Um relatório elaborado pela Fundación Mapfre sobre a evolução do mercado latino americano de seguros entre 2003 e 2013, destaca que o Brasil liderou o crescimento regional, que foi de dois dígitos em oito dos últimos 10 anos. Destaca, também, que o potencial de crescimento do mercado segurador na América Latina se mantém e que as perspectivas para os próximos anos são otimistas.
O Brasil foi o motor do negócio segurador na região da América Latina. O mercado segurador deste país é, desde 2004, o de maior volume de prêmios da região, e seus lucros, por prêmios, se multiplicaram seis vezes mais na última década, superando os 10.000 milhões de dólares em 2003, para 67.338 milhões de dólares em 2013.
Assim se reflete o estudo “Evolução do mercado segurador latino americano 2003-2013”, realizado pela Fundación Mapfre, que analisa os dados estatísticos agregados de 18 mercados seguradores da região nos últimos dez anos e os fatores que influenciaram sua evolução.
Do relatório, apresentado hoje, vale destacar que o seguro de vida foi o principal impulsionador do setor no Brasil neste período, cujo crescimento real sempre foi muito superior ao da economia. Inclusive, quando em 2009 o país sofria as consequências da crise financeira internacional, este ramo registrou alta de 18,8%.
Na evolução do seguro brasileiro, nos últimos dez anos, o Vida Gerador de Benefícios Livres (VGBL) teve significativa influência. Trata-se de um produto de previdência privada complementar, que começou a ser comercializado em 2002, principalmente por meio do canal bancário, e que foi o principal impulsionador do crescimento do setor segurador, de um modo geral, e do ramo de Vida, particularmente, devido, em grande parte, a alguns incentivos fiscais que atraem recursos procedentes de fundos de investimento e de pensão.
Após vários anos de extraordinários crescimentos, em 2013 o seguro VGBL alcançou a cifra de 62.230 milhões de reais (28.870 milhões de dólares), apresentando aumento nos lucros de 4,5%, em moeda local. Este importante desenvolvimento fez com que este produto passasse a acumular share de 23% em 2003 para 43% em 2013.
Um item que deve ser considerado ao analisar a excelente evolução do Seguro de Vida no Brasil: é o importante papel da oferta combinada de produtos bancários e seguros na distribuição deste produto. Um dado revelador é que os primeiros grupos do ranking de Vida do país são companhias seguradoras vinculadas a bancos ou companhias seguradoras que têm acordos com bancos. Também é importante o peso destes grupos brasileiros no Seguro de Vida na América Latina, os três primeiros lugares do ranking de Vida da região.
Com relação aos ramos Não Vida, seu comportamento foi mais desigual. Exceto o exercício de 2009, que registrou uma queda de 1,5%, este segmento manteve uma tendência constante de crescimento real, alcançando taxas que nem sempre superaram o aumento do PIB. Os fatores que influenciaram esta evolução positiva foram: o aumento das vendas de veículos novos, que propiciou o desenvolvimento do Seguro de Autos, apesar da forte concorrência nas tarifas; a expansão dos seguros de garantia entendida, vinculados à venda de aparelhos eletrônicos e eletrodomésticos; e ao aumento do investimento em infraestrutura, devido aos grandes projetos iniciados (Mundial 2014, Jogos Olímpicos 2016 e exploração do pré-sal) que favoreceu o crescimento dos ramos de Patrimoniais, Caução e Responsabilidade Civil, entre outros.
O mercado segurador da América Latina registrou um comportamento muito positivo nos últimos dez anos, com um aumento nominal dos prêmios emitidos de 358% durante o período. O crescimento se manteve positivo durante todo o período, inclusive em 2009, quando a crise econômica internacional afetou seriamente as economias latino-americanas, e em oito dos dez anos analisados, conseguiu taxas de dois dígitos.
Este favorável desempenho deveu-se, principalmente, à boa situação econômica que a região atravessou nos últimos 10 anos, com aumentos no nível de empregos e na venda de bens e de automóveis, bem como, a positiva evolução da economia e à maior demanda de créditos de consumo e hipotecas, que influenciaram favoravelmente nos crescimentos do ramo de Vida.
Segundo o relatório, o potencial de crescimento do setor segurador se mantém independente da desaceleração econômica registrada atualmente por alguns países. As perspectivas para os próximos anos são otimistas, já que a região, no conjunto, continua tendo uma enorme projeção de desenvolvimento, e, além disso, o mercado segurador tem experimentado aumentos superiores ao PIB, conforme crescentes camadas da população melhoram seu nível aquisitivo e têm acesso a produtos e serviços antes não utilizados, como os oferecidos pelo mercado segurador.
Os países que mais aumentaram o volume de prêmios neste período foram, além do Brasil, que ocupa o primeiro lugar, a Venezuela e a Argentina.
A versão completa desse relatório pode ser consultada em: http://www.mapfre.com/documentacion/publico/i18n/catalogo_imagenes/grupo.cmd?path=1080258.
Crescer 12,4% num ano em que o Produto Interno Bruto (PIB) está projetado para um patamar inferior a 1%. Esse é grande otimismo da Confederação Nacional de Seguros (CNseg), que congrega as empresas que atuam em seguros, previdencia, saúde, capitalização e resseguro. “Temos muito espaço para crescer e esse grande potencial da oferta de produtos e serviços para a sociedade, principalmente para as Pequenas e Médias Empresas, alimenta as nossas expectativas e investimentos”, disse Marco Antonio Rossi, presidente da CNseg e da Bradesco Seguros, durante almoço de final de ano realizado com jornalistas, em São Paulo.
