População começará a entender e a escolher empresas que tenham atitudes sustentáveis

Kelly Lubiato, Revista Apólice

O mercado brasileiro acaba de aderir oficialmente aos PSI – Princípios de Sustentabilidade em Seguros, documento elaborado pela Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para a Sustentabilidade. Este documento foi elaborado para enfrentar uma nova realidade com mudanças provocadas pelas alterações e eventos climáticos extremos, riscos de catástrofes naturais, redução de riscos de desastres, esgotamento de recursos naturais, danos à biodiversidade e degradação do ecossistema.

De acordo com o representante da ONU, Achim Steiner, mais de 30 empresas assinam o documento. Ele ratifica que ao longo dos últimos seis anos, a UNEP FI vem explorando a possibilidade de que sejam estabelecidos princípios para a sustentabilidade do mercado de seguros global, que pode catalisar e intensificar uma mudança de comportamento. “Nós precisamos construir uma economia verde, comunidades resistentes, apresentar uma gama mais ampla de resultados sociais e conservar melhor nossas florestas, rios e demais ecossistemas vitais”, complementou.

Os investimentos necessários para se colocar em prática os Princípios ainda não foram medidos. Entretanto, Jean Christophe Menioux, executivo da Axa, França, informou que a IIS já investiu US$ 1 milhão em pesquisas. “Existe uma gama enorme de possibilidades de investimentos e as seguradoras devem ter consciência de que vários departamentos serão envolvidos na implantação de estratégias sustentáveis”.

O mercado brasileiro pode começar a colocar em prática os PSI imediatamente. Algumas empresas já contam com práticas sustentáveis. De acordo com o presidente da Itaú Vida e Previdência, três pontos são fundamentais: educação, comunicação e produtos adequados. “Temos um sistema de distribuição que inclui 500 mil agências bancárias e 60 mil corretores de seguros. É uma grande possibilidade de começar a transmitir para a sociedade as informações que ela necessita”.

O presidente do Conselho da SulAmérica, Patrick Larragoiti, disse que o mercado põe em prática princípios sustentáveis à medida que realiza o gerenciamento de riscos. “O mercado está cada vez mais atento às demandas sociais e deve divulgar mais suas estratégias para os steakholders”. Ele lembrou que a adesão aos PSI também será incentivada pelos órgãos regulatórios, o que aumentara a força e a penetração dos PSI.

“Os princípios sustentáveis na área de seguros serão absorvidos pela sociedade de forma natural e gradual”, acredita Eugênio Velasques, diretor executivo da Bradesco. Para ele, aos poucos a população começará a entender e a escolher empresas que tenham atitudes sustentáveis.

Valor promove seminário de seguros massificados

O Valor Econômico promove o seminário “O futuro dos Seguros Massificados”. O evento, promovido em parceria com a Assurant, vai reunir diversos especialistas do setor, entre eles o economista e ex ministro Delfim Netto; Wagner Carvalho, diretor da KPMG para a indústria de seguros e previdência no Brasil; Arquimedes Salles, diretor de produtos e serviços financeiros da Lojas Marisa; e Cassio Miranda, CFO Grupo SBF. O seminário acontece no próximo dia 21 em São Paulo e os painelistas vão apresentar aos convidados temas pertinentes ao setor, como “Perspectiva Econômica para 2015”; “Diversificação de Canais de distribuição de Seguros Massificados”; “Seguros Massificados no Varejo: Modelos de Gestão e desafios”.

