Liberty faz seguro de turbinas de Jirau

liu2A Liberty International Underwriters (LIU), divisão de riscos especiais da Liberty Seguros, foi contratada para a emissão da apólice de seguro de transporte de parte das turbinas e subestações relacionadas que serão usados na construção da hidrelétrica de Jirau, uma das maiores obras do Plano de Aceleração do Crescimento do governo federal.

Segundo nota da empresa divulgada pela revista Apólice, a apólice, com prêmio no valor de US$ 1,1 milhão, terá vigência de 2 anos e 10 meses e prevê cobertura de US$ 335 milhões para danos ocorridos no deslocamento de 18 turbinas e subestações fabricadas na China e Coréia, respectivamente. A corretora responsável é a JLT.

A apólice contempla uma cobertura adicional de R$ 286 milhões para o caso de atraso no início das operações de Jirau decorrente de problemas no transporte dos equipamentos desde o fabricante até o local de instalação no Rio Madeira.

“Este tipo de cobertura não era aceito pelo IRB antes da abertura do mercado. Neste programa incluímos este novo clausulado que é amplamente aceito no mercado internacional e traz novas garantias para as empresas envolvidas no projeto”, diz Paul Conolly, diretor da LIU.

Conforme o roteiro de transporte das turbinas, os equipamentos serão embarcados em Xangai e descarregados em Manaus. De lá percorrerão trechos terrestres e em barcaças até a entrega final na Ilha do Padre, em Porto Velho (RO), onde acontecem, as obras. Serão 36 viagens que foram desenhadas nos mínimos detalhes. “Todo o deslocamento, que acontecerá ao longo dos 2 anos e 10 meses, será acompanhado por engenheiros marítimos da Liberty, especializados neste tipo de operação”, diz Conolly.

O executivo destaca que a Liberty assumiu 100% do risco, no seguro e resseguro. “A operação demonstra nossa capacidade e compromisso com os grandes riscos no mercado brasileiro”, diz o executivo. Segundo Conolly, a divisão de riscos especiais da Liberty está crescendo rapidamente no Brasil.

A unidade, que começou a operar no mercado local no primeiro semestre de 2009, fechou o ano passado com US$ 7,5 milhões em prêmios apenas no segmento de riscos de construção, operação e transporte. Este ano, a companhia projeta negócios da ordem de US$ 11 milhões , volume 46,5% maior que o do ano anterior. Na área de grandes riscos como um todo, que engloba também seguro garantia, D&O, e outras operações, o volume de prêmios foi da ordem de US$ 12 milhões. Para este ano, espera movimentar cerca de US$ 16 milhões para cobertura de riscos especiais no país.

Além de Jirau, a companhia participa no País de apólices de cobertura de riscos operacionais de grandes produtores da cadeia de óleo e gás, tem programas já firmados nas áreas de energia, transporte ferroviário e mineração.

Dia Continental do Seguro é comemorado hoje*

119553038290ozqs1*matéria do site da CNSeg (www.viverseguro.org.br)
O mercado de seguros comemora hoje, 14 de maio, o “Dia Continental do Seguro”. A data, instituída há mais de cinquenta anos para estimular a aproximação entre os profissionais de seguros das Américas, deve servir também para destacar a importância do seguro.

No Brasil, o mercado segurador, que fechou 2009 com 196 empresas em atividade, teve uma receita de R$ 109,25 bilhões em prêmios, contribuições e títulos de capitalização, apresentando um crescimento de 14,91% sobre o exercício imediatamente anterior. Em contrapartida, devolveu à sociedade, em forma de pagamento de sinistros, benefícios e resgates, R$ 39,7 bilhões, montante 11,41% superior ao de 2008, confirmando mais uma vez seu papel de fomentador do desenvolvimento econômico e social do País.

Nesse sentido, vale lembrar que ainda que o mercado nacional, ainda em 2009, aplicou R$ 306,1 bilhões em investimentos, 9,7% do PIB, uma clara demonstração do peso da atividade para a economia nacional.

Seguridade representa 15% do lucro do BB

bb-segurosO área de seguridade do Banco do Brasil (BB) participou com 15,2% do lucro líquido de R$ 2,35 bilhões divulgado ontem pela maior banco do País. O resultado do banco apresentou alta de 41,2% em relação a igual período do ano passado, estimulado principalmente pelo crédito. Considenrado-se efeitos extraordinários, como a venda da participação na Visa Internacional, reversão de passivos trabalhistas, planos econômicos e efeitos fiscais, o lucro líquido do trimestre fica em R$ 1,97 bilhão.

