CIAB: Regras rígidas de solvência e elevada taxas de juros inibem investimento em inovação

Muitos se perguntam por que as seguradoras demoram tanto para aderir ao mundo digital, com propostas enviadas ao mobile e que podem ser compradas sob medida com poucos cliques. O blog Sonho Seguro foi buscar algumas respostas com especialistas que estavam presentes na 27a. edição do CIAB Febraban, realizado entre os dias 6 e 8 de junho.

Ricardo Saponara, especialista em prevenção a fraudes em seguradoras do SAS Brasil, ressalta que para entender corretamente o aspecto de risco nas seguradoras, precisa-se distinguir os riscos inerentes ao capital de solvência dos riscos relacionados aos processos da seguradora. “O mercado de seguros, no que diz respeito à regulamentação de solvência, tem uma postura conservadora quando comparada com outros países, inclusive os mais desenvolvidos”. Isso porque a legislação exige muito mais capital e tem menos flexibilidades nas alternativas de investimentos dos ativos garantidores.

As seguradoras, por outro lado, num momento onde os investimentos em títulos públicos são uma das melhores opções, e tendo as mesmas como possibilidade de aplicações de até 100% nestes ativos, estão confortáveis com este cenário, apresentando pouco risco e alta rentabilidade. “Identifica-se, inclusive, grupos seguradores estrangeiros, que remetem capital ao Brasil com a justificativa de alocação de capital para fins de solvência, que buscam no fundo uma melhor rentabilidade de seus ativos, pois em sua matriz europeia, asiática ou americana, as taxas de juros apresentam rentabilidade muito baixa e até mesmo negativa”, revela. Assim, não há uma vontade proeminente de grupos internacionais trabalharem na utilização de tecnologias que visam uma alocação mais eficiente do capital.

Por outro lado, diz ele, o tema risco não se baseia exclusivamente na solvência e necessidade de capital, mas passa também pelo lado operacional, de redução de perdas e fraudes, no risco de exposição de sua marca e na melhor aceitação de riscos com sua correta precificação. Nesses aspectos, Saponara acredita que as seguradoras estão avançando a passos largos e as demandas pela utilização de tecnologias para atender esses temas vêm crescendo de forma exponencial.

Com a Base de Perdas Operacionais (BDPO) identificando os erros processuais que geram perdas financeiras que podem ser evitadas através da utilização de tecnologias de monitoramento, ele acredita ser possível afirmar que isso é motivado pela própria exigência regulatória quanto à gestão do risco operacional.

O tema de prevenção a fraudes também vem tomando corpo, ressalta, principalmente em épocas de crise, onde o aumento de vendas se torna um desafio e os investimentos em projetos, que viam a manutenção da lucratividade através da redução de desperdícios, aumenta.

Já na estratégia de aceitação de novos clientes, a tendência em cada vez melhor segmentar os clientes pelos seus comportamentos também vem atraindo investimentos significativos. “Na era da informação em que vivemos, os temas de Analytics e Internet das Coisas (IoT) estão cada vez mais presentes nas mesas de reunião de diretoria das seguradoras”, comenta.

Para ele, o mercado de seguros irá experimentar um mudança cultural, dirigida pelos próprios consumidores, que começarão a exigir um prêmio mais justo dado seu perfil comportamental, aceitando ser monitorado constantemente. A captura desses dados (IoT) sem a correta análise (Analytics) se tornará somente um grande repositório de dados, adverte.

As seguradoras já identificaram isso e começaram a se mover para se adaptar. Como todo processo de evolução, os primeiros surfam a melhor onda, e no mercado de seguros isso é ainda mais cruel, criando um cenário de anti-seleção, onde o prêmio mais correto vai atrair o bom risco e expulsar o mau risco, deixando para as empresas que demorarem a se adaptar um cenário inverso, pois cotando com um prêmio médio, irá atrair o mau risco e expulsar o bom risco, sentencia o especialista.

Com reforma da Previdência, Selic deve ficar em 9% no final do ano

José Pena, economista chefe da Porto Seguro, sobre o mercado: “Em um país como o nosso, economia e política estão intrinsicamente ligadas e é inevitável que uma afete a outra, ainda mais no cenário atual. Estamos em pleno julgamento pelo TSE da chapa Dilma-Lula, que na hipótese de absolvição, o atual presidente Michel Temer pode recuperar parte de sua força política e teríamos o cenário positivo de uma reforma previdenciária nota 3 ou 4 e sendo aprovada no final desse ano. Nesse caso, podemos esperar a Selic ao redor de 8,5% ou 9% ao final do ano. Com relação ao câmbio do real poderia encerrar o ano, nessa hipótese, no patamar atual de 3,20/3,30.”

