grupo mantém sua política de reduzir suas próprias emissões de CO2 em 20% até 2012 e de investir € 500 milhões em projetos de sustentabilidade até o fim de 2010.

Até 2009, mais de € 350 milhões já foram investidos. No Brasil, o grupo tem promovido ações para estimular corretores e clientes a substituírem kit impresso e enviado pelo correio pelo Kit 100% digital, que envolve apólice e anexos. “Vamos dar continuidade à nossa política de disseminação do conhecimento por meio do patrocínio a pesquisas, realização de workshops, prêmio de jornalismo e do portal Allianz Knowledge Brasil, que traz amplo conteúdo sobre clima, Energia e CO2 e Segurança Automotiva.”

Chubb dobra lucro no trimestre

A Chubb Corp. mais do que dobrou o lucro líquido no terceiro trimester deste ano, comparado com o mesmo período do ano passado. Entre julho e setembro deste ano, a seguradora obteve ganho de US$ 596 milhões, enquanto no mesmo período do ano passado o resultado foi de US$ 264 milhões.

Enquanto o lucro subiu, as vendas de seguros recuaram 7%, tanto nos EUA como nas operações internacionais, segundo nota sobre o balanço financeiro do terceiro trimestre divulgada na última sexta-feira. No terceiro trimestre, os prêmios somaram US$ 2,7 bilhões, US$ 200 milhões inferior ao resultado do mesmo período do ano anterior.

Segundo informou John D. Finnegan, presidente e CEO do grupo, enquanto as condições da economia continuarem adversas, os prêmios sofrerão impactos negativos e a companhia continuará a manter sua política de subscrição dentro dos padrões de segurança. Ele também destacou que o bom resultado do grupo foi beneficiado pela fraca safra de furacões nos Estados Unidos neste ano.

Lloyd’s já conta com cinco sindicatos no Brasil

images7A operação do Lloyd’s of London, maior mercado de seguros do mundo, é considerada um sucesso no Brasil. Segundo Marco Antonio de Simas Castro, representante do Lloyd’s no Brasil, o escritório local já conta com cinco sindicatos, ou seja, empresas responsáveis pela subscrição de riscos de resseguros.

“É um ótimo começo. Estamos longe dos quase 80 sindicatos reunidos na matriz em Londres (foto), mas a plataforma do Lloyd’s Ásia, em Cingapura, por exemplo, já existe há 10 anos e tem 15 sindicatos com presença local. O Brasil com apenas um ano e meio já tem cinco sindicatos”, disse Castro em seu discurso durante o coquetel de lançamento do Liberty Syndicates, realizado em São Paulo, no último dia 21.

Além do Liberty Syndicates, com escritório em São Paulo e no Rio de Janeiro e representados por Florian Kummer e Fernando Paes, o escritório do Lloyd’s no Rio conta também com o Catlin Syndicate, com Cid Andrade e Daniel Melnik, o Kiln Syndicate, controlado pelo grupo Tokio Marine, tendo Marcelo Raposo como responsável, e o Marlborough Syndicate, com Mariana Gelbert Luz. O ACE Syndicate, com Hal Rubin, optou por ter escritório próprio em São Paulo.

“É uma facilidade para o corretor de resseguro ir a um local só para colocar os riscos. Esperamos que o número de sindicatos cresça e que o sonho de transformar o Rio em um pólo ressegurador da América Latina possa se concretizar”, finaliza Castro.

Brasil terá microsseguro tropicalizado

armando-vergilioO microsseguro no Brasil está sendo formatado de uma maneira que respeite as peculiaridades do País. Enquanto a renda anual conjunta dos 100 milhões de brasileiros (público-alvo daquele tipo de seguro) é de US$ 200 bilhões, 700 milhões de indianos e 1 bilhão de chineses sobrevivem com a renda conjunta de US$ 186 bilhões cada. Além disso, mais de 70% da população da Índia e da China é rural, ao passo que 85% dos brasileiros moram nos centros urbanos.