A expectativa em 2014, que até junho registrou R$ 155 bilhões em faturamento total (com saúde suplementar), alta de 7,9%, é encerrar o ano com avanço de 11,2%, sendo o maior incremento vindo da saúde suplementar (15,2%), planos previdenciários (11%), seguros gerais (9%), vida (5,9%) e capitalização (5%). “Nos últimos 15 anos passamos de uma representatividade de 1% para 6% do PIB e ainda temos uma jornada para atingir o tamanho que esse setor deve ter para apoiar o crescimento do Brasil”.
Em valores, a CNseg informa que a carteira de automóvel registrou vendas de R$ 26 bilhões até outubro de 2014, ramos elementares de R$ 28,9 bilhões, vida de R$ 25 bilhões, previdência com arrecadação de R$ 61,6 bilhões, capitalização de R$ 18 bilhões e saúde suplementar de R$ 60,8 bilhões, neste caso com dados até junho.
Um dos pontos destacados por Rossi foi a diversificação nas vendas. Estados como Sergipe, Tocantins, Acre, Amapá e Roraima, com exceção de 2012, foram maiores do que em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná, ainda líderes em arrecadação. São Paulo ainda detém cerca de 50% das vendas e também do pagamento de indenizações.
Rossi destacou o quanto o mercado de seguros contribui para a sociedade e a economia com R$ 6,3 bilhões de sinistros pagos (Vida), R$ 28,2 bilhões sinistros pagos (Auto/RE), R$ 13,5 bilhões Resgates e Sorteios (Capitalização), R$ 35,2 bilhões regastes e benefícios (Previdência), R$ 49,1 bilhões em procedimentos médicos e R$ 1 bilhão em procedimentos odontológicos, com dados apresentados até outubro.
Na agenda da CNseg para 2015 boa parte do esforço das federações que compõem a confederação será tomada pelo trabalho na maior repercussão do setor junto aos poderes executivos e judiciários para melhorar as condições para o desenvolvimento da indústria de seguros, bem como em ações voltadas para a educação financeira. “Durante muito tempo tivemos dificuldades para mostrar a importância do setor tanto para o governo como para a sociedade”, finalizou Rossi.
Previdência – O entusiamo do segmento de previdência com 2015 chama-se previsibilidade segundo Osvaldo do Nascimento, presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi). “A nova equipe econômica acalmou a tensão dos investidores ao sinalizar que transparência e seriedade com as metas, itens primordiais para os contratos de previdência, um investimento que requer previsibilidade para traçar estratégias vencedoras para o longo prazo”, avaliou Nascimento. Segundo ele, a idéia é que o investidor possa investir, por exemplo, em planos de previdência lastreados em Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B) com vencimento em 2035, ou em NTN-Bs com vencimento em 2050. Negociados pelo Tesouro Direto, esses papéis pagam juros mais a inflação do período do investimento, medida pelo IPCA.
Apesar do elevado saque de recursos no início de 2014, quando os aplicadores assustaram-se com a rentabilidade negativa de diversos fundos em razão da marcação a mercados, o segmento de previdência encerra o ano com crescimento de dois, como tem sido na última década. De janeiro a outubro, a arrecadação somou R$ 61,6 bilhões, avanço de 10,2% comparado ao mesmo periodo do ano anterior. Segundo estudo estatístico com um balanço de 2014 e perspectivas para 2015 divultado pela CNseg, a expectativa é de que a previdência encerre 2014 com crescimento de 11% e 2015 avance 10,5%. Para sustentar o crescimento previsto para o próximo ano, Nascimento afirma que a agenda da Fenaprevi está pautada na educação financeira e no relacionamento com os órgãos reguladores.
“Nosso obejtivo é trazer mais diversificação no portfolio de produtos para atender a diversidade de prioridades dos brasileiros, que têm metas de médio e longo prazo, como compra da casa, escolar do filho ou mesmo garantir a sucessão da empresa”, explica. Para isso, conclui, temos de ter uma carteira de investimento com títulos lastreados em diversos prazos e que tragam uma rentabilidade diferenciada. De acordo com ele, um dos focos da previdência é o segmento empresarial, principalmente, via tipificação de produtos com novas soluções como produtos de renda, VGBL saúde, com tributação diferenciada, e de universal life. No seguro de vida, segundo Nascimento, a manutenção de renda da população impulsiona o crescimento do setor.
Seguros gerais – Paulo Marraccini, presidente da FenSeg, destacou o crescimento das vendas de seguros gerais para pequenas e médias empresas e em 2015 seguirá num ciclo ascendente. “Nada contra os jornalistas, mas os jornais mostram muito mais a crise do que os avanços do Pais. Eu viajo muito, principalmente pelo interior do Brasil, e vejo muitas obras concluídas, em andamento e outras que estão prestes a começar. Esse é o motor que vai manter as vendas de seguros gerais em movimento”, afirma o executivo que faz parte também do conselho da Allianz. Do crescimento de 9% projetado para 2014, em 2015 o indicar recua um pouco, para 7,6%. Durante 2014, o grande destaque, segundo Marraccini, foi o habitacional e pequenas e médias empresas. Neival Rodrigues, diretor da Fenseg, destacou também a regulamentação dos desmanches em âmbito federal, previsto para acontecer até maio de 2015.
Saúde – Marcio Coriolano, presidente da Fensaúde, destacou o crescimento da saúde suplementar. Com receitas abaixo apenas do segmento de previdência, a saúde suplementar deverá encerrar 2014 com faturamento de R$ 52 bilhões. Para 2015, a expectativa é crescer 15,8%, para R$ 60,8 bilhões. Boa parte do incremento é creditado a venda de planos de saúde para pequenas e médias empresas, que manterá sendo o foco das companhias para o próximo ano, assim como os programas de prevenção. “Todos buscam reduzir custos num momento de crise e esse foco se manterá tanto em nossos clientes, para que não arquem com contas ainda maiores, como das operadoras de saúde com sua base de fornecedores e também internamente”, comentou Coriolano.
