Bill inaugura temporada de furacões no Atlântico

images11A temporada de formação de furacões no Atlântico, entre junho e novembro, tem o seu primeiro evento depois de quase dois meses em razão do El Nino, que inibe a formação de furacões no Atlântico, levando-os para o oceano Pacífico. Depois das tempestades Ana e Claudette, veio o Bill, que ganhou força e já passou da categoria 2 do último dia 17 para a categoria 4 nesta quarta-feira, segundo informou o National Hurricane Center dos Estados Unidos. Bill está nas ilhas Bermudas, com ventos de 215 quilômetros por hora e poderá ganhar ainda mais intensidade.

Os especialistas prevêem a formação de até três furacões nesta safra. Apesar de reduzido número, os estragos que eles podem causar são incalculáveis. O furacão Katrina foi responsável pelo maior prejuízo financeiro em 2005. Segundo cálculos da Swiss Re, só esse furacão gerou perdas econômicas superiores a US$ 135 bilhões, sendo US$ 40 bilhões indenizadas pelas seguradoras, superando o furacão Andrew, ocorrido em 1992, com indenizações de US$ 22 bilhões e os atentados terroristas de Nova York, em 11 de setembro de 2001, com US$ 21 bilhões.

A principal preocupação das seguradoras está com o Golfo do México, local de grande concentração de plataformas de petróleo, que consumiu metade das indenizações do Katrina. O setor de energia, que engloba riscos de petróleo, embarcações e mineração, movimenta prêmios anuais de US$ 4 bilhões.

A grande perda aconteceu em 2005, com a ocorrência de quatro furacões – Katrina, Rita, Wilma e Dennis-, com intensidade elevada. Mas foi o Katrina que causou boa parte das perdas de US$ 20 bilhões registradas no Golfo do México nas plataformas de petróleo. O efeito foi a saída de várias seguradoras do ramo, aumento do preço do seguro e conseqüentemente a redução de capacidade de capital para segurar os riscos.

Curiosidade – Os nomes dos furacões são retirados de uma lista de mais de 100 nomes, que são repetidos em um ciclo de 6 anos. Segundo explicam os especialistas, os nomes dos furacões e das tempestades tropicais são dados sempre que seus ventos atingem 62 quilômetros por hora.

Quando um furacão causa danos excessivos seu nome é retirado da lista. Isso já aconteceu com mais de 60 nomes, entre eles o Katrina.

O nome Bill foi utilizado em junho de 2003. A tempestade tropical Bill que devastou o estado norte-americano da Louisiana em junho causou prejuízos de US$ 22 milhões para as seguradoras e pelo baixo custo, o nome Bill permaneceu na lista de nomes de furacões e está agora sendo usado novamente.

Cerca de 5 mil moradores pediram indenização por danos causados às suas residências atingindo o montante de US$ 9,1 milhões. Além deles, 2.128 motoristas exigiram indenização por ferimentos sofridos nos acidentes provocados pelas chuvas e outros 252 motoristas reivindicaram US$ 656 mil pelos danos aos seus veículos. Estas indenizações somaram US$ 5,1 milhões. Os prejuízos causados a 1.555 estabelecimentos comerciais custaram quase US$ 4,5 milhões em indenizações.

Classificação – Existe uma escala que mede o poder de destruição dos furacões a partir da intensidade dos ventos. A escala vai de 1 a 5, sendo o quinto grau o mais violento e arrasador. Segundo o site apolo11.com, somente três furacões categoria 5 atingiram a costa dos EUA no século passado: um deles, sem nome, atingiu a Flórida em 1935, Furacão Camille em 1969 e Furacão Andrew em 1992.

Categoria 1 – ventos entre 119 e 153 km/h
Categoria 2 – ventos entre 154 e 177 km/h
Categoria 3 – ventos entre 178 e 209 km/h
Categoria 4 – ventos entre 210 e 249 km/h
Categoria 5 – ventos maiores que 249 km/h

Banco do Brasil cresce em seguridade

O Banco do Brasil conseguiu recuperar o estatus de maior banco do Brasil e da América Latina por manter o pé no acelerador de crédito no auge da crise, como ordenava o presidente Lula. A estratégia ajudou o banco oficial a obter bons resultados, como um lucro líquido de R$ 4,063 bilhões no primeiro semestre, com alta de 0,6% em comparação com igual período do ano anterior.