Só esta realidade faz com que o Brasil tenha a necessidade de criar um produto de microsseguro diferenciado. “A rede de proteção social que existe aqui, como o SUS e INSS, por exemplo, contribuem para essa diferença em relação aos outros países em desenvolvimento. São aspectos que foram consideradas no momento de definir o que é microsseguro. Ele atenderá a pessoas que recebem até três salários mínimos”, adiantou Armando Vergilio dos Santos Junior (foto), titular da Susep, em coletiva de imprensa realizada no Congresso da IAIS, realizado no Rio de Janeiro entre 21 e 23 de outubro.

Vergílio contou que existem duas propostas da autarquia para implementação do microsseguro no Brasil. As propostas serão apresentadas aos ministros Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome) e Guido Mantega (Fazenda) e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A primeira seria acoplar o produto (voltado para auxílio funeral) ao Bolsa Família, ao custo de R$ 1 por pessoa, e a operacionalização se daria como hoje acontece com o DPVAT. A segunda seria com a participação do setor privado, com subsídio do Estado na forma de incentivo fiscal. “Devemos pensar em uma solução para evitar que as companhias migrem da comercialização do seguro tradicional para os microsseguros em virtude dos incentivos”.

Este modelo difere do que é praticado mundialmente em seu formato, mas a essência está ligada com o programa oficialmente lançado hoje pela IAIS. A Iniciativa de Acesso ao Seguro (A2II) prevê a colaboração das entidades mencionadas acima na elaboração de uma “radiografia específica de cada País” e sugestões para mudanças regulatórias que permitam o desenvolvimento do produto na região. Regina Simões, responsável pela área de Microsseguro da Susep, afirmou que a iniciativa é de grande valia nos países onde não há sequer estrutura de um sistema financeiro.

O tema foi debatido por técnicos especializados. Além de Vergílio e Regina Simões, participaram Peter Braumüller (IAIS), Brigitte Klein (German Federal Ministry for Economic Cooperation and Development, BMZ), Craig Thorburn (Banco Mundial/CGAP) e Maya Makanjee (FinMark Trust, África do Sul).

A A2II é um programa global que terá apoio de agências internacionais de desenvolvimento e especialistas do setor financeiro, além de membros da IAIS. Eles vão trabalhar em conjunto para estimular o crescimento do mercado de microsseguros nos países. Em Uganda e Zâmbia é de 8% e na Etiópia é menos de 1%.

Brigitte Klein acrescentou que a iniciativa terá duração de cinco a sete anos e funcionará em parceria com os órgãos supervisores, que após esse período, poderão continuar com o trabalho sozinhos. Ela explicou que, hoje, a participação do microsseguro no mundo é insignificante, principalmente nos países mais pobres, mas a perspectiva é que ela cresça em no mínimo dez anos.

De acordo com Peter Braumüller, a ideia é que o programa beneficie, a princípio, 18 países selecionados pela A2II, dando preferência àqueles que representem lideranças em cada continente. “Dessa forma eles poderão difundir os resultados do programa entre os países fronteiriços”, afirmou.

Otimismo com Brasil marca abertura do IAIS

iaisO Brasil nunca viveu um momento tão positivo como este, segundo os participantes da 16ª Conferência da IAIS, que está sendo realizada esta semana no Rio de Janeiro e encerra-se no sábado. “Brasil é porto seguro para investidores”, disse Armando Vergílio, superintendente da Superintendência de Seguros Privados (Susep), aos mais de 500 participantes de vários países que participam do evento.

Além de ter sido o último País a entrar na crise e o primeiro a sair em razão dos sólidos indicadores macroeconômicos, o Brasil foi escolhido para ser o anfitrião de dois mundiais, a Copa em 2014 e as Olimpíadas em 2016. Dois eventos que vão impulsionar ainda mais o crescimento do Brasil e da indústria de seguros.

O secretário estadual de Desenvolvimento, Julio Bueno, mostrou o Estado do Rio de Janeiro como uma grande força industrial do País. De acordo com o secretário, de 2010 a 2012, cerca de R$ 126 bilhões serão investidos no estado, boa parte em razão dos dois maiores eventos esportivos do mundo, a Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016.

O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado, que representou o ministro Guido Mantega na abertura do evento, comentou algumas das principais realizações do Governo para o desenvolvimento socioeconômico do País, como os aumentos reais do salário mínimo, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o projeto “Minha Casa, Minha Vida”. “O Brasil voltou a crescer em todos os setores e, para 2010, esperamos atingir uma taxa de crescimento da ordem de 5%”, revelou.

