Cuba quer fazer negócios com Brasil em seguros

Segundo conta a especialista em comunicação Vania Absalão, Cuba quer fazer negócios com o Brasil. Ela está divulgando a palestra sobre o mercado segurador cubano, suas estatísticas e expectativas de crescimento, no próximo dia 5, terça-feira, no auditório da Funenseg, promovida pelo Clube Vida em Grupo do Rio de Janeiro (CVG-RJ).

Segundo a nota, o recente ingresso de Cuba à Associação Internacional de Direito do Seguro (AIDA) fomentou os debates dentro e fora do país sobre o potencial do segmento para desenvolver novas oportunidades de negócios. De olho nos desafios do setor, o CVG RJ promove convidou o professor de Direito Comercial e Contratos da Faculdade de Direito da Universidade de Havana, Alejandro Vigil. Ele é professor de Direito Comercial e Contratos da Faculdade de Direito da Universidade de Havana; membro da União de Juristas Cubanos; Presidente da AIDA-Cuba; Assessor legal do Setor Segurador e Conferencista Internacional.

Além do cubano, as presenças do presidente do CVG-RJ, Lucio Marques, e do presidente do Comitê Ibero Latino-Americano da AIDA e sócio-fundador do Pellon & Associados, Sérgio Mello, estão confirmadas. O advogado foi responsável por negociar, em fevereiro, a entrada de Cuba no órgão internacional, após 40 anos de tentativas frustradas.

Os interessados em participar do evento poderão se credenciar através do site www.funenseg.org.br.

Atualidades do Mercado Segurador Cubano
Palestrante: Alejandro Vigil
Data: 05/04/2011
Local: Auditório da Escola Nacional de Seguros – Rua Senador Dantas, nº 74 – 4º andar – Centro – Rio de Janeiro/RJ
Horário: 18 horas
Inscrições: Através da secretaria do CVG-RJ, pelos telefones (21) 2213- 2787 / (21) 2203-0393, ou através do site www.funenseg.org.br.

Normas do CNSP podem encarecer resseguro

A jornalista Márcia Alves (foto), especializada em seguros, divulgou uma matéria bem interessante sobre o que especialistas falaram sobre as medidas do governo que alteraram o setor de resseguro. Entrevistas quase nenhum dos executivos que atuam no setor quiseram dar para a imprensa. Mas no seminário promovido pela JBO Advocacia, nesta terça-feira, em São Paulo, alguns especialistas falaram muitas coisas ao público.

Veja a seguir a íntegra da matéria da Márcia Alves, editora de conteúdo do Midiaseg (www.midiaseg.com.br)

Novas resoluções do CNSP podem encarecer preço do resseguro. Esta foi a conclusão de especialistas reunidos em debate promovido pela JBO Advocacia, nesta terça-feira, 29 de março, na capital paulista. O grupo também criticou a redação da recente Resolução 232, que dá margem a muitas interpretações, e analisou os impactos das novas regras no mercado nacional e internacional.

Se há um consenso no mercado de seguros e resseguros quanto às novas normas editadas pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) é que não agradaram ninguém. Ainda que a nova Resolução 232, publicada no Diário Oficial desta segunda-feira, 28 de março, tenha revogado a polêmica Resolução 224, substituindo a proibição total do repasse de riscos para empresas do mesmo grupo no exterior pelo limite de até 20% dos prêmios em cada cobertura contratada, não conseguiu agradar a todos os players do mercado.

Ambas as resoluções foram analisadas em detalhes por um grupo de especialistas reunidos nesta terça-feira, 29 de março, em evento promovido pelo escritório JBO Advocacia, na capital paulista. Márcia Cicarelli, sócia da JBO, que assumiu a organização do evento há alguns meses, revelou que os palestrantes foram surpreendidos com a edição da nova Resolução 232 e obrigados a rever suas apresentações. “A 224, que foi editada ao apagar das luzes no último ano e que deveria entrar em vigor em janeiro deste ano foi prorrogada para março. Mas, antes do fim desse prazo acabou revogada por uma nova resolução. É vexatório”, disse a palestrante Patricia Godoy, diretora jurídica da ACE Seguradora.

