Setor de seguros da China aprende com erros e afirma ter as pessoas como principal ativo para sustentar o crescimento

No rastro da expansão da economia chinesa, a indústria de seguros da China tem passado por profundas transformações nos últimos 20 anos, a começar pelo número de players, que aumentou significativamente nesse período. “Tínhamos apenas cinco seguradoras em 1991. Hoje são 134 seguradoras, sendo 55 estrangeiras e cinco resseguradoras”, conta Yanil Zhou, vice- presidente do órgão regulador de seguros da China, durante a primeira palestra do último dia do 48º Seminário anual da International Insurance Society (IIS), realizado no Rio de Janeiro, com apoio da CNseg.

As companhias atuam em diversos nichos, o que tem tornado a concorrência mais acirrada a cada dia. No primeiro trimestre de 2012, as seguradoras tinham 66% do mercado, enquanto a principal seguradora do país, a estatal PICC, detinha 34%. Isso fez com que os prêmios crescessem mais de 40 vezes, passando da casa de 36,8 bilhões de yuan para 1,4 trilhão. Os ativos totais do mercado saíram de 3,374 bilhão para mais de 50,4 bilhões.

Tudo isso aconteceu pela abertura do mercado ao capital estrangeiro nos anos 80 e pela modernização das regras do mercado. Em 2003, a PICC começou a ser negociada na bolsa e se internacionalizou. Em 1992, a AIA, do grupo AIG, foi a primeira a entrar no mercado chinês. “A abertura trouxe experiência em seguros agrícolas, saúde e venda por meio de agentes”, destacou Zhou.

No entanto, muitas seguradoras ainda relutam em entrar no país pelas dificuldades políticas, suas grandes dimensões territoriais, diferenças culturais e a presença de vários dialetos, itens que dificultam a comunicação com consumidores e agentes do governo.
Mas Zhou afirma que as perspectivas futuras são otimistas e estimula a plateia a pensar em investir no país. “Nossa indústria está em forte crescimento, acompanhando o desenvolvimento da economia chinesa. O ritmo chinês de crescimento traz grandes oportunidades para as seguradoras”, afirma.

De fato, o PIB cresce a passos largos. Cresceu 9,2% em 2011 quando o mundo afundou, chegando a US$ 7,46 trilhões. A classe média tem crescido muito e de forma estável. E eles buscam proteção do seguro em vários aspectos, desde saúde até para o carro. Em longevidade, também há grande potencial para as seguradoras. Espera-se que, até 2050, as pessoas acima de 60 anos representem 430 milhões na China. A urbanização segue em ritmo forte, chegando em 50% da população em 2011, e a previsão é chegar a 80% em 2030. “Ao chegar à cidade, o indivíduo quer seguro saúde e previdência”, citou.

Segundo ele, o mercado de seguros chinês está a cada dia mais maduro e, mesmo assim, a indústria continua crescente e com grande espaço para evoluir em termos de penetração do PIB e consumo per capita. Porém, as seguradoras representam ainda 3% dos ativos financeiros totais do país. Em PIB, o setor tem participação de apenas 6,42%, sendo o PIB da China o segundo maior do mundo, próximo de passar o dos Estados Unidos, primeiro do ranking, até 2020.

Um dos pontos importantes para o desenvolvimento da indústria de seguros é proteção dos consumidores, alvo central da regulação do mercado. Segundo Zhou, o arcabouço regulatório tem três pilares: proteção do consumidor; manutenção da ordem do mercado estimulando a concorrência; e incentivo à venda de produto certo, para a pessoa correta e pelo preço justo. “Também estamos atentos a dar incentivos para fomentar a inovação”, revelou.

