Antonio Penteado Mendonça: veta Dilma!

Depois da campanha para Dilma Rousseff vetar o novo código florestal, a indústria de seguros deve iniciar uma outra Veta Dilma. Antonio Penteado Mendonça publicou um artigo muito interessante hoje no jornal Estado de Säo Paulo. Leia abaixo:

Medida provisória que permite a criação de uma resseguradora local segue na contramão de ações estatais para incentivar investimentos pela iniciativa privada

Nóis enganemo ocês. Nóis fumo, mas voltemo, oi nóis aqui ‘traveiz'”. Aletrado velho samba cai feito uma luva no texto do Projeto de Lei de Conversão da Medida Provisória 564/ 2012.Curiosamente, o texto do projeto de lei encaminhado para sanção da presidente da República não é o texto da medida provisória originalmente encaminhado ao Congresso Nacional. Mais curiosamente ainda,ele foi modificado e, ao contrário da MP 564, cria uma resseguradora local,que ainda por cima tem a prerrogativa de ser contratada por qualquer órgão da administração pública sem o competente processo licitatório.

A nova redação vai na contramão das recentes medidas destinadas a atrair a iniciativa privada para parcerias com o governo, anunciadas pela presidente da República, e ameaça seriamente um dos setores econômicos que apresentou melhor desempenho dentro da economia nacional, com altas taxas de crescimento, ao longo dos últimos 20 anos.

Ao criar uma resseguradora local,o projeto de lei está modificando completamente o espírito da Lei Complementar 126/07,que terminou com o monopólio do resseguro, exercido durante praticamente 70 anos pelo Instituto de Resseguros do Brasil, atual IRB-Brasil Resseguros, a maior resseguradora local do País,com mais de 40% do total do faturamento do setor, e, ainda hoje, controlada pelo governo federal.

Quando da edição da medida provisória 564, esta coluna alertou para o fato de que ela poderia servir de berço para a “Segurobrás”, uma hipotética empresa de seguros e resseguros, controlada pelo governo federal, que atuaria de forma a levar vantagem em tudo, no mais absoluto padrão da velha “Lei de Gerson”.

A medida provisória elencava entre suas criações a”Agência Brasileira Gestora de Fundos e Garantias S.A. – ABGF”. Tal agência teria a missão de atuar como provedora dos recursos indispensáveis para a concretização de seguros de interesse nacional, de difícil contratação, face aos riscos apresentados.

Para melhor entendimento do leitor, vale recapitular que a MP 564/12 autorizava a União a participar de fundos para garantir operações de comércio exterior ou projetos de infraestrutura de grande vulto. Quando do seu encaminhamento ao Congresso Nacional, o governo afirmava que a ABGF não seria jamais uma seguradora ou uma resseguradora, mas apenas uma entidade que atuaria juntamente com os fundos garantidores, de forma complementar ao mercado segurador e ressegurador, visando garantir sua capacidade operacional.

Como eu já vivi muito e ao longo da vida aprendi que nem sempre o que o governo fala é o que o governo faz, alertei para o fato de que o caminho para a “Segurobrás” estava aberto e que se o governo o desejasse, através da ABGF, ele teria o ferramental para, em pouco tempo, entrar diretamente no setor de seguros, atuando como companhia de seguros ou resseguros e, ainda por cima, colocando em xeque o atual desenho de ramos de seguros administrados pela iniciativa privada.

Agora,o texto encaminhado para sanção presidencial mostra que o risco da entrada do governo nas operações de seguros e resseguros não era uma probabilidade, mas uma certeza. E não adianta dizer em que, apesar da previsão estar no texto, não significa que o governo irá se valer dela para atuar no setor de seguros. Se está no texto e o texto é sancionado e se transforma em lei, não há como questionar a legalidade da autorização para o governo operar como seguradora ou resseguradora, inclusive adquirindo participações minoritárias ou majoritárias em empresas já existentes no mercado.

Se este governo, por qualquer razão, não o fizer, quem vier depois terá o poder legal de fazê-lo a qualquer momento que julgar apropriado. Isto posto, não há o que discutir. Em nome do progresso, do desenvolvimento sustentável, da livre iniciativa prevista na Constituição Federal e do respeito às regras do jogo, a presidente da República precisa vetar os artigos que deram origem a estes comentários.

