Susep cria grupo de trabalho e reforça debate sobre seguro catástrofe no país

A Superintendência de Seguros Privados (Susep) colocou o seguro catástrofe no centro da agenda regulatória ao instituir um grupo de trabalho de natureza consultiva para discutir e, eventualmente, propor diagnósticos e recomendações de aperfeiçoamento regulatório e legal para esse tipo de cobertura. A medida foi formalizada pela Portaria 8.493/26, publicada na terça-feira, 24 de março, no Diário Oficial da União. 

O movimento reforça a prioridade que a autarquia vem dando ao tema. Em sua página oficial sobre seguros catástrofe, a Susep informa que o assunto foi incluído no Plano de Regulação de 2026, com o objetivo de estudar possibilidades de mudanças legais e regulatórias capazes de aumentar a resiliência do país diante de catástrofes naturais. Segundo a autarquia, o grupo também funcionará como canal de interlocução e construção de consensos entre poder público, mercado e sociedade civil. 

De acordo com a norma, o GT será coordenado pelo superintendente Alessandro Octaviani e deverá apresentar, ao fim dos trabalhos, um relatório consolidado com as discussões realizadas. As reuniões poderão ocorrer de forma presencial, remota ou híbrida, e a participação será considerada de relevante interesse público, sem remuneração. Entre os integrantes estão representantes da própria Susep, de ministérios, do Tribunal de Contas da União e da Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF), além de entidades do mercado segurador, do resseguro, do meio jurídico, da academia e de setores produtivos. 

A criação do grupo ocorre em um momento em que o avanço dos eventos climáticos extremos pressiona o mercado e o setor público a buscar soluções mais estruturadas de proteção financeira. Estudo citado pela CNseg, com base em levantamento da própria Susep, aponta que o Brasil tem lacuna de proteção de até 93% para catástrofes naturais, um dos patamares mais elevados entre os mercados analisados. Na prática, isso significa que a maior parte das perdas causadas por desastres segue sem cobertura securitária. 

Nesse contexto, a CNseg passou a defender a criação de um Seguro Social Catástrofe no país, apoiado por um fundo financeiro e por mecanismos de parceria entre o setor privado e o poder público. A proposta mira sobretudo a proteção de habitações, infraestrutura urbana e respostas emergenciais em casos de inundações, secas e deslizamentos. A entidade também vem sustentando que o seguro precisa avançar de um papel restrito ao pagamento de indenizações para uma atuação mais preventiva, apoiada em inteligência de dados e em instrumentos de mitigação de riscos. 

Um dos pilares dessa agenda é o Hub de Inteligência Climática lançado pela CNseg durante a COP30, em Belém, com ferramentas voltadas ao monitoramento de riscos de inundação e à produção de informações para apoiar a precificação de riscos pelas seguradoras. A iniciativa se soma ao debate sobre a necessidade de ampliar a capacidade de resposta do mercado diante da escalada das perdas econômicas associadas a eventos extremos. 

Os números reforçam a urgência do tema. Entre 2022 e 2024, o Brasil acumulou R$ 184 bilhões em prejuízos com desastres climáticos, segundo dados divulgados no âmbito desse debate setorial, com apenas uma fração das perdas coberta por seguros. O diagnóstico fortalece a avaliação de que o país precisa combinar regulação, modelagem atuarial, dados climáticos e mecanismos de compartilhamento de risco para reduzir a vulnerabilidade financeira de famílias, empresas e entes públicos. 

O desafio, agora, será transformar o diagnóstico em propostas viáveis para ampliar a cobertura, preservar a solvência do sistema e criar instrumentos capazes de tornar o país menos exposto financeiramente aos efeitos de enchentes, deslizamentos, secas e outros desastres naturais. 

Para conferir os detalhes do GT, acessa a Portaria Susep nº 8.432/2025.

Ituran amplia serviços conectados e lança recurso de monitoramento de direção

A nova fase do Ituran Connect reúne recursos como monitoramento em tempo real, cercas virtuais, mapa de risco, alertas automáticos, histórico de rotas e suporte em casos de roubo ou furto com acompanhamento pelo aplicativo. A solução também inclui funcionalidades para veículos elétricos, como informações sobre autonomia, bateria e roteirização de recarga.