Ela conta que chegou a ser questionada pela matriz de sua empresa sobre o porquê de não saber antecipadamente da edição das novas regras. “No exterior, qualquer mudança na legislação deve ser discutida, obrigatoriamente, em audiência pública. Mas aqui isso não acontece”, lamentou. Para a especialista, situações como essa geram insegurança jurídica e prejudicam a imagem do país perante investidores estrangeiros. “A intenção da Lei Complementar 126 era transformar o Brasil em um pólo de resseguro. Mas com a mudança de regras do jogo da noite para o dia, qualquer investidor estrangeiro pensará duas vezes antes de decidir investir no país”, avaliou.

As duas especialistas apontaram muitas falhas de redação no curto texto da Resolução 232, que além de gerar várias interpretações, ainda conflitam com a legislação em vigor. De acordo com Márcia Cicarelli, a 224 vedava o repasse de riscos, mencionando a “responsabilidade” assumida em seguro, resseguro e retrocessão. A 232, porém, veda não a responsabilidade, mas a transferência de prêmio além do limite de 20%. “Houve a troca de responsabilidade por prêmio”, concluiu.

Para Patricia Godoy, não está claro se os prêmios mencionados na nova resolução são de resseguro ou seguro. “Embora eu saiba que sejam prêmios de resseguro, isso não está escrito na resolução”, disse. Por esse raciocínio, ela disse que também é questionável a interpretação do trecho que define o limite de 20% a cada cobertura contratada. “Mesmo num contrato de resseguro pode haver vários ramos. Então, esse limite poderia ser por ramo ou apólice?”.

Para Márcia Cicarelli, o texto suscita outra dúvida. “Quando se transfere o risco, o prêmio está atrelado. Mas será que é possível transferir o risco sem a transferência de prêmio?”, questionou. Ela ressaltou, ainda, que a nova resolução fornece uma redação mais detalhada sobre a definição de intragrupos – que já era definida de forma parcial em resoluções anteriores -, estabelecendo que a mínima participação acionária de 10% ou o simples controle operacional já caracterizam a empresa como de mesmo grupo.

A advogada classificou de “estapafúrdia” a inclusão do artigo oitavo na redação da Resolução CNSP 168/07, realizada pela nova Resolução 232. O novo artigo estabelece no parágrafo único que: “Os contratos automáticos já firmados serão considerados, para efeito do percentual disposto no caput, na sua renovação ou a partir de 31 de março de 2012, o que ocorrer antes”. Segundo ela, o termo “o que ocorrer antes” está errado, porque pelo principio do Direito, “deveria ser o que ocorrer depois”, já que a vigência dos contratos não é estabelecida, necessariamente, pelo prazo de um ano.

Preço mais caro

Paulo Pereira, vice-presidente da Transatlantic Re e presidente da Associação Brasileira das Empresas de Resseguros (Aber), fez questão de ressaltar que sua participação no evento não era como representante da entidade, já que a mesma ainda não tinha posição oficial sobre as novas regras. Um dos pontos que ele destacou nas novas resoluções se refere à reserva de mercado de 40%, que não existia nas normas anteriores. “Falava-se em preferência, mas nunca em reserva de mercado”, disse.

A conseqüência dessa mudança, segundo ele, será o aumento de preço do resseguro. “A partir de 31 de março, todas as empresas vão pagar mais caro por seus programas de resseguro”, sentenciou. Para Paulo Pereira, significa uma volta ao passado, quando havia dois preços. “Até hoje, se conseguia um preço no mercado estrangeiro e o local acompanhava. Agora, com a reserva, será obrigatório colocar no local. Com isso, as resseguradoras ditarão suas condições e, consequentemente, poderá ocorrer o aumento de preço do resseguro”, explicou.

Ele acredita que um dos motivos para essa mudança seja o intuito de estimular as resseguradoras a se instalarem no país na condição de locais. “Mas é um erro, porque elas precisarão de um volume de dinheiro que não corresponde às operações normais de resseguro no mundo”, disse. Paulo Pereira supõe que, para driblar a limitação de retrocessão, as resseguradoras poderão adotar um mecanismo de triangulação. “Se A não pode repassar o prêmio para A, poderá repassar para B, que retornará para A”, explicou. “As legislações internacionais são brandas e muito parecidas para facilitar o fluxo do resseguro. O país que dificultar esse fluxo, ou perderá capacidade ou pagará mais caro por ele”, concluiu.