Agenda da semana

A semana começa com a programação de muitos eventos. Um grande destaque é o Prêmio Melhores do Seguros da Revista Apólice, publicação especializada no mercado de seguros que circula há 17 anos, realiza, na próxima terça-feira (28), a terceira edição do evento. O objetivo é estimular, promover e reconhecer o trabalho de personalidades, empresas e produtos que mais contribuíram para o desenvolvimento técnico e mercadológico do setor de seguros brasileiro e que tiveram atuação destacada no 2º semestre de 2011/ 1º semestre 2012.

As empresas vencedoras do prêmio foram escolhidas por meio de pesquisa realizada pela revista, em parceria com a CVA Solutions, respondida por mais de 1200 corretores de seguros com registro na Susep. Esses elegeram as empresas que mais se destacaram em diversos ramos de seguro, resseguro, previdência, capitalização, planos de saúde e odontológicos. Além das seguradoras eleitas pela pesquisa, também receberão o Prêmio Melhores do Seguro as empresas que inscreveram cases e que foram escolhidas pela comissão julgadora do Prêmio.

O evento, que contará com a participação de mais de 350 pessoas, será realizado no espaço Villa Verico, em São Paulo. Na ocasião, a Escola Nacional de Seguros receberá uma homenagem pelos serviços prestados ao mercado em “Capacitação e formação de corretores de seguros”. “O evento desse ano marca uma nova fase da Revista Apólice que passa a investir na regionalização como forma de atender ainda mais as necessidades específicas de seus leitores. A festa desse ano, além de acontecer em um novo espaço, também contará com novidades no cerimonial, começando pela nova mestre de cerimônia e uma agradável surpresa musical para o público”, adianta Francisco Pantoja, diretor executivo da Revista Apólice.

O economista Francisco Galiza faz um alerta para de agenda para a semana que começa. Palestra no seminário “Insurance Summit”. Dia 28/8, 3ª feira, 9 horas. Hotel Pergamon, São Paulo. Tema: Mudanças Econômicas e o Mercado de Microsseguros. Também ressalta a entrevista na TV UOL, no programa Webseguros TV. Dia 29/8, 4ª feira, 18 horas. Tema: Cenário Econômico do Mercado de Seguros no Brasil

Coletiva – Tem também coletiva do grupo segurador BB Mapfre, que divulgará seu balanço financeiro do 1º semestre de 2012, em coletiva de imprensa na próxima quarta-feira (29), às 11h30, em sua sede em São Paulo (Av. das Nações Unidas, nº 11.711, 22º andar). Os resultados serão comentados por Marcos Ferreira, presidente do Grupo nas áreas de Auto, Seguros Gerais e Affinities, Roberto Barroso, presidente do Grupo nas áreas de Pessoas, Rural e Imobiliário, e Carlos Alberto Landim, diretor de Planejamento e Controladoria, que também destacarão o primeiro ano de união das empresas e as perspectivas para o segundo semestre.

Segurobras volta a ser notícia

MATERIA PUBLICADA PELO JORNAL ESTADO DE MINAS

A aprovação pelo Congresso Nacional do projeto do governo que cria a Agência Brasileira Gestora de Fundos e Garantias (ABGF) provocou rápida reação das seguradoras. Representadas pela Confederação Nacional das Empresas de Seguros (CNSeg), elas acusam os parlamentares de terem alterado dois artigos do texto enviado pelo Planalto para ampliar o poder de atuação da chamada Segurobrás. “Esse tema é um fantasma que paira sobre o mercado desde o governo Lula, levando insegurança a investidores, sobretudo estrangeiros”, queixou-se o presidente da CNSeg, Jorge Hilário Vieira.

A entidade pede à presidente Dilma Rousseff que vete “itens que surpreenderam os empresários do setor”. O primeiro veto se destinaria à mudança para permitir a empresa atuar como concorrente direto das seguradoras, indo além de um papel originalmente descrito como complementar. O outro envolve a possibilidade de a ABGF ser uma holding, com investimento no capital de seguradoras e resseguradoras.

“A reação das empresas diante desses pontos foi péssima”, afirmou Vieira. Ele acrescentou que a CNSeg não aceita as explicações do governo de que as alterações foram apenas “falhas de redação”, pois “os parlamentares da base foram orientados a votar daquela forma”.