O objetivo do BB é elevar para 24% até 2012 a participação das operações de seguros, em parceria com a Mapfre, previdência em parceria com a Principal e em capitalização, tendo a Icatu como sócia estratégica. Para isso, o grupo finaliza a reestruturação iniciada há dois anos, faltando apenas a parte burocrática com a Icatu e o levantamento do preço do IRB Brasil Re para definir a compra da parte do Tesouro Nacional no ressegurador.

Com a casa em ordem no que diz respeito a seguridade, o próximo passo é avançar para a internacionalização da operação de seguros, que seguirá os passos dos banco, que acaba de adquirir o Banco Patagonia, na Argentina. A Mapfre, que é a maior seguradora da América Latina, agregará know how para o avanço do BB no mercado internacional.

Lucro da SulAmérica avança 10,5% no trimestre

sulamericaA Sul América divulgou na quinta-feira lucro líquido de R$ 109,6 milhões no primeiro trimestre do ano, 10,5% acima do mesmo período do ano passado. A receita total de prêmios de seguros avançou 14,3%, para R$ 2 bilhões, excluída nessa comparação a consolidação da subsidiária Brasilveículos, vendida para o Banco do Brasil por R$ 340 milhões em negociação anunciada no início do mês.

A venda da operação, centrada em seguro de carro, fez com que a participação do seguro saúde no total da receita do grupo aumentasse para 64%. Há grande expectativa no setor sobre a venda da participação de pouco mais de 20% do ING no capital da SulAmérica. O banco ING comprometeu-se com o governo holandês, que emprestou recursos ao grupo no ápice da crise financeira, de se desfazer das operações de seguros até o final de 2012.

A rentabilidade do patrimônio anualizada atingiu 17% no trimestre, segundo nota divugada pela SulAmérica, e os ativos totalizaram R$ 11 bilhões. O resultado dos investimentos chegou a R$ 167 milhões no trimestre com rentabilidade equivalente a 132,8% do CDI.

A carteira de seguro saúde chegou a prêmios de R$ 1,3 bilhão, com alta de 19,4% no trimestre, com destaque para o segmento de seguro saúde grupal, cuja receita cresceu 19%. A carteira de seguro saúde para pequenas e médias empresas apresentou expansão de 33,1% entre os trimestres comparados, e no seguro odontológico alta de 61,3%.

No segmento de seguros de automóveis, a receita de prêmios aumentou 22,3% no primeiro trimestre, superando o crescimento de 17,9% registrado no mercado no mesmo período, segundo dados da Susep. De forma geral, o mercado de seguros de automóveis vem registrando crescimento expressivo, reflexo da reação positiva às medidas de incentivo adotadas pelo governo, com a venda de veículos novos expandindo a taxa de 17,9% no trimestre, de acordo com a Anfavea.

A seguradora destaca ainda o crescimento de 12,5% na carteira de seguros de pessoas, impulsionada pelos produtos de VGBL (Vida Gerador de Benefícios Livres), cujos prêmios aumentaram 35,6%. No primeiro trimestre, o índice de sinistralidade total da companhia foi de 71,8%, melhorando 1,7 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2009, enquanto o índice combinado atingiu 98,5%.

Itaú Unibanco é a seguradora do Ponto Frio

incendioA Itaú Unibanco é a seguradora líder do grupo Globex, controlador do Ponto Frio que teve seu centro de distribuição destruído por um incêndio iniciado às 16 horas da quarta-feira. Segundo o professor da Funeseg Gustavo Mello e também sócio da corretora Correcta, do Rio, a Globex possui apólice de seguros multi-riscos, com cobertura global de R$ 470,7 milhões (estoques) e R$ 854 milhões para o prédio.

Contratos deste volume sempre contam com um amplo programa de resseguros, que é o seguro da seguradora. Desta forma, o prejuízo será diluído entre as participantes do contrato, que geralmente é pulverizado no mercado internacional por meio de contratos automáticos de resseguro.

