AXA no Brasil expande seguro garantia com lançamento da modalidade recursal trabalhista

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A AXA no Brasil anuncia a ampliação de seu portfólio de Seguro Garantia com a chegada da modalidade Recursal Trabalhista, uma solução indicada para empresas que precisam garantir recursos judiciais em processos trabalhistas sem comprometer sua liquidez. O lançamento reflete o apetite da companhia para diversificar sua atuação e reforça o movimento de massificação da seguradora, que busca crescer ao oferecer produtos mais acessíveis e digitais para o mercado corporativo. 

Ao substituir o depósito judicial em dinheiro por uma apólice, a nova solução permite que as empresas mantenham seu fluxo de caixa disponível para a operação e planos de curto prazo, garantindo eficiência financeira justamente em momentos de disputa jurídica.

O produto já nasce com plataforma digital para simplificar a jornada de corretores e clientes, inclusive com a possibilidade de integração via API para os parceiros que contam com esse canal de atendimento. Com a nova modalidade, a implementação do seguro ocorre em poucos minutos após a intimação, atendendo à velocidade exigida pela dinâmica judicial brasileira e eliminando burocracias desnecessárias.

O fortalecimento da linha de Garantia é visto pela companhia como um passo fundamental para escalar sua presença no segmento, unindo segurança técnica a um processo de contratação extremamente rápido.

Segundo Denis Maelaro, Diretor de P&C e Specialties da AXA no Brasil, “o Seguro Garantia Recursal Trabalhista nasce para apoiar decisões de empresários em um momento em que liquidez e previsibilidade são cruciais para a saúde dos negócios”. 

E ele ressalta que a empresa já tem uma posição bem estabelecida em P&C e tem buscado ampliar de maneira complementar seu portfólio, atendendo às necessidades do mercado. “O Recursal Trabalhista é um exemplo perfeito, pois leva aos clientes uma solução que torna processos menos onerosos. Tudo em um formato digital, que torna sua contratação mais simples, ágil e segura para todas as partes envolvidas”, finaliza.

 

Icatu Seguros: brasileiro pensa na própria morte, mas apenas 16% se organizam financeiramente

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Pensar na própria morte não é um tema distante para a maioria dos brasileiros. É o que mostra uma pesquisa nacional realizada pela Icatu Seguros, em parceria com a Conversion, agência especializada em dados, SEO e inteligência de comportamento digital. Segundo o levantamento, 67% dos entrevistados afirmam pensar na morte com alguma frequência, seja “de vez em quando” (47%) ou “com frequência” (20%). Ainda assim, essa reflexão raramente se transforma em planejamento concreto: apenas 12% dizem ter seguro de vida, enquanto 43% afirmam já ter conversado com a família sobre o tema sem, de fato, organizar nada.

Os dados revelam um descompasso relevante do ponto de vista econômico e social: consciência alta, organização baixa. Embora a maioria reconheça a importância de proteger quem fica, a ausência de estrutura financeira e de educação sobre o tema  podem transformar o momento do luto em uma etapa marcada por custos adicionais, conflitos e insegurança.

“O que a pesquisa mostra é que o problema não está na falta de consciência, mas na dificuldade de transformar essa reflexão em organização prática. O seguro de vida entra justamente como uma ferramenta para reduzir incertezas em momentos críticos, sejam eles morte, doença grave ou afastamento temporário do trabalho”, afirma Luciana Bastos, diretora de produtos de vida da Icatu Seguros.

Do ponto de vista comportamental, a resistência em transformar preocupação em planejamento também está ligada à forma como o tema da morte é culturalmente percebido e evitado no país. 

A advogada Cynthia Araújo, autora do livro A Vida Afinal: Conversas difíceis demais para se ter em voz alta(Paraquedas, 2023) e uma das editoras do blog Morte sem Tabu, da Folha de S. Paulo, avalia que o tema é frequentemente tratado como algo a ser evitado ou deslocado para o campo do outro.

“Os brasileiros ainda sentem que, se falarem da morte, vão atraí-la, como se ela estivesse à espreita”, aponta ela. “A experiência de morrer, nessa lógica, é sempre vivida pelos outros, nunca por mim. Quem morre é sempre ‘o outro’. Por outro lado, cada classe social, cada cor de pele, gênero, vive isso de um jeito”, observa.

Gatilhos reais, decisões travadas 

A pesquisa mostra que a reflexão sobre a morte não surge de forma abstrata, mas é acionada por eventos concretos. Entre os principais gatilhos estão a perda de alguém próximo (67%), o avanço da idade (33%), o contato com notícias sobre violência (33%) e a realização de procedimentos médicos (30%).

Esses gatilhos influenciam decisões financeiras. Ao pensar na finitude, 40% passam a considerar a organização do patrimônio, 34% dizem começar a guardar dinheiro e 25% afirmam buscar a quitação de dívidas. Ainda assim, 18% admitem que pensam no tema, mas não se organizam, evidenciando a fricção entre intenção e ação.