A nova estatal que vem sendo proposta há dois anos ressuscitou na Medida Provisória (MP) 564, de 2012, aprovada mês passado na Câmara do Deputados. A medida que integra o Plano Brasil Maior, de estímulo ao setor produtivo, cria fontes de financiamento a setores afetados pela crise internacional e ainda garante investimentos em grandes projetos, como os do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e as parcerias público-privadas (PPPs). Além disso, o projeto libera da necessidade de licitação para contratação da AGBF ou suas controladas.

A ABGF visa cobrir os riscos de projetos e financiamentos. A MP foi aprovada pelo plenário do Senado em 7 de agosto e encaminhada à sanção presidencial no dia 13, sem modificações.

O Projeto de Lei de Conversão 19/2012, resultante da MP 564, precisa ser sancionado pela presidente até 3 de setembro. O presidente da CNSeg afirma que apoia a intenção do governo de criar um fundo para oferecer cobertura de forma direta desde que essa operação tenha “aceitação, total ou parcial, dos riscos pelas sociedades seguradoras e resseguradoras”.

MATERIA PUBLICADA PELO SITE CQCS

A CNSeg enviou ofício para a presidente Dilma Rousseff solicitando o veto ao artigo 36 e ao inciso II do artigo 37 do Projeto de Lei de conversão da Medida Provisória 564, a qual cria a Agência Brasileira Gestora de Fundos e Garantias (ABGF).
No documento, assinado pelo presidente da entidade, Jorge Hilário Gouvêa Vieira, a confederação lembra que o texto original da MP 564 foi “intensamente discutido” pelas áreas do Governo com o setor de seguros, tendo havido consenso sobre suas disposições e alcance. No entanto, esse texto foi alterado no Congresso.

A presidente tem até o dia 03 de setembro para sancionar a lei, com ou sem vetos. Jorge Hilário espera, contudo, que o pleito dos seguradores seja atendido. “A mudança cria uma instabilidade jurídica que é muito ruim para o mercado”, adverte o presidente da CNSeg.

Jorge Hilário explica que, pelo que foi acordado com o Governo, a ABGF atuaria apenas onde o setor privado não tivesse interesse ou capacidade para fazê-lo. No entanto, o texto aprovado no Congresso dá margem para que a empresa tenha uma atuação bem mais abrangente, o que fez ressurgir no mercado o temor da criação de uma espécie de “Segurobras”.

O presidente da CNSeg diz ainda que o Ministério da Fazenda já sinalizou que o Governo não pretende ocupar o espaço do setor privado. “Mas, da forma como o projeto de conversão foi aprovado, não há como o setor privado ficar despreocupado”, acentua Jorge Hilário.

Generali pode levantar US$ 1 bi com venda de braço de resseguro nos EUA

A primeira atitude de Mario Greco, que assumiu recentemente o comando da Generali, é vender a operação de resseguros de vida nos EUA para que a maior seguradora da Italia volte a ter lucro. Segundo divulgou a Bloomberg, a Generali contratou o Citigroup como consultor na venda da Generali USA Life Reassurance, que poderá arrecadar algo entre US$ 800 milhões e US$ 1 bilhão com a venda.

No Brasil, o novo CEO da Generali, o português José Ribeiro, também está em ritmo acelerado. Depois de contratar profissionais de destaque no setor para formar uma equipe de ponta, Iniciou um road show com clientes, prospects e corretores para apresentar os planos da companhia e todos os produtos que ela tem a oferecer.

Sincor MG debate o “corretor empreendedor”

Sergio Carvalho conta que o mercado de seguros mineiro estará reunido, de hoje a sábado, no Hotel Tauá, em Caeté-MG, para trocar conhecimentos e experiências sobre empreendedorismo no setor de seguros, tema central do 7º CECSEG-MG – Congresso Estadual dos Corretores de Seguros de Minas Gerais. E para garantir o sucesso do evento, o Sincor-MG, promotor do Congresso, convidou palestrantes de currículos irretocáveis: o jornalista Caco Barcelos, o ex-jogador de vôlei Tande, a diretora de ensino técnico da Escola Nacional de Seguros Maria Helena Monteiro e Edina Bonsucesso, mestre em Gestão de Pessoas.

