A Zurich, grupo europeu de seguros e resseguros, aproveitou o ambiente favorável do mercado para adquirir uma cobertura agregada global de resseguros renovada em 1º de abril, após ter suspendido esse tipo de proteção em 2023. O contrato, descrito como “inovador” pela CFO do grupo, Claudia Cordioli, inclui capacidade de mercados colateralizados, como os investidores de Insurance-Linked Securities (ILS), além de resseguradoras tradicional.
A nova proteção se ativa a partir de perdas globais de US$ 850 milhões e cobre todas as geografias onde a Zurich opera, sendo projetada para mitigar perdas catastróficas menores e mais frequentes ao longo do período de risco. A estrutura complementa o programa principal de resseguro por ocorrência da companhia, que cobre eventos de grande severidade.
Em janeiro, a Zurich já havia adquirido uma camada adicional de US$ 100 milhões no topo de seu programa tradicional. Segundo Cordioli, a decisão de reinstaurar a cobertura agregada reflete o sólido desempenho de subscrição da equipe, especialmente nos EUA, e a oportunidade oferecida pelos preços atuais do mercado de resseguros.
“Acreditamos que essa cobertura agregada, combinada com nossas camadas superiores, nos deixa muito bem posicionados quanto à exposição líquida a catástrofes”, afirmou a executiva. Ela também destacou que a colocação da cobertura atendeu exatamente ao que a Zurich desejava em termos de estrutura e diversificação da fonte de capacidade, classificando o acordo como um avanço positivo e estratégico para a companhia.
Os analistas do J.P. Morgan avaliam que os preços do resseguro global retornaram aos níveis de 2023, considerados o início da fase mais recente do mercado duro, enquanto o mercado de cat bonds (títulos de catástrofe) teria suavizado ainda mais, se aproximando dos níveis observados em 2022.
O movimento de queda nos preços já era perceptível nas renovações de janeiro de 2025, quando a abundância de capital e a concorrência elevada pressionaram os valores tanto no resseguro quanto na retrocessão. Dados da Guy Carpenter apontaram queda de 6,6% nas taxas globais de resseguro de propriedades e de 6,2% nos EUA. A Howden estimou que os preços ajustados ao risco caíram 8% para contratos de propriedade catastrófica e 13,5% na retrocessão.
Esse cenário foi impulsionado por dois anos consecutivos de forte lucratividade para resseguradoras tradicionais e investidores ILS, com baixa ocorrência de catástrofes e ganhos expressivos em termos, condições e pontos de anexação. As renovações de abril reforçaram a tendência de suavização, com reduções de até 15% nas taxas de excesso de perdas no Japão e quedas ou altas de até 15% nos EUA, a depender do histórico de perdas.
Nos EUA, renovações recentes indicam mais pressão nos preços. A Allstate afirmou ter renovado seus contratos em abril por um custo inferior ao do ano anterior, mesmo adquirindo mais cobertura nos níveis superiores. Já a Citizens Property Insurance espera quedas de até 10% nas camadas acima do Fundo de Catástrofes da Flórida (FHCF). A TWIA, do Texas, também projeta menores taxas para 2025.
Apesar das quedas, o JP Morgan aponta que os preços permanecem bem acima dos níveis considerados adequados. Os analistas observam que as seguradoras ainda operam com folga, mas alertam que a redução de prêmios pode pressionar as margens à medida que se traduz em menor crescimento da receita.
Eles destacam que o ciclo positivo de preços foi incomumente longo, sustentado por inflação, pandemia e juros baixos. No entanto, alertam que o comportamento de algumas empresas, buscando crescimento mesmo com preços em queda, pode intensificar o ciclo de baixa — padrão semelhante ao observado no início dos anos 2010.
Os cat bonds, por negociarem o ano todo, costumam antecipar movimentos do mercado tradicional. Dados indicam que, em 2025, o spread médio acima da perda esperada está no menor nível desde 2021. Ainda assim, a perda esperada média também caiu, sugerindo que a precificação permanece atrativa para emissores.