Capitalização – O presidente da Fenacap, Marco Barros, afirmou que capitalização apresentou um percentual menor de crescimento, em virtude de 2014 ter sido um ano com outras prioridades para a população de menor renda, como a Copa do Mundo. “Estamos trabalhando no desenvolvimento de novos produtos para 2015, mas mesmo assim nossa expectativa de crescimento é modesta”, comentou.
Barros foi o porta-voz da “van premier” da nova do setor dentro do Programa Nacional de Apoio ao Trânsito, que será lançado no dia 16 de dezembro. O tom da campanha é “Se Liga” e visa conscientizar a sociedade que é preciso estar mais atento ao trânsito. Em 2013, como mostra os números do DPVAT, mais de 634 mil pessoas sofreram acidentes em 2013. “A legislação trata das questões como dirigir embriagado ou para quem utiliza celular. Nós vamos tratar da conscientização do condutor para diminuir os riscos. Temos que investir na educação infantil e nos jogos virtuais, além de simuladores que mostram os efeitos de uma colisão a 15 quilômetros por hora”, comentou Barros.
Números em destaque
150 mil empregos diretos
82 mil corretores de seguros
17 empresas de capitalização
48 seguradoras em beneficios
1.258 empresas em saúde suplementar
118 empresas de seguros gerais
16 resseguradoras locais
R$ 744 bilhões em investimentos até outubro de 2014
R$ 557 bilhões em reservas técnicas até outubro de 2014
R$ 117,7 bilhões em patrimônio líquido
Em tempo: as estimativas podem ser revisadas de acordo com o desempenho da economia brasileira, informa o rodapé da tabela dos dados estatísticos apresentados pela CNseg.
O último almoço do ano do Clube dos Corretores de Seguros de São Paulo (CCS-SP) foi realizado no dia 2 de dezembro, no Circolo Italiano, com a participação especial do presidente da Bradesco Seguros e da Confederação Nacional das Empresas de Seguros (CNSeg), Marco Antonio Rossi, que veio acompanhado do diretor Marco Antonio Gonçalves e de outros executivos da seguradora. Rossi trouxe uma mensagem otimista aos corretores de seguros em relação às oportunidades de negócios para os próximos anos, mas alertou sobre alguns desafios que precisam ser discutidos no presente, como a venda de seguros por meios remotos.
O bom desempenho do mercado de seguros nas últimas duas décadas, período em que saltou de 1% de participação no PIB para aproximadamente 6%, mais recentemente, traz ao presidente da Bradesco a certeza de que a atividade continuará em expansão. “No futuro, nenhum outro setor tem condições de ser melhor que o de seguros”, afirmou. Rossi citou o bom posicionamento do seguro na economia, que já ocupa a 12ª colocação no ranking global de participação no PIB, reconhecendo que ainda é preciso avançar no ranking mundial de consumo de seguros per capita, em que o país figura no 43º lugar.
“O brasileiro ainda compra pouco seguro. Mas, olhando para o futuro, não tenho dúvida de que as oportunidades para avançarmos são excepcionais e o cenário é espetacular”, disse. Até porque, segundo ele, existem muitas oportunidades de novos negócios em ramos que ainda não atingiram todo o seu potencial. “Existem 3 milhões de pequenas empresas que não possuem nenhum seguro; 152 milhões de brasileiros que não têm plano de saúde; 38 milhões de veículos que não estão segurados; 125 milhões de pessoas sem seguro de vida; 182 milhões que não têm plano odontológico; e, ainda, 58 milhões de residências que precisam de seguro. Há um mundo de oportunidades a serem aproveitadas”, disse.
Embora o segmento de corretagem tenha expandido sua atuação para além do seguro automóvel, Rossi considera que é possível conquistar novos negócios em diversos outros ramos, partindo, inclusive, da própria base de clientes. “Existem oportunidades de expansão, mas ainda temos uma força de venda pequena em relação a determinados produtos. Não apenas os corretores, mas também as seguradoras poderiam investir no cross-sell”, disse. Neste ponto, o mentor do CCS-SP, Adevaldo Calegari, reforçou: “Nós, corretores, às vezes temos clientes com um único risco, mas que poderiam ter muito mais. Vale à pena repensar isso”, disse.
Seguro e governo
Na visão de Rossi, o setor de seguros conquistou mais prestígio junto ao governo, ampliando seu espaço para interlocução, além de assumir sua condição de parceiro. “O setor é por natureza a primeira PPP, porque atua em áreas que o Estado não consegue alcançar a todos, como saúde e previdência”, disse. O aumento da expectativa de vida da população e o envelhecimento acelerado são transformações da sociedade brasileira que, em sua opinião, criam oportunidades de atuação do setor de seguros.
Nesse contexto de mudanças, Rossi citou o exemplo da Bradesco Seguros, que além de realizar aquisições e fusões com empresas de diversas áreas (odontologia, tecnologia, serviços etc.), também adotou novo modelo de atuação. Concebido em 2013 e efetivado neste ano, o modelo promove a integração comercial de todas as dependências e operações da seguradora no país, com base na visão única do cliente. “Hoje, temos uma equipe especializada que só atende corretores e as sucursais, antes divididas por áreas, agora oferecem atendimento para todos os produtos”, disse.