A programação contempla ainda painéis de grande interesse, como seguros de pessoas e ramos elementares, além da tradicional Tribuna Livre, onde o corretor tem voz para debater os problemas do setor abertamente, de frente para a classe e suas lideranças regionais.
A expectativa da diretoria do Sincor-MG é extremamente positiva. Tadeu Rosa Machado, diretor social do Sincor-MG, agradece a todos os patrocinadores que estarão expondo seus produtos no evento, lembrando que sem eles o projeto seria inviável.

Para Maria Filomena Magalhães Branquinho, presidente do Sincor-MG, que já organizou muitos congressos do gênero, a previsão é de que pelo evento circulem cerca de 1 mil congressistas, entre seguradores, corretores, expositores e imprensa especializada. “A palavra de ordem é empreendedorismo! Muito obrigado a todos vocês que acreditaram nesse sonho. Amanhã ele vai se tornar realidade.” Paralelamente ao 7º CECSEG-MG acontece a reunião da diretoria da Fenacor, com a presença de seu presidente, o Deputado Federal Armando Vergilio, e de todos os presidentes de sindicatos de corretores do Brasil.

Os desafios da longevidade

extraído do portal da CNseg (www.viverseguro.org.br)

O fenômeno da longevidade vai exigir respostas incomuns e inovadoras dos mercados e parece claro que o acervo de instrumentos atuais é inadequado para uma explosão de custos e riscos que se avizinha com a conquista de mais anos de vida. Não há respostas prontas, o que não significa que as empresas e pessoas não devam refletir sobre o tema e esquadrinhar ações para mitigar os riscos que acompanham a longevidade.

A revolução da longevidade foi o tema do último painel do primeiro dia do VI Fórum Nacional de Vida e Previdência Privada, realizado pela FenaPrevi, em São Paulo. O tema foi discutido pelo médico Alexandre Kalache, da Academia de Medicina de New York e pelo consultor Marco Aurélio Viana e mediado por Alfredo Lália, da HSBC Seguros. “A sociedade precisa se preparar para a longevidade e, sobretudo, buscar viver mais tempo com qualidade de vida, porque envelhecer sem saúde é um prêmio envenenado”, lembra o especialista.

Após lembrar que o Brasil caminha a passos rápidos para ter expectativa de vida próxima de países europeus, ele lembra que existem quatro fatores de riscos que devem ser cuidados desde já para uma velhice mais saudável e menos propensa a doenças crônicas. Alimentação equilibrada, exercícios físicos, consumo reduzido de álcool e banir o tabagismo são fundamentais para evitar as incapacidades funcionais dos futuros idosos. “Não é o envelhecimento que provoca as incapacidades, mas sim a forma como decidimos envelhecer, o que pode significar chegar à velhice mais ou menos saudável”, explica ele.

Antes mesmo da mudança drástica da pirâmide populacional do País, o especialista destaca os efeitos do processo de envelhecimento já podem ser notados na previdência social, que hoje enfrenta um déficit anual na casa de RS 100 bilhões e, mantido o atual quadro, tende a se agravar nas próximas décadas, já que a faixa que mais cresce é justamente a dos idosos, ao passo que há um progressivo decréscimo entre os mais jovens, dada a forte redução da taxa de fecundidade, que, por volta de 2020, estará abaixo do nível de reposição da população, enquanto a de idosos terá duplicado. Este quadro sugere que mais recursos deverão ser poupados para custear as despesas na velhice.” Será necessário coragem política para mexer na previdência e evitar que a conquista de longevidade vire um grande desastre social”, afirma o especialista.

A longevidade é um fenômeno mundial, mas seus efeitos tendem a ser mais dramáticos nos países em desenvolvimento. ” Os países desenvolvidos tornaram-se ricos antes de envelhecer, enquanto os países em desenvolvimento envelheceram antes de enriquecer”, lembra, o que faz toda a diferença. Cuidar de uma população de idosos em proporção tão numerosa nas próximas décadas abre não só novas oportunidades de negócios para as entidades de previdência, como também amplia profundamente sua responsabilidade sobre os segurados, reconhece o consultor Marco Aurélio Viana.