O Grupo Bradesco Seguros registrou lucro líquido de R$ 2,4 bilhões no primeiro trimestre de 2025, o que representa crescimento de 25,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, com evolução do ROAE de 2,6 p.p., para 22,4%. O banco Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 5,86 bilhões no período, alta anual de 39,3%. Ou seja, o braço de seguros representou 41% do ganho do banco. Já o faturamento (receitas de prêmios, contribuições de previdência e de títulos de capitalização) somou R$ 30 bilhões, alta de 7,3% frente ao primeiro trimestre de 2024.
“Nossos resultados no primeiro trimestre de 2025 foram impulsionados pelo consistente trabalho das nossas áreas comerciais e pela eficiência operacional, fortalecida pelas ações de controle de custos. Para o ano de 2025, mantemos uma perspectiva positiva, com foco na ampliação da parceria com os corretores de todo o país e criação de novos serviços e produtos, endereçando as necessidades dos nossos clientes”, disse Ivan Gontijo, presidente do grupo, ao Sonho Seguro.
A performance das receitas e a redução do índice de sinistralidade em 7,5 p.p. contribuíram para o avanço de 32,7% do resultado das operações de seguros, que alcançou R$ 5,3 bilhões, dos quais 63% correspondem ao resultado industrial.
As Provisões Técnicas cresceram 11,2%, superando R$ 414 bilhões, e os Ativos Financeiros, 10,3%, para cerca de R$ 433 bilhões. O Grupo Segurador retornou à sociedade na forma de indenizações e benefícios R$ 13,8 bilhões, evolução de 5,5% na comparação com o mesmo período de 2024.
No trimestre, a companhia manteve o foco na eficiência, melhoria de processos e gestão de despesas em todas as linhas de negócios. As entregas de novos serviços e jornadas contribuíram para incrementar o faturamento dos produtos comercializados nos canais digitais. Com o apoio dos corretores de seguros, foram gerados mais de 2,2 milhões de leads, impulsionando o aumento do faturamento.
No segmento de seguro de pessoas, a Bradesco Vida e Previdência lançou o Seguro Despesas Essenciais, que garante o pagamento de gastos básicos como contas de água, telefone, luz e internet nos casos de perda de renda, invalidez total ou morte, entre outros benefícios. Outra novidade foi o lançamento do seguro Empresarial Flexível Resgatável, complementando a grade de produtos para pequenas e médias empresas (PME). Além disso, a empresa ampliou as coberturas e assistências do seu Seguro Viagem.
Já a Bradesco Saúde ampliou sua base de corretores parceiros nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com a realização de mais uma edição do programa “Meu Primeiro SPG”, que visa ampliar a comercialização de planos para PME.
Em Seguro Auto, a Bradesco Auto/RE iniciou mais uma edição do Bradesco Seguros Reconhece, programa pioneiro no mercado de seguros que certifica oficinas automotivas de sua rede referenciada pelos serviços e atendimentos prestados ao longo do ano. Outro destaque foi o lançamento de uma cobertura para reparar pequenos danos causados por buracos nas vias ou colisões em meios-fios e calçadas, proporcionando mais tranquilidade para os motoristas.
A Atlântica D’Or, parceria entre a Atlântica Hospitais e a Rede D’Or, assumiu oficialmente a gestão do Hospital São Luiz Campinas. Maior unidade privada de saúde do interior paulista, devendo chegar a 325 leitos quando estiver em plena capacidade, o hospital é o primeiro da Atlântica D’Or em São Paulo fora da região metropolitana da capital. Além dele, integram a parceria o São Luiz Guarulhos e o São Luiz Alphaville, ambos na Grande São Paulo, e o Macaé D’Or, no Estado do Rio de Janeiro, inaugurados no último trimestre de 2024. A expansão continuará com novas unidades em Ribeirão Preto e Taubaté.