Ouça: aqui

Governo promete R$ 550 milhões para subvenção ao seguro rural

Boa notícia para as seguradoras que atuam com o mundo rural. O governo federal anunciou ontem R$ 190,25 bilhões em recursos para o Plano Agrícola e Pecuário 2017/2018. Apesar do contingenciamento feito em diversas pastas, o valor supera os R$ 185 bilhões disponibilizados para o período entre julho de 2016 e junho de 2017. O produtor poderá contar com R$ 550 milhões do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), em 2018. Outros R$ 1,4 bilhão serão disponibilizados para apoio à comercialização.

O Inovagro tem entre seus objetivos financiar equipamentos de agricultura de precisão e terá, à sua disposição, R$ 1,26 bilhão em recursos, com limite de R$ 1,1 milhão por produtor. Ainda no âmbito deste programa, será disponibilizada uma linha de crédito para facilitar a conectividade no campo, em ações para informatizar e dar acesso à internet às propriedades rurais.

O governo estima que a produção agrícola aumente no período e fique em 232 milhões de toneladas de grãos: um aumento de 24,3% na comparação com a safra 2016/2017. Para dar conta desse aumento na safra, serão disponibilizados R$ 1,6 bilhão em recursos para investimento em armazenagem.

As cascas de bananas do seguro

Fonte: Portal Risco Seguro (http://riscosegurobrasil.com)

A gestão das mudanças tecnológicas e estruturais do mercado é o maior desafio enfrentado pela indústria dos seguros em todo o mundo, de acordo com um estudo realizado pelo Centro para o Estudo das Inovações Financeiras, CSFI na sigla em inglês, um think tank sediado em Nova York, a pedido da PwC. O portal Risco Seguro traduziu uma parte do relatório Insurance Banana Skins (As Cascas de Banana do Seguro), que é realizado a cada dois anos, também posiciona os riscos cibernéticos e a adoção de novas tecnologias entre os três principais temas que necessitam a atenção da indústria neste momento. Entre as empresas latino-americanas, por exemplo, a performance dos portfólios de investimentos ficou no topo da lista, quem sabe devido a temores quanto ao modesto desempenho recente das economias da região e, no caso específico do Brasil, o início do ciclo de redução das taxas de juros. Os juros altos salvaram os resultados de muitas seguradoras do país nos últimos anos. Entre os 836 participantes, 18 são empresas brasileiras responderam ao questionário.

Vida e Seguros Gerais – As seguradoras de vida listaram neste mesmo estudo como maior risco as baixas taxas de juros dos países desenvolvidos, que prejudicam sua capacidade de obter rendimentos capazes de cobrir seus compromissos de longo prazo. Já as de não-vida escolheram as novas tecnologias, e as resseguradoras, as ameaças cibernéticas. O resultado reflete o estado de transformação em que os seguros se encontram atualmente. Em 2015, a gestão de mudanças ocupava apenas a sexta colocação do ranking, enquanto os riscos cibernéticos ficaram em quartos, e a adoção de novas tecnologias nem aparecia entre as “cascas de banana” do setor. Entre os seguradores não-vida, a possibilidade de defasagem tecnológica foi a “casca de banana” que ficou em primeiro lugar no ranking.

Falta de rebolado – A falta de rebolado da indústria foi motivo de especial crítica por parte de muitos entrevistados, que usaram termos como “lentidão glacial” para descrever a capacidade do setor de reagir a mudanças. As mudanças que preocupam as seguradoras, resseguradoras e corretores dizem respeito não só ao impacto das novas tecnologias, mas também aos novos hábitos dos consumidores. “São muitos os desafios”, afirma o relatório. “Mercados que se transformam rapidamente, expectativas mais altas dos consumidores e novos canais de distribuição ameaçam o modelo de negócios tradicional do seguro, ao tempo que os atuais incumbentes, freados por antigos sistemas e modos de pensar, têm dificuldade para inovar em um ambiente que não lhes é familiar.”