A companhia também lançou o “Resumo de Direção”, funcionalidade integrada ao pacote Platinum. O recurso detecta possíveis colisões, envia alertas ao motorista e, na ausência de resposta, aciona contatos de emergência com localização em tempo real. Também utiliza telemetria e inteligência artificial para avaliar o padrão de condução, com indicadores como acelerações bruscas, curvas perigosas, frenagens intensas e excesso de velocidade. O serviço será disponibilizado inicialmente em versão beta para 22 mil clientes selecionados, com acesso gratuito por três meses. Depois desse período, terá custo mensal de R$ 6,90.

A Ituran Global encerrou 2025 com receita de US$ 359 milhões, alta de 7% em relação ao ano anterior. O fluxo de caixa operacional somou US$ 88,6 milhões, com posição líquida de US$ 107,6 milhões. A base global cresceu com a adição de mais de 221 mil plataformas, totalizando 2,63 milhões de unidades monitoradas.

No Brasil, a empresa informou ter recuperado R$ 615 milhões em bens em 2025, elevando o total acumulado em 25 anos para mais de R$ 7,4 bilhões. A operação brasileira alcançou 800 mil veículos conectados, equivalentes a cerca de 30% da base global da companhia. No segmento de seguros, os prêmios distribuídos para seguradoras parceiras no Ituran com Seguro somaram R$ 312,7 milhões em 2025. O número de apólices emitidas superou 247 mil, com R$ 21,3 milhões em comissões pagas no período.

Na frente corporativa, a Ituran Empresas atingiu base de 6 mil clientes ativos e realizou mais de 140 mil instalações ao longo de 2025. A companhia também ampliou parcerias com montadoras, bancos e locadoras. Entre os destaques está a parceria com a BMW Motorrad e a expansão do fornecimento de tecnologia de conectividade para grupos automotivos na América Latina.

A empresa também informou avanço no desenvolvimento de soluções voltadas ao agronegócio, incluindo tecnologia híbrida com conectividade satelital para localização de máquinas em áreas sem cobertura celular.

Ivan Gontijo vai para conselho; Ney Dias assume a Bradseg e Carlos Marinelli a BradSaúde em nova estrutura de atuação

Após cinco anos na liderança do Grupo Bradesco Seguros, com uma trajetória marcada por crescimento sustentável, reconhecimento e resultados expressivos, Ivan Gontijo foi nomeado, em 10 de março, membro do Conselho de Administração do Bradesco.

“Estou honrado em ter sido eleito membro do Conselho, onde seguirei contribuindo para a continuidade dessa trajetória de excelência do Grupo, com foco em inovação, sustentabilidade e expansão da cultura de proteção no país. Sigo motivado e com a convicção de que temos bases sólidas para crescer ainda mais no futuro”, afirma Gontijo.

Para maximizar os ganhos atuais e futuros nos segmentos em que o Grupo Segurador atua, e considerando o potencial de crescimento ainda existente no mercado de Saúde e nos demais segmentos em que a Companhia já possui resultados relevantes – como Seguros de Vida, Previdência, Capitalização e Empreendimentos Imobiliários -, o Grupo passa a adotar uma nova estratégia com duas frentes distintas de atuação: BradSaúde e Bradseg.

Carlos Marinelli Bradesco Saúde

A BradSaúde, conforme divulgado no dia 27 de fevereiro, passará a consolidar todas as empresas e investimentos do Grupo no segmento de saúde, sendo formada por empresas líderes e de referência nas respectivas áreas de atuação, como Bradesco Saúde, Bradesco Saúde Operadora de Planos, Mediservice, Odontoprev, Atlântica Hospitais e Participações, Orizon, além do investimento em Fleury. Como já anunciado, esta companhia terá como CEO o executivo Carlos Marinelli (atual presidente da Bradesco Saúde e Mediservice).

Já a Bradseg concentrará todas as demais empresas e operações do Grupo, como Bradesco Vida e Previdência, Bradesco Capitalização, Bradesco Auto/Re, Bradesco Seguros, Bradescor e BSP Empreendimentos Imobiliários. A Bradseg passa a ser presidida por Ney Dias (atual diretor-presidente da Bradesco Auto/Re), sendo que cada uma das empresas que a integram mantêm as atuais estruturas organizacionais.

Rodrigo Bacellar, atual diretor-presidente da Atlântica Hospitais e Participações, passa a ser o novo CEO da Bradesco Auto/Re, sucedendo Ney Dias. Anteriormente, Rodrigo liderou outras empresas do Grupo, como Orizon e Odontoprev.