Com mais de 40 anos de experiência em proteção familiar, com seguros de vida e previdência privada, o corretor de seguros Josusmar Sousa acaba de lançar o livro “Proteção Vital: Seguros de Vida para Autônomos – Uma Abordagem Estratégica para Médicos, Dentistas, Engenheiros, Arquitetos e Contadores”. Lançado pela editora Be Amazing, com 116 páginas, é o primeiro livro totalmente planejado e desenvolvido pelo especialista, que já havia contribuído com outras três obras sobre seguros de vida em coautoria.
De acordo com Josusmar, o livro é “essencial para o profissional liberal e vital para o corretor de seguros”. “Suas páginas trazem uma exploração profunda e reveladora sobre um tema que, embora muitas vezes negligenciado, é de suma importância para a segurança e o bem-estar de profissionais autônomos. Este também é um importante material de estudo para os corretores de seguros, com argumentos que serão muito interessantes para utilizarem em suas vendas aos autônomos”, explica o corretor que dedicou grande parte da carreira a propagar qualificação sobre seguro de vida.
Em sua visão, o seguro de vida é uma ferramenta poderosa que pode oferecer ao beneficiário e à sua família a segurança necessária para enfrentar os desafios que a vida apresenta. “Neste livro, desmistificamos conceitos, apresentamos dados e, acima de tudo, mostramos como o seguro de vida pode ser um aliado inestimável na trajetória desses profissionais”.
No primeiro capítulo, o autor começa pela base: o que é, de fato, um seguro de vida? Ele explora sua definição de maneira clara e acessível, para que o leitor possa entender não apenas o funcionamento dessa ferramenta, mas também a relação entre o segurado, os beneficiários e a seguradora. “Essa compreensão é essencial, pois o seguro de vida vai muito além de um simples contrato: é um compromisso com a proteção financeira de quem você ama”, diz.
À medida que o livro avança, Josusmar discute a importância do seguro de vida, especialmente para profissionais liberais, que enfrentam riscos únicos em suas carreiras. “O profissional vai perceber como essa proteção pode ser um alicerce para a tranquilidade emocional, não apenas sua, mas também de seus dependentes. Afinal, a vida é imprevisível, e estar preparado para o inesperado é um ato de sabedoria”, comenta.
A importância do seguro de vida se revela de forma ainda mais intensa quando consideradas as particularidades da vida dos profissionais liberais. “Esses indivíduos, que muitas vezes se sentem solitários em sua caminhada, enfrentam desafios únicos que podem impactar sua segurança financeira e a de suas famílias. Ao contrário de trabalhadores com salários fixos e benefícios garantidos, os autônomos estão expostos a incertezas que podem afetar não apenas sua renda, mas também o bem-estar de seus dependentes”.
Josusmar pretende, com o livro, incentivar clientes e corretores de seguros a apostarem no seguro de vida. “Vamos juntos construir um futuro mais seguro e protegido”, comemora.
O livro é recomendado por lideranças do mercado de seguros que assinam depoimentos na contracapa: Alexandre Camillo (empreendedor), Boris Ber (presidente do Sincor-SP), Felipe Sousa (presidente da MDRT Brasil – Million Dollar Round Table), Rivaldo Leite (CEO da Porto Seguros) e Silas Kasahaya (CEO do Grupo Samplemed).
Os interessados em adquirir o livro podem enviar um e-mail para josus@misterliber.com.br e garantir seu exemplar impresso na pré-venda por um preço promocional.
Sobre o autor
Josusmar Sousa é sócio fundador da Mister Líber Brasil Corretora de Seguros (há mais de 40 anos), da Amazon Broker Corretora de Seguros, da SRX Corretora de Seguros, da Amor Maior Corretora de Seguros e da Mister Líber Educação e Tecnologia.
É associado aos sindicatos patronais de corretores de seguros em São Paulo e no Rio de Janeiro (Sincor-SP e Sincor-RJ), sócio do Clube dos Corretores de Seguros da cidade de São Paulo (CCS-SP) e sócio fundador da União de Corretores de Seguros (UCS).
