Ética se pratica. Ponto final

Hoje li um artigo da Lucy Kellaway, colunista do “Financial Times”, no portal do Valor Econômico. Realmente muito bom, principalmente para servir de exemplo para as seguradoras, que começam a incluir na agenda várias iniciativas sustentáveis. Eis aqui um exemplo para nunca ser copiado!!!!

Veja o texto na íntegra

O cardápio idiota do UBS deixa um gosto amargo na boca
Por Lucy Kellaway

Um leitor foi convidado recentemente para almoçar no restaurante privativo do UBS de Londres. Na mesa, à sua frente, um cardápio mostrava o que ele iria comer. Ao virar o cartão, no entanto, encontrou uma estranha declaração impressa.

É um tanto longa, mas a citarei na íntegra, já que é o exemplo mais extremo que já vi dos tropeços de uma empresa ao tentar provar o quanto é sólida e saudável: “No UBS promovemos uma cultura corporativa pautada pelos mais elevados padrões éticos presentes em todas as áreas de nosso campo de atuação. Nosso compromisso para com a excelência em tudo o que fazemos, associado ao desejo de compreender e atender às necessidades de nossos clientes, se traduz na experiência dos nossos clientes de saborear uma refeição. É por isso que, sempre que possível, nossos menus são elaborados a partir dos melhores produtos de época, provenientes de origens éticas, orgânicos e inigualáveis em qualidade e valor. Como nossas operações.”

Esta é uma lição prática de como não fazer as coisas. Para começar, nenhuma organização deveria anunciar publicamente que é ética. São raras as empresas que deixam de fazer isso, mas esse é um ato sem qualquer sentido. Que companhia, afinal, diria que é antiética?

Além disso, a afirmação parece especialmente cômica vinda de um banco que recentemente perdeu seu principal executivo depois que Kweku Adoboli fez desaparecer US$ 2,3 bilhões em transações supostamente não autorizadas, e que vem tendo problemas junto às autoridades britânicas e americanas.

Mais estúpido ainda é afirmar que se possui “os mais elevados padrões éticos”. Que padrões são esses? Seriam os que concentram as aspirações de Madre Teresa? Se forem, eles tornariam a maioria das atividades comerciais normais impossíveis.

Declarar um “compromisso para com a excelência em tudo o que fazemos” é outra má ideia. Para se ser competitivo, algumas coisas têm de ser realizadas com excelência, enquanto outras precisam apenas ser feitas de maneira adequada. Os bons dirigentes sabem a diferença. Preciso tentar escrever uma coluna excelente (embora testes tenham mostrado que nem sempre consigo). Não preciso ser excelente em arrumar minha mesa ou em responder a e-mails.

Ainda pior é a ideia de que a ética e a excelência se traduzem “na experiência dos nossos clientes de saborear uma refeição”. Essa expressão medonha lança o estado de espírito de qualquer um em queda livre. Referir-se à “experiência do usuário” que se tem quando se experimenta um novo dispositivo tecnológico é horrível, mas rebatizar o que se conhece como “almoço” de “experiência de saborear uma refeição” é intolerável.

Somos informados que os menus são “elaborados” com o uso “dos melhores produtos de época”, que são “orgânicos” e “provenientes de origens éticas”. Não vejo por que uma empresa que despacha seus dirigentes para o mundo inteiro deva impor um limite à importação da exótica vagem queniana no auge do inverno. Orgânico, como qualquer pessoa sensata sabe, é uma enganação e “provenientes de origens éticas” é vago demais para significar alguma coisa.

O que aborrece ainda mais é a ideia que a comida servida aos clientes do UBS é “inigualável em qualidade e valor”. Isso não é apenas feio, mas pode ser ilegal. Se a cozinha do banco está realmente servindo comida de qualidade superior a qualquer coisa produzida até agora, o departamento de compliance precisa ficar atento. Saborear uma refeição tão sublimemente deliciosa certamente infringiria a nova Lei Federal Antipropina do Reino Unido.

Mas a “pièce de résistance” nessa declaração, que é um verdadeiro prato cheio, é a última frase, que tenta comparar a empresa à experiência do cliente de saborear uma refeição. Li três vezes e não consigo fugir à conclusão que as operações bancárias devem ser orgânicas e provenientes de origens éticas.

Você poderia dizer que estou me empolgando demais com isso. Afinal, trata-se apenas de algo escrito por algum bobão do departamento de restaurante e, assim, talvez não tenha importância. Mas tem, sim. É preocupante as empresas escreverem coisas insensatas e as entregarem a seus clientes.

Em primeiro lugar, nenhum cliente jamais se sentirá tocado por esse besteirol, a não ser para copiá-lo e encaminhá-lo para mim. Em segundo, essas declarações fazem a gente temer que o banco esteja perdendo o rumo de modo geral. É preciso permitir que o almoço seja apenas almoço.

As declarações sobre ética deveriam se limitar a uma lista, enfiada goela baixo dos funcionários regularmente, de coisas erradas que eles não fazem – transações não autorizadas, por exemplo.

A melhor maneira de impressionar clientes não é falar sobre ética no verso dos menus, mas agir de acordo com ela no almoço – e também no resto do tempo.

