Febraban assume compromisso público com Justiça paulista para reduzir volume de processos

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A Federação Brasileira de Bancos – FEBRABAN assina nesta terça-feira (02/06) compromisso público com o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ/SP) visando reduzir o número de processos em tramitação no Estado. É o primeiro acordo do setor bancário no âmbito do projeto Empresa Amiga, criado em fevereiro pelo Tribunal Paulista, e que conta com a participação de oito bancos: Banco do Brasil, Bradesco, BNP Paribas, Banco Volkswagen, HSBC, Itaú-Unibanco, Santander e Votorantim.

Pelo acordo, as instituições financeiras assumem o compromisso de diminuir em 3% o número de ações movidas contra os bancos que chegam ao Judiciário e ou os estoques nos próximos 12 meses – tomando como base de comparação a média dos últimos quatro anos. São, em boa parte, ações revisionais de taxas de juros e decorrentes de relações de consumo.

“O setor bancário tem investido constantemente nos canais de atendimento ao consumidor (SAC – Serviços de Atendimento ao Consumidor e Ouvidorias) e buscado soluções para aperfeiçoar os processos de esclarecimentos e resolução de conflitos no que tange ao relacionamento entre clientes e bancos”, afirma Murilo Portugal, presidente da FEBRABAN. De acordo com ele, prestar informações, orientar, esclarecer e assegurar transparência nos produtos, de forma ágil e eficaz, são desafios para um setor que incluiu novas camadas da população ao mercado bancário e estimulou o acesso de usuários à diversidade dos produtos e serviços financeiros oferecidos pelos bancos. Vale ressaltar que o índice de bancarização no Brasil passou de 51% em 2010 para 60%, em 2015.

Resultado desses investimentos contínuos nos canais de atendimento, é o baixo percentual do número de ações cíveis movidas pelos clientes bancários em relação ao total das demandas feitas em todos os canais de atendimento e de reclamações que não foram solucionadas: apenas 0,18% do total das demandas. Outro indicador relevante é o índice de resolutividade de reclamações dos principais bancos por meio do portal www.consumidor.gov.br, que é de 77%.

Hoje, estão em andamento mais de 100 milhões de processos em todo o País e, apenas na Justiça Estadual paulista, são 21 milhões. “O setor produtivo já incorporou novos valores, como a responsabilidade ambiental e a proteção das crianças. Por que não instituir como novo valor corporativo a responsabilidade judicial, baseado na opção por não recorrer ao Judiciário? Que tal considerar o grau de responsabilidade judicial de uma empresa no cálculo de seu valor, inclusive no mercado de capitais?”, argumenta o presidente do TJSP, José Renato Nalini.

Investimentos em atendimento

De fato, a evolução dos SACs e Ouvidorias tem contribuído, também, para desafogar órgãos de defesa do consumidor. Em 2014, os SACs de seis instituições financeiras (Banco do Brasil, Bradesco, Citibank, HSBC, Itaú Unibanco e Santander realizaram 30 milhões atendimentos. O número de consumidores que buscaram órgãos públicos como o Procon, registrou expressiva queda de 22%, na comparação com o mesmo período de 2013. A redução nas demandas do Bacen foi de 13%, e das ações judiciais, de 9%.

Isso significa que o setor bancário vem retendo em seus próprios canais as demandas de consumidores, quer sejam meros esclarecimentos ou reclamações.

Além dos canais de atendimento, os principais bancos do País aderiram a um sistema de autorregulação bancária, desenvolvido pelo próprio setor, com o propósito básico de criar um ambiente que permita aos bancos atuar de forma ainda mais eficaz, clara e transparente, em benefício de todos, consumidores, instituições financeiras e a sociedade como um todo.

ROE das resseguradoras fica em 13% no 1o. trimestre de 2015

O volume de resseguro cedido pelas seguradoras brasileiras (bruto de comissão) foi de R$ 2,23 bilhões nos três primeiros meses de 2015, aumento de 13,2% em relação aos R$ 2 bilhões apresentados no mesmo período de 2014, segundo uma prévia do estudo trimestral da resseguradora local Terra Brasis.

Neste mesmo critério, o IRB emitiu um volume de prêmio 121% maior do que o apresentado no mesmo período do ano anterior, as demais locais apresentaram um crescimento de 19%, enquanto o volume de resseguro emitido por resseguradoras estrangeiras caiu 39%.

O volume de resseguro aceito do exterior passou de R$ 15,27 milhões para R$ 75,93 milhões, um crescimento de 397%. A sinistralidade ficou em 70% e o combined ratio encerrou o período em 98%, contra 88% e 109%, respectivamente, do mesmo período do ano anterior. O resultado após impostos foi de R$ 193 milhões (R$ 128 milhões do IRB) tendo sido de R$ 44 milhões (R$ 49 milhões do IRB) no mesmo período de 2014.

Com estes números, o ROE (Return on Equity) anualizado do conjunto de resseguradores locais foi de 13,0% (17,9% para o IRB e 8,5% para o conjunto das demais resseguradoras locais), sendo que no mesmo período de 2014, o ROE foi de 3,6% (7,5% para o IRB e -0,8% para as demais resseguradoras locais).

AGCS lança nova edição do “Global Risk Dialogue”

A AGCS, do Grupo Allianz, lançou mais uma edição do estudo anual “Global Risk Dialogue”. O relatório analisa o desenvolvimento da resseguradora nos setores de aviação e marítimo, além de informações sobre o mercado de resseguro e cenário global da companhia. O estudo destaca ainda os 100 anos da parceria entre a Allianz e a indústria de aviação e os 21 lançamentos espaciais apoiados pela companhia em 2014.

Sobre o setor marítimo, o relatório avaliou a questão da recente introdução do maior porta-contêiner já construído (com 19 mil teus). A capacidade de carga e de transporte aumentou 1200% ao longo dos últimos 50 anos e de 80% em dez anos. Enquanto isso, a introdução dos chamados “navios inteligentes” podem aumentar a produtividade e segurança no futuro. No entanto, assim como apresentando oportunidades, essas novas tecnologias implicam frequentemente em desafios de riscos de naturezas diferentes, como os tratados no estudo.

Para download completo do relatório em inglês, acesse http://goo.gl/OOKBAC.