Irrelevância – “O principal risco que a indústria enfrenta é a irrelevância”, alertou um respondente. Exemplos de novas tecnologias que preocupam o setor incluem os automóveis sem motorista, a internet das coisas, a inteligência artificial e avanços da genética e telemática, entre outros. Tais mudanças devem atingir tanto a organização das empresas do setor, quanto o seu balanço, já que devem influenciar a frequência e valor dos sinistros sofridos pelos clientes. No campo comportamental, os participantes dizem que as novas gerações parecem menos dispostas a comprar apólices de seguro, e as empresas do setor não estão conseguindo adaptar seus canais de distribuição aos hábitos destes novos consumidores.

Riscos cibernéticos – Os riscos cibernéticos foram os que receberam o maior número de avaliações máximas de severidade dos participantes e estão no topo da lista em todas as regiões pesquisadas. A única exceção foi a China, onde os participantes da pesquisa avaliaram o risco cibernético como uma ameaça pouco importante em seu mercado. Vários respondentes disseram que é só uma questão de tempo até que alguma seguradora seja alvo de um grande ataque de hackers, com um impacto catastrófico no mercado. Os principais focos de preocupação são o roubo de dados de clientes e o sequestro dos sistemas, além da contaminação dos bancos de dados das empresas do setor e o furto de propriedade intelectual. E isso sem começar a falar sobre a dificuldade do mercado em fornecer coberturas de risco cibernético a seus clientes e as elevadas perdas que o setor pode sofrer em indenizações em caso de um evento cibernético catastrófico.

Caixa Seguridade volta a discutir a parceria com a francesa CNP

A Caixa Seguridade Participações comunicou ontem ao mercado em geral que, tendo em vista o vencimento em 14 de fevereiro de 2021 do Acordo Operacional que disciplina o acesso exclusivo por parte da coligada Caixa Seguros Holding e suas controladas à rede de distribuição da Caixa (“Acordo Operacional”), seus assessores financeiros BB Banco de Investimento e Banco de Investimentos Credit Suisse Brasil iniciaram discussões com os representantes da CNP Assurances sobre eventual renegociação de escopo, termos, condições e prazo do Acordo Operacional.

O comunicado foi assinado por Thiago Souza Silva, diretor de administração, finanças e relacionamento com Investidores da Caixa Seguridade Participações.

Novo CEO da JLT para a AL visita o Brasil

Fonte: JLT

Acompanhado dos CEOs das maiores operações do grupo na América Latina, o novo CEO da JLT para a região, Mark Drummond-Brady, se reuniu ontem em São Paulo com executivos de seguradoras, resseguradoras e grandes clientes do mercado brasileiro. O encontro marcou a criação do novo Comitê JLT para América Latina e refletiu o otimismo do grupo com a região.

“A América Latina representa 15% do faturamento da JLT. É uma região importante, onde podemos reforçar nossa estratégia de crescimento orgânico sendo inovadores, com a oferta de novos produtos. É isso que os clientes esperam em momentos de crise”, disse.

O executivo ressaltou a atuação global do grupo, presente em mais de 40 países, mas enfatizou a importância do Comitê em uma estratégia regional. “Temos que pensar na JLT como uma marca regional e não local, garantir que os clientes nos desafiem com novas ideias e pensar em maneiras de melhorar a entrega com soluções regionais”, afirmou.

Responsável pela reestruturação da operação da JLT no Brasil há 10 anos, Brady se disse orgulhoso com o time da empresa no país. “Fui responsável por montar esse negócio há dez anos porque sempre acreditamos nesse modelo de ter uma conexão maior com a região. Estou orgulhoso do time que montamos”, completou.

Sobre o mercado, o executivo comentou o problema do excesso de capitais, que tem afetado as taxas de seguros e resseguros no mundo todo. “O setor de seguros está sofrendo, mas isso tende a mudar”, afirmou.

O CEO da JLT Brasil, Nicolau Daudt agradeceu a presença dos CEOs dos países vizinhos e comemorou a integração. “No Brasil, a JLT tem sido pioneira em integrar soluções de seguros e resseguros para garantir o melhor para os clientes. O Comitê para AL ajuda a ampliar essa integração. As fronteiras estão caindo. As seguradoras precisam de soluções regionais e cada vez mais complexas”, completou.

CIAB: Transformação digital: ainda é preciso estratégia para customizar a experiência do consumidor

O estudo foi divulgado em novembro de 2016, mas é tão real que vale a re-publicação aqui para quem não leu no ano passado. Ainda mais com o tema CIAB nesta semana.

