A Aon, uma das maiores corretoras de seguros do mundo, é a responsável por desenhar e administrar o programa de seguros do FIFA Fun Festival, realizado nas areias da Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, durante toda a Copa do Mundo. Da montagem à desmontagem, a cobertura da apólice ampara desde a infraestrutura (equipamentos) até os danos materiais e corporais sofridos por terceiros durante a realização do evento. Também estão cobertos eventuais prejuízos decorrentes do cancelamento ou não realização do mesmo, o chamado “No Show”.
Segundo informou a Aon, no espaço, que contempla uma arena com capacidade para mais de 15 mil pessoas por dia, um palco e dois telões (um deles “High Definition” de 50 m²), os torcedores acompanham a transmissão ao vivo de todos os jogos do mundial e, à noite, são realizados shows e eventos culturais. O FIFA Fun Festival, evento oficial da FIFA, é promovido simultaneamente em seis cidades: Roma, Paris, Berlim, Sydney, Cidade do México e Rio de Janeiro.
*artigo produzido com exclusividade para a Revista Apólice. A jornalista viajou para Alemanha a convite da Allianz e para Suíça por indicação da SulAmérica.
As seguradoras não podem ser penalizadas com uma regulamentação mais rígida porque as perdas financeiras geradas pelas crises nos mercados mundiais foram e estão concentradas nos bancos. Este tema, juntamente com os indicadores macroeconômicos, efetivamente a inflação em países com crescimento e a deflação em regiões em recessão, são as duas grandes preocupações dos líderes mundiais de seguros, segundo pesquisa divulgada pela Geneva Association, entidade fundada em 1973 e que reúne 80 CEOs da indústria de seguros global.
A regulamentação poderá gerar um engessamento do setor e aumento dos custos para os segurados. Já os indicadores macroeconômicos voláteis inibem os investimentos e retardam o crescimento do setor, afirmam os executivos que participaram da pesquisa que balizará os estudos da associação para os próximos anos. Os órgãos reguladores mundiais têm sinalizado uma forte tendência de criar normas únicas para o sistema financeiro, englobando todas as operações do conglomerado internacional.
O objetivo dos governos é evitar que um dos nichos de atuação de determinada instituição não cause estrago em diversas empresas e mercados como aconteceu, por exemplo, com a AIG. A maior seguradora do mundo até setembro de 2008 só não foi à falência porque o governo americano disponibilizou uma linha de crédito de US$ 180 bilhões para evitar um efeito cascata. O estrago foi causado principalmente por uma pequena linha de negócios financeiros, responsável por prêmios de US$ 2 bilhões por ano. Nada, considerando-se o faturamento global superior a US$ 100 bilhões.
As perdas atreladas ao mercado de seguros foram pontuais em algumas companhias que atuavam com seguros financeiros ligados às garantias de hipotecas de alto risco, conhecido como subprime. De acordo com o estudo, o socorro dos governos aos bancos entre setembro de 2008 e fevereiro de 2010 totalizou US$ 1,5 trilhão. Já para as seguradoras, o volume chegou a US$ 170 bilhões, sendo praticamente quase a totalidade para apenas uma seguradora, a AIG.
“A crise mostrou que as seguradoras e resseguradoras não representam um risco sistêmico. Foram afetadas, as não foram a causa do problema. Por isso não podem ser penalizadas pela má gestão de riscos dos bancos”, afirma Nikolaus von Bomhard, presidente do Conselho da Geneva Association e da Munich Re, maior resseguradora do mundo, a um grupo de jornalistas, durante almoço promovido pela entidade no dia 3 de junho em um dos prédios da Swiss Re, localizado nas montanhas suíças.
Michael Diekmann, também membro do conselho e presidente mundial da Allianz, que se tornou a maior seguradora do mundo com a derrocada da AIG, diz que a regulamentação do mercado financeiro deve realmente ser rígida e global, mas não se pode colocar tudo debaixo do mesmo “guarda chuva”. “A indústria de seguros tem regras rígidas, que serão ainda mais severas com a implementação das normas de Solvência II previstas para o final de 2012”, garante.
Nos EUA, por exemplo, recentemente o Governo divulgou as novas regras para instituições financeiras. Em seguros, a novidade ficou por conta da criação de um regulador nacional, como vinham solicitando há tempos as seguradoras nacionais e globais. Até então, as regulamentações variavam de estado para estado, o que dificultava e onerava, inclusive, o sistema de gestão de riscos e de contabilidade dos grupos.