Foi presidente da MDRT (Million Dollar Round Table) Brasil (Country Chair Brazil) com a missão de popularizar a entidade entre os brasileiros, ampliando a participação na entidade para, principalmente, solidificar a conscientização sobre a cultura do seguro de vida no país. Atualmente é membro do Conselho de Ex-presidentes (Past President Council) e representante da companhia (Company Chair) Porto Seguros na MDRT.
É ainda membro do Clube de Vida em Grupo São Paulo (CVG-SP) e da Associação Top Corretores Brasil (ATCB).
A insurtech brasileira Picsel, especializada em gestão, operação e inteligência de risco para o seguro agrícola, fez uma parceria estratégica com a Sistran, empresa global especializada em soluções tecnológicas para o mercado segurador. O objetivo é acelerar a transformação digital do setor de seguros agrícolas, integrando inovação, agilidade e inteligência em toda a jornada, da cotação à gestão de sinistros.
A colaboração entre as empresas une o que há de mais avançado em modelagem de risco e automação de processos. Com a implementação da plataforma de seguros agrícolas da Picsel, seguradoras passam a contar com uma esteira digital completa, que permite emitir apólices personalizadas em até 5 minutos, monitorar lavouras por satélite e gerir sinistros em tempo real — tudo isso com base em dados históricos de clima, solo e produtividade, além de critérios ESG nativos na cotação.
“A parceria com a Sistran fortalece nossa capacidade de escalar a solução Picsel, com uma atuação conjunta voltada à integração com os sistemas legados das seguradoras. Ao somar sua experiência em tecnologia e seguros, a Sistran contribui para que nossos clientes operem com mais segurança, eficiência e controle”, afirma Vitor Ozaki, CEO da Picsel, em nota.
Do outro lado, a Sistran reforça seu posicionamento como habilitadora de inovação para o setor. Com atuação em mais de 15 países em Latam e presentes desde 1988 no mercado brasileiro, a empresa aposta na integração com startups como motor de evolução da indústria.“Estamos comprometidos com a transformação do setor. A união com a Picsel é estratégica, pois permite entregar valor real às seguradoras que atuam — ou querem atuar — no agro”, destaca Márcio Paes, CEO da Sistran.
A expectativa é que a união acelere o acesso ao seguro agrícola em regiões ainda pouco cobertas, otimize a operação das seguradoras e contribua para um setor mais resiliente, digital e conectado com as exigências ambientais e mercadológicas do futuro.
Na gravidez, o corpo está em constante transformação, o que requer monitoramento e acompanhamento. Para as grávidas, o período é também uma época de inseguranças. Para atender a estas demandas, o Juntos Pela Saúde, iniciativa da Bradesco Saúde com foco na promoção da saúde, oferece o “Programa de Gestantes”, que acompanha futuras mães desde a descoberta da gravidez até o puerpério. Com mais de 12 mil gestantes já beneficiadas desde o seu início, em 2010, o programa está implantado atualmente em 66 empresas. E o número de adeptas aumenta anualmente.
Com foco na promoção da saúde materna, o programa oferece informações e cuidados para orientar as gestantes durante a gravidez e o pós-parto, visando a redução de riscos. O acompanhamento das participantes se dá a partir de monitoramento por multicanais (vídeo chamadas, WhatsApp, telefone), feito por uma enfermeira obstétrica, que conta com o apoio de uma equipe de profissionais multidisciplinares, seguindo as orientações do médico assistente.
A iniciativa da Bradesco Saúde tem sido cada vez mais importante no apoio a mulheres com gestações de alto risco. No ano passado, elas responderam por 33% dos casos, de um ano para cá, o número aumentou, representando atualmente 46% das pacientes em acompanhamento.