Todo o movimento foi planejado visando assegurar a continuidade e crescimento da Companhia em uma estratégia de longo prazo, alinhado às prioridades de negócio e à agenda de evolução do Grupo, objetivando manter a posição de liderança no mercado segurador brasileiro e a relevância na Organização.

Além disso, reforça o compromisso do Grupo centrado na ampliação do acesso ao seguro, no fortalecimento das relações humanas e no desenvolvimento de soluções que acompanhem os novos hábitos dos brasileiros.

O Grupo Segurador segue priorizando o corretor como principal parceiro de negócios e valorizando a escuta ativa dos clientes e a construção de um mercado mais sustentável e inclusivo.

Presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi ressalta que: “A nomeação de Ivan aporta ainda mais expertise, conhecimento e visão estratégica ao Conselho. Além de permitir que ele continue contribuindo com a trajetória de evolução do Grupo Segurador. Já o movimento estratégico criando duas frentes de atuação claras, com a BradSaúde e a Bradseg, que são dois universos distintos e que possuem grande potencial de crescimento, nos posiciona na vanguarda para aproveitar as oportunidades existentes em um mercado pujante, em que temos uma história longeva de atuação. Reforçando, ainda mais, o nosso compromisso com a Sociedade de proteger as empresas e as famílias brasileiras, da forma mais plena possível, e em toda a jornada da vida”

Seguros Unimed amplia presença no multicálculo Agger by Dimensa com vida individual

Seguros Unimed

A Seguros Unimed, braço segurador e financeiro do Sistema Unimed, adicionou o produto Vida Individual no Aggilizador, plataforma de multicálculo da Agger by Dimensa, ampliando o acesso dos corretores ao portfólio da marca a partir de abril. O movimento visa dar mais autonomia e agilidade aos profissionais parceiros, além de reforçar a estratégia de expandir a presença da companhia onde o corretor estiver.

A Agger by Dimensa conta com uma base de mais de 16 mil clientes em todo o país e realiza mais de 1,1 milhão de cotações mensalmente, o que demonstra a importância da presença da Seguros Unimed na plataforma.

O seguro de Vida Individual foi cuidadosamente desenvolvido para proteger o segurado em vida, com coberturas como doenças graves e diária de internação hospitalar, além de garantir amparo e segurança para a família. O produto conta ainda com benefícios sem custo adicionais, como orientação financeira, orientação à vida saudável e telemedicina, agregando mais valor à proteção oferecida.

Vale destacar que todas as cotações da Seguros Unimed realizadas na Agger by Dimensa são integradas ao Calcule+, ferramenta digital desenvolvida pela seguradora para os corretores parceiros. Essa integração reforça o investimento em tecnologia e o foco da empresa em tornar o dia a dia dos profissionais que estão na ponta cada vez mais fácil.

“O Vida Individual é um produto estratégico e com foco na proteção em vida. Estar na Agger é um passo importante no nosso compromisso de oferecer agilidade e soluções adaptadas às demandas dos corretores”, afirma Rodrigo Aguiar, superintendente Comercial e Produtos da Seguros Unimed. “A inclusão de mais uma solução nossa no multicálculo garante a presença da marca onde o corretor está, e isso é fundamental para a companhia”, finaliza o executivo.

Allianz Seguros anuncia novo superintendente de Linhas Financeiras

A Allianz Seguros apresenta Rodrigo Camargo Novaes como novo superintendente de Linhas Financeiras. Ele assume o cargo a partir de 23 de março e se reportará diretamente a Mauricio Masferrer, diretor executivo de Negócios Corporativos. Com forte conhecimento técnico e visão estratégica da área, Rodrigo chega para contribuir com o avanço da companhia no segmento.

O executivo conta com sólida trajetória no mercado de seguros e resseguros, reunindo passagens por empresas como Liberty, Itaú e AIG. Em 15 anos de atuação, desenvolveu competências técnicas e de gestão, liderando frentes estratégicas de portfólio, desenvolvimento de negócios e eficiência operacional.

“Chego em um momento muito importante para a Allianz, que vem reforçando, cada vez mais, o seu apetite crescente pelo mercado de seguros corporativos voltados a médios e grandes riscos, o que inclui as linhas financeiras. Minha expectativa é atuar ativamente no fortalecimento da área por meio de soluções que apoiem os clientes com ainda mais qualidade, o relacionamento estreito com corretores e clientes e o apoio direto ao crescimento sustentável da companhia.”