Desafios
Rossi não duvida que o mercado de seguros avance muito nos próximos anos, mas reconhece que existem desafios. “Precisamos discutir sobre como nos adaptar às transformações da sociedade, principalmente, em relação ao uso de tecnologias”, disse. Em sua opinião, a compra de seguros nos próximos anos, principalmente de produtos massificados e mais simples, será predominantemente por meios remotos, sobretudo por celular. “Sempre digo que o celular mudou a vida das pessoas e mudará também a do mercado de seguros”, disse.
Ele citou o exemplo do banco Bradesco, que no final de novembro havia atingido a marca recorde de 12 milhões de transações por meio de celular, superando o patamar do mês anterior, de 9 milhões. “Talvez, em 15 dias já tenhamos atingido 15 milhões de transações. Então, como vamos nos adaptar a essa transformação da sociedade? Temos de transformar esse desafio em oportunidades de negócio”, observou.
Homenagem
O mentor Calegari reservou uma parte do evento à homenagem especial que o CCS-SP dedicou ao seu ex-mentor Luis López Vázquez, atual presidente da APTS. Rossi fez a leitura dos dizeres da placa que foi entregue por Calegari. “Um dos sentimentos mais bonitos é o da gratidão. A nossa gratidão a este nosso amigo que tanto fez pelo mercado”, disse Calegari. Em breve discurso, Vázquez, agradeceu à entidade a honraria recebida.
Um jato executivo da Embraer (modelo Phenom 100) caiu em uma casa Condado de Montgomery, no estado norte-americano de Maryland. Segundo um oficial do Corpo de Bombeiros, ao menos três pessoas que estavam a bordo morreram.
O porta-voz do Corpo de Bombeiros local, Pete Piringer, afirmou que informações preliminares indicam que ao menos três pessoas estavam a bordo e não sobreviveram ao acidente, que atingiu uma casa em Gaithersburg, um subúrbio de Washington DC.
Segundo Piringer, o jato atingiu uma casa e o acidente causou um incêndio em outras duas. O fogo já está controlado e eles estão buscando pessoas que poderiam estar nas casas.
Um porta-voz da Agência Federal de Aviação (FAA, em inglês) dos Estados Unidos afirmou que o jato EMB-500, da Embraer, estava se aproximando do pequeno aeroporto do condado. O Conselho Nacional de Segurança no Transporte está mandando uma pessoa ao local para investigar o acidente.
A Yasuda Marítima, subsidiária do Grupo Sompo Japan Nipponkoa, lança a partir desta segunda-feira, dia 8 de dezembro, seu novo site institucional. Agora, ao acessar www.yasudamaritima.com.br, o usuário passa a contar com todos os serviços e informações disponíveis num único espaço, que substitui os sites da Yasuda Seguros e Marítima Seguros.
O novo site integrado foi desenhado de maneira a permitir uma navegação mais fácil e rápida. Com um visual moderno, categorizado por cores e navegação amigável, também foi totalmente estruturado com objetivo de facilitar o acesso às informações e a busca por assunto. Dessa forma, o usuário pode encontrar a informação ou acionar o serviço de que necessita sem acessar diferentes páginas.
O site já contempla num único espaço o acesso aos portais específicos de cada público: Corretor, Segurado, Prestador de Serviços, Assessorias de Seguros, Transportes (Concessionários, Transportes e Averbação Transporte), além do Portal Yasuda Marítima Saúde, voltado às Empresas Seguradas, aos Segurados e aos Prestadores de Serviço desse ramo.
Por meio do site é possível efetuar uma busca que indica os corretores cadastrados, centros automotivos, filiais ou postos de vistoria mais próximos do consumidor. Com número de apólice e CPF, o segurado acessa os dados referentes ao seu seguro, tira dúvidas e endereça solicitações e documentos com segurança e conforto. Também é possível consultar toda a Rede Referenciada da área de Saúde, acompanhar as novidades e notícias da companhia, bem como verificar os descontos disponíveis nas redes parceiras do Clube de Benefícios Yasuda Marítima.
Integração
A iniciativa faz parte da estratégia de integração das marcas e acontece após a aprovação definitiva pela SUSEP – Superintendência de Seguros Privados da incorporação da Yasuda Seguros pela Marítima Seguros. Dentro do processo de integração, a Yasuda Marítima também já lançou sua página no Facebook (http://www.facebook.com/yasudamaritimaseguros?fref=ts), no ar desde outubro, assim como Linkedin e Twitter.
Entre janeiro e outubro desse ano, o faturamento global do setor de capitalização registrou um crescimento de 5,13% em relação ao mesmo período de 2013, atingindo os R$ 18 bilhões. Os dados da Federação Nacional de Capitalização (FenaCap) comprovam que o título de capitalização continua sendo uma opção atraente para quem pretende guardar dinheiro e, ao mesmo tempo, concorrer a prêmios. Ser sorteado e poder realizar sonhos é uma grande motivação para economizar e manter uma reserva financeira. No período, os prêmios distribuídos em sorteios ultrapassaram R$ 1 bilhão, o que representa um aumento de 20,55% em relação ao mesmo período do ano passado. O montante equivale ao pagamento de R$ 5,3 milhões a clientes contemplados por dia útil. A região Sudeste concentrou o maior volume de prêmios distribuídos, R$ 456,9 milhões pagos a clientes dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais.
O volume das reservas técnicas – valores acumulados pelos clientes que serão devolvidos sob a forma de resgates – cresceu 14,2%, atingindo a marca de R$ 29,3 bilhões. E os valores das economias feitas pelos clientes, devolvidos ao fim do prazo de capitalização, atingiram R$ 12 bilhões, registrando um aumento de 14,66% em relação ao mesmo período do ano passado.