A indústria de seguros traz mudanças para o BB, assim como o BB mudará a concorrência nos setores em que atua, principalmente automóvel. As quatro empresas de seguros que o BB possui – Brasilveículos, Brasilsaude, Brasilprev e Brasilcap, em parceria com sócios privados como SulAmérica, Icatu Hartford, a americana Principal, e mais a Aliança do Brasil da qual detém 100%, agregaram R$ 848 milhões ao lucro liquido do BB em equivalência patrimonial e receitas de serviços, incremento de 12% em relação a 2008.

Segundo informaram os executivos do BB ontem durante a divulgação dos resultados, a nova configuração da área de seguridade do banco está em andamento e deverá ser divulgada em breve. Negociações com novos sócios envolvem a espanhola Mapfre, a americana Principal e a SulAmérica, onde o BB pode vir a comprar a participação do holandês ING. O que já está sendo implementado é a venda de produtos por intermédio de corretores independentes, até então concentradas na corretora cativa da instituição.

Outra notícia de peso do dia também envolve o BB. Porto Seguro, Mapfre e SulAmérica perdem o canal de vendas da Nossa Caixa para a Brasilveículos.Segundo nota divulgada pela Nossa Caixa, comprada pelo BB, a Brasilveiculos passa a ter exclusividade nas vendas de seguros de veículos feitas nas agências da Nossa Caixa.

O acordo tem prazo de 12 meses a partir de hoje e terá como intermediário das operações a BB Corretora de Seguros e Administradora de Bens. Pela exclusividade na comercialização, a Nossa Caixa será remunerada mensalmente com base no total dos prêmios líquidos recebidos pela BrasilVeículos. Na nota, o percentual de participação nos prêmios não foi divulgado.

As mudanças reforçam a musculatura do BB em seguro de carro estimulam que outros bancos passem a priorizar o atendimento aos correntistas que hoje possuem seguro de carro em outras seguradoras. Um tema e tanto para as seguradoras independentes e os corretores priorizarem, principalmente com a tendência dos clientes em concentrarem seus negócios em uma instituição para obterem descontos em tarifas e produtos.

SulAmérica lucra R$ 188,4 milhões no semestre

canpoypmca4y7i2fca2f7ekhca2g8shwcak3ar19ca2zxpl2cafu9fxacae5085dcai5aaamcafxpsnhca6i1yfocalfvejaca3ozx45ca24lsixcaj4w593cafjaa7fcat65o2dca6yskn1cam061g9A SulAmérica divulgou lucro líquido de R$ 188,4 milhões no primeiro semestre deste ano, alta de 9,5%, recorrentes, em relação ao mesmo semestre do ano passado. A rentabilidade do patrimônio anualizada foi de 14%. A receita em prêmios de seguros chegou a R$ 4,1 bilhões, evolução de 12,8% na comparação com o primeiro semestre de 2008.

Os prêmios de seguro saúde – principal carteira da companhia com 50,7% do total de prêmios de seguros – aumentaram 9% no segundo trimestre alcançando R$1,1 bilhão, graças ao crescimento de 16,1% na carteira de seguro saúde grupal, cujo destaque foram as vendas para o segmento de pequenas e médias empresas, que registraram incremento de 21,8%. Os planos odontológicos tiveram evolução de 36%.

Na segunda maior carteira da companhia, a de seguro de automóveis, com 34,1% do total de prêmios de seguros, a receita cresceu 22,5% no segundo trimestre de 2009 ante ao mesmo trimestre do ano anterior, chegando a R$ 733,8 milhões. “O crescimento desta carteira reflete a reação positiva do mercado de automóveis às medidas de incentivo adotadas pelo governo, como a manutenção da redução da alíquota de IPI incidente sobre os veículos novos e redução na taxa básica de juros”, informou na nota o vice-presidente Corporativo e de Relações com Investidores da SulAmérica, Arthur Farme d’ Amoed Neto (foto).

A sinistralidade total da companhia no segundo trimestre foi de 76,5%. Na indústria de seguros, índice de sinistralidade significa o percentual de prêmios que é utilizado para pagar sinistros. No acumulado do semestre este índice foi de 74,4%. O índice combinado chegou a 101,1% no segundo trimestre, com aumento de 0,6 ponto percentual em relação ao segundo trimestre de 2008. No acumulado do primeiro semestre este índice ficou em 99,5%. E o resultado dos investimentos totalizou R$ 172,4 milhões no segundo trimestre com rentabilidade equivalente a 119,5% do CDI.