Três investidores concentram compra de debêntures da SulAmérica

A SulAmérica fechou uma emissão de R$ 500 milhões em debêntures. A seguradora reduziu a taxa dos papéis de 1,35% para 1,15% ao ano, mais a variação da taxa DI. A demanda, contudo, foi apertada e a distribuição ficou concentrada em três investidores, que levaram cerca de dois terços da emissão – resultado considerado natural para uma estreante no mercado, comenta nota no Valor Econômico.Vou procurar mais informações para acrescentar conteúdo a este post. Dia 15, por exemplo, vence uma emissão de US$ 200 milhões, feita em fevereiro de 2007.

Max Thiermann passa de CEO para presidente do Conselho da Allianz Brasil

Os jornais argentinos contam uma notícia hoje, que ainda não consegui checar no Brasil. Max Thiermann, CEO da Allianz, passará para a presidência do conselho da Allianz Brasil. Seu sucessor é Edward Lange, CEO da Argentina. Em seu lugar, entra uma mulher. Fabiana Castiñeira vai assumir como CEO de Allianz Argentina.

Max está no comando da operação brasileira há nove anos. Sua gestão foi marcada por uma grande evolução do grupo alemão no Brasil. Inovou em todos os sentidos. Apoiou projetos importantes, como o Prêmio de Jornalismo, que tornou a marca conhecida do Oiapoque ao Chui. Qualquer jornalista, da área financeira a de sustentabilidade, conhece um pouco do maior grupo segurador do mundo graças a projetos apoiados por Max. O faturamento quase triplicou de tamanho nos últimos cinco anos. Dos € 388 milhões em 2005, a companhia saltou para € 1,1 bilhão em 2010 (os números de 2011 devem sair até o final deste mês). Isso torna a subsidiária local o principal negócio da empresa fora de Europa, Estados Unidos e Austrália. Em seguros gerais, a Allianz Seguros responde por 2,5% dos negócios do grupo.

Na América do Sul, a unidade brasileira tem três vezes o tamanho da Colômbia e 7,5 vezes o da Argentina. A participação da seguradora brasileira em grandes riscos, que envolvem apólices de engenharia e grandes indústrias, foi de cerca de R$ 300 milhões em 2010, pouco mais de 10% dos prêmios totais.

A Allianz Saúde, braço de seguro saúde da Allianz Seguros, também apresentou bom desempenho em 2010. A receita com prêmios foi de R$ 437,8 milhões, alta de 19,3% sobre o ano anterior. O lucro líquido chegou a R$ 22,1 milhões em 2010, incremento de 51,4% em relação ao período anterior.

O bom dessa história é poder ter Max no Conselho da Allianz, onde continuará dando seus valiosos palpites para incrementar e valorizar a indústria de seguros brasileira. Sorte de Castineira ter Max por perto. Apesar do sucessor já ter ocupado cargos na Alemanha, Chile, Estados Unidos e Argentina, nada se compara ao Brasil. Um país cheio de “jabutibacas”, como costumava dizer Leôncio Arruda, e que cresce de forma impressionante. Em 2010, o grupo que está no país há 106 anos, contava com 60 filiais, 1.400 funcionários e parceria com cerca de 16 mil corretores.

Bem vindo Edward Lange! Tenho certeza de que se surpreenderá com esse país. E como todos os estrangeiros que para cá vem, vai se apaixonar com a oportunidade de contribuir com o desenvolvimento da indústria de seguros, que começa um movimento forte de engajamento com o tema sustentabilidade.

Assim que conseguir uma entrevista, publico. Por enquanto, é isso.

Executivos do mercado incorporam conceito da sustentabilidade à agenda de negócios

matéria extraída do portal da CNseg (www.viverseguro.org.br)

O conceito de sustentabilidade começa a ser incluído cada vez mais na agenda dos executivos do mercado segurador. Foi o mostrou uma mesa redonda que reuniu os diretores e presidentes de seguradoras durante o I Workshop Inovação e Oportunidades em Sustentabilidade, realizado na terça-feira. Um sinal deste angajamento com práticas sustentáveis será dado no meio do ano, com a realização do evento internacional da International Insurance Society (IIS), que marcará a adesão da indústria de seguros aos Princípios para o Desenvolvimento Sustentável de Seguros, durante a Rio+20, conferência agendada para os dias 20 a 22 de junho no Rio de Janeiro.

Participante dos debates, Patrick Larragoiti, presidente do Conselho da SulAmérica e vice-presidente da CNseg, destacou o empenho das seguradoras e resseguradoras mundiais para influenciar governos na redução de riscos e na preservação dos recursos públicos. “As companhias do setor realizam estudos, fundamentados na base estatística do setor de perdas, e alertam governos sobre riscos. Por exemplo, recentemente, estudo da Swiss Re detectou mais de 3,4 bilhões de pessoas no mundo em situação de perder bens e a própria vida em razão de morarem perto de encostas facilmente afetadas pelas mudanças climáticas”, assinalou Larragoiti, que faz parte do conselho da Geneva Association, entidade que reúne 300 CEOs do setor e se dedica a estudar temas relevantes da indústria de seguros.