Diferenças entre gêneros

O levantamento também revela diferenças relevantes por gênero. Entre as mulheres, a violência aparece como um dos principais gatilhos para pensar na morte, citada por 36% das entrevistadas, percentual superior ao observado entre os homens (29%). O dado reflete um contexto social que impacta diretamente a percepção de risco e vulnerabilidade feminina. Entre os homens, a reflexão tende a ser mais acionada por fatores ligados à idade e à trajetória de vida (39%)

Os dados mostram ainda que homens declaram maior nível de organização financeira (20%), enquanto mulheres aparecem mais frequentemente entre aquelas que se preocupam com a família, mas sem uma estratégia bem definida (26%). O estudo também aponta que o luto tende a ser percebido de forma mais solitária no círculo social dos homens entrevistados (27%) na comparação com o das mulheres (23%). Elas relatam ainda buscar mais apoio para enfrentá-lo (23%), contra (19%) no caso dos homens.

Patrimônio é comum; proteção formal, não

Um dos achados centrais do levantamento é a diferença entre acumular patrimônio e estruturar proteção. Questionados sobre produtos financeiros que ficariam para a família em caso de morte, 53% afirmam ter investimentos, como poupança ou aplicações financeiras. Ao mesmo tempo, 22% dizem não ter nenhum produto que ficaria para os familiares, e 13% declaram possuir dívidas ativas que seriam herdadas.

Apesar disso, apenas 12% mencionam possuir seguro de vida, percentual que se mantém baixo e relativamente estável entre gêneros e gerações.

“Ainda existe uma percepção limitada de que o seguro de vida está ligado apenas à morte. Na prática, ele é um instrumento de proteção para imprevistos que afetam a renda e a estabilidade financeira, sendo também por exemplo um instrumento importante de sucessão patrimonial. Planejar é garantir continuidade, não apenas herança”, destaca Luciana Bastos.

Conversa existe, mas não vira plano

O estudo indica que o tema já circula no ambiente familiar. Cerca de 59% afirmam já ter conversado com a família sobre organização financeira em caso de morte. No entanto, esse diálogo nem sempre se traduz em ação: 43% conversaram, mas não organizaram nada, enquanto apenas 16% dizem ter deixado tudo organizado.

Além disso, 29% ainda não conversaram, mas pretendem fazê-lo, e 11% afirmam não ter conversado nem ter intenção de tratar do assunto, reforçando o caráter intermitente e, muitas vezes, evitativo do tema.

Diferenças por geração 

O levantamento aponta que a Geração Z (16-28) e Millennials (29-44) são os grupos que mais pensam na própria morte, com 22% e 24% afirmando refletir sobre o tema com frequência, respectivamente. O índice cai para 15% na Geração X (45-60) e chega a 7% entre Boomers (61-80), uma diferença de 15 pontos percentuais em relação à Geração Z, contraste que evidencia uma mudança geracional relevante na forma de encarar o tema.

Apesar dessa maior consciência entre os mais jovens, a taxa de organização financeira segue baixa em todas as faixas etárias. A proporção de pessoas que dizem ter seguro de vida varia entre 11% e 13%, enquanto o percentual de quem afirma ter investimentos gira em torno de 50% em todos os grupos.

Impacto social e econômico

Outro achado relevante é a forma como o luto é vivido socialmente. 44% dizem que as pessoas ao seu redor evitam falar sobre o tema, e 25% relatam vivenciar o luto de forma solitária. Apenas 22% mencionam buscar apoio profissional, indicando que, além da dimensão financeira, a perda ainda é tratada de maneira privada e pouco estruturada.

Do ponto de vista econômico, os dados sugerem que a falta de planejamento amplia riscos, como custos inesperados, conflitos familiares, dificuldades de liquidez e herança de passivos financeiros. Para especialistas, o levantamento reforça a necessidade de avançar da educação financeira conceitual para uma educação financeira aplicada, que ajude a transformar a reflexão em proteção concreta.

Metodologia

A pesquisa foi realizada em novembro de 2025, com 500 pessoas conectadas à internet, de todos os estados do Brasil.
Abrangência: nacional
Plataforma: Pollfish
Questionário: 10 perguntas (múltipla escolha, escolha única e discursivas)
Foco: percepção, experiência e comportamento

Perfil da amostra: 

  • Gênero: 52% mulheres e 48% homens
  • Idade: respondentes a partir de 18 anos, com recorte por gerações (Geração Z, Millennials, Geração X e Boomers)
  • Região: Sudeste, Nordeste, Sul, Centro-Oeste e Norte
  • Situação profissional: empregados, desempregados, autônomos, estudantes, aposentados, entre outros

Dados gerais da pesquisa:

  • 67% dos brasileiros já refletiram sobre a própria morte
    • 47% de vez em quando
    • 20% com frequência
  • Essa reflexão é mais frequente entre:
    • Millennials (24%)
    • Geração Z (22%)
  • Apenas 7% dos babies boomers e 15% da geração X pensam na morte com frequência

Principais gatilhos para pensar na morte:

  • Perda de alguém próximo (67%)
  • Percepção da idade (33%)
  • Notícias sobre violência (33%)
  • Procedimentos médicos (30%)

Eventos que mais despertaram reflexões:

  • Experiências pessoais (doenças, acidentes e perdas): 61%
  • Pandemia da Covid-19: 44%
  • Guerras em curso: 31%
  • Mudanças climáticas: 30%

Organização financeira:

  • 59% já conversaram ou pretendem conversar com a família sobre os impactos financeiros da própria morte
  • Apenas 16% deixaram tudo organizado
  • 43% ainda não organizaram nada
  • 29% nunca conversaram, mas pretendem
  • 11% não conversaram e nem pretendem