“A chegada do fim do ano, com a entrada de dinheiro extra do 13º salário, é um bom momento para pensar em organizar o orçamento familiar. Com o título de capitalização, o consumidor tem o estímulo dos sorteios para economizar. Além de fazer uma reserva financeira, que resgata ao fim do prazo de vigência, participa dos sorteios, com chance de antecipar sonhos e projetos de vida”, diz Marco Antonio Barros, presidente da FenaCap.
O “Prêmio Sinal Livre de Mobilidade Urbana”, ação da Lynx Consultoria em parceria com a Liberty Seguros e o Projeto Sinal Livre, já tem seus finalistas. Com o tema “Como a sua iniciativa contribui para uma cidade ideal?”, a ação registrou 47 projetos inscritos, sendo as ações classificadas “Calçadas do Brasil”, “Fairbikes – Faça estas bicicletas aparecerem!”, “Que ônibus passa aqui?”, “SampaPé!” e “Time Mob SP”.
Os projetos finalistas ficar disponíveis no site www.premiosinallivre.com.br para voto popular, onde ficarão até a próxima quinta-feira (11). Os internautas precisarão se cadastrar no site para votar, garantindo um único voto por pessoa, de acordo com o CPF.
Os cinco finalistas participarão do evento de premiação, que será realizado no dia 18 deste mês. Durante o encontro, aberto apenas para convidados, também haverá um debate para promover a discussão sobre os caminhos e tendências para uma cidade ideal. O vencedor receberá R$ 10 mil para investir em seu projeto.
“A premiação, além de reconhecer a importância da causa, é um estímulo para que o projeto possa ser ampliado e até mesmo reproduzido em outros locais onde há a necessidade ações de iniciativa de mobilidade”, explica Karina Louzada, superintendente de Comunicação e Marca Institucional da Liberty Seguros.
O “Prêmio Sinal Livre de Mobilidade Urbana” tem como principal objetivo a difusão de boas práticas para estimular o engajamento e a conscientização dos brasileiros para uma locomoção mais segura ancoradas nos pilares da mobilidade verde, fluidez e segurança no trânsito.
Paz, amor, emoção, alegria, Natal, família, felicidade e beleza são apenas algumas das palavras que descrevem o sentimento dos entrevistados pelo Instituto GPP durante a inauguração da 19ª Árvore de Natal da Bradesco Seguros – a maior árvore de Natal flutuante do mundo, segundo o Guinness Book of Records – em 29 de novembro, na Lagoa Rodrigo de Freitas.
Para 64% dos entrevistados, o grande momento da inauguração é presenciar o acendimento da Árvore. Outro dado relevante é que, a cada ano, um novo público prestigia o evento. Nesta edição, 52% assistiram ao espetáculo pela primeira vez.
Entre os entrevistados, 86% identificam a Bradesco Seguros como patrocinadora e 83% consideram que a iniciativa impacta a marca positivamente. De acordo com o instituto, 90% dos entrevistados avaliaram positivamente o evento como um todo e pretendem voltar no próximo ano, e 81% dos consultados recomendariam o evento para familiares e amigos.
O GPP identificou, também, que cerca de 90% dos entrevistados eram moradores do Rio e Grande Rio, sendo a maioria de bairros da Zona Sul e Zona Oeste. Deste percentual, 69% estavam acompanhados de suas famílias. Como em anos anteriores, 44% das pessoas prestigiaram o evento usando transporte público, deixando o carro em casa. Uma forma de conscientização da população com a mobilidade urbana.
Quando criança, sempre imaginei em ter uma máquina do tempo, onde pudesse viajar e descobrir como seria nossa sociedade, em um futuro não tão distante. Mais recentemente, voltei com estes pensamentos, mas traçando um paralelo com o mercado onde atuo e sempre atuei e decidi transcreve-los. Considerando as tendências sociais, econômicas e tecnológicas, o mercado de seguros em 2030 será completamente diferente.
As seguradoras, que serão em menor número do que as que existem atualmente, atuarão puramente como gestoras dos fundos de risco, zelando pela sua solvência e resultados. Todo o resto da cadeia, sendo a distribuição, os serviços agregados e benefícios serão feitos por empresas separadas, que até poderão pertencer às seguradoras, mas terão vida independente.
O processo de contratação passará por profunda transformação e nada se lembrará do modelo atual. O segurado não irá preencher questionários de avaliação e as seguradoras não irão fazer análises de risco e emitir propostas ou cotações. Com o volume de dados cada vez mais disponível, as seguradoras já terão acesso a todas as informações necessárias (e até as desnecessárias) para a tomada e formalização do risco. O atual certificado de cobertura em papel será substituído por aplicativos e sistemas específicos voltado para multimídias, onde os segurados poderão acessar e acionar o seguro de forma online. Lembrando que a internet será muito mais rápida, estável e acessível.
O pagamento do seguro será feito por moedas digitais ou cartão de crédito.
Outra característica importante será o monitoramento em tempo real do risco pela seguradora. Ou seja, quando uma pessoa utilizar seu carro “eco automatizados ”, a seguradora saberá onde está rodando o veículo, se a região é propensa a sinistros, se possui alto índice de roubo ou se é uma estrada perigosa, propensa a acidentes e até mesmo saber e informar de que forma com que o veículo está sendo conduzido está agravando o risco, por exemplo, se o motorista está a 200 km/h em uma via com pista molhada, se os freios estão desgastados e precisam ser trocados, se a calibragem dos pneus está desregulada ou se o carro está dentro do subsolo de um estacionamento vigiado.