Rodrigo Camargo Novaes é formado em Economia pela FEA USP e possui MBA Executivo pelo Insper.

Sobre a Allianz Seguros

No Brasil há 120 anos, a Allianz Seguros atua em Ramos Elementares e Vida e está presente em todo o território nacional, por meio de 57 filiais, além de 45 assessorias e mais de 32 mil corretores de seguros em todo o país. 

Tendo como premissa desenvolver ações de longo prazo, tanto nos seus negócios como no campo social, há mais de 30 anos um grupo de funcionários criou a ABA – Associação Beneficente dos Funcionários do Grupo Allianz. Nesse período, mais de 10 mil crianças e adolescentes da Comunidade Santa Rita (zona Leste de São Paulo) foram atendidos pela ABA, por meio de atividades complementares à educação formal, como artes, esportes e inclusão digital.

A seguradora nomeia o Allianz Parque, a arena multiuso mais moderna do país. Desde sua inauguração, em novembro de 2014, já recebeu mais de 11 milhões de pessoas.

Leilão do Galeão envolve estrutura de seguros mais complexa por se tratar de concessão reestruturada

O leilão do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o Galeão, marcado para o dia 30 na B3, deve movimentar o mercado de seguros com uma estrutura de garantias mais complexa do que a observada em concessões tradicionais de infraestrutura. Isso porque, segundo especialistas, a operação não envolve um projeto novo, mas a transferência assistida de uma concessão já existente, com histórico de desequilíbrio econômico-financeiro, repactuação contratual e novas bases para exploração do ativo.

“Não estamos falando de uma concessão tradicional. O que está sendo feito é a venda assistida de uma concessão já existente, com a assunção integral da concessionária e, junto com isso, todos os seus ativos, passivos e obrigações. O investidor não está entrando em um projeto novo, ele está assumindo um ativo que já teve desequilíbrio econômico-financeiro e que passou por um processo de repactuação. Isso muda completamente a lógica do risco”, afirma Fabiano Suzarte, diretor da Fator Seguradora e especialista em seguro garantia.

A avaliação é que essa característica altera não apenas a percepção dos investidores, mas também a forma de atuação das seguradoras. De acordo com Eduardo Cruci, diretor técnico da Junto Seguros, o Galeão chega ao mercado depois de uma trajetória marcada por eventos que comprometeram a modelagem original da concessão. “O caso do Galeão é emblemático”, afirma. “As características originais da concessão se mostraram inviáveis à luz do novo cenário, tanto no aspecto de modelagem financeira como de investimentos originalmente previstos.” Segundo ele, a nova estrutura de obrigações futuras e de pagamento de outorga, somada à retomada do fluxo de passageiros, ajuda a explicar o interesse dos potenciais concorrentes.

No campo do seguro garantia, dois instrumentos aparecem como centrais. O primeiro é a garantia de proposta, ou bid bond, exigida na fase do leilão para assegurar que o vencedor manterá a oferta e cumprirá as condições necessárias para assinatura do contrato. “É um risco de curto prazo, muito mais comportamental”, explica Suzarte.

Cruci observa que essa etapa serve para dar conforto ao poder concedente de que os pagamentos e as condições precedentes à assinatura do contrato serão efetivamente cumpridos. Já depois da assinatura entra a garantia de execução contratual, ou performance bond, voltada ao cumprimento das obrigações assumidas pelo concessionário.

“Essa garantia não está protegendo um contrato novo. Ela está protegendo um contrato já reestruturado, com histórico de estresse”, afirma Suzarte. Na prática, a cobertura alcança compromissos como pagamento de outorga, investimentos, operação, manutenção e níveis de serviço do aeroporto.

cruci junto seguros

Na avaliação de Cruci, é justamente aí que o seguro garantia ganha papel estratégico. “Assinado o contrato, é exigida uma garantia de concessão, voltada a cobrir todas as obrigações do novo concessionário perante o regulador, como operação, manutenção e ampliação”, afirma. “Em caso de falhas da concessionária em atender seus requisitos operacionais ou o cronograma definido de manutenção e investimentos, a apólice poderá ser chamada.”