Um outro estudo, da Munich Re, revelou que de 1980 até 2010 o custo com pagamento de indenizações dobrou, sem que o volume de vendas tenha acompanhado esse crescimento. Isso sinaliza que algo tem de ser feito para a manutenção do retorno exigido pelo acionista para continuar colocando dinheiro na operação. Diante disso- ter informações sobre riscos e precisar melhorar a qualidade dos riscos assumidos -, os critérios de sustentabilidade deixam de ser apenas uma atitude moderna para ser a linha mestra da atividade seguradora. “Quanto menos riscos se concretizarem em razão da boa gestão, mais todos ganham: o governo, que usa menos recursos para socorrer vítimas sem proteção; a seguradora, que paga menos indenizações; e o segurado, que se mantém vivo e saudável. É bom para todo mundo”, ressalta Marcos Lisboa, vice-presidente do Itaú Seguros.

No Brasil, várias atitudes já foram tomadas, desde medidas simples como campanhas de uso consciente de papel e luz até a reformulação de contratos visando um relacionamento mais transparente e duradouro com o consumidor, bem como lançamento de produtos com parte do valor direcionado a entidades ligadas à educação e preservação do planeta. Agora há uma grande lista de desafios pela frente. Prova disso é que das 86% das seguradoras que responderam uma pesquisa realizada pela BSD Consulting em agosto de 2011, menos de 25% publicam relatórios financeiros desenvolvidos no modelo Global Reporting Initiat ive (GRI). Esse dado mostra que o engajamento do setor precisa ser ampliado.

Há um grande desafio: incorporar as práticas de sustentabilidade nos processos do negócio. Segundo Solange Beatriz, diretora da CNseg, está na agenda do setor uma agenda para os Princípios para o Desenvolvimento Sustentável de Seguros. Entre as prioridades, considerar sistematicamente as questões ambientais, sociais e de governança no negócio, princípios, estratégias e operações; aumentar a consciência da indústria de seguros sobre questões ambientais, sociais e de governança, reduzir o risco e encontrar soluções; trabalhar em conjunto com a sociedade para reforçar nossa eficiência na implementaÍ ão dos princípios; ser transparente ao comunicar as nossas atividades e progressos na implementação desses objetivos.

Entre as várias ações que fazem parte da agenda dos executivos, há as reuniões com governos e órgãos reguladores. Jayme Garfinkel, presidente da Porto Seguros e também da Fenseg, contou que a entidade já participa com o governo do planejamento de medidas para mitigar perdas de riscos certos. “Pessoas e empresas que moram em regiões onde as enchentes são certas, como em locais de Santa Catarina, ou mesmo que vivem nas encostas da região serrana do Rio, precisam contar com investimentos do governo na redução dos impactos climáticos. Podemos, certamente, ajudar o governo a desenvolver um plano de ação com base nos dados estatísticos acumulados˜, comentou.

Segundo ele, é fundamental para o segurador oferecer sugestões para a sociedade e governo, assim como as companhias fazem no dia a dia do negócio que se baseia em vender proteção. “O que aconteceria com a nossa frota de veículos se viesse uma tsunami. Qual o impacto na nossa carteira e na nossa sobrevivência. Nós trabalhamos para proteger nossos riscos e agora precisamos oferecer isso para a sociedade. Todos nós temos de fazer a nossa parte. No âmbito social, educacional e ambiental”, afirmou Garfinkel.

Segundo Lisboa, a atividade de seguro pode e deve ajudar a sociedade no gerenciamento e prevenção de riscos, além de ofertar uma gama de produtos que atendam às necessidades de uma nova sociedade, formada por um consumidor diferenciado. “Somos um segmento da economia com poder de influenciar clientes importantes a gerir melhor riscos e agregar melhorias na cadeia produtiva e social na qual estão inseridos. Afinal, gerenciar risco é o nosso negócio”.

Outra atitude que já começou a sair do papel é traçar uma política de investimentos sustentáveis. As seguradoras são donas de reservas técnicas que já superam R$ 300 bilhões. “Atualmente temos limitações para a aplicação dos recursos, mas já encaminhamos sugestões ao órgão regulador para podermos criar um portfólio de investimento de longo prazo”, explicou Solange Vieira, diretora da CNseg.

Um dos caminhos que pode ser seguido nesse sentido é o que já foi feito pelas gestoras de ativos de terceiros. “Podemos usar o que já foi desenvolvido pelas assets dentro do PRI(Principles for Responsible Investment), da Organização das Nações Unidas (ONU)”, sugeriu o executivo Alfredo Lalia Neto, diretor da HSBC Seguros e da FenaPrevi, lembrando que a HSBC lançou no Brasil um seguro de carro com parte da receita do prêmio direcionada a entidades responsáveis pela redução de CO2 dos clientes. O produto foi copiado pelas subsidiárias da América Latina e também pela própria matriz do grupo, sediado em Londres.