Produtos financeiros:

  • 53% têm algum investimento que ficará para a família
  • 22% não têm nenhum produto financeiro
  • 13% deixariam dívidas
  • 12% possuem seguro de vida 

Luto:

  • 47% vivem o luto com apoio de amigos e familiares
  • 44% evitam falar sobre o tema
  • 25% vivem o luto de forma solitária
  • 22% buscam apoio profissional

Gênero

Gatilho para pensar na própria morte 

Notícias sobre violência:

36% mulheres

29% homens

Consumos de notícias sobre morte:

27% mulheres

19% homens

Pensar na idade e experiências vividas

38% mulheres

29% homens

Procedimentos médicos

30% mulheres

30% homens

Percepção da vivência do luto no círculo social

Evitam falar sobre o luto:

43% mulheres

46% homens

Vivem o luto de forma solitária

23% mulheres

27% homens

Buscam apoio profissional

23% mulheres

19% homens

Amil lança planos com cobertura médica internacional de US$ 300 mil e remoção aérea

por Amil

A Amil promoveu um almoço de lançamento dos produtos Black I e Black II, ambos voltados para o segmento de alto padrão, para um grupo de corretores, nesta quarta-feira (11 de março), no Rosewood Hotel, em São Paulo (SP). No evento, os profissionais de vendas foram apresentados a uma série de benefícios especiais que os planos disponibilizam, como: tratamento VIP nos principais hospitais; o melhor e mais rápido sistema de reembolso; concierge exclusivo; inclusão de vacinas recomendadas pela Sociedade Brasileira de Imunizações; atendimento odontológico premium; e uma cobertura médica internacional de 300 mil dólares e remoção aérea de até 150 mil dólares – ambas sendo as maiores do mercado brasileiro.

“Mas o Amil Black é mais do que ter o melhor conjunto de atributos do mercado. Queremos e vamos proporcionar a melhor experiência para os nossos clientes. Estamos prontos para isso”, assegurou o vice-presidente Comercial da Amil, Conrado Cavalcanti. “A Amil foi a operadora de planos de saúde que mais cresceu em 2025 e passou da barreira de 6 milhões de clientes. A carteira cresceu 17% em relação a 2024. Agora, vamos focar em um segmento que a empresa já atuava muito bem, tendo mais de 120 mil beneficiários, que é o premium. É uma parcela de clientes que pode ajudar a crescer toda a carteira, já que reúne muitos tomadores de decisões de empresas”, prosseguiu Conrado Cavalcanti.

CNseg: seminário sobre seguro de crédito abre inscrições

A Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), em parceria com a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), promove no próximo 1º de abril, das 14h às 18h30, o Seminário de Crédito à Exportação (doméstico e exportação). O encontro reunirá especialistas do mercado segurador, do setor produtivo e de instituições financeiras para discutir como o seguro de crédito pode fortalecer as transações comerciais e apoiar a expansão de negócios no Brasil e no exterior.

O evento, que conta com apoio das seguradoras associadas Allianz, Avla, Chubb e Coface, é voltado a profissionais do mercado segurador, executivos de empresas com atuação no comércio exterior, especialistas em financiamento e crédito, além de todos os interessados em compreender melhor o papel do seguro como ferramenta de proteção contra riscos comerciais e estímulo ao crescimento das exportações.
 

Em um ambiente econômico marcado por volatilidade e incertezas geopolíticas, mecanismos de mitigação de risco ganham ainda mais relevância. O seguro de crédito tem se consolidado como uma solução capaz de proteger empresas contra inadimplência, ampliar o acesso ao financiamento e permitir a expansão segura das operações comerciais, tanto no mercado doméstico quanto no internacional.
 

A programação será dividida em dois painéis temáticos. O primeiro discutirá “Crédito doméstico e externo: diferenças e conceitos aplicáveis ao seguro como ferramenta de estabilidade em tempos de incerteza e exportação segura”, com mediação de Laíne Meira, superintendente de Relacionamento com o Poder Executivo da CNseg.

Participam do debate Luciano Mendonça, diretor comercial da Allianz Trade; Tales Leão, vice-presidente da Comissão de Crédito e Garantia da FenSeg e diretor de Expansão de Crédito e Riscos Políticos da Chubb; e André de Barros Ruttiman, da área de Comércio Exterior do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O segundo painel abordará “Seguro de crédito e expansão comercial – como o seguro de crédito impulsiona a expansão comercial e sua integração com estratégias de financiamento”, com mediação de Evaristo Pinheiro, do escritório Barral Parente Pinheiro Advogados.
 

Entre os participantes confirmados estão Isabelle Heude, diretora comercial e de operações da Coface Brasil; Caio Lhano, diretor de Seguro de Crédito da Avla; Constanza Negri, gerente de Comércio e Integração Internacional da Confederação Nacional da Indústria (CNI); e Patricia Gomes, diretora de Mercado Externo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ).
 

Ao reunir representantes do mercado segurador, da indústria e de instituições financeiras, o seminário pretende aprofundar o debate sobre como o seguro de crédito pode contribuir para ampliar a segurança das transações comerciais e fortalecer a presença das empresas brasileiras no comércio internacional.