Serviço

O Futuro dos Seguros Massificados

21 de junho de 2012

Das 09h00 às 13h00

Hotel Hyatt: Av. das Nações Unidas, 13301

Agenda

09:00 – Abertura

Cassio Stavale – vice presidente comercial e de marketing da Assurant

09:15 – Perspectiva Econômica para 2015

Palestrate: Delfim Netto – Economista e Ex Ministro

10:15 – Coffee Break

10:40 – Diversificação de Canais de distribuição de Seguros Massificados

Palestrante: Wagner Carvalho – Diretor da KPMG para a Indústria de Seguros e Previdência no Brasil

11:40 –Seguros Massificados no Varejo: Modelos de Gestão e desafios

Convidado: Arquimedes Salles – Diretor de Produtos e Serviços Financeiros – Lojas Marisa

Convidado: Cassio Miranda – CFO Grupo SBF

Mercado segurador global adere Princípios para Sustentabilidade em Seguros

Release Cnseg

O segundo dia do 48º Seminário do IIS (Internacional Insurance Society), foi marcado pela adesão do mercado segurador global aos Princípios para Sustentabilidade em Seguros. Uma iniciativa do o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – Iniciativa Financeira (UNEP FI). Com a presença dos maiores líderes do mercado segurador mundial o ato de adesão contou com a participação de 33 empresas de países como Japão, Nova Zelândia, Reino Unido, Espanha, Holanda, França, Noruega, Grécia, Africa do Sul, Canadá, Austrália e Brasil, representado pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e pelas empresas: Itaú Unibanco Seguros, Mongeral Aegon Seguros e Previdência, SulAmérica e Bradesco Seguros.

Achim Steiner, subsecretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente destacou o significativo número de iniciativas do setor de seguros no âmbito da sustentabilidade. “As empresas estão se comprometendo com uma série de compromissos verdes. E a indústria de seguros é muito importante, pois já representa 8% do PIB mundial. O setor pode ser a mola propulsora para a sustentabilidade. Já somam mais de 30 signatários e eu acho que esse número ainda vai crescer.”

Segundo Butch Bacani, chefe do Programa Iniciativa UNEP FI para os Princípios de Sustentabilidade em Seguros é preciso disseminar a importância de partir para a prática. “Os Princípios para Sustentabilidade em Seguros devem ser levados à prática, do contrário não passam de boas intenções”. Da mesma opinião Osvaldo Nascimento, diretor-executivo da Itaú Unibanco completa: “é preciso agir da porta da empresa para fora”, endossou.

De acordo com Nola Watson, da Australian Group, a estratégia de negócios é implementar ações positivas. “Esse passo de adesão aos Princípios de Sustentabilidade em Seguros é importante para nós. Fizemos parcerias com o governo e outras instituições para gerenciar o risco das comunidades. Queríamos criar consciência de sustentabilidade, promover boas práticas e publicamente explicar o papel das seguradoras na sustentabilidade. Nos orgulhamos de fazer uma gestão de risco proativa em toda a indústria.”

Já o representante da francesa AXA, Jean-Christophe Menioux defendeu que o setor sempre esteve ligado à práticas sustentáveis. “As sementes dos Princípios atuais foram lançadas em 2007. Em 2008, avaliamos como os sistemas econômicos, social e de governança estavam interligados, o que resultou nos Princípios para Sustentabilidade em Seguros. Assinando-os hoje, temos uma ação para o futuro. Nós os vemos como uma evolução natural e uma forma inteligente de fazer negócios”.

De acordo com Ludger Arnoldsussen, membro da alemã Munich Re, o mercado segurador tem uma longa tradição com a formatação de produtos sustentáveis. “A adesão aos Princípios só nos fortalece. O nosso ambiente de negócios está em movimento. Os Princípios para Sustentabilidade em Seguros são um arcabouço global que viabilizam uma forma coerente de gerir novas oportunidades em seguros. Eles abordam todos os aspectos dos seguros, são operacionais e voluntários. Eles segmentam uma sociedade sustentável para toda a nossa indústria”, afirmou.