Lucro da Brasilprev cresce 22,5% no 1º semestre

carp4a9wcac331p3cad2j3d2caycbe3pcaa2eu2aca2o85bica8pvumsca2465uaca9j7alwcatj003ucafkqb6mcai83e3tcav7em3kca02d7zccaue6tnpcatvfg67cayfok21ca5ce2f6cadoll2wA Brasilprev registrou lucro líquido de R$ 115,6 milhões no primeiro semetre deste ano, 22,5% superior ao registrado nos primeiros seis meses de 2008. Os ativos administrados cresceram 27%, para R$ 23,3 bilhões. “Os números reforçam a boa atuação da Brasilprev que, mesmo num cenário desafiador, manteve crescimento consistente”, comenta o presidente da Brasilprev, Tarcísio Godoy (foto), em nota divulgada à imprensa.

A captação líquida da Brasilprev no primeiro semestre foi de R$ 2,1 bilhões, um aumento de 31,6% face ao resultado de 2008. Esse indicador representa todo o recurso arrecadado pela empresa nos planos PGBL e VGBL, menos os resgates realizados no período O PGBL registrou crescimento de 25,4%, para R$ 619,5 milhões, e o VGBL de 63,2%, para R$ 1,8 bilhão.

O índice de resgates dos produtos PGBL e VGBL totalizou 8,8% face a 13% do mercado como um todo. O investimento em educação financeira dos clientes e a rentabilidade dos fundos administrados são algumas das ações da empresa para ter um índice abaixo da média do mercado.

Seguradora representa 11% do lucro do Itaú

images4As operações de seguros, previdência e capitalização do Itaú Unibanco geraram resultado de R$ 620 milhões para o banco no segundo trimestre do ano e de R$ 1,1 bilhão no acumulado do semestre. Em lucro líquido recorrente, a seguradora do maior banco do Brasil obteve R$ 292 milhões no segundo trimestre do ano, abaixo dos R$ 324 milhões do primeiro trimestre. Segundo nota do grupo, o lucro líquido na comparação dos trimestres foi menor em razão, principalmente, de no primeiro trimestre ter recebido dividendos do IRB Brasil Re, no qual mantém participação acionária, e pelo desempenho menos favorável dos fundos de investimentos.

O lucro representou 11% do ganho de R$ 2,5 bilhões do banco no segundo trimestre. Deste valor, a operação de previdência aberta tem o maior peso, com R$ 192 milhões, seguida por seguro, com R$ 61 milhões e capitalização, com R$ 37 milhões.

O faturamento cresceu em todas as atividades em razão da fusão entre Itaú e Unibanco, anunciada em novembro do ano passado. Em seguros, os prêmios passaram de R$ 1,1 bilhão para R$ 2,8 bilhões nos semestres comparados. Em previdência, as contribuições evoluíram de R$ 3,5 bilhões para R$ 4,7 bilhões. Capitalização apresentou receita de R$ 507 milhões para R$ 752 milhões. A maior carteira do grupo em seguros é vida e acidentes pessoais, com 29,5% dos prêmios ganhos. O seguro automóvel é o segundo maior, com 23,9%, seguido por garantia estendida, com 16%, outros com 14%, risco patrimonial com 11%, e transporte com 3,8%.

A despesa de comercialização, geralmente baixa em seguradoras ligadas a bancos, é um item que chama a atenção na Itaú Unibanco, por representar praticamente um terço dos prêmios ganhos, com R$ 424 milhões no segundo trimestre. Os sinistros retidos somaram R$ 710 milhões. O índice combinado, que indica a eficiência dos custos operacionais em relação ao prêmio ganho, ficou em 90,7%.

A consolidação da fusão entre Itaú e Unibanco na área de seguros está praticamente finalizada, com as operações consolidadas no prédio antes ocupado pelo Unibanco, na avenida Rebouças. Tanto as operações da Unibanco Seguros, que ficavam no prédio da avenida Eusébio Matoso (do outro lado do rio pinheiros) como os que estavam no centro de operações do Itaú no Jabaquara, estão mudando neste mês de agosto para o novo endereço.

A maior parte dos produtos já foi reformulada, com destaque para os seguros de acidentes pessoais. Um dos produtos que ainda está sem rumo definido é o seguro saúde, que era administrado pela Unibanco. Apesar de a carteira contar apenas com apólices grupais, o Itaú não tem apetite pelo setor, que foi o responsável por dar prejuízo ao banco anos atrás, com o Hospitaú, hoje administrado pela Omint.

