Menos papel no dia a dia

Fonte: CNseg

O setor de seguros no Brasil é bem evoluído na área de regulação. Mas, as seguradoras latino-americanas usam muito papel. Nos Estados Unidos e países da Europa, as operações nas seguradoras já estão sendo concretizadas quase sem papel. Foram essas as palavras da líder Global de Estratégia e Análise do setor de seguros na IBM Global Business Services, Ellen Yoon, que há cinco anos está atuando na América Latina.

“Eu também gostaria de ver mais investimento das seguradoras da área de subscrição. Em outros países, há modelos mais avançados de subscrição e de precificação”, disse Ellen Yoon, durante o terceiro painel “Transformação digital: Qual o impacto nas seguradoras”, no congresso CIAB Febraban 2015 (Congresso e Exposição de Tecnologia da Informação das Instituições Financeiras), que se encerra hoje no Transamérica Expo Center, em São Paulo.

Para a transformação digital, a líder global do setor de Seguros da IBM para América Latina, explicou que a empresa tem de começar a trabalhar sem papel. “Tudo digital dentro e fora da seguradora, responsável por mostrar o andamento do “status” em tempo real do sinistro aos clientes”. O encaminhamento do sinistro tem de ser visualizado em cada departamento da seguradora. “Essa procedimento evita ligações dos consumidores ao call center”, disse Ellen Yoon. “Se a seguradora quiser concorrer neste setor nos próximos anos, tem de aceitar a transformação digital em todas as suas áreas e não apenas naquela voltada ao atendimento ao cliente”, completou.

Para Ellen Yoon, o contrato de papel, por natureza, só atende se houver o evento. No novo modelo de negócio, o seguro tem de ser visto como um produto de gestão de risco. “Em vez de só pagar o sinistro, é preciso gerenciar o risco do cliente”, afirmou.

Ellen mencionou uma nova ferramenta da IBM, chamada Watson, que analisa as condições individualizadas para saber se o sinistro será coberto pelo seguro. O produto Watson pode ser alimentado com 20 mil documentos. A ferramenta tem capacidade de dar uma resposta em dois minutos sem perder um parágrafo de cada documento.

Especialistas discutem desafios na distribuição de seguros no CIAB Febraban

Fonte: Cnseg

Como as seguradoras devem interagir com o cliente de maneira consolidada e ainda tirar proveito para as ações comerciais? Todos os debatedores do painel “Desafios da Distribuição de Seguros” são unânimes em dizer que os aplicativos móveis têm vantagens.

“É um canal poderoso porque a seguradora está o tempo todo com o cliente”, afirmou Ray Edwards, senior business Development Manager do CTO da Cisco, durante apresentação no painel “Desafios da Distribuição de Seguros”, que faz parte da programação do congresso CIAB Febraban 2015 (Congresso e Exposição de Tecnologia da Informação das Instituições Financeiras), que se encerra hoje no Transamérica Expo Center, em São Paulo.

Eugênio Velasques

Na avaliação do diretor do Bradesco Seguros, Eugênio Liberatori Velasques, o desafio da área distribuição das seguradores não é só ter ferramentas. Mas, sim encorajar os clientes de que o meio eletrônico é confiável, conveniente e ágil. “As pessoas se comunicam por meio de aplicativos móveis com hotel, bancos, entre outros, menos com a seguradora. As pessoas precisam ter mais confiança que as informações delas estão seguras”, afirma Velasques. “Os bancos, mesmo convivendo durante longo período com toda sorte de turbulências e cálculos de correção inflacionária, conseguiram se adequar, tornando-se referência em segurança de dados”, completa Velasques.

O que deve ser feito para o corretor tradicional e para modelos de distribuição novos são paradigmas a serem resolvidos pelo setor de seguros. O consenso entre os debatedores é de que o cliente tradicional liga muito, por telefone, para a seguradora. Enquanto que o cliente de 20 anos de idade já pensa digital. “É preciso conviver com os dois tipos de clientes. É necessário viver com o mundo tradicional e criar alguns serviços no conceito digital”, explica Ray Edwards. “As seguradoras que não se movimentarem sofrerão em pouco tempo”, completou o gerente executivo de Produtos da BB Seguridade, Ismael Tessari Grandi, moderador do painel.

O cliente é quem define como quer o próprio atendimento. Não é seguradora nem o corretor. “Na prática, quando o mercado impõe muita proteção para distribuição, o canal acaba envelhecendo. A definição final cabe ao cliente. O corretor de seguros tem de estar preparado para isso. E também tem de abandonar o mono produto para oferecer o poli produto. Essa prática levará facilidade e consultoria ao cliente”, diz Velasques.

Oficinas de Empreendedorismo do Sincor-SP reúnem 1,2 mil pessoas em Atibaia

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O evento Oficinas de Empreendedorismo, promovido pelo Sindicato dos Corretores de Seguros no Estado de São Paulo (Sincor-SP), reuniu cerca de 1,2 mil pessoas entre os dias 19 e 21 de junho, em Atibaia, interior de São Paulo. O conteúdo do evento contemplou, ao longo de mais de sete horas, ampla formação teórica e prática voltada para capacitação em gestão de pessoas, liderança e vendas.

Na cerimônia de abertura do evento, que contou com a presença de destacadas lideranças do mercado de seguros, o presidente do Sincor-SP, convocou os corretores a absorver o máximo de informação possível. “Todo o conteúdo foi pensado visando proporcionar a vocês, empresários da corretagem de seguros, os instrumentos necessários para motivá-los a promover com profissionalismo o desenvolvimento de seu negócio.”