Patrick Larragoiti (foto), da SulAmérica e único brasileiro a fazer parte do conselho da Geneva Association, explica que uma das lutas da associação é mostrar aos orgãos reguladores que manter a atividade de seguro regulada por uma entidade especializada traz mais segurança ao sistema do que ter a indústria controlada por uma autoridade monetária preocupada com bancos, fundos e mercado acionário.
“No Brasil temos a Superintendência de Seguros Privados (Susep) com a elevada influência do Banco Central. Há grande conexão, inclusive de profissionais entre os dois órgãos”, diz, enfatizando que o setor não sofreu qualquer perda com a crise. “Pelo contrário. Continuamos nosso ritmo de crescimento”. Ninguém discorda de que novas regras de solvência são necessárias. E as normas podem ser rígidas. “Desde que sejam corretas, levando-se em conta as peculiaridades do setor de seguro”, enfatiza Bomhard. Os executivos querem evitar a inclusão do setor no pagamento de taxas as quais o setor bancário deverá ser tributado.
Stefan Lippe, presidente da Swiss Re e membro do conselho, reforça a opinião de seus colegas. “A indústria de seguros funciona como um amortecedor para crises ao gerenciar riscos e pagar indenizações”, diz. A segunda maior resseguradora do mundo precisou de um reforço de caixa para fazer frente às suas obrigações contratuais e nível de solvência exigido pela regulamentação. Isto se traduziu em um empréstimo ponte de US$ 2,6 bilhões fornecido pela Berkshire Hathway, controlada pelo megainvestidor Warren Buffett, já totalmente quitado.
As novas regras do mercado de seguros na Europa, conhecidas como Solvência II, deverão ser definidas até 2012 para começarem a valer em 2013. São essas regras que definirão quanto de capital as companhias terão de ter para garantir os contratos assumidos. Estudos já divulgados afirmam que as grandes companhias praticamente não serão afetadas. Já as médias e pequenas terão de reformular suas estratégias. Há quatro caminhos básicos para ajustar-se aos novos padrões de solvência: alocar capital, reduzir as vendas, comprar resseguro ou iniciar um processo de fusão e aquisição.
“Dependemos da definição das regras para podermos ter uma noção mais clara de como investir nossos recursos”, comenta o presidente da Allianz, grupo mundial formado pela aquisição de mais de uma centena de companhias. Entre as grandes aquisições podemos citar a AGF.
É tido como certo de que os principais países do mundo, inclusive o Brasil, adotarão este normativo como um padrão internacional. “Vivemos um momento totalmente diferente. Estamos em pleno crescimento e com padrões contábeis internacionais sendo regulamentados”, avalia Marco Antonio Rossi, presidente da Bradesco Seguros e Previdência, que participa do grupo de CEOs da Geneva Association e acompanhou a reunião anual da entidade realizada entre os dias 2 e 5 de junho, no Centro de Estudos da Swiss Re.
Para os membros do conselho da Geneva Association, que representam praticamente 80% do PIB mundial de seguros, a melhor solução para garantir o direito dos consumidores e manter a indústria saudável em termos de preços, coberturas e serviços, é a adoção da Solvência II e órgãos reguladores independentes. “Nós temos confiança absoluta de que Solvência II é o caminho certo a ser seguido pelos órgãos reguladores de todo o mundo, criando assim uma competição saudável em uma indústria globalizada”, afirmam Bomhard e Diekmann, ambos CEOs de grupos presentes em mais de 100 países.
US$ 4 trilhões. Este é o tamanho da indústria mundial de seguro, segundo a nova versão do estudo “O seguro no mundo em 2009″, divulgado hoje pela Swiss Re, consolidando dados de 159 mercados de seguro. De acordo com o relatório, o volume mundial dos prêmios de seguro caiu 1,1%, valor com ajuste da inflação. Os prêmios de vida recuaram 2%, enquanto os de não-vida ficaram estáveis.
