O preço do programa de seguro de riscos de engenharia para os estádios que serão construídos ou reformados para a realização dos jogos da Copa de 2014 no Brasil representa 50% do valor cobrado pela indústria de seguros internacional das arenas construidas na África do Sul para o mundial de 2010.
“Os riscos técnicos entre os dois países são semelhantes. A diferença de preço é explicada pela recente abertura do mercado de resseguros no Brasil, que tem gerado acirrada concorrência, e pelo excesso de capital disponibilizado pelos acionistas ao país que é a bola da vez no mundo atualmente”, explica Rodrigo Belloube, executivo da Munich Re especializado em riscos de infraestrutura, ao blog Sonho Seguro. “A Munich Re não é partidária desta prática e não tem apoiado essas operações”, afirma.
O executivo explica que a diferença de custos, termos e condições entre o que se observou nos seguros da África e a prática corrente no Brasil traz preocupações. “Existe aparentemente falta de compatibilidade entre os sinistros futuros, pois as obras citadas têm execuções de alguns anos, e as condições dos contratos sendo agora celebrados”.
Segundo ele, a Munich Re tem tido grande apetite pelos riscos, mas há limites. “Outro dia recebemos uma proposta que equivalia a 30% do preço praticado na África e declinamos. Nossa proposta é, junto com a seguradora, fazer um preço técnico do risco e assim ter sustentabilidade no programa de investimento, que é de longo prazo”.
Belloube explica que a construção de um estádio é muito simples e não requer coberturas complicadas. Praticamente não há demanda pela cobertura Advance Loss of Profit (ALOP), que indeniza os investidores em caso de perda financeira pelo atraso do empreendimento. Como não pode haver atraso neste caso do mundial, esta cobertura tem ficado de fora dos programas”, explica. Os construtores compram apenas cobertura para riscos que envolvem perdas materiais.
O executivo proferiu palestra no evento Munich Ressegurando o Futuro, realizado no dia 17 de setembro, em São Paulo. Cerca de 400 executivos estiveram presentes para assistir as doze palestras apresentadas durante todo o dia. Temas como Crédito de Carbono, Mudanças Climáticas e Infraestrutura para Copa e Olimpíadas foram os mais concorridos.
*matéria extraída do site da CNSeg – www.viverseguro.org.br
A educação financeira é um tema que tem de fazer parte deste Brasil de oportunidades. Exatamente por isso o tema foi incluído no V Fórum Nacional de Seguro e de Previdência Privada, realizado nos dias 15 e 16 em São Paulo. “O consumo consciente e ético são os fundamentos básicos para a formação de poupança”, disse Renato Russo, vice-presidente da Fenaprevi e da SulAmérica Seguros ao abrir o painel “A Educação Financeira a serviço de uma sociedade sustentável”, do qual foi mediador.
Apoiado por 80 empresas, o Instituto Akatu tem buscado formas inovadoras de conscientizar a população sobre a necessidade do consumo consciente. “Nossas palestras visam alertar as pessoas sobre os impactos das atitudes individuais, que mesmo minúsculas podem ser grandiosas quando analisadas dentro de um contexto global”, afirma Helio Mattar, diretor do Instituto Akatu.
Entre 1960 e 2000, o número de habitantes do planeta dobrou, passando para 6 bilhões. Neste mesmo período, o consumo quadriplicou, totalizando US$ 20 trilhões. Isso quer dizer que o aumento da demanda dos recursos naturais explodiu. O mundo já consome 30% a mais do que a terra é capaz de renovar. Um fato curioso é que apenas 25% da população consome o necessário. “Se todos viessem a consumidor na média, quatro planetas não seriam suficientes para gerar os recursos necessário para atender a demanda”, diz Helio Mattar, do Akatu. Este consumo desenfreado leva a diversos impactos, sendo o principal o aquecimento global, segundo materia do Blog Sonho Seguro.