Em virtude deste cenário, os investidores querem aportar seus recursos nas empresas brasileiras. “Prova disso são os vultosos aportes que estamos recebendo ultimamente”, acrescentou Vergílio. Realmente este fato pode comprovado pela demanda por emissões de papéis brasileiros, que têm ficado muito acima da oferta, seja pelo governo ou por empresas privadas.

Além dos recursos captados por emissões brasileiras, os recentes movimentos de fusões e aquisições no setor comprovam que a indústria de seguros é um lugar para estar investido nos próximos anos. Só em 2008, foram anunciadas mais de 13 intenções de fusões e aquisições importantes. Entre as mais recentes temos Bradesco e Odontoprev, Banco do Brasil com Mapfre e IRB Brasil Re e Porto Seguro com Itaú Unibanco.

Para acompanhar todas estas mudanças, Vergilio, citou os principais pontos da reestruturação pela qual a autarquia vem passando. “Realizamos grandes investimentos em nossa área de TI e mudamos para uma nova sede, mais moderna e adequada para abrigar nossos servidores”. Além disso, a Susep recebeu autorização ontem do governo para realização do concurso que criará 284 postos na Susep. “Esperamos que o novo organograma proposto, que contempla 34 cargos de direção, seja assinado em breve pelo presidente Lula”, antecipou.

O investimento em pessoas é um ponto importante para a Susep, uma vez que a autarquia adota um modelo de supervisão preventivo, baseado nos controles internos das empresas. “A principal mudança da Susep está em curso e é conceitual, pois queremos ser, cada vez mais, uma entidade de fomento do setor, moderna, forte e atuante, com foco no desenvolvimento com responsabilidade”, disse Vergílio.

Nelson Machado parabenizou a Susep pela condução do setor durante a crise, creditando à autarquia os méritos pelo bom desempenho do mercado. “A indústria do seguro passou incólume pela crise graças ao modelo de solvência adotado pelo órgão regulador. Temos que registrar esse feito e lembrar que o setor movimentou, em 2008, R$ 96 bilhões em prêmios, obtendo expansão de 15% e gerando mais de 200 mil empregos”.

Este modelo de fiscalização foi o responsável pelo mercado de seguros ter passado sem problemas pela crise financeira mundial que assolou várias economias. “O Brasil passou pelo momento mais crítico com robustez inimaginável e o mercado de seguros nacional mostrou extremo vigor, inclusive apresentando expressivo crescimento no primeiro semestre desse ano. Foi um período de reflexão para identificarmos novas oportunidades”, disse o presidente da Escola Nacional de Seguros, Robert Bittar.

E um país se faz por pessoas qualificadas. Por isso a importância da Escola Nacional neste momento em que o mercado de seguros começa a deslanchar, sustentando a economia brasileira. A Escola é a instituição de ensino qualificadora do mercado como um todo. “Sem ela não há mão-de-obra capacitada e, sem educação, não há crescimento do setor.” Na última década, mais de 34 milhões de brasileiros ascenderam de classe social. É um novo país de potenciais consumidores de seguros. Para atender a essa nova classe compradora, Bittar acredita que o corretor de seguros tem papel fundamental. “O corretor é o grande sustentáculo de crescimento do setor, pois pode identificar nichos pouco explorados e conferir capilaridade ao seguro”, afirmou.

Liberty Syndicates desembarca no Brasil com a proposta de facilitar a contratação de resseguro

images8“Deus é realmente brasileiro”, disse ontem Nick Metcalf, CEO mundial da Liberty Syndicates, durante coquetel de lançamento das operações do grupo no Brasil. “Além de todos os indicadores econômicos positivos, com projeção de crescimento de 5% do PIB – muito acima do projetado por países da Europa e Estados Unidos — uma população de quase 200 milhões de habitantes, ser um grande fornecedor da China, o país ainda foi escolhido para sediar a Copa em 2014 e as Olimpíadas em 2016. São razões de sobra para investirmos no Brasil”, disse a uma refinada plateia composta pelos principais executivos de seguradoras e corretores com operações no Brasil.

