Fonte: Aline Bronzati, Estado de São Paulo
A corretora de seguros da Caixa Econômica Federal vai estrear no pregão da BM&FBovespa na próxima sexta-feira, reabrindo as ofertas de capital na bolsa brasileira, depois de um período de seca que durou sete meses. A operação chama a atenção não só por ser a primeira do ano, mas por ter despertado fortemente o interesse dos investidores. A demanda pela oferta pública inicial da Par Corretora chegou a R$ 5 bilhões, fazendo a empresa elevar o teto estipulado para compra da ação de R$ 11,60 para R$ 12,35, segundo apurou o ‘Broadcast’, serviço em tempo real da ‘Agência Estado’.
Com isso, a oferta inicial (IPO, na sigla em inglês) da companhia, que tem entre os sócios a Caixa e a GP Investimentos, pode ultrapassar os R$ 600 milhões, considerando o lote suplementar, correspondente a 10% do principal. O intervalo de preço inicialmente proposto ia de R# 11,25 a R$ 11,60.
A demanda em tomo de dez vezes a prevista inicialmente foi impulsionada, conforme fonte a par do assunto, não só pelo interesse do mercado, mas, principalmente, pelo fato de três investidores internacionais, não mencionados no prospecto, já terem indicado intenção em comprar cerca de 70% do IPO. “É um negócio de serviços, com geração de caixa, que paga dividendo e não está muito exposto à crise. A demanda surpreendeu”, diz a fonte.
Ontem, ao longo do dia, os bancos que assessoram a operação tentaram negociar com a gestora de recursos Gávea, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, para mudar o teto da faixa de preço. De acordo com o prospecto preliminar, a Gávea tinha se comprometido a “ancorar” a operação, comprando um valor equivalente a R$ 140 milhões. Se a precificação ficasse fora da faixa de preço indicada, a gestora não teria obrigação de realizar o investimento privado. Como os bancos e Gávea não chegaram a um acordo, o fundo não deve mais ancorar a abertura de capital. Procurada, a gestora não comentou o assunto até o fechamento da edição.
O segmento almejado pela Par Corretora é o Novo Mercado, de mais alto nível de governança corporativa da BM&FBovespa. Os coordenadores da oferta da Par são o Bradesco BBI, como líder, JPMorgan, BTG Pactuai, Credit Suisse e Itaú BBA
Os acionistas vendedores serão a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal, que possui 21,35% da Par; a Évora Fundo de Investimento em Participações (3,65%); e a Algarve, da GP Investimentos (17,70%). Após a oferta, independentemente da execução do lote suplementar, a Federação sairá da Par Corretora, enquanto a Évora reduzirá sua fatia para 1,79% e a Algarve, para 13,01%, em ambas as situações em considerar o lote extra. A Caixa não diminuirá sua participação, de 25% via Caixa Seguros e de 26% por meio da Par Participações.
Potencial. A expectativa é de que os papéis devem disparar em seu pregão de estreia, principalmente porque a empresa está inserida em um setor com potencial de crescimento. Apesar da economia fraca, o segmento de seguros registrou expansão de 224% no primeiro trimestre ante o mesmo período do ano anterior, totalizando R$ 42,5 bilhões em receitas, segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep).
Além disso,também soma a favor o fato de a Par Corretora ter exclusividade de explorar o balcão da Caixa Econômica Federal para vender seguros.Aoter acesso ao balcão da Caixa, a empresa tem à disposição 78,3 milhões de clientes, sendo mais de 2,1 milhões de clientes pessoas jurídicas, conforme dados de dezembro, e acesso a 3.391 agências do banco, 13.250 agências lotéricas e 18.211 correspondentes bancários. No primeiro trimestre, a Par Corretora viu seu lucro crescer 85% na comparação com o mesmo período do ano anterior, ultrapassando mais de R$ 30 milhões no período. Seu patrimônio líquido era de R$ 114,1 milhões ao fim de março.
A operação da Par Corretora deve preparar o terreno para a esperada oferta bilionária da Caixa Seguros. Antes disso, o ressegurador IRB Brasil Re deve testar o apetite do mercado com uma abertura de capital de R$ 3,5 bilhões a R? 4bilhões, último passo para sua privatização. A bolsa brasileira não emplaca IPOs desde outubro do ano passado, quando a Ouro Fino, que atua no segmento de saúde animal.

















