8ª CONSEGURO debate a regulação e o desenvolvimento do mercado de seguros

Fonte: CNseg

O ajuste fino da regulamentação é o principal desafio para um avanço efetivo do mercado segurador brasileiro. Sabe-se que uma regulamentação excessiva eleva custos das empresas, encarece serviços e, no final das contas, limita o crescimento e afeta o acesso do consumidor final, sobretudo em dias de renda reduzida das famílias e de desemprego elevado.

O diagnóstico parece ser um consenso do primeiro painel que discutiu a regulação e o desenvolvimento do mercado segurador, neste segundo dia da plenária principal da 8ª CONSEGURO. Cinco participantes, entre debatedores, palestrante e moderador, apontaram alguns dos caminhos para azeitar a regulamentação, tornando-a pró-mercado sem negligenciar a proteção do consumidor ao mesmo tempo. Do debate participaram o presidente da CNseg, Marcio Coriolano, moderador do painel, os diretores Paulo dos Santos (Susep) e Leandro Fonseca (ANS), Priscila Grecov (Ministério da Fazenda)- debatedores- com a palestra principal a cargo de Gustavo Binenbojm.

Ficou claro que os espíritos estão desarmados para discutir ajustes e introduzi-los para fomentar o crescimento. Até porque o setor de seguros pode ser um parceiro de primeira hora para manter a estabilidade da renda das famílias em situação de vulnerabilidade, assegurar o retorno à atividade econômica ou a não interrupção dos serviços de empresas afetadas por algum infortúnio, oferecer funding para investimentos de longo prazo (infraestrutura ou logística), além de ser uma fonte de complementação da renda de aposentados, enumerou a secretária-adjunta de Políticas Microeconômicas do Ministério da Fazenda, Priscila Grecov, ao reconhecer excessos no marco regulatório que precisam ser revistos, ainda que, no passado, tenham cumprido objetivos relevantes em termos prudenciais.

Ela deixou claro ainda que as barreiras à participação externa devem ser reduzidas gradualmente, como no caso do resseguro, devendo ser criadas também normas para acelerar a incorporação de avanços tecnológicos, voltadas para agilizar a autorização de funcionamento de novos players, com benefício para o consumidor.

Em sua palestra, o professor titular da UFRJ, Gustavo Binenbojm, admitiu que a regulação brasileira de seguros não alcançou seu estado de arte. Destacou a instabilidade institucional da Susep, tendo em vista que seus dirigentes não têm mandato fixo (ao contrário da ANS, que cuida da Saúde Suplementar) e podem ser alçados dos cargos por pressão ou interesses políticos ou de governo, e a falta de autonomia financeira dos dois órgãos de supervisão do mercado, como gargalos importantes. “Os reguladores devem ser protegidos de pressões políticas ou de grupos de interesse, porque a regulação deve ser de Estado e não de governos”, disse ele, sugerindo que a Susep, a exemplo do que foi realizado com a CVM, crie mandatos para seus dirigentes.

Ele lembra que a regulação é pouco estável no Brasil, gera custos elevados e não está em linha com práticas comuns nos EUA ou UE, como A Análise de Impacto Regulatório (AIR), ou seja, análise prévia de custos e benefícios sociais e econômicos de cada medida regulatória proposta.

A judicialização e dosemetria das penas administrativas são duas outras questões destacadas pelo especialista. Os reguladores, para ele, devem participar mais ativamente da defesa das normas de mercado perante o Judiciário, no sentido de enriquecer o debate e o conhecimento dos magistrados, impedindo que as regras do jogo sejam afetadas a todo instante por decisões judiciais. Já as sanções administrativas devem ser usadas com mais parcimônia. podendo, quando possível, ser trocadas por mecanismos de ajuste de conduta.

Os representantes da Susep, Paulo dos Santos, e da ANS, Leandro Fonseca, destacaram algumas das iniciativas em cursos nos respectivos órgãos, visando mudanças no marco regulatório previamente discutidas com o mercado. Ambos consideram o diálogo com o mercado um passo importante para a efetividade das normas.

No fim, Marcio Coriolano destacou que a flexibilização regulatória é bem-vinda, precisa ser feita com bastante responsabilidade para ampliar o acesso aos consumidores , que hoje estão não só mais empoderados, conscientes de seus direitos, mas também machucados pela crise, afetados pelo desemprego, descrentes com autoridades e com mercados.