Seguro construção e reforma chega a 500 apólices emitidas na Bradesco Seguros

 

Um ano após o lançamento, o Seguro Engenharia – Construção e Reforma, desenvolvido pela joint venture da Bradesco Seguros com a Swiss Re Corporate Solutions, apresenta os primeiros resultados de seu desempenho no mercado. O levantamento inédito da Bradesco Seguros aponta que, durante este período, até novembro de 2025, o produto registrou cerca de 500 apólices emitidas, sendo 60% voltadas a obras de reformas não estruturais e 40% para novas construções.
 

As coberturas mais acionadas no período foram aquelas relacionadas a erros de execução e de projeto, classificadas dentro da cobertura básica e da adicional de Risco Fabricante/Erro de Projeto. Esses dados refletem um dos principais desafios do setor: segundo estudo da Universidade de Brasília (UnB), retrabalhos em obras podem elevar os custos totais em até 42%.
 

“Os resultados mostram que o produto vem atendendo demandas reais de construtoras e proprietários que buscam minimizar riscos e manter o controle financeiro das obras. A maior concentração de contratações está entre construtoras de pequeno e médio porte e pessoas físicas ligadas a reformas residenciais, principalmente em São Paulo (capital e interior) e na Região Sul”, afirma Ney Dias, Diretor-presidente da Bradesco Auto/RE.
 

O produto oferece cobertura de até R$ 100 milhões e proteção contra danos decorrentes de eventos naturais, como, por exemplo, alagamentos e vendavais, falhas de execução ou projeto, além de roubos e furtos qualificados durante o período da obra. O processo de contratação é 100% digital, com cotações automatizadas para o corretor e emissão rápida, mediante aprovação de proposta pelo Segurado e envio da documentação necessária.
 

Mercado de construção civil em expansão
 

O desempenho do seguro acompanha a tendência positiva do setor no país. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o PIB da construção civil cresceu 4,3% em 2024, e a projeção para 2025 é de alta entre 1,3% e 2,3%, mantendo a trajetória de expansão mesmo com o cenário de crédito mais restrito. Já o setor de materiais de construção deve crescer 2,8% neste ano, conforme dados da Abramat.
 

O movimento também se reflete nos investimentos totais: levantamento da Apemec estima que os segmentos de construção e imóveis movimentem cerca de R$ 417 bilhões até o fim de 2025, impulsionados pela demanda por reformas e novas edificações.
 

“O primeiro ano do Seguro Engenharia – Construção e Reforma nos trouxe aprendizados valiosos sobre o comportamento de risco do setor e a importância da agilidade operacional. É um seguro flexível e livre de processos burocráticos, com processamento automático de cotaçõe

s e emissões das apólices após aprovação das propostas pelo corretor e pelo segurado, além do envio digital da documentação básica do projeto”, destaca Guilherme Perondi, Presidente e CEO da Swiss Re Corporate Solutions Brasil.

Agenda Jurídica 2026 reforça alerta sobre saúde, tributação e segurança prudencial

A CNseg lançou a Agenda Jurídica 2026 do mercado segurador com uma mudança relevante de escopo: além do acompanhamento dos processos em tramitação no Supremo Tribunal Federal, a publicação passa a reunir também os temas repetitivos do Superior Tribunal de Justiça, num movimento que reflete o peso crescente da jurisprudência infraconstitucional para o setor.O evento aconteceu no dia 11 de março, na sede da OAB Seccional Rio de Janeiro.

No conjunto, a Agenda Jurídica 2026 mostra um setor que entra neste novo ciclo legislativo e regulatório com três frentes bem definidas: acompanhar de perto a formação da jurisprudência do STJ sob o novo marco legal do seguro, enfrentar a pressão da judicialização na saúde suplementar e defender, no STF, teses consideradas decisivas para a estabilidade prudencial e econômica do mercado, como créditos de carbono e PIS/Cofins sobre reservas técnicas.

A edição deste ano foi atualizada até 24 de fevereiro de 2026 e consolida-se como um instrumento de monitoramento dos temas mais sensíveis para seguros, previdência, saúde suplementar e capitalização. Segundo a própria CNseg, a inclusão do STJ amplia a visão sobre a atuação do mercado perante os tribunais superiores e ganha ainda mais importância diante da entrada em vigor do novo marco legal dos seguros. 

Na apresentação da agenda, o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, destaca que 2026 será um ano de transição jurídica importante para o setor, com novos institutos, conceitos e formas de interpretação trazidos pela nova lei do contrato de seguro. “Esse contexto exige acompanhamento mais estruturado da jurisprudência e maior cuidado regulatório para preservar a segurança jurídica do mercado”, afirmou.

Na mesma linha, a diretora jurídica da CNseg, Glauce Carvalhal, afirmou que a entrada dos repetitivos do STJ atende a uma demanda antiga do setor e se tornou ainda mais necessária diante do volume já existente. “Hoje são 21 temas repetitivos em matéria de seguros no tribunal, com potencial de repercussão nacional. A própria agenda informa que o novo capítulo do STJ foi dividido entre 15 temas em que a CNseg ou as federações atuam como amicus curiae e outros 6 em monitoramento”, detalhou.