Brasil Insurance avalia 50 corretores para eventuais aquisições

A Brasil Insurance, holding que reúne 29 corretoras de seguros, realiza hoje as 10 horas a apresentação dos seus resultados financeiros em teleconferência. Segundo Bruno Padilha, diretor de Relações com Investidores, o grupo mantém conversas com 50 corretoras para futuras aquisições. Tal aposta se dá pelo otimismo com a indústria de seguros do Brasil. Segundo relatório divulgado, o mercado segurador brasileiro apresenta perspectivas bastante positivas para o ano de 2011 e seguintes, com estimativas de crescimento anual acima de 12%, o que revela o seu potencial de aumento de participação no PIB brasileiro dos recentes 3,1% de 2009 para níveis entre 4% e 5% até 2015.

No link abaixo é possível acessar o release com os principais resultados.

http://www.mzweb.com.br/brasilinsurance/web/arquivos/Brasil_Insurance_Release_4T10_Pt.pdf

Lloyd’s of London vê um 2011 muito desafiador

O Lloyd’s of London, mercado de seguros que conta com mais de 70 empresas para assumir riscos provenientes de todas as partes do mundo, viu seu lucro encolher em 2010 para £ 2,2 bilhões de libras (US$3,4 bilhões). A queda foi justificada pelo maior volume de catástrofes mundiais, como o terremoto do Chile, as enchentes na Austrália e o afundamento e explosão de plaformas de petroleo.

O índice combinado, que mede a eficiência operacional, encerrou o ano com 93,3%, o que para a instituição é um bom numero se comparado a outros mercados de seguros, como 101,5% para seguradoras de riscos diversos e propriedades nos EUAi; 95,4% para resseguradoras dos EUA; 90,8% para seguradoras e resseguradoras das Bermudas e 101,0% para seguradoras e resseguradoras européias.

Lorde Levene (foto), chairman do Lloyd’s informou, em comunicado, que apesar de enfrentar sinistros significativos em decorrência dos trágicos terremotos no Chile e na Nova Zelândia, inundações na Austrália e a perda da plataforma de petróleo Deepwater Horizon no Golfo do México, a instituição apresentou um lucro significativo. “As catástrofes de 2010 e 2011 mostraram o papel crucial que o seguro desempenha para ajudar as comunidades a se reconstruírem após uma crise”, comentou.

O presidente do Lloyd’s, Richard Ward, comentou que 2011 já é um ano extraordinário em termos de desastres naturais trágicos. “Estendemos nossa profunda solidariedade aos que foram afetados e estamos trabalhando duro para garantir que os sinistros sejam atendidos com presteza, para que as comunidades no Japão, Nova Zelândia e Austrália possam se reconstruir e se recuperar”.

Todos concordam que são tempos desafiadores para as seguradoras. As taxas que determinam o custo do seguro se abrandaram, há excedente de capital por toda a indústria e os retornos sobre investimento estão em queda. “Em 2011, temos que ajudar o mercado a enfrentar o ciclo, garantindo que ele subscreva para o lucro e não para o crescimento. Ao mesmo tempo, estamos posicionando o mercado para aproveitar oportunidades futuras, expandindo-se em novas economias e facilitando ainda mais fazer negócios com o Lloyd’s.”

Outro desafio em 2011, segundo os executivos do Lloyd’s, é o projeto Solvência II e estou confiante de que estamos fazendo um bom progresso. No entanto, estou cada vez mais preocupado com o custo e a complexidade desse exercício. Temos que garantir que esta regulação não cause um dano duradouro em nossa competitividade internacional – seja para o Lloyd’s ou para o setor de forma mais ampla”.

Brasil Insurance compra Classic por R$ 19,4 milhões

A Brasil Insurance comprou o controle da Classic Corretora de Seguros por R$ 19,4 milhões, passando a ser a 29º corretora a integrar a Brasil Insurance. Com sede em São Paulo, a Classic é especializada no segmento de seguros massificados, com uma carteira de clientes de 6 milhões de pessoas físicas, conquistados através de parcerias com redes varejistas e financeiras. A corretora apresentou em 2010 aproximadamente R$ 80 milhões em prêmios de seguros.

Veja abaixo a íntegra do comunicado enviado à CVM

A Brasil Insurance Participações e Administração S.A. (“Companhia”), sociedade anônima aberta, com ações ordinárias negociadas no Novo Mercado da Bovespa sob o código BRIN3, em atendimento às disposições da Instrução CVM n°358/2002, comunica a seus acionistas e ao mercado em geral que, de acordo com sua estratégia de crescimento através da aquisição de participações em empresas de intermediação de seguros e resseguros, firmou contrato em 28/03/2011 adquirindo o controle da Classic Corretora de Seguros, a 29o corretora do Grupo Brasil Insurance.