A solução da sustentabilidade vai vir, principalmente, pelo desenvolvimento de tecnologia mais limpa. Porém, o mais importante é que ela venha do consumidor mais consciente. Então é aqui que entra a educação financeira como uma das principais armas para salvar o planeta. Renato Campos, diretor da Funenseg, questionou os especialistas em como realmente mudar a atitude de consumidores habituados a consumir e também como conter uma demanda reprimida desta nova leva que começa agora a ter renda para comprar o que sonhou a vida toda. “A resposta a esta pergunta vale bilhões de dólares. É o que todos querem saber. Acredito que será um processo lento, mas imprescindível para as gerações futuras”, afirmou Mattar.
Entre os argumentos de peso usado pelos profissionais do Instituto Akatu estão a geração de lixo gerada pelo consumo. Só em São Paulo, o orçamento do lixo representa dois terços do orçamento da educação. “Ou seja, dinheiro para recolher lixo que deixa de ir para outras áreas importantes. Se as pessoas consumirem menos, gerarão menos lixo e sobrará recursos para outras áreas, inclusive para a educação”. O Brasil inteiro produz no ano lixo para encher 125 mil prédios. Para se ter uma noção da quantidade, São Paulo, cidade considerada uma selva de pedra, tem uma pequena parcela disso, 25 mil prédios.
O impacto do consumo consciente não apenas ajuda o planeta como também as finanças pessoais. A cada R$ 1 por dia economizado com uma compra desnecessária totalizaria R$ 284 mil no final de 66 anos, considerando-se taxa de juros de 6% ao ano. Por isso, uma dica do instituto Akatu é a regra dos quatro “R” – replanejar a vida priorizando o consumo do que realmente faz diferença, reduzir o excesso de consumo, rever os hábitos de consumo na vida e renegociar as dívidas.
Segundo Cassia D’Aquino, criadora de educação financeira em várias escolas no Brasil, gastar demais para comprar coisas que não quer para impressionar quem não gosta é o mote que precisa ser desmontado e que pode orientar a educação financeira. “A partir desta consciência é possível ajudar as pessoas a organizarem melhor suas finanças pessoais”.
“Temos de educar nos mesmos e nossos funcionários a pensarem economicamente, um dado irrevogável de sobrevivência do planeta”, comenta Fernando Alex, cientista social, diretor da Rede Cidadã, focada no voluntariado empresarial.
Pedro Bulcão, presidente da Sinaf, questionou os profissionais de educação financeira sobre como eles vêem os serviços prestados pelas instituições financeiras em prol da educação financeira. A resposta foi motivadora. “As empresas segundo setor tem um importante papel educativo, principalmente da classe C que está entrando no mercado de seguros. Acredito que poderemos ver as seguradoras tendo um papel efetivo em educação financeira”, disse Mattar, do Akatu.
Para o diretor da Rede de Cidadã, as empresas estão acordando para o assunto que é prioritário para a sustentabilidade econômica e social. “Vocês fazem muito, mas podem fazer mais. Muitas alegam não ter tempo para o assunto, mas é preciso colocar este tema na agenda”.
*matéria extraída do site da CNSeg www.viverseguro.org.br
Dois importantes fenômenos sociais em curso devem mudar a forma de se vender seguro e previdência no futuro. A mobilidade social, que fez aumentar em seis pontos percentuais o número de pessoas da classe C, entre 2007 e 2009, e o poder de consumo da geração Y, os chamados “nativos digitais”, aqueles nascidos em plena era da internet. Esses consumidores, que já representam 36% da população, trarão grande impacto à comercialização de seguros. Esta foi uma das principais conclusões do consultor da ATKearney, João Leandro Bueno, um dos participantes do painel “Distribuição – Inovação e Tecnologia”, realizado na manhã de hoje no “V Fórum Nacional de Seguro de Vida e Previdência Privada”, em São Paulo.
Um estudo realizado pela ATKearney, com foco na mobilidade social, comprovou que a classe de baixa renda é a mais numerosa, cerca de 42% da população economicamente ativa. Contudo, 70% dos ativos financeiros permanecem em mãos dos indivíduos das classes altas, que representam apenas 3% da população. Esse público mais abastado, segundo identificou a pesquisa, prefere produtos mais sofisticados, opta pelo canal de varejo que apresenta maior capilaridade e gosta de receber recomendações ou aconselhamento em relação a produtos.