Em relação ao PRI, o conjunto de regras sustentáveis já conta com mais de mil signatários no mundo, responsáveis pela gestão de US$ 30 trilhões. O objetivo é aplicar recursos em empresas com padrões mínimos de sustentabilidade. A iniciativa também apoia os investidores a trabalharem juntos a fim de se voltarem para os problemas sistêmicos que, corrigidos, podem levar a condições de mercado mais estáveis, responsáveis e lucrativas, de modo geral.

Em produtos, serviços e campanhas as seguradoras já têm boas histórias para contar. O grupo Bradesco Seguros tem também vários produtos com apelo sócio ambiental. Norton Glabes Labes, presidente da Bradesco Capitalização, lembrou que uma nova ala do Hospital do Câncer, em São Paulo, foi erguida com recursos da venda do título de Câncer de Mama, no Alvo da Moda. Citou também que mais de 24 milhões de mudas de árvores já foram plantadas na Mata Atlântica com a venda do titulo SOS Mata Atlântica.

O executivo Enrique Adam Coello, diretor de Marketing do grupo Bradesco, citou atitudes mais voltadas à longevidade. “O bônus demográfico é uma das maiores conquistas do ser humano. Ninguém vive bem se não se sentir protegido. Por isso temos apostados em Ações como o Porteiro Amigo, que é treinado para ajudar idosos, bem como corridas de rua e a organização de ciclovias para estimular hábitos saudáveis na população”, comentou.

O grupo também estimula o debate de assuntos como a longevidade e gestão de riscos por meio de seminários realizados anualmente. Em saúde, o tema é também latente. Marcio Coriolano, presidente da FenaSaúde e também da Bradesco Saúde, abordou a importância dada pelo segmento a programas de prevenção e qualidade de vida. “A Fenasaúde participa da campanha do Ministério da Saúde sobre qualidade de vida, além de investir fortemente em ações junto a fornecedores e clientes”, comentou.

Solange Beatriz, diretora-executiva da CNseg, encerrou o evento ressaltando a importância do encontro e reforçando a importância da adoção, pelo setor, de ações práticas e comuns às empresas. A diretora-executiva também anunciou que a segunda edição do Prêmio Antônio Carlos de Almeida Braga em Inovação em Seguros, em 2012, terá foco em sustentabilidade.

Pesquisa inédita avalia adoção de práticas sustentáveis no mercado segurador

matéria do portal da Cnseg (www.viverseguro.org.br)

Uma pesquisa inédita sobre práticas sustentáveis adotadas pelas empresas de seguros no Brasil foi apresentada pela Confederação Nacional das Empresas de Seguros (CNseg), nesta terça-feira, em São Paulo, durante I Workshop Inovação e Oportunidades em Sustentabilidade. A pesquisa “Protocolo Verde de Seguros”, realizada em agosto de 2011, contou com a participação de 28 empresas, das quais 11 estrangeiras e 17 empresas nacionais. “Não houve mobilização ou tampouco divulgação da pesquisa, o que explica apenas 28 empresas entrevistadas de um total de 128”, disse Beat Gruninger, diretor da BSD Consulting, empresa responsável pela pesquisa.

Gruninger explicou que os princípios estabelecidos no Protocolo Verde direcionaram a pesquisa. “As respostas foram analisadas em relação à sua consistência para o atendimento de cada diretriz”, disse. Na primeira questão, as empresas foram questionadas sobre o atendimento ao primeiro principio, o de “oferecer produtos de seguros, de previdência e de capitalização que fomentem a qualidade de vida da população e o uso sustentável do meio ambiente”. As respostas foram 32% atendem; 18% atendem parcialmente; 24% não atendem.

Uma questão importante contemplada pelo primeiro principio trata da oferta de produtos voltados à cobertura de danos causados ao meio ambiente e ao incentivo à sua contratação. Segundo Gruninger, apenas cinco empresas atendem completamente essa diretriz; cinco atendem parcialmente e 10 não atendem. Em compensação, metade das empresas afirmou que orientam os consumidores de seus produtos sobre a adoção de práticas sustentáveis de produção e de consumo consciente.

Gruninger chamou a atenção para uma questão que envolve a solicitação de licenciamento ambiental. Foi perguntado às empresas se costumavam requerer, na análise de propostas de seguros referentes à cobertura de instalações e equipamentos potencialmente causadores de significativa degradação ambiental, a apresentação por parte do proponente das licenças ambientais exigidas pela legislação vigente. Boa parte (36%) atendem a este requisito e apenas três empresas (11%) não atendem. “O receio das empresas em perder negócios que poderiam sofrer restrições devido a aplicação destes critérios não deve impedir o atendimento destas duas diretrizes”, disse.

Mais de um terço das empresas (32%) disseram incorporar critérios socioambientais ao processo de subscrição de riscos, considerando os seus potenciais impactos e a necessidade de medidas de proteção tecnicamente recomendáveis. O levantamento concluiu, ainda, que 75% das empresas promovem medidas de incentivo à redução, reutilização, reciclagem e destinação adequada de resíduos, quase 60% criaram campanhas ou usam seus canais de relacionamento com os clientes para incentivar práticas sustentáveis; metade estimula consumo consciente e a eficiência energética nos processos internos; e 35% envolvem seus funcionários em práticas verdes.