O presidente do SindsegSP, Mauro Batista, enalteceu a postura do Sincor-SP em promover o empreendedorismo da categoria, ressaltando a importância do corretores na cadeia produtiva do setor. “Diante da crise e das dificuldades que vivemos atualmente, não há setor mais apropriado para demonstrar pujança e determinação que o da corretagem de seguros”, diz Batista

Já o diretor da Regional Jundiaí do Sincor-SP (que abrange a cidade de Atibaia), João Henrique Rodrigues Castro, apontou o compromisso da direção do Sincor-SP em investir no desenvolvimento do empreendedorismo dos associados. “A plena capacitação é fundamental para o fortalecimento de toda a categoria, nesse sentido, o Sincor-SP caminha a passos largos e firmes”, afirma Castro.

Professores universitários compartilharam seus conhecimentos e experiência para mostrar aos corretores de seguros como alcançar o sucesso empresarial, mesmo com o cenário adverso da economia.

A palestra de abertura “A vida que vale a pena ser vivida”, apresentada por Clóvis de Barros Filho, professor doutor na Escola de Comunicação e Artes da USP (ECA-USP), teve por objetivo mostrar que o trabalho não deve ser visto como um fardo. Valendo-se de muita criatividade, bom humor e objetividade, o professor Clóvis levou os participantes a refletir e constatar que é possível trabalhar de maneira mais feliz.

As oficinas sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Vendas foram o destaque do sábado. “Gestão de Pessoas” com Joel Dutra, mestre em administração de empresas e doutor em administração, também professor da Faculdade de Economia e Administração da USP (FEA-USP), buscou familiarizar os participantes com o conceito de âncora de carreira – conjunto de competências, motivações e valores de cada profissional. A identificação dessas características, segundo ele, permite melhor percepção e análise para tomada de decisão sobre a carreira profissional.

Graduado em administração de empresas, com MBA em recursos humanos e mestre em Filosofia pela PUC-SP, Sergio Nery falou sobre liderança situacional. Mesclando teoria e exercício prático, Nery mostrou que o líder deve adequar-se ao momento, direcionando seus colaboradores para que reajam de forma positiva e ofereçam o melhor de si na busca dos resultados.

Doutor em Administração pela FEA-USP e professor de pós-gradução em gestão de vendas e MBA executivo pela ESPM, Charles John Szulcsewski falou os benefícios da venda consultiva que objetiva a conquista e a manutenção da carteira pelo alto grau de compromisso com o serviço, atendimento às necessidades e conhecimento pleno da situação do cliente, com base numa relação duradora de confiança.

A palestra “Atitudes assertivas para o empreendedorismo” foi apresentada pelo professor Dado Schneider, doutor em comunicação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS). Criador da Palestra Muda, ele encerrou o evento orientando os participantes a aplicar no dia a dia uma postura focada no empreendedorismo. Ao longo do evento, o público também pôde de visitar a Feira de Oportunidades Empreendedoras, para conhecer as novidades das seguradoras.

Tokio Marine lança seguro imobiliário

tokio marineRelease

Seguindo a estratégia de desenvolvimento de produtos segmentados, a Tokio Marine Seguradora lança o Tokio Marine Imobiliário. O seguro foi especialmente criado para atender à locadores, locatários e imobiliárias e pode ser customizado de acordo com as demandas de cada Parceiro de Negócios. São nove coberturas para imóveis residenciais e empresariais e os planos podem ser adaptados para atender de maneira completa o segurado.

O Tokio Marine Imobiliário pode cobrir exclusivamente a estrutura do imóvel, opção que geralmente é solicitada pelos proprietários. Mas também é possível atender a necessidade dos locadores, ofertando a cobertura apenas para conteúdo. O Corretor, em parceria com as imobiliárias, irá definir quais são os planos e as coberturas que atendem a necessidade de cada cliente.

O grande diferencial do Tokio Marine Imobiliário é o fato de ser 100% online, com um leque completo de coberturas e planos diferenciados de assistência 24 horas, além de facilidades operacionais inovadoras neste mercado.

Entre os serviços de assistência residencial, destacam-se itens importantes no dia-a-dia, como: desentupimento, chaveiro, encanador, eletricista, vidraceiro, mudança/guarda-móveis e inspeção domiciliar. Além da cobertura contra incêndio, obrigatória por lei para imóveis em locação, ainda é possível contratar coberturas como: perda de aluguel, danos elétricos, responsabilidade civil familiar, furto de bens com arrombamento e roubo, entre outras. A proteção é instantânea, começa imediatamente após a contratação do seguro.

O imóvel está coberto logo após a contratação e o pagamento pode ser feito à vista ou em até 12 vezes sem juros, conforme a necessidade de cada cliente.

Fátima Lima é a nova presidente da Comissão de Sustentabilidade da CNseg

mapfre fatimaFonte: CNseg

A Comissão de Sustentabilidade da CNseg tem novo titular: Fátima Lima, que é diretora de Sustentabilidade do Grupo Segurador BBMAPFRE. Ela antecipa parte da pauta das discussões do grupo que comandará, incluindo-se a construção de uma matriz de materialidade para o setor de seguros. Sua principal prioridade “é trabalhar para que as questões-chave de sustentabilidade sejam incorporadas na estratégia das empresas, garantindo a perenidade dos negócios e do setor de seguros”. Veja a íntegra de sua entrevista concedida ao Portal CNseg.