A Classic Corretora, com sede na cidade de São Paulo e destacada atuação em todo o território nacional, é uma corretora de seguros especializada no segmento de seguros massificados, com uma carteira de clientes de 6 milhões de pessoas físicas, conquistados através de parcerias com redes varejistas e financeiras. A corretora apresentou em 2010 aproximadamente R$ 80 milhões em prêmios de seguros.

A Brasil Insurance passará a deter 99,99% das quotas representativas do capital social da Classic Corretora. O valor da aquisição é de R$ 9,2 milhões somados a 3 parcelas anuais variáveis, calculadas com base em uma estrutura de earn-out, em função dos resultados futuros da Classic Corretora. O preço total estimado para essa aquisição é de R$ 19,4 milhões, sendo 50% pagos em dinheiro e 50% em ações da Brasil Insurance.

Conforme determinado pelo artigo 256, inciso I da Lei das Sociedades Anônimas (Lei 6.404/1976), a Companhia submeterá esta decisão a uma Assembleia Geral Extraordinária, concomitante à Assembleia Geral Ordinária de 29/04/2011, para deliberar sobre o assunto. Os acionistas que dissentirem da aquisição da Classic Corretora terão o direito de se retirar da Companhia. Com relação ao exercício do direito de retirada, terão direito ao reembolso aqueles que eram acionistas em 25/03/2011. O prazo para o acionista dissidente manifestar-se acerca da sua decisão de retirada da Companhia é de 30 (trinta) dias contados a partir da data de publicação da ata da Assembléia Geral Extraordinária que deliberará sobre esta aquisição.

Rio de Janeiro, 28 de março de 2011

Bruno Padilha de Lima Costa
Diretor Financeiro e de Relações com Investidores

Brasil passa a figurar no ranking de catástrofes mundiais

O custo total de catástrofes em 2010 foi 60% maior do que o volume de indenizações pagas pela indústria de seguros em 2009, afirma estudo da Swiss Re divulgado hoje. Em 2011, a previsão é de que o volume seja um dos maiores da história do setor em razão da tragédia do Japão, enchentes na Austrália e terremoto na Nova Zelândia.

As perdas economicas dos países totalizaram US$ 218 bilhões em 2010, decorrentes de catástrofes naturais e geradas pelo homem. As indenizações pagas pelas seguradoras chegaram a US$ 43 bilhões em 2010, 60% acima dos US$ 27 bilhões de 2009. Em número de vítimas, o terremoto que devastou o Haiti em janeiro de 2010 lidera o ranking, com 222 mil mortos, seguido pela onda de calor na Rússia no mês de junho foi responsável por 55,6 mil mortes.

No ranking das catástrofes mais custosas para a indústria de seguros entre 1970 e 2010, temos o furacão Katrina nos EUA em 2005, com US$ 72 bilhões, o furacão Andrew, em 1992, com US$ 24 bilhões, e os atentados terroristas aos EUA em 2005, com indenizações de US$ 23 bilhões. Em 2011, só a tragédia ocorrida no Japão, com terremoto seguido de tsunami, deverá custar mais de US$ 35 bilhões às companhias de seguros, passando a ser a segunda catástrofe mais cara do setor desde 1970.

Em pagamento de indenizações, o terremoto do Chile foi o mais caro para as seguradoras em 2010, com US$ 8 bilhões em desembolsos, seguido pelo terromoto na Nova Zelândia, avaliado até o momento em US$ 4,5 bilhões. No total, o estudo da Swiss Re traz 304 eventos, sendo 167 catástrofes naturais e 137 de acidentes causados pelo homem. Apesar de certo equilíbrio em numero de ocorrências, as catástrofes naturais foram responsáveis por quase a totalidade das indenizações, com US$ 40 bilhões, ficando os acidentes causados pelo homem com os US$ 3 bilhões restantes. Entre os mais custosos para as seguradoras estão os desastres marítimos, explosões e acidentes aéreos.

As mudanças climáticas são tão evidentes que até mesmo o Brasil passou a figurar no ranking de catástrofes naturais do estudo da Swiss Re. A fúria da natureza no Brasil é bem mais suave do que em outras partes do mundo. O pais abre o ranking que traz a cronologia dos eventos de enchentes em 2010, com as enchentes no Rio de Janeiro, Angra dos Reis, São Paulo e Minas Gerais, com 85 mortes e danos de US$ 145 milhões. Também fecha o mesmo quadro com a triste notícia de 256 mortes, 403 feridos e mais de 74,5 mil desabrigados com as chuvas no Rio de Janeiro e Niterói, que causaram danos de US$ 200 milhões, segundo o estudo divulgado hoje.