Diante desse quadro, Bueno conclui que os bancos ainda terão predominância entre os demais canais de distribuição na venda de produtos de previdência. Segundo ele, a pesquisa revelou que a população ainda associa a previdência privada a produto financeiro. “Trata-se de um fator cultural, daí porque essa forma de venda deve continuar”, disse. Entretanto, o consultor prevê que os canais virtuais terão um papel importante no futuro.
Um dos motivos para esse impacto é a geração Y, “o grande público do mercado segurador no futuro”, na avaliação de Bueno, que, em 2020, representarão 30% da população acima de 30 anos. Atualmente, 51% das pessoas entre 25 e 34 anos utilizam a internet contra 15% da geração X, composta pelos indivíduos com idade entre 45 e 59 anos. Uma pesquisa da consultoria sobre a geração Y detectou que eles são imediatistas, infiéis às marcas, realizam múltiplas tarefas e desejam atendimento rápido, entre outros.
Na mesma linha, uma pesquisa da Accenture, com 3.555 pessoas em seis países, apresentada por Raphael de Carvalho durante o evento, descobriu que um traço comum nesse grupo é a intenção de utilizar a internet para renovação do seguro nos próximos 12 meses. Outra tendência comprovada, segundo ele, é a migração de serviços para os negócios móveis, como o ato de “tomar emprestada” temporariamente a capacidade de processamento da rede na internet, quando o computador pessoal ou da empresa não dispõe de espaço suficiente em disco.
Para Silas Devai Junior, da IBM, os equipamentos digitais – internet, PC, celular, GPS, MP3 etc. – estão mudando a maneira como vivemos. Por isso, “querendo ou não”, ele afirma, “o setor de seguros terá de se adequar aos canais virtuais, porque o consumidor está pedindo para migrar”, acrescenta. A boa notícia é que uma pesquisa da IBM revelou que a multiplicidade de canais traz bons resultados. “Quando mais canais, maiores as chances de venda”, disse.
A dica do consultor é para que o setor invista na integração de canais, o que, fatalmente, também mudará os modelos de negócios. Ele informou a respeito de novos formatos de serviços na internet que visam agregar valor, como é o caso dos sites de comparação de produtos ou de descontos online. Essas inovações permitirão às empresas que incorporem funções de negócios mais inteligentes, que possam interagir com o cliente. Para Silas, o varejo já saiu na frente na adesão aos canais virtuais, mas o seguro deverá embarcar agora, na segunda onda. “Os canais virtuais e as redes sociais são o caminho sem volta no futuro do seguro e da previdência”, afirma.
*matéria extraída do site da CNSeg www.viverseguro.org.br
Consultor de marcas e autor do livro “As marcas no divã: uma análise de consumidores e criação de valor”, Jaime Troiano está convicto de que ainda prevalece entre as empresas brasileiras um “olhar etnocêntrico” em relação às classes menos favorecidas. “Ao olhar o outro segundo os nossos próprios valores não enxergamos suas reais necessidades”, disse.
Troiano foi um dos participantes do painel que discutiram “Tendências de consumo de produtos e serviços”, durante o primeiro dia do “V Fórum Nacional de Seguro de Vida e Previdência Privada”, que termina nesta quinta-feira, em São Paulo (SP).
De acordo com o consultor, por conta dessa visão distorcida, as empresas cometem equívocos, como adaptar – ou “depenar”, como classificou – os produtos mais sofisticados para então oferecê-los às classes mais baixas. “Criar um produto mais barato para quem não tem dinheiro é um erro, pois fará com que ele se sinta ainda mais pobre”, afirmou.
Além de renovar sua visão em relação ao público de baixa renda, Troiano disse que o setor de seguros precisa desenvolver produtos que atendam às aspirações dessa faixa. Uma pesquisa, realizada por ele com três mil pessoas das classes D e E, identificou que a prioridade da maioria é o futuro dos filhos. “Esse público tem sonhos de consumo e projetos de longo prazo, o que representa uma enorme oportunidade ao segmento de previdência privada”, disse.
