Fonte: Portal Risco Seguro (http://riscosegurobrasil.com)
A gestão das mudanças tecnológicas e estruturais do mercado é o maior desafio enfrentado pela indústria dos seguros em todo o mundo, de acordo com um estudo realizado pelo Centro para o Estudo das Inovações Financeiras, CSFI na sigla em inglês, um think tank sediado em Nova York, a pedido da PwC. O portal Risco Seguro traduziu uma parte do relatório Insurance Banana Skins (As Cascas de Banana do Seguro), que é realizado a cada dois anos, também posiciona os riscos cibernéticos e a adoção de novas tecnologias entre os três principais temas que necessitam a atenção da indústria neste momento. Entre as empresas latino-americanas, por exemplo, a performance dos portfólios de investimentos ficou no topo da lista, quem sabe devido a temores quanto ao modesto desempenho recente das economias da região e, no caso específico do Brasil, o início do ciclo de redução das taxas de juros. Os juros altos salvaram os resultados de muitas seguradoras do país nos últimos anos. Entre os 836 participantes, 18 são empresas brasileiras responderam ao questionário.
Vida e Seguros Gerais – As seguradoras de vida listaram neste mesmo estudo como maior risco as baixas taxas de juros dos países desenvolvidos, que prejudicam sua capacidade de obter rendimentos capazes de cobrir seus compromissos de longo prazo. Já as de não-vida escolheram as novas tecnologias, e as resseguradoras, as ameaças cibernéticas. O resultado reflete o estado de transformação em que os seguros se encontram atualmente. Em 2015, a gestão de mudanças ocupava apenas a sexta colocação do ranking, enquanto os riscos cibernéticos ficaram em quartos, e a adoção de novas tecnologias nem aparecia entre as “cascas de banana” do setor. Entre os seguradores não-vida, a possibilidade de defasagem tecnológica foi a “casca de banana” que ficou em primeiro lugar no ranking.
Falta de rebolado – A falta de rebolado da indústria foi motivo de especial crítica por parte de muitos entrevistados, que usaram termos como “lentidão glacial” para descrever a capacidade do setor de reagir a mudanças. As mudanças que preocupam as seguradoras, resseguradoras e corretores dizem respeito não só ao impacto das novas tecnologias, mas também aos novos hábitos dos consumidores. “São muitos os desafios”, afirma o relatório. “Mercados que se transformam rapidamente, expectativas mais altas dos consumidores e novos canais de distribuição ameaçam o modelo de negócios tradicional do seguro, ao tempo que os atuais incumbentes, freados por antigos sistemas e modos de pensar, têm dificuldade para inovar em um ambiente que não lhes é familiar.”
Irrelevância – “O principal risco que a indústria enfrenta é a irrelevância”, alertou um respondente. Exemplos de novas tecnologias que preocupam o setor incluem os automóveis sem motorista, a internet das coisas, a inteligência artificial e avanços da genética e telemática, entre outros. Tais mudanças devem atingir tanto a organização das empresas do setor, quanto o seu balanço, já que devem influenciar a frequência e valor dos sinistros sofridos pelos clientes. No campo comportamental, os participantes dizem que as novas gerações parecem menos dispostas a comprar apólices de seguro, e as empresas do setor não estão conseguindo adaptar seus canais de distribuição aos hábitos destes novos consumidores.
Riscos cibernéticos – Os riscos cibernéticos foram os que receberam o maior número de avaliações máximas de severidade dos participantes e estão no topo da lista em todas as regiões pesquisadas. A única exceção foi a China, onde os participantes da pesquisa avaliaram o risco cibernético como uma ameaça pouco importante em seu mercado. Vários respondentes disseram que é só uma questão de tempo até que alguma seguradora seja alvo de um grande ataque de hackers, com um impacto catastrófico no mercado. Os principais focos de preocupação são o roubo de dados de clientes e o sequestro dos sistemas, além da contaminação dos bancos de dados das empresas do setor e o furto de propriedade intelectual. E isso sem começar a falar sobre a dificuldade do mercado em fornecer coberturas de risco cibernético a seus clientes e as elevadas perdas que o setor pode sofrer em indenizações em caso de um evento cibernético catastrófico.


