1. Quais temas serão priorizados em sua gestão à frente da Comissão de Sustentabilidade da CNseg?

Em um período difícil para as economias brasileira e mundial, incluir a sustentabilidade no centro dos negócios é uma iniciativa cada vez mais estratégica. Isso porque a análise dos aspectos ambientais, sociais e de governança muitas vezes é sinônimo de redução de custos e promoção do crescimento com inovação.

Nesse sentido, minha meta é trabalhar para que as questões-chave de sustentabilidade sejam incorporadas na estratégia das empresas, garantindo a perenidade dos negócios e do setor de seguros.

Outra prioridade é garantir que as questões abordadas nos Princípios para Sustentabilidade em Seguros (PSI), e que tratam da inclusão dos aspectos ASG no dia a dia das atividades de seguros, do engajamento da cadeia de valor, do aperfeiçoamento das relações institucionais e governamentais, e do aprimoramento da comunicação dos avanços conquistados nessa área, sejam cada vez mais introduzidas na estratégia do setor como um elemento importante para o crescimento do setor.

Esses princípios, que norteiam o nosso negócio, precisam realmente ser entendidos e sistematizados pelas empresas, para que o Brasil possa alcançar uma maior representatividade em relação ao tema.

Também pretendo atuar na integração das federações, que já trabalham com temas associados a questões materiais de sustentabilidade como previdência, saúde e segurança, por exemplo, trazendo cada vez mais as discussões dessas entidades para um diálogo com foco em sustentabilidade e na geração de valor compartilhado.

2. Quais os principais projetos em andamento e/ou concluídos desenvolvidos pela Comissão de Sustentabilidade?

Muitos projetos desenvolvidos pelos grupos de trabalho constituídos por membros da Comissão merecem destaque.

Um deles envolve a construção de uma matriz de materialidade para o setor de seguros, que permitirá identificar os temas, capitais e aspectos de interesse e relevância para cada público ligado ao setor. Essa ação também nos permitirá criar um plano de engajamento da CNseg com os diferentesstakeholders da indústria de seguros e que poderá ser utilizado como insumo pelas federações e seguradoras.

Temos ainda o plano de engajamento de stakeholders para questões relacionadas à sustentabilidade; a parceria com a GRI para a construção de indicadores específicos para o setor de seguros; e o projeto de definição das metas PSI para 2016, para garantir que os princípios sejam cada vez mais incorporados ao posicionamento estratégico das seguradoras brasileiras.

Outro projeto interessante concluído recentemente foi a pesquisa de avaliação do grau de adoção de fatores de sustentabilidade pela indústria de seguros brasileira, elaborada pelo pesquisador Flávio Nogueira, da UFRJ. O estudo avaliou a evolução do reconhecimento dos riscos ASG pela indústria de seguros nacional, testando a relação entre esse progresso e a adoção de políticas de sustentabilidade pelas seguradoras, com resultados positivos: a maioria das empresas consultadas (53,5%) já considera que os fatores ASG influenciam a subscrição e, a partir da materialidade financeira desses riscos, foram identificadas 48 oportunidades para o desenvolvimento de novos produtos e serviços.

A Comissão mantém ainda um forte trabalho de comunicação e incentivo ao debate, com a realização e a participação em seminários e fóruns de discussão que promovem as questões de sustentabilidade, como o Seminário de Riscos Emergentes, que será realizado em setembro, na próxima Conseguro, colocando o tema da sustentabilidade no centro de debates de um dos mais importantes eventos do setor no Brasil.

3. Que projetos devem entrar na pauta da Comissão?

Desde a sua criação, a Comissão tem mantido um papel ativo no desenvolvimento de iniciativas capazes de promover e disseminar o conceito de sustentabilidade, garantindo a implementação do PSI e despertando o setor para a importância desse tema.

Seguindo nessa linha, pretendo intensificar o debate sobre os efeitos de riscos globais no setor de seguros. As crises no abastecimento de água e de alimentos; as mudanças climáticas; as catástrofes naturais, entre outros aspectos sociais, geopolíticos e tecnológicos, são riscos que vêm se intensificando e o setor de seguros precisa estar preparado para lidar com essas questões e inovar com sustentabilidade.

As novas demandas da sociedade e o novo contexto mundial que requer a análise dos aspectos ASG devem ser incorporados à estratégia do negócio das seguradoras. O nosso papel, como tomadores de risco, é compreender e sistematizar os novos fatores de risco, aprimorando as dimensões e processos de análises e identificando os riscos futuros e incorporando-os à estratégia da empresa.

4. Como sua experiência na diretoria de Sustentabilidade do grupo BB/MAPFRE pode contribuir para os trabalhos da Comissão de Sustentabilidade?

Há mais de 10 anos à frente da área de Sustentabilidade do GRUPO BB/MAPFRE, fui responsável por levar esse tema para a estratégia corporativa da empresa, criando valor e disseminando conceitos e informações entre todos os envolvidos.

Esse olhar estratégico a partir de um contexto mais amplo, que envolve não apenas o desempenho econômico financeiro, mas considera também aspectos ambientais, sociais e de governança, é fundamental para que as empresas fortaleçam o seu posicionamento diante do mercado e da sociedade.

Por isso, continuarei trabalhando para mostrar a importância de incluir a sustentabilidade na estratégia de negócios. Somente assim, conseguiremos fazer com que o tema seja cada vez mais disseminado e entendido como uma peça fundamental que garante o pleno funcionamento do negócio, de forma sustentável.