Ai vai:

Novo estudo realizado no Brasil pela Capgemini, um dos líderes mundiais em serviços de consultoria, tecnologia e terceirização, e pela Pegasystems, provedora líder em aplicações estratégicas de negócios, mostra que, embora 70% das seguradoras estejam investindo em transformação digital para trazer eficiência e consistência em seus canais digitais, 33% ainda não buscam personalizar a experiência de seus clientes finais. A pesquisa enfatiza a importância de tornar digital e multicanal o atendimento ao consumidor, uma prioridade para acompanhar as mudanças atuais e futuras.

As mídias sociais estão sendo usadas para atendimento ao cliente (52%), para monitorar reputação da marca (48%) e para promover produtos e serviços (49%), mas ainda são poucas as empresas que os utilizam para concretizar vendas. Apenas 15% das empresas entrevistadas utilizam esses meios para vendas diretas ao consumidor. Entre os canais mais utilizados estão internet (86%), mídias sociais (77%) e serviços móveis (70%). Apenas 44% utilizam dispositivos incorporados em produtos, para se preparar para a era da Internet das Coisas (IoT).

“Possuir informações atualizadas e em tempo real pode fazer toda a diferença para uma seguradora oferecer o serviço adequado e na hora certa. Um exemplo é o caso de um casal que acabou de um ter filho. Esse seria, por exemplo, o momento ideal para ofertar um seguro de vida ou um plano de previdência. Outra excelente oportunidade para as seguradoras está na integração com outras cadeias de valor, gerando novos ecossistemas, como é o caso do aplicativo para celulares que conecta motorista a passageiros para um serviço de transporte similar ao táxi, que oferece aos motoristas conveniados a possibilidade de contratar seguro para seus passageiros”, explica Carlos Mazon, COO da Capgemini no Brasil.

Apesar de concordarem que a transformação digital é essencial para o posicionamento estratégico do negócio, a maioria das empresas ainda precisam melhorar a maneira de implementá-la. A introdução de novas tecnologias, por si só, não será suficiente, a partir do momento que o importante não são as tecnologias em si, mas como usá-las de maneira eficiente. Apesar de 67% das seguradoras já monitorarem suas operações em tempo real, apenas 41% possuem processos capazes de se adaptar rapidamente às mudanças externas.

A pesquisa também mostrou que a velocidade exponencial da revolução tecnológica e o crescente empoderamento dos consumidores, que demandam cada vez mais experiências de interação e engajamento flexíveis, vêm exigindo das seguradoras novas formas de oferecer produtos e serviços por meio de tecnologias digitais. “Diante deste cenário, fica claro que as seguradoras têm duas opções: ou se movem e atravessam efetivamente esse processo de transformação digital, ou esperam que novos entrantes ganhem cada vez mais mercado, como já aconteceu com outros segmentos de negócios”, conclui Mazon.

Metodologia da pesquisa

A pedido da Capgemini no Brasil, a Coleman Parkes Research, uma organização de pesquisa independente sediada no Reino Unido, realizou uma análise detalhada de questões-chave nas áreas de negócios e tecnologia da indústria de seguros no Brasil. O relatório foi baseado em 27 entrevistas com executivos C-level (CDO / CIO / COO) ou com aqueles que relatam diretamente a esses profissionais (gerente de TI, gerente de vendas, entre outros).

Metodologia da pesquisa

A pedido da Capgemini no Brasil, a Coleman Parkes Research, uma organização de pesquisa independente sediada no Reino Unido, realizou uma análise detalhada de questões-chave nas áreas de negócios e tecnologia da indústria de seguros no Brasil. O relatório foi baseado em 27 entrevistas com executivos C-level (CDO / CIO / COO) ou com aqueles que relatam diretamente a esses profissionais (gerente de TI, gerente de vendas, entre outros).

O estudo pode ser lido na íntegra: aqui

Resgates na capitalização se mantêm estáveis no trimestre

Release

O volume de retiradas efetuadas por clientes de títulos de capitalização no primeiro trimestre de 2017 ficou em R$ 4,59 bilhões, apresentando um pequeno recuo em relação a igual período do ano passado, quando os resgates finais e antecipados atingiram R$ 4,73 bilhões. As reservas técnicas, constituídas pelas economias dos clientes com títulos ativos, somaram R$ 28,93 bilhões, registrando uma redução de 4,8%.