“A experiência da gravidez é um momento único e, ao mesmo tempo, desafiador. Durante esse período, é fundamental que a gestante tenha acesso a informações e orientações que proporcionem maior segurança e tranquilidade. Esse acompanhamento adequado não apenas minimiza as intercorrências gestacionais, mas também fortalece a relação entre a futura mãe e o médico obstetra desde o início da gestação, com maior adesão ao pré-natal e à realização dos exames necessários, garantindo que tanto ela quanto o bebê estejam sempre monitorados. Com o apoio certo, a gestante pode viver essa fase com confiança e alegria”, comenta Maria Beatriz Padilha, superintendente sênior da Bradesco Saúde.
O suporte para prevenir, identificar e monitorar riscos gestacionais é realizado de forma recorrente, variando de acordo com o grau de risco da gestante. Todas, a partir da vigésima quinta semana, contam com acompanhamento quinzenal. Além desse acompanhamento, as gestantes têm à disposição, sempre que necessário, suporte de uma central de emergências médicas, disponível 24h por dia, sete dias por semana.
Nessas interações do programa com as gestantes, informações importantes são coletadas e acompanhadas pela equipe, e alinhadas às orientações do(a) obstetra. As mães também recebem orientações sobre os cuidados com o bebê e a importância do aleitamento materno.
Se o medicamento falhar, a farmacêutica devolve o dinheiro à fonte pagadora. Essa afirmação causa estranheza em qualquer pessoa. Se a droga, embora prescrita de forma correta e administrada dentro dos protocolos, não entregar o resultado esperado para aquele paciente, naquele momento, nada mais justo do que reembolsar a fonte pagadora. Faz sentido. Ainda mais para os gestores de planos de saúde, que pagam por medicamentos de alto custo para garantir um desfecho clínico positivo.
Não é pegadinha. Trata-se de um acordo de compartilhamento de risco firmado entre o A.C.Camargo Cancer Center e farmacêuticas como Roche e Johnson & Johnson, que visa tornar a gestão do tratamento oncológico mais eficiente, sustentável e centrada no paciente. O modelo, premiado internacionalmente, prevê auditoria rigorosa dos casos e a devolução dos recursos quando for comprovada falha terapêutica, com o valor retornando às operadoras de saúde que financiaram o medicamento.
As primeiras a receberem a boa notícia de retorno do custo foram a Saúde Petrobras e a Bradesco Saúde. “Receber uma ligação do hospital dizendo que querem devolver dinheiro foi inusitado. Mas mostra que há seriedade e compromisso em construir um novo modelo de cuidado”, disse o representante da Saúde Petrobras, Manoel Cardoso. “O desafio agora é escalar isso. Como levar essa lógica para todo o ecossistema?”
Reduzir o custo da saúde por meio de uma gestão eficiente, sem desperdícios e com controle de fraudes é um ponto crucial para que o valor do plano de saúde se torne mais acessível à população. Hoje, apenas 25% dos brasileiros têm algum tipo de plano de saúde. Em dezembro de 2024, 52,21 milhões de brasileiros tinham plano de saúde, segundo a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). Ao aumentar a participação da população com planos privados, o Sistema Único de Saúde (SUS) fica menos sobrecarregado e os recursos financeiros podem ser melhor distribuídos entre a camada social que mais necessita da assistência do governo.
Esses dois casos foram apresentados durante o III Encontro de Gestão da Sinistralidade e Valor em Oncologia, realizado em março na Unidade Itaim da instituição, com a presença de 90% dos principais gestores de saúde das fontes pagadoras de tratamentos aos beneficiários. Durante o evento, foram apresentados dois casos que mostram como o compartilhamento de risco funciona na prática: um de câncer de pulmão e outro de fígado.
Em ambos os casos, os pacientes e a instituição de saúde seguiram rigidamente os protocolos indicados. Ainda assim, houve progressão da doença antes do tempo previsto. Após auditoria da farmacêutica, que confirmou o uso correto da medicação, o valor das imunoterapias administradas foi restituído e repassado às operadoras envolvidas.