Por fim, 96% das empresas concordaram em participar, a cada dois anos, da revisão dos princípios e diretrizes para o contínuo aperfeiçoamento do protocolo. Gruninger esclareceu que a iniciativa de desenvolver Princípios para Sustentabilidade em Seguros (PSS) começou após uma série de pesquisas do Grupo de Trabalho de Seguros da Iniciativa Financeira do Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP FI), que já era responsável pelos Princípios para Investimento Responsável (PRI). Segundo ele, outra pesquisa será realizada nos próximos dois meses, patrocinada pela CNseg e conduzida pela BSD Consulting, para direcionar a implementação dos PSS no mercado brasileiro.

Catástrofes prejudicam solvência das seguradoras, o que faz a sustentabilidade ser prioritária na agenda do setor

Matéria escrita por Márcia Alves, publicada no portal da CNseg (www.viverseguro.org.br)

Conceitualmente, não existe relação entre poluição e catástrofes naturais. Enquanto a poluição é o resultado da ação humana na contaminação do solo, ou da atmosfera, ou, ainda, do meio aquático, as catástrofes, como erupções vulcânicas e tsunamis, são eventos súbitos da natureza. Mas, segundo o autor do livro “O impacto das catástrofes climáticas na solvência das seguradoras”, René Hernande, eventos climáticos podem potencializar os danos provocados pela poluição à natureza.

Durante a apresentação do tema “Fenômenos naturais, seguros e sustentabilidade”, no I Workshop Inovação e Oportunidades em Sustentabilidade, promovido ontem em São Paulo pela CNseg, René Hernande explicou que a poluição do solo, por exemplo, causada por infiltração de combustíveis, mesmo restrita a uma área limitada, poderá ter seus efeitos ampliados caso ocorra uma inundação. “Os resíduos podem se espalhar por uma área muito maior e ocasionar uma catástrofe ambiental”, afirmou. Efeito semelhante pode ocorrer se a passagem de furacão encontrar pela frente um vazamento em plataforma de petróleo. “Um furacão pode estar na origem ou na maximização de um problema de contaminação já existente”, disse.

Para René Hernande, a degradação ambiental, ainda que seja tratada como uma questão meramente econômica, é uma grave ameaça à vida. Tanto que a Organização Mundial de Saúde (OMS) realizou um estudo que relaciona a deterioração do meio ambiente com a saúde humana, apontando a prevalência de doenças como diarréia, infecções respiratórias, lesões involuntárias, malárias e outras.

Diferentemente da diarréia, que é mais frequente entre classes pobres, as infecções respiratórias, de acordo com o especialista, afetam todas as faixas de população.

René Hernande atribui a causa principal das doenças respiratórias à poluição do ar pela constante emissão de CO2 (dióxido de carbono). A situação é tão grave, segundo ele, que se as emissões de CO2 pudessem ser encerradas, seus efeitos ainda seriam sentidos por muitos anos. Mesmo assim, ele não condena o CO2, que será importante fonte de calor, a seu ver, quando a Terra entrar na era glacial, daqui a 1,5 mil anos.

No presente, porém, o aumento de dióxido de carbono na atmosfera mantém relação com o crescimento das grandes catástrofes naturais. O fato está registrado, de acordo com René Hernande, em um estudo da Munich Re, que relaciona o aumento das catástrofes entre 1950 e 2010 com o crescimento da emissão de CO2. A destruição e as mortes provocadas por esses eventos se relacionam, por sua vez, com o setor de seguros.

Para dar uma ideia da abrangência desses danos, ele apresentou um gráfico da OMS que indica as regiões com maior índice de mortalidade atribuída à poluição do ar. O Brasil e o Chile na América do Sul, juntamente com toda América do Norte e parte da Ásia, são as regiões onde se registraram mais de 5 mil mortes, em 2011.

René Hernande também identificou na frequência de raios no Brasil uma relação com o aumento da poluição. Considerando apenas os dados das regiões monitoradas (Sul, Sudeste e parte da Centro-Oeste), entre 2009 e 2010, São Paulo lidera com 48% das ocorrências, seguida pelo Rio de Janeiro, com 20%. Nesses locais, segundo avaliação do Inpe, a poluição se equipara com o fenômeno El Niño entre os fatores intensificadores de raios.

Mas os brasileiros estão mais preocupados com a preservação ambiental, segundo René Hernande. Uma pesquisa do Ministério do Meio Ambiente, realizada em 2002, revela que 81% dos entrevistados estão dispostos a comprar produtos fabricados de maneira ecológica e que 38% abririam mão de aumentos na produção e no abastecimento de energia, se isso implicasse em melhor tratamento ao meio ambiente. “Algumas empresas acreditam que doar plantinhas e canequinhas são ações sustentáveis. Mas é enrolação. Precisamos levar mais a sério os danos à natureza ou estaremos cometendo suicídio e homicídio”, disse.