Segundo Metcalf, a Liberty Syndicates chega ao Brasil e na América Latina trazendo a experiência acumulada pelo Lloyd’s nos últimos três séculos de história. “Vamos agregar valor ao mercado para que as seguradoras possam ofertar apólices de seguros diferenciadas e por um custo acessível aos seus clientes”, diz o executivo, que veio ao Brasil para o lançamento da operação.

Este é o terceiro anúncio do Grupo Liberty Mutual, um dos maiores grupos seguradores dos EUA, no Brasil nos últimos 18 meses, considerando a compra da seguradora Indiana e a entrada da Liberty International Underwriters (LIU) em fevereiro deste ano. O sindicato 4472 foi criado a partir da fusão de dois sindicatos no Lloyd’s, sendo o primeiro estabelecido no mercado londrino de seguros em 1994. Em 2008, o sindicato movimentou prêmios de (libras) 950,9 milhões e obteve lucro líquido de (libras) 131 milhões.

O início da operação da resseguradora Liberty Syndicates, um dos maiores entre os 75 sindicatos de 200 países que atuam dentro do Lloyd’s of London, principal mercado de resseguros do mundo, veio agregar valor às seguradoras e corretores neste momento em que a abertura do resseguro do Brasil ainda caminha entre erros e acertos, como mostra a concentração de 80% dos negócios ainda com o IRB BRasil Re, que deteve o monopólio de resseguros por 69 anos, mesmo com a presença de quase 70 resseguradores no País desde a abertura em abril de 2008.

Segundo Florian Kummer, gerente geral para a América Latina da nova companhia, a operação tem o objetivo de facilitar o dia a dia das seguradoras e dos brokers de resseguro e ampliar a oferta de capacidade de resseguros no mercado. “Nossa atuação será independente da Liberty Seguros. Vamos atender todas as seguradoras e brokers de resseguro do mercado brasileiro e latino-americano”, diz, ressaltando a rapidez do grupo na respostas as cotações. “Não fazemos todos os riscos, mas garanto que faremos o melhor nos nossos nichos de atuação e daremos uma resposta rápida.”

Com dois escritórios no Brasil, um em São Paulo e outro dentro das dependências da sede do Lloyd’s no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, a Liberty Syndicates administrará a operação na América Latina. A presença do grupo no Brasil e na América Latina se deve ao significativo crescimento da economia da região, que vai gerar uma forte demanda das empresas para protegerem seus patrimônios dos mais diversos riscos.

“Quanto mais a economia se desenvolve, mais bens há para se proteger. E ninguém quer se arriscar a perder negócios seja por danos materiais, pelas mudanças climáticas ou por riscos financeiros em um mercado globalizado”, exemplifica o executivo.

Dentro da filosofia do Lloyd’s, de expandir a operação de Londres para outros países, com contratos nas línguas nativas, o papel da Liberty Syndicates vai além da oferta de capacidade. “Somos um parceiro participativo dos brokers de resseguros e das seguradoras. Nossa proposta é estruturar e cotar os riscos que as companhias de seguros assumem de seus clientes, agregando valor em toda a cadeia de negócios, com contratos adaptados aos riscos do País e na língua portuguesa”, diz.

Segundo Marco Castro, representante do Lloyd’s no Brasil, o escritório local do mercado londrino já conta com cinco empresas. “Isto é um case de sucesso. Para se ter uma idéia, na Ásia temos 15 sindicatos nos dez anos de atuação naquele mercado”, disse durante o coquetel. A Liberty Syndicates tem dois escritórios em Londres e está presente também em Cologne (Alemanha), Madri (Espanha), Paris (França).

A Liberty Syndicates traz ao Brasil quatro divisões de negócios e coloca a disposição das seguradoras brasileiras farta capacidade de subscrição, com diferentes valores para as diversas linhas de negócios. “Além da vantagem do capital, a nossa equipe de regulação de sinistros é uma das mais respeitadas do Lloyd’s, o que nos permite ter parcerias duradouras com nossos parceiros e de sermos classificados pelo rating do mais tradicional mercado de seguros do mundo”, afirma Kummer.

Em resseguros, a Liberty Syndicates oferece contratos de resseguros e colocações de resseguros facultativos para danos a propriedade, crédito comercial, marítimo, terrorismo e acidentes pessoais, entre outras linhas de negócios.