O aumento dos prêmios nos mercados emergentes diminuiu, mas permaneceu positivo. Houve uma recuperação significativa da lucratividade e do capital no setor; porém, os níveis vigentes antes da crise ainda não foram atingidos. Segundo nota divulgada pelo grupo, em 2009, os prêmios de seguro cresceram mais rapidamente que o PIB na maioria dos países, o que evidencia a solidez do setor. Os mercados de crédito e de ações recuperaram-se, aumentando a lucratividade e o capital do setor securitário. Em 2010, espera-se que o crescimento geral dos prêmios torne-se positivo. É muito provável que a lucratividade e o capital continuem aumentando.
Os prêmios globais no ramo vida caíram 2% para US$ 2,3 trilhões em 2009. Os prêmios foram mais duramente atingidos nos EUA e no Reino Unido, pois a crise financeira teve forte impacto sobre a venda dos produtos unit-linked, sobretudo no primeiro semestre do ano.
Daniel Staib, um dos autores do novo estudo sigma comenta: “Apesar do leve declínio geral nos prêmios globais de vida, o segmento vida teve incremento na Itália, Alemanha e França com a retomada das vendas de apólices de vida tradicionais com garantias. Estes produtos foram considerados particularmente atrativos na comparação com produtos bancários devido às baixas taxas de juros e às incertezas que rondam os mercados financeiros.”
Nos mercados emergentes, os prêmios de vida subiram 3,4%. O aumento foi mais vigoroso na Ásia Meridional e Oriental, atingindo a marca dos 10%, liderado pela China e Índia. O crescimento dos prêmios de vida na América Latina e no Caribe também se mostrou firme, chegando a 7,8%. O mercado brasileiro de vida teve um desempenho excepcionalmente bom graças ao aumento da popularidade dos VGBL, um produto unit-linked com acumulação de recursos.
O negócio de seguro não-vida foi afetado apenas marginalmente pela recessão mundial. Em 2009, os prêmios de não-vida recuaram somente 0,1%, atingindo US$ 1,7 trilhão, sobretudo devido à fraca demanda por coberturas e às taxas mais brandas. Segundo Staib: “Ao passo que os preços mais baixos no segmento não-vida prejudicaram a lucratividade em 2009, houve um incremento na comparação com 2008 devido à recuperação dos mercados de crédito e de ações.”
Os prêmios de não-vida caíram nos Estados Unidos, no Reino Unido e no Japão, mas aumentaram nos países emergentes. Os prêmios não-vida cresceram, por exemplo, 19% na China. “A estabilidade dos prêmios bem como a recuperação da lucratividade e do capital revelam bons resultados em vista do ambiente econômico difícil observado em 2009. O que nos preocupa, entretanto, é que os resultados técnicos subjacentes tenderam a enfraquecer”, explica Staib.
O estudo mostra que em oito dos principais mercados, que representam 70% do volume global de prêmios, os resultados da subscrição tornaram-se negativos em 2009, apesar das menores perdas decorrentes de catástrofes naturais e das menores perdas relacionadas ao negócio de garantias financeiras nos EUA.
Com a contínua melhora da economia mundial, a expectativa é de aumento nos prêmios. “O crescimento geral dos prêmios se tornará positivo em 2010 e a lucratividade e o capital do setor deverão continuar aumentando”, observa Staib. O negócio de vida será o mais beneficiado. “Se os mercados financeiros continuarem com sua recuperação, o negócio de unit-linked, que foi duramente afetado, também apresentará nítidas tendências de alta. No longo prazo, o seguro de vida se beneficiará com o envelhecimento da população, o que impulsionará as vendas de pensão, invalidez, doenças graves e cuidados de longa duração”, acrescenta Staib.
Também há expectativas de que o segmento não-vida volte a crescer nos países industrializados. “Em virtude das fortes pressões competitivas exercidas no setor securitário, dificilmente haverá melhora significativa na lucratividade. Este ano também já sofremos algumas catástrofes naturais custosas, o que afetará os resultados técnicos. Além da alta nas taxas de prêmios, o que é necessário para levar o segmento primário do seguro nãovida de volta a níveis de lucratividade adequados é a expectativa de aumento nas taxas de juros no médio prazo”, comenta Daniel Staib.
*matéria produzida para a CNSeg (www.viverseguro.org.br)
Depois da Geneva Association, entidade que reúne 80 líderes mundiais de seguradoras e resseguradoras, encaminhar aos ministros do G20 estudo sobre as diferenças entre bancos e seguradoras, o Comitê Europeu dos Seguros (CEA) fez o mesmo nesta semana.