A seguradora é especializada no atendimento em momentos de crise. Foi ela quem prestou toda a assessoria no acidente da Tam, em julho de 2007, com a morte de 199 pessoas, e também foi quem prestou atendimento no desabamento ocorrido nas obras da Linha 4 do Metrô, no canteiro da Marginal Pinheiros, em janeiro do mesmo ano.

Nos dois acidentes, a Unibanco Seguros, hoje Itaú Seguros, montou um plantão imediatamente no local, prestando todo o apoio necessário aos envolvidos no acidente. No caso da Tam, uma das primeiras providências foi contratar equipes especializadas no atendimento psicológico para ajudar os familiares das vítimas.

No desabamento do Metrô, a primeira ação foi prestar assistência aos familiares das pessoas que estavam desaparecidas e providenciar hotel, dinheiro, roupas, remédios e outras necessidades para todas as famílias que precisaram deixar as casas interditadas por motivos de segurança.

Neste caso do Ponto Frio, como não há feridos, o maior desafio é o plano de contigências para que a distribuição de produtos possa ser continuada a partir de parceiros estratégicos e assim evitar perda de lucro dos clientes do varejista.

Veja a seguir o comunicado distribuído pela assessoria de imprensa do Ponto Frio.

“O Ponto Frio informa que hoje, por volta das 16h00, teve inicio um incêndio no Centro de Distribuição da empresa localizada em Guarulhos, na Av. Papa João Paulo I, 5500. Não houve vitimas ou feridos. A equipe de segurança e prevenção foi acionada e atuou prontamente para que os colaboradores evacuassem o prédio. A empresa informa que trabalha de acordo com as normas de segurança vigentes e mantém o mais alto nível no controle de suas instalações para garantir a segurança e bem estar dos seus colaboradores. A rede já instituiu uma comissão interna para apurar o ocorrido e irá tomar todas as medidas cabíveis para minimizar o impacto desse incidente.Todas as compras já realizadas e futuras terão suas entregas garantidas pelos demais centros de distribuição do Grupo.”

Ritmo frenético para atrair recursos e reduzir riscos*

*matéria produzida com exclusividade para a revista Negócios em Infraestrutura, publicada pelo Jornal Valor Econômico no dia 11 de maio de 2010

As instituições financeiras correm para lucrar com a Copa do Mundo e a Olimpíada no Brasil. O ritmo dos executivos financeiros em torno dos dois temas está mais frenético que a rotina dos trabalhadores dos principais centros financeiros do mundo, como Wall Street em Nova York ou a City em Londres.”O Brasil deve ter um ‘boom’ de investimentos em infraestrutura, por isso os olhos dos investidores se voltam para as empresas brasileiras que podem ser beneficiadas com o crescimento do país”, diz Walter Mendes, superintendente de renda variável do Itaú Unibanco.

A gama de negócios é bem ampla. A participação de bancos e de seguradoras vai da estruturação de financiamentos para colocarem pé toda a infraestrutura para a realização dos jogos até o seguro que indenizará algum acidente com os torcedores – são aguardados 3,5 milhões nos 12 estádios. “Não há como estimar o volume de negócios”, afirma Bruno Garcia, gestor de renda variável do BNY Mellon ARX Investimentos. Mas são muitas oportunidades.

Na indústria de seguros, a expectativa é de uma receita extra de R$1 bilhão em contratos diversos. “Estamos preparados para ter no mínimo uma fatia de 10%”, diz Octavio Bromatti, diretor de grandes riscos da subsidiária da Mapfre, maior grupo segurador da Espanha e da América Latina em riscos patrimoniais.

O Itaú Unibanco fez um mapeamento dos negócios gerados pelos mundiais antes de lançar fundos temáticos. Com base nas Olimpíadas e nas Copas realizadas desde 1980 até hoje, o investimento dos países em sete anos gerou aumento de 1,4% no Produto Interno Bruto (PIB). “No Brasil, de acordo com os investimentos previstos pelo comitê organizador e pelo Ministério dos Esportes, a expectativa é de uma contribuição de 2,5% no PIB”,diz Mendes.

Para ter uma ideia do movimento, só em fevereiro deste ano, das seis ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) que aguardavam registro na Comissão de Valores Mobiliários, metade já trazia Copa, olimpíada e projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) como note. Somente as captações da Mills, empresa de estruturas para a construção civil, da eco rodovias infraestrutura e logística e da empresa de logística Julio Simões têm potencial para movimentar algo perto de R$ 4 bilhões.