Mas, embora as perspectivas sejam boas, o mercado é altamente disputado, na avaliação do consultor em franchising Marcelo Cherto, outro participante do mesmo painel. Para ele, todos os segmentos disputam os mesmos consumidores. “A previdência privada concorre também com a TV a cabo, por exemplo, pois se o consumidor decide investir em produtos como este pode não ter dinheiro para pagar o seu plano”, disse.
Para piorar, Cherto disse que concorrência não se aplica somente aos preços dos produtos, mas também à forma de divulgação. Ele comentou a respeito de um estudo que estima em cerca de três mil o número de apelos de consumo a que uma pessoa está sujeita diariamente, por meios diversos que incluem desde panfletos até alto falantes de comércio ambulante, como carrinho de pamonha. Porém, o cérebro humano processa apenas cerca de 280 apelos.
“Portanto, os canais de comunicação precisam gerar experiências de consumo ou então serão esquecidos”, disse. Para tanto, ele ensina que os pontos de vendas (PDV) – ou os canais de distribuição, no caso do seguro -, têm de criar uma conexão emocional com o cliente, se não quiserem ser desprezados.
matéria extraída do site CNSeg www.viverseguro.org.br
A indústria de seguros pode ajudar o Brasil a ficar rico antes de envelhecer. A afirmação é do economista Delfim Neto (foto), que acaba de proferir palestra no V Fórum de Vida e Previdência, promovido pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), nesta manhã, em São Paulo. O número de idosos está aumentando e é preciso que as pessoas preparem reservas para viver no futuro, ainda mais com o bônus da longevidade.
Tanto ele como o economista Marcos Lisboa, do Itaú, ressaltaram o momento único que o Brasil vive hoje, em virtude de construir uma base sólida econômica e social nos últimos anos, segundo informa o blog Sonho Seguro. Este é um momento propício para fazer reservas para o futuro. Segundo Delfim, uma das características do governo Lula foi conseguir reduzir a desigualdade social, o que faz o empresário acreditar que vale a pena investir, e o empregado acreditar em mudança social.
“As maiores crises brasileiras foram causadas por falta de energia ou pela falta de balanço nas contas governamentais. Hoje, temos esses dois itens sob controle, longe de ser um problema nos próximos 15 anos”, aposta Delfim Neto, citando o Pré-sal como uma fonte energética e também de reservas de um país.
Lisboa citou dois dos principais desafios do Brasil – a necessidade de investimentos em infraestrutura e a criação de mecanismos de financiamento, com preços adequados. “É preciso mudar muitas regras existentes hoje para que a iniciativa privada possa viabilizar os recursos necessários para o investimento em infraestrutura que o Brasil necessita”, disse Lisboa. “Veja o custo do transporte no Brasil. Qual o custo Brasil de um caminhão ficar dias para descarregar em um porto?”, indaga. Outro exemplo citado por Lisboa que precisa de revisões é a tributação de itens importantes para apoiar o crescimento econômico, como o custo energético e importação de computadores, por exemplo.
Um dos pontos vitais para este momento de bonança do Brasil é a confiança dos investidores e da sociedade na condução da política e da economia. Questionado pela plateia sobre se algo pode dar errado, Delfim Neto foi categórico: “O Brasil não tem competência para destruir este momento promissor de crescimento previsto para os proximos 15 anos”.
Tão enfático quanto ele foi Lisboa: “Desenvolvimento é um processo. Só há desenvolvimento quando resolvemos um problema e como consequência criamos outros dois. Vamos criar muitos problemas, que são parte integrante desse processo de crescimento. Precisamos entender que os problemas vão surgir e vamos resolver à medida que treinamos uma administração favorável e sustentável”.
Ambos destacaram que o crescimento do Brasil é o resultado da construção da sociedade nos últimos 20 anos. “O que podemos ver é que o crescimento pode ser mais ou menos aproveitado. Alguns setores ou regiões podem crescer mais ou menos, em razão das dificuldades com logística, por exemplo. Mas é um processo progressivo, de pequenas melhoras. Sem chance de alguém fazer com que tudo isso dê errado”, afirma Lisboa.