“Essa redução nas reservas demonstra, de um lado, que muitos clientes lançaram mão de suas economias para fazer frente a alguma emergência financeira, movimento que foi mais intenso ano passado; de outro, reflete uma redução em vendas novas, o que já era esperado em vista da retração econômica”, diz Marco Barros, presidente da Federação Nacional de Capitalização.

A receita do setor atingiu os R$ 4,81 bilhões entre janeiro e março, montante ligeiramente inferior ao faturamento do primeiro trimestre do ano passado, quando a receita global alcançou R$ 4,87 bilhões. (decréscimo de 1,3%). Considerando a emissão de títulos obtida no período, em relação aos resgates efetuados, houve uma retenção de R$ 218,7 milhões no trimestre. Nos primeiros três meses do ano, as empresas de Capitalização distribuíram R$ 276,8 milhões em sorteios, o que corresponde ao pagamento de R$ 4,3 milhões em prêmios, por dia útil do período.

Bradesco Seguros comemora 13 anos do UniverSeg com mais de 1,5 milhão de participações em cursos

O UniverSeg – Universo do Conhecimento do Seguro, do Grupo Bradesco Seguros – completa 13 anos de atividades, investindo cada vez mais na capacitação técnica e profissional de funcionários, corretores e parceiros. Somente em 2016, foram investidos R$ 15,1 milhões, que resultaram, entre outras ações, em mais de 136 mil participações – 68.835 delas em cursos presenciais e 67.790 on-line. Desde 2004, já foram contabilizados mais de 1,5 milhão de participações em cursos à distância e presenciais.

O UniverSeg conta com a parceria da UniBrad, a universidade corporativa da Organização Bradesco, reconhecida como a melhor do mundo pelo GlobalCCU Awards 2017 (Conselho Global de Universidades Corporativas). No portal na internet (www.universeg.com.br), o UniverSeg disponibiliza, além de cursos, artigos, livros digitais, entrevistas, dicas de autodesenvolvimento e calendário de eventos. O acervo para consulta abrange mais de 700 livros digitais e seis mil videoaulas.

CIAB: Conservadorismo do mercado segurador, aos poucos, cede espaço para novas tecnologias

“Ser Digital”, tema da 27o edição do CIAB Febraban, está no status “download” no mercado segurador brasileiro e também internacional, apesar do crescente investimento do setor em startups, que ganhou até mesmo um termo próprio: insurtechs. Essa foi a conclusão do primeiro dia de debates da Trilha de Seguros, que conta com cinco palestras programadas para os dois primeiros dias da maior feira de tecnologia bancária da América Latina, que acontece de 6 a 8 de junho, em São Paulo.

“A crise arrefeceu o ritmo de crescimento do setor, que em 2016 apresentou avanço real de 4%. As vendas superaram R$ 400 bilhões, sendo que R$ 285 bilhões retornaram aos clientes em indenizações, resgates de títulos de capitalização e saques em planos de previdência. As provisões técnicas totalizaram R$ 820 bilhões e os ativos ultrapassaram pela primeira vez a casa de R$ 1 trilhão”, enumerou Alexandre Leal, superintendente executivo técnico da CNseg. “Mas a crise aguçou o ânimo das seguradoras em inovar em seus processos, produtos, serviços e comunicação para conquistar consumidores”, garantiu o representante da CNseg.

Gustavo de Souza Fosse, diretor setorial de Tecnologia e Automação Bancária da Febraban, afirmou na abertura da Trilha Seguros que os investimentos das seguradoras em tecnologia dobrou de forma espantosa desde que a internet possibilitou a comparação de preços dos produtos, especialmente o de automóvel. “O setor teve uma expansão impressionante. O número de aplicativos ofertados pelo setor aos clientes se multiplicaram nas lojas virtuais de uma forma que nem conseguimos dimensionar para quantificá-los. E isso tem trazido ao mercado consumidores que ainda não compravam seguros e, consequentemente, uma nova dinâmica no uso de tecnologias que auxiliam neste processo de intensas mudanças necessárias para ser digital”, comentou.

Boa parte das seguradoras ainda se prepara para ser digital. “Todos queriam conquistar novos consumidores e assim sair aquele perverso jogo de rouba montes de clientes. Mas agora todos percebem que essa nova conquista tem um elevado índice de sinistralidade (valor das indenizações pagas sobre o valor recebido do cliente), seja por uma precificação errada de produto ou por um mau uso do produto por parte do cliente. Mas inovar é isso. Um processo de aprendizado”, explica Marcelo Blay, CEO da Minuto Seguros, ao blog Sonho Seguro.