Executivos de seguros devem estimular os investimentos sustentáveis

*matéria feita com exclusividade para o portal da CNseg (www.viverseguro.org.br)

Embora a rentabilidade seja o foco dos investidores, já está provado que o lucro a qualquer custo não torna as empresas sustentáveis. Assim, Maria Eugênia Buosi (foto), da Quintessa, começou sua palestra no Workshop sobre Sustentabilidade, organizado pela CNseg, a confederação das seguradoras. Ela afirmou que as discussões sobre práticas sustentáveis no Brasil crescem a cada dia. “Fico muito feliz de ver a participação das seguradoras nesse tema. Afinal, as seguradoras são parte integrante da sustentabilidade do mundo”, afirmou a jovem executiva, que trabalha desde 2006 com o tema sustentabilidade.

No Workshop promovido pela CNseg sobre sustentabilidade na manhã desta terça-feira, Maria Eugênia citou a forte queda do valor das ações da British Petroleum, em razão do vazamento de petróleo. “Ela perdeu metade do valor de mercado por não ter colocado uma peça que custava menos de US$ 1 milhão˜. Ela também citou a Newscorp, controladora de diversos meios de comunicação do Reino Unido, entre eles “Sun”, o “Times”, o “Sunday Times”, que enfrentou uma forte queda no valor da empresa e também de imagem diante dos leitores em razão do escândalo de grampos. “Isso mostra que a sustentabilidade chegou ao mundo financeiro. Os investidores levam em consideração os riscos que podem tirar a rentabilidade dos ativos. Ninguém pode perder dinheiro hoje em dia e por isso a gestão de risco é prioritária”, disse a palestrante.

Segundo ela, até mesmo o lançamento da nova linha da calçadista Arezzo, na qual havia meia dúzia de peças com pele de raposa, gerou perda para as ações. Um pequeno grupo iniciou no Facebook um manifesto contra. Rapidamente, as ações da empresa recuaram, numa clara percepção dos investidores de que aquilo não iria agradar os consumidores e consequentemente reduziria as vendas. “Foi a primeira vez que trabalhei o dia todo no Facebook para acompanhar o episódio”, afirmou.

Segundo ela, o grande desafio das seguradoras, como investidoras institucionais, é incorporar os princípios da sustentabilidade na gestão de investimento. Seja pela seleção dos ativos ou pelo engajamento em contribuir para o bem social. Uma empresa pode optar por não comprar uma ação por ela ter problemas e riscos significativos, ou pode optar por comprar a ação e atuar de forma proativa na gestão das empresas para que elas mudem aquilo que pode gerar uma perda aos investidores.

“Muitos de vocês que escolhem um portfólio de investimentos podem ter uma atuação pro ativa e ajudar a construir um mundo mais sustentável”, afirma Maria Eugênia, que participou da criação do Fundo Ethical, administrado hoje pelo Santander. O fundo, que só aplica em empresas consideradas sustentáveis, acaba de completar 10 anos e acumula, no período, uma rentabilidade bem superior a do Ibovespa.

Trata-se ainda de um tema iniciante dentro do mercado financeiro, mas a cada dia ganha mais adeptos. “Em cinco anos ficou mais fácil dialogar com o mercado financeiro sobre esse assunto”, comemora. Uma das provas disso é a adesão das instituições financeiras no PRI, Principles for Responsible Investment, da Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo ela, o PRI foi desenvolvido em 2005 por um grupo de representantes de 20 investidores institucionais de 12 países em conjunto com o ex-secretário geral das Nações Unidas, Kofi Annan. O processo é coordenado pelo Programa de Iniciativa Financeira para o Meio-Ambiente das Nações Unidas (UNEP FI) e o Pacto Global das Nações Unidas e conta hoje com mais de mil signatários no mundo.

A iniciativa tamb

Rentabilidade do seguro de vida é o tema do novo estudo da Swiss Re

A Swiss Re divulgou hoje um novo estudo. Desta vez para falar do seguro de vida. “Entendendo a rentabilidade dos seguros de vida”, discute a necessidade de se chegar a uma estrutura padrão para informar o valor e o desempenho das empresas de seguro de vida.

Veja abaixo o release divulgado há pouco sobre o assunto

Ao contrário de diversos outros setores, os seguros de vida constituem um negócio com produtos e serviços de longo prazo, cuja rentabilidade não pode ser avaliada sem uma perspectiva de longo prazo. As seguradoras monitoram e gerenciam permanentemente o desempenho, mas como as apólices permanecem em vigor por vários anos, a rentabilidade final do negócio só é conhecida muito mais tarde, após o cumprimento de todas as obrigações assumidas na apólice. Para entender a competitividade e o desempenho operacional, as diversas partes interessadas utilizam indicadores diferentes, o que dificulta a comunicação e resulta em uma visão caleidoscópica da rentabilidade.

“Nas sociedades modernas, o seguro de vida desempenha um papel essencial para a administração de riscos. Atualmente, várias gerações dependem de produtos de seguro de vida e de saúde, o que será também o caso no futuro, conforme os esquemas públicos de aposentadoria e saúde sentirem o peso do envelhecimento da sociedade. Entender o desempenho do setor de seguros de vida é importante para todos os envolvidos. Os investidores precisam entender a rentabilidade para avaliar suas decisões de investimento, os segurados e órgãos de regulamentação têm interesse legítimo na viabilidade financeira das empresas do ramo vida e, para a direção da empresa, informar e entender a rentabilidade com exatidão é um fator essencial”, afirma Lukas Steinmann, coautor do relatório sigma.

