Canais virtuais: caminho obrigatório para vender

42-21551684*matéria extraída do site da CNSeg www.viverseguro.org.br

Dois importantes fenômenos sociais em curso devem mudar a forma de se vender seguro e previdência no futuro. A mobilidade social, que fez aumentar em seis pontos percentuais o número de pessoas da classe C, entre 2007 e 2009, e o poder de consumo da geração Y, os chamados “nativos digitais”, aqueles nascidos em plena era da internet. Esses consumidores, que já representam 36% da população, trarão grande impacto à comercialização de seguros. Esta foi uma das principais conclusões do consultor da ATKearney, João Leandro Bueno, um dos participantes do painel “Distribuição – Inovação e Tecnologia”, realizado na manhã de hoje no “V Fórum Nacional de Seguro de Vida e Previdência Privada”, em São Paulo.

Um estudo realizado pela ATKearney, com foco na mobilidade social, comprovou que a classe de baixa renda é a mais numerosa, cerca de 42% da população economicamente ativa. Contudo, 70% dos ativos financeiros permanecem em mãos dos indivíduos das classes altas, que representam apenas 3% da população. Esse público mais abastado, segundo identificou a pesquisa, prefere produtos mais sofisticados, opta pelo canal de varejo que apresenta maior capilaridade e gosta de receber recomendações ou aconselhamento em relação a produtos.

Diante desse quadro, Bueno conclui que os bancos ainda terão predominância entre os demais canais de distribuição na venda de produtos de previdência. Segundo ele, a pesquisa revelou que a população ainda associa a previdência privada a produto financeiro. “Trata-se de um fator cultural, daí porque essa forma de venda deve continuar”, disse. Entretanto, o consultor prevê que os canais virtuais terão um papel importante no futuro.

Um dos motivos para esse impacto é a geração Y, “o grande público do mercado segurador no futuro”, na avaliação de Bueno, que, em 2020, representarão 30% da população acima de 30 anos. Atualmente, 51% das pessoas entre 25 e 34 anos utilizam a internet contra 15% da geração X, composta pelos indivíduos com idade entre 45 e 59 anos. Uma pesquisa da consultoria sobre a geração Y detectou que eles são imediatistas, infiéis às marcas, realizam múltiplas tarefas e desejam atendimento rápido, entre outros.

Na mesma linha, uma pesquisa da Accenture, com 3.555 pessoas em seis países, apresentada por Raphael de Carvalho durante o evento, descobriu que um traço comum nesse grupo é a intenção de utilizar a internet para renovação do seguro nos próximos 12 meses. Outra tendência comprovada, segundo ele, é a migração de serviços para os negócios móveis, como o ato de “tomar emprestada” temporariamente a capacidade de processamento da rede na internet, quando o computador pessoal ou da empresa não dispõe de espaço suficiente em disco.

Para Silas Devai Junior, da IBM, os equipamentos digitais – internet, PC, celular, GPS, MP3 etc. – estão mudando a maneira como vivemos. Por isso, “querendo ou não”, ele afirma, “o setor de seguros terá de se adequar aos canais virtuais, porque o consumidor está pedindo para migrar”, acrescenta. A boa notícia é que uma pesquisa da IBM revelou que a multiplicidade de canais traz bons resultados. “Quando mais canais, maiores as chances de venda”, disse.

A dica do consultor é para que o setor invista na integração de canais, o que, fatalmente, também mudará os modelos de negócios. Ele informou a respeito de novos formatos de serviços na internet que visam agregar valor, como é o caso dos sites de comparação de produtos ou de descontos online. Essas inovações permitirão às empresas que incorporem funções de negócios mais inteligentes, que possam interagir com o cliente. Para Silas, o varejo já saiu na frente na adesão aos canais virtuais, mas o seguro deverá embarcar agora, na segunda onda. “Os canais virtuais e as redes sociais são o caminho sem volta no futuro do seguro e da previdência”, afirma.

Especialista identifica falhas na venda de seguros para a classe de menor renda

*matéria extraída do site da CNSeg www.viverseguro.org.br

Consultor de marcas e autor do livro “As marcas no divã: uma análise de consumidores e criação de valor”, Jaime Troiano está convicto de que ainda prevalece entre as empresas brasileiras um “olhar etnocêntrico” em relação às classes menos favorecidas. “Ao olhar o outro segundo os nossos próprios valores não enxergamos suas reais necessidades”, disse.