“O A.C.Camargo é pioneiro hoje em apoio à gestão de risco. Firmamos com a Roche um acordo em que, se o medicamento não cumprir o que está na bula e todos os critérios forem atendidos, a empresa assume essa falha e devolve o valor”, afirmou Rafael Ielpo, diretor comercial e de marketing do A.C.Camargo. “O que temos é um exemplo prático de como buscar a sustentabilidade do sistema. Pode até causar estranheza, mas é real: nós devolvemos o dinheiro à fonte pagadora. Estamos falando de um modelo baseado em confiança, evidência clínica e compromisso com a sustentabilidade.”
A ação é resultado de três anos de trabalho do Escritório de Valor da instituição, que reúne mais de 30 profissionais dedicados a revisar protocolos clínicos, otimizar recursos e gerar dados de impacto real para o ecossistema da saúde. “É um pilar estratégico nosso. Nosso foco está em desenvolver novas modalidades de cuidado e construir pontes com todos os agentes do setor. O paciente está no centro, mas é preciso redesenhar o relacionamento entre operadoras, indústria e prestadores. O modelo tradicional não se sustenta mais.”
“Estamos acostumados a ouvir sobre compartilhamento de risco, mas ver isso acontecer na prática é transformador. Nos dois casos, a farmacêutica auditou, concluiu que houve falha terapêutica e devolveu os recursos. Isso é um marco para o setor”, ressaltou Ielpo. “Poderíamos simplesmente reter esse valor, mas não seria ético. O compromisso é com quem financiou o tratamento.”
A médica Dra. Aline Chibana, gerente do Escritório de Valor do A.C.Camargo, destacou que o acordo com a Roche foi o primeiro contrato de compartilhamento de risco firmado no Brasil na saúde suplementar. “No início, chamamos as operadoras para participar, mas nenhuma aderiu. Era algo muito novo, conceitual. Decidimos seguir com a Roche mesmo assim. E hoje temos um aditivo específico para carcinoma de pulmão de células não pequenas, ampliando a fase de avaliação do tratamento de seis para nove ciclos.”
A experiência gerou reconhecimento internacional. O acordo com a Roche foi premiado fora do Brasil como uma das mais inovadoras estratégias de gestão em oncologia. “É uma construção de longo prazo. Leva tempo, exige maturidade do mercado. Algumas negociações com farmacêuticas podem levar até dois anos. Mas estamos convencidos de que este é o caminho”, reforçou Aline.
O oncologista Daniel Goldstein, diretor do Centro de Economia da Saúde do Davidoff Cancer Center, em Israel, veio ao Brasil especialmente para acompanhar a experiência do A.C.Camargo e oferecer consultoria à instituição. “O que está sendo feito aqui é raro, mesmo em termos internacionais. A proposta do Escritório de Valor é ousada e absolutamente necessária. A sustentabilidade da oncologia depende de estratégias como essa.”
Goldstein também é um dos idealizadores do movimento Common Sense Oncology (CSO), que defende uma abordagem mais racional no tratamento oncológico, baseada em evidências, custo-efetividade e equidade. “Começamos esse movimento no Canadá e hoje ele se espalha pelo mundo. O princípio é simples: precisamos fazer mais com menos, sem perder de vista o que realmente importa para o paciente.”
Para o especialista, um dos maiores desafios é manter a confiança da sociedade. “Quando dizemos que vamos usar doses menores ou mudar abordagens, a primeira reação é de desconfiança. Será que estão oferecendo o melhor? Por isso, precisamos comunicar com clareza. Mostrar que é o melhor tratamento possível, com os recursos disponíveis. A confiança é a base de tudo.”
A líder da oncologia clínica do A.C.Camargo, Dra. Rachel Riechelmann, reforçou essa visão ao apresentar estudos recentes que embasam a redução segura de doses de medicamentos como lenvatinibe e everolimo. “No caso do lenvatinibe, usamos 8 mg ao invés dos 24 mg recomendados, com o mesmo efeito e menos toxicidade. O estudo Evenet, ainda em curso, mostra que 5 mg de everolimo também são eficazes como 10 mg, mas com metade dos efeitos colaterais.” Esses dados embasam decisões clínicas mais sustentáveis e mais humanas, segundo Rachel. “Menos toxicidade significa menos internações, menos complicações e maior qualidade de vida para o paciente. Mas precisamos que operadoras e reguladores entendam isso e estejam abertos a discutir evidências.”