Como as seguradoras do ramo vida criam valor?

As seguradoras do ramo vida criam valor por meio de operações de seguro e investimento. Existem três fontes principais de rentabilidade: margem de subscrição, resultado de investimentos e receita de tarifas. O perfil de lucratividade de uma empresa é fortemente influenciado pela composição de sua carteira de produtos. Os produtos oferecidos hoje pelo setor vão desde a simples proteção contra riscos, como seguro a prazo fixo ou de invalidez, até produtos predominantemente de poupança, como os vinculados a cotas e as anuidades diferidas. Dentro desse espectro, os fatores de rentabilidade variam significativamente e dependem de como os riscos são alocados entre a seguradora e o segurado. Por exemplo, o resultado dos produtos de proteção depende bastante da experiência de subscrição, enquanto o resultado dos produtos de poupança depende principalmente da receita de tarifas e da alocação dos resultados de investimento. A comunicação da rentabilidade mais transparente e detalhada por segmentos de produto pode ajudar os investidores a entender e avaliar melhor o desempenho da companhia.

Por que é tão difícil entender a rentabilidade dos seguros de vida?

“As companhias de seguro de vida tendem a informar seus resultados por meio de relatórios contábeis trimestrais. Os indicadores contábeis oficiais ou baseados nos princípios GAAP/IFRS fornecem uma visão de alto nível do desempenho histórico da seguradora, mas não conseguem capturar a natureza de longo prazo das operações de seguro de vida e saúde. Além disso, a comparação entre países e empresas é prejudicada pela multiplicidade de regras e práticas”, explica Milka Kirova, coautora do estudo sigma. São divulgadas poucas informações sobre o desempenho em nível de produto, seu perfil de risco e suas consequências para os resultados futuros. Os indicadores contábeis também não levam em consideração o capital necessário para sustentar os negócios.

Juntas, essas questões resultam em dados de rentabilidade de pouca clareza, o que dificulta às partes interessadas entender e avaliar efetivamente os resultados de uma companhia e sua sustentabilidade no futuro. Entretanto, embora geralmente seja usada apenas pela alta administração das seguradoras, uma abordagem mais prospectiva à avaliação da rentabilidade está disponível por meio da estrutura de valor embutido.

Os relatórios de valor embutido nos seguros de vida são indispensáveis para propiciar um processo integrado de tomada de decisões.
O Valor Embutido (EV) é uma estrutura que busca quantificar os fluxos de caixa futuros dos produtos de seguro e o custo de capital das linhas de negócios com perfis de risco diferentes. Embora sejam indispensáveis para fins internos, os conceitos de EV não conseguiram aceitação generalizada na comunicação externa destinada aos investidores. Atualmente, as seguradoras enfrentam um dilema: em muitos casos, a alta administração toma decisões com base nos conceitos de valor embutido, enquanto é comum que os investidores utilizem indicadores contábeis tradicionais.

Steinmann acrescenta que “uma quantidade crescente de empresas está desenvolvendo e promovendo seus próprios indicadores de desempenho para complementar a comunicação financeira contábil tradicionais. Contudo, existe uma linha muito tênue entre fornecer informações mais valiosas e confundir as partes interessadas com diversos indicadores de rentabilidade. Se ganharem aceitação, indicadores sofisticados, como o conceito de valor embutido compatível com o mercado (MCEV, sigla em inglês) ou a estrutura similar de Gestão de Valor Econômico da Swiss Re, também podem comprovar ser úteis para a comunicação externa. No futuro, regras contábeis específicas para o setor segurador e novas estruturas de regulamentação também podem ajudar a padronizar os relatórios financeiros e tornar a rentabilidade das companhias de seguros mais acessível às partes interessadas.”

Austral oferta garantias de seguro para Invepar, vencedora do leilão de concessão do aeroporto de Guarulhos

Veja abaixo a estrutura de seguros de perfomance, que garante que a Invepar vai cumprir a proposta ofertada no leilão de ontem. Tal estrutura foi divulgada no site da Comissão de Valores Mobiliários, em janeiro. Como a Invepar levou apenas o aeroporto de Guarulhos, apenas a Austral foi contratada.

Contratação de Seguro-Garantia (Bid Bond): O Conselho de Administração aprovou a contratação, pela Companhia, de Seguros-Garantia para fins da participação da Companhia na Licitação, com as seguintes características principais: (i) Aeroporto de Brasília/DF: (i.a) Seguradora: Allianz; (i.b) Montante: até R$37.342.000,00 (trinta e sete milhões e trezentos e quarenta e dois mil reais); e (i.c) Prazo: até 375 dias (trezentos e setenta e cinco dias), contado a partir da data de entrega da proposta; (ii) Aeroporto de Viracopos/SP: (ii.a) Seguradora: Allianz; (ii.b) Montante: até R$90.887.000,00 (noventa milhões e oitocentos e oitenta e sete mil reais); (ii.c) Prazo: até 375 dias (trezentos e setenta e cinco dias), contado a partir da data de entrega da proposta; e (iii) Aeroporto de Guarulhos/SP: (iii.a) Seguradora: Austral; (iii.b) Montante: até R$123.879.000,00 (cento e vinte e três milhões e oitocentos e setenta e nove mil reais); e (iii.c) Prazo: até 375 dias (trezentos e setenta e cinco dias), contado a partir da data de entrega da proposta.