Lucro da Porto Seguro fica estável no semestre

A Porto Seguro registrou lucro líquido de R$ 136 milhões no primeiro semestre, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado. No segundo trimestre, a queda de 27,5% no lucro líquido, para R$ 67 milhões, foi decorrente do aumento de 1,5 ponto percentual no índice de sinistralidade total; da queda de 12,5% no resultado financeiro em função da queda da taxa básica de juros; e do aumento de 0,5 ponto percentual no índice de despesas de comercialização, principalmente pelo investimento em campanhas de vendas de seguros.

“No primeiro semestre de 2009 tivemos um ambiente de recuo da economia brasileira e a manutenção de forte concorrência, principalmente no produto automóvel. Embora o ambiente de negócios tenha sido adverso, os prêmios totais cresceram 10,1% no semestre, para R$ 2,5 bilhões, e os prêmios do produto automóvel cresceram 8,1%”, informa a seguradora.

O retorno sobre o patrimônio ficou em 13,5% e o índice combinado ultrapassou 100%, para 100,6%. No entanto, quando considerado o ganho financeiro, o índice combinado ampliado recua para 90,5%. O índice de sinistralidade aumentou 1,5 ponto percentual, para 58,6%, principalmente em decorrência do maior índice na Azul Seguros, que foi impactado, principalmente, pela maior freqüência de roubo e furto; da maior sinistralidade na carteira de seguros de pessoas, devido, principalmente, ao aumento da freqüência e da severidade.

Os prêmios da carteira de automóveis da Porto Seguro atingiram R$ 1,2 bilhão no semestre, 5,6% maior que no mesmo período do ano passado. Segundo o grupo, o aumento decorre, principalmente, do crescimento de 11,8% na quantidade de itens emitidos, parcialmente compensado pela redução de 5,6% no prêmio médio.
A frota de veículos segurados atingiu 1,6 milhão em junho de 2009 em relação aos 1,5 milhão em junho de 2008.

Na Azul, os prêmios de automóveis atingiram R$ 322,1 milhões, 19,7% maior, com aumento de 15,7% na quantidade de itens emitidos e do aumento de 3,5% no prêmio médio. A frota de veículos segurados aumentou 32,1%, atingindo 555 mil.

Segundo os executivos do grupo, com os sinais de recuperação da economia brasileira no segundo trimestre, o grupo acredita na continuidade da expansão dos nossos negócios. “Ratificamos a nossa orientação estratégica de compromisso com a qualidade dos nossos produtos e serviços e na busca contínua pela excelência no atendimento”.

AIG retorna ao lucro no 2º trimestre

A AIG, que ja recebeu US$ 180 bilhões do governo americano, obteve lucro líquido de US$ 1,82 bilhão no segundo trimestre deste ano, saindo do prejuízo líquido de US$ 5,36 bilhões anunciado no mesmo período do ano passado. Esse foi o primeiro lucro do grupo em seis trimestres. No primeiro semestre, a empresa registrou prejuízo de US$ 2,531 bilhões, menor do que os US$ 13,162 bilhões perdidos nos seis primeiros meses do ano passado. A receita saltou 48%, para US$ 29,5 bilhões no trimestre. O resultado é fruto da reestruturação do grupo, informa nota da companhia. Neste ano, a AIG ainda espera levantar US$ 8 bilhões com a venda de ativos. No Brasil, o grupo passou a chamar-se Chartis do Brasil.

Indústria de seguros avalia produtos sustentáveis*

neivalEnvolver governos, empresas e indivíduos em atitudes sustentáveis para se ter um mundo melhor do que aquele que cientistas têm projetado para 2100. Isso mesmo: 2100. Esta é a meta da indústria mundial de seguros, na qual o Brasil está inserido, segundo relato de profissionais reunidos no workshop “Mercado segurador e mudanças climáticas”, um dos debates realizados dentro do 3º Congresso Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável, realizado em São Paulo entre 4 e 6 de agosto.

Como será o clima no fim deste século? “É difícil prever, mas já é certo que os efeitos do consumo desenfreado, sem cuidados com o planeta, tem causado sérias mudanças climáticas”, diz Eduardo Mario Mendiondo, professor da USP dedicado a estudos sobre mudanças climáticas.