Especialistas analisam como conquistar e manter clientes de previdência privada

extraído do site da CNseg (www.viverseguro.org.br)

No presente, o desafio da previdência é aumentar o volume de clientes. Mas, desafio ainda maior para o futuro será encontrar meios de reter esses clientes o máximo de tempo possível nos planos. Esta questão foi o foco da mesa de debate “Vender e manter: A gestão de conflitos no relacionamento com o cliente”, durante o 3º painel do VI Fórum Nacional de Seguro de Vida e Previdência Privada, realizado pela Federação Nacional das Empresas de Previdência e Vida (FenaPrevi), no Hotel Unique, em São Paulo, nesta terça-feira. Sob a coordenação do diretor da Bradesco Vida e Previdência, Lúcio Flávio Oliveira, cinco especialistas de áreas distintas, mas com experiências no segmento de previdência privada, apresentaram suas análises e opiniões sobre os possíveis caminhos para melhorar o relacionamento entre empresas e clientes.

Para Eduardo Marchiori, diretor executivo da Mercer Marsh Benefícios do Brasil, o papel do corretor na manutenção do cliente vai além da venda. “O corretor precisa entender de planejamento financeiro e dos aspectos da previdência como um todo para poder realizar um venda consultiva, orientando seus clientes sobre perfil de risco e aconselhando sobre o portfólio de investimentos”, disse. Cabe ao corretor, segundo ele, cuidar para que os investimentos dos clientes estejam protegidos ao longo de sua vida. “O corretor pode indicar um fundo de annuity ou aplicações indexadas à inflação para proteger os investimentos do cliente e impedir que lá na frente, no período da aposentadoria, esses recursos acumulados por anos sejam perdidos”, disse.

Utilizar ferramentas tecnológicas atuais pode ser uma maneira de chamar a atenção do consumidor para os produtos de previdência. Nesse sentido, Felinto Sernache, diretor da Towers Watson no Brasil, apresentou uma novidade em termos de simulador. Um dos principais recursos do modelo exposto, permite ao individuo interessado em adquirir um plano de previdência ver as mudanças provocadas pelo passar dos anos em uma foto tridimensional inserida ao lado de sua foto atual. Na medida em que um cursor é arrastado na linha do tempo, os efeitos do envelhecimento são visíveis. “Por mais que pareça anti-marketing, esse recurso produz uma química cerebral na pessoa”, disse. “Esta tecnologia representa o futuro dos simuladores”, acrescentou.

De sua experiência de 22 anos como planejador financeiro, o economista e apresentador do programa de rádio da Band FM “Na Ponta do Lápis”, Marcos Silvestre, observou que o brasileiro está cada vez mais preocupado com o seu futuro. Ele conta que a partir de sua interação com famílias de várias classes sociais, percebeu que essa preocupação aumentou depois da estabilização econômica. “O brasileiro entendeu que agora pode fazer as contas e planejar o futuro”, disse. Ele aponta, ainda, o aumento da expectativa de vida e a saturação da previdência social como outros fatores que pesam na decisão dos brasileiros. “Diria que hoje está mais fácil vender previdência do que no passado”, afirmou.

Entretanto, Silvestre reconhece que ainda é preciso melhor muito a comunicação com o cliente, devido à complexidade da previdência. “Nem sempre os clientes entendem a força e o poder dos juros líquidos e a tributação diferenciada do VGBL e PGBL”, disse. Ele considera que os benefícios fiscais dos planos de previdência são bons argumentos de venda, mas ainda pouco explorados pelo setor. Nos cálculos de Silvestre, de cada dez clientes de previdência privada, apenas um contribui de forma regular e freqüente. “Esse número é preocupante e frustrante, admitiu. Mas a solução, a seu ver, depende de planejamento financeiro. Para uma auxiliar de limpeza que contatou o programa de rádio em busca de uma solução para investir R$ 100 por mês em plano de aposentadoria sem mexer nos seus rendimentos, ele sugeriu dicas simples para reduzir gastos do orçamento doméstico, como comprar menos pãezinhos e refrigerantes. “A solução agradou bastante e foi aceita pela auxiliar”, disse.