5. Como têm sido os trabalhos no Conselho do PSI? Alguma mudança recente relevante no regulamento?

É uma honra integrar, a partir desse ano, o board do PSI. Desde sua criação, em 2012, os Princípios para Sustentabilidade em Seguros têm avançado significativamente em todo o mundo, contando hoje com 80 membros, sendo 45 signatários, que representam aproximadamente 15% do prêmio global e totalizam US$ 9 trilhões em ativos.

Recentemente, estive em Zurique, na Suíça, para participar da conferência internacional do PSI, onde discutimos as prioridades, os desafios e os possíveis caminhos para a indústria de seguros.

Se analisarmos os principais projetos e iniciativas já concluídos ou em andamento, é possível identificar os avanços conquistados até agora e ter uma ideia da importância dos temas que estão sendo debatidos em nível global.

Uma das iniciativas em andamento é o projeto PSI de Resiliência Global, que envolve a elaboração do relatório Construindo comunidades e economias resistentes às catástrofes e de um mapa de riscos globais com informações sobre seguros que permitam identificar comunidades em risco e trabalhar com governos, comunidades e outros stakeholders para reduzir o risco.

Outra ação interessante é a Pesquisa Global “Entendendo as correlações: regulamentações de seguro e desenvolvimento sustentável”, cujo relatório final deve ser publicado até outubro deste ano.

Também está sendo desenvolvida outra pesquisa global sobre a integração de riscos relacionados aos aspectos ASG no processo de subscrição de projetos de infraestruturas (portos, pontes, barragens, etc.).

Mais uma importante iniciativa em andamento é a Declaração e Compromissos para Resiliência de Riscos de Desastres e Desenvolvimento Sustentável, que permite aos seus signatários assumir compromissos mais abrangentes que simplesmente aqueles relacionados à redução de riscos de desastres, incluindo também temas relacionados à mitigação e adaptação às mudanças climáticas, por exemplo.

Vulnerável a desastres, Nepal sofre com baixa penetração de seguros

nepal*Sophie Abraham

O Nepal é um dos países mais propensos a catástrofes no mundo. Os terremotos de magnitude 7,8 e 7,3 que atingiram recentemente a região marcaram o pior desastre natural em mais de 80 anos e deixaram evidente a vulnerabilidade do país. Embora as perdas econômicas ainda estejam em fase de avaliação, a destruição que o mundo testemunhou enfatiza um problema que o país precisa discutir com urgência: a insuficiência crônica de seguros está essencialmente ligada aos riscos que a situação se apresenta.

Segundo recente relatório feito pela Universidade nepalesa de Pokhara, estima-se que a taxa de penetração de seguro de vida e dos considerados de ‘não-vida’ no país em 2009/2010 era baixa, cerca de 2,77% e 1,84%, respectivamente.

Tais níveis insuficientes de seguros em áreas conhecidas pelo alto grau de exposição a riscos de catástrofes não são mais sustentáveis. É cada vez mais crescente ver a indústria de seguros, especialmente do setor financeiro, trabalhar em conjunto com representantes políticos e com a comunidade científica para encontrarem uma solução prática.

Estima-se que somente o primeiro terremoto possa ter causado US$ 3,5 bilhões em perdas econômicas até o momento. Apenas uma fração desse valor será coberto pelas seguradoras, como no caso da GIC Re, a maior seguradora do Nepal, que está arcando com parte do ônus das perdas seguradas.

A questão que agora se prolonga para o governo do Nepal é se esse terremoto desencadeará uma mudança de cultura e comportamento muito necessária na forma como o país considera questões sobre gestão de riscos. De acordo com o Relatório de 2015 de Avaliação Global sobre a Redução do Risco de Desastres (WCDRR), o Nepal ocupa um lugar de destaque entre os países cujo governo não tem reservas financeiras ou acesso a financiamento de contingência que permita a absorção de prejuízos, de recuperação e reconstrução após desastres. Se colocarmos de outra forma, o Nepal não tem capacidade financeira para absorver perdas que tenham impacto de 1 a 100 anos, que necessitem de valores estimados entre US$ 928 e US$ 3,3 milhões.

Com a ideia de arcar com valores tão surpreendentes, evitando colocar ainda mais pressão sobre a capacidade do sistema humanitário em fornecer ajuda de emergência, um pool de representantes do Sul da Ásia, seguindo a linha da organização ‘African Risk Capacity’, se uniu para buscar uma solução

prática para ajudar os Estados membros a se preparar e responder melhor aos terremotos e outras

catástrofes naturais na região.

A reunião do WCDRR culminou com a adoção do Programa Sendai para Redução do Risco de Desastres, que foi assinado por 187 estados membros da ONU e será a espinha dorsal da política internacional de resistência às catástrofes durante os próximos 15 anos.

Espera-se que com a atenção da comunidade internacional e as medidas que estão sendo tomadas para aumentar a consciência do risco e equipar melhor os países, organizações e cidadãos para lidar com a exposição ao risco de catástrofe, o próximo desastre não venha a causar tanta destruição na vida de pessoas e meios de subsistência.

*Sophie Abraham é analista para Prática de Política, Ciência e Capital da Willis Group

Sophie Abraão é Analista para Prática de Política, Ciência e Capital da Willis Group, em Londres. Ela trabalha em estreita colaboração com o Escritório das Nações Unidas para a Redução de Riscos de Desastres (UNISDR) e os setores financeiros e privados desenvolvendo e incorporando elementos de negócios para a concepção do “Quadro de Ação de Hyogo”, um quadro global para a redução do risco de desastres adotado por Estados-Membros das Nações Unidas. Seu objetivo primordial é construir a resiliência das nações e comunidades para catástrofes, conseguindo redução substancial de perdas de desastre.