A divisão de Linhas Contingentes, outra frente da operação, traz uma classe de negócios especializada na proteção contra riscos incomuns e complexos, uma das características do Lloyd’s. Um exemplo da especialização proporcionada por este produto é garantir a emissão de apólices que asseguram possíveis perdas em transações financeiras internacionais por mudanças políticas ou distúrbios sociais.

A linha para riscos marítimos traz como diferencial a especialização dos profissionais do grupo espalhados nos principais países envolvidos no comercio internacional. “Nossos subscritores são especializados em seguro marítimo de frotas mundiais de navios, facilitando a atuação das empresas no comércio mundial considerando-se as especificidades de cada mercado, inclusive de riscos de terrorismo”, diz.

A oferta de resseguro facultativo de riscos patrimoniais considera a segmentação dos riscos das seguradoras. Os especialistas da Liberty Syndicates estão habilitados para mensurar o comportamento das carteiras em diferentes nichos de negócios. “Com uma análise correta dos riscos a que estão expostas é possível cobrar um preço justo e ter as coberturas que realmente são necessárias aos clientes brasileiros por um preço mais justo”, explica Fernando Paes, executivo da empresa.

Copa e Olimpíada vão render gordos contratos*

*Matéria feita com exclusividade para o especial de Seguros do Jornal Valor Econômico, que circulou no dia 19 de outubro, Dia dos Securitários

Copa 2014. Olimpíada 2016. Bilhões em investimentos potenciais. Investidores em busca de proteção para os riscos inerentes aos contratos milionários. É um cenário apetitoso. Mas como todo setor que vive de lucros, as seguradoras apostam onde têm quase certeza de que sairão vencedoras. E isso vale desde as apólices que custam alguns reais como para o seguro incluído no ingresso para garantir despesas médicas hospitalares em caso de acidentes dentro do estádio. Ou mesmo planos que custam alguns milhões para garantir desde o projeto até a operação do trem bala no trajeto Rio de Janeiro a São Paulo, orçado em mais de R$ 20 bilhões.

A Fifa, por exemplo, um dos principais clientes das seguradoras no mundo, negociou coberturas para proteger-se de eventuais prejuízos com o investimento na Copa da África do Sul durante meses. As seguradoras só aceitaram fazer o seguro depois de realmente comprovado que o país conseguiria fazer as reformas necessárias para o mundial dentro do cronograma estabelecido. Mesmo assim, o contrato tem coberturas limitadas, exclusões e custou caro. O prejuízo gerado pela greve dos funcionários do setor de construção civil em agosto, por exemplo, consta das exclusões previstas.

“Ter os Jogos Olímpicos, com investimentos previstos na casa dos R$ 90 bilhões, e que certamente precisarão de seguros, é uma notícia e tanto para as seguradoras”, comemora Patrick Larragoiti, presidente da SulAmérica. Além de se preparar para conquistar os grandes contratos, a seguradora está desenvolvendo novos produtos e serviços. “Estamos criando coberturas interessantes para os estrangeiros que virão para o Brasil, como assistência 24 horas”, acrescenta.

A Bradesco também já começou a investir em produtos. Segundo Carlos Eduardo Corrêa do Lago, diretor gerente da Bradesco Auto/RE, o grupo criou um comitê responsável por estudar a experiência de outros países com a realização de mundiais e já prepara produtos específicos para as necessidades dos participantes.

Assim como as seguradoras já começaram a desenvolver produtos, os segurados devem pensar o quanto antes no assunto. A primeira dica dos corretores de seguros acostumados com a cobertura de grandes eventos é antecedência. Para a realização da última Olimpíada, realizada no ano passado na China, a seguradora PICC Property and Casuality Company Limited (PICC P&C), a maior seguradora estatal de ramos elementares do país sede, fechou o primeiro acordo em 2005. Ou seja, três anos antes da abertura oficial do evento.

O comitê organizador da Olimpíada em Londres, em 2012, por exemplo, contratou a corretora inglesa JLT em 2006 para mapear os riscos envolvidos na realização do mundial. “A indústria de seguros é uma importante peça dentro de eventos dessa grandeza, uma vez que ajuda a prever riscos e sugere formas de mitigá-los.