Troiano foi um dos participantes do painel que discutiram “Tendências de consumo de produtos e serviços”, durante o primeiro dia do “V Fórum Nacional de Seguro de Vida e Previdência Privada”, que termina nesta quinta-feira, em São Paulo (SP).

De acordo com o consultor, por conta dessa visão distorcida, as empresas cometem equívocos, como adaptar – ou “depenar”, como classificou – os produtos mais sofisticados para então oferecê-los às classes mais baixas. “Criar um produto mais barato para quem não tem dinheiro é um erro, pois fará com que ele se sinta ainda mais pobre”, afirmou.

Além de renovar sua visão em relação ao público de baixa renda, Troiano disse que o setor de seguros precisa desenvolver produtos que atendam às aspirações dessa faixa. Uma pesquisa, realizada por ele com três mil pessoas das classes D e E, identificou que a prioridade da maioria é o futuro dos filhos. “Esse público tem sonhos de consumo e projetos de longo prazo, o que representa uma enorme oportunidade ao segmento de previdência privada”, disse.

Mas, embora as perspectivas sejam boas, o mercado é altamente disputado, na avaliação do consultor em franchising Marcelo Cherto, outro participante do mesmo painel. Para ele, todos os segmentos disputam os mesmos consumidores. “A previdência privada concorre também com a TV a cabo, por exemplo, pois se o consumidor decide investir em produtos como este pode não ter dinheiro para pagar o seu plano”, disse.

Para piorar, Cherto disse que concorrência não se aplica somente aos preços dos produtos, mas também à forma de divulgação. Ele comentou a respeito de um estudo que estima em cerca de três mil o número de apelos de consumo a que uma pessoa está sujeita diariamente, por meios diversos que incluem desde panfletos até alto falantes de comércio ambulante, como carrinho de pamonha. Porém, o cérebro humano processa apenas cerca de 280 apelos.

“Portanto, os canais de comunicação precisam gerar experiências de consumo ou então serão esquecidos”, disse. Para tanto, ele ensina que os pontos de vendas (PDV) – ou os canais de distribuição, no caso do seguro -, têm de criar uma conexão emocional com o cliente, se não quiserem ser desprezados.

Setor pode ajudar o Brasil a enriquecer antes de envelhecer, diz Delfim Neto

delfimmatéria extraída do site CNSeg www.viverseguro.org.br

A indústria de seguros pode ajudar o Brasil a ficar rico antes de envelhecer. A afirmação é do economista Delfim Neto (foto), que acaba de proferir palestra no V Fórum de Vida e Previdência, promovido pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), nesta manhã, em São Paulo. O número de idosos está aumentando e é preciso que as pessoas preparem reservas para viver no futuro, ainda mais com o bônus da longevidade.

Tanto ele como o economista Marcos Lisboa, do Itaú, ressaltaram o momento único que o Brasil vive hoje, em virtude de construir uma base sólida econômica e social nos últimos anos, segundo informa o blog Sonho Seguro. Este é um momento propício para fazer reservas para o futuro. Segundo Delfim, uma das características do governo Lula foi conseguir reduzir a desigualdade social, o que faz o empresário acreditar que vale a pena investir, e o empregado acreditar em mudança social.

“As maiores crises brasileiras foram causadas por falta de energia ou pela falta de balanço nas contas governamentais. Hoje, temos esses dois itens sob controle, longe de ser um problema nos próximos 15 anos”, aposta Delfim Neto, citando o Pré-sal como uma fonte energética e também de reservas de um país.

Lisboa citou dois dos principais desafios do Brasil – a necessidade de investimentos em infraestrutura e a criação de mecanismos de financiamento, com preços adequados. “É preciso mudar muitas regras existentes hoje para que a iniciativa privada possa viabilizar os recursos necessários para o investimento em infraestrutura que o Brasil necessita”, disse Lisboa. “Veja o custo do transporte no Brasil. Qual o custo Brasil de um caminhão ficar dias para descarregar em um porto?”, indaga. Outro exemplo citado por Lisboa que precisa de revisões é a tributação de itens importantes para apoiar o crescimento econômico, como o custo energético e importação de computadores, por exemplo.