Corretora de seguros da Caixa pode captar R$ 600 milhões no primeiro IPO do ano

Fonte: Aline Bronzati, Estado de São Paulo

A corretora de seguros da Caixa Econômica Federal vai estrear no pregão da BM&FBovespa na próxima sexta-feira, reabrindo as ofertas de capital na bolsa brasileira, depois de um período de seca que durou sete meses. A operação chama a atenção não só por ser a primeira do ano, mas por ter despertado fortemente o interesse dos investidores. A demanda pela oferta pública inicial da Par Corretora chegou a R$ 5 bilhões, fazendo a empresa elevar o teto estipulado para compra da ação de R$ 11,60 para R$ 12,35, segundo apurou o ‘Broadcast’, serviço em tempo real da ‘Agência Estado’.

Com isso, a oferta inicial (IPO, na sigla em inglês) da companhia, que tem entre os sócios a Caixa e a GP Investimentos, pode ultrapassar os R$ 600 milhões, considerando o lote suplementar, correspondente a 10% do principal. O intervalo de preço inicialmente proposto ia de R# 11,25 a R$ 11,60.

A demanda em tomo de dez vezes a prevista inicialmente foi impulsionada, conforme fonte a par do assunto, não só pelo interesse do mercado, mas, principalmente, pelo fato de três investidores internacionais, não mencionados no prospecto, já terem indicado intenção em comprar cerca de 70% do IPO. “É um negócio de serviços, com geração de caixa, que paga dividendo e não está muito exposto à crise. A demanda surpreendeu”, diz a fonte.

Ontem, ao longo do dia, os bancos que assessoram a operação tentaram negociar com a gestora de recursos Gávea, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, para mudar o teto da faixa de preço. De acordo com o prospecto preliminar, a Gávea tinha se comprometido a “ancorar” a operação, comprando um valor equivalente a R$ 140 milhões. Se a precificação ficasse fora da faixa de preço indicada, a gestora não teria obrigação de realizar o investimento privado. Como os bancos e Gávea não chegaram a um acordo, o fundo não deve mais ancorar a abertura de capital. Procurada, a gestora não comentou o assunto até o fechamento da edição.

O segmento almejado pela Par Corretora é o Novo Mercado, de mais alto nível de governança corporativa da BM&FBovespa. Os coordenadores da oferta da Par são o Bradesco BBI, como líder, JPMorgan, BTG Pactuai, Credit Suisse e Itaú BBA

Os acionistas vendedores serão a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal, que possui 21,35% da Par; a Évora Fundo de Investimento em Participações (3,65%); e a Algarve, da GP Investimentos (17,70%). Após a oferta, independentemente da execução do lote suplementar, a Federação sairá da Par Corretora, enquanto a Évora reduzirá sua fatia para 1,79% e a Algarve, para 13,01%, em ambas as situações em considerar o lote extra. A Caixa não diminuirá sua participação, de 25% via Caixa Seguros e de 26% por meio da Par Participações.

Potencial. A expectativa é de que os papéis devem disparar em seu pregão de estreia, principalmente porque a empresa está inserida em um setor com potencial de crescimento. Apesar da economia fraca, o segmento de seguros registrou expansão de 224% no primeiro trimestre ante o mesmo período do ano anterior, totalizando R$ 42,5 bilhões em receitas, segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Além disso,também soma a favor o fato de a Par Corretora ter exclusividade de explorar o balcão da Caixa Econômica Federal para vender seguros.Aoter acesso ao balcão da Caixa, a empresa tem à disposição 78,3 milhões de clientes, sendo mais de 2,1 milhões de clientes pessoas jurídicas, conforme dados de dezembro, e acesso a 3.391 agências do banco, 13.250 agências lotéricas e 18.211 correspondentes bancários. No primeiro trimestre, a Par Corretora viu seu lucro crescer 85% na comparação com o mesmo período do ano anterior, ultrapassando mais de R$ 30 milhões no período. Seu patrimônio líquido era de R$ 114,1 milhões ao fim de março.

A operação da Par Corretora deve preparar o terreno para a esperada oferta bilionária da Caixa Seguros. Antes disso, o ressegurador IRB Brasil Re deve testar o apetite do mercado com uma abertura de capital de R$ 3,5 bilhões a R? 4bilhões, último passo para sua privatização. A bolsa brasileira não emplaca IPOs desde outubro do ano passado, quando a Ouro Fino, que atua no segmento de saúde animal.

Presidente da Prudential do Brasil assume Vice-Presidência na AmCham-Rio

fabio linsO Presidente & CEO da Prudential do Brasil, Fabio Lins, é o novo terceiro Vice-Presidente do Comitê Executivo da Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (AmCham-RJ). Este será o terceiro mandato de Lins na Câmara.

As principais atividades desenvolvidas pela AmCham Rio estão direcionadas ao fomento profissional de uma rede de networking com foco no relacionamento e no desenvolvimento de oportunidades de negócios entre os associados. A entidade está organizada em 11 comitês setoriais, com expertise na discussão de temas relevantes para cada setor.

“O papel articulador da AmCham é fundamental para alavancar os negócios e investimentos no país. Por meio dos seus Comitês, a Câmara também contribui para o desenvolvimento e intercâmbio de conhecimento entre os players.”, afirma Fabio Lins.

Seguros de pessoas crescem 21,91% em março de 2015

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O volume de contratação das coberturas de seguros pessoais em março de 2015 foi 21,91% superior em relação ao mesmo mês do ano anterior e somaram R$ 2,5 bilhões em prêmios (valor pago pelos segurados para manutenção de proteções para seus riscos), de acordo com dados da FenaPrevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida).

Em março de 2015, as seguradoras pagaram R$ 725,7 milhões em indenizações aos segurados e beneficiários, alta de 8,24% a mais em relação aos R$ 670,2 milhões pagos no mesmo mês do ano anterior.

Na análise por modalidade de produto, o seguro prestamista esteve entre as modalidades mais contratadas apresentando o maior crescimento relativo no mês de março. Os segurados pagaram R$ 724 milhões em prêmios, representando alta de 29,61% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Outra proteção que esteve entre as mais contratadas em março foi a de auxílio funeral, o qual prevê coberturas de despesas com sepultamento. O volume de contratação registrou expansão de 25,41% e os segurados pagaram R$ 93,6 milhões em prêmios.

O balanço da FenaPrevi mostra também que as contratações do seguro de vida, produto com maior representatividade no segmento de seguros de pessoas, cresceram 22,39% com R$ 1 bilhão de prêmios em relação a março de 2014.