A antecedência é a senha para obter preços melhores, assim como as franquias devem ser vistas com muita atenção, pois são uma ferramenta importante para se compatibilizar necessidades de coberturas com os orçamentos disponíveis”, diz Marcio Correia, da Miller Insurance, corretora responsável pela colocação do seguro dos Jogos Panamericanos realizados no Brasil em 2007.

O segundo conselho é fazer um raio X dos riscos envolvidos nos investimentos. “Fazer o mapeamento possibilita mitigar e gerenciar os riscos e assim saber decidir o que é mais vantajoso assumir, ter garantias ou transferir para as seguradoras”, diz Fernando Pereira, vice-presidente da Aon Risk Services, uma das maiores corretoras de seguros do mundo.

Há muitos riscos envolvidos nos grandes contratos, principalmente nos de infraestrutura. “Temos de levantar prejuízos que podem ser causados pela realização do evento, desde a parte ambiental, o relacionamento com o público, o nível de contrato que terá com prestador de serviço”, cita Marcelo Elias, diretor da Marsh McLenann, que disputa com a Aon cada milímetro do mercado mundial de corretagem e consultoria em seguros. A partir dessa etapa é que o investidor fará uma concorrência para contratar uma seguradora para fazer a administração e gestão do programa de seguros.

Geralmente o valor investido em seguros em grandes contratos gira em torno de 0,5% e 1% do valor da importância segurada. Essa é uma mera média do mercado, pois contratos como esses são feitos sob medida e não existe um igual ao outro. Tudo dependerá do risco, da disposição e do capital dos resseguradores em assumir riscos.

Estudos prévios usados por gestores públicos e privados, ligados aos eventos, apontam para valores entre RS$ 60 bilhões e R$ 110 bilhões, especialmente na área de infraestrutura, sem considerar gastos na construção e modernização de estádios para a Copa 2014 e outros R$ 30 bilhões para a Olimpíada no Rio de Janeiro.

Além desses investimentos, a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) avalia investimentos em nove áreas: mobilidade urbana, como investimentos em metrôs, corredores de ônibus e estacionamentos, portos, aeroportos, telecomunicações, energia, saneamento básico, rede hospitalar, rede hoteleira e segurança. Como nenhum aeroporto do país está pronto para receber os 500 mil turistas esperados para o evento, segundo cálculos do Ministério do Turismo, há necessidade de uma participação maciça da iniciativa privada na ampliação de terminais e construção de novos aeroportos.

Como o Brasil vai virar um canteiro de obras, as primeiras apólices a serem cotadas são as que dão garantia que os contratos serão cumpridos e também as de risco de engenharia, assegurando prejuízos causados durante a execução das obras. Alexandre Malucelli, vice-presidente da seguradora JMalucelli, líder do mercado de seguro garantia, diz que os Jogos Olímpicos terão, isoladamente, condições de ampliar em 70% o volume de receitas geradas por apólices desse tipo.

“Uma realização como a Copa do Mundo provoca impactos em toda a comunidade onde é sediada, com reflexos de curto, médio e longo prazos”, diz Virgil de Souza, diretor da área de garantia da Liberty International Underwriters (LIU), divisão de grandes riscos do grupo Liberty Mutual, empresa que participa da Olimpíada de Londres 2012.

Além dos seguros envolvidos nos contratos privados, há várias apólices de seguros que são exigidas pelos organizadores. Entre as principais coberturas estão as de responsabilidade civil para indenizar terceiros prejudicados com a realização do evento, seja por produtos, profissionais tercerizados ou funcionários, montagem e desmontagem de estruturas e equipamentos. Estão cobertos riscos por contaminação de alimentos, direitos autorais, segurança e serviços médicos, bem como cobertura de acidentes pessoais para os atletas previstos na participação do evento.

Uma apólice importante é a da não realização do evento, conhecida como “no show”. Se os espectadores de algum dos jogos, por exemplo, ficarem impossibilitados de chegar ao local ou os jogadores ficarem impedidos de jogar, os custos da promotora com a devolução do valor do ingresso ou de agendamento de uma nova data, corre por conta do seguro.