Um dos pontos vitais para este momento de bonança do Brasil é a confiança dos investidores e da sociedade na condução da política e da economia. Questionado pela plateia sobre se algo pode dar errado, Delfim Neto foi categórico: “O Brasil não tem competência para destruir este momento promissor de crescimento previsto para os proximos 15 anos”.

Tão enfático quanto ele foi Lisboa: “Desenvolvimento é um processo. Só há desenvolvimento quando resolvemos um problema e como consequência criamos outros dois. Vamos criar muitos problemas, que são parte integrante desse processo de crescimento. Precisamos entender que os problemas vão surgir e vamos resolver à medida que treinamos uma administração favorável e sustentável”.

Ambos destacaram que o crescimento do Brasil é o resultado da construção da sociedade nos últimos 20 anos. “O que podemos ver é que o crescimento pode ser mais ou menos aproveitado. Alguns setores ou regiões podem crescer mais ou menos, em razão das dificuldades com logística, por exemplo. Mas é um processo progressivo, de pequenas melhoras. Sem chance de alguém fazer com que tudo isso dê errado”, afirma Lisboa.

Em relação à capacidade de elevar a poupança das pessoas diante de um consumo desenfreado, tanto Delfim como Lisboa acreditam ser um desafio do mercado de seguros e previdência, que precisa ter produtos e serviços capazes de educar a sociedade a pensar no futuro e ver vantagens nisso. Não se trata de uma competição com o consumo, mas sim mostrar que poupar é uma questão de hábito.

“As pessoas têm desejos e é isso que motiva o crescimento”, diz Delfim, contando uma conversa com um senhor que comprava geladeira a prazo. “Se o senhor poupar por 24 meses vai se livrar desse juro e pagar menos”. O senhor prestes a fechar o financiamento lhe respondeu. “Sim. Eu sei. Mas quero assistir o jogo do timão com cerveja gelada nesses 24 meses”.

Ou seja, a população vai consumir e também está ávida por poupar, como mostra pesquisa da Fenaprevi, para quem formar reservas para o futuro é a prioridade dos lares brasileiros. Prova disso é que o percentual dos domicílios que planejam poupar era de 29% em 2008 e passou para 44% em 2010.

Educaçāo é prioridade das seguradoras

42-22036014Proteger o presente e o futuro dos brasileiros. Este é o objetivo para o qual todas as lideranças da indústria de seguros dedicam as 24 horas de cada dia. Fruto deste esforço, o setor conta hoje com 37 milhões de pessoas protegidas por seguros. Este número representa cerca de 30% da população brasileira.

“Podemos conquistar muitos mais clientes. O seguro de pessoas é a porta de entrada dos consumidores na indústria de seguros. Temos a grande oportunidade de fazer esta recepção de forma eficiente”, disse Marco Antonio Rossi, presidente da Bradesco Seguros e Previdência e também da Fenaprevi, ao abrir o segundo painel do V Fórum Nacional de Seguro de Vida e Previdência Privada, em São Paulo.

“Este cenário econômico que o Brasil veio construindo nos últimos 20 anos e uma oportunidade única para a industria de seguros. A nossa comunicação precisa ser melhorada. Temos de usar palavras menos técnicas. Usar o termo mensalidade paga a seguradora e não prêmio. Mudanças sutis como essa podem fazer grande diferença para atendermos de forma adequada este novo consumidor que ingressa no mercado de consumo”, disse o mediador do painel Cenário Macroeconômico- Análises, informa o blog Sonho Seguro.

Participaram Thomaz Menezes, CEO da SulAmérica, Antonio Cássio dos Santos, CEO da Mapfre, e Antonio Trindade, diretor responsável por seguros do Itaú. Todos foram unânimes em afirmar que o setor precisa se unir para simplificar processos e produtos, além de investir ainda mais em treinamento de funcionários e corretores, para que todos juntos possam mostrar à sociedade que seguro é simples e significa proteção.

Santos, da Mapfre, citou uma tendência na Europa apos a crise financeira. “As vendas de seguros estão crescendo e uma das explicações para isso e que uma parcela da população perdeu a confiança em bancos e direcionou parte dos recursos para as seguradoras de vida e previdência administrarem”, disse.