O estudo “Seguros, um setor único: porque as seguradoras se diferenciam dos bancos”, fornece uma série de recomendações aos 20 países mais ricos do mundo, que discutem aperfeiçoamentos na regulamentação da industria financeira mundial. “Pedimos aos reguladores do G20 que levem em consideração as diferenças entre as operações bancárias e securitárias”, escreveu Tommy Persson, presidente da CEA, na carta que acompanha o estudo.
O relatório da CEA inclui 12 recomendações para o reforço das normas de supervisão das seguradoras, com um capítulo especial sobre as atividades não regulmentadas.
Veja a seguir as doze principais recomendações.
1. A cooperação global é essencial nas áreas de regulação e supervisão.
2. As instituições e as atividades não regulamentadas que estão na origem da crise são as que precisam de atenção e regras.
3. As principais atividades do setor dos seguros não geram tensão ao sistema, de modo que nenhuma atividade deve ser considerada como risco sistêmico.
4. A indústria de seguros deve, no entanto, ser representada nos fóruns que estão debatendo sobre a estabilidade financeira.
5. Não é possível responder de forma adequada para o risco sistémico com a imposição de requisitos que engessem as seguradoras e resseguradoras.
6. Seja qual for a estrutura de supervisão a ser adotada para o setor de seguros, o modelo de negócios deve beneficiar o reconhecimento adequado de garantida e gestão de risco que já fazem parte da atividade do setor.
7. É preciso evitar regulação excessiva e inadequada para não travar as operações de seguros, que mitigam riscos de governos e empresas privadas, dando sustentabilidade ao crescimento das economias.
8. As seguradoras devem ser objeto de um grupo de supervisão especializado e separado das outras empresas do mercado financeiro por ser um setor com muitas características diferenciadas.
9. Produtos com perfis de risco similar devem ter uma regulamentação equivalente ao risco proporcionado e não o balizamento dos riscos numa única cesta.
10. Regulamento de contabilidade deve refletir a natureza do modelo setor de negócios
de uma seguradora e ser coerente com este modelo. As seguradoras assumem riscos, diferente dos bancos, que apenas emprestam dinheiro, tomando recursos de um lado que poupa e repassando para outro que precisa.
11. As discussões sobre a tributação dos serviços financeiros devem reconhecer os riscos potenciais apresentados pelas diferentes instituições financeiras.
12. Deve se levar em conta as reservas técnicas que já são feitas pelas seguradoras dentro dos modelos de exigência de capital, para não tornar cumulativa a exigência das regras para bancos, principalmente nas medidas fiscais.
A corrida pelos contratos de seguros envolvendo a Copa 2014 está a todo vapor. Hoje quem dá a notícia é a RSA Seguros. A subsidiária brasileira de uma das maiores seguradoras da Europa conquistou o maior contrato de seguro para a Copa do Mundo de 2014 até o momento. A seguradora inglesa será responsável pela apólice das obras do novo Estádio Governador José Fragelli, o Verdão, que sediará em Cuiabá (MT) os jogos do Mundial. Os investimentos estão avaliados em R$ 342 milhões.
Segundo nota da empresa, a apólice foi fechada em parceria com a corretora Mondial, de Belo Horizonte. A RSA será a líder nas apólices de riscos de engenharia e seguro de responsabilidade civil para a obra, que tem a duração prevista de 26 meses. O projeto do Verdão contempla uma nova arena com 107 mil metros quadrados de área construída, capacidade para 42 mil torcedores e estacionamento para 15 mil veículos.
“A conquista deste negócio reforça a nossa estratégia de crescimento acelerado na carteira de Riscos de Engenharia, tanto nas obras relacionadas ao segmento imobiliário, quanto nos projetos mais complexos, sobretudo obras de infraestrutura”, revela o diretor comercial, Ariel Couto.
O setor espera um forte crescimento nos próximos anos diante dos investimentos previstos para infraestrutura em eventos como Copa do Mundo e Olimpíada, projetos para exploração do pré-sal e Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Segundo dados do governo, o PSC 2 tem investimentos estimados perto da casa de R$ 1 trilhão. Um número que tem atraído cada dia mais a atenção das seguradoras e resseguradoras para o Brasil, uma vez que obras deste porte estão praticamente paradas nos países da Europa e nos Estados Unidos, que ainda se recuperam da crise.