Em 1995, o foco do regulador chinês foi a elaboração de regras de solvência. Em 2004, três seguradoras foram consideradas insolventes, o que levou a um aperfeiçoamento do setor. Em todo esse período, a solvência vem melhorando consideravelmente. China Life, Ping An e China Pacific, que venderam seguros baratos para se beneficiar do boom do mercado financeiro em 2007, enfrentaram sérios problemas e hoje voltam a ser players importantes do setor. “Após três anos de ajustes, temos apenas 5 seguradoras insolventes”, afirmou. Em 2011, o regulador esteve envolvido com a formulação de regras de conduta dos distribuidores, controles internos, governança e regras de entrada de companhias bem como de liquidação.

A perspectiva da regulamentação na China para os próximos anos mira a proteção ao consumidor. “Temos um canal para receber as reclamações e uma instituição será estabelecida para cada uma de nossas jurisdições”, afirmou. Segundo ele, a primeira geração de regulamentação foi lançada e, nos próximos três anos, será feita uma atualização, finalizando em 2016 com a adoção dos requisitos de Solvência 2.

Para o chinês, o segredo do sucesso de uma seguradora não está no ganho da aplicação dos prêmios no mercado financeiro. “Nosso setor é baseado em pessoas. Com as pessoas certas você consegue ter muito lucro. O que queremos ver é o capital certo com as pessoas certas, pois isso vai fazer o negócio prosperar. Uma montanha de dinheiro que pode ser usada num único dia não vai gerar um bom negócio. Queremos qualificação dos executivos seniores. Acredito que ter pessoas bem treinadas é mais importante do que outros quesitos. Com profissionais certos, conseguimos desenvolver aptidões e fazer uma boa gestão”, resume Zhou.

“Nós queremos manter o canal de comunicação aberto com todo o mundo. O microsseguro é uma prioridade do governo e estamos fazendo uma reestruturação desse segmento”, informou. “Estamos agora focados em serviços que podemos prestar à população de menor renda”, acrescentou o executivo, citando uma frase do Premier Wen Jiabao: “O seguro dá para a pessoa um futuro previsível e a ajuda a gerenciar riscos”.

Marsh busca parceiros para atuar em microsseguros no Brasil

A Marsh, uma das maiores corretoras do mundo, quer parceiros para desenvolver um programa de microsseguros no Brasil. “A parceria é a única forma de conseguirmos garantir o crescimento sustentável de produtos de microsseguro,”, disse Brian Duperreault, presidente da Marsh & McLennan Companies e membro do IIS, durante o 48º Seminário do IIS (Internacional Insurance Society).

Ele informou que a Marsh já opera com a microsseguros em vários países e por isso pode afirmar que a parceria é a única forma de conseguir chegar a um programa de microsseguros de sucesso. “Quem estiver disposto, por favor, nos procure. Esperamos ser abordados pela curiosidade de vocês por mais informações sobre os nossos investimentos em microsseguros”, disse ele a platéia.

A proposta, segundo ele, é montar um projeto piloto para que também poderia servir como um mecanismo de pesquisa e desenvolvimento, alem de poder ser um ponto de partida para influenciar governos e reguladores com boas experiências e informações que ajudem a mitigar a pobreza do pais.. “Vemos o Brasil como o nosso primeiro mercado teste”, disse. “O Brasil tem um ambiente ideal para um proojeto piloto, com potencial de 100 milhões de apólices e prêmios totais que variar entre US $ 1,7 bilhão para mais de US $ 4 bilhões.”

População começará a entender e a escolher empresas que tenham atitudes sustentáveis

Kelly Lubiato, Revista Apólice

O mercado brasileiro acaba de aderir oficialmente aos PSI – Princípios de Sustentabilidade em Seguros, documento elaborado pela Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para a Sustentabilidade. Este documento foi elaborado para enfrentar uma nova realidade com mudanças provocadas pelas alterações e eventos climáticos extremos, riscos de catástrofes naturais, redução de riscos de desastres, esgotamento de recursos naturais, danos à biodiversidade e degradação do ecossistema.