No STF, 41% das ações acompanhadas são de natureza cível e regulatória, seguidas por 29% de matérias tributárias. Questões constitucionais e de trânsito representam 12% cada, enquanto 6% envolvem temas ambientais. Um dos pontos que mais chamam atenção é o peso da saúde suplementar nesse contencioso. “Quase metade dos repetitivos do STJ envolve saúde, num cenário que ajuda a explicar o elevado grau de judicialização do segmento”, disse. Esse diagnóstico aparece em linha com o material da agenda, que incorporou entre os novos processos do STF a ADI 7.265, sobre critérios para cobertura de tratamentos fora do rol da ANS.

Para a diretora, o julgamento mais relevante para o setor em 2025 foi justamente o dessa ação, porque o Supremo, ao tratar da Lei 14.454/2022, teria adotado uma solução técnica e equilibrada. “O STF admitiu exceções ao rol, mas com critérios objetivos, como requerimento administrativo prévio, deferência ao processo regulatório da agência e exigência de comprovação científica”, comentou.

Na avaliação de Glauce, 2026 já começou em ritmo acelerado para o setor nos tribunais superiores. Ela ressaltou que, mesmo ainda no início do ano judiciário, o mercado segurador já acumulava cinco casos repetitivos julgados no STJ, o que, segundo ela, mostra a velocidade com que as teses vêm sendo formadas.

Entre os precedentes mais relevantes, citou o Tema 1385, considerado estratégico para o seguro garantia, ao consolidar o entendimento de que esse instrumento se equipara à fiança bancária para fins de garantia em execução fiscal. Para a diretora, foi um julgamento importante por afastar dúvidas que persistiam mesmo entre especialistas da área. A agenda da CNseg destaca esse tema entre os repetitivos acompanhados no STJ e reforça a relevância do precedente para a utilização do produto em disputas tributárias. 

Glauce também chamou atenção para decisões recentes em saúde suplementar, como a validade da rescisão de contratos empresariais com menos de 30 vidas, desde que haja justificativa idônea, e os julgamentos envolvendo bomba de insulina, terapias para transtorno do espectro autista e dano moral por negativa de cobertura. Na leitura dela, o STJ vem, em alguns casos, reproduzindo balizas regulatórias já existentes, inclusive as vinculadas ao rol da ANS, mas ainda restam desafios de interpretação prática e de contenção de excessos.

A Agenda Jurídica 2026 efetivamente inclui, entre os repetitivos do STJ, temas sobre rescisão unilateral de contratos coletivos com menos de 30 beneficiários e outros litígios relevantes de saúde suplementar, o que evidencia o protagonismo desse segmento na formação da jurisprudência do setor. 

Na parte regulatória, o diretor da Susep, Carlos Queiroz, afirmou que a autarquia acompanha com atenção a adaptação do mercado ao novo marco legal e reconheceu que a construção da regulação infralegal demanda cautela justamente para garantir segurança jurídica ao regulador, ao regulado e ao mercado como um todo.

Ele disse que a Susep continua ouvindo propostas e novas teses apresentadas pelo setor mesmo após a fase de consulta pública, o que ajuda a explicar o tempo maior de maturação das normas. Na visão do supervisor, esse cuidado é indispensável num ambiente em que a nova legislação traz institutos e conceitos inéditos e exige reflexão antes da consolidação regulatória.

Queiroz também reforçou a preocupação prudencial da Susep com dois julgamentos que aparecem entre os mais sensíveis da agenda: a ação sobre créditos de carbono e o debate sobre PIS/Cofins sobre receitas financeiras das reservas técnicas, que pode chegar a alguns bilhões de reais. No caso da ADI 7.795, a publicação da CNseg registra que a controvérsia envolve a obrigatoriedade de aplicação de pelo menos 0,5% ao ano das reservas técnicas, hoje totalizam R$ 2,5 trilhões, em créditos de carbono ou fundos de ativos ambientais.

A entidade sustenta a inconstitucionalidade da exigência, e o andamento do processo mostra parecer da PGR pela inconstitucionalidade, além de votos de Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli no mesmo sentido, antes da suspensão por pedido de vista de Cristiano Zanin. 

Ao comentar o tema, Queiroz afirmou que a discussão preocupa a supervisão prudencial porque envolve ativos de elevada subjetividade, com dúvidas sobre natureza, recuperabilidade e critérios de avaliação contábil. Segundo ele, esse tipo de ativo exige cautela redobrada tanto na carteira própria das supervisionadas quanto, principalmente, quando se pensa em provisões vinculadas à poupança previdenciária e ao cumprimento futuro de obrigações com consumidores.

A posição converge com a da CNseg, que argumenta na agenda que a vinculação compulsória das reservas técnicas a um mercado ainda incipiente pode gerar riscos de liquidez, distorções e prejuízos à proteção dos segurados e participantes. 

Sobre o PIS/Cofins, o diretor da Susep afirmou que a discussão também tem forte impacto prudencial, inclusive por envolver passivos relevantes acumulados ao longo dos anos e já monitorados pela autarquia nas supervisionadas. Na visão dele, há confusão quando se tenta aproximar a atividade das seguradoras da lógica bancária, já que a seguradora não opera como instituição financeira típica nem pode livremente emprestar recursos, sendo a gestão das reservas vinculada a exigências regulatórias de solvência.

“A CNseg sustenta que a tributação das receitas financeiras das reservas técnicas encarece o seguro e cria barreiras de acesso, especialmente para as camadas mais vulneráveis da população”, finalizou Oliveira.