O estudo completo pode ser acessado no site da segunda maior resseguradora do mundo: www.swissre.com

Veja a íntegra da revogação da 224 publicada hoje

CNSP No 168, de 17 de dezembro de 2007, e revoga a Resolução No 224, de 6 de dezembro de 2010.

O PRESIDENTE DO CONSELHO NACIONAL DE SEGUROS PRIVADOS – CNSP, no uso da atribuição que lhe confere o § 1º do art. 5º do Regimento Interno daquele Conselho aprovado pela Resolução CNSP No 111, de 7 de maio de 2004, com fundamento nos incisos II, VI e VII do art. 32 do Decreto-Lei No 73, de 21 de novembro de 1966, no parágrafo único do art. 12 da Lei Complementar No 126, de 15 de janeiro de 2007 e considerando o que consta do Processo CNSP No 3/2007, ad referendum daquele Conselho, resolveu:

Art. 1o O art. 14 da Resolução CNSP no 168, de 17 de dezembro de 2007, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 4o, 5o, 6o, 7o e 8o:

“§ 4o A sociedade seguradora ou o ressegurador local não poderá transferir, para empresas ligadas ou pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro sediadas no exterior, mais de 20% (vinte por cento) do prêmio correspondente a cada cobertura contratada

§ 5o Entende-se por empresas ligadas ou pertencentes a um mesmo conglomerado financeiro o conjunto de pessoas jurídicas relacionadas, direta ou indiretamente, por participação acionária de 10% (dez por cento) ou mais no capital, ou por controle operacional efetivo, caracterizado pela administração ou gerência comum, ou pela atuação no mercado sob a mesma marca ou nome comercial.

§ 6o Sem prejuízo das atribuições do órgão fiscalizador, os comitês de auditoria das sociedades seguradoras e dos resseguradores locais, bem como seus auditores independentes, deverão verificar o cumprimento do disposto no § 4o e indicar expressamente o resultado por meio de relatório circunstanciado sobre o descumprimento de dispositivos legais e regulamentares.

§ 7o O limite máximo disposto no § 4o não se aplica aos ramos garantia, crédito à exportação, rural, crédito interno e riscos nucleares para os quais ficam permitidas cessões em resseguro ou retrocessão para empresas ligadas ou pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro sediadas no exterior, observadas as demais exigências legais e regulamentares.

§ 8o Os contratos automáticos já firmados serão considerados, para efeito do limite disposto no §4o, na sua renovação ou a partir de 31 de março de 2012, o que ocorrer antes.” (NR)

Art. 2o O art. 15 da Resolução CNSP no 168, de 17 de dezembro de 2007, passa a vigorar acrescido do seguinte parágrafo único:

“Parágrafo único. Os contratos automáticos já firmados serão considerados, para efeito do percentual disposto no caput, na sua renovação ou a partir de 31 de março de 2012, o que ocorrer antes.

Art. 3º Esta Resolução entra em vigor a partir de 31 de março de 2011.

Art. 4º Fica revogada a Resolução Nº 224, de 6 de dezembro de 2010.

Guido Mantega

O mercado de resseguro brasileiro amadurece

Não pude cobrir pessoalmente a 3 ª Conferência Brasileira de Resseguros no Rio de Janeiro. Infelizmente. Mas em conversas com quem participou e lendo os textos publicados no site da revista inglesa Reactions, que promoveu o evento, trago aqui um resumo do que aconteceu nos dois dias de debates sobre os três anos de abertura do mercado de resseguros brasileiro.

O mercado de resseguros no Brasil deverá triplicar até 2030, segundo especialistas que participaram do evento promovido nos dia 24 e 25 de março. Em volume de faturamento, isso significa passar dos US$ 2,4 bilhões de 2010 para US$ 7,2 bilhões até 2030. Muitos consideram essa expectativa para lá de conservadora diante dos milionários investimentos necessários para sustentar o crescimento econômico do Brasil, sede da Copa do Mundo em 2014 e dos Jogos Olímpicos em 2016.