Resultado no primeiro trimestre de 2015

No acumulado de janeiro a março, o volume de contratação das coberturas de seguros de pessoas, mercado que inclui produtos como seguros de vida, acidentes pessoais, seguro viagem, educacional, proteção financeira, entre outros, foi 11,58% maior que o verificado no mesmo período em 2014 e somou R$ 6,9 bilhões em prêmios. No primeiro trimestre, as seguradoras pagaram R$ 1,8 bilhão aos segurados e beneficiários.

Na análise por modalidade de produto, o seguro viagem esteve entre as modalidades mais contratadas apresentando o maior crescimento relativo no trimestre. Os segurados pagaram R$ 37,4 milhões em prêmios, representando alta de 24,88% em relação ao mesmo período do ano anterior. O auxílio funeral, por sua vez, também esteve entre as proteções mais contratadas no período. Os segurados pagaram R$ 93,6 milhões em prêmios, alta de 15,31%. Os dados do balanço da FenaPrevi mostram também que, no primeiro trimestre de 2015, a contratação dos seguros prestamista teve expansão de 14,05%, acumulando R$ 1,8 bilhão.

Redução dos custos em saúde é possível: experiências em mercados estrangeiros comprovam

marcio coriolanoRelease

O sistema de classificação de procedimentos médicos denominado Diagnosis-Related Group (DRG) – na tradução livre Grupo de Diagnósticos Relacionados – se fortalece como importante alternativa de balizador para a remuneração dos serviços médicos no Brasil, já apresentando resultados positivos de redução de custos entre as organizações que a adotaram em países estrangeiros. Resultados foram apresentados no seminário internacional Evolução dos Custos na Saúde Suplementar, realizado no último dia 28, em São Paulo, com apoio da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge) e do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS).

No encontro, o Insper divulgou estudo inédito com análise sobre o comportamento dos custos da saúde no Brasil, e especialistas da PwC expuseram análises sobre a adoção do sistema DRG em outros países, especialmente na África do Sul. No primeiro painel – a Evolução dos Custos da Saúde Suplementar no Brasil e no Mundo –, Paulo Furquim de Azevedo, coordenador do Núcleo de Regulação e Concorrência do Insper, discorreu sobre aspectos que o estudo apontou. Logo na abertura, ele destacou que o setor privado de saúde tem indiscutível importância social e econômica no país. “O valor gerado pela cadeia da saúde corresponde a um quarto do gerado pela indústria da transformação”, afirmou.

Segundo as conclusões, há forte tendência de crescimento dos custos em parte devido ao desenvolvimento, mas também em razão da ineficiência do sistema. O fator que mais impulsiona a escalada de preços é a introdução tecnológica, que, inversamente ao que ocorre em outros segmentos, na área da saúde, produz mais inflação. Isso porque há inovação de produtos, não dos processos.

Os efeitos da transição demográfica e epidemiológica, o aumento da renda per capita e as falhas de mercado, que se traduzem na falta de incentivos ao setor, também exercem forte influência na alta dos custos. Ele ressaltou que não há relação entre volume de gastos e qualidade de serviços. “Há países que estão fazendo mais por menos”, disse Paulo Furquim.

O setor de saúde deve ser tratado como centro de investimento, e não de custos

Também debatedor no painel a Evolução dos Custos da Saúde Suplementar no Brasil e no Mundo, Marcos Bosi Ferraz – Diretor do Grupo Interdepartamental de Economia da Saúde (Grides) da Escola Paulista de Medicina da Unifesp – afirmou que, no Brasil, vive-se um engano coletivo, que a esta altura já requer reinterpretação constitucional. “Hoje, talvez não seja mais possível dar tudo o que é necessário em saúde”, observou ele, referindo-se à oferta crescente de procedimentos e recursos médicos, que são introduzidos de forma acrítica às coberturas obrigatórias dos planos de saúde – muitas deles indisponíveis para cidadãos que recorrem ao sistema público.

Em sua exposição, Marcos Bosi Ferraz defendeu que os beneficiários de seguros e planos de saúde precisam ser responsabilizados nesta cruzada pelo combate à alta dos custos – ou seja, devem assumir a posição de fiscais do uso dos planos e da atuação dos profissionais médicos. “O setor de saúde deve ser tratado como centro de investimento, e não como centro de custos”, analisou.

Sistema DRG levou cinco anos e requer atualização constante

O segundo painel do seminário tratou da implantação do sistema DRG na África do Sul. Sam Rossolinos e Etienne Dreyer, ambos diretores de Healthcare da PwC no país africano, explicaram como ocorreu a implantação do sistema, processo que demorou cinco anos. “Somos um país como o Brasil, ainda em desenvolvimento. Tivemos resistência no início, mas é preciso se chegar ao consenso de que algo precisa ser feito”, explicou Etienne Dreyer, acrescentando que o DRG estimula a análise de resultados. Ele lembrou ainda que o sistema precisa ser refinado regularmente: “É um trabalho contínuo. Para isso, todo o setor de saúde precisa estar integrado”. Segundo ele, havia um indicativo claro: se as mudanças não fossem implementadas, o setor não iria em frente – o que deve ser objeto da reflexão urgente dos dirigentes do setor no Brasil, do Governo e da sociedade. Na África do Sul, deu certo. Custos caíram, sem prejuízo para a qualidade de atendimento e com o plus de patrocinar um mercado mais homogêneo.

“São múltiplos os fatores para elevação dos custos”, explica o presidente da FenaSaúde , Marcio Coriolano, que também esteve no evento. Segundo ele, o setor tem uma grande extensão de cobertura aprovada por lei e, a cada dois anos, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) inclui novos procedimentos. Outro fator que impacta é o teto da remuneração praticada pelos hospitais, com margens calculadas sobre o valor de materiais e medicamentos. “A cada mês, novos materiais e medicamentos são lançados no mercado, o que faz aumentar ainda mais os preços”. Ele citou o exemplo de Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPME). “No Brasil, não existe um órgão governamental para fazer o controle desses materiais, que muitas vezes são empregados sem critérios”, assinalou. Coriolano lembrou que as operadoras têm capacidade limitada de gestão de custos, uma vez que não podem comandar o ato médico: “É preciso que o paciente seja o agente de mudança”.