“A Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 trarão inúmeras oportunidades para o mercado de seguros no Brasil e estamos atentos para aproveitá-las”, afirma Ariel. “Montamos um time internacional para investigar a nossa atuação em eventos similares ocorridos em outros países e buscaremos replicar esta experiência aqui no Brasil”, acrescenta Couto. Segundo a nota, a RSA tem know-how global nesse tipo de projeto, já que foi a seguradora líder nos segmentos de Riscos de Engenharia, Property e Casualty nos projetos relacionados à Olimpíada de Londres, em 2012.
*matéria produzida para a CNSeg (www.viverseguro.org.br)
O executivo Norman Sorensen (foto), presidente internacional de Asset Management e Acumulação da Principal Financial Group, sócia do Banco do Brasil na Brasilprev, é o novo presidente e CEO da International Insurance Society (IIS), que reúne os principais executivos da industria internacional de seguros e resseguros. Ele substitui o presidente e CEO da Marsh & McLennan Companies, Brian Duperreault.
Em maio, o presidente da CNSeg, Jorge Hilário Gouvêa Vieira, foi convidado e aceitou assumir o Board of Directors da entidade, no lugar de Osvaldo do Nascimento, diretor do Itaú e vice-presidente da FenaPrevi. Pelas regras do estatuto, após seis anos na entidade, o executivo precisa deixar o posto e assim reciclar o corpo diretivo da entidade.
Nascimento, após dois mandatos, deixou como legado a inclusão do mercado segurador brasileiro no cenário internacional. Foi ele um dos responsáveis por ser o Brasil o anfitrião do 47º anual da entidade, que ocorrerá em junho de 2011, na cidade do Rio de Janeiro, onde fica a sede da CNSeg. O encontro não ocorre na América Latina desde 1981, quando se deu no Brasil. Os últimos eventos foram realizados nas cidades de Taipei, Berlim, Chicago, Londres, Nova Iorque, Cingapura, Hong Kong e Viena. O último encontro acaba de acontecer em Madri, do qual participaram vários executivos brasileiros.
Aonde será o canteiro de obras? Esta é a primeira pergunta feita pelos subscritores de riscos sediados na matriz da seguradora alemã Allianz, em Munique, aos executivos brasileiros. “A resposta é: o Brasil é um canteiro de obras”, conta Edson Toguchi, superintendente de seguros financeiros da Allianz Brasil, em sua palestra no 5º Fórum Internacional de Seguros para Jornalistas, realizado hoje pela Allianz em São Paulo.
A partir desta afirmação eles apresentam aos estrangeiros o mapa de investimentos do Brasil. Nos próximos seis anos, segundo a Allianz, o país deve receber pelo menos R$ 300 bilhões em investimentos em infraestrutura. O BNDES divulgou estimativas de desembolsar algo entre R$ 40 bilhões a R$ 50 bilhões anualmente nos próximos quatro anos.
Considerando-se o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2), são quase R$ 1 trilhão. Petróleo e petroquímico, bem como energia, papel e celulose e siderurgia, metalúrgica e mineração estão entre os quatro setores que mais aportarão recursos para atender a demanda de crescimento do Brasil. Entre os investimentos já divulgados, a Petrobras é a líder absoluta. Hoje mesmo o grupo divulgou intenção de investir R$ 224 bilhões nos próximos quatro anos. Vale, Eletrobras, Chesf, CNS, Suzano, EDD, Neoenergia, Cosan, Usiminas, MMX, CPFL, Copel e Cemig compõem o grupo dos maiores investimentos anunciados no país.
“O Brasil está no centro do interesse mundial e com chances reais de se tornar a quinta maior economia do planeta. E o segmento de seguro exerce um papel fundamental para garantir esta conjuntura”, diz Max Thiermann (foto), presidente da Allianz Brasil. Uma das formas da indústria de seguros participar deste momento histórico de crescimento do país é com o seguro para garantir que todas as obras em execução sejam finalizadas dentro do prazo e nas condições acordadas.
O seguro garantia é um dos instrumentos que visa assegurar os contratos de financiamentos. Diante dos valores, a parceria entre as empresas é a saída para garantir os contratos. A abertura do resseguro foi um fato importante para o seguro garantia, pois possibilitou a entrada de vários players no Brasil e aumentou a concorrência entre as seguradoras.