Em infraestrutura, por exemplo, a Gerdau é claramente beneficiada pelo fornecimento de aço para os estádios e pela necessidades de melhorias em transporte, diz Alexandre Silvério, superintendente de renda variável do Santander. Mendes cita a fabricante de ônibus Marcopolo.Ela vendeu vários ônibus para a África do Sul. Imagine aqui no Brasil.

Por enquanto, os bancos preferem não dar detalhes sobre a estrutura dos financiamentos necessários para os projetos relacionados aos dois megaeventos. A expectativa mais comentada entre as instituições financeiras é de que haverá necessidade de algo próximo a R$ 130 bilhões em investimentos para a realização da Copa.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) instituiu dois programas para financiar os investimentos de Estados, municípios e da iniciativa privada voltados à Copa do Mundo de 2014, com dotação orçamentária de R$ 5,8 bilhões.

A certeza de que os jogos vão forçar o desenvolvimento da infraestrutura, num período em que o crescimento brasileiro tende a ganhar impulso, motivou o lançamento de fundos de investimentos. “Fizemos um ‘road show’ na Ásia e ficamos impressionados com o interesse dos investidores locais”, conta Silvério.Japoneses e coreanos – anfitriões da Copa de 2002 -, por exemplo, conhecem bem o potencial das oportunidades que eventos como esses trazem ao país.

O milagre de crescimento do Japão ocorreu na década de 70, posterior aos anos em que realizou os jogos olímpicos, lembra Mendes, do Itaú. Entre 1957, quando foi escolhido, até 1964, quando realizou a Olimpíada, o Japão gastou mais de 5% do PIB para se preparar. A experiência faz dos asiáticos os principais interessados nos fundos de investimentos criados pelos bancos brasileiros, compostos por ações de empresas que podem ser beneficiadas com a realização do Mundial.

Além da boa experiência, os japoneses são donos da maior poupança do mundo. Boa parte deles deixa o pé-de-meia da aposentadoria aplicado em produtos financeiros com taxa real de juros que chega a ser negativa. No entanto, com o aumento da expectativa de vida, precisam de alternativas com rentabilidade mais atraente.

E olham para o Brasil com atenção.”Algumas empresas beneficiadas direta ou indiretamente com os eventos esportivos apresentam retorno interessante, em média de 12% de juro real ao ano”, conta Garcia, do Mellon.

Um exemplo do apetite dos japoneses: em novembro de 2009, o Itaú Unibanco lançou o fundo de ações Rio Wind, numa alusão aos jogos mundiais. A captação foi realizada no japão, em parceria com a Daiwa Asset Management. Em apenas 20 dias atraiu um montante da ordem de R$2 bilhões entre os investidores asiáticos, interessados em um fundo composto por papéis de empresas brasileiras.

O Santander lançou em novembro um fundo de companhias de infraestrutura, que em meados de março contava com US$ 100 milhões captados no exterior e com potencial de chegar a US$ 500 milhões. Silvério diz que a intenção é acompanhar, direta ou indiretamente, o desempenho dos papéis das companhias de infraestrutura brasileiras.

O BNY Mellon ARX Investimentos lançou um fundo de infraestrutura em janeiro no mercado asiático e já conta com US$ 200 milhões. “O desempenho tem sido ótimo. Todo dia entra dinheiro novo”, diz Garcia, que estrutura um fundo, previsto para julho, com o objetivo de atender a demanda dos investidores europeus.

Mas já há opções para os brasileiros. O Itaú, em março, fazia testes com um fundo de investimento batizado de Itaú Esportes. Com patrimônio inicial de R$ 2 milhões, tem 21 ações de empresas beneficiadas pela Copa. A expectativa é de que os clientes Personalité possam investir no Itaú Esportes até o Sm deste semestre. E muitos outros devem surgir. Além desse,já há outro com R$ 158 milhões aplicados pelos clientes do Personalité.

No universo dos seguros, é amplo o horizonte para o desenvolvimento de negócios. Os executivos do setor já começaram a trabalhar nos fins de semana para atender a demanda. Isso porque o seguro é uma parte importante do custo final de financiamento e, muitas vezes, serve para garantir o próprio contrato. O seguro está presente do começo ao fim dos eventos internacionais. A indústria tem produtos que vão desde a apólice que garante o cumprimento do contrato assinado entre a construtora e o financiador até o que garante indenizações em caso de brigas entre torcidas nos estádios.