Outro tema abordado pelo dirigente foi sobre preços relativos, assunto imprescindível para o setor. “O OPME está muito caro e o setor não tem como melhorar remuneração sem rediscutir essa questão”, conclui Coriolano.

Para o diretor executivo da FenaSaúde, José Cechin, a elevação dos custos não é, necessariamente, um problema quando vemos os benefícios da inclusão de novas tecnologias, ou as novas oportunidades que esse crescimento oferece à indústria, aos profissionais a todos os prestadores, mas pode empurrar consumidores tanto pessoas físicas quanto empresas, para seus limites financeiros. “O que precisa ser considerado é qual a disposição do consumidor em arcar com o aumento dos custos, e sua capacidade de pagar”, ressaltou ele, durante debate no primeiro painel. “É necessário evitar sucumbir à tentação de utilizar índices de variação setorial de custos para controlar preços ou reajustes, pois a história está repleta de casos de fracasso nas tentativas desse tipo”, disse ainda Cechin.

Expectativa de retomada este ano

Fonte: Valor Financeiro – Seguros

Para especialistas, aprovação do ajuste fiscal cria um ambiente de investimento de longo prazo mais animador

Por Roseli Loturco

Lima. da Brasilprev: ações de educação previdenclária

O s últimos dois anos têm se mostrado desafiadores para a indústria da previdência aberta no Brasil. Após um 2013 turbulento, por conta das mudanças nas regras de alongamento das carteiras em meio à inversão da curva de juros, 2014 também reservou histórias difíceis de contar. Além de dois eventos como Copa do Mundo e eleições, que roubaram a atenção e plantaram dúvidas na cabeça do investidor, o mercado ainda se ressentiu com a alta volatilidade que atravessou o ano e deixou algumas seguradoras no negativo em termos de captações líquidas. Foram os casos da Metropolitan Life, Mapfre e Allianz, que amargaram mais saídas do que entradas de recursos nos planos previdenciários. As operadoras fecharam o ano no vermelho, com menos R$ 360,02 milhões, RS 169,31 milhões e RS 25,63 milhões, respectivamente, segundo estudo feito pela consultoria NetQuant com 929 fundos que consideram apenas as categorias Vida Gerador de Benefícios Livres (VGBL) e Plano Gerador de Recursos Livres (PGBL).

Apesar do cenário conturbado, o mercado como um todo conseguiu apresentar números consolidados melhores do que os das três seguradoras. Os dois últimos meses do ano foram em parte responsáveis por isso. Sazonalmente mais fortes, as vendas se aqueceram em novembro e dezembro, o que elevou a carteira total de investimentos em 18,4%, para R$ 442 bilhões, segundo dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi). “O ano passado foi difícil. O mercado de capitais é reflexo da economia, que teve baixíssimo crescimento. Com incertezas, o investidor deslocou os recursos de longo prazo para curto prazo”, avalia Osvaldo Nascimento, presidente da entidade. “Mas considerando todos esses eventos e com o final de ano aquecido, até que fomos muito bem”, afirma.

A aposta para 2015 é de resultados melhores para a indústria, mesmo em meio a um ambiente macroeconômico e político bastante conturbados. Os três primeiros meses do ano mostram isso. O total de ativos em março bateu a casa dos R$ 460 bilhões, crescimento de 20 % em relação ao mesmo período de 2014. A explicação, para a Fenaprevi, é a expectativa positiva em relação à aprovação do ajuste fiscal proposto pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que deve trazer maior estabilidade para a

economia no médio e longo prazos. Além disso, o setor acaba de aprovar a Resolução 4402, que veio a corrigir distorções da 3308, ao criar mecanismo mais suaves e escalonados de alongamento das carteiras em períodos de volatilidade. Até o fim de 2015, mantém-se o alongamento pelo fluxo de recursos novos. Em 2016, a duração será de um ano e somente em 2017, o prazo de vencimento da carteira subirá para dois anos. “Com as novas regras, as seguradoras poderão proteger as carteiras com o uso de derivativos sem impacto nos prazo. Tudo para evitar o estresse de 2013 novamente”, avalia Nascimento.

Apesar da mudança positiva em relação à remuneração das carteiras – tanto em renda fixa, quanto variável -, este ano o investidor tem preferido manter suas apostas em planos mais conservadores, realizando constantes retiradas principalmente dos fundos de ações. Isso por duas razões. Primeiro, porque ainda não esqueceu o trauma das perdas ocorridas em 2013 com a bolsa caindo e juros mudando de rumo. Segundo porque com a Selic a 13,25% e a NTN-B de2024/30 remunerando os investimentos em IPCA mais 6,5%, ele não vê necessidade de sair da zona de conforto e correr riscos para engordar o bolo de suas aplicações. Ainda que alguns fundos como o Guardian FI Multimercado Crédito Privado, do Bradesco, venham liderando os ganhos do ano, com alta de 21,45% nos três primeiros meses, conforme pesquisa NetQuant “No ranking dos dez melhores fundos em rentabilidade, todos são multimercados e os três primeiros estão com ganhos altíssimos, devido à forte alocação em câmbio ou dólar futuro”, diz Marcelo Nazareth, presidente da consultoria.

Mas mesmo com performance de ganhos nos fundos multimercados acima da concorrência, o Bradesco Vida e Previdência ainda mantém 93% dos R$ 144 bilhões de ativos que administra em fundos de renda fixa. Porque é assim que o investidor quer. Ao final de 2014, a carteira total de investimentos estava em R$ 140,7 bilhões, crescimento de 12,8% em relação a 2013. Apesar de manter a liderança nessa indústria, com cerca de 30% das reservas totais, o Bradesco sofreu para fechar 2014 no terreno positivo das captações líquidas. A arrancada na reta de chegada compensou os outros dez meses e fez com que atingisse RS 1,68 bilhão líquidos. Sua meta para 2015 é avançar entre 10% e 12% no total de ativos.

“Fizemos vários ajustes entre 2013 e outubro de 2014 para unificação das quatro áreas de negócios do grupo segurador que nos dará certa vantagem”, sinaliza Lúcio Flávio Condurú, presidente da Bradesco Vida e Previdência. Essa união dará à entidade um batalhão adicional de 19 mil corretores, além dos 4,2 mil que possui e que são especializados nos planos previdenciários. “O modelo é virtuoso. Especializamos uma força adicional que irá explorar o canal banco para aumentar as vendas.”