Ao longo do processo, o risco também muda de natureza. Suzarte afirma que, na fase inicial, a análise é mais simples, mas depois passa a envolver crédito, estrutura de capital, geração de caixa, demanda e ambiente regulatório. “Na prática, o seguro garantia deixa de ser um instrumento acessório e passa a se comportar mais como uma forma de crédito estruturado de longo prazo”, afirma.

Cruci segue a mesma linha ao observar que a seguradora precisa avaliar a robustez financeira dos interessados, a experiência em concessões e a capacidade de gestão e execução. “Nossa maior preocupação em uma concessão como esta se concentra em financiabilidade e capacidade de gestão e execução”, afirma. Para ele, um interessado que não consiga comprovar esses fatores se torna um risco relevante para a subscrição.

Suzarte acrescenta que não existe underwriting padronizado para uma operação desse porte. “A análise passa essencialmente por quem é o sponsor, qual a capacidade de capital, como está estruturado o financiamento e qual o nível de ágio pago”, afirma. Segundo ele, um ágio elevado pode pressionar diretamente o fluxo de caixa e aumentar o risco futuro da concessão.

Outro ponto de atenção é o risco regulatório. No caso do Galeão, Suzarte destaca a dinâmica concorrencial com o Santos Dumont como variável capaz de afetar a demanda do ativo. Por isso, segundo ele, operações desse porte dificilmente ficam concentradas em uma única seguradora, sendo comum a montagem de estruturas com cosseguro e resseguro.

Além do seguro garantia, o futuro concessionário precisa manter um programa robusto de seguros operacionais. Entre as coberturas mais usuais estão responsabilidade civil, riscos operacionais, patrimonial e seguro de engenharia, especialmente quando houver novos investimentos ao longo da concessão.

“Uma concessão costuma ser obrigada a manter diversos seguros para proteção do ativo e dos usuários”, afirma Cruci. Suzarte ressalta que essas coberturas são fundamentais em ativos aeroportuários por serem intensivos em capital e altamente sensíveis à interrupção das operações. “Eles são fundamentais dentro dos aeroportos porque são ativos intensivos em capital e extremamente sensíveis à interrupção da operação”, afirma.

Há ainda uma camada adicional de proteção envolvendo os prestadores de serviço contratados pela concessionária, que também costumam ser obrigados a manter seguros específicos para danos e responsabilidades. Para as seguradoras, quanto mais robusta a matriz de risco e o programa de seguros exigido, maior o conforto em relação à diligência e à maturidade da concessão.

Num leilão em que o governo e o mercado observam tanto a arrecadação quanto a capacidade do futuro operador de sustentar a retomada do Galeão, os seguros aparecem não apenas como exigência contratual, mas como peça relevante da engenharia financeira e operacional da concessão. de seguros, exigida dos prestadores de serviço, sempre com o objetivo de proteger a operação”, acrescenta. 

CNseg: seguradoras assume papel estratégico na modernização da aviação civil brasileira

 A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) participou do lançamento da Agenda ConectAR, a nova Política de Estado voltada ao desenvolvimento da conectividade aérea no Brasil, coordenada pelo ministério de Portos e Aeroportos com o objetivo de estabelecer um marco estratégico para a expansão sustentável e inclusiva da aviação civil. Entre os pilares centrais da iniciativa, destaca-se a participação ativa do setor segurador como agente facilitador de inovação, eficiência operacional e redução de custos sistêmicos no transporte de passageiros e cargas.

O programa surge em resposta ao cenário de baixa capilaridade do modal aéreo no país e aos altos níveis de judicialização que sobrecarregam o setor. Para reverter esse quadro, a Agenda ConectAR propõe uma sinergia inédita entre os entes públicos e o mercado segurador privado, utilizando tecnologia de ponta para transformar a experiência do usuário.

Inovação e seguros

Segundo a superintendente de Relacionamento com o Poder Executivo da CNseg, Laíne Meira, que esteve presente no evento, uma das principais frentes de atuação do setor segurador na iniciativa é a possibilidade de implementação de seguros paramétricos, entre outras tecnologias. 

“O setor segurador apoia a Agenda ConectAR, pois deve integrar tecnologia, regulação e proteção securitária, apoiando no desenvolvimento de um ecossistema aéreo mais resiliente e alinhado aos padrões internacionais de eficiência”, afirmou.