Susep suspende Seguradora Infinite em seguro garantia

A Superintendência de Seguros Privados (Susep) informa que o Conselho Diretor da Autarquia, em Reunião Ordinária realizada nesta quarta-feira (11), determinou, em caráter preventivo, a suspensão imediata de novas emissões de apólices de seguro garantia pela Seguradora S/A Infinite.

A decisão foi tomada com base em ações de supervisão conduzidas pela Susep em relação à companhia, que apuram possíveis irregularidades relacionadas às regiões geográficas autorizadas para emissão de apólices, à não observância do limite de retenção da seguradora, bem como ao descumprimento de limites, exclusões e demais requisitos previstos nos contratos de resseguro em que a empresa figura como cedente.

Enquanto a medida estiver vigente, a seguradora ficará impedida de emitir novas apólices no ramo de seguro garantia. A companhia permanece autorizada a operar normalmente nos demais ramos de seguro, apenas na 1ª (Amazonas, Pará, Acre, Roraima, Amapá e Rondônia), 2ª (Piauí, Maranhão e Ceará), 3ª (Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte), 4ª (Sergipe e Bahia) e 5ª (Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins) regiões do território nacional, para os quais possui autorização, conforme Portaria DIR1/SUSEP nº 108, de 18 de outubro de 2023.

Fundo de R$ 500 milhões mira startups que ampliem o acesso à proteção financeira e de saúde

Apesar de todos os problemas do mundo, os investimentos seguem acontecendo. A Mundi Ventures anunciou o primeiro closing de seu LatAm Fund I, um fundo de venture capital de R$ 500 milhões voltado a empresas de tecnologia que atuam na ampliação do acesso à proteção financeira e de saúde na América Latina e no Caribe. A iniciativa reúne investidores institucionais relevantes, como BID Invest e COFIDES, além de seguradoras e instituições financeiras da região, que participam como investidores e também como parceiros estratégicos no desenvolvimento das empresas investidas.

Em entrevista, Rafaela Andrade, partner da Mundi Ventures, explica como será o processo de seleção das startups, quais são os critérios que uma empresa precisa cumprir para entrar no radar do fundo e como a rede de advisors — entre eles Marcelo Blay e Sheynna Hakim — ajuda a identificar oportunidades e fortalecer a conexão entre o venture capital e a indústria de proteção na região.

O fundo anunciou R$ 500 milhões para investir em empresas de tecnologia ligadas à proteção financeira e de saúde. Como será o processo de seleção das startups que poderão receber esse investimento?

O processo parte de uma tese muito clara: investir em empresas de tecnologia que ampliem o acesso à proteção financeira e de saúde na América Latina. Estamos olhando para negócios que usem tecnologia para transformar como produtos de proteção são distribuídos, precificados e operados, especialmente em áreas como insurtech, healthtech, fintech e climate tech. O foco está principalmente em empresas em estágio de crescimento, tipicamente Série A e B, que já demonstraram product market fit e têm capacidade real de escalar. Mais do que buscar tendência, buscamos empresas resolvendo problemas estruturais da região com modelos sólidos e escaláveis.

Existe um pipeline já mapeado de empresas na América Latina ou o fundo ainda está iniciando a prospecção ativa de oportunidades?

Já existe um pipeline bastante sólido com mais de 1.000 empresas mapeadas. A Mundi Ventures acompanha o setor há anos, investe globalmente em tecnologia e já vinha monitorando a evolução de muitas empresas da região antes mesmo do lançamento formal do fundo. Por meio dos fundos globais que gerimos, concluímos cinco investimentos na região, incluindo a Sami Saúde no Brasil, e estamos muito empolgados com tudo mais que poderemos fazer com o novo fundo. Então não estamos começando do zero. Ao mesmo tempo, a prospecção continua muito ativa. Seguimos próximos de founders, fundos locais, executivos da indústria e parceiros estratégicos, o que fortalece constantemente esse pipeline.

As startups interessadas podem se apresentar diretamente ao fundo ou a seleção ocorrerá principalmente por meio da rede de advisors, investidores e parceiros estratégicos?

As duas coisas acontecem. Startups podem, sim, se apresentar diretamente ao fundo, e esse canal é importante. Mas uma parte muito relevante das oportunidades também chega pela rede da Mundi, que inclui investidores, executivos do setor, advisors e parceiros estratégicos. Esse é um diferencial importante porque, em setores como seguros e saúde, contexto e relacionamento fazem muita diferença. Muitas das melhores oportunidades surgem justamente dessa rede especializada e próxima da indústria.

Quais são os principais critérios técnicos e de negócios que uma empresa precisa cumprir para entrar no radar da Mundi Ventures?

O que mais pesa é a combinação entre time, mercado e execução. Buscamos fundadores fortes, com visão clara, capacidade real de executar e conhecimento profundo do problema que estão resolvendo. Além disso, olhamos para o tamanho da oportunidade, a qualidade da tração, a escalabilidade do modelo e o grau de diferenciação da tecnologia. Em setores como seguros, clima, soluções de fintech e saúde, também valorizamos muito empresas que consigam construir boas parcerias com seguradoras, bancos ou grandes plataformas.