Para Jorge Hilário Gouveia Vieira, presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), as questões ligadas ao desenvolvimento sustentável estão no centro dos debates da sociedade contemporânea. “O posicionamento do setor internacional de seguros em relação a esse tema, com a adesão aos Princípios da ONU, representa a oportunidade de fazer parte da solução para os desafios existentes nas dimensões ambiental, social e de governança”. Hilário comentou ainda sobre o lançamento dos Princípios acontecer no Brasil. “Ter esse lançamento aqui no Rio de Janeiro nos enche de orgulho e aumenta ainda mais nossa responsabilidade.”

Pesquisa analisa mercado emergente de seguro-saúde no Paquistão

Release da CNseg

O desenvolvimento e a sustentabilidade em mercados emergentes de seguro-saúde foi tema de um dos painéis do 48º Seminário Anual do IIS, que acontece até quarta-feira, 20, no Hotel Sofitel, em Copacabana, Rio de Janeiro, evento organizado pela CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras). Estudante de Ciências Atuariais da Universidade de Wisconsin em Madison, nos Estados Unidos, Yi Yao apresentou dados dos microsseguros de saúde no Paquistão, os índices de renovação das apólices e as principais coberturas oferecidas, utilizando como base dados da agência Aga Khan para Microfinanças (AKAM).

A agência iniciou as operações no norte do Paquistão em 2007, ano em que a população do país teve o primeiro acesso ao seguro saúde, com custo de 400 rúpias mensais, o correspondente a US$ 5. A internação hospitalar e o seguro de vida para chefes de família são duas das opções oferecidas pelo mercado. A agência conta com uma rede de três hospitais e oferece cobertura para 16 mil casas. A taxa de sinistro é de 1,97%.

Segundo o estudo, a taxa de novos segurados no Paquistão é de 0,69, com pagamento médio de indenização de 3.233 rúpias. A freqüência de renovação da apólice pela primeira vez é de 0.66 e de 0.57 da segunda vez.

“Em 2008, o índice de pessoas que sofreram sinistros e que tinham a intenção de cancelar a apólice de seguro era de 1,5, enquanto a intenção de renovação era de 2,25. No entanto, em 2009, o índice de renovação oficial foi de 1,47. Portanto, aqueles que renovaram não representam necessariamente um alto risco”, explicou Yi.

A pesquisa mostrou também que as famílias que solicitaram indenizações têm 13% a mais de chances de renovar a apólice do que as que não sofreram infortúnios. O tamanho da família e a presença de idosos em casa contribuem para a renovação. A cada mil rúpias de pedido de indenização, a chance de renovação do seguro aumenta 1%.

“Isso demonstra que os lares que renovaram a apólice tinham uma taxa de sinistro maior, o que geralmente representa um custo inicial para os microsseguradores. Com a tendência para renovação, as taxas melhoram e se estabilizam, mostrando a possibilidade de oferecer um programa de microsseguros sustentável”, explicou a pesquisadora.

Diretor da Argo International, orientador da estudante na pesquisa, Tony Cabot afirmou a importância dos resultados. “Estamos acostumados a reagir em relação aos dados de mercado, mas a pesquisa mostra que agir em um primeiro momento seria errado. As premissas vão ficando melhores com a renovação a cada ano”, explicou.

Cabot lembrou ainda que é preciso compreender o funcionamento do seguro em cada região, levando em conta as suas especificidades: “Entender a capacidade do sistema de saúde local reduz a tensão no serviço médico oferecido. O desafio é imenso, mas precisamos sair da zona de conforto”.

Seguros na Nigéria: cenário é favorável para rentabilidade de seguradoras de vida

País mais populoso da África com 150 milhões de habitantes, a Nigéria tem 64% da população com renda diária de US$ 2 por dia – um cenário ideal para o microsseguro pela alta porcentagem de integrantes de baixa renda. Esse tema foi o eleito pela pesquisadora Olajumoke Olaosebikan, da Escola de Gestão da Universidade de Bath, no Reino Unido, para apresentação durante o 48º Seminário Anual da IIS, organizado pela CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras), que acontece até quarta-feira, 20, no Hotel Sofitel, em Copacabana, no Rio de Janeiro.