Segundo ele, o futuro será definido pelas políticas governamentais, sejam elas na esfera federal, estadual ou regional. “Há quem possa optar por investir no avanço considerável do PIB do que por gastos para prevenir catástrofes decorrentes dos efeitos que a industrialização sem sustentabilidade traz ao planeta”, acrescenta o estudioso, com experiência em apresentações de diversos cenários futuros a governantes sobre os efeitos da falta de investimento ou mau uso principalmente dos recursos hídricos.

Até o Brasil, um país até pouco tempo atrás livre da ocorrência de catástrofes naturais, entrou no circuito de furacões. “De uma década para cá, era impensável alguém dizer que haveria a formação de um furacão no Atlântico Sul em razão das condições da temperatura do oceano ser insuficiente para fornecer umidade necessária para a formação deste fenômeno da natureza. E veja só o que aconteceu em 2004, o furacão Catarina, o primeiro formado no Atlântico Sul”, disse Carlos Magno, da Climatempo.

No mundo todo, o assunto começou a ser debatido mais fortemente há cerca de cinco anos, conta Suhnny Sehgal, especialista de seguros do HSBC na área de sustentabilidade, sediado em Londres. Como se adaptar às mudanças climáticas é tema de estudo de diversas seguradoras internacionais, reunidas na Geneva Association, um dos principais fóruns de debate internacional. “O número de desastres foi enorme nos últimos anos e continuará a crescer”, diz o executivo do HSBC.

Segundo ele, a previsão é de que os atuais US$ 20 bilhões em custos com desastres naturais causados pelas mudanças climáticas cheguem a algo entre US$ 80 bilhões a US$ 120 bilhões entre 2010 e 2020. “Um aumento de quatro graus na temperatura pode trazer problemas em todo o mundo, como o abastecimento de comida, por exemplo. Ou mesmo o desaparecimento de regiões, como a Malásia, com o derretimento das geleiras, ou o desenvolvimento de doenças com a proliferação de mosquitos”, exemplifica o especialista, enfatizando a gravidade do assunto. “Os impactos climáticos atingem a todos e não apenas um local ou setor específico.”

Neival Rodrigues Freitas (foto), diretor da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), informou aos presentes que o tema tem grande importância para as seguradoras. Até o ano passado, o assunto era um tema isolado tratado no âmbito de uma comissão da FenSeg. Como o assunto passou a ter uma relevância maior, principalmente com a abertura do resseguro, está sendo formada uma comissão no âmbito da CNSeg.

“Na FenSeg o assunto abordava apenas seguros gerais. Agora irá englobar os impactos das mudanças climáticas também nas áreas de saúde, vida, previdência e investimentos”, disse Freitas. Segundo ele, a intenção é trazer especialistas para debater o tema e atuar junto à sociedade no desenvolvimento de processos construtivos. “Este trabalho vai continuar para contribuir com resultados mais efetivos num curto espaço de tempo.”

Cláudio Contador, economista da Escola Nacional de Seguros, disse que há pouco estudo sobre as catástrofes ocorridas no Brasil, o que dificulta a ação das seguradoras na análise de risco e formação de produtos específicos. “Mas estamos convergindo para estudar o assunto e assim entender melhor o efeito que as mudanças climáticas podem ter na sociedade”.

Fernando Moreira, presidente do HSBC Seguros no Brasil, ressaltou a participação do grupo inglês em levar informação para a sociedade e desta forma contribuir para um mundo mais sustentável. “Há nove anos este assunto se tornou prioritário para o HSBC, que tem um fundo com mais de US$ 100 milhões para promover ações que visam entender e influenciar a comunidade, os governos e as pessoas na adoção de atitudes sustentáveis.”

Os países mais comprometidos com em adotar medidas “verdes” estão na America Latina, sendo o Brasil um dos principais. Segundo estudos patrocinados pelas seguradoras mundiais, há várias tendências para mitigar os estragos econômicos devastadores causados pela mudança climática.

A primeira é a necessidade de reduzir as emissões de carbono. Esta etapa está numa fase adiantada, mas ainda requer o esforço de todos. Os protocolos entre os países desenvolvidos preveem a redução de CO2 em 80% até 2050, sendo algo entre 25% a 30% até 2018. Há um grande esforço, como mostrou o aquecimento do mercado de negociação de carbono no primeiro semestre do ano. Mesmo com a crise financeira, o volume de negociações de emissões de gases poluentes subiu 124%, chegando a 4,1 bilhões de toneladas de dióxido de carbono na primeira metade de 2009, em relação ao mesmo período do ano passado, informou a Point Carbon, uma das mais renomadas consultorias internacionais de mercado de carbono.