O IRB-Brasil Re, ressegurador que detém cerca de 80% dos negócios no Brasil,participado”pool”internacional responsável pela cobertura do seguro que a Fifa contratou para as Copas do Mundo de 2010, na África clo Sul, e de 2014, no Brasil. Segundo o diretor comercial do IRB, Sérgio Bezerra, trata-se de um seguro que abrange do cancelamento ou adiamento de jogos por problemas administrativos da sede à transferência do evento para outro país. A apólice cobre prejuízos cle até US$ 650 milhões, e 9% do risco foi repassado ao mercado ressegurador brasileiro. Em caso de sinistro, o ressegurador controlado pelo Tesouro Nacional e por seguradoras privadas, como Bradesco e Itaú, assumirá cerca de US$15 milhões.

A Munich Re, maior resseguradora do mundo, participou do resseguro de engenharia da construção de estádios, expansão do aeroporto internacional e demais obras de infraestrutura relacionadas ao evento na África. “Estamos disponibilizando para o Brasil todas as linhas de negócio, bem como capacidade financeira, know-how e soluções personalizadas”, diz Christian Garbrecht, responsável pelo desenvolvimento de negócios da resseguradora, que lucrou USS 4,2 bilhões em 2009 e que está presente no Brasil desde 1996.

A concorrente Swiss Re, segunda maior do mundo, também está na disputa. Segundo Luis Menezes, gerente de engenharia da subsidiária brasileira, a companhia analisava em março pouco menos de 200 contratos de resseguro envolvendo infraestrutura, boa parte deles para deixar o Brasil pronto para os mundiais.

Segundo Menezes, a crise econômica levou a uma paralisação de muitos projetos ao redor clo mundo, principalmente em países desenvolvidos. Para retomar os projetos, alguns investidores aceitaram condições onerosas, e qualquer atraso pode colocar em risco até a sobrevivência da empresa. Diante disso, um dos resseguros demandados atualmente é o “delay in start-up”. O seguro tem por objetivo cobrir a parte das receitas do investidor caso haja atraso na entrega do empreendimento.

Coube à subsidiária brasileira da seguradora Allianz, a maior da Europa, assinar no Brasil o primeiro contrato de seguro para a Copa de 2014.Trata-se de uma apólice de risco de engenharia e de responsabilidade civil contratada pela Retech Engenharia para a primeira etapa da reforma e ampliação do Estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, de Belo Horizonte.

Os investimentos para deixar o Mineirão pronto estão estimados em R$ 426 milhões. A apólice cobre diversos riscos relacionados exclusivamente ao andamento da obra, como atrasos na entrega causados por más condições climáticas, falhas de cálculos e problemas com os materiais, até o limite de R$ 8,2 milhões. “Temos vários outros engatilhados”, informa Ângelo Colombo, diretor da Allianz.

O seguro-garantia para a construção do Estádio Octávio Mangabeira, conhecido como Fonte Nova, em Salvador, com investimentos previstos em R$ 400 milhões, foi negociado no fim de março.”Ainda neste ano vamos contratar o seguro de responsabilidade civil da obra e o de risco de engenharia”, diz Marcos Lima, responsável pela OCS, corretora de seguros cativa do grupo Odebrecht, um dos investidores do empreendimento.

Virgil Souza, responsável por seguro-garantia da Liberty International Underwriters (LIU), empresa engajada no desenho do programa de seguro das Olimpíadas de 2012 em Londres, diz que o esforço do grupo foi projetar coberturas que permitem um trâmite rápido para a solução de problemas.”É preciso evitar cláusulas que deixem brechas para discussões, pois a agilidade é um ponto crucial para evitar atrasos no empreendimento”, comenta.

Segundo ele, no Brasil as discussões ficam mais em torno do preço do que das coberturas, e isso tem de ser mudado. “Uma das lições que podemos tirar da experiência dos seguros na África é com relação ao gerenciamento de risco das obras”, diz Luciano Calheiros, da Zurich. Em razão disso, as seguradoras e corretoras de seguros, como Aon, Marsh, Willis e MDS, as maiores do Brasil, montaram um “war room”.

A sala de guerra é usada no mapemento de todas as oportunidades a no encaminhamento das soluções mais interessantes por um preço acessível para baratear o custo final do empreendimento.