Apoiados em ferramentas de Internet das Coisas (IoT) para o rastreamento em tempo real de voos e bagagens, esses produtos podem revolucionar a gestão de intercorrências. Por meio de smart contracts (contratos inteligentes), a indenização poderá ser processada e transferida de forma automática e imediata para o passageiro assim que um problema for detectado — como um atraso de voo além do limite estipulado ou o extravio registrado de uma mala. Esse modelo pretende eliminar barreiras burocráticas e atuar diretamente na racionalização da judicialização, oferecendo uma solução rápida e consensual para conflitos que antes terminavam nos tribunais.

Modernização e personalização

A Agenda também prevê o desenvolvimento de coberturas inéditas, desenhadas sob medida para novos perfis de risco, como os riscos cibernéticos e operacionais da aviação sub-regional. O objetivo é oferecer ao consumidor uma “prateleira” diversificada de produtos, permitindo que o passageiro personalize sua proteção de forma fluida no momento da compra da passagem.

Parceria institucional e dados

Além do impacto direto no consumidor, a participação do setor segurador fortalece a governança pública. A possibilidade de compartilhamento estratégico de dados de sinistralidade entre o mercado e as agências reguladoras tem como intuito fornecer indicadores precisos de desempenho ao Estado. Esse fluxo de informações será fundamental para o aprimoramento contínuo das políticas públicas e para a criação de um ambiente de negócios mais seguro e previsível.

Zurich inclui no seguro auto ajuste de sensores do carro após troca de vidros

Zurich Seguros - 23/08/2022 - Executivos. Foto: Leonardo Rodrigues

A Zurich Seguros passou a incluir na cobertura de vidros do seguro automóvel um serviço importante para carros mais modernos: a recalibração do sistema ADAS, conjunto de câmeras e sensores que ajuda o motorista em situações de risco no trânsito.

Na prática, esses recursos funcionam como assistentes de segurança do veículo. Eles podem emitir alerta de colisão, acionar a frenagem automática, ajudar o carro a permanecer na faixa e apoiar a condução em determinadas situações. Como muitos desses sensores ficam instalados no para-brisa, a troca do vidro exige um novo ajuste para que o sistema continue funcionando corretamente.

A novidade foi lançada em parceria com a Maxpar e já está disponível para apólices com vigência iniciada a partir de 2 de fevereiro. O atendimento será feito pela rede parceira da empresa.

Segundo João Merlin, diretor executivo de Negócios em Automóvel da Zurich, a mudança acompanha a evolução tecnológica da indústria automobilística. “A inclusão da calibração do ADAS na cobertura de vidros torna a proteção mais alinhada às práticas do mercado e às necessidades dos veículos mais modernos”, afirma.

ADAS é a sigla em inglês para Sistemas Avançados de Assistência ao Condutor. Embora o nome técnico pareça distante do dia a dia do consumidor, a função é simples de entender: trata-se de uma tecnologia criada para aumentar a segurança ao volante e reduzir o risco de acidentes.

De acordo com a Zurich, sempre que o para-brisa é substituído, os sensores e câmeras precisam ser recalibrados, conforme orientação das montadoras. Isso porque uma pequena alteração de posicionamento pode comprometer a leitura do ambiente pelo veículo.

Eduardo Borges, vice-presidente do Grupo Autoglass e head da Maxpar, explica que até uma diferença mínima no encaixe da câmera pode afetar o desempenho do sistema. Segundo ele, isso pode gerar leitura incorreta da via e comprometer a segurança, razão pela qual a calibração deve seguir o padrão de fábrica.

A cobertura passa a contemplar a troca do para-brisa com leitura de scanner e calibração do ADAS, além da substituição dos vidros laterais, quando aplicável, com diagnóstico e ajuste eletrônico de sensores instalados nesses componentes. O benefício está disponível nos pacotes Básico, Completo e VIP, além das coberturas para vidros blindados.

A seguradora ressalta que a cobertura não inclui a troca da câmera do sistema, mas apenas a leitura e a calibração dos sensores.

A aposta da Zurich ocorre em um momento em que esse tipo de tecnologia ganha espaço no mercado brasileiro. Embora o ADAS ainda não esteja presente em todos os veículos novos, o sistema já equipa muitos modelos e deverá se tornar cada vez mais comum. A tendência é que esses recursos deixem de ser diferenciais para se consolidar como item padrão de segurança, a exemplo do que ocorreu com airbag e freios ABS.