Segundo o executivo, há farta capacidade de oferta de seguro garantia no País. O Brasil tem 22 seguradoras e 18 resseguradores operando neste mercado. Eles ofertaram cerca de R$ 100 bilhões em limite de garantias em 2009, que podem até triplicar neste ano, chegando a R$ 300 bilhões com os seguros de infraestrutura e estádios para a Copa 2014. “São projetos enormes, que chegam a surpreender a matriz”, comenta Tânia Amaral, superintendente da área de riscos financeiros da Munich Re do Brasil, uma das palestrantes do evento.
Um problema que tem gerado conflito neste segmento é o excesso de obras das grandes construtoras. Todos os grandes projetos estão na mão de cinco construtoras, o que aumenta muito o risco. “Como um cheque especial, muitas delas já consumiram o limite de crédito que é possível uma seguradora disponibilizar para cada grupo, obedecendo as regras de solvência da indústria”, explica.
São tantos riscos e tanta necessidade de que tudo dê certo, que o governo anunciou em maio a criação da Empresa Brasileira de Seguros (EBS), com o objetivo de se prevenir da crise financeira internacional e apoiar eventuais necessidades de capacidade que as empresas privadas não possam suportar. “Hoje, das 20 maiores exposições da Munich re no mundo, metade é de empresas brasileiras”, acrescenta Tania.
Um dos problemas já detectados, por exemplo, é o atraso nos projetos para a construção dos estádios no Brasil. Este atraso é uma análise crucial para o mercado segurador. “Por exemplo, construir um estádio em dois anos quando o previsto era de três anos, pode inviabilizar a participação da seguradora por motivos técnicos”, comenta Toguchi. O rating da seguradora pode cair, caso ela assuma projetos sem viabilidade técnica, acrescenta.
O volume de prêmios vem crescendo ano a ano e a estimativa é de que em 2010 o mercado irá dobrar de tamanho, diz o executivo da Allianz. Em 2007, os prêmios de garantia somaram R$ 342 milhões, passando para R$ 500 milhões em 2008 e R$ 696 milhões em 2009. Nos quatro primeiros meses deste ano os prêmios de garantia já somam R$ 226 milhões, segundo dados da Susep compilados pela Allianz.
O atual estágio do seguro garantia no Brasil é explicar como funciona o produto. “Muitas vezes se exige garantias elevadas, que não condizem com o contrato, pois o risco de algoacontecer é bem menor do que o exigido. Outra distorção é do responsável pela obra querer passar todo o risco para seguros, sendo que seguro é apenas uma das garantias dentro de uma estrutura financeira de um projeto”, explica Tania Amaral.
A Allianz começou a operar com garantia em 2008, ano em que o mercado apresentou crescimento de 50% no volume de prêmios no segmento. Em 2009, enquanto o mercado evoluiu 40%, os prêmios da Allianz chegaram a R$ 22 milhões, alta de 73%. Em 2010, segundo o executivo, a Allianz já acumula crescimento de 27%. “Temos o apoio da matriz e interesse em atuar em todos os segmentos, tanto com a oferta de coberturas inovadoras como em trazer recursos para o Brasil caso isso seja necessário”, finaliza o executivo da Allianz.
Mais um passo foi dado para preparar a subsidiária brasileira do grupo alemão Allianz para atuar em microsseguro, segmento em que o grupo é líder mundialmente. Segundo Max Thiermann, presidente da Allianz Brasil, a expectativa é estar com tudo pronto em meados de 2011.
Segundo ele, a parte operacional para emissão de apólices está pronta. Mas é preciso preparar toda a parte de regulação de sinistros, que é a principal parte de todo o sistema de operação de uma seguradora de microsseguro. Outro ponto chave deste segmento é a distribuição de produtos. “Estamos sendo muito procurados por instituições financeiras voltadas para a classe de menor renda”, contou Thiermann.
Apenas 5% da população global é coberta por algum tipo de seguro. Nos 100 países menos desenvolvidos, a cobertura não chega a 3%. Mais de 4 bilhões de pessoas no mundo tem renda menor do que US$ 8 por dia e 2,6 bilhões vivem com menos de US$ 2 por dia. Este é um dos grandes públicos para o qual o grupo Allianz tem dedicado atenção na descoberta de suas necessidades e na criação de produtos que visem garantir a rota de crescimento das famílias mesmo diante de acidentes.