Seguro de carro: Brasil X EUA

O “Insurance Information Institute” divulgou recentemente estatísticas atualizadas sobre o mercado de seguro de automóvel nos Estados Unidos. O economista Francisco Galiza fez uma análise interessante sobre os números, comparando-os com o mercado brasileiro em sua seção “Comentários Econömicos”, que acumula uma série de estudos e análises vitais para quem quer entender um pouco mais desta complexa indústria de seguros.

O mercado de seguros automóvel dos EUA é infinitamente maior do que o brasileiro. Lá, as seguradoras venderem US$ 160 bilhões em 2010, enquanto aqui temos prêmios de US$ 13,1 bilhões. Enquanto os americanos se preocupam mais em comprar proteção para indenizar terceiros, os brasileiros pensam mais em repor a perda do veículo em si. Desses valores, US$ 62,6 bilhões nos EUA são para a cobertura de perdas com o veículo e US$ 97,7 bilhões em cobertura de responsabilidade civil, que serve para indenizar terceiros prejudicados pelo segurado de automóvel. No Brasil, essa relação é de US$ 10,6 bilhões para o casco e de US$ 2,5 bilhões para terceiros.

Há grande expectativa de que essa diferença seja reduzida com a entrada dos novos consumidores no mercado brasileiro. Afinal, as vendas de carros batem recorde e a Justiça começa a ganhar mais velocidade, o que geralmente estimula a consciência de risco das pessoas, levando-as a priorizar a compra do seguro de responsabilidade civil, bem como num patamar de cobertura mais elevado para fazer frente aos valores reais de reposição de perdas causadas a terceiros.

Em média, o Brasil representou 8% do mercado americano, mas o comportamento não foi uniforme, explica Galiza. “Aqui, a proporção de seguro de responsabilidade civil é ainda relativamente pequena, de apenas 3%, enquanto o seguro do casco representa 17%”. No Brasil, 7,2% dos veículos segurados sofreram colisão no ano em 2010. Nos EUA, essa proporção é um pouco menor (5,7%).

Outro número interessante da comparação das carteiras de carro dos dois países é que a indenização média paga aqui por este tipo de sinistro é de US$ 3.381, acima dos US$ 2.776 praticados no mercado americano. “Fatores cambiais, tributos elevados, uma frota mais nova e uma maior preocupação com as condições do veículo (em relação à responsabilidade civil) podem ser motivos para essa defasagem para o Brasil”, explica o consultor em sua análise.

A concentração de seguradoras também chama a atenção. Em 2010, as dez maiores seguradoras de automóveis dos EUA detinham 68% da receita de todo o mercado. No Brasil, nesse mesmo período, o valor das 10 primeiras nesse ramo foi de 93%. Todas elas são seguradoras independentes. No Brasil, apenas a Bradesco, ligada ao terceiro maior banco do país, está entre as cinco maiores em 2010. Temos um mix de seguradoras independentes até 2010, mas que começou a mudar. A Porto Seguro, a maior em seguro de carro, se associou ao Itaú, maior banco privado; a espanhola Mapfre é hoje a parceira do Banco do Brasil, maior banco do país. As independentes SulAmérica e Liberty estão entre as cinco maiores.

No entanto, quem vem ganhando cada dia mais market share é a Zurich. A seguradora suíça fez um acordo com o Santander, quarto maior banco do Brasil, que até o momento não envolve automóvel. Mas é certo que esse quesito deve mudar em breve. Também temos de considerar que o Brasil é o favorito para a terceira posição no ranking global de maiores mercados de veículos do mundo em 2016, com vendas entre 4 milhões a 6 milhões de veículos, após encerrar 2011 com vendas de 3,6 milhões de unidades. Isso o deixa atrás de China e Estados Unidos, segundo levantamento da consultoria KPMG, divulgado em janeiro último. De acordo com o estudo, o caminho para o Brasil está mais fácil em razão do momento recessivo vivido por países da América do Norte, Europa e Japão.

Esse potencial de vendas de carros atrai a entrada de novas seguradoras no mercado brasileiro, muitos deles interessados na venda online, já que os canais bancários e as redes de concessionárias já foram negociados. Claro que sempre há interesse em renogociar parceiros. De uma forma ou de outra, a tendência é de que no médio prazo a atual distribuição de market share no Brasil vai ser alterada. Por mais ameaças que os corretores tradicionais possam fazer, o cliente é quem vai determinar como comprará seu seguro. Acredito que será sempre com o corretor, mas de forma online. Afinal, quem tem tempo e dinheiro a perder?


O estudo completo pode ser visto no link http://www.iii.org/facts_statistics/auto-insurance.html.