O seminário aconteceu justamente na semana em que governo e iniciativa privada discutiam mudanças significativas nas regras do resseguro. As resoluções 224 e 225 foram editadas pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) em dezembro. A 224 veta o repasse de contratos de resseguros entre empresas do mesmo grupo e a 225 exige que 40% do contrato sejam obrigatoriamente colocados com resseguradoras locais, ou seja, estabelecidas com companhias aberta no país.

Tais mudanças, que podem para alguns ser banais, tem o poder de mudar o destino de uma indústria caso estejam muito fora do que é praticado mundialmente. Tanto a liberdade total não foi benéfica no caso da Argentina, na década de 90, levando o ressegurador estatal à falência, como também muitas restrições acabam por desproteger o país como avaliou o estado de Nova York. Após os atentados de 11 de setembro, o estado reduziu as restrições para que as resseguradoras estrangeiras pudessem assumir mais riscos demandados pelo novo cenário de globalização e interligação das economias.

As seguradoras estrangeiras, que trouxeram para o Brasil o braço de resseguros do conglomerado, utilizaram todo o peso das entidades internacionais para influenciar o governo brasileiro. Conseguiram o adiamento da validade das regras, passando de janeiro para o final de março. Com dois meses de discussão, conseguiram também flexibilizar um pouco a restrição inicial de repasse dos contratos de resseguros entre empresas do mesmo grupo. A primeira versão da resolução 224 era de que uma seguradora não poderia repassar absolutamente nada para a resseguradora do mesmo grupo contratos de resseguro. Uma proposta de 20% foi colocada na mesa de discussão. Na última versão conhecida, o limite chegava a 40%, excluindo dessa reserva contratos de seguro garantia, de crédito e rural.

As seguradoras estrangeiras agora finalizam a criação de uma associação para defender seus interesses diante de proteções consideras inconstitucionais por advogados renomados no país. Ainda lutam para o adiamento das regras e trabalham em novas propostas, como a tributação, cronograma de novos investimentos, oferta de capacidade para riscos complexos como pré-sal e um roteiro de autoregulamentação do setor.

Segundo vários executivos, a 224 foi feita para beneficiar o IRB Brasil Re, que vinha perdendo mercado diante da competição natural de um mercado recém aberto. Um dos motivos é o custo administrativo. Enquanto o IRB tem 500 funcionários, as resseguradoras estrangeiras operam com um numero infinitamente menor, que sequer chega a 50 no caso daquelas que abriram uma resseguradora local. Já as admitidas, contam com um numero que não chega a 20 funcionários, por usarem a infraestrutura da matriz.

Leonardo Paixão, presidente do IRB-Brasil Re, maior resseguradora local do Brasil, defendeu as mudanças nas regras do resseguro, limitando o repasse de contratos de resseguros entre empresas do mesmo grupo. Segundo divulgou a revista inglesa Reactions, que promoveu a Conferência Brasileira de Resseguros do Brasil, o executivo disse durante palestra que “depois de observar algumas práticas que eram quase clandestine, órgão regulador decidiu agir para conter tais abusos”.

Paixão disse a plateia que as restrições visam proteger os resseguradores locais e não o IRB. “Temos de ter um mercado local de pelo menos 40%. Acreditamos que teremos mais resseguradores locais com as regras e que ninguém deixará o país”, acrescentou Paixão.

Caso as negociações avancem dentro do que os estrangeiros solicitam, é praticamente certo a transformação de seis grandes grupos da categoria ressegurador admitido para ressegurador local, segundo uma influente fonte do setor. Ou seja, cada uma delas teria de aportar R$ 60 milhões como capital mínimo, além do investimento em contratação de pessoas e tecnologia.

Uma das formas de tornar o IRB mais competitivo, segundo o presidente Paixão, é internacionalizar o ressegurador que após quase 70 anos de monopólio vem se adaptando para competir num mercado aberto. “A proteção do IRB está na modernização da empresa e na internacionalização”, disse aos executivos presentes.

Apesar de tudo, otimismo se mantém em alta

Apesar das discussões e demonstrações de descontentamento com a atitude do governo, as empresas se mantêm otimistas e confiantes sobre as oportunidades de longo prazo em uma das economias que mais cresce no planeta.

De acordo com os painelistas do evento, o mercado do Brasil já percorreu um longo caminho desde a abertura, em 2008. E agora luta para corrigir imperfeições e assim ajustar-se para acompanhar o crescimento da economia, que entre os BRICs (Brasil, Rússia, índia e China) é o que mais tem atraído investimentos estrangeiros, perdendo apenas para a China, considerada o motor do mundo com seus mais de 1,6 bilhão de habitantes que começam a ingressar no mundo do consumo.