No mesmo raciocínio, Trindade relembrou que as seguradoras foram pouco afetadas pela crise no mundo. “No Brasil fomos reconhecidos como uma indústria bem regulada. Mundialmente, apenas seguradoras com produtos pontuais, ligados a bancos, enfrentaram problemas”, comentou. Quanto a nova etapa da regulamentação de solvência, o risco de crédito, que a Susep colocou em audiência publica, Trindade concorda que a modernização das regras de solvência é necessária, mas alertou que o excesso de exigências pode levar o mercado a uma concentração ainda maior.

Seguro de vida começa a ganhar espaço no Brasil

60668-35O Estudo Fenaprevi – Kantar avaliou também a presença de seguros de vida nos domicílios brasileiros. O produto está presente em 18% dos lares da Classe AB, 8 pontos percentuais a mais que verificado com os planos de previdência. Nos domicílios de Classe C, o índice de penetração é de 6%, contra 4% em previdência. E na Classe DE, o seguro de vida e de acidentes pessoais já está presente em 2% dos lares.

“O seguro de vida é produto prioritário para as pessoas que buscam proteção financeira para o futuro e para a sua família. É a garantia de que na ausência ou incapacidade do arrimo, os indivíduos do lar terão um suporte para reorganizar a vida”, diz Marco Antonio Rossi, presidente da Fenaprevi. Para o executivo, o desafio é impulsionar adequadamente os canais para oferecer o seguro para todas as classes de renda.

10% dos lares da classe AB tem previdência

42-20916862O estudo Fenaprevi – Kantar também avaliou a penetração dos planos de previdência privada por classe social. Na Classe AB, de famílias com renda acima de 10 salários mínimos mensais, a modalidade de investimento está presente em 10% dos lares. Na Classe C, que abrange famílias com renda mensal entre 4 e 10 salários mínimos, 4% dos domicílios, mesmo índice média geral Brasil, contam com plano de previdência entre os produtos financeiros contratados. Na DE, com famílias de renda entre 1 e 4 salários mínimos, o índice é de 1%.

“Temos uma grande oportunidade de expandir a presença nas famílias de maior renda e também entre os domicílios da classe C”, analisa Marco Antonio Rossi, presidente da Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), em nota divulgada. Para Rossi, a mudança do padrão da pirâmide etária brasileira é outra janela de oportunidade. “A população está envelhecendo rapidamente e a manutenção do padrão de vida dependerá da capacidade de poupança durante a fase laboral”, diz. “A cultura da previdência já está instalada e à medida que economia cresce e a renda familiar aumenta, os indivíduos farão um plano cada vez mais cedo”, complementa.

Hoje, os investimentos em previdência são maiores no segmento dos indivíduos entre 40 e 49 anos. Neste estrato, as contribuições anuais para formação de poupança de longo prazo são de R$ 1270, volume 9% maior que a média de contribuição anual do Brasil.

Os indivíduos de 50 anos ou mais são os segundos colocados no ranking de aportes, com contribuições 2% maiores que a média do país.

Entre os indivíduos até 29 anos as contribuições anuais são de R$ 1080, volume 7% menor que a média Brasil. Entre os que têm entre 30 e 39 anos, o índice é 8% menor que média de contribuições do país apurada pela Kantar ( R$ 1074,00).

A progressão se justifica quando se compara a faixa etária e a composição do orçamento doméstico. Nos domicílios em que os chefes de família têm até 29 anos, os gastos mensais, na média, superam em 9% as receitas. Entre 30 e 39 anos, a relação reduz ligeiramente e o déficit é de 6% mensais.

Já nos domicílios com famílias lideradas por indivíduos de 40 a 49 anos, as receitas superam em 2% os gastos mensais ou anuais. Na faixa dos indivíduos com mais de 50 anos, o superavit é maior: as receitas superam em 14% as despesas.