Já a ACE Seguradora trouxe par: São Paulo uma equipe que participou dos seguros contratados na Inglaterra para a Olimpíada de Londres, em 2012. “Somos a principal seguradora da grande maioria dessas obras, para as quais realizamos contratos de riscos de engenharia e responsabilidade civil para construção e reforma de arenas, estádios, rodovias, redes de saneamento e redes de hotelaria”, diz o presidente, Marcos Aurélio Couto.

“Quem trouxer recursos vai competir com mais força”, diz Fernando Pereira, vice-presidente da Aon, uma das maiores corretoras de seguros do mundo. Algumas apólices são tão grandes que serão pulverizadas por meio de consórcios ou “pool” de seguradoras.”Teremos de alinhar parcerias e escolher líderes para nossos clientes em contratos de infraestrutura”, diz Marcelo Elias, diretor da concorrente Marsh.

Copa da África do Sul tem cobertura de US$ 5 bi

copa-2010A Copa do Mundo na África do Sul, que começa em 11 de junho, movimentou cerca de US$ 5 bilhões em cobertura de seguros disponibilizada por toda a indústria mundial de seguros, segundo divulgou a agência Reuters nesta semana. As apólices foram contratadas pela Fifa, governos, organizadores locais, agências de turismo entre outros grupos envolvidos na realização do mundial que optaram por prevenir perdas com o cancelamento ou desastres. Segundo a reportagem, a Munich Re informou que detém cerca de US$ 350 milhões do risco. Outras participantes do programa do mundial são Swiss Re, Allianz e Hannover Re. Segundo a agência, o maior risco previsto pela indústria de seguros seria um ataque terrorista na abertura do evento.

Empresas buscam contratos milionários*

matéria produzida com exclusividade para o especial Infraestrutura, do jornal Valor Econômico, publicado dia 12 de maio de 2010*

O risco de uma crise no mercado de seguros mundial, em consequência da turbulência financeira iniciada na Grécia e que já atinge outros países europeus, começa a ser alvo de atenção das principais seguradoras e compradores de seguros no Brasil. A criação da seguradora estatal Empresa Brasileira de Seguros (EBS) pelo ministro da Fazenda Guido Mantega aconteceu exatamente um dia antes de um forte estresse vivido pelo mercado financeiro mundial. No dia 6 de maio, investidores do mundo todo se assustaram com a queda de 9% na Bolsa de Nova York, durante o dia. No final do pregão, porém, a principal bolsa do mundo amargou uma baixa de 3,2%.

As seguradoras são investidoras institucionais e recebem valores, chamados de prêmios, para garantir pagamentos futuros em caso de perdas de seus clientes. Enquanto essas perdas não ocorrem, as companhias de seguros e de resseguros aplicam os recursos no mercado financeiro. Se o mercado financeiro apresentar perdas, elas também terão prejuízos. A Munich Re, maior resseguradora do mundo, já deu sinais de preocupação. Na sexta-feira, dia 7, afirmou a investidores que talvez não consiga atingir o lucro líquido alvo de € 2 bilhões em 2010, mesmo tendo superado a expectativa do primeiro trimestre, em razão da turbulência financeira.

A incerteza dos mercados aliada a um elevado volume de indenizações pagas com o terremoto no Chile, tempestades na Europa e afundamento da plataforma Deepwater Horizon, alugada pela Brithsh Petroleum da Transoceanda, no Golfo do México, com danos recordes ao meio ambiente, faz com que o cenário realmente seja preocupante para um governo que precisa garantir mais de R$ 1 trilhão em investimentos em infraestrutura do país, como prevê o Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC-2).

Ao criar a EBS, o governo brasileiro quis evitar o risco de passar novamente por um grande aperto como o vivenciado em setembro de 2008, ápice da crise financeira mundial com a falência do banco de investimento Lehman Brothers e a quase derrocada da AIG, até então a maior seguradora do mundo. O susto veio quando todas as garantias para a concretização do “project finance”, com crédito de R$ 6,2 bilhões, da Usina Santo Antonio, com prazo de 25 anos, estavam negociadas e com a crise vários seguradores e resseguradores foram obrigados e sair do contrato ou reduzir a participação em razão da crise. Principalmente a AIG, socorrida pelo Tesouro americano com US$ 180 bilhões, e que tinha uma fatia significativa no acordo da terceira maior hidrelétrica do mundo no Rio Madeira.

De acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a EBS não concorrerá com o mercado, porque a concessão de seguro garantia ocorrerá sempre em consórcio com o setor privado. A seguradora estatal será a responsável por administrar os fundos garantidores do governo e também a concessão de seguros não cobertos pelo mercado. Sendo uma seguradora, os recursos dos fundos serão ampliados, uma vez para cada real de risco assumido pela seguradora pode garantir vários mil reais em volume de empréstimos.

A EBS será usada pelo governo caso haja necessidade. Se a atual turbulência financeira for superada, a indústria de seguros tem farta oferta de capital para o Brasil. Estão presentes no país praticamente todas as maiores seguradoras e resseguradoras do mundo. Todas elas disputam os contratos milionários dos investimentos em infraestrutura que suportarão o crescimento da economia do Brasil e também que visam preparar o país para ser o anfitrião da Copa em 2014 e dos Jogos Olímpicos em 2016.

São várias frentes de negócios. Desde o seguro que garante que o consórcio vencedor do leilão irá honrar o preço ofertado até o atraso no início de funcionamento de uma hidrelétrica, por exemplo. A Liberty International Underwriters (LIU), divisão de riscos especiais da Liberty Seguros, foi a vencedora da licitação para a emissão da apólice de seguro de transporte de parte das turbinas e subestações relacionadas, que serão usados na construção da hidrelétrica de Jirau, uma das maiores obras do PAC.

A apólice, com prêmio no valor de US$ 1,1 milhão, terá vigência de dois anos e dez meses e prevê cobertura de US$ 335 milhões para danos ocorridos no deslocamento de 18 turbinas e subestações fabricadas na China e Coréia, respectivamente. A apólice contempla uma cobertura adicional de R$ 286 milhões para o caso de atraso no início das operações de Jirau decorrente de problemas no transporte dos equipamentos desde o fabricante até o local de instalação no Rio Madeira.

“Este tipo de cobertura não era aceito pelo Instituto Brasileiro de Resseguros (IRB) antes da abertura do mercado. Neste programa, incluímos esta nova cláusula que é amplamente aceita no mercado internacional e traz novas garantias para as empresas envolvidas no projeto”, diz Paul Conolly, diretor da LIU, que projeta crescimento de 46,5% em grandes riscos em 2010.

Segundo o suíço Emanuel Bats, responsável pela carteira de seguro de riscos de engenharia da Zurich, o grupo atende 134 das 225 construtoras globais, entre elas as principais brasileiras. Luciano Calheiros, diretor da área de seguro patrimonial da Zurich, afirma que há capacidade suficiente no Brasil para investimento de qualquer porte. “Temos US$ 140 milhões em capacidade para contratos de risco de engenharia, o suficiente para garantir a perda máxima de um projeto com investimentos de R$ 1 bilhão”, diz. Em seguro garantia, a capacidade é de US$ 500 milhões e em transporte de grandes equipamentos a Zurich tem US$ 90 milhões por embarque.

A agressividade espanhola tem rendido contratos para a Mapfre, entre eles o da Transnordestina, ferrovia com mais de 1,8 mil quilômetros no Nordeste do país. Nos contratos de seguros envolvendo Copa e Olimpíada, a expectativa da Mapfre é de que o setor terá uma receita extra de R$ 1 bilhão em contratos diversos. “Nos preparamos para ter no mínimo uma fatia de 10%”, diz Octavio Bromatti, diretor de grandes riscos da subsidiária da Mapfre, maior grupo segurador da Espanha e da América Latina em riscos patrimoniais.

Felipe Smith, diretor-técnico da Tokio Marine, está de olho no mercado de petróleo e gás. A expectativa é de que os investimentos atinjam R$ 295 bilhões entre 2010 e 2013, de acordo com projeções do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Só para embarcações são R$ 18,2 bilhões do BNDES”, afirma. A canadense Fairfax começou operar no Brasil no inicio deste ano e conta com quase 40 profissionais para desenvolver negócios corporativos.

Entre as resseguradoras, a subsidiária local da alemã Munich Re fechou o contrato de resseguro para as seguradoras ACE, RSA e Allianz, que juntas dão coberturas para proteger a Impsa dos riscos de construção de 10 instalações eólicas em Santa Catarina, com ativos segurados que superam US$ 1 bilhão, segundo Christian Garbrecht, executivo responsável por desenvolvimento de negócios da Munich Re.