Garantia de até 10% em obra pública é insuficiente para cobrir riscos

Fonte: Valor Econômico

Na esteira do novo programa de investimentos em infraestrutura do governo federal, o baixo limite de garantias para contratação de obras públicas é ainda uma questão controversa. Pela Lei de Licitações (nº 8.666/93), o órgão público pode requerer da empresa contratada caução que cubra até 5% do valor total do negócio.

Esse teto sobe a 10% em casos de construções grandes e de alta complexidade, como, por exemplo, a usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. O montante pode ser apresentado na forma de seguro­garantia, fiança bancária, depósitos em dinheiro ou ainda títulos do Tesouro Nacional.

Mas nos percentuais atuais são considerados insuficientes para cobrir os riscos dos projetos. A elevação desses limites poderia dar mais segurança ao governo, que é o beneficiário, em relação ao cumprimento dos contratos.
Para as seguradoras, significaria mais receitas num primeiro momento, mas, também, um aumento dos riscos no pagamento de indenizações mais vultosas. E, para as empresas contratadas, um custo adicional. Esse percentual atual não é suficiente nem para cobrir as multas por quebra contratual, diz Rogério Vergara, presidente da comissão de riscos de crédito e garantia da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), para quem os recursos deveriam ser suficientes para o governo cobrir a retomada efetiva da obra, incluído todo o processo de contratação de um novo fornecedor.

Nos Estados Unidos, o performance bond ­ tipo de seguro­garantia que assegura a plena execução do contrato ­ cobre 100% do valor das construções acima de US$ 100 mil tocadas no âmbito federal. São as seguradoras que verificam a documentação, os riscos da empresa contratada, fazem o acompanhamento e assumem a indenização pela entrega da obra, explica Renato Kloss, da Siqueira Castro Advogados. Aqui, nosso sistema chama para o poder público toda essa responsabilidade. Na União Europeia, diz, a média de cobertura é de 30%, variando de acordo com cada país.

No Brasil, quando os negócios são fechados entre empresas privadas, o nível de garantias é bem maior. Silvia Vergara, superintendente de infraestrutura da corretora Marsh, afirma que o percentual fica entre 40% e 60%, dependendo das características de cada contrato. E, no ramo imobiliário, não raro chega a 100%. As garantias judiciais, em especial nas demandas tributárias, são de 100% do valor questionado, lembra.

Na avaliação de Kloss, o poder público poderia ganhar ao compartilhar com as seguradoras responsabilidades como o acompanhamento da obra. Os 5% são inócuos e não mitigam risco algum. Paga algum custo da administração pública, mas não coloca a obra em pé. Para Silvia, o ponto principal é o custo que o governo terá ao substituir a parte inadimplente.

E isso varia de acordo com o serviço contratado. Para um fornecedor de equipamentos, exemplifica, o percentual de garantia deveria ser mais alto do que o de uma obra. Se a empresa contratada fabrica o produto e, antes de entregar, entra em processo de falência, esse material vai direto para a massa falida, diz. Diferentemente, na obra pública, ao menos a etapa entregue está no local de propriedade do contratante.

Os limites para as garantias que vigoram atualmente foram estabelecidos no início da década de 90. À época, havia o monopólio do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) e a configuração do mercado segurador brasileiro era outra.
De acordo com Aldo Mattos, engenheiro e consultor na área de gerenciamento de projetos e obras, o temor dos legisladores ao estabelecer os percentuais era dar muito poder às seguradoras ao mesmo tempo em que não queriam onerar as empresas. Em 2013, o próprio governo fez um movimento para tentar elevar de 5% a 30% esse percentual. Já naquele momento avaliava que o limite era insuficiente para garantir seus próprios projetos.

A lei nº 8.666 não foi modificada, mas a lei do Regime Diferenciado de Compras (RDC) entrou em vigor, sem especificar limite para a garantia. Especialistas julgam que as estruturas das obras se tornaram mais complexas e que o mercado de seguros está maduro para assegurar o novo ciclo de investimentos em infraestrutura. Segundo estudo elaborado pela Confederação de Seguros Gerais (CNseg), o mercado segurador brasileiro possui condições econômicas para que os limites de garantia previstos na lei sejam elevados.

E, porque consegue analisar, monitorar e fiscalizar o risco que estará garantido, torna­se fator importante de controle da obra, em benefício de sua conclusão, de seu resultado. A intenção não é ficar buscando indenizações, mas terminar as obras, diz um executivo do mercado segurador. Para ele, principalmente neste momento em que o governo brasileiro quer atrair investimento estrangeiro para seus projetos de rodovias, portos, ferrovias e aeroportos, é preciso repensar o percentual de limite para as garantias.

Por outro lado, André Rodrigues Corrêa, que ministra a disciplina de contratos na FGV Direito, chama a atenção para a necessidade do aumento do controle do cumprimento efetivo das apólices, tendo em vista a elevação de custos que essa revisão dos limites poderia impor. A opinião é compartilhada pelo advogado Ernesto Tzirulnik e presidente do Instituto Brasileiro de Direito do Seguro (IBDS), para quem a preocupação, além da magnitude dos limites, tem de se voltar para o conteúdo. Era comum ouvir executivos de grandes seguradoras dizer que o seguro­garantia não era para indenizar, apenas para viabilizar os negócios entre o contratado e o dono da obra, conta, ressaltando que esse ótica vem mudando.