Poupar é o objetivo número um das famílias

42-20916480Fazer reservas para o futuro e para a aposentadoria é o objetivo número um listado pelos domicílios do país. O número de famílias brasileiras que planejam poupar parte de sua renda cresceu de 29% para 44% de 2008 para 2009, segundo comunicado divulgado pela Fenaprevi. Os lares do Sul são os campeões da previdência privada e os que mais destinam recursos para esta modalidade de investimento. Os dados constam no estudo realizado pela Kantar Worldpanel, maior empresa global de pesquisa de consumo em domicílios, que será apresentado no V Fórum Nacional de Seguro de Vida e Previdência Privada, que acontece em São Paulo nos dias 15 e 16.

Segundo o estudo da Kantar, realizado para a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), embora guardar para o futuro já seja um sonho de quase metade dos domicílios do país, na média Brasil, ainda é baixa a penetração dos planos de previdência privada aberta no mercado doméstico. Apenas 4% das famílias têm o produto em seu portfólio de investimentos.

Os dados da Kantar são extraídos de uma base de 8,2 mil domicílios acompanhados semanalmente em todo o país. A amostra representa 81% da população domiciliar brasileira e 91% do potencial de consumo residencial do país.

Segundo Marco Antonio Rossi, presidente da Fenaprevi, o estudo mostra que há um grande espaço para o crescimento da previdência no país. Hoje, a Fenaprevi contabiliza 9,7 milhões de planos contratados e R$ 201 bilhões em ativos (ver quadro com série histórica no balanço). Há cinco anos os ativos somavam R$ 68 bilhões. “Praticamente triplicamos de tamanho nos últimos 5 anos, mas há ainda um enorme campo para expansão da indústria”, avalia o executivo.

As famílias do Sul (PR+SC+RS) são as campeãs em economia para o futuro. Segundo os dados do estudo Fenaprevi – Kantar, 8% dos lares do Sul contam com um plano de previdência complementar. É o maior índice do país. Segundo os dados do levantamento, as famílias dessa região também são as que destinam maior volume de recursos para planos de previdência: R$ 1.353,00 anuais, volume 16% superior aos R$ 1.167,00 anuais verificados na média Brasil.

O interior de São Paulo é a segunda região no ranking de penetração de planos de previdência. Cerca de 6% dos lares do interior do Estado mais rico da Federação já contam com o produto e contribuem em média com R$ 1.165,00 anuais para a composição das reservas, 6% acima da média Brasil.

A região leste, que engloba interior do Estado do Rio de Janeiro, Espirito Santo e Minas Gerais é a terceira colocada em número de lares com planos de previdência no país. A penetração do produto nestes estados alcança 5% dos domicílios. As contribuições médias na região, entretanto, são menores. Na média apurada pela Kantar, os domicílios da região contribuem com R$ 1075 ao ano, 8% a menos que o verificado na média Brasil.

A Grande São Paulo e a Grande Rio de Janeiro, segundo a pesquisa, surgem na quarta posição no ranking de penetração dos planos de previdência no mercado brasileiro. Nas duas maiores metrópoles do país, 4% dos lares investigados pela Kantar têm um plano de previdência privada contratada. Na capital paulista, a média das contribuições está na faixa de R$ 1.182,00 anuais, apenas, 1% acima da média nacional. Na capital fluminense, as contribuições estão na média mais baixa do país: R$ 849,00 anuais, volume 27% inferior ao da média Brasil.

No Centro-Oeste, uma das regiões de maior crescimento econômico do Brasil nos últimos anos, apenas 3% dos domicílios têm um plano de previdência contratado. Mas na região, as contribuições são as mais elevadas do país. Os planos contratados nos estados que compõem a fronteira agrícola brasileira, as contribuições para os planos de previdência são na média de R$ 1.346,00 ao ano, volume 15% superior ao restante do país.

As regiões Norte e Nordeste, por sua vez, são as lanterninhas dos planos de previdência privada. Nos estados da região, apenas 2% dos domicílios contam com o produto e as contribuições são 17% menores que as da média Brasil, perfazendo R$ 969,00 anuais.

Previdência aberta acumula R$ 201,8 bi até julho

42-24772500A previdência privada aberta fechou o mês de julho de 2010 com arrecadação de R$ 3,3 bilhões, apresentando crescimento de 7,6% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, quando R$ 3,1 bilhões ingressaram no sistema. No mês de julho, o VGBL arrecadou R$ 2,6 bilhões, alta de 7,5% em relação a julho do ano passado, quando foram arrecadados R$ 2,4 bilhões.