Para Rafael Ielpo, é uma construção em curso. “Estamos abertos ao diálogo com todas as operadoras. Queremos que nos visitem, conheçam o Escritório de Valor, vejam de perto o que estamos fazendo. Nossa base de dados tem mais de sete décadas. Podemos e queremos ser referência, mas é preciso colaboração.” Ele destacou que o Escritório atua em parceria com todas as áreas da instituição e que os dados são usados não apenas para acordos comerciais, mas também para melhorar o cuidado. “Quando a gente ajusta uma dose, isso está no prontuário médico. É prescrição. Mas do ponto de vista comercial, muitas vezes ainda compramos a dose cheia e fracionamos. Estamos buscando alternativas também nesse sentido.”
A aproximação com as operadoras foi reforçada durante o encontro, com representantes das operadoras de saúde manifestando interesse em aprofundar a colaboração. “Vocês têm a jornada completa do paciente, algo raro. Isso permite análises mais ricas. Vamos sim seguir acompanhando de perto o que estão fazendo”, comentou Ana Gaudêncio, gerente de projetos estratégicos na SulAmérica. Já a representante da Cassi, do Banco do Brasil, destacou a importância da decisão colegiada na escolha terapêutica, especialmente em casos com muitas comorbidades.
“O que o A.C.Camargo está fazendo ainda é exceção. Mas pode se tornar a regra. Movimentos como o Common Sense Oncology existem para apoiar iniciativas assim, que colocam o paciente no centro e promovem um uso mais racional dos recursos”, enfatizou Daniel Goldstein, reforçando o importante papel do Brasil nessa transformação do relacionamento entre os stakeholders da saúde privada.
No encerramento, o CEO do A.C.Camargo, Victor Piana, resumiu o espírito da instituição. “Acho que todos aqui sentem que dá para fazer mais e melhor. E mais rápido. Estamos aqui para isso. Não queremos ser apenas uma instituição de saúde. Somos uma linha de cuidado em câncer, que começa muito antes da internação e vai muito além dela. Nosso compromisso é com o que é melhor para o paciente, no menor custo possível. E queremos seguir esse caminho de mãos dadas com todos vocês.”
O Instituto Brasileiro de Atuária (IBA) e a International Actuarial Association (IAA) promovem a primeira edição Latam do JoCo (Joint Colloquia) em São Paulo, entre os dias 18 e 22 de maio de 2025, no Hotel Grand Hyatt. O evento vai reunir membros das Seções do IAA e atuários de todo o mundo para debater em suas Seções sobre: Risco Climático, Sustentabilidade, ESG, Inteligência Artificial (IA) e Big Data, Solvência e Transformação Digital de Seguros.
Com o tema “Atuários em Sustentabilidade”, o Joint Colloquia vai reunir grandes players para discutir as últimas pesquisas e desafios atuariais, decorrentes de novos campos de atuação profissional e acadêmica, incluindo trabalhos e interpretações em torno do desenvolvimento sustentável.
“O JoCo São Paulo 2025 representa um marco significativo para a comunidade atuarial brasileira e internacional. A atmosfera de colaboração e o alto nível das discussões focam na importância da nossa profissão, em um mundo cada vez mais conectado com a capacidade de debater a sustentabilidade, desde a solidez financeira dos mecanismos de risco compartilhados até as incertezas ambientais e climáticas. E sem esquecer do foco no crescimento econômico e no bem-estar global”, declarou Giancarlo Giacomini Germany, presidente do IBA.