Segundo avaliação de vários palestrantes durante o disputado evento, as grandes empresas consumidores de seguros, que por quase 70 anos foram obrigadas a comprar resseguro do IRB Brasil Re, beneficiaram-se da concorrência gerada com a entrada de 96 resseguradores internacionais, que trouxeram especialização, técnica e preço diferenciados.

Segundo Luiz Alberto Pestana, vice-presidente da UBF Seguros, em 2007, a grande pergunta era se a abertura seria boa ou ruim para o país. “Costumávamos responder depende. Será boa para os bons riscos e ruim para os rmaus riscos. O que temos hoje é no mínimo um mercado mais justo”, opinou. Pestana.

Jacques Bergman, presidente da Fairfax Brasil, relatou que houve uma completa mudança nos preços porque as resseguradoras internacionais trazem uma abordagem mais técnica para a subscrição. “Hoje os preços são completamente diferentes do que eram quando o mercado era monopolio do IRB, pois estamos em um mercado aberto”, diz Bergman em sua palestra.

Segundo Phillipe Rochaix, presidente da XL Re Latin America, a principal mudança veio com a possibilidade das resseguradoras poderem usar suas técnicas para calcular o preço de acordo com o risco apresentado e ofertar coberturas diferenciadas para atender as necessidades de proteção dos clientes.

Com um cálculo mais apurado de levantamento de probabilidades e histórico de prevenção e de acidentes, as empresas que investem em gerenciamento de risco e um histórico de poucos acidentes têm taxas mais baixas. “Os riscos ruins têm taxas mais altas porque tem um histórico de perdas”, informa Bergman.

Ajustes fazem parte do desenvolvimento do mercado

O otimismo não retira as criticas das alterações no setor com as resoluções 224 e 225. “Acreditamos que isso vai contra a prática internacional”, disse Benjamin Gentsch, CEO adjunto da Scor Global P&C, informa a Reactions. “Nós acreditamos que é preciso haver uma discussão entre o governo e a indústria de seguros e resseguros. A tendência de perdas do mercado internacional com as recentes catástrofes podem agravar ainda mais a situação para o Brasil em caso de ser aprovada regras restritivas a atuação dos estrangeiros.

“A indústria de resseguros é caracterizada pela pulverização global do risco”, comenta Gentsch, afirmando não ser contra as regulamentações brasileiras. “Mas é preciso ter coerência, como Austrália, Nova Zelândia e Japão. Países que sofreram com catástrofes recentes e contam com seguro para ajudar na reconstrução”.

Segundo Philippe Rochaix, presidente e CEO da XL Re Latin América, disse em sua palestra que a mudança de regra no Brasil atrapalha a eficiência do setor. “A principal regra do resseguro é a pulverização do risco em todo o mundo”, disse ele. “O Brasil tem a chance de se tornar um centro de resseguros na América Latina, desde que haja coerência na regulamentação”.

Nick Metcalf, CEO da Liberty Syndicates, ponderou que mudanças nas regras são típicas de mercados recém abertos. “Eu não acredito que o protecionismo é a palavra correta, mas é importante que as regras não sejam discriminatórias. Tenho certeza que p tema será mais debatido para que se encontre uma solução eficaz para o Brasil”.

Para Metcalf, em um mercado recém aberto é natural que alguns players tenham mais apetite do que outros e atuem com uma estratégia agressiva para obter volume. “Vimos isso em vários países que liberalizarem seus mercados. E como resultado, temos um mercado maduro, onde se destacam as empresas que apostaram nas relações de longo prazo e a saída daquelas que optaram por um estratégia de curto prazo”.

Para o CEO da Liberty Syndicates, o mercado de resseguros no Brasil, com prêmios de US$ 2,6 bilhões, é pequeno para as 96 resseguradoras autorizadas a operar localmente. “Mas isso é uma das características de uma pós-mercado liberalizado”, disse ele, segundo informa a reportagem da Reations.

“Como as coisas se acalmam, vamos encontrar os números diminuem. É um mercado gato não para que haja um pouco mais de transparência nos resultados, e como as empresas vêem os problemas de rentabilidade que vem através de pessoas vão sair. ”

Gentsch, da Scor, comentou que em outros mercado dos mundo há mais de 100 resseguradoras competindo por uma fatia do bolo e que cerca de 30, no máximo, são mais ativos nas negociações.