Segundo a Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), entidade que reúne 65 sociedades seguradoras e 15 entidades abertas de previdência complementar, o crescimento no volume de depósitos no VGBL deve-se à popularização do produto, que é indicado para o investidor que não declara imposto pelo modelo completo. O VGBL é um seguro de vida com caráter previdenciário por possuir cobertura por sobrevivência.

O PGBL – produto de previdência adequado para quem faz a declaração completa do Imposto de Renda e que permite deduzir até 12% do montante a ser pago à Receita Federal – por sua vez, cresceu 13,20% no período com arrecadação de R$ 442,8 milhões. Já os planos tradicionais fecharam julho com R$ 273,2 milhões com leve crescimento de 0,66%. Os outros produtos de previdência, como o FAPI, PGRP e VGRP arrecadaram R$ 1,1 milhão, com retração de 14,15%.

Os dados da Fenaprevi mostram que, em julho de 2010, os planos individuais cresceram 15,20% e atingiram arrecadação de R$ 2,8 bilhões contra R$ 2,4 bilhões registrados no mesmo período de 2009. Os planos corporativos, por sua vez, arrecadaram R$ 394,8 milhões em comparação aos R$ 386,8 milhões arrecadados no mesmo mês do ano passado, alta de 2,08%. Já os planos para menores responderam por R$ 113,2 milhões da arrecadação.

A Bradesco Vida e Previdência liderou o ranking de arrecadação em julho com 31,48% do total arrecadado, seguida pela Itaú Vida e Previdência (20,69%), BrasilPrev (18,94%), Santander Seguros (9,60%), Caixa Vida e Previdência (5,61%), HSBC Vida e Previdência (3,96%), Safra Vida e Previdência (3,64%), Icatu Seguros (1,18%), Sul América (1,15%), Metropolitan Life (0,66%). As demais seguradoras somam, no total, 3,09% da arrecadação.

As provisões — recursos acumulados pelos participantes do sistema de previdência complementar — somaram R$ 193,9 bilhões em julho de 2010, alta de 21,57% em relação a julho de 2009 quando as provisões totalizaram R$ 159,5 bilhões. As provisões dos planos VGBL, correspondendo a expectativa do mercado, tiveram o crescimento mais expressivo (30,22%), passando de R$ 83,8 bilhões em julho de 2009 para R$ 109,1 bilhão em julho de 2010.

As provisões de PGBL cresceram 18,41%, sendo que as provisões do produto passaram de R$ 43,7 bilhões em julho do ano passado para R$ 51,8 bilhões em julho deste ano. As provisões dos planos tradicionais passaram de R$ 31,4 bilhões em julho de 2009 para R$ 32,5 bilhões no mesmo mês em 2010 — alta de 3,29%.

Com relação a market share, os planos VGBL mantiveram a liderança no volume de depósitos no sistema de previdência complementar, com 56,26% do total, seguidos pelos PGBL, com 26,72% do volume total de provisões, enquanto os planos tradicionais contaram com 16,76% do volume total de provisões. Outros produtos – incluindo os Fapi — completam a equação, com 0,26%.

Em relação à carteira de investimentos — que corresponde aos ativos que garantem as provisões técnicas —– o mercado de previdência complementar cresceu 22,48%. Com isso, a carteira do setor somou R$ 201,8 bilhões no período.

O VGBL teve novamente o crescimento mais expressivo, com alta de 30,38% do total de recursos, passando de R$ 83,4 bilhões (julho/2009) para R$ 108,7 bilhões (julho/2010). O PGBL cresceu 18,64% no período. A carteira do produto passou de R$ 43,9 bilhões para R$ 52,1 bilhões. Já a carteira de planos tradicionais passou de R$ 36,9 bilhões para R$ 40,4 bilhões, o que representou um avanço de 9,43%.

No acumulado de janeiro a julho de 2010 os planos de previdência arrecadaram R$ 23,1 bilhões, crescimento de 16,46%. O crescimento foi puxado pelo VGBL que somou R$ 18,2 bilhões, alta de 19,38% frente ao acumulado de 2009. Os planos PGBL apresentaram alta de 14,32% no período com arrecadação de R$ 3 bilhões. Já os planos tradicionais registraram queda de 3,02% e arrecadaram R$ 1,929 bilhões em comparação aos R$ 1,989 bilhões no acumulado de 2009.