Carlos Eduardo Figueiredo, diretor da Deloitte, que apresentou detalhes sobre as plataformas digitais mundo afora, concorda. “Isso faz parte do aprendizado de todo setor que passa por uma grande transformação. É preciso testar. Ousar em errar. Dimensionar os custos e apostar em pequenas iniciativas para testar conceitos. Sabemos como começa uma plataforma, mas não sabemos como ela terá de se adaptar aos movimentos de um mundo novo para todos. Sabemos que o core business da estratégia tem de ser mantido. A forma é que deve ser adaptada”, enfatiza. “O Facebook criou a plataforma de relacionamento. Depois pensou em como iria ganhar dinheiro conectando pessoas”.

Apesar de o setor já contabilizar muitos projetos que dão um tom inovador ao setor, a contratação de seguros pela internet ainda depende do elemento humano, Blay afirma que o problema está na falta de experiência do brasileiro em comprar seguro bem como na complexidade dos produtos. “O cliente quer falar com alguém. Tivemos um caso de um cliente que saiu lá de Santos e veio até a nossa sede em São Paulo para fechar o negócio pessoalmente. E temos de estar preparado para lidar com todos os perfis de clientes, desde aquele que não quer receber uma ligação, só mensagens via whatsapp, até o que quer vir nos conhecer”, diz.

Levantamento da Minuto Seguros, com 80% das vendas em seguro de carro, revela que entre os clientes que contratam uma apólice, 70% estão fazendo isso pela primeira vez. Os números indicam ainda que estes compradores possuem entre 35 e 40 anos de idade e que os carros seminovos correspondem a pouco mais de 80% da base segurada. “Estou certo de que o mercado de seguros possui um potencial de expansão muito grande no Brasil e que para materializar esse crescimento é importante oferecer condições favoráveis e atendimento especializado para que os novos clientes se aproximem do setor, possam comparar as diversas propostas e avaliar a mais adequada de acordo com o seu perfil”, diz ele, que oferta produtos de 13 seguradoras.

Cristiano Barbieri, diretor de tecnologia da SulAmerica, concorda com Blay. Afirma que o principal desafio para as empresas adotarem não apenas a Internet das Coisas como também blockchain e outras novas tecnologias é cultural. “O primeiro desafio é desenvolver a cultura de seguros. Temos empresas sólidas e tradicionais, que tem dificuldade de entender que a transformação chegou. Empresas que não conseguem experimentar não se transformam em digital. Se não aprender a fazer projetos pequenos, não vai se transformar. Entendendo essa dinâmica, conseguimos avançar muito na SulAmérica, uma companhia cada dia mais moderna em seus 120 anos de idade”, diz.

Quanto a complexidade dos produtos, Blay reconhece que muita coisa já mudou, mas ainda há muito a ser feito, até mesmo em coisas banais. “Facilitaria muito padronizar alguns conceitos, como idade dos clientes jovens, de 18 a 25 anos, por exemplo”, cita. A classe de bônus do cliente também foi colocada em questão. “O cliente não sabe qual a classe de bônus dele. Pedimos para olhar na apólice e ele geralmente não sabe onde está a apólice. Ter esse bônus em um sistema de consulta facilitaria a vida de todos os envolvidos”, sugere o executivo.

O grande avanço foi permitir que o pagamento do seguro em débito na conta corrente. “Porém, o cliente tem de autorizar o débito no banco e muitos esquecem de fazer isso. Acabam achando que estão segurados e não, pois o seguro não foi pago”, explica o CEO da Minuto, corretora que já contabiliza 250 mil vendas em três anos, já administrou o pagamento de 25 mil indenizações e atendeu 100 milhões de cotações em 4 mil cidades do Brasil desde 2014.

“Essa é a realidade. Nascemos com a meta de ser online, mas ainda não conseguimos ser porque a cultura do brasileiro é essa. O conservadorismo do setor é esse. E por tudo isso, ao contrário de gigantes do mundo virtual que têm menos de 50 funcionários, como Waze ou Airbnb, nos temos 400 empregados para atender consumidores que ainda não conhecem o setor e seguradoras que temem perder dinheiro em um novo nicho de negócios como é o de fazer seguros de carros com mais de quatro anos de uso”, resume.