Tzirulnik diz acreditar que os legisladores deveriam criar um modelo de texto para que as apólices melhorassem a eficácia do seguro­garantia. Ele afirma que, com os reflexos dos eventos sobre a corrupção na Petrobras, o grau de exigência pelo cumprimento das indenizações se elevou tanto pelo setor público como privado. As empresas passaram a rever e exigir mais das apólices de seguro­garantia. Faz essa afirmação com base na evolução do número de conflitos entre segurados e seguradoras tocados por seu escritório: entre 1984 e 2014 foram oito casos e, no último um ano e meio, 30. Pouco se aciona o seguro­garantia no Brasil. Dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) mostram que, em 2014, apenas 5% do segurogarantia para contratos de obras públicas foi ativado e 23% no setor privado. Tzirulnik estima que daqui para frente o percentual de sinistros deve subir. Creio que as seguradoras devem aumentar suas provisões, reduzir as comissões, ter mais rigor do ponto de vista atuarial e de políticas comerciais, recomenda.

SindSeg BA/SE/TO realiza campanha educativa durante as festas juninas

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Todos os anos, os tradicionais festejos juninos movimentam a Bahia colocando as cidades do interior entre os principais destinos do período. Com o aumento do número de baianos viajando, a segurança nas estradas necessita de um alerta ainda maior. As festas da temporada são marcadas pela elevação dos acidentes de trânsito, em sua maioria, causados pela combinação de velocidade e uso de bebidas alcoólicas.

Atento a este momento, o Sindicato das Seguradoras da Bahia, Sergipe e Tocantins (SindSeg BA/SE/TO), realiza em parceria com a Polícia Rodoviária Federal (PRF-BA) mais uma etapa da campanha educativa, com abordagem voltada para os condutores e passageiros que vão sair da capital nos próximos dias.

Foram instalados 12 outbus nas traseiras de ônibus com circulação nas principais vias de Salvador, além de 10 outdoors situados nas rotas de maior fluxo do estado: Feira de Santana, Eunápolis, Serrinha, Simões Filho, Amélia Rodrigues, Candeias e Vitória da Conquista.

“Em mais uma ação com a PRF, o SindSeg reforça seu papel na construção de um trânsito mais seguro. É nosso dever contribuir para que o São João da Bahia seja lembrado também como uma festa de paz nas estradas”, pontua o presidente do SindSeg BA/SE/TO, João Giuseppe Esmeraldo.

Na Bahia, o período junino é considerado o principal evento de interiorização do turismo. Entre os dias 19 e 25 de junho, estima-se que 500 mil pessoas deixem a capital para aproveitar os festejos. Segundo a PRF, está previsto também um aumento de mais de 50% no fluxo de veículos, entre saídas e retornos.

O uso de tecnologia é intenso e o ​​desafio é acompanhar a comunicação da ​​sociedade​, diz Velasques

ciab 2015A tecnologia favorece o desenvolvimento do mercado segurador e, ao mesmo tempo, impõe uma série de desafios. “O setor de seguros se inspira muito nas conquistas do mercado financeiro, setor líder em inovação e segurança de dados, o que é fundamental para a atividade que tem como objetivo justamente prevenir ​​riscos”​, pontua o diretor do Grupo Bradesco Seguros, Eugênio Velasques, no painel “Desafios da Distribuição de Seguros”, que compôs a Trilha de Seguros criada pela CNseg para o CIAB Febraban 2015.

O objetivo foi discutir os desafios do mercado segurador na distribuição do seguro e as plataformas futuras que farão com que o setor de seguros chegue a todos os cantos do país. No setor de seguros, segundo o executivo, como toda operação que envolve valores, o uso de tecnologia é intenso e o grande ​​desafio é acompanhar esse desenvolvimento das plataformas de comunicação da ​​sociedade​,​ sem colocar em risco a atividade e seus produtos. O uso de sistemas móveis é crescente em todo o mundo, com ​diversos​​​ setores voltados para essa realidade.

A quebra de fronteiras, por meio dos avanços tecnológicos, é outro fator a ser analisado, pois a concorrência num mercado globalizado impõe esse choque tecnológico. Nesse campo, é inegável a liderança das instituições financeiras brasileiras que, ​mesmo ​convivendo durante longo período com toda sorte de turbulências e cálculos de correção inflacionária, ​conseguiram se ​​adequar​, tornando-se referência ​em segurança d​e​ dados. O mercado segurador, portanto, diz Eugênio Velasques, inspirado pelos bancos, é parte dessa vitalidade com que o tema sempre foi tratado e ​tem como premissa de suas ações ​a busca constante por segurança.​

Seguros de linhas financeiras avançam no Brasil

Fonte: CNseg

fenseg linhas financeiras 2Os seguros de linhas financeiras seguem uma trajetória de sucesso no Brasil. Um dos termômetros para medir o crescimento do segmento é o III Encontro Internacional de Linhas Financeiras, que acontece nesta quinta-feira (18), em São Paulo, promovido pela Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), com o apoio da Escola Nacional de Seguros e da Associação Brasileira de Gerenciamento de Risco (ABGR).

“Na primeira edição, tivemos 120 inscritos. Na segunda, 180. E agora, 250”, comemora o diretor executivo da FenSeg, Neival Freitas, durante a abertura do seminário, que conta com a presença de escritórios de advocacia e corretores de seguros especializados na matéria, além de técnicos em áreas de gerenciamento de riscos.