A pesquisa, nomeada como ´Os Fatores Determinantes da Rentabilidade dos Seguradores de Vida`, evidencia a relação da rentabilidade com o tamanho das empresas. “Na Nigéria, por exemplo, os microsseguros estão dando os primeiros passos, mas há muito potencial de crescimento. Ainda não há regulação espefícica dos microsseguros e o principal canal de distribuição são as agências bancárias”, comentou Olaosebikan.

O estudo, que utilizou a experiência de 149 empresas de seguros, destacou ainda que o nível de resseguros têm influência negativa, o que pode sugerir que eles são caros por conta dos altos riscos nigerianos. Além disso, os microsseguros também são mais rentáveis devido a venda em grande escala, além da confirmação do impacto dos juros nas operações.

“As empresas resseguradoras precisam modificar seus preços. O impacto das taxas demonstra a importância do desempenho econômico para o desenvolvimento dos microsseguros”, explicou a pesquisadora.

Setor já está alinhado aos Princípios para Sustentabilidade em Seguros

Comunicado oficial da CNseg

O mercado segurador brasileiro aderiu aos Princípios para Sustentabilidade em Seguros, por meio da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), que na manhã desta terça-feira (19/6) se tornou signatária dos Princípios elaborados pela Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – Iniciativa Financeira (UNEP FI), o que representa um compromisso público do setor para o desenvolvimento social e econômico sustentável do planeta.

Uma pesquisa realizada pela CNseg com o apoio da BSD Consulting, durante o ultimo mês de maio, avaliou o alinhamento das práticas atuais do mercado brasileiro aos valores que orientam a formulação dos Princípios para Sustentabilidade em Seguros. As 28 empresas que responderam à pesquisa representam 87% do volume de arrecadação do mercado. Entre elas, 71% afirmaram conhecer os Princípios de Sustentabilidade em Seguros; e 54% já contam com uma gerência e um comitê de sustentabilidade. Quase metade (43%) consideram os aspectos de ASG (ambientais, sociais e de governança) como parte do processo de desenvolvimento de produtos.

A pesquisa constatou que 32% das empresas buscam junto aos especialistas compreender os novos modelos de análise que levam em conta aspectos ASG na avaliação de riscos e na aplicação aos seus produtos; 71% atuam continuamente na redução do processo burocrático para análise de sinistro; e 54% elaboraram algumas mensagens-chave e campanhas para o marketing relativo a temas ASG.

De acordo com os dados da pesquisa, 29% elaboram diretrizes corporativas envolvendo a alta administração. A maioria (71%) atua continuamente na redução do processo burocrático para analise de sinistro. A inclusão de critérios sociais, ambientais e éticos na política de investimentos é estudada por 43%.

Quase metade (46%) criaram formas de comunicação com o cliente para divulgar as suas ações sociais ou ambientais por meio dos produtos. Trinta e seis por cento possuem políticas de seleção e avaliação de fornecedores conhecidas pelas partes e baseadas somente em fatores como preço, qualidade e prazo. E 32% incluem aspectos de ASG em contratos ou na seleção e avaliação de fornecedores.

Do total de empresas avaliadas na pesquisa, 43% verificam e incluem em contratos com prestadores de serviços critérios e exigências relativas aos cumprimentos da legislação trabalhista, previdenciária e fiscal. E 32% informam publicamente sua postura relacionada aos aspectos ASG (por meio de Relatórios Anuais ou de Sustentabilidade).

Com relação à comunicação, 36% disponibilizam informações especificas sobre aspectos ASG para sensibilizar corretores via seus canais de comunicação ou cartilhas. E 32% dialogam no âmbito das entidades de classe sobre temas ligados à Sustentabilidade e à Responsabilidade Social.