O fundo conta com Marcelo Blay e Sheynna Hakim como senior advisors. Eles já indicaram empresas ou segmentos prioritários para investimento?

Sim. Além da visão estratégica que trazem para o fundo, Marcelo Blay e Sheynna Hakim também já vêm contribuindo diretamente com originação. Eles já nos apresentaram algumas empresas e nomes interessantes, o que mostra na prática o valor da rede e da experiência que trazem para a plataforma.

Mais do que uma função formal de advisory, eles atuam como ponte real entre a Mundi e o ecossistema, ajudando a identificar fundadores, tendências e oportunidades com alto potencial. Essa combinação entre leitura estratégica do setor e acesso qualificado a empresas é um dos pontos que fortalece o fundo desde o início.

Na prática, qual será o papel deles na avaliação das startups?

Na prática, eles ajudam a elevar a qualidade da análise. Trazem repertório para discutir estratégia comercial, relação com incumbentes, canais de distribuição e capacidade de execução em setores complexos como seguros e serviços financeiros.

Isso é especialmente valioso para um fundo com uma tese tão conectada à transformação da indústria de proteção na região.

Eles atuarão mais na originação de negócios, due diligence ou no acompanhamento das investidas?

Eles podem contribuir nos três momentos. Podem ajudar na originação, apoiar discussões durante a avaliação das empresas e também contribuir no acompanhamento das investidas, especialmente em temas como escala, contratações de executivos-chave, parcerias estratégicas e navegação do mercado latino-americano.

Sompo lança programa para melhorar seguro transporte

A Sompo, subsidiária da empresa responsável pelas operações de seguro e resseguro do Grupo Sompo Holdings fora do Japão, acaba de lançar o Sompo Risks, seu novo Programa de Gestão e Redução de Sinistros em Seguro de Transporte, desenvolvido para elevar o nível de segurança e eficiência nas operações logísticas dos segurados. 

A metodologia opera com múltiplas camadas de validação e inteligência de dados aplicada à análise de risco. O Sompo Risks disponibiliza às transportadoras e embarcadores informações estruturadas sobre motoristas e veículos antes do início de cada viagem. A solução torna o processo de aceitação mais preciso, melhora a precificação e contribui para operações mais seguras. 

“O Sompo Risks representa um avanço significativo na forma como analisamos e assumimos riscos no transporte de cargas. Ao integrar tecnologia, critérios técnicos e inteligência de dados, entregamos aos nossos clientes e parceiros corretores de seguros uma camada adicional de proteção e estabilidade, contribuindo para um ambiente logístico mais seguro e eficiente”, observa Adailton Dias, Diretor Executivo de Produtos e Resseguro na Sompo. 

Tecnologia, governança técnica e prevenção de perdas 

O Sompo Risks apoia a subscrição e precificação com base em critérios que combinam análises históricas, validações antifraude e um robusto banco de dados dinâmico. Por meio dessa governança, a Sompo oferece ao mercado uma ferramenta que agrega previsibilidade, mitiga a exposição a riscos e contribui com a redução na frequência e severidade de eventos como roubo e apropriação indébita. 

“Construímos uma solução capaz de fortalecer todo o ciclo de gestão do risco. O Sompo Risks não apenas melhora a qualidade das informações utilizadas na aceitação e na precificação, como também eleva a capacidade de prevenção. Com mais informação qualificada disponibilizada automaticamente, é possível ser mais ágil e preciso na decisão. É uma ferramenta que trabalha para antecipar riscos e proteger a cadeia de transporte como um todo”, avalia Thiago Amorim, Superintendente de Gerenciamento de Riscos na Sompo. 

Principais benefícios do Sompo Risks 

O programa foi desenvolvido para ampliar a assertividade técnica e entregar vantagens concretas, que beneficiam todos envolvidos na operação logística, do motorista ao segurado, incluindo: 

  • Redução da POS (Participação Obrigatória do Segurado) prevista na apólice — com possibilidade de chegar à isenção, dependendo do perfil de risco. 
  • Aumento automático de até 20% no sublimite (limite específico aplicado a certas mercadorias ou riscos, que define procedimentos adicionais de gerenciamento de risco) para determinadas mercadorias e categorias, quando aplicáveis. 
  • Menor restrição ao uso de motoristas sem histórico de viagens, aumentando a flexibilidade operacional do transportador. 
  • Análises mais robustas para mitigação de sinistros, especialmente em casos de apropriação indébita ou falsidade ideológica. 
  • Maior previsibilidade e eficiência para toda a cadeia do seguro de transporte. 
  • Mais segurança, mais competitividade e melhores resultados 

Ao assumir a governança técnica do risco, a Sompo reforça sua liderança no segmento de Seguro de Transporte e seu papel de atuação estratégica em gerenciamento de riscos, bem como amplia a entrega de valor para os parceiros corretores de seguros, transportadores e embarcadores.  

Responsabilidade Social 

Como parte de seu compromisso social e da responsabilidade em toda a cadeia logística, a Sompo também vai intensificar, por meio do Sompo Risks, o apoio ao Programa Na Mão Certa – Pacto Empresarial pelo Fim da Violência Sexual de Crianças e Adolescentes, iniciativa da Childhood Brasil à qual aderiu em 2025. Desde então, a companhia assumiu publicamente compromissos voltados à prevenção e ao enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes — uma causa que dialoga diretamente com o propósito da Sompo de proteger pessoas e impactar positivamente a sociedade. Nesse período, foram promovidas ações de conscientização junto às equipes internas, motoristas de caminhão e demais parceiros de negócios, reforçando a importância da mobilização coletiva para a proteção de crianças e adolescentes. Com a nova solução, esse trabalho será ampliado, fortalecendo a atuação responsável da Sompo e contribuindo para que toda a rede de transporte esteja ainda mais engajada na defesa dessa causa essencial. 