Brasil, Índia e China, países onde o crescimento deverá ser mais acelerado nos próximos anos, têm papel importante neste processo. “O Brasil principalmente, por meio da proteção das florestas”, diz Sehgal.

Outra tendência, segundo o especialista do HSBC, é que as mudanças climáticas trazem uma nova gama de indústrias preocupadas em oferecer soluções, como energia renovável ou tecnologia para a construção de ferrovias. “A indústria de seguros pode beneficiar estas empresas com produtos diferenciados”, sugere. Também pode criar produtos para os consumidores preocupados com o planeta, como o seguro de carro que reverte parte dos prêmios para organizações voltadas a reparar os danos já causados.

Muitos podem achar as profecias longínquas, mas recentemente vimos uma amostra de que o “sertão pode virar mar”, com diz a letra da música Sobradinho, de Sá e Garabira. Em maio, Teresina, no Amapá, ficou totalmente debaixo d’água depois de quatro meses acumulando águas em seus rios.

Segundo o meteorologista da Climatempo, há estudos que mostram que este é um efeito do desmatamento de grande área da região oeste da Amazônia, que vem ocorrendo nas três últimas décadas. “Isto tem provocado um deslocamento das chuvas para o nordeste. O Rio Grande do Sul, por exemplo, tem sofrido com secas. Imagina o impacto disto na distribuição de riqueza de um País?”, questiona Carlos Magno.

Diante deste cenário, a indústria de seguros tem investido milhões de dólares em tempo e recursos para a realização de estudos que possam ajudar a mitigar os riscos de um crescimento embalado pelo consumo desenfreado. Além de ajudar na prevenção, traria uma redução da exposição a perdas do próprio mercado de seguros, bem como transformar este problema em oportunidade. Segundo um estudo do Ceres (www.ceres.org), uma rede de investidores e organizações dedicadas ao crescimento sustentável, há mais de 650 produtos que podem ser ofertados pela indústria de seguros.

*matéria feita com exclusividade para o site www.cnseg.org.br

Swiss Re surpreende analistas ao divulgar perdas

A Swiss Re registrou prejuízo de 381 milhões de francos suíços no segundo trimestre deste ano, um resultado que surpreendeu analistas internacionais, que apostavam em uma boa performance da segunda maior resseguradora do mundo, tendo em vista os ajustes implementados deste o final do ano passado. Segundo nota do grupo, perdas com investimentos e ajustes no valor de ativos consumiram os esforços obtidos na subscrição de riscos.

O lucro operacional das operações de resseguros de ramos elementares subiu para 1 bilhão de francos suíços no segundo trimestre deste ano, acima dos 900 milhões registrados em mesmo período do ano anterior. O índice combinado melhorou, saindo de 91% para 89%. Já as operações de vida e saúde registraram perda operacional de 10 milhões de francos suíços, comparado com um lucro de 535 milhões de francos suíços em mesmo período do ano anterior.

Marsh destaca AL no resultado do semestre

O grupo Marsh & McLennan Companies (MMC), dono de uma das maiores corretoras de seguros do mundo, divulgou perdas de US$ 193 milhões no segundo trimestre deste ano. No mesmo período de 2008, o grupo divulgou ganhos de US$ 65 milhões. No acumulado do primeiro semestre, a perda registrada foi de US$ 17 milhões, comparada a um prejuízo de US$ 145 milhões no mesmo período do ano passado. O fraco desempenho, segundo nota do grupo, foi atribuído a perdas com investimentos e com a divisão Kroll, especializada em segurança. O faturamento também recuou 13%, para US$ 2,6 bilhões.

A América Latina, onde o Brasil tem forte presença, foi o destaque em termos de faturamento para a divisão de seguros e resseguros. Os negócios da Marsh neste segmento cresceram 9% na América Latina, enquanto na Ásia se manteve estável e em outros países registrou queda. O faturamento total do MMC com seguros e resseguros caiu 7%, aos US$ 1,1 bilhão no segundo trimestre e aos US$ 2,7 bilhões no semestre. Segundo comentou o CEO Brian Duperreault, a MMC “obteve uma boa performance no trimestre no que se refere a seguro e resseguro”.