Para a Zurich, a mudança reforça o posicionamento da companhia em um segmento que passa por rápida transformação tecnológica. “Ao incorporar essa cobertura, ampliamos nosso portfólio e acompanhamos a transformação do setor automotivo”, afirma Merlin.

Infraestrutura resiliente exige nova lógica de seguro e gestão de riscos

Screenshot

Por Leandro Ramirez, especialista em seguros

O avanço das mudanças climáticas e a maior incidência de eventos extremos estão impondo uma revisão profunda na forma como projetos de infraestrutura são estruturados, financiados e protegidos. Rodovias, portos, ativos de energia e saneamento já convivem com uma realidade em que chuvas intensas, secas, enchentes e furacões deixaram de ser exceção. Nesse contexto, o seguro e o resseguro ganham papel cada vez mais estratégico, não apenas como instrumentos de proteção financeira, mas como alavancas para destravar investimentos e induzir melhores padrões de engenharia e gestão de riscos. 

Ao longo da minha trajetória em resseguradoras globais e corretoras internacionais, tive a oportunidade de participar de projetos de infraestrutura em diferentes países, como Suíça, Estados Unidos e, mais recentemente, na América Latina. Essa experiência mostra que uma das principais diferenças entre o Brasil e mercados mais maduros está no peso da incerteza macroeconômica sobre a subscrição. Em projetos de infraestrutura com prazo médio de execução de quatro anos, fatores como taxa de juros, custo de mão de obra e preço de insumos têm influência direta sobre o custo de reconstrução e, portanto, sobre o risco segurado. 

Na América Latina, e particularmente no Brasil, outro fator recorrente é o atraso nos projetos. Em média, 70% das obras são entregues com custo superior ao planejado e fora do prazo inicial. Isso afeta não apenas o cronograma dos empreendimentos, mas também o fluxo de caixa das seguradoras, sobretudo quando há atraso no pagamento do prêmio. Em mercados mais maduros, embora os riscos técnicos e climáticos também sejam relevantes, a previsibilidade institucional e macroeconômica tende a reduzir parte dessas incertezas. 

A agenda climática, reforçada pela realização da COP30 no Brasil, amplia ainda mais a relevância desse debate. O mercado de seguros pode exercer função decisiva ao tornar países vulneráveis mais atrativos para investimentos em infraestrutura. Isso ocorre porque a proteção securitária ajuda a reduzir a percepção de risco e contribui para viabilizar financeiramente projetos de longo prazo em regiões expostas a eventos severos. Ao mesmo tempo, o desenvolvimento recente de modelos climáticos mais robustos pelos resseguradores tem tornado soluções como o seguro paramétrico mais acessíveis do que eram cinco anos atrás. 

Um exemplo concreto dessa evolução foi um projeto recente de seguro paramétrico para a cidade de Miami. A iniciativa envolveu parceria entre o setor público e o mercado segurador. Além da avaliação do plano de gestão de risco da cidade para exposições como furacões e inundações, foi possível modelar uma cobertura paramétrica cujo prêmio acabou sendo pago por uma fundação filantrópica, já que o município não tinha recursos orçamentários reservados para essa finalidade. A experiência mostra como a atuação conjunta entre setor público, mercado segurador e outras fontes de capital pode viabilizar soluções inovadoras de proteção e, com isso, apoiar investimentos em infraestrutura em áreas sensíveis às mudanças climáticas. 

Os investidores já começaram a incorporar esses riscos à estruturação dos projetos. Do ponto de vista técnico, alguns empreendimentos, especialmente em rodovias e portos, vêm revisando normas de engenharia para responder a eventos de maior severidade. Sob a ótica econômico-financeira, financiadores passaram a exigir estudos de resiliência dos ativos, com cenários climáticos de longo prazo, como condição para apoiar novos investimentos. Isso sinaliza uma mudança importante: não basta mais avaliar a viabilidade econômica tradicional; é preciso testar a robustez dos ativos diante de condições climáticas futuras e incertezas associadas. 

Nesse ambiente, o seguro paramétrico tende a ganhar espaço em situações nas quais a frequência e a severidade dos eventos climáticos tornam mais difícil ou mais cara a transferência de risco pelos modelos tradicionais. Inicialmente mais explorado pelo setor público, esse instrumento vem despertando interesse crescente também entre agentes privados, sobretudo quando há necessidade de cobrir diversos ativos concentrados em determinada região. Trata-se de uma solução que pode complementar a cobertura convencional, especialmente em carteiras expostas a perdas catastróficas de rápida materialização. 