No resultado acumulado do ano os planos corporativos obtiveram o melhor desempenho com arrecadação de R$ 3 bilhões, um crescimento de 20,93%. Já os planos individuais somaram R$ 19,4 bilhões, alta de 20,91%. Os planos para menores, por sua vez, acumularam 776,3 milhões. Os dados da Fenaprevi informam que há 9,7 milhões de contratos de planos previdenciários. Atualmente, cerca de 96 mil pessoas são beneficiadas pelas coberturas de pecúlio, pensão e aposentadoria.

Venda de seguro de pessoas avança 13%

42-21521719O segmento de vida, que engloba seguros prestamistas, educacionais, vida individual e grupo, entre outros produtos, registrou vendas de R$ 8,7 bilhões de janeiro a julho deste ano, alta de 13,12% comparado ao mesmo período do ano anterior. Segundo dados da FenaPrevi, o seguro de vida individual bateu a marca de R$ 605 milhões, alta de 34,42%, na comparação aos R$ 450 milhões registrados no mesmo período do ano anterior. O maior volume de vendas de seguros de vida individual deve-se ao aumento de renda e oferta de crédito, principalmente para as classes C e D, que ascenderam e estão tendo mais acesso ao consumo.

Os seguros prestamistas cresceram 20,73% no acumulado e movimentou R$ 1,8 bilhão. Outro seguro que expandiu foi o de acidentes pessoais. Esta modalidade de seguro acumulou R$ 1,4 bilhão e cresceu 20,08% na comparação aos R$ 1,1 bilhão registrado no mesmo período do ano anterior. De acordo com o balanço, o seguro turístico também obteve resultado expressivo. Registrou expansão de 145,8% e registrou R$ 20 milhões. O crescimento deve-se ao maior número de viagens internas e para o exterior.

Em relação a sinistros retidos (equivalente ao sinistro pago na integralidade, menos descontos de cosseguro cedido, resseguro cedido e outros descontos, mais retrocessão aceita), o volume desembolsado pelas seguradoras no acumulado de janeiro a julho de 2010 foi de R$ 2,7 bilhões, alta 7,33%.

A Bradesco ocupa o primeiro lugar no ranking, com 16,94%; seguida pela Itaú (15,63%); Companhia de Seguros Aliança do Brasil (10,15%); Santander (9,43%); Mapfre (7,65%); HSBC (4,35%); Metropolitan Life Seguros e Previdência (4,05%); Caixa Seguros (3,82%), Sul América (2,85%); Tokio Marine (2,82%). As demais seguradoras representaram 22,30% dos prêmios de seguros. Foram considerados, para este ranking, as holdings.

Normas precisam melhorar, diz Swiss Re

swissre2*matéria extraída do site da CNSeg www.viverseguro.org.br

Embora o setor de seguros tenha resistido relativamente bem à crise financeira, agindo como uma fonte de estabilidade do sistema financeiro global, o tumulto expôs falhas no modo como as seguradoras estão regulamentadas. O estudo sigma mais recente da Swiss Re “Questões regulamentares no seguro” aponta a necessidade de melhora no ambiente regulador das seguradoras, mas alerta para os possíveis danos de uma reação exagerada à crise. O estudo sugere que, ao considerar reformas, deve-se dispensar atenção especial à supervisão dos grupos securitários, à gestão do risco de liquidez e ao caráter pró-cíclico dos custos do risco de capital.

Durante a crise financeira, o setor de seguros continuou operando normalmente e as regulamentações do seguro se mostraram razoavelmente adequadas. Salvo poucas exceções, as seguradoras não necessitaram do apoio governamental. Contudo, mudanças substanciais no ambiente regulador vêm sendo cogitadas, que poderia criar distorções no mercado, prejudicando, consequentemente, os segurados e a economia de modo geral.
Os setores securitário e bancário requerem diferentes abordagens regulatórias. A reforma regulatória voltou-se sobretudo para o setor bancário, mas, no interesse de uma maior solidez, algumas regulamentações têm sido estendidas aos seguros.