A evolução da previdência também chegou aos planos empresariais. Foi o que aconteceu na TAM, que recentemente alterou o desenho de seu plano de previdência, segundo Jefferson Cestari, diretor de RH da empresa. Segundo ele, os planos empresariais de previdência tiveram de adaptar aos novos tempos, porque, diferentemente do passado em que as pessoas permaneciam por longos anos no emprego, hoje, muitos não esperam mais do cinco anos para mudar de empresa. Cestari observa que é preciso encontrar meios de aumentar a permanência dos usuários nos planos, evitando que os produtos de previdência sejam usados como investimentos para a compra de bens, como imóvel e carro.

Outra meta é conscientizar os mais jovens a planejarem suas aposentadorias desde. Para superar ambos os desafios, o diretor da TAM atribuiu responsabilidades também às empresas privadas, de cobrarem corretores e seguradores o desenho de planos mais atrativos e adequados. “Tem de haver uma parceria, em que a empresa indique qual desenho atende sua necessidade e cobre informações sobre onde o seu dinheiro está sendo aplicado, já que também é cobrada pelos funcionários”, disse.

Mario de Almeida Rossi, presidente da Comissão de Ouvidoria da CNseg, trouxe números sobre o atendimento de reclamações pelas ouvidorias das empresas de seguros. As 39 ouvidorias da área, que representam 95% do mercado, atenderam 25 mil reclamações em 2011. Destas, 13.984 eram sobre seguros de bens (maioria automóvel); 4.859 de seguro de pessoas; 5.013 de previdência privada; e 1.658 de capitalização. Em previdência, 50% envolveram reclamações sobre valor acumulado, resgate e portabilidade. “Isso é preocupante porque se tornar um obstáculo para o crescimento do segmento”, disse. Segundo Rossi, as ouvidorias foram as precursoras do surgimento de novos canais, como sites e 0800, e abriram espaço para o gerenciamento de conflitos e fortalecimento da cultura de relacionamento.

Sustentabilidade já está inserida na mente dos gestores de previdência aberta, com ativos de R$ 300 bi

Se depender das respostas dos executivos, os conceitos básicos de sustentabilidade já fazem parte do dia a dia do segmento de previdência privada e vida. Qual a função da empresa? 63% dos executivos presentes afirmaram que a função da empresa é atuar com responsabilidade, gerando valor para todos os seus stakeholders. Valor é igual ao preço da ação? Para 83% dos executivos, não. Para 70% do auditório, o lucro não é a melhor forma de avaliar um ativo e 85% afirmaram que a sustentabilidade é compatível com a geração de longo prazo.

As perguntas foram feitas por Maria Eugênia Buosi, consultora de investimentos responsáveis, antes de iniciar a sua palestra no VI Fórum de Previdêndia e Vida, promovido em São Paulo. As respostas mostram que a sustentabilidade está inserida na mente da maioria. Maria Eugênia citou casos como a queda nas vendas da rede varejista de moda Zara após a empresa ter sido acusada de trabalho escravo. Notícias como essas são capazes de fazer o preço das ações despencarem no mercado acionário, mesmo que o valor escritural dos papéis permaneça inalterado.

A maior consciência dos executivos com atitudes que respeitem todos os envolvidos no negócio tem gerado um aumento da demanda por investimentos considerados responsáveis. Tanto que atualmente, mais de mil gestores já são signatários do Principles for Responsible Investment (PRI), representanto ativos superirios a US$ 1 trilhão sob gestão. Trata-se de uma iniciativa dos principais investidores do mundo em parceria com a ONU, que se iniciou em 2005 ao formularem os princípios que norteariam o conceito de investimento responsável.

O PRI consiste em princípios para o comprometimento de investidores em patrocinar e incentivar iniciativas pelo meio ambiente, por causas sociais e governança corporativa. Os fundos criados dentro das regras do PRI evoluíram da exclusão – “não vamos investir em tabaco ou álcool – para a inclusão “investir em empresas de energia renovável, tecnologia limpa. Hoje praticamente todos já entenderam que todos os riscos podem ser geridos, o que aumenta o leque de empresas que podem ser consideradas sustentáveis.

No Brasil, depois do lançamento do ISE (índice de sustentabilidade empresarial) pela Bovespa, que tem rendimento superior ao Ibovespa, o país lançou a rede brasileira dos signatários do PRI, em 2008. “A rede virou modelo mundial. Hoje há oito no mundo, criadas a partir disso em razão dos brasileiros precisarem da presença de um grupo local para tirar dúvidas e interagir”.