Da mesma forma, as mercadorias sairão da linha de produção de impressoras 3Ds devidamente seguradas e monitoradas pela seguradora durante todo o período de transporte, assim como o andamento de obras, os sistemas de segurança das casas inteligentes e fábricas auto sustentáveis, ou seja, dentro deste novo mundo interconectado que teremos em 2030, o mercado segurador se beneficiará fortemente, integrando de forma permanente no dia-a-dia do segurado.
Inclusive nos seguros de pessoas, a seguradora poderá obter informações muito mais precisas e até se antecipar se o segurado estiver em situação de perigo, que possa acarretar em acidentes ou mesmo morte.
A classificação de ramo de seguros como existe hoje também cairá em desuso e existirá o risco e a sua respectiva cobertura e as seguradoras, inclusive, serão capazes de informar, em tempo real, se o evento experimentado pelo segurado foi passível de cobertura ou não.
Para cada risco haverá inúmeras opções digitais de serviços de prevenção de perdas , de assistência e até mesmo de antecipação de sinistros para os segurados, com o objetivo de evitar a experiência de um sinistro e logicamente evitar ou mitigar perdas. Assim, as relações com os segurados serão muito mais transparentes e recíprocas, fazendo com que a instituição seguro ganhe ainda mais relevância para empreendedores e cidadãos.
Com relação aos corretores de seguros, permanecerá o papel de principal distribuidor, mas os trabalhos burocráticos e o apoio no processo de contração e pagamento não serão mais tão necessários e a participação dos corretores neste cenário será a de agregador dos seguros e serviços disponíveis, inclusive com produtos de marca própria.
Finalmente, ressalto que erros em previsão são muito normais, inclusive muito mais factíveis que o próprio acerto e a minha pretensão, muito mais que acertar o futuro ou descrever um cenário perfeito, é convidar a todos que trabalham no mercado segurador a pensar no futuro desta indústria, pois além de divertido pode ser uma ótima oportunidade de inovação e transformação.
Reportagem da revista Exame coloca Marco Antonio Rossi, presidente da Bradesco Seguros e da CNseg, como principal candidato na linha de sucessão de Luiz Carlos Trabuco, cotado para deixar a presidência executiva para assumir o posto de Lázaro Brandão, na presidência do Conselho do Bradesco.
Fonte: Revista Exame
por Giuliana Napolitano
O CARGO DE MINISTRO DA fazenda é o segundo mais poderoso da República. É a consequência lógica de nossa estrutura econômica, em que o Estado sufoca a sociedade, que tenta se virar para gerar as riquezas que vão, ao fim do processo, sustentá-lo. O governo federal acumula tantas atribuições que o chefe da Fazenda acaba sendo o chefe da economia – suas canetadas, afinal, podem selar o destino de setores inteiros.
Como, então, Luiz Carlos Trabuco, o presidente do Bradesco, disse “não” ao convite para assumir o posto? Estamos no terreno da especulação, já que ele não fala no assunto, mas hoje Trabuco – mesmo no auge da carreira, mesmo com sua situação financeira resolvida para todo o sempre – não é mais dono de seu destino. Aos 63 anos, ele está nos estágios finais de sua formação para suceder a maior lenda do mercado financeiro nacional. Lázaro Brandão, o senhor de 88 anos que comanda, até hoje, o segundo maior banco privado do país. Só quem conhece a cultura criada por Brandão consegue entender: Trabuco não poderia mesmo dizer “sim” a Dilma Rousseff. Um processo tão aguardado, tão calculado e tão sensível que não poderia ser posto em segundo plano por um cargo em Brasília. Por mais poderoso que seja.
O processo sucessório ganhou clareza em março deste ano, quando Trabuco assumiu o cargo de vice-presidente do conselho de administração. Ali, Brandão dava um sinal aguardado há anos: quem ele escolhia como seu provável sucessor. Mas que ninguém confunda a escolha com qualquer pressa para efetivá-la. Há 72 anos no Bradesco, onde começou a trabalhar numa agência em Marília, no interior de São Paulo, “seu” Brandão, como é chamado por funcionários e altos executivos do banco, é, no papel, o presidente do conselho de administração. Na prática, é o mais próximo de um dono que o grupo tem. Hoje, o controle da instituição é dividido entre executivos, conselheiros e herdeiros de Amador Aguiar, fundador do banco. Juntos, eles têm 38% do capital. A fatia de Brandão não é divulgada, mas pessoas próximas estimam que não chegue a 1%. Graças ao peculiar modelo de gestão do Bradesco, porém, essa pequena participação tem sido suficiente para dar a ele a palavra final em todas as decisões estratégicas. Desde que assumiu o conselho, em 1990, após o afastamento de Amador Aguiar, que faleceu em 1991, ninguém, nem os herdeiros, nem outros executivos, nem investidores, teve interesse em mudar isso. “Somos como um monolito”, diz Brandão. “Os funcionários trabalham pelo conjunto, e o grande objetivo é preservar nossa cultura e a consistência que temos ao executar tarefas e nos posicionar no mercado.”
Tudo indica que caberá a Trabuco a função de preservar a cultura de que fala Brandão. O Bradesco se tomou um dos maiores bancos do Brasil apoiado num modelo de gestão que, na teoria, tem tudo para dar errado. E quase uma anticartilha da “gestão moderna”. A hierarquia é rígida, a rotina é pouquíssimo flexível (conseguir emendar um feriado é uma vitória) e o tempo de casa pesa nas promoções. Entre os 18 vice-presidentes e diretores executivos, apenas um está no banco há menos de dez anos – oito são funcionários desde a década de 70, e outros cinco, desde os anos 80. Além disso, a remuneração variável dos executivos parece mais um programa de participação nos lucros do que uma política antenada de bônus. Os profissionais só recebem algum extra quando os resultados do banco superam as metas, e o valor é igual para todos de um mesmo nível hierárquico – com raras exceções, não há recompensas se as metas individuais forem cumpridas. “Há um aspecto religioso na gestão do banco, de que o homem se realiza pelo trabalho”, diz Antonio Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda.