O potencial mundial de microsseguros é estimado em US$ 1,9 bilhão, relata o indiano Kamesh Goyal (foto), executivo da Bajaj Allianz Insurance Company, no Fórum Internacional de Seguros para Jornalistas, promovido pela Allianz Brasil, em São Paulo. Atualmente, estima-se em US$ 60 milhões o volume de prêmios de microsseguros em todo o mundo. Mas esta estatística se mostra equivocada quando se observa o faturamento da Allianz. Só a subsidiária da Índia tem US$ 50 milhões em microsseguros e pretende superar os US$ 100 milhões em prêmios em 2011.
O maior mercado de microsseguros hoje no mundo é a Índia, um país que tem uma enorme desigualdade social e com sistema de seguridade social praticamente inexistente. Cerca de 90% da população da Índia, 950 milhões de pessoas, não tem qualquer tipo de cobertura de seguro. Isso representa um mercado inexplorado de US$ 2 bilhões, segundo estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
A Allianz é a maior seguradora neste nicho de negócio, onde atua desde 2004. São mais de 3,8 milhões de clientes na Índia, Indonésia, África e América Latina. A Allianz conta com mais de 2 milhões de segurados em vida e 34 mil em saúde, com atendimento em 16 dos 28 estados da Índia, com produtos vendidos a um preço de US$ 2 a US$ 4.
Mais de 50% das 83,9 milhões de famílias de agricultores da Índia estão excluídos dos serviços formais como dos informais. Apenas 27% das famílias têm acesso a fontes de crédito formais e 66% das famílias são completamente excluídas de qualquer tipo de serviços financeiros e sequer possuem uma conta bancária. “São justamente as pessoas com menos recursos que estão mais expostas ao risco”, diz.
Segundo ele, isto significa uma grande oportunidade para a Allianz. Apenas 5% da população indiana tem alguma cobertura de seguro saúde e a previdência social é praticamente inexistente. “Este é um tipo de segmento totalmente diferente. Não é tanto no sentido operacional e sim de comportamento”, conta.
A Allianz vem desenvolvendo este mercado desde 2004, mas começou a operar efetivamente em 2007. Conseguiu grandes avanços. No ciclone Nisha, em 2008, por exemplo, mais de 95% da população não tinha seguro. E os que tinham consumiram indenizações de US$ 800 mil, equivalente a mais de dez vezes o prêmio cobrado. A Allianz pagou mais de 14,5 mil indenizações de saúde e residencial.
O executivo destaca que há grandes desafios, principalmente para o desenvolvimento de produtos de vida. Em vida, a Allianz pagou na Índia mais de 4,3 mil indenizações, totalizando 9 milhões de rúpias em 2008 e mais de 13 mil em 2009, com valores de 10 milhões de rúpias.
“É preciso criar produtos simples e de fácil entendimento, uma vez que a maioria da população é analfabeta e sem documentos para confirmar idade, saúde ou escolaridade”, conta. Boa parte da população também tem renda inconstante, o que pode gerar uma inadimplência acima da média.
Qualquer problema de saúde pode inviabilizar o pagamento da apólice. Por isso a proteção de saúde é uma das primeiras a ser desenvolvida, para manter o beneficio em caso de doenças. As pessoas vivem em condições críticas, sem condições sanitárias e muito expostas a vulnerabilidades. “O pagamento de indenização tem de ser rápido, pois muitas vezes ele é que vai salvar a vida do cliente”, diz, acrescentando que há muito para as seguradoras fazerem no local para melhor a saúde destes consumidores.
Outro desafio é manter a estrutura de custo operacional totalmente enxuta, uma vez que o preço viável a ser cobrado mensalmente para o desenvolvimento deste nicho é de US$ 1. Uma das formas de baratear o custo é a distribuição dos produtos, diz o executivo. “É preciso ter parceiros com acesso a essa clientela e que compreendam o que ela quer e do que precisa”, enfatiza Goyal.
Segundo ele, este agente tem de estar envolvido em outra atividade. A distribuição de seguro não deve ser o único negócio. “Eles têm de estar envolvido na regulação e liquidação do sinistro”. Por isso, a Allianz tem parcerias com vários parceiros, sendo as cooperativas as principais.