Em 2012, a grande notícia veio da assinatura dos Princípios Sustentáveis em Seguros (PSI), na sigla em inglês. O acordo foi assinado no Brasil e contou com a adesão de quarto seguradoras e também da CNseg, que assumiu o compromisso de difundir os conceitos na indústria e elevar o número de signatários.

Maria Eugenia mostrou pesquisas que deixam claro o ganho das empresas que optam por ser sustentáveis: os clientes tendem a comprar de companhias verdes, elas atraem talentos – muitos não querem mais trabalhar em empresas que não respeitam a sociedade –, e muitas das ações implementadas aumentam a produtividade e eficiência do grupo, inclusive por proporcionar financiamentos com taxas muito mais acessíveis. “Os executivos percebem que sustentabilidade não é uma moda e sim um conceito. O meio ambiente tem recursos finitos. Quando pescarem o ultimo peixe do mundo vão descobrir que não se come dinheiro”, diz.

Existe um “pré-sal” no bancassurance brasileiro, afirma consultor

O Brasil tem grande potencial para avançar na venda de seguros por meio dos bancos, operação chamada de bancassurance. Apesar dos executivos afirmarem que essa prática já é um grande sucesso no país, e realmente é quando se observa que as seguradoras ligadas a bancos lideram as vendas de previdência e vida, o consultor Roberto Westernberger, da consultoria PwC, afirma que há um verdadeiro “pré-sal” no que diz respeito a penetração do seguro na base de clientes dos bancos.

“O número de clientes dos bancos que tem seguro é muito pequeno”, afirma o consultor no segundo dia do evento, que teve início com o sexto painel: Eficiência Operacional e Competitividade, no VI Fórum de Previdêndia e Vida, promovido com apoio da Bradesco Seguros, em São Paulo.

De acordo com Westernberger, a venda de seguro exige educação. “Primeiro é preciso ensinar às pessoas para que o produto serve para depois fazer uma venda consultiva, atendendo as necessidades daquele cliente. Isso fará com que ele seja fiel e goste do que adquiriu.” Se considerarmos a baixa penetração do seguro de vida no PIB brasileiro, fica evidente o quanto ainda é preciso avançar para proteger financeiramente as famílias brasileiras. Enquanto as vendas de seguro de vida e previdência no Brasil representam menos de 3% do PIB, nos países industrializados a média ultrapassa 8%.

Previdência aberta registra R$ 302 bi em ativos sob gestão até junho

As contribuições para planos de previdência privada aberta totalizaram R$ 33 bilhões, crescimento de 32% em relação ao primeiro semestre do ano anterior, segundo dados divulgados pela Federação Nacional de Previdência Fechada e Vida (Fenaprevi) durante a realização do VI Fórum de Previdência Privada e Vida, em São Paulo. O VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre), que representa quase a totalidade das contribuições, foi a modalidade que mais se destacou, com arrecadação de R$ 28 bilhões, avanço de 38,24%. Os planos menores registraram o segundo maior crescimento no primeiro semestre por categoria de plano contratado. A liderança ficou com os planos individuais, que tiveram expansão de 36,33% no primeiro semestre em comparação ao mesmo período de 2011, para R$ 28,6 bilhões.

As empresas encerraram junho com R$ 302 bilhões em recursos administrados, 24% acima dos R$ 243,5 bilhões do mesmo mês de 2011.
Segundo Osvaldo do Nascimento, diretor da Fenaprevi e do Itaú Unibanco, a expectativa da entidade é encerrar 2012 com R$ 330 bilhões em ativos administrados. Já em cinco anos, o otimismo chega a impressionar. “O mercado pode atingir R$ 1 trilhão nos próximos cinco anos. Estamos triplicando de tamanho a cada três anos”, comentou o executivo durante coletiva de imprensa.

A projeção está fundamentada no aumento da conscientização da população, de que é preciso poupar para ter um futuro mais protegido, sem depender do governo. “Com taxa de juro real abaixo de 3%, as pessoas pensam mais no longo prazo e isso traz mais clientes para o segmento de previdência, uma vez que os incentivos fiscais tornam o produto competitivo”, afirma diretor-presidente da Bradesco Vida e Previdência, Lúcio Flávio Oliveira.