8ª Conseguro: As tecnologias disruptivas e seus impactos no mercado de seguros

Fonte: CNseg

O impacto das tecnologias disruptivas, o surgimento das insurtechs e fintechs e a forma como o setor de seguros vivencia as transformações digitais foram os temas da palestra “Rompendo paradigmas no mercado de seguros”, no 11º Insurance Service Meeting, que acontece paralelamente à 8ª CONSEGURO, no Rio. Com moderação do jornalista e editor-chefe do programa Mundo S/A, da Globo News, João Mostacada, o encontrou teve a participação do diretor da Bradesco Seguros, Curt Zimmermann, e do superintendente de TI da Porto Seguro, Marcos Sirelli.

Mostacada falou sobre o avanço das machines learnings e da inteligência artificial, duas tecnologias ligadas à automação de processos e que transformam a relação entre empresas e consumidores. Diversos setores já estão sendo impactados por esses processos – incluindo a indústria de seguros.

“Essas tecnologias trazem o medo da substituição humana por máquinas. Vivemos um momento até muito parecido com o que as pessoas vivenciaram durante a Revolução Industrial. A diferença é que, agora, o processo automotivo está avançando com muito mais velocidade. As máquinas estão aprendendo a pensar e já podemos ver isso no nosso dia a dia. As atendentes virtuais de telemarketing são um exemplo”, disse Mostacada, acrescentando que as empresas de tecnologias estão apostando alto nesses processos: até 2020, a expectativa é que sejam investidos globalmente cerca de US$ 37 bilhões em pesquisas relacionadas à inteligência artificial.

O jornalista destacou ainda a startup americana Lemonade, seguradora digital lançada em setembro do ano passado e que tem a inteligência artificial como linha mestra. Ao arrecadar US$ 13 milhões junto a investidores, a empresa baseou-se em aplicativos para fechar seguros residenciais a US$ 5 e US$ 35 por mês, para locatários e proprietários – essa nova forma de comercializar seguros substitui corretores e a burocracia por chatbots e machines learnigs, tudo feito sem documentação e de forma instantânea.

Marcos Sirelli disse que “obviamente, o modelo de negócio proposto pela Lemonade é uma ameaça à estrutura convencional do mercado de seguros”. Entretanto, acredita que o estabelecimento desse formato de venda no Brasil não será algo simples. “O mercado de seguros tem suas especificidades, assim como os consumidores brasileiros”.

Segundo ele, novas tecnologias podem ajudar o setor de seguros no que diz respeito à prevenção de riscos. “Imaginem um dispositivo de controle que desliga automaticamente a rede de energia de uma residência ao detectar fatores de riscos? Não é difícil imaginar também uma tecnologia de prevenção de colisão, capaz de mudar a natureza do risco e como o seguro de automóvel é precificado. São dispositivos que nos ajudam a criar novos tipos de serviços e produtos, com novos fluxos de receita e aumento da geração de valor para os clientes”.

O executivo ressaltou ainda que embora a tecnologia seja o carro-chefe na jornada de transformação que a indústria de seguros vai experimentar nos próximos anos, o mercado continuará lidando com questões humanas, que não são facilmente substituídas pela impessoalidade das máquinas. “Seria como dizer que não existe mistério entre as individualidades das pessoas. O rompimento de paradigmas deve acontecer levando em conta os valores éticos e a essência que o mercado de seguros proporciona à sociedade”.

Na opinião de Curt Zimmermann, as mudanças de comportamento da sociedade estão influenciando a indústria de seguros. “Antigamente, os ciclos de desenvolvimento eram mais longos, existiam limitadores, como o custo alto da infraestrutura. Nos dias atuais, as transformações tecnológicas caminham com velocidade”. O diretor citou as inovações que vão proporcionar disrupções na indústria nos próximos anos: além da inteligência artificial e das machines learnings, ele lembrou da tecnologia DLT (Distributed Ledger Technology), mais conhecida como blockchain, que tem potencial para transformar toda a infraestrutura dos serviços financeiros globais.

“O departamento de inovação da empresa tem trabalhado e subsidiado muitas iniciativas que trazem uma tônica diferente para o mercado, a questão colaborativa”, informou Curt, destacando as insurtechs, que surgiram com o propósito de revolucionar o setor de seguros, apresentando novas oportunidades para as empresas se relacionarem com clientes.

Sirelli concordou que as insurtechs estão movimentando o mercado, mas disse temer pela aproximação das grandes seguradoras no processo de criação dessas startups. “Se as seguradoras levarem os riscos, as preocupações e os conhecimentos que são resultados de anos de operação no negócio, será que as ideias e as inovações propostas serão as mesmas? Creio que há um risco iminente de ‘matar’ as novas ideias”.