Não há dúvida de que a qualificação da oferta cada vez mais fará a diferença nesse mercado. O suitability (regra da CVM que exige adequação dos produtos e serviços ao perfil do cliente), a certificação dos profissionais, taxas e serviços deverão entrar na conta do investidor na escolha pelo plano. A venda consultiva deverá se sofisticar se quiser fisgar pessoas e empresas que estão mais exigentes e querem entender as exatas vantagens e desvantagens do investimento de longo prazo. Nessa linha, a Brasilprev reforçou no ano passado as ações de educação previdenciária. Por meio dos seus canais digitais, lançou vídeos explicativos no YouTube, fez seminários sobre o cenário econômico e as mudanças nas regras da previdência, realizou 1.090 palestras com 48 mil investidores e lançou novas famílias de produtos.

“Essas ações fizeram com que a empresa tivesse um desempenho acima da média do mercado, com um dos melhores índices de resgates da indústria e sem registro de captação negativa”, afirma Miguel Terra Lima, presidente da seguradora que faz parte da holding BB Seguridade. A Brasilprev liderou o ranking das dez maiores captações líquidas de 2014, com R$ 18,91 bilhões. Resultado quase três vezes superiorao do segundo colocado, Itaú Unibanco, e muito distante do terceiro, Bradesco, conforme levantamento NetQuant. A seguradora também projeta crescer acima da média do setor em 2015, que prevê avançar 12%. “Queremos crescer entre 27% e 36%. A Brasilprev continuará aumentando seu protagonismo na indústria”, aposta Terra Lima, que destaca a importância do setor previdenciário como investidor institucional, porque o mercado tem ativos de longo prazo, que geram recursos para financiar o desenvolvimento do país. No primeiro trimestre, a Brasilprev acumulou RS 4,94 bilhões em captação líquida.

Para o Itaú Unibanco, o ano de 2014 foi bom e de recuperação do anterior. Isso porque na sua avaliação o cliente está mais maduro e conhecedor do mercado de renda fixa. “Hoje, ele sabe que renda fixa também varia. E não fica mais chateado em ver oscilações negativas. Ficava quando não entendia a funcionalidade do mercado”, avalia Cláudio Sanches, diretor de investimentos e previdência do banco, que está entre os três maiores em carteira total de ativos, com RS 103,1 bilhões ao final de 2014, quando avançou 33,3% nas captações líquidas.

Todo início de ano, e neste não foi diferente, Sanches vê um esforço do mercado para capturar parte dos bônus pagos sazonalmente pelas empresas nesta época. Outro fator de oportunidade é o período de recolhimento do Imposto de Renda para quem faz declaração completa e podería deduzir 12% de seus aportes em PGBL “O que faz com que se programe pensando nesse benefício para o próximo ano.” Ao contrário de seus pares, ele acredita que é possível levar algumas vantagens em anos onde a atividade econômica se retrai, como neste. Isso porque a média e a alta renda ao invés de consumir, se preocupa com o futuro e investe mais. “Claro que a retração econômica impacta o nosso negócio, mas enquanto houver controle do desemprego, uma coisa compensa a outra.”

Sanches lembra a máxima do mercado que diz que o investidor não deve colocar todas as fichas no mesmo pacote. O ideal é que divida suas reservas em três: a de emergência, de previdência e de construção de patrimônio. Ao integrar a previdência com outros produtos de investimento é possível ter uma visão consolidada do cliente.

Aproveitando a boa onda de alta performance dos fundos, a Icatu Seguros projeta um 2015 melhor do que 2014 e vê espaço para essa indústria avançar no Brasil. “Hoje, só 11 milhões de pessoas têm um PGBL ou VGBL E a maioria das pequenas e médias empresas ainda não oferecem esses benefícios. O que mostra o enorme potencial”, afirma Luciano Snel, presidente da seguradora, que fechou 2014 com R$ 8,1 bilhões em ativos, incremento de 19% sobre o período anterior. Algumas razões explicam o resultado, como o aumento

de 23% nas contribuições mensais dos participantes e o crescimento das portabilidades de entrada, que chegou a RS 1,1 bilhão no ano passado, 13% maior que em 2013. “O que reflete uma carteira sustentável e que permite construir uma base de reservas para o longo prazo da companhia”, diz Snel. A Icatu administra dois dos dez fundos que apresentaram melhor rentabilidade nos primeiros três meses de 2015: o Icatu Bluezinger FIC H Multimercado e o Palmares F1 Multimercado Crédito Privado, com alta de 7,22% e 6,77%, respectivamente, segundo a NetQuant. Trabalha com 30 diferentes gestoras e possui 5 mil corretores ativos.

Bem mais otimista do que o resto da concorrência, o Santander prevê avançar 50% em captação líquida e 17% no total de reservas este ano. “Apesar do cenário macroeconômico difícil, os efeitos na previdência não devem ser relevantes, porque trabalhamos forte a consultoria de investimentos”, acredita João Batista Mendes Ângelo, diretor de previdência da Zurich Santander, que fechou 2014 com R$ 1,33 bilhão em captação líquida e ativos investidos de RS 24,5 bilhões. Tanto otimismo vem do termômetro do primeiro trimestre de 2015, com resultado líquido de R$ 267,7 milhões, 20% a mais do que no mesmo período de 2014. “As atividades de investimentos de longo prazo não desaceleraram e o investidor começa a enxergar maior valor nesses aportes”, diz Mendes Ângelo, que detêm 90% de seus fundos previdenciários alocados cm ativos de renda fixa.

Potencial do país atrai estrangeiros

Fonte: Revista Seguros – Valor Econômico

A possibilidade de manter um ritmo de crescimento de dois dígitos faz com que o Brasil seja o centro de atuação na América Latina

Por Marlene Jaggi

Nem o cenário econômico nem a crise política abalam a disposição das empresas seguradoras e resseguradoras de investir no mercado brasileiro. Somente no ano passado, 16 novas companhias passaram a atuar na área no Brasil, das quais 12 são estrangeiras. Neste ano, até abril, foram mais quatro – todas estrangeiras.

“O Brasil é um país de 200 milhões de pessoas, tem uma democracia consolidada e o setor, um grande potencial de crescimento”, afirma Solange Beatriz Palheiro Mendes, diretora executiva da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg). A visão de CEOs do setor não é diferente.