A informação também está no centro das preocupações das empresas avaliadas, 29% participam ativamente de grupos de trabalho para revisar ou criar novas políticas e normas. E 32% buscam junto aos especialistas compreender os novos modelos de análise que levam em conta aspectos ASG na avaliação de riscos e na aplicação aos seus produtos. Trinta e dois por cento utilizam veículos e canais de informações para divulgar campanhas de investimento social ou projetos ambientais específicos.

O contato com centros acadêmicos também já faz parte da realidade de várias empresas: 18% têm parceria formalizada com universidades e comunidade científica para fornecer informações e contribuir financeiramente para o desenvolvimento de pesquisas que fomentem programas educativos sobre os temas de ASG.

Dialogar com entorno onde atuam está entre as questões analisadas pelas empresas: 29% disponibilizam ferramentas para melhorar as práticas sociais e ambientais, aumentando a disseminação dos conceitos dentro da sociedade e nas comunidades; 43% mantêm diálogos esporádicos com entidades de classe ou federações de indústrias sobre temas ligados à Sustentabilidade e Responsabilidade Social; e 29% das empresas adotam postura proativa e recebem reconhecimento externo em relação as suas práticas.

De acordo com Solange Beatriz Mendes Palheiro, diretora-executiva da CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras), a Confederação será fundamental como fonte de informação. “Pretendemos disseminar boas práticas, podendo contribuir de maneira significativa para o alinhamento das empresas signatárias aos Princípios para Sustentabilidade em Seguros”.

PIB verde, um aliado das seguradoras

Uma boa notícia para as seguradoras nesta segunda-feira foi o lançamento do PIB verde pela ONU, durante a Conferência Rio+20. Trata-se de um índice de Enriquecimento Inclusivo (IWI, em inglês) para medir a riqueza das nações, somando o capital econômico, natural e humano. A idéia é media a riqueza real dos países e a capacidade futura de crescimento, levando em consideração os recursos naturais e educação das populações, entre outros fatores. Quanto mais os países quiserem ser os maiores do ranking, melhores serão os riscos das seguradoras com o investimento em sustentabilidade das nações. Países menos poluentes significam menos indenizações com tratamentos médicos da população, por exemplo.

Segundo dados divulgados no evento, o primeiro panorama do IWI em 2012 avaliou as nações entre 1990 e 2008, mas não teve resultados animadores.Dos países contemplados, 19 revelaram esgotamento dos recursos naturais. No período, o PIB brasileiro cresceu 34%, no entanto, o capital natural recuou 25%. A China avançou 422% em seu PIB, mas seu capital natural caiu 17%. Já os Estados Unidos teve um aumento de 37% do PIB, mas viu cair em 20% o seu capital natural.

Quatorze nações registraram um índice de riqueza inclusivo per capita (IWI) positivo. Só a China cresceu mais de 2%, enquanto Chile, França e Alemanha registraram um crescimento inclusivo acima de 1%. O restante, que inclui Índia, Japão, Grã-Bretanha, Noruega, Estados Unidos, Canadá, Equador, Austrália e Quênia, cresceu entre 0,1% e 1%. O crescimento negativo foi registrado na Colômbia, Nigéria, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul e Venezuela, apesar de todos terem registrado crescimento econômico positivo

Pessoas precisam aprender a formar uma poupança para o futuro, diz presidente da ACLI

Comunicado oficial da CNseg

Em palestra durante o 48º Seminário da IIS, o governador americano Dirk Kempthorne destacou as mudanças no envelhecimento da população mundial nos próximos anos. Segundo ele, os idosos, que antigamente representavam apenas uma pequena parcela da população, hoje já alcançaram 20% do total. No Japão, o índice vai chegar a 50%. “Os países precisam se preparar para essas mudanças. Muitos idosos esperam benefícios do governo e os sistemas de aposentadoria não foram criados para sustentar pessoas por 20, 30 anos”, explicou o também presidente do American Council of Life Insurers (ACLI).