8ª Conseguro: Apesar da crise política, investidores mantêm interesse pelo Brasil

Fonte: CNseg

O posicionamento do Brasil perante o investidor estrangeiro foi tema da palestra “Brasil: uma perspectiva Global”, no primeiro dia da 8ª CONSEGURO. “O apetite pelo Brasil é muito grande”, disse Christopher Garman, diretor do Eurasia Group, consultoria que avalia riscos políticos para investidores.

Há abundância de capital no mundo. Muitos apostaram que boa parte desses recursos iriam ser direcionados para o crescimento americano. “O fracasso de Donald Trump ajudou o Brasil”, comentou. É certo que o crescimento mundial virá de países como o Brasil, mas é importante que as reformas transformadoras aconteçam. Ele pontua que as micro reformas são tão importantes como as grandes reformas para atrair o capital externo.

Para o analista, o atual governo conseguiu avanços com a reforma trabalhista, tem na agenda as microrreformas e conseguiu uma abertura do pré-sal para rodadas de petróleo e gás. Mas o ponto chave, no entanto, é sobre 2018: quem vai encaminhar essa agenda ambiciosa de reformas?
Para ele, o grande obstáculo para a agenda econômica no Brasil é a ausência de um candidato competitivo pró-reformas em 2018 e que, ao mesmo tempo, se descole do quadro político de corrupção. Segundo os analistas, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), é a Hillary Clinton do Brasil. Ela perdeu as eleições americanas no ano passado por ter sido identificada pelo eleitor como parte do establishment, ou seja, apoiada pelo governo, de quem o eleitor estava “com raiva”. “Essa raiva elegeu Donald Trump e a aprovação do Brexit”, afirma.

Segundo a Eurasia, esse sentimento de raiva da classe média, que chegou a apreciar um vida mais confortável, com planos de saúde, casa própria, carro zero e educacão privada, mas que perdeu boa parte em função da má gestão pública, pode complicar muito a situação, não só do Brasil, mas como de vários países latinos que realizam eleições presidenciais em 2018. A questão que está no ar é: qual candidato vai surfar essa raiva?

A pesquisa da Eurasia mostrou que a única coisa que une os candidatos é o elevado nível de rejeição: Lula – 66% Alckimin – 73%, Marina Silva – 65%, Henrique Meirelles – 62%. “O antiestablishment será intenso nas eleições de 2018”, aposta o especialista. Ele mostrou um recente estudo que revela que a candidatura do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva não ameaça o mercado. “Mesmo que ele vença os obstáculos e concorra, no segundo turno possivelmente ele pode ser derrotado, caso haja um candidato que atenda aos anseios da população, que levantar uma bandeira antipolítico e, ao mesmo tempo, promova as reformas necessárias e que são impopulares”, disse.

Apesar de toda essa crise política, as empresas seguem em seus propósitos. “Conseguimos fazer um IPO de sucesso no final de agosto mesmo diante de uma crise como essa que se arrasta no Brasil desde 2014”, comentou José Cardoso, presidente do IRB Brasil Re.

Segundo ele, o processo de transformação apoiado em três pilares – gestão de pessoas, gestão operacional e gestão financeira – fez o IRB sair do monopólio de quase 70 anos, mantido até 2007, para figurar entre os principais resseguradores do mundo, ocupando a nona colocação em valor de mercado, com US$ 3,1 bilhões em setembro deste ano, quando passou a ser negociado na B3, no mais elevado padrão de governança.

O IRB, assim como outros resseguradores locais, ainda tem o privilegio da reserva de mercado, que vem sendo reduzida ao longo dos anos. Cardoso afirmou durante o debate que o ressegurador é favorável à desregulamentação do setor de resseguros brasileiro, apesar de ainda existir reserva de mercado para agentes locais, que começou a reduzir de forma gradual. “Estamos preparados para competir com quaisquer outros players”.

O IRB apresentou ROAE de 25,5% nos últimos dois anos, o que, segundo ele, torna a empresa a mais rentável do mundo. E isso foi conquistado com disciplina na política de subscrição, demostrada pelo índice combinado de 92,2% em 2016 e de 86% no primeiro semestre de 2017.