“O Brasil é a maior economia da América Latina e vai continuar sendo. A longo prazo não tem como não estar aqui”, diz Guillermo León, CEO da alemã HDI-Gerling, empresa do Talanx Group, que está no Brasil desde 1997, com a HDI Seguros, e obteve no ano passado autorização da Superintendência de Seguros Privados (Susep) para atuar na área de seguros industriais. “A decisão de expandir faz parte da estratégia de fortalecer a atuação no maior país latino-americano e tomá-lo um hub para a região”, diz o executivo. No mercado já é vista como provável, no segundo semestre, a abertura de capital da Caixa Seguros e Par Corretora, o que poderia atrair capital externo.

A HDI-Gerling integra o novo time de players que chega para enfrentar uma concorrência acirrada desde que a abertura do mercado brasileiro trouxe ao Brasil os grandes competidores internacionais. Entre eles, está a francesa AXA, que voltou ao país para atuar em linhas comerciais e se diz igualmente disposta a fazer do Brasil uma plataforma para avançar na América Latina. No segmento de resseguros, em que a AXA também vai atuar, estão entre os novos competidores a igualmente francesa Scor, a alemã Allianz Se, e a italiana Generali. A promessa da AXA é investir R$ 400 milhões nos primeiros anos da operação.

Toda essa movimentação tem foco no potencial do mercado brasileiro. “Embora os negócios tenham crescido a uma taxa de cerca de 10% ao ano, o índice de penetração na arrecadação do seguro no PIB ainda é de 6,4%, baixo em relação a outros países”, diz Alfredo Sneyers, sócio e líder de seguros da PricewaterhouseCoopers Brasil (PwC). Segundo ele, é a inserção de novas classes sociais no mercado de consumo, nos últimos anos, que explica as boas taxas de crescimento no setor. E é a cultura do brasileiro, que ainda é reticente à necessidade de proteger seus bens, que indica o quanto a atividade pode ser ampliada no país.

Entre os grupos que estão se expandindo na área corporativa, de altos riscos, o que não falta é otimismo. A Swiss Re Corporate Solutions Brasil Seguros, unidade de seguros comerciais do grupo Swiss Re, por exemplo, comemora um crescimento em 2014 de 30% no volume de prêmios. “Todas as empresas sofrem com a turbulência macroeconômica e política, mas no médio e longo prazo o negócio continua promissor”, diz o CEO da unidade, João Nogueira Batista. Segundo ele, trata-se de um mercado com crescimento reprimido e muito investimento a ser feito. “Há uma defasagem de investimento em infraestrutura e na parte de pessoas físicas: com o crescimento da renda, um público maior passou a consumir mais saúde e previdência, entre outros tipos de seguro.”

O crescimento da Swiss Re Corporate Solutions, segundo Batista, foi puxado pela carteira de agronegócios e pela carteira do seguro garantia. “Mas as outras linhas também começaram a crescer”, diz. A meta é aumentar a participação na área patrimonial e de responsabilidade civil, que ainda é pequena. Na HDI-Gerling, entre as quatro linhas oferecidas desde o início do ano (propriedade, transportes, responsabilidade civil e engenharia), o carro-chefe tem sido o seguro de propriedades, que concentra 35% do volume de prêmios. O setor mais prejudicado, segundo León, é o de engenharia. A linha cobriría as obras que não estão sendo feitas por causa do ajuste fiscal. “Mas o Brasil precisa desses investimentos e eles virão.” Com 15 anos de mercado mundial e presença em 39 países, a HDI-Gerling tem aberto em média duas novas unidades no exterior por ano – as mais recentes estão no Canadá, Cingapura e Bahrein, na Península Arábica.

Na avaliação de Marcelo Mansur Haddad, sócio da área de seguros, resseguros e previdência do escritório Mattos Filho, Veiga Filho, Marreyjr. e Quiroga Advogados, o entusiasmo das empresas internacionais com o país continua alto, mas há dois pontos a considerar. “Alguns têm a percepção de que há muitos agentes e por isso uma alta competitividade, o que é relativamente bom para quem compra seguro, mas exige uma atenção maior das empresas”, explica.

A segunda questão é o grande ponto de interrogação acerca dos desdobramentos da operação Lava-Jato e outros episódios do gênero sobre alguns nichos do mercado. “Essa onda prejudica, assusta, mas também indica que o país enfrenta questões como essas sem crises institucionais e sem radicalismos. Sinaliza para uma estabilidade de longo prazo, o que é importante para qualquer investidor”, analisa Mansur.

A Mattos Filho tem trabalhado menos do que nos últimos anos nas grandes operações no setor, até porque quase todos os grandes players já estão por aqui, mas prestou assessoria à maior transação da área de seguros em 2014: a aquisição, porRS 1,5 bilhão, de 100% do capital social da Itaú Seguros Soluções Corporativas pela ACE, empresa americana com sede na Suíça que oferece

seguros e resseguros em o** países. ia cpuca uu negociação, em agosto do ano passado, a ACE informou que o objetivo da aquisição é “complementar e aprofundar a presença do grupo no Brasil”.

Para enfrentar a concentração de mercado, as empresas têm procurado redimensionar estratégias e mostrar serviço. “E nisso as estrangeiras estão em vantagem, porque têm a expertise internacional”, diz o CEO da HDIGerling. A receita do CEO da Swiss Re Corporate Solutions para se diferenciar é parecida. “Procuramos estar atentos à evolução das necessidades dos nossos clientes. Eles vão se sofisticando na administração de riscos e precisamos estar aptos a responder a isso.” Uma das táticas da empresa é aliar o conhecimento de especialistas locais com inovações que vêm da matriz e assegurar serviços em pontos frágeis como a solução de sinistros.

Nesse processo de redimensionamento de estratégias, alguns grupos ajustam seu posicionamento. A Itaú Seguros e a SulAmerica venderam suas carteiras de grandes riscos que foram adquiridas, respectivamente, pela americana ACE e pela francesa AXA Corporate Solutions. A SulAmerica anunciou o negócio no dia 21 de maio. O acordo no valor de R$ 135 milhões inclui as operações do seguro DPVAT. Gabriel Portella, presidente da SulAmerica, explica que a carteira gera RS 400 milhões em prêmios, mas o negócio de grandes riscos não está mais no foco da companhia cujo posicionamento está voltado para o varejo e o middle market.