De acordo com o representante da ONU, Achim Steiner, mais de 30 empresas assinam o documento. Ele ratifica que ao longo dos últimos seis anos, a UNEP FI vem explorando a possibilidade de que sejam estabelecidos princípios para a sustentabilidade do mercado de seguros global, que pode catalisar e intensificar uma mudança de comportamento. “Nós precisamos construir uma economia verde, comunidades resistentes, apresentar uma gama mais ampla de resultados sociais e conservar melhor nossas florestas, rios e demais ecossistemas vitais”, complementou.

Os investimentos necessários para se colocar em prática os Princípios ainda não foram medidos. Entretanto, Jean Christophe Menioux, executivo da Axa, França, informou que a IIS já investiu US$ 1 milhão em pesquisas. “Existe uma gama enorme de possibilidades de investimentos e as seguradoras devem ter consciência de que vários departamentos serão envolvidos na implantação de estratégias sustentáveis”.

O mercado brasileiro pode começar a colocar em prática os PSI imediatamente. Algumas empresas já contam com práticas sustentáveis. De acordo com o presidente da Itaú Vida e Previdência, três pontos são fundamentais: educação, comunicação e produtos adequados. “Temos um sistema de distribuição que inclui 500 mil agências bancárias e 60 mil corretores de seguros. É uma grande possibilidade de começar a transmitir para a sociedade as informações que ela necessita”.

O presidente do Conselho da SulAmérica, Patrick Larragoiti, disse que o mercado põe em prática princípios sustentáveis à medida que realiza o gerenciamento de riscos. “O mercado está cada vez mais atento às demandas sociais e deve divulgar mais suas estratégias para os steakholders”. Ele lembrou que a adesão aos PSI também será incentivada pelos órgãos regulatórios, o que aumentara a força e a penetração dos PSI.

“Os princípios sustentáveis na área de seguros serão absorvidos pela sociedade de forma natural e gradual”, acredita Eugênio Velasques, diretor executivo da Bradesco. Para ele, aos poucos a população começará a entender e a escolher empresas que tenham atitudes sustentáveis.

Valor promove seminário de seguros massificados

O Valor Econômico promove o seminário “O futuro dos Seguros Massificados”. O evento, promovido em parceria com a Assurant, vai reunir diversos especialistas do setor, entre eles o economista e ex ministro Delfim Netto; Wagner Carvalho, diretor da KPMG para a indústria de seguros e previdência no Brasil; Arquimedes Salles, diretor de produtos e serviços financeiros da Lojas Marisa; e Cassio Miranda, CFO Grupo SBF. O seminário acontece no próximo dia 21 em São Paulo e os painelistas vão apresentar aos convidados temas pertinentes ao setor, como “Perspectiva Econômica para 2015”; “Diversificação de Canais de distribuição de Seguros Massificados”; “Seguros Massificados no Varejo: Modelos de Gestão e desafios”.

Serviço

O Futuro dos Seguros Massificados

21 de junho de 2012

Das 09h00 às 13h00

Hotel Hyatt: Av. das Nações Unidas, 13301

Agenda

09:00 – Abertura

Cassio Stavale – vice presidente comercial e de marketing da Assurant

09:15 – Perspectiva Econômica para 2015

Palestrate: Delfim Netto – Economista e Ex Ministro

10:15 – Coffee Break

10:40 – Diversificação de Canais de distribuição de Seguros Massificados

Palestrante: Wagner Carvalho – Diretor da KPMG para a Indústria de Seguros e Previdência no Brasil

11:40 –Seguros Massificados no Varejo: Modelos de Gestão e desafios

Convidado: Arquimedes Salles – Diretor de Produtos e Serviços Financeiros – Lojas Marisa

Convidado: Cassio Miranda – CFO Grupo SBF

Mercado segurador global adere Princípios para Sustentabilidade em Seguros

Release Cnseg

O segundo dia do 48º Seminário do IIS (Internacional Insurance Society), foi marcado pela adesão do mercado segurador global aos Princípios para Sustentabilidade em Seguros. Uma iniciativa do o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – Iniciativa Financeira (UNEP FI). Com a presença dos maiores líderes do mercado segurador mundial o ato de adesão contou com a participação de 33 empresas de países como Japão, Nova Zelândia, Reino Unido, Espanha, Holanda, França, Noruega, Grécia, Africa do Sul, Canadá, Austrália e Brasil, representado pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e pelas empresas: Itaú Unibanco Seguros, Mongeral Aegon Seguros e Previdência, SulAmérica e Bradesco Seguros.