Dados apresentados pelo executivo apontam que o Japão é um dos países que envelhece mais rápido – em 2050, para cada criança de um ano, haverá um idoso de 100 anos. Nesse mesmo ano, na China, o decréscimo na população será de 42,7 milhões de pessoas, diferentemente do Norte da África, que terá mais 277 milhões de pessoas, um incremento de 63%.

Para o político americano, a segurança das aposentadorias inclui também a iniciativa privada, também em economias em desenvolvimento. “Não podemos ficar esperando que haja uma geração trabalhadora que possa sustentar a aposentadoria de seus pais, avós. Os países emergentes não devem fazer promessas que não podem cumprir. As pessoas precisam intervir no seu próprio futuro”, explicou.

O 48º Seminário Anual do IIS é organizado pela CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras) e acontece até quarta-feira, 20, no Hotel Sofitel, em Copacabana, no Rio de Janeiro. O evento reúne 300 pessoas de todo o mundo e marcará a adesão das seguradoras aos Princípios de Sustentabilidade em Seguros, da Organização das Nações Unidas (ONU).

Estrangeiros avançam, mas seguradoras locais ainda dominam setor de seguros

Comunicado oficial da CNseg

A evolução do mercado de seguros em países emergentes foi um dos temas debatidos no primeiro dia do 48º Seminário Anual do IIS (International Insurance Society), que tem a CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras) como anfitriã no Brasil. O evento reúne 300 pessoas de todo o mundo e acontece até quarta-feira, 20 de junho, no Hotel Sofitel, em Copacabana, no Rio de Janeiro.

O painel sobre “Liderança Global: Desafios do seguro: Sustentabilidade e Inovação nos Mercados Emertgentes” reuniu líderes mundiais como o presidente da International Advisory Council, Norman Sorensen, o CEO da seguradora francesa SCOR, Denis Kessler, o presidente da SulAmérica, Patrick de Larragoiti, o CEO do XL Group, Michael McGavick e o presidente da China Pacific Property Insurance, Zongmin Wu.

O mais consolidado dos mercados seguradores da América Latina, o Brasil apresentou crescimento de 14,4% nas operações de seguro em 2011, superando a previsão inicial de 12% para o ano. Para Patrick de Larragoiti, da SulAmérica, o crescimento do setor se dá não só por conta do tamanho da população, mas pelo peso da economia brasileira no mundo. “A participação das empresas estrangeiras no setor securitário tem crescido, mas a atuação das empresas nacionais ainda é predominante: representa 62%. Até 2016, o patamar de representação do mercado de seguros no PIB, que hoje é de 3,5%, chegará a 4%”, comentou o executivo.

Denis Kessler, CEO da SCOR, também destacou o potencial de consumo em economias emergentes, que têm impulsionado o desenvolvimento de seguros em todo o mundo. “O poder de compra de consumidores em países emergentes representa 49% em relação ao resto do mundo. Segundo dados do Sigma Report, apontam que os mercados emergentes de seguros representam menos de 15% dos prêmios de seguros. Em todo o mundo, os prêmios de Seguro de Vida representam 14% e o restante do setor, 16%”, explicou.

Os mercados emergentes reservam desafios específicos para as resseguradoras. Muitas vezes, segundo Kessler, os riscos não são confiáveis e a exposição às catástrofes são grandes. “No Brasil, por exemplo, existe baixo risco de catástrofe em contraste com outros países da América Latina. No entanto, em 2012, enchentes e deslizamentos de terra não foram incomuns. Há um aumento dos índices desse tipo de ocorrência e o seu agravamento”, afirmou.

Além do Brasil, a Rússia também apresenta contrastes entre o risco e a realidade. Em 2010, uma forte onda de calor, a mais forte dos últimos mil anos, afetou o país, dobrando a mortalidade e triplicando a poluição. Desde 1989, a Índia, que possui mais de 20 cidades com população acima de um milhão de habitantes, registrou 21 eventos catastróficos.