A programação conta com reuniões restritas para presidentes, membros e convidados, bem como debates separados pelas seções AFIR-ERM (Riscos Financeiros e ERM), ASTIN (Seguro Não Vida), IAAHS (Seguro Saúde), IAALS (Seguro de Vida e Anuidades), Seção IACA (Atuários Consultores) e PBSS (Pensões, Benefícios aos Empregados e Previdência Social). Clique aqui para obter os detalhes
“Este é um dos maiores eventos de atuária do mundo, tendo o mercado brasileiro uma relevância cada vez maior a nível de participação e envolvimento nas diversas áreas deste importante segmento da economia global”, concluiu Germany.
Serviço:
JoCo São Paulo 2025
Datas: de 18 a 22 de maio de 2025
Local: Hotel Grand Hyatt
Endereço: Avenida das Nações Unidas, 13.301, São Paulo
Desmatamento, falha na gestão das comportas do rio Guaíba e bloqueio dos canais de escoamento agravaram a tragédia provocada pelas chuvas intensas que atingiram o Rio Grande do Sul (RS) entre abril e maio de 2024. É o que aponta relatório técnico detalhado pelo IRB(P&D), área com dedicação exclusiva à pesquisa e ao desenvolvimento do IRB(Re). A análise, que reúne dados consolidados sobre a tragédia, destaca ainda a influência do fenômeno El Niño e o bloqueio atmosférico que manteve a alta concentração pluviométrica na região.
De acordo com o relatório, 2,4 milhões de pessoas foram impactadas pelas enchentes, que ocasionaram 58 mil solicitações de indenizações ao setor de seguros, totalizando R$ 6,04 bilhões em sinistros, segundo dados da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg).
O IRB(P&D) ressalta que a reconstrução do RS exigirá esforços coordenados dos setores público e privado, assim como da sociedade civil. Segundo cálculos da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), a reconstrução pode exigir investimentos de até R$ 176 bilhões. Diante do cenário alarmante, o relatório evidencia a necessidade de políticas públicas mais eficazes para prevenir desastres climáticos. Medidas como o planejamento urbano sustentável, o reflorestamento e a melhoria da infraestrutura de drenagem são essenciais.
O Grupo Bradesco Seguros participa, pela sexta vez consecutiva, da Semana Nacional de Educação Financeira (Semana ENEF), que acontece entre os dias 12 e 18 de maio de 2025. Na 12ª edição, a iniciativa terá como tema: a “Educação Financeira para Crianças e Jovens: Preparando a Sociedade para Escolhas Conscientes”, com foco na formação de uma cultura financeira responsável desde a infância.
No dia 15 de maio, às 9h, o Grupo Segurador promoverá a live “Consumismo Infantil – Por que precisamos falar sobre isso?”, com Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, mestre pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e autor do best-seller “Emoções Financeiras”. A abertura do encontro ficará a cargo do diretor-presidente da Bradesco Vida e Previdência, Bernardo Castello. E a transmissão será pelo site: https://www.livebseg.com/.
Para Valdirene Soares Secato, diretora de Recursos Humanos, Ouvidoria e Sustentabilidade do Grupo, a iniciativa reflete o compromisso contínuo da seguradora em fomentar a educação para decisões financeiras mais responsáveis e seguras ao longo da vida. “A participação na Semana ENEF é um momento oportuno para reiterar a relevância do tema e do planejamento de longo prazo, especialmente em um contexto em que muito se fala em longevidade e mudanças demográficas significativas”, comenta.
A Semana ENEF é uma mobilização nacional promovida pelo Fórum Brasileiro de Educação Financeira (FBEF), que reúne ações de instituições públicas e privadas com o objetivo de fortalecer o entendimento da população sobre finanças, seguros, previdência e consumo consciente. Mais informações sobre a programação oficial da Semana ENEF estão disponíveis em: https://www.gov.br/semanaenef/pt-br
Além da live, vale destacar que o Grupo também segue com iniciativas de Educação Financeira por meio do Espaço Universeg, uma plataforma que oferece mais de 100 conteúdos gratuitos em diversos temas e metodologias, para todos que buscam o autodesenvolvimento, e que pode ser acessa em: https://www.espacouniverseg.com.br/.
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