O ressegurador tem um portfolio de investimento superior a R$ 6 bilhões. Bem administrado, gerou ganhos diferenciados, como 125% do CDI nos últimos dois anos e 132% no primeiro semestre de 2017. “Fruto do investimento que fazemos em nossa equipe e da diversificação de mercado e de linhas de negócios. Hoje 32% do nossos prêmios vem do exterior”, afirmou, acrescentando que mesmo com crise é primordial que as empresas sigam em seus propósitos. “Estamos trabalhando muito para ofertar à sociedade produtos inovadores e que realmente atendam as necessidades desta nova economia digital”.

8ª Conseguro: Estímulo à diversidade combate desigualdade do mercado de trabalho, diz a ativista Djamila

Fonte: CNseg

No painel “Diversidade como diferencial estratégico”, realizado durante o Seminário de Riscos e Oportunidades Emergentes, que acontece paralelamente à 8ª CONSEGURO, no Rio, a ativista social Djamila Ribeiro ministrou palestra sobre o papel das políticas de estímulo à diversidade no combate à desigualdade do mercado de trabalho. Segundo ela, a implantação de políticas afirmativas não se restringe hoje à esfera da justiça social, mas também impacta diretamente o resultado financeiro das companhias. “A promoção da diversidade precisa fazer parte da ética de responsabilidade das empresas”, afirmou ela.

Entre os debatedores do painel houve praticamente um consenso de que, embora ainda haja muito o que fazer, o mercado de seguros está no caminho certo. “Nós trabalhamos com proteção. A nossa ferramenta é a solidariedade!, sintetizou a presidente da FenaSaúde, Solange Beatriz Palheiros Mendes.

Ela revelou que a CNSeg está “engajada” nesse tema e contratou, inclusive, uma empresa de RH que recruta pessoas com necessidades especiais. “Neste evento, quatro dessas pessoas estão trabalhando”, acentuou.

A presidente da FenaSaúde lamentou, contudo, o fato de muitas mulheres ainda não se reconhecerem com valor: “Essas mulheres acreditam que não merecem reivindicar reajustes de salários ou pleitear um cargo porque, por exemplo, precisam faltar ao trabalho para levar o filho ao médico. Mas, não é assim”, observou.

Já o CEO da Zurich Seguros, Edson Franco, apontou para a necessidade de se criar mecanismos que facilitem a inserção de idosos no mercado formal de trabalho. Ele citou o resultado de pesquisas recentes apontando que 85% dos idosos que trabalham estão no mercado informal. “A média nacional para todas as faixas etárias é de 40%”, salientou, acrescentando que as reformas da Previdência e Trabalhista deveriam tratar de “questões modernas” como essa.

Para ele, é fundamental também que as empresas, em geral, tratem dessa questão da diversidade, seja sob o foco econômico, “por que já foi demonstrado que há um retorno positivo”, ou simplesmente pela questão ética. “Nossas equipes precisam ter diversidade de raça, gênero e pensamento”, declarou.

Por sua vez, o presidente das áreas de Auto, Seguros Gerais e Affinities do grupo Banco do Brasil e Mapfre, Luiz Gutiérrez, disse que a sua empresa criou um conselho de diversidade com a participação efetiva de membros da diretoria. O conselho, que busca também obter o engajamento de todos os colaboradores, usa o slogan “Diversos somos únicos” como um mantra. “Precisamos todos fazer algo. Devemos respeitar e ter orgulho do que somos. Buscar uma sociedade melhor, mais justa, mais livre e feliz”, assinalou.

Na avaliação de Luiz Gutierrez, devem partir do “topo” das empresas as decisões sobre essa questão de inserção e diversidade. Para ele, é importante também acompanhar a implementação dessas decisões sempre que possível.

Visão semelhante foi apresentada pelo COO da AIG Seguros, Luis Ricardo de Almeida, para quem, quanto mais esse assunto for discutido, melhor para a sociedade. “Sugiro que todos vejam um filme de 1960, “Se o meu apartamento falasse”, que tem como cenário o escritório de uma companhia de seguros. É bom ver com as lentes de hoje e se surpreender como evoluímos”, frisou.

Sobre a possibilidade de adoção, no Brasil, de programas de diversidade adotados por grandes grupos estrangeiros em suas matrizes ou em outros países, Almeida se mostrou contrário. “Esses programas são interessantes, mas nem sempre se aplicam à realidade local”, argumentou.
No mesmo painel, a presidente da Comissão de Assuntos Jurídicos da FenSeg e líder do GT de Diversidade e Inclusão da CNSeg, Ana Paula de Almeida Santos, apresentou a cartilha “Boas Práticas Para Diversidade no Mercado de Segurador”, lançada na ocasião.