Zongmin Wu, da China, ressaltou a importância dos seguros para o planejamento financeiro dos consumidores. “Os seguros são cada vez mais importantes para melhorar e proteger a vida das pessoas. Apoiar o consumo é uma das principais forças de gestão social. A governança corporativa ajuda as empresas de seguros a melhorarem sua estratégia de gestão”, contou o executivo.

Segundo os especialistas do painel, a penetração dos seguros deve ser avaliada pela cobertura da população. Os mercados emergentes estão acertando os passos rapidamente, registrando, em dez anos, taxas de crescimento de 11%. Em países industrializados, o crescimento chegou a 1,3% segundo dados do Sigma Report.

O CEO do XL Group, de Bermuda, Michael McGavick, observou que para melhorar a penetração dos seguros em mercados emergentes, é necessário investir na melhor gestão de risco: “É preciso usar o insight da observação do mercado como um todo. Um mercado só deixará de ser emergente quando os seus filhos não tiverem mais de mudar de seu país para ter um futuro melhor”.

As seguradoras não podem ficar só no escritório sustentável. Têm que investir

O modelo de crescimento pode ser comparado a um bastão de hockey”, pontuou o PhD, professor na Faculdade de Administração da Universidade de Tel Aviv e primeiro Decano da Escola Acadêmica de Seguros de Israel, Yehuda Kahane. Ele foi o palestrante do painel “O Impacto do Social, Econômico e Ambiental nas Crises do Seguro”. Kahane apontou para as mudanças demográficas, econômicas e de padrão de consumo que o mundo vive hoje.

Para Kahane o mundo chegou a um ponto de esgotamento do modelo atual e para dar continuidade a espécie humana é preciso quebrar paradigmas. Segundo ele, o setor de seguros é muito importante nesse processo, pois atua no gerenciamento de riscos. “As seguradoras não podem ficar só no escritório sustentável, têm que investir. Nesse momento não deixar pegadas não é o suficiente. Precisa ter atividades positivas para limpar o meio ambiente”, endossou.

“Em 1992, tivemos uma conferência aqui no Rio, a Eco 92, esse foi o primeiro diálogo sobre essas questões. Vinte anos depois, muitas conversas e discursos aconteceram, mas as ações foram poucas”, explicou o professor.Segundo Kahane essa é a ultima década que suportamos esse modelo de gestão. “A Terra sobreviverá, mas nós, seres humanos, seremos extintos. Vocês estão ouvindo os alarmes?”, indagou. A globalização também foi apontada como fator de risco e preocupação. “O que uma pessoa faz no Japão nos atinge aqui no Rio”, disse.

Para o professor, precisamos de um novo modelo de gestão para dar conta dos desenhos e necessidades dos indivíduos. “A única maneira de lidar com essa situação é atrelar o crescimento à questão do meio ambiente. Você pode encontrar uma maneira de colocar os países pobres e limpos para se transformarem em países ricos e limpos”, enfatizou.

“Se cada um de nós nos comportarmos como um país desenvolvido precisaríamos de cinco planetas”, exemplificou. Para Kahane, temos que descobrir como enfrentar esse problema, não como entramos nele. Ilustrando a situação, o professor citou um provérbio chinês: “O melhor momento para plantar uma árvore é há 20 anos atrás. O segundo melhor é hoje”, disse explicando que o primeiro momento a humanidade já perdeu e é preciso aproveitar agora o segundo.

Hoje existem três pontos de vista para o problema ambiental: os céticos (que acham que é tudo invenção), os que não se envolvem (acreditam que o problema existe, mas a responsabilidade não é dele – é do governo, dos ricos) e os que se preocupam (enxergam o problema e se comprometem com soluções).

O 48.º Seminário Anual da IIS acontece de 18 a 20 de junho, no Sofitel, em Copacabana, no Rio. O evento conta com a CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras) como parceira na organização.