Em dois anos, a Allianz não atingiu o break even da operação, ou seja, o ponto de equilíbrio em rentabilidade. Segundo ele, este ano o microsseguro deverá crescer mais de 15% e a meta é conseguir US$ 100 milhões em prêmios no médio prazo.
O especialista em microsseguro enfatiza que este é um nicho de negócios que traz uma grande oportunidade para as seguradoras. “Mas é preciso ter uma nova mentalidade, o que é micro varia de lugar para lugar e, principalmente, esteja sempre preparado para as surpresas”, finaliza.
A Icatu Seguros lança hoje a nova marca após o fim da sociedade com a The Hartford. Segundo nota da companhia, na última sexta-feira, os funcionários despediram-se da antiga marca e chegaram hoje na companhia com nova ambientação, desde a entrada, até os sinalizadores internos, crachás, e-mails, entre outros. O site institucional (www.icatuseguros.com.br) tem novas funcionalidades e ferramentas.
“A mudança da marca representa um novo momento e uma conquista importante para a companhia. Os valores, a cultura, e solidez da companhia continuarão como ativos importantes na Icatu Seguros. A mudança da marca reflete ainda a renovação do compromisso do Grupo Icatu com o país e com o negócio e a aposta no crescimento do mercado segurador”, afirma Maria Silvia Bastos Marques, presidente da Icatu Seguros, em nota divulgada a imprensa.
A presidente ainda reforça que a parceria com a The Hartford, que durou 14 anos, foi extremamente positiva, pautada pela intensa troca de experiências e confiança. A decisão de sair do Brasil foi resultado da mudança de estratégia nos negócios da empresa, que decidiu focar no mercado doméstico.
O objetivo da Icatu Seguros é manter e reforçar a proximidade e o relacionamento de longo prazo com clientes, buscando entender suas necessidades para fornecer as melhores soluções financeiras em vida, previdência, capitalização, serviços de administração previdenciária e gestão de recursos em cada fase da vida.
*matéria produzida com exclusividade para CNSeg (www.viverseguro.org.br)
A Geneva Association enviou hoje mais uma carta aos ministros, bancos centrais e órgãos reguladores dos 20 maiores países do mundo, o G-20. Na carta, a entidade, que reúne 80 líderes mundiais da indústria de seguros, afirma que a entidade está consciente do importante trabalho empreendido pelo G-20 e pelo Financial Stability Board (FSB) e da necessidade de um diálogo ativo e construtivo entre governos, reguladores, supervisores e a indústria de seguros para enfrentar os desafios criados pela crise financeira.
Segundo Nikolaus von Bomhard, presidente do Conselho de Administração da Geneva Association e também da Munich Re, e Patrick Liedtke, presidente da entidade, uma das iniciativas do grupo foi dar suporte ao trabalho do International Association of Insurance Supervisors (IAIS), que no último dia 4 emitiu uma análise de parte do estudo em curso.
Segundo o comunicado, a Geneva Association e o IAIS entendem que o setor de seguros é suscetível a riscos sistêmicos gerados em outras partes do setor financeiro. Para a maioria dos ramos de seguros, no entanto, há pouca evidência de que a operação de seguro possa gerar ou intensificar o risco sistêmico dentro do sistema financeiro ou mesmo na economia real.
De acordo com a análise do IAIS, uma regulação e supervisão local fortes e alinhadas às práticas globais podem atenuar as possibilidades de alguns nichos de seguros, como atividades não regulamentadas e seguros de garantia financeira, contribuir para agravar o risco na indústria financeira. Detectado o potencial risco de que apenas segmentos específicos podem alimentar uma crise, caso ela exista, o objetivo da IAIS agora é promover melhorias para os processos de supervisão e fiscalização, aliada a uma gestão de risco mais eficiente e com acompanhamento global por meio de comitês internacionais.
Embora algumas das preocupações da IAIS sobre os potenciais riscos sistêmicos diferem das conclusões da associação, os executivos se dizem satisfeitos por estar cada dia mais claro que a IAIS notificou a todos os envolvidos sobre as particularidades do mercado de seguros e assim garantir que a regulamentação em andamento para a indústria financeira diferencie seguradoras de bancos. “É muito importante que as soluções destinadas a aumentar a resiliência do sistema financeiro reconheçam as características específicas de seguro e de outros serviços financeiros”, finaliza a carta da Geneva Association.
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