Em relação à capacidade de elevar a poupança das pessoas diante de um consumo desenfreado, tanto Delfim como Lisboa acreditam ser um desafio do mercado de seguros e previdência, que precisa ter produtos e serviços capazes de educar a sociedade a pensar no futuro e ver vantagens nisso. Não se trata de uma competição com o consumo, mas sim mostrar que poupar é uma questão de hábito.
“As pessoas têm desejos e é isso que motiva o crescimento”, diz Delfim, contando uma conversa com um senhor que comprava geladeira a prazo. “Se o senhor poupar por 24 meses vai se livrar desse juro e pagar menos”. O senhor prestes a fechar o financiamento lhe respondeu. “Sim. Eu sei. Mas quero assistir o jogo do timão com cerveja gelada nesses 24 meses”.
Ou seja, a população vai consumir e também está ávida por poupar, como mostra pesquisa da Fenaprevi, para quem formar reservas para o futuro é a prioridade dos lares brasileiros. Prova disso é que o percentual dos domicílios que planejam poupar era de 29% em 2008 e passou para 44% em 2010.
Proteger o presente e o futuro dos brasileiros. Este é o objetivo para o qual todas as lideranças da indústria de seguros dedicam as 24 horas de cada dia. Fruto deste esforço, o setor conta hoje com 37 milhões de pessoas protegidas por seguros. Este número representa cerca de 30% da população brasileira.
“Podemos conquistar muitos mais clientes. O seguro de pessoas é a porta de entrada dos consumidores na indústria de seguros. Temos a grande oportunidade de fazer esta recepção de forma eficiente”, disse Marco Antonio Rossi, presidente da Bradesco Seguros e Previdência e também da Fenaprevi, ao abrir o segundo painel do V Fórum Nacional de Seguro de Vida e Previdência Privada, em São Paulo.
“Este cenário econômico que o Brasil veio construindo nos últimos 20 anos e uma oportunidade única para a industria de seguros. A nossa comunicação precisa ser melhorada. Temos de usar palavras menos técnicas. Usar o termo mensalidade paga a seguradora e não prêmio. Mudanças sutis como essa podem fazer grande diferença para atendermos de forma adequada este novo consumidor que ingressa no mercado de consumo”, disse o mediador do painel Cenário Macroeconômico- Análises, informa o blog Sonho Seguro.
Participaram Thomaz Menezes, CEO da SulAmérica, Antonio Cássio dos Santos, CEO da Mapfre, e Antonio Trindade, diretor responsável por seguros do Itaú. Todos foram unânimes em afirmar que o setor precisa se unir para simplificar processos e produtos, além de investir ainda mais em treinamento de funcionários e corretores, para que todos juntos possam mostrar à sociedade que seguro é simples e significa proteção.
Santos, da Mapfre, citou uma tendência na Europa apos a crise financeira. “As vendas de seguros estão crescendo e uma das explicações para isso e que uma parcela da população perdeu a confiança em bancos e direcionou parte dos recursos para as seguradoras de vida e previdência administrarem”, disse.
No mesmo raciocínio, Trindade relembrou que as seguradoras foram pouco afetadas pela crise no mundo. “No Brasil fomos reconhecidos como uma indústria bem regulada. Mundialmente, apenas seguradoras com produtos pontuais, ligados a bancos, enfrentaram problemas”, comentou. Quanto a nova etapa da regulamentação de solvência, o risco de crédito, que a Susep colocou em audiência publica, Trindade concorda que a modernização das regras de solvência é necessária, mas alertou que o excesso de exigências pode levar o mercado a uma concentração ainda maior.
O Estudo Fenaprevi – Kantar avaliou também a presença de seguros de vida nos domicílios brasileiros. O produto está presente em 18% dos lares da Classe AB, 8 pontos percentuais a mais que verificado com os planos de previdência. Nos domicílios de Classe C, o índice de penetração é de 6%, contra 4% em previdência. E na Classe DE, o seguro de vida e de acidentes pessoais já está presente em 2% dos lares.