Kurt Karl, economista chefe da Swiss Re nos EUA e um dos autores do novo estudo sigma, comenta: “Há uma diferença básica entre o modelo empresarial das seguradoras e dos bancos, pois as obrigações das primeiras não são pagáveis à vista, uma vez que elas geralmente pressupõem um evento segurado. Portanto, as seguradoras podem falhar sem ameaçar a estabilidade do sistema financeiro, por não estarem tão interconectadas como os bancos e pelo fato de suas obrigações poderem ser arrastadas por um período de tempo estendido.”

Uma das maiores preocupações geradas pelas possíveis mudanças na regulamentação refere-se ao fato de que as exigências de capital excessivamente rigorosas poderiam forçar as seguradoras a tomar decisões de investimento demasiado conservadoras, o que poderia diminuir os retornos para os segurados. “Do ponto de vista macroeconômico, tal alteração nos investimentos não seria bem vinda para a economia como um todo, pois reduziria o montante de capital disponível para o crescimento financeiro”, acrescenta Karl.

Embora as seguradoras tenham contornado bem a crise, os graves problemas enfrentados por alguns grupos de bancos/seguros revelaram a importância de uma supervisão efetiva dos grupos. Os problemas surgiram invariavelmente de suas operações bancárias, mas afetaram os grupos todos.
Quando as operações bancárias colocavam os grupos em dificuldades, eram canceladas ou recorria-se à assistência governamental. Para Astrid Frey, uma das autoras do estudo,”apesar dos veículos de seguros desses grupos terem sofrido com a crise, eles permaneceram suficientemente capitalizados. No entanto, esta crise despertou a consciência para o fato de que a supervisão dosgrupos de seguradoras, principalmente daqueles que operam internacionalmente, se faz necessária para a compreensão do perfil geral de risco da empresa.” Recentemente, a Associação Internacional de Supervisores de Seguros (IAIS) lançou uma iniciativa para intensificar e tornar mais eficaz a supervisão dos grupos de seguros que operam em nível internacional.”

Durante a crise, o risco de liquidez – que não constitui um grande problema para as seguradoras – tornou-se uma questão crucial para certas companhias que se viram forçadas a obter liquidez suficiente para cumprir obrigações de curto prazo. Algumas seguradoras do segmento vida aumentaram sua exposição à liquidez, emprestando uma quantidade excessiva de seus ativos através de programas de empréstimo de títulos sem a devida fiscalização e investindo parte da garantia em ativos que se tornaram ilíquidos durante a crise.

Rebaixamentos na classificação de ativos ou das próprias (res)seguradoras também aumentaram as exigências de liquidez. Segundo Karl, “(Res)seguradoras devem monitorar regularmente essas possíveis exigências de liquidez com base em cenários de estresse intenso. Tais cenários devem incluir uma situação na qual os mercados de capital se tornem, em parte, temporariamente ilíquidos e talvez tenham que incluir um cenário onde o estresse de mercado esteja associado a um evento catastrófico segurado.”

A crise também colocou em evidência alguns fatores pró-cíclicos das exigências regulamentares fundamentados nos valores do mercado. Quando o preço dos ativos cai, pode surgir uma espiral descendente, pois algumas companhias tentam alienar seus ativos de maior risco no intuito de preservar uma capitalização adequada, o que por sua vez pode desencadear maiores reduções nos preços, forçando companhias a continuarem a eliminar o risco de suas carteiras. Como observa Frey, “este é um resultado indesejado de alguns conceitos baseados em risco e deve ser atenuado sempre que possível. As autoridades estão desenvolvendo mecanismos para reduzir as exigências de capital em períodos de estresse intenso no mercado.”

Para o estudo, conceitos regulatórios com enfoque econômico e baseados no risco dão suporte à eficiência e crescimento do seguro. A fiscalização do setor securitário é necessária para proteger os segurados. Os modernos regimes de supervisão e regulamentação, como o Solvency II ou o Swiss Solvency Test, assumem um enfoque econômico e são baseados no risco. “Se forem implementados adequadamente, tais regulamentações criarão um ambiente no qual o setor do seguro poderá operar de modo eficaz e promover estabilidade financeira e crescimento econômico”, afirma Karl.