Entre os corretores de seguros e de resseguros a briga promete ser intensa. “Temos mais de 900 projetos de infraestrutura com investimentos de US$ 3 bilhões até 2030”, diz Marcelo Elias, diretor de infraestrutura da Marsh Brasil e América Latina. A Aon investe na captação dos negócios entre os clientes mundiais e no Brasil aposta no treinamento. “Fizemos mais de 15 mil horas de treinamento e mandamos mais de 20 técnicos para serem treinados no exterior”, acrescenta Fernando Pereira, da concorrente Aon.

Swiss Re leva opções de resseguro para governo*

*matéria produzida com exclusividade para o especial Infraestrutura, do jornal Valor Econômico, publicado dia 12 de maio de 2010

Swiss Re, segunda maior resseguradora do mundo, vai apresentar ao secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Machado, as opções financeiras que o mercado de seguros tem a oferecer para ajudar o Brasil a reduzir os custos dos financiamentos em infraestrutura.

“Queremos entender o que o governo precisa, porque temos muitos produtos que se encaixam nas necessidades citadas pelos participantes dos debates, inclusive pela pré-candidata à presidência da República Dilma Rousseff”, disse Filipe Bonetti, diretor da Swiss Re. Nelson Machado aceitou a oferta, que veio em boa hora diante da necessidade do governo em atrair a iniciativa privada para os investimentos em projetos de infraestrutura, que hoje contam com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Segundo Barbosa, os investimentos privados nos projetos de infraestrutura representam um desafio. “Desafio tangível tendo as políticas adequadas, com aumento da poupança interna e mecanismos para baixar o custo da estrutura do financiamento como os que foram divulgados na semana passada pelo governo”, afirma.

Ele se referia a criação da Empresa Brasileira de Seguros (EBS). “A seguradora vai administrar os vários fundos garantidores, criados para apoiar o desenvolvimento e também poderá fazer resseguro para contribuir com a iniciativa privada em projetos que excedam a capacidade da indústria”. Mas, só isso não basta, principalmente diante do risco da crise na Europa aumentar. “Caso isso se confirme, veremos falta de capacidade para projetos, como na época do ápice da crise em setembro de 2008”, afirmou Jacques Bergman, presidente da subsidiária local da seguradora canadense FairFax.

Bonetti explicou que a Swiss Re desenhou para o governo da China um instrumento financeiro para viabilizar a transferência de riscos agrícolas ao setor privado. No México, este mesmo produto, conhecido como “insurance linked securities”, foi desenhado para transferir ao mercado de capitais os riscos do governo com terremoto. “No Brasil, podemos ter como fator de transferência os riscos de infraestrutura para o mercado de capitais”, diz Bonetti.

Segundo ele, além de mitigar o risco dos projetos, por ser um instrumento usado no exterior e conhecido dos investidores estrangeiros, o produto ainda baixa o custo do financiamento, um dos pontos que precisa ser melhorado para atrair os bilhões de dólares da poupança dos asiáticos e países árabes, que buscam retornos mais elevados do que os títulos soberanos de países como Estados Unidos, muito baixos atualmente.

“Tenho certeza que se todos sentarem para achar soluções, o mercado de seguros pode se tornar um importante aliado na estruturação de financiamentos com um custo melhor”, disse Otavio Azevedo, diretor-presidente da Andrade Gutierrez. Hoje, segundo ele, a indústria de seguros precisa se organizar de forma mais eficiente para ter capacidade de ofertar garantias que os clientes precisam neste cenário de crescimento.

Liberty sobe 15 posições no ranking da Fortune

liberty-mutualO Grupo Liberty Mutual, que controla a Liberty Seguros, entre outras empresas do setor, galgou 15 posições na edição 2010 do ranking das 500 maiores empresas americanas por sua receita bruta, publicado pela tradicional revista Fortune. A Liberty Mutual passou a ocupar a 71ª posição, com US$ 31,1 bilhões em receita. No ano passado, a empresa ocupava a 86ª posição. A escala da Liberty vem se mostrando bastante forte, sobretudo desde 2008, quando a empresa passou da 94ª posição para a 86ª. Em dois anos, a Liberty subiu 23 posições no ranking da Fortune.