Todos concordam que um dos principais desafios do mercado segurador é capacitar os profissionais com as novas tecnologias, sendo necessário um plano de transformação digital para mudar a cultura de gestão no setor.

Soluções conectadas – Enquanto todos se ajustam para elevar as vendas de seguros, os consultores indicam as tendências mundiais. Carlos Eduardo Mazon, vice-presidente de operações da Capgemini, apresentou algumas conclusões de um estudo mundial. Nele, ficou claro que 87% dos clientes das seguradoras mostraram tendência em aceitar novas tecnologias na primeira oferta e disponibilizar informações pessoais que possam reverter em um preço menor. Inclusive, 46% deles se mostraram dispostos a comprar seguros de empresas de tecnologia, como o Google. “Isso é um grande ponto de atenção para o setor, que em 2016 investiu cerca de US$ 148 bilhões em TI. Veja as 10 principais tendências do mercado de seguros mundial reveladas pelo estudo da Capgemini:

– Inteligência artificial – Tem como foco principal a automação de processos, como chatbot mais inteligentes, além de propor novos produtos e serviços durante a interação de departamentos da companhia, como do que cuida de processos de analise de backoffice até o responsável por fazer o levantamento das perdas do cliente diante de um acidente. “São processos que podem ser automatizados, como o uso do drones, que faz o reconhecimento dos danos em áreas de catástrofes”, cita.

– Novos canais de distribuição – Uma das tendências é a utilização de pequenos negócios frequentados pelos clientes. Por meio da geo-localização, é possível fazer ofertas assertivas aos clientes utilizando-se de outras linhas de negócios. Um dos exemplos citado foi o Trivago, portal dedicado a pesquisar os melhores preços de hotéis para os internautas. “Esses canais começam a aparecer e são importantes para o cenário digital que se vislumbra pela frente”, afirma.

– Desagregacão com a cadeia de valor – Cada dia mais surgem empresas especializadas que fazem serviços que auxiliam as seguradoras, como o monitoramento de ativos ou o suporte médico residencial, por exemplo. Essas empresas, com o passar do tempo, se posicionam no mercado e passam a integrar os serviços das seguradoras.

– Economia compartilhada – Exemplo clássicos são os aplicativos Uber e AirBnb. Os consumidores aceitam o compartilhamento de informações se tiverem benefícios, como pagar menos pelo produto. Diante disso, as seguradoras precisam entender como se integra com os parceiros. “Uma das tecnologias presentes nas economias compartilhadas é o blockchain, que permite apólices compartilhadas sem conhecer quem faz parte do contrato”, citou.

– Mobile – Segundo Mazon, essa é uma das tecnologias mais disrupitivas. Certamente o uso de mobile tem a tendência natural de eliminar intermediários. O mobile por enquanto é usado para acumular aplicativos que visam facilitar o atendimento do cliente e pouco para novos negócios. Boa parte dos aplicativos tem como foco dar suporte a qualidade de vida dos segurados, como regrar hábitos alimentares e exercícios físicos.

– Iot e Analytics – Para o especialista da Capgemini, a Internet das Coisas é a principal revolução do setor, desde que as informações capturadas sejam bem analisadas. “Não adianta capturar dados. Tem de saber o que fazer com ele. “De que adianta ter 6 bilhões de dispositivos conectados se não analiso e cruzo as informações. A análise preditiva é vital para identificar riscos em determinados perfis de clientes, otimizar o ponto ideal do preço do produto, descobrir quais os novos riscos que surgem ao cruzar dados, além de permear todos os processos, inclusive auxiliando na detecção de fraude.

– Serviços com valores agregados – Essa já é uma tendência que já se consolidou no Brasil, com quase a maioria das seguradoras com um leque abrangente de parceiros com descontos do mais variado tipos aos clientes, como farmácias, academias, floriculturas, restaurantes entre outros.

– Blockchain – Ainda é um tecnologia que precisa de amadurecimento, mas abre diversas possibilidades de eliminar uma série de processos interno, como o gerenciamento das apólices e de sinistros.

– Simulação da realidade virtual – Eis uma tendência muito usada pelas áreas de marketing, de recursos humanos para treinamento e também pela subscrição, uma vez que permite análise de riscos de uma forma mais abrangente do que a tradicional.