Achim Steiner, subsecretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente destacou o significativo número de iniciativas do setor de seguros no âmbito da sustentabilidade. “As empresas estão se comprometendo com uma série de compromissos verdes. E a indústria de seguros é muito importante, pois já representa 8% do PIB mundial. O setor pode ser a mola propulsora para a sustentabilidade. Já somam mais de 30 signatários e eu acho que esse número ainda vai crescer.”

Segundo Butch Bacani, chefe do Programa Iniciativa UNEP FI para os Princípios de Sustentabilidade em Seguros é preciso disseminar a importância de partir para a prática. “Os Princípios para Sustentabilidade em Seguros devem ser levados à prática, do contrário não passam de boas intenções”. Da mesma opinião Osvaldo Nascimento, diretor-executivo da Itaú Unibanco completa: “é preciso agir da porta da empresa para fora”, endossou.

De acordo com Nola Watson, da Australian Group, a estratégia de negócios é implementar ações positivas. “Esse passo de adesão aos Princípios de Sustentabilidade em Seguros é importante para nós. Fizemos parcerias com o governo e outras instituições para gerenciar o risco das comunidades. Queríamos criar consciência de sustentabilidade, promover boas práticas e publicamente explicar o papel das seguradoras na sustentabilidade. Nos orgulhamos de fazer uma gestão de risco proativa em toda a indústria.”

Já o representante da francesa AXA, Jean-Christophe Menioux defendeu que o setor sempre esteve ligado à práticas sustentáveis. “As sementes dos Princípios atuais foram lançadas em 2007. Em 2008, avaliamos como os sistemas econômicos, social e de governança estavam interligados, o que resultou nos Princípios para Sustentabilidade em Seguros. Assinando-os hoje, temos uma ação para o futuro. Nós os vemos como uma evolução natural e uma forma inteligente de fazer negócios”.

De acordo com Ludger Arnoldsussen, membro da alemã Munich Re, o mercado segurador tem uma longa tradição com a formatação de produtos sustentáveis. “A adesão aos Princípios só nos fortalece. O nosso ambiente de negócios está em movimento. Os Princípios para Sustentabilidade em Seguros são um arcabouço global que viabilizam uma forma coerente de gerir novas oportunidades em seguros. Eles abordam todos os aspectos dos seguros, são operacionais e voluntários. Eles segmentam uma sociedade sustentável para toda a nossa indústria”, afirmou.

Para Jorge Hilário Gouveia Vieira, presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), as questões ligadas ao desenvolvimento sustentável estão no centro dos debates da sociedade contemporânea. “O posicionamento do setor internacional de seguros em relação a esse tema, com a adesão aos Princípios da ONU, representa a oportunidade de fazer parte da solução para os desafios existentes nas dimensões ambiental, social e de governança”. Hilário comentou ainda sobre o lançamento dos Princípios acontecer no Brasil. “Ter esse lançamento aqui no Rio de Janeiro nos enche de orgulho e aumenta ainda mais nossa responsabilidade.”

Pesquisa analisa mercado emergente de seguro-saúde no Paquistão

Release da CNseg

O desenvolvimento e a sustentabilidade em mercados emergentes de seguro-saúde foi tema de um dos painéis do 48º Seminário Anual do IIS, que acontece até quarta-feira, 20, no Hotel Sofitel, em Copacabana, Rio de Janeiro, evento organizado pela CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras). Estudante de Ciências Atuariais da Universidade de Wisconsin em Madison, nos Estados Unidos, Yi Yao apresentou dados dos microsseguros de saúde no Paquistão, os índices de renovação das apólices e as principais coberturas oferecidas, utilizando como base dados da agência Aga Khan para Microfinanças (AKAM).