“O seguro de vida é produto prioritário para as pessoas que buscam proteção financeira para o futuro e para a sua família. É a garantia de que na ausência ou incapacidade do arrimo, os indivíduos do lar terão um suporte para reorganizar a vida”, diz Marco Antonio Rossi, presidente da Fenaprevi. Para o executivo, o desafio é impulsionar adequadamente os canais para oferecer o seguro para todas as classes de renda.
O estudo Fenaprevi – Kantar também avaliou a penetração dos planos de previdência privada por classe social. Na Classe AB, de famílias com renda acima de 10 salários mínimos mensais, a modalidade de investimento está presente em 10% dos lares. Na Classe C, que abrange famílias com renda mensal entre 4 e 10 salários mínimos, 4% dos domicílios, mesmo índice média geral Brasil, contam com plano de previdência entre os produtos financeiros contratados. Na DE, com famílias de renda entre 1 e 4 salários mínimos, o índice é de 1%.
“Temos uma grande oportunidade de expandir a presença nas famílias de maior renda e também entre os domicílios da classe C”, analisa Marco Antonio Rossi, presidente da Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), em nota divulgada. Para Rossi, a mudança do padrão da pirâmide etária brasileira é outra janela de oportunidade. “A população está envelhecendo rapidamente e a manutenção do padrão de vida dependerá da capacidade de poupança durante a fase laboral”, diz. “A cultura da previdência já está instalada e à medida que economia cresce e a renda familiar aumenta, os indivíduos farão um plano cada vez mais cedo”, complementa.
Hoje, os investimentos em previdência são maiores no segmento dos indivíduos entre 40 e 49 anos. Neste estrato, as contribuições anuais para formação de poupança de longo prazo são de R$ 1270, volume 9% maior que a média de contribuição anual do Brasil.
Os indivíduos de 50 anos ou mais são os segundos colocados no ranking de aportes, com contribuições 2% maiores que a média do país.
Entre os indivíduos até 29 anos as contribuições anuais são de R$ 1080, volume 7% menor que a média Brasil. Entre os que têm entre 30 e 39 anos, o índice é 8% menor que média de contribuições do país apurada pela Kantar ( R$ 1074,00).
A progressão se justifica quando se compara a faixa etária e a composição do orçamento doméstico. Nos domicílios em que os chefes de família têm até 29 anos, os gastos mensais, na média, superam em 9% as receitas. Entre 30 e 39 anos, a relação reduz ligeiramente e o déficit é de 6% mensais.
Já nos domicílios com famílias lideradas por indivíduos de 40 a 49 anos, as receitas superam em 2% os gastos mensais ou anuais. Na faixa dos indivíduos com mais de 50 anos, o superavit é maior: as receitas superam em 14% as despesas.
Fazer reservas para o futuro e para a aposentadoria é o objetivo número um listado pelos domicílios do país. O número de famílias brasileiras que planejam poupar parte de sua renda cresceu de 29% para 44% de 2008 para 2009, segundo comunicado divulgado pela Fenaprevi. Os lares do Sul são os campeões da previdência privada e os que mais destinam recursos para esta modalidade de investimento. Os dados constam no estudo realizado pela Kantar Worldpanel, maior empresa global de pesquisa de consumo em domicílios, que será apresentado no V Fórum Nacional de Seguro de Vida e Previdência Privada, que acontece em São Paulo nos dias 15 e 16.
Segundo o estudo da Kantar, realizado para a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), embora guardar para o futuro já seja um sonho de quase metade dos domicílios do país, na média Brasil, ainda é baixa a penetração dos planos de previdência privada aberta no mercado doméstico. Apenas 4% das famílias têm o produto em seu portfólio de investimentos.
Os dados da Kantar são extraídos de uma base de 8,2 mil domicílios acompanhados semanalmente em todo o país. A amostra representa 81% da população domiciliar brasileira e 91% do potencial de consumo residencial do país.