As linhas centrais desse modelo de gestão foram criadas por Aguiar, mas aprofundadas por Brandão e, no modelo imaginado por ele, terão de ser preservadas por quem sucedê-lo. Pelo estatuto do banco. Trabuco terá de sair da presidência executiva em 2017, logo após completar 65 anos – depois disso, poderia ficar apenas no conselho, como Brandão. Assim, também está em curso um processo que vai definir seu sucessor. Hoje, o nome que encabeça a lista de cotados para o cargo é o de Marco Antonio Rossi. Há 33 anos no Bradesco, ele foi promovido a presidente da seguradora do grupo em 2009, quando Trabuco deixou o posto para assumir o banco.
Executivos de outras instituições dificilmente se adaptam a esse esquema. Nem o conselho de administração tem membros realmente independentes. As cadeiras são ocupadas por ex-funcionários, herdeiros de Amador Aguiar e, agora, por Trabuco. E Brandão não pretende mudar isso. “Um integrante externo, mesmo que seja qualificado, tem uma atuação mais restrita. Os egressos do nosso quadro são mais habilitados para avaliar nossas ações”, diz ele. “Em tese, o Bradesco vai contra todos os manuais de boa gestão”, diz Jorge Maluf, sócio especializado em finanças da consultoria Korn Ferry. “Mas o fato é que funciona.” Sob a gestão de Lázaro Brandão, o Bradesco se tomou um dos bancos mais robustos do mundo. A carteira de crédito aumentou mais de 100 vezes. O lucro, que não chegava a 150 milhões de dólares em 1981, quando ele assumiu a presidência executiva, atingiu 6 bilhões de dólares em 12 meses. O número de agências passou de 970 para cerca de 4 700, e o grupo fez em tomo de 20 aquisições, de bancos (como o BCN e o BMC), de gestoras, da bandeira de cartões American Express e da corretora Ágora. Também sobreviveu a sete planos econômicos e a cinco mudanças de moeda, enquanto concorrentes de peso, como Bamerindus, Econômico e Nacional, sucumbiram.
Nada disso é fruto de grandes malabarismos. Ao contrário. A marca do Bradesco sempre foi mudar quando preciso, mas de forma conservadora – mesmo quando significava deixar a concorrência passar na frente. Foi uma das últimas instituições a dividir os clientes por perfil de renda, há pouco mais de dez anos. “Brandão resistiu porque achava que ia contra a filosofia original do banco, de valorizar os pequenos poupadores e tratar todos os clientes da mesma forma. Depois de um tempo, foi convencido pelo Márcio Cypriano (ex-presidente do Brades)”, diz um antigo vice-presidente. Em outros pontos, ele não foi convencido. Até hoje, não abre mão de manter o controle dos bancos comprados, sem mexer na estrutura de comando do Bradesco. Essa foi a principal razão que inviabilizou – mais de uma vez – a compra do Unibanco. Na década de 70, Amador Aguiar e Walther Moreira Salles, então presidente do Unibanco, assinaram um protocolo de fusão das duas instituições, mas a possibilidade de ter de fazer concessões levou Aguiar a desistir do negócio. O Unibanco acabou se associando ao Itaú em 2008 – o arquirrival se tornou o maior banco privado do país, posto que havia sido do Bradesco por quase 60 anos. A notícia foi dada a Brandão, por telefone, por Carlos Pestana, na época presidente do conselho do Itaú. “Disse: ‘Façam bom proveito’. O modelo de gestão que o Itaú e o Unibanco adotaram não funcionaria aqui”, diz Brandão.
Por mais que os executivos do Bradesco tentem minimizar o fato, perder a liderança foi um tremendo baque. Alguns funcionários choraram ao receber a notícia. Outros ficaram sem saber o que dizer aos clientes e aos subordinados. “A sensação era de perda de identidade”, diz um ex-diretor. “Até hoje eles pensam em como dar o troco.” Por enquanto, o troco veio essencialmente na forma de crescimento orgânico, com a abertura de agências e a captura de clientes nos cafundós do país. Hoje, o banco tem mais agências do que o Itaú e instalou postos de atendimento em dois barcos que percorrem povoados na Amazônia – mudanças que ajudaram a diminuir a diferença de tamanho entre os concorrentes (veja quadro na pág. 132). O Bradesco não comenta, mas executivos de mercado dizem que o banco continua avaliando aquisições, inclusive de grandes instituições, como o Santander no Brasil.
Muitos executivos do setor financeiro são conhecidos pela agressividade. Faz parte da egolatria típica do mundo das finanças o desejo de ter esse tipo de fama. Brandão é descrito como um sujeito paciente, cuidadoso e disciplinado. Prefere pedir em vez de sair dando ordens e nunca – pelo menos de acordo com quase duas dezenas de pessoas ouvidas para esta reportagem – levanta a voz. “Ele faz questão de mostrar simplicidade”, diz Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central. Talvez a característica se deva a suas origens. Aos 16 anos, pouco antes de começar no Bradesco, o sonho de Brandão era trabalhar no Banco do Brasil. Filho de uma dona de casa e de um administrador de fazendas, ele chegou a fazer um cursinho para se preparar para o concurso do BB. Enquanto esperava o banco estatal abrir vagas, aceitou a sugestão de um parente e foi trabalhar na Casa Bancária Almeida, instituição fundada em Marília que deu origem ao Bradesco. Entrou em 1942 como escriturário, responsável por ajudar a contabilizar a movimentação financeira da agência. Meses depois, seu primeiro chefe fez a seguinte avaliação de seu trabalho para a direção: “Funcionário de futuro. Apesar de sabermos que essa matriz não estuda aumentos de vencimento nesta época, tomamos a liberdade de solicitar para este funcionário, visto que o mesmo só pode se manter com muita dificuldade”.