O seguro também pode contribuir para destravar o financiamento de projetos sustentáveis. Organismos multilaterais, bancos e investidores institucionais vêm exigindo estruturas mais robustas de gestão de risco climático, e a presença de coberturas adequadas pode reforçar a bancabilidade dos empreendimentos. As seguradoras já começam a desenvolver uma agenda mais clara de atuação nesse campo, inclusive com apoio a iniciativas relacionadas à restauração de ecossistemas, o que amplia o papel do setor para além da simples indenização. 

Apesar do aumento das catástrofes naturais, ainda há capacidade disponível no mercado segurador para apoiar grandes obras. O foco, neste momento, parece estar menos na escassez de capacidade e mais na qualidade da gestão de risco e da sustentabilidade dos projetos. Seguradoras e resseguradoras buscam incentivar empresas que adotam postura proativa na mitigação de riscos climáticos. No Brasil, os eventos recentes aceleraram um movimento importante entre seguradoras locais: o aperfeiçoamento da qualidade dos dados para melhorar a precificação e a gestão das carteiras. 

Na prática, estruturar um projeto de infraestrutura climate resilient significa abandonar a lógica de que o clima do passado será uma boa referência para o futuro. É necessário considerar condições meteorológicas futuras e as incertezas associadas a elas desde a fase de concepção. Isso implica critérios mais rigorosos de projeto, construção e operação. Nesse processo, o seguro pode funcionar como instrumento indutor de melhores práticas, oferecendo termos e condições mais favoráveis para projetos mais resilientes e bem planejados. 

O novo ciclo de investimentos em infraestrutura no Brasil, ancorado em concessões, PPPs, energia e saneamento, abre uma janela relevante de oportunidades para o mercado segurador. As seguradoras não apenas oferecem capacidade para cobrir obras, mas também aportam conhecimento técnico ao longo de todo o ciclo do investimento. Dada a complexidade desses projetos, esse movimento também tende a elevar o nível técnico de todos os profissionais envolvidos, de subscritores e gerentes de risco a reguladores de sinistros. Com o protagonismo crescente do capital privado, a disciplina na avaliação de riscos se torna mais rigorosa, o que favorece a evolução do mercado e reforça a importância do seguro como parte da engrenagem de desenvolvimento da infraestrutura brasileira. 

Previdência privada: empresas administram R$ 1,8 trilhão em recursos

De acordo com o último relatório realizado pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida — Fenaprevi, com os resultados contabilizados em janeiro de 2026, os planos de previdência privada aberta administravam R$ 1,8 trilhão em ativos, o equivalente a aproximadamente 14% do PIB do Brasil. O montante representa uma evolução de 13,2% quando comparado com o mesmo mês de 2025.

Esse montante é fruto do esforço de 11,2 milhões de pessoas, que possuem ao menos um dos mais de 13,7 milhões de planos. Ainda em janeiro de 2026, quase a totalidade – 99,4% desses planos – estavam em fase de acumulação, evidenciando o quanto ainda é jovem o setor e seu potencial de crescimento.

Captação líquida cresce em janeiro
O relatório também aponta que o setor arrecadou R$ 15,3 bilhões em janeiro, ao mesmo tempo em que teve uma queda de 15,2% nos resgates, que totalizaram R$ 12,2 bilhões. Dessa forma, a captação líquida, que é o resultado dos prêmios e contribuições menos as retiradas, foi positiva (de R$ 3,2 bilhões).

No acumulado de 12 meses (encerrados em janeiro de 2026), houve forte impacto provocado pela alteração da tributação em 2025. Os prêmios e contribuições somaram R$ 157,2 bilhões, com queda de 19,4% nos aportes, ao passo que os resgates subiram 9,4%, chegando a R$ 151 bilhões no período.

VGBL lidera em aportes e quantidade de planos
Nesse mesmo período, os planos VGBL – Vida Gerador de Benefício Livre – somaram R$ 138,6 bilhões, e correspondem a mais de 8,6 milhões de planos. Os planos PGBL – Plano Gerador de Benefício Livre – são responsáveis por 10% da arrecadação no período, enquanto os planos Tradicionais totalizaram R$ 2,8 bilhões ou 1,8% do total de prêmios e contribuições.