Além de chegadas, fusões e aquisições, outra movimentação tem chamado a atenção dos analistas do setor: a busca, de empresas locais, por mercados além das fronteiras brasileiras. O foco é a América Latina, mais especificamente Colômbia, Chile e México. Em dezembro, o Paraná Banco e a Travelers, por meio de sua holding de seguros JMalucelli Latam, adquiriram o controle acionário da Cardinal Compania de Seguros, empresa colombiana da área de seguro garantia. O grupo segurador brasileiro aguarda a autorização da Susep colombiana para concluir a operação no segundo semestre deste ano, informa a empresa.

Em abril, foi a vez da Terra Brasis Ressseguros anunciar ter recebido sinal verde para operar no México. A empresa atua no Peru e tem autorização para operar na Colômbia, país que vem ganhando cada vez mais a atenção dos players do setor. No Final de 2014, a Swiss Re Corporate Solutions fechou uma participação na Confianza, importante player local. De acordo com Mansur, o processo de internacionalização das brasileiras requer uma ampla discussão com o Fisco sobre como eliminar barreiras tributárias para uma atuação regional.

Para quem acha que há saturação de mercado e cautela por parte dos grandes grupos em avançar no Brasil, Solange Menda, da CNseg, é clara: “Contaremos neste ano e em 2016 com um forte interesse internacional”. Não é mais um crescimento exponencial, reconhece, mas um avanço acima de dois dígitos, o que é muito mais do que se observa em vários outros setores da economia.

Desmanche legal cria um novo nicho

Fonte: Revista Valor Financeiro – Seguros

Lei que regulariza desmonte de veículos pode reduzir roubos e abrir espaço para o seguro popular, com uso de peças recondicionadas

Por Felipe Datt

De 2010 a 2014, uma média de 420 mil veículos foram furtados ou roubados, anualmente, no Brasil. O número equivale a 1.150 automóveis por dia, ou 48 por hora, a cada ano. Na média anual, apenas 210 mil veículos foram recuperados e devolvidos aos seus proprietários. A localização exata desse imenso contingente que supera a marca de 1 milhão, o equivalente à frota de Curitiba, é desconhecida, mas o paradeiro, na grande maioria dos casos, está na ponta da língua dos especialistas: os desmanches clandestinos.

Essas “oficinas” especializadas na desmontagem dos veículos e na posterior comercialização das peças no mercado negro proliferam no Brasil e são o grande chamariz das quadrilhas especializadas, que, em 2014, ajudaram a turbinar as estatísticas desses ilícitos. Apenas no ano passado, segundo dados da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg), foram 516.084 veículos roubados no Brasil, um crescimento de 10% ante os 469.106 do ano anterior. Um problema que reflete diretamente nos índices de sinistralidade das seguradoras (superior a 60% na média dos últimos cinco anos), nos desembolsos com indenizações e no valor de seguro mais salgado para os motoristas.

Dos veículos roubados em 2014, apenas 273.832 foram recuperados, ou 53% do total. “Eliminando o destino final desses veículos, reduziremos os roubos e furtos e os efeitos positivos serão sentidos por todo o mercado segurador”, prevê o diretor-executivo da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Neival Freitas. Mais do que um desejo, a regularização da atividade de desmontagem de veículos e o fechamento das oficinas clandestinas pode se tornar realidade com a Lei Federal 12.977/14, a popular Lei do Desmanche.

A legislação, sancionada em 2014 e com regulamentação prevista no primeiro semestre deste ano, “regulariza e disciplina a atividade de desmontagem ou destruição de veículos”, em uma versão nacional de textos correlatos como a Lei 15276/14, do Estado de São Paulo. Em vigor desde julho de 2014, o texto paulista motivou a criação de uma força-tarefa que, até meados de março deste ano, havia fiscalizado mais de mil desmanches ilegais de veículos, dos quais 770 foram fechados. Os roubos ainda cresceram no Estado em 2014, mas em ritmo menor.

“A lei federal é boa, mas se o poder público dos demais Estados não a aplicarem e não houver fiscalização eficiente dos desmanches a exemplo de São Paulo, será letra morta”, opina o diretor-geral da Porto Seguro, Luiz Pomarole. Além da regularização dos desmanches visando reduzir roubos e, por tabela, o número de sinistros, o otimismo do setor recai sobre um possível “efeito secundário” da lei.

Ao prever, no artigo 2 o , que o desmonte dos veículos será seguido da “destinação das peças ou conjunto das peças para reposição ou sucata”, a lei federal abre espaço para que o mercado segurador tenha atendido um antigo pleito de operar com produtos cujas coberturas prevejam a utilização de peças usadas ou recondicionadas, com origem certificada e rastreada, no reparo de automóveis, – hoje, por lei, as seguradoras só podem reparar os carros com peças novas e originais de fábrica, um dos principais fatores de encarecimento do valor do seguro para carros mais antigos.

Para isso, é aguardada para 2015 a publicação pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) de uma circular autorizando o desenvolvimento do chamado “seguro popular”, mais barato, com foco em carros mais antigos e cujo objetivo principal é amparar um grande contingente de motoristas que hoje não possuem proteção para seus veículos. “O seguro ainda não cabe em muitos orçamentos. Com o seguro popular, a tendência é oferecer um custo de reparo menor e inserir novos consumidores no mercado de seguros”, diz o diretor técnico de Auto/RE da Bradesco Seguros, Saint-Clair Pereira Lima.

Citando estatísticas da própria carteira, o diretor de automóvel e massificados da SulAmérica, Eduardo dal Ri, explica que o novo perfil de consumidores que passou a contratar seguros nos últimos oito anos por conta da ascensão social e da melhor oferta de crédito, por exemplo, já desiste da proteção mais cedo. Se antes, ao adquirir um carro zero, o cliente contratava um seguro por até 3,5 anos, hoje ele permanece, em média, por 2,8 anos. “O produto popular pode ser o alavancador do mercado no médio e longo prazo.”

Estimativas mais otimistas sobre o seguro popular e possibilidade de utilizar peças de segunda mão no reparo dos veículos dão conta de que a apólice podería ficar até 30% mais econômica, atraindo às carteiras das seguradoras até 4 milhões de veículos. Atualmente, apenas 30% da frota brasileira, ou 16 milhões de veículos, é protegida. Mas é consenso que a efetividade das duas medidas – a lei e o seguro popular – requer um tempo de maturação para que seus efeitos sejam sentidos.