Segundo Marco Antonio Rossi, presidente da Fenaprevi, o estudo mostra que há um grande espaço para o crescimento da previdência no país. Hoje, a Fenaprevi contabiliza 9,7 milhões de planos contratados e R$ 201 bilhões em ativos (ver quadro com série histórica no balanço). Há cinco anos os ativos somavam R$ 68 bilhões. “Praticamente triplicamos de tamanho nos últimos 5 anos, mas há ainda um enorme campo para expansão da indústria”, avalia o executivo.
As famílias do Sul (PR+SC+RS) são as campeãs em economia para o futuro. Segundo os dados do estudo Fenaprevi – Kantar, 8% dos lares do Sul contam com um plano de previdência complementar. É o maior índice do país. Segundo os dados do levantamento, as famílias dessa região também são as que destinam maior volume de recursos para planos de previdência: R$ 1.353,00 anuais, volume 16% superior aos R$ 1.167,00 anuais verificados na média Brasil.
O interior de São Paulo é a segunda região no ranking de penetração de planos de previdência. Cerca de 6% dos lares do interior do Estado mais rico da Federação já contam com o produto e contribuem em média com R$ 1.165,00 anuais para a composição das reservas, 6% acima da média Brasil.
A região leste, que engloba interior do Estado do Rio de Janeiro, Espirito Santo e Minas Gerais é a terceira colocada em número de lares com planos de previdência no país. A penetração do produto nestes estados alcança 5% dos domicílios. As contribuições médias na região, entretanto, são menores. Na média apurada pela Kantar, os domicílios da região contribuem com R$ 1075 ao ano, 8% a menos que o verificado na média Brasil.
A Grande São Paulo e a Grande Rio de Janeiro, segundo a pesquisa, surgem na quarta posição no ranking de penetração dos planos de previdência no mercado brasileiro. Nas duas maiores metrópoles do país, 4% dos lares investigados pela Kantar têm um plano de previdência privada contratada. Na capital paulista, a média das contribuições está na faixa de R$ 1.182,00 anuais, apenas, 1% acima da média nacional. Na capital fluminense, as contribuições estão na média mais baixa do país: R$ 849,00 anuais, volume 27% inferior ao da média Brasil.
No Centro-Oeste, uma das regiões de maior crescimento econômico do Brasil nos últimos anos, apenas 3% dos domicílios têm um plano de previdência contratado. Mas na região, as contribuições são as mais elevadas do país. Os planos contratados nos estados que compõem a fronteira agrícola brasileira, as contribuições para os planos de previdência são na média de R$ 1.346,00 ao ano, volume 15% superior ao restante do país.
As regiões Norte e Nordeste, por sua vez, são as lanterninhas dos planos de previdência privada. Nos estados da região, apenas 2% dos domicílios contam com o produto e as contribuições são 17% menores que as da média Brasil, perfazendo R$ 969,00 anuais.
A previdência privada aberta fechou o mês de julho de 2010 com arrecadação de R$ 3,3 bilhões, apresentando crescimento de 7,6% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, quando R$ 3,1 bilhões ingressaram no sistema. No mês de julho, o VGBL arrecadou R$ 2,6 bilhões, alta de 7,5% em relação a julho do ano passado, quando foram arrecadados R$ 2,4 bilhões.
Segundo a Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), entidade que reúne 65 sociedades seguradoras e 15 entidades abertas de previdência complementar, o crescimento no volume de depósitos no VGBL deve-se à popularização do produto, que é indicado para o investidor que não declara imposto pelo modelo completo. O VGBL é um seguro de vida com caráter previdenciário por possuir cobertura por sobrevivência.
O PGBL – produto de previdência adequado para quem faz a declaração completa do Imposto de Renda e que permite deduzir até 12% do montante a ser pago à Receita Federal – por sua vez, cresceu 13,20% no período com arrecadação de R$ 442,8 milhões. Já os planos tradicionais fecharam julho com R$ 273,2 milhões com leve crescimento de 0,66%. Os outros produtos de previdência, como o FAPI, PGRP e VGRP arrecadaram R$ 1,1 milhão, com retração de 14,15%.