FGV e IRB(Re) firmam parceria para ampliar pesquisas em seguros e riscos climáticos 

por Marcia Gomes

  

O IRB(Re) lançou, nesta segunda-feira (3/3), no Maravalley, no Rio de Janeiro, o Centro Brasileiro de Estudos de Risco e Resiliência, iniciativa dedicada a articular academia, setor público, setor privado e sociedade civil na produção de conhecimento aplicado à gestão de riscos no país. 

O evento reuniu representantes de órgãos reguladores, centros de pesquisa e instituições acadêmicas, a exemplo da Fundação Getulio Vargas, que, na ocasião, também anunciou a criação de um novo centro voltado a estudar riscos climáticos, adaptação e mitigação. 

Durante a cerimônia, o IRB(Re) reforçou que o novo centro nasce com foco especial na compreensão dos riscos climáticos e na produção de soluções capazes de apoiar políticas públicas, iniciativas regulatórias e instrumentos de proteção financeira. 

Ao comentar a relevância estratégica do centro recém-lançado, Mauricio Quintella, presidente do conselho de administração do IRB(Re), destacou o papel histórico da instituição no ecossistema segurador brasileiro: 

“O mundo mudou e os riscos mudaram. O IRB(Re) sempre foi a espinha dorsal da inteligência brasileira na indústria do seguro, e o que vemos aqui neste lançamento é essa inteligência reunida – academia, parceiros, executivos – trabalhando pelo país.” 

O CEO do IRB(Re), Marcos Falcão, lembrou que o cenário climático global exige novas abordagens metodológicas: “Para proteger o futuro, precisamos reinventar a forma de entender e modelar riscos.” Falcão reforçou ainda o problema da baixa proteção securitária no país: “Uma sociedade como a nossa, tão desenvolvida em tantos setores, continua profundamente subsegurada. Precisamos mudar isso com ciência, tecnologia e cooperação.” 

Anúncio do novo centro da FGV ocorre durante o evento 

A cerimônia do IRB(Re) também marcou o anúncio de uma nova iniciativa da Fundação Getulio Vargas: o Centro de Estudos de Riscos Climáticos, Adaptação e Mitigação (FGV Riscos Climáticos), que será desenvolvido pelo Instituto de Inovação em Seguros e Resseguros (FGV IISR) em parceria com o IRB(Re). 

A diretora de Pesquisa e Inovação da FGV, Goret Paulo, apresentou a ideia do centro e destacou que a criação da unidade responde diretamente ao aumento da frequência e severidade dos desastres ambientais no Brasil: 

“Eventos climáticos extremos estão cada vez mais frequentes. O ecossistema está mudando, e precisamos direcionar nosso esforço de pesquisa para enfrentar esses desafios que se colocam para a sociedade”, disse Goret que também participa do Conselho Consultivo do FGV IISR. 

O anúncio reforça a ampliação da cooperação entre o IRB(Re) e a FGV, que já atuam conjuntamente em estudos, capacitação técnica e projetos envolvendo seguro rural, econometria climática e modelagem de risco. 

Estrutura e foco científico do FGV Riscos Climáticos 

O novo centro da FGV está organizado em três pilares científicos. O primeiro dedica-se à modelagem de risco físico, combinando simulações estocásticas, dados observacionais e metodologias de catastrophe modeling para estimar probabilidades, severidade e perdas econômicas de eventos extremos. 

O segundo pilar aplica econometria climática avançada, voltada para instabilidades, não-linearidades e efeitos em cascata, produzindo previsões robustas e inferência causal sobre impactos ambientais e socioeconômicos. 

Já o terceiro transforma esses riscos em implicações macrofinanceiras, com estudos sobre solvência, ativos, regulação prudencial, modelos de transferência de risco e métricas aplicáveis a testes de estresse prudenciais e políticas públicas. 

Segundo Goret Paulo, ampliar a base de conhecimento é essencial para enfrentar gargalos históricos do país: 

“O Brasil tem um enorme gap de cobertura na área de seguros que precisa ser diminuído. Para isso, estamos mobilizando nossos mais de 700 pesquisadores na FGV e, ao mesmo tempo, investindo em mudar a cultura, ampliando a educação e a capacitação em seguros.” 

Rede de parceiros e próximos passos 

O FGV Riscos Climáticos já nasce conectado a uma rede multidisciplinar de parceiros estratégicos, entre eles a Columbia University e a Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas do Município de São Paulo (SGM/SECLIMA). A expectativa é ampliar a colaboração para o desenvolvimento de modelos inovadores, formação de recursos humanos e suporte à formulação de políticas públicas. 

O Centro Brasileiro de Estudos de Risco e Resiliência, do IRB(Re), também terá foco na construção de uma rede nacional de pesquisadores e parceiros, envolvendo universidades, empresas, governos e organizações da sociedade civil.