A agência iniciou as operações no norte do Paquistão em 2007, ano em que a população do país teve o primeiro acesso ao seguro saúde, com custo de 400 rúpias mensais, o correspondente a US$ 5. A internação hospitalar e o seguro de vida para chefes de família são duas das opções oferecidas pelo mercado. A agência conta com uma rede de três hospitais e oferece cobertura para 16 mil casas. A taxa de sinistro é de 1,97%.

Segundo o estudo, a taxa de novos segurados no Paquistão é de 0,69, com pagamento médio de indenização de 3.233 rúpias. A freqüência de renovação da apólice pela primeira vez é de 0.66 e de 0.57 da segunda vez.

“Em 2008, o índice de pessoas que sofreram sinistros e que tinham a intenção de cancelar a apólice de seguro era de 1,5, enquanto a intenção de renovação era de 2,25. No entanto, em 2009, o índice de renovação oficial foi de 1,47. Portanto, aqueles que renovaram não representam necessariamente um alto risco”, explicou Yi.

A pesquisa mostrou também que as famílias que solicitaram indenizações têm 13% a mais de chances de renovar a apólice do que as que não sofreram infortúnios. O tamanho da família e a presença de idosos em casa contribuem para a renovação. A cada mil rúpias de pedido de indenização, a chance de renovação do seguro aumenta 1%.

“Isso demonstra que os lares que renovaram a apólice tinham uma taxa de sinistro maior, o que geralmente representa um custo inicial para os microsseguradores. Com a tendência para renovação, as taxas melhoram e se estabilizam, mostrando a possibilidade de oferecer um programa de microsseguros sustentável”, explicou a pesquisadora.

Diretor da Argo International, orientador da estudante na pesquisa, Tony Cabot afirmou a importância dos resultados. “Estamos acostumados a reagir em relação aos dados de mercado, mas a pesquisa mostra que agir em um primeiro momento seria errado. As premissas vão ficando melhores com a renovação a cada ano”, explicou.

Cabot lembrou ainda que é preciso compreender o funcionamento do seguro em cada região, levando em conta as suas especificidades: “Entender a capacidade do sistema de saúde local reduz a tensão no serviço médico oferecido. O desafio é imenso, mas precisamos sair da zona de conforto”.

Seguros na Nigéria: cenário é favorável para rentabilidade de seguradoras de vida

País mais populoso da África com 150 milhões de habitantes, a Nigéria tem 64% da população com renda diária de US$ 2 por dia – um cenário ideal para o microsseguro pela alta porcentagem de integrantes de baixa renda. Esse tema foi o eleito pela pesquisadora Olajumoke Olaosebikan, da Escola de Gestão da Universidade de Bath, no Reino Unido, para apresentação durante o 48º Seminário Anual da IIS, organizado pela CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras), que acontece até quarta-feira, 20, no Hotel Sofitel, em Copacabana, no Rio de Janeiro.

A pesquisa, nomeada como ´Os Fatores Determinantes da Rentabilidade dos Seguradores de Vida`, evidencia a relação da rentabilidade com o tamanho das empresas. “Na Nigéria, por exemplo, os microsseguros estão dando os primeiros passos, mas há muito potencial de crescimento. Ainda não há regulação espefícica dos microsseguros e o principal canal de distribuição são as agências bancárias”, comentou Olaosebikan.

O estudo, que utilizou a experiência de 149 empresas de seguros, destacou ainda que o nível de resseguros têm influência negativa, o que pode sugerir que eles são caros por conta dos altos riscos nigerianos. Além disso, os microsseguros também são mais rentáveis devido a venda em grande escala, além da confirmação do impacto dos juros nas operações.

“As empresas resseguradoras precisam modificar seus preços. O impacto das taxas demonstra a importância do desempenho econômico para o desenvolvimento dos microsseguros”, explicou a pesquisadora.