Os dados da Fenaprevi mostram que, em julho de 2010, os planos individuais cresceram 15,20% e atingiram arrecadação de R$ 2,8 bilhões contra R$ 2,4 bilhões registrados no mesmo período de 2009. Os planos corporativos, por sua vez, arrecadaram R$ 394,8 milhões em comparação aos R$ 386,8 milhões arrecadados no mesmo mês do ano passado, alta de 2,08%. Já os planos para menores responderam por R$ 113,2 milhões da arrecadação.
A Bradesco Vida e Previdência liderou o ranking de arrecadação em julho com 31,48% do total arrecadado, seguida pela Itaú Vida e Previdência (20,69%), BrasilPrev (18,94%), Santander Seguros (9,60%), Caixa Vida e Previdência (5,61%), HSBC Vida e Previdência (3,96%), Safra Vida e Previdência (3,64%), Icatu Seguros (1,18%), Sul América (1,15%), Metropolitan Life (0,66%). As demais seguradoras somam, no total, 3,09% da arrecadação.
As provisões — recursos acumulados pelos participantes do sistema de previdência complementar — somaram R$ 193,9 bilhões em julho de 2010, alta de 21,57% em relação a julho de 2009 quando as provisões totalizaram R$ 159,5 bilhões. As provisões dos planos VGBL, correspondendo a expectativa do mercado, tiveram o crescimento mais expressivo (30,22%), passando de R$ 83,8 bilhões em julho de 2009 para R$ 109,1 bilhão em julho de 2010.
As provisões de PGBL cresceram 18,41%, sendo que as provisões do produto passaram de R$ 43,7 bilhões em julho do ano passado para R$ 51,8 bilhões em julho deste ano. As provisões dos planos tradicionais passaram de R$ 31,4 bilhões em julho de 2009 para R$ 32,5 bilhões no mesmo mês em 2010 — alta de 3,29%.
Com relação a market share, os planos VGBL mantiveram a liderança no volume de depósitos no sistema de previdência complementar, com 56,26% do total, seguidos pelos PGBL, com 26,72% do volume total de provisões, enquanto os planos tradicionais contaram com 16,76% do volume total de provisões. Outros produtos – incluindo os Fapi — completam a equação, com 0,26%.
Em relação à carteira de investimentos — que corresponde aos ativos que garantem as provisões técnicas —– o mercado de previdência complementar cresceu 22,48%. Com isso, a carteira do setor somou R$ 201,8 bilhões no período.
O VGBL teve novamente o crescimento mais expressivo, com alta de 30,38% do total de recursos, passando de R$ 83,4 bilhões (julho/2009) para R$ 108,7 bilhões (julho/2010). O PGBL cresceu 18,64% no período. A carteira do produto passou de R$ 43,9 bilhões para R$ 52,1 bilhões. Já a carteira de planos tradicionais passou de R$ 36,9 bilhões para R$ 40,4 bilhões, o que representou um avanço de 9,43%.
No acumulado de janeiro a julho de 2010 os planos de previdência arrecadaram R$ 23,1 bilhões, crescimento de 16,46%. O crescimento foi puxado pelo VGBL que somou R$ 18,2 bilhões, alta de 19,38% frente ao acumulado de 2009. Os planos PGBL apresentaram alta de 14,32% no período com arrecadação de R$ 3 bilhões. Já os planos tradicionais registraram queda de 3,02% e arrecadaram R$ 1,929 bilhões em comparação aos R$ 1,989 bilhões no acumulado de 2009.
No resultado acumulado do ano os planos corporativos obtiveram o melhor desempenho com arrecadação de R$ 3 bilhões, um crescimento de 20,93%. Já os planos individuais somaram R$ 19,4 bilhões, alta de 20,91%. Os planos para menores, por sua vez, acumularam 776,3 milhões. Os dados da Fenaprevi informam que há 9,7 milhões de contratos de planos previdenciários. Atualmente, cerca de 96 mil pessoas são beneficiadas pelas coberturas de pecúlio, pensão e aposentadoria.
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