O crescimento do Directors & Officers (D&O) avança 49% até abril, e o seguro de Erros & Omissões (E&O) 21%. “O D&O ainda é pouco conhecido pela sociedade brasileira. É por isso que estamos aqui reunidos. Para uma melhor divulgação de um produto que tem muito para contribuir com empresas e executivos. O objetivo deste encontro é explicar como funciona e discutir o que pode ser feito para aprimorar o desenvolvimento deste mercado. Para tanto, contamos com a presença de escritórios de advocacia e corretores de seguros especializados na matéria, além de técnicos em áreas de gerenciamento de riscos”, disse.

Freitas aproveitou a abertura do encontro para fazer um balanço positivo do mercado, apesar da crise que a economia brasileira enfrenta. De acordo com dados da Susep compilados pela FenSeg, a apólice de Risco Ambiental, apesar de ter uma base pequena ainda no Brasil, apresentou crescimento de 167% entre janeiro a abril de 2015, comparado com o mesmo período do ano anterior.

O seguro Garantia também avança, em quase 40% até abril, apesar da paralisação das obras públicas, motivada pela recente Lei nº 13.043, de novembro do ano passado, que tratou de incluir o seguro Garantia Judicial no rol das modalidades previstas na Lei de Execuções Fiscais, destaca Freitas.

Também o seguro Habitacional está entre os nichos com alta de dois dígitos, com crescimento de 20% nos quatro primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. “Apenas seguro Automóvel sofreu um impacto maior com a crise da indústria automobilística, mas, mesmo assim, apresenta crescimento de 6%. O que mostra que, apesar da crise, a indústria de seguros se comporta bem”, disse Freitas à plateia.

Estrangeiros mostram que os desafios no D&O é mundial

fenseg linhas financeira 1A palestra “Riscos Emergentes e Ciclos de Mercado” trouxe a mensagem de que o mercado de Directors and Officers Liability Insurance (D&O), ou Responsabilidade Civil do executivo, opera em ciclos em todo o mundo. Ora com taxas em baixa diante da grande competição. Ora com taxas salgadas para compensar perdas com indenizações e saída de players do segmento.

No Brasil, o produto deixa o ciclo de competição para viver condições mais duras de negociações, o que tem gerado grande desconforto na relação entre clientes, corretores e seguradoras. “As condições estão mais difíceis em todo o mundo para alguns segmentos. Não para todos”, frisou o mediador do painel, Celso Soares, da Zurich Seguros.

À medida que as seguradoras têm uma percepção de risco maior diante do cenário brasileiro de investigações de corrupção, queda do PIB, redução de negócios e também com a Lei Anticorrupção, é natural que se passe a analisar de forma mais aprofundada as condições de contratados solicitadas pelos clientes e trazidas pelos corretores, afirmam os participantes do painel.

O crescimento no volume de prêmios, que chega a quase 50% nos quatro primeiros meses do ano, vem do aumento do preço do seguro e da maior percepção de riscos pelos clientes, que pedem aumento das importâncias seguradas. A grande mensagem deixada pelos debatedores é que os subscritores têm de mudar para se adaptar neste momento de negociações mais cautelosas. “As grandes seguradoras querem se manter no negócio, esteja o mercado em um momento “soft” ou “hard”. No Brasil, os preços de D&O vinham caindo todo ano. E agora a dinâmica mudou. Mas mesmo essa mudança não dura para sempre”, frisou Marcus Smithson, da Generali.

Segundo o subscritor Kevin Lacroix, especialista no tema Linhas Financeiras, o caso da Petrobras, investigada por corrupção, é grave, mas o mercado internacional percebe que não há indicação de falta de disciplina dos subscritores de risco das 12 seguradoras que atuam no segmento no Brasil. E também não há pânico. É apenas uma mudança na dinâmica de oferta, e os resseguradores e seguradoras analisam onde podem ter sinistros. “O Brasil não é o único nesta situação. Em nível global, no segmento de Linhas Financeiras, as condições de negociação do seguro seguem a situação da economia. Não vou tentar prever o futuro, mas há um potencial de que em médio prazo tudo se acomoda”, afirmou.

fenseg linhas financeiras E&OO Brasil vem avançando na demanda de seguros conhecidos como Erros & Omissões (E&O). Embora seja relativamente novo no Brasil, o produto tem expansão crescente em mercados variados, com destaque para Engenharia e Arquitetura, e menos acelerada em outros setores. Em razão da procura, esses dois segmentos são os que mais têm chamado a atenção dos seguradores e corretores de seguros.

Esse tipo de apólice tem sido um diferencial de atendimento exclusivo ao cliente, bem como garantia de reparação por eventuais falhas. “É necessário que as seguradoras e corretores estejam preparados para o atendimento da demanda, visto que é um tema em constante evolução”, ressalta o palestrante Luiz Antonio Oliveira, superintendente de Riscos Especiais – Financial Lines – E&O & Responsabilidade Ambiental da LIU, Divisão de Riscos Especiais da Liberty Seguros.

A sobreposição entre alguns seguros, como RC Profissional, Riscos de Engenharia e RC Obras, foi o que mais demandou perguntas da plateia durante o painel “Soluções para Riscos Profissionais em Projetos Específicos”. Ter apólices claras e com responsabilidades bem determinadas para evitar discussões sobre de quem é a responsabilidade de pagar ou regular o sinistro. Isso evita o desgaste com o cliente, que fez o seguro para não ter problemas em um momento de crise.