Setor já está alinhado aos Princípios para Sustentabilidade em Seguros

Comunicado oficial da CNseg

O mercado segurador brasileiro aderiu aos Princípios para Sustentabilidade em Seguros, por meio da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), que na manhã desta terça-feira (19/6) se tornou signatária dos Princípios elaborados pela Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – Iniciativa Financeira (UNEP FI), o que representa um compromisso público do setor para o desenvolvimento social e econômico sustentável do planeta.

Uma pesquisa realizada pela CNseg com o apoio da BSD Consulting, durante o ultimo mês de maio, avaliou o alinhamento das práticas atuais do mercado brasileiro aos valores que orientam a formulação dos Princípios para Sustentabilidade em Seguros. As 28 empresas que responderam à pesquisa representam 87% do volume de arrecadação do mercado. Entre elas, 71% afirmaram conhecer os Princípios de Sustentabilidade em Seguros; e 54% já contam com uma gerência e um comitê de sustentabilidade. Quase metade (43%) consideram os aspectos de ASG (ambientais, sociais e de governança) como parte do processo de desenvolvimento de produtos.

A pesquisa constatou que 32% das empresas buscam junto aos especialistas compreender os novos modelos de análise que levam em conta aspectos ASG na avaliação de riscos e na aplicação aos seus produtos; 71% atuam continuamente na redução do processo burocrático para análise de sinistro; e 54% elaboraram algumas mensagens-chave e campanhas para o marketing relativo a temas ASG.

De acordo com os dados da pesquisa, 29% elaboram diretrizes corporativas envolvendo a alta administração. A maioria (71%) atua continuamente na redução do processo burocrático para analise de sinistro. A inclusão de critérios sociais, ambientais e éticos na política de investimentos é estudada por 43%.

Quase metade (46%) criaram formas de comunicação com o cliente para divulgar as suas ações sociais ou ambientais por meio dos produtos. Trinta e seis por cento possuem políticas de seleção e avaliação de fornecedores conhecidas pelas partes e baseadas somente em fatores como preço, qualidade e prazo. E 32% incluem aspectos de ASG em contratos ou na seleção e avaliação de fornecedores.

Do total de empresas avaliadas na pesquisa, 43% verificam e incluem em contratos com prestadores de serviços critérios e exigências relativas aos cumprimentos da legislação trabalhista, previdenciária e fiscal. E 32% informam publicamente sua postura relacionada aos aspectos ASG (por meio de Relatórios Anuais ou de Sustentabilidade).

Com relação à comunicação, 36% disponibilizam informações especificas sobre aspectos ASG para sensibilizar corretores via seus canais de comunicação ou cartilhas. E 32% dialogam no âmbito das entidades de classe sobre temas ligados à Sustentabilidade e à Responsabilidade Social.

A informação também está no centro das preocupações das empresas avaliadas, 29% participam ativamente de grupos de trabalho para revisar ou criar novas políticas e normas. E 32% buscam junto aos especialistas compreender os novos modelos de análise que levam em conta aspectos ASG na avaliação de riscos e na aplicação aos seus produtos. Trinta e dois por cento utilizam veículos e canais de informações para divulgar campanhas de investimento social ou projetos ambientais específicos.

O contato com centros acadêmicos também já faz parte da realidade de várias empresas: 18% têm parceria formalizada com universidades e comunidade científica para fornecer informações e contribuir financeiramente para o desenvolvimento de pesquisas que fomentem programas educativos sobre os temas de ASG.

Dialogar com entorno onde atuam está entre as questões analisadas pelas empresas: 29% disponibilizam ferramentas para melhorar as práticas sociais e ambientais, aumentando a disseminação dos conceitos dentro da sociedade e nas comunidades; 43% mantêm diálogos esporádicos com entidades de classe ou federações de indústrias sobre temas ligados à Sustentabilidade e Responsabilidade Social; e 29% das empresas adotam postura proativa e recebem reconhecimento externo em relação as suas práticas.