Demanda crescente por proteção para riscos globais

O crescimento econômico no Brasil traz um novo cenário de riscos para as empresas brasileiras, onde as apólices de interrupção de negócios e responsabilidade civil tem um grande potencial para se desenvolverem, acredita Florian Kummer, executivo da Liberty Syndicates, braço de resseguros do grupo Liberty Mutual e um dos principais sindicatos do Lloyd’s of London, segundo reportagem publicada pela Reactions.

O seguro de lucro cessante tem sido mais demandado por empresas que tem cadeias complexas de suprimentos, como as indústrias químicas e automotiva. Já o seguro de responsabilidade civil vem de encontro as necessidades da indústria de construção civil, onde o seguro de produtos e de danos ambientais são essenciais para garantir a sustentabildiade dos negócios.

Para Florian, a grande vantagem da Liberty está na técnica de subscrição. Por serem produtos inovadores para o país, quem tiver mais capacidade de fazer uma boa subscrição conseguirá se destacar com produção e com rentabilidade.

Dicas para gerenciar o Cisne Negro

Hoje o consultor Francisco Galiza fez uma análise bem interessante sobre um estudo da Aon Risk Service, que se destaca mundialmente pelos serviços prestados aos clientes que a fazem ser a maior corretora de seguros do mundo. O estudo “Keys to Success in Managing a Black Swan Event”, ou caminhos para ter sucesso no gerenciamento do Cisne Negro, traz importantes recomendações às empresas.

“Não é uma crítica cinematográfica para falar do último filme da Natalie Portman, quando ela ganhou o Oscar de melhor atriz. A expressão “Cisne Negro” foi primeiramente popularizada pelo consultor Nassim Taleb (“A lógica do Cisne Negro”, publicado no Brasil) para se referir àquelas situações altamente improváveis de acontecer e que têm um alto impacto (emocional, financeiro, etc) quando ocorrem”, explica Galiza, em tom de brincadeira.

No sentido econômico, o estudo questiona sobre o que fazer diante de um vazamento de petróleo como o Golfo do México e, agora, o terremoto e o tsunami no Japão. “Há algo a ser feito?”, questiona o consultor. O trabalho contraria o que maioria diz, de que é difícil de se preparar nestas circunstâncias. Por isso dá algumas dicas de como uma empresa deve agir, tendo a comunicação como um dos pontos chaves no sucesso do gerenciamento do Cisne Negro de cada um. “Muitos podem dizer que algumas dessas dicas são óbvias. Entretanto, na hora do “cisne negro”, elas podem ser esquecidas”, alerta Galiza.

1) Equilíbrio emocional é o começo de tudo. A liderança deve estar preparada e consciente desse fato.

2) Formação de um equipe multidisciplinar para enfrentar o problema. Contadores, economistas, corretores de seguros entre outros especialistas.

3) Juntar a equipe de engenharia com a equipe de pesquisa e desenvolvimento. Um exemplo citado no texto é o do filme “Apolo XIII”, com Tom Hanks. Os cientistas tiveram que descobrir uma maneira de ajustar um filtro quadrado em um forma circular.

4) Velocidade e agilidade na tomada de decisões.

5) Otimizar comunicações. Não adianta ter conteúdo se isso não é transmitido de modo eficiente.

A íntegra do estudo pode ser acessada no link http://www.aon.com/attachments/risk-services/Manage_Black_Swan_Even_Whitepaper_31811.pdf

Allianz faz acordo com Banco Popular, na Espanha

O Banco Popular, o terceiro maior banco da Espanha com ações negociadas em bolsa, e grupo alemão Allianz, maior seguradora da Europa, anunciaram hoje a criação da Allianz Popular, resultado da joint ventura entre as duas instituições. A fusão acontece no mesmo dia em que a Moodys rebaixou o rating de 30 entidades financeiras espanholas.

A Allianz terá uma participação de 60% e o Banco Popular de 40%. A avaliação inicial da joint-venture é calculada em 1,058 bilhão de euros. A nova empresa vai intensificar a presença da Allianz na Espanha no mercado de seguro de vida, pensões e na gestão de ativos. O acordo prevê exclusividade na distribuição dos produtos entre os atuais 6,3 milhões de clientes do banco por um período de 15 anos, segundo comunicado do Banco Popular enviado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).