Na opinião do vice-presidente técnico da HDI Seguros, Murilo Riedel, no desenvolvimento de um mercado de peças de reparo de segunda mão estruturado para atender a demanda das seguradoras. “Acredito que só poderemos oferecer o seguro popular com peças recondicionadas quando houver um processo de distribuição logística adequado. Isso leva tempo”, diz Riedel. “Sem isso, aumenta o tempo de reparo, o custo com o carro parado nas oficinas e o gasto com carro reserva”, completa o diretor-geral de automóveis do grupo BB c Mapfre, Jabis Alexandre.

Enquanto aguarda a regulamentação da lei e a autorização para o seguro popular, as seguradoras se deparam, em 2015, com um cenário desafiador composto por uma economia em vias de retração, o ciclo de aperto monetário que encarece o custo de financiamento e, sobretudo, pelo decréscimo nas vendas de carros novos, o grande vetor de crescimento desse segmento. Após recuar 7,1% em 2014, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a venda de veículos acumula retração de 17% de janeiro a março de 2015 – no ano, a queda prevista no segmento de comerciais leves é de 12,3%.

Ainda que historicamente haja um descolamento dos gráficos de desempenho da indústria automobilística e do mercado de seguros, o mau desempenho da primeira exerce influência no ritmo de crescimento do segundo. Com a queda na venda de zero-quilômetro, as receitas de prêmios desse ramo avançaram apenas 7,3%, para RS 31,40 bilhões, segundo a CNseg. Para este ano, a perspectiva é de avanço de 5% a 6% na arrecadação de prêmios.

A explicação para a desaceleração em um segmento acostumado a entregar avanços anuais de dois dígitos é simples. Cerca de 80% dos veículos novos produzidos anualmente no Brasil contratam seguros – e apenas 20% continuam protegidos após cinco anos de circulação. “Com o bom desempenho da indústria automotiva, os carros com mais de cinco anos saíam das carteiras das seguradoras e eram substituídos por veículos novos. Esse movimento ainda ocorre, mas em ritmo menos intenso do que antes”, diz Freitas, da FenSeg.

A boa notícia para as seguradoras é que, mesmo em queda, ainda há uma grande frota de veículos novos entrando no mercado. Sem contar que a produção nacional de veículos nos últimos anos colocou nas ruas um estoque de seminovos “seguráveis” que continua alimentando suas carteiras. Com menos carros novos sendo vendidos, a disputa pelo mercado em 2015 se concentrará na manutenção dos segurados atuais – e na busca por clientes de outras carteiras. “Entraremos em um ciclo de ‘rouba-monte'”, prevê Pereira Lima, da Bradesco Seguros.

Com 1,75 milhão de veículos segurados, a Bradesco Seguros repete este anoa fórmula empregada em 2014, quando a receita em prêmios de seguro de automóveis cresceu 34%- recuperando-se do período anterior. A estratégia é calcada em uma nova “modelagem” de preços e, sobretudo, na ampliação do portfólio de produtos e na melhoria da oferta dos serviços nos Bradesco Auto Centers e a criação de um produto mais econômico que cobre apenas o sinistro de terceiros e voltado para veículos com até 15 anos. “Nossa estratégia é estar bem focados na retenção da carteira “, diz Pereira Lima.

É consenso que a proteção das carteiras contra o jogo de “rouba-monte”, comum em momentos de crise, dará a tônica em 2015. É consenso também que apenas preço não é mais um fator que, sozinho, será suficiente para segurar-ou atrair-os clientes. Em 2014, por conta do aumento da sinistralidade com furto de veículos e, principalmente, com a maior pressão de custos ocasionada pela inflação de peças de reparo que comprimem suas margens, as seguradoras elevaram os preços do seguro entre 8% e 10%, em média, com picos de 15%. Novos reajustes de preços em 2015, para cima ou para baixo, serão diretamente proporcionais às condições de mercado.

“Há um quadro de acirramento de competição e ninguém pode se dar ao luxo de perder bons segurados. Mas, ao mesmo tempo, o mercado se mostra bastante responsável. Não é apenas um preço especial que vai reter o segurado. E a experiência com a boa qualidade dos serviços”, diz Murilo Riedel, da HD1 Seguros, quinta colocada no ranking de seguradoras de automóveis com 1,6 milhão de veículos na carteira.

Com tantos desafios, as seguradoras apostam na criatividade, ofertando novos produtos, criando seguros voltados a nichos específicos, inovando nas coberturas, oferecendo descontos para os “bons riscos” e investindo na melhoria contínua dos serviços e assistências.

Na Porto Seguro, líder no mercado com 5 milhões de veículos segurados e avanço de 12% em prêmios de seguros em 2014, a aposta é cada vez mais na segmentação de perfis, com coberturas desenhadas para suas diferentes necessidades. Depois de lançar um produto específico para mulheres (com coberturas até para a cadeirinha do bebê), a empresa lançou, no ano passado, o Auto Jovem, voltado a um público de 18 a 24 anos, considerado de alto risco por se envolver em acidentes com mais frequência – tradicionalmente são também os que pagam mais caro pela proteção.

O Auto Jovem oferece até aulas de educação no trânsito, aponta os perigos de dirigir embriagado, e inclui simulações no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Um dispositivo instalado no veículo do cliente fornece à seguradora informações sobre os horários em que esse jovem dirige, os locais que frequenta, os limites de velocidade. “Se extrapolar os limites, dirigir a 120 km/h ou andar em zigue-zague, o dispositivo identifica isso e o segurado perde os descontos. Se dirigir de maneira moderada, ganha descontos que podem chegar a 30% do preço padrão”, diz Luiz Pomarole.

O grupo BB e Mapfre, que contabilizou R$ 5,4 bilhões em prêmios de automóveis em 2014 e frota segurada com 2,9 milhões de itens segurados, aposta na ampliação dos seus centros automotivos em 2015 – de 70 para 80 – e em serviços adicionais como a renovação via SMS e a perícia on-line estendida aos segurados. O serviço permite ao segurado, em caso de colisão, tirar fotos do veículo e postá-las na web junto com o aviso de sinistro, agilizando a liberação do orçamento e o reparo assim que o carro chegar à oficina. “Também apostamos na nossa grande capilaridade na distribuição dos seguros, com parcerias com montadoras e associações de concessionárias”, diz o diretor-geral de automóveis, Jabis Alexandre.