De acordo com Solange Beatriz Mendes Palheiro, diretora-executiva da CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras), a Confederação será fundamental como fonte de informação. “Pretendemos disseminar boas práticas, podendo contribuir de maneira significativa para o alinhamento das empresas signatárias aos Princípios para Sustentabilidade em Seguros”.

PIB verde, um aliado das seguradoras

Uma boa notícia para as seguradoras nesta segunda-feira foi o lançamento do PIB verde pela ONU, durante a Conferência Rio+20. Trata-se de um índice de Enriquecimento Inclusivo (IWI, em inglês) para medir a riqueza das nações, somando o capital econômico, natural e humano. A idéia é media a riqueza real dos países e a capacidade futura de crescimento, levando em consideração os recursos naturais e educação das populações, entre outros fatores. Quanto mais os países quiserem ser os maiores do ranking, melhores serão os riscos das seguradoras com o investimento em sustentabilidade das nações. Países menos poluentes significam menos indenizações com tratamentos médicos da população, por exemplo.

Segundo dados divulgados no evento, o primeiro panorama do IWI em 2012 avaliou as nações entre 1990 e 2008, mas não teve resultados animadores.Dos países contemplados, 19 revelaram esgotamento dos recursos naturais. No período, o PIB brasileiro cresceu 34%, no entanto, o capital natural recuou 25%. A China avançou 422% em seu PIB, mas seu capital natural caiu 17%. Já os Estados Unidos teve um aumento de 37% do PIB, mas viu cair em 20% o seu capital natural.

Quatorze nações registraram um índice de riqueza inclusivo per capita (IWI) positivo. Só a China cresceu mais de 2%, enquanto Chile, França e Alemanha registraram um crescimento inclusivo acima de 1%. O restante, que inclui Índia, Japão, Grã-Bretanha, Noruega, Estados Unidos, Canadá, Equador, Austrália e Quênia, cresceu entre 0,1% e 1%. O crescimento negativo foi registrado na Colômbia, Nigéria, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul e Venezuela, apesar de todos terem registrado crescimento econômico positivo

Pessoas precisam aprender a formar uma poupança para o futuro, diz presidente da ACLI

Comunicado oficial da CNseg

Em palestra durante o 48º Seminário da IIS, o governador americano Dirk Kempthorne destacou as mudanças no envelhecimento da população mundial nos próximos anos. Segundo ele, os idosos, que antigamente representavam apenas uma pequena parcela da população, hoje já alcançaram 20% do total. No Japão, o índice vai chegar a 50%. “Os países precisam se preparar para essas mudanças. Muitos idosos esperam benefícios do governo e os sistemas de aposentadoria não foram criados para sustentar pessoas por 20, 30 anos”, explicou o também presidente do American Council of Life Insurers (ACLI).

Dados apresentados pelo executivo apontam que o Japão é um dos países que envelhece mais rápido – em 2050, para cada criança de um ano, haverá um idoso de 100 anos. Nesse mesmo ano, na China, o decréscimo na população será de 42,7 milhões de pessoas, diferentemente do Norte da África, que terá mais 277 milhões de pessoas, um incremento de 63%.

Para o político americano, a segurança das aposentadorias inclui também a iniciativa privada, também em economias em desenvolvimento. “Não podemos ficar esperando que haja uma geração trabalhadora que possa sustentar a aposentadoria de seus pais, avós. Os países emergentes não devem fazer promessas que não podem cumprir. As pessoas precisam intervir no seu próprio futuro”, explicou.

O 48º Seminário Anual do IIS é organizado pela CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras) e acontece até quarta-feira, 20, no Hotel Sofitel, em Copacabana, no Rio de Janeiro. O evento reúne 300 pessoas de todo o mundo e marcará a adesão das seguradoras aos Princípios de Sustentabilidade em Seguros, da Organização das Nações Unidas (ONU).