Com o tempo, o comportamento de Brandão virou o padrão a ser seguido no banco. A imagem a ser passada é a de que o trabalho vem antes de tudo. Espera-se que todos os altos executivos e conselheiros cheguem ao banco às 7 da manhã e fiquem lá até a noite. Muitas vezes, almoçam na sede da instituição, em Osasco, na Grande São Paulo, com clientes ou investidores. Trabalham juntos, numa mesma sala, e tiram férias no seguinte esquema: duas semanas no primeiro semestre e duas semanas no segundo. Têm hobbies discretos – a maioria é dona de fazendas ou imóveis -, desde que não atrapalhem o dia a dia no banco. Brandão tem uma fazenda em Itatiba, no interior de São Paulo. Já plantou café, criou gado leiteiro e, hoje, cultiva eucalipto. Há cerca de sete anos, ele decidiu fazer aulas de alongamento e equilíbrio com um personal trainer em seu apartamento, no bairro do Itaim, em São Paulo. Começou nas férias, gostou e resolveu continuar. Mas havia um problema: para conseguir chegar ao banco às 7, teria de começar a aula às 5 da manhã, e o personal trainer, segundo o relato de um conhecido, achou cedo demais. Depois de alguma negociação, ambos concordaram com 5h45, três vezes por semana. “Nesses dias, chego ao banco às 7hl5”, diz Brandão.
Descontada a parte que é puro teatro, há elementos desse modelo que existem porque ajudam os negócios. O fato de executivos e conselheiros darem expediente lado a lado, todos os dias, no mesmo horário facilita a análise de temas que, na maioria das companhias, precisaria esperar a próxima reunião do conselho para entrar em pauta. “A cúpula está sempre disponível para discutir, e isso dá agilidade às decisões. E assim há anos”, diz Alcides Tápias, ex-vice-presidente do Bradesco, onde trabalhou por 40 anos. Na época de Amador Aguiar, os diretores sentavam todos juntos numa mesma mesa, o “mesão”, que não tinha gavetas, dizia Aguiar, “para não acumular papel”. Um exemplo de agilidade foi a reação à perda da licitação para operar o Banco Postal como parceiro dos Correios em 2011. Para continuar atuando em municípios em que só estava presente por meio do Banco Postal, o Bradesco saiu abrindo agências – em seis meses, inaugurou 1000 filiais, o equivalente ao total, somado, de HSBC e Citi no Brasil.
Ao planejar a sucessão, o Bradesco tem uma vantagem em relação aos concorrentes, na opinião de analistas: não precisa de um “camisa 10”. “O banco tem uma estrutura de formação de executivos: recruta jovens, treina durante anos e vai promovendo os que se destacam”, diz um profissional de mercado. Trabuco segue esse padrão. Em alguns aspectos, mimetiza a carreira do chefe. Começou a trabalhar no banco aos 17 anos, como escriturário numa agência de Marília (exatamente como Brandão). Foi subindo até que se tornou presidente da Bradesco Seguros em 2003. Sua gestão chamou a atenção de Brandão pelo desempenho – com as mudanças que fez, reorganizando diretorias e aumentando a eficiência da empresa, a seguradora passou a responder por mais de um terço dos resultados do banco – e pela postura adotada por Trabuco, segundo pessoas próximas. Bem-humorado e cordial, gosta de mostrar que é um sujeito de hábitos simples. Às vezes, exagera – é mais provável ouvido dizer que assistiu ao último programa do apresentador José Luis Datena do que comentar o trabalho dos filósofos que admira desde a faculdade (ele é formado em filosofia na Universidade de São Paulo e tem pós-graduação em psicologia). Ao comentar algum aspecto do mercado financeiro nacional, não é raro fazer a ressalva de que seu conhecimento é limitado. Quando fala sobre sua carreira no banco, diz que sua ascensão é fruto de um “processo evolutivo” e que tenta sempre dar o melhor de si mesmo. Em qualquer outro lugar soaria meio ridículo o excesso de humildade. Mas é 100% Bradesco.
Promovido à presidência em 2009, Trabuco tinha a missão de fazer “mudanças com continuidade”, frase que repetiu à exaustão quando assumiu. Reorganizou a diretoria – profissionais com décadas de casa deixaram o banco – e criou um programa de treinamento em faculdades de ponta no exterior, como Harvard e Colúmbia (o primeiro da história do Bradesco). Além disso, coordenou a expansão do banco entre clientes de baixa renda e, mantendo o conservadorismo tradicional, evitou que a instituição tivesse os graves problemas de inadimplência que o Itaú enfrentou. “O Bradesco, por ter mais experiência em emprestar para os mais pobres, soube administrar melhor a forte expansão do crédito na última década”, diz William Landers. administrador de ativos na América Latina da BlackRock, maior gestora de recursos do mundo. Isso ajuda a explicar por que as ações do Bradesco subiram mais nos últimos dez anos: a alta média foi de 16% ao ano, já descontada a inflação, enquanto os papéis de Itaú e Banco do Brasil valorizaram 11%, segundo a consultoria Economatica. Em períodos mais longos, a valorização do Itaú é maior, e os analistas atribuem isso ao fato de o banco ser mais rentável do que o Bradesco. Brandão diz que a sucessão é “algo que vai se cristalizando” e que será “importante para manter a continuidade”. Para ele, quanto menos surpresas, melhor.
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