A sobreposição, geralmente, está no RC Profissional com o Risco de Engenharia, no qual é preciso determinar o dever de quem supervisiona a obra; no RC Profissional com RC Obras, no qual a responsabilidade está no gerenciamento de projeto e o dever de supervisionar a obras versus o erro de projeto. Já o dano material ao proprietário da obra versus propriedade circunvizinha é a sobreposição do Risco de Engenharia e RC Obras.

Geralmente, as apólices são compradas para um projeto específico, com período determinado de conclusão, o que torna o risco da seguradora determinado ao prazo de conclusão do empreendimento. Flávio Sá, da AIG, explicou os três seguros, destacando que o RC Profissional tem o conceito de cobrir erros do cunho intelectual, ou seja, Projeto de Engenharia. Já o Risco de Engenharia tem o objetivo de cobrir danos físicos à obra. Já o RC Obras tem garantias até o final do projeto ou até o fim do período de teste, com indenizações previstas com base em reclamação de terceiros, decorrentes de acidentes, que se encerram com o fim das obras.

Outra dúvida é quanto ao risco das incorporadoras, que assumem o risco desde a compra do terreno até a venda para o consumidor final. Segundo o executivo da LIU, há forte demanda, inclusive para cobrir a intermediação das vendas, mas ainda está em discussão no Brasil ofertar um produto com tamanha complexidade. “Identificar as responsabilidades de cada integrante da cadeia de um projeto, pois a incorporadora tem uma responsabilidade enorme, é um desafio para todo o setor”, acrescentou Rodrigo Cardona, da Zurich.

fenseg linhas financeiras ultimaA Lei Anticorrupção foi tratada no último painel do III Encontro Internacional de Linhas Financeiras. O painel começou com uma palestra do advogado Salim Jorge Saud Neto, do escritório Mayer Brown. Ele fez uma introdução sobre as leis mundiais sobre punição de condutas ilícitas, uma vez que a corrupção é algo generalizado em todo o planeta, afirmou. Com exceção dos EUA, Canadá, Austrália e Japão, o restante do mundo tem índice de corrupção relevante, de acordo com pesquisas sobre a percepção de executivos. A nota do Brasil, no ano passado, (antes de estourar o caso Lava Jato) foi 43ª, melhor do que boa parte dos nossos vizinhos da América Latina, mas está na 69ª colocação no ranking de 175 países.

Com a pressão internacional, vários países assinaram convenções, inclusive o Brasil. Em 2013, o país conviveu com o julgamento do Mensalão e manifestações populares, o que acabou por pressionar a assinatura da Lei 12.846, que é muito mais ampla do que temos no mundo, e que foi editada às pressas. Conhecida como Lei Anticorrupção, o regulamento estabelece sanções a dolo contra a administração pública.

Isso mudou a vida dos gestores. São considerados atos lesivos prometer, oferecer ou dar direta ou indiretamente vantagem a agente público, bem como financiar, custear ou patrocinar atos ilícitos. Também contratar alguém para violar a lei é um ato lesivo, manipular contratos e dificultar atividade de investigação de entidades ou agentes públicos. As multas vão de 0,1% a 20% do faturamento bruto da empresa. Se não conseguir mensurar o faturamento, a penalidade vai de R$ 6 mil a R$ 60 milhões.

E onde entra o D&O? Os dirigentes contam com mais uma Lei para serem responsabilizados por acusações de má gestão. Uma forma de evitar problemas com a lei é ter programas de compliance, como comprometimento da alta direção, padrões de conduta, código de ética, políticas e procedimentos de integridade. Além disso, precisa ter registros contábeis, canais de denúncias de irregularidades entre outros. “E também transparência na doação de campanhas de partidos políticos”, acrescentou Saud Neto.

As seguradoras passaram a se preocupar mais com o tema corrupção, tanto pelo que a mídia traz sobre corrupção, como também pela Lei Anticorrupção. “A lei trouxe um risco legal para as empresas, mas um efeito positivo grande, pois funciona como um incentivo e um guia de medidas que as empresas têm de adotar para evitar as situações de fraude”, comentou Gustavo Galrão, da Argo Seguros.
A Lei começou a valer em 2014. A dúvida é o que acontece, pois as denúncias que estão sendo reveladas agora pela mídia aconteceram antes da promulgação da lei. “Primeiro conselho é que o administrador que sentar na cadeira de um gestor afastado por corrupção é ter um D&O”, recomendou Giovanni Paolo Falcetta, da AIDAR SBZ.

A confissão, em termos de seguro, está excluída do D&O. Já no acordo de leniência, há dúvidas se está excluído da cobertura do seguro. Em relação à delação premiada, o individuo está confirmando a sua participação no crime e, por isso, é tido como praxe nas seguradoras que está excluído. No entanto, a discussão está latente no setor.

Falcetta explica que há dúvidas no meio jurídico, apesar de estar claro que o acordo de leniência é voltado para pessoa jurídica e a delação para pessoa física. E ainda tem o terceiro, alguém contratado pela empresa para cometer o ato ilícito. Poucas seguradoras analisavam, no passado, se as empresas tinham contratos com governo. Agora, com a lei, essa é uma grande preocupação. “Acho que faz sentido olhar para isso. Colocar exclusão é uma medida simplória, mas é um tema que precisa ser debatido”, diz Galrão, que também preside a comissão de Linhas Financeiras da FenSeg.

A opinião dos participantes do painel é que a lei veio para terceirizar a obrigação de monitorar a atuação no mercado. Trata-se de um tema ainda complexo e que exige muito estudo e discussões dos executivos que atuam com os seguros de Linhas Financeiras.