O debate teve como moderadora a jornalista Flavia Oliveira, colunista do jornal O Globo e da rádio CBN e comentarista da GloboNews.

8ª Conseguro: Novas tecnologias exigem estudo de impacto

Fonte: FenaSaúde

O 5º Encontro Nacional de Atuários, que acontece durante a 8ª CONSEGURO, no Rio de Janeiro, contou com a palestra “Incorporação de Tecnologias e Impactos na Operação e Precificação na Saúde Suplementar” com a apresentação do professor Giacomo Balbinotto, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Também participaram do debate a Defensora Pública do Estado do Rio Janeiro e coordenadora do Núcleo de Defesa do Consumidor (Nudecon), Patricia Cardoso; o consultor regulatório de diretrizes médicas da Porto Seguro Saúde, Roberto Márcio Vianna; o coordenador da Área de Informações Estratégicas e Atuariais da Unimed Fortaleza, Nazareno Jr. O encontro foi mediado pelo superintendente de Regulação da Federação Nacional de Saúde Suplementar, Sandro Leal.

Segundo Balbionotto, a criação de novas tecnologias em saúde é inevitável, entretanto a avaliação econômica e de custo-efetividade tem aspecto fundamental para a sustentabilidade do setor. “Os impactos podem e devem ser medidos. As avaliações englobam análises de riscos, aspectos econômicos, financeiros, orçamentários e regulatórios. A institucionalização da avaliação tecnológica pode ajudar o governo e empresas”, explicou. O professor ressaltou que objetivo principal dos estudos é informar, porque os recursos na saúde são limitados, sendo temerário não fazer para o bem-estar de toda a sociedade.

De acordo com o Leal, os beneficiários de planos de saúde anseiam por novas tecnologias e imaginam que elas irão solucionar todos os problemas, mas a ciência mostra que nem sempre isso acontece. O cidadão também tem limites financeiros. “Como equilibrar e compatibilizar os desejos, necessidades e capacidade de pagamento? O acesso ao novo precisa acompanhar de uma avaliação para tornar viável a inclusão. Acredito que essas avaliações são imprescindíveis para a tomada de decisão”, afirmou.

O desejo pela incorporação de novos medicamentos e procedimentos em saúde é percebido diariamente nos atendimentos realizados no Nudecon. “A experiência diária traduz que a maioria das pessoas não sabe que existe uma lista, um Rol. Para os consumidores, o que importa é a prescrição médica, na qual ele confia quase cegamente. A nova resolução da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) sobre junta médica dará mais transparência para casos de negativas”, apontou Patricia Cardoso.

Já o executivo da Porto Seguro Saúde destacou que, no Brasil, não há avaliação de tecnologias voltadas para a saúde suplementar. “Os estudos são feitos para a saúde pública. Desde a primeira atualização do Rol, houve um avanço de avaliação de tecnologias. O impacto de custo não é feito para a nossa realidade e necessita de parâmetros técnicos com um grau maior de acurácia. A discussão ainda é polarizada, infelizmente, entre quem propõe, os demandantes, e as operadoras de planos de saúde”, disse Vianna.

Nazareno Jr. completou que o tema é complexo e sempre haverá incorporação de novo Rol, pois todos querem melhorias, mas os recursos são limitados. “A saúde suplementar tem desafios para fazer essa precificação, pois existem procedimentos não encontrados; estatísticas sem padronização; não há uma frequência de utilização para se basear; ressente de literatura nacional e de metodologia da própria ANS. Além disso, o mercado não aceita valores muitos altos. Precisamos melhorar a metodologia. Um dos caminhos é o beneficiário ter alguma reserva para financiar seu plano no futuro”, defendeu.

TRR firma parceria para garantia estendida para colchões

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A TRR firmou parceria com a seguradora Virginia Surety para oferecer, a partir de outubro, o seguro de garantia estendida original para colchões e outros produtos das lojas Copel. O novo seguro garante a qualidade dos produtos comercializados pela Copel por um ou dois anos adicionais, após o vencimento da garantia oferecida pelos fabricantes. A garantia estendida poderá ser adquirida em 54 lojas da Copel na Grande São Paulo, interior, litoral paulista e Rio de Janeiro.

O mercado de colchões não é considerado um setor tradicional para o seguro de garantia estendida. A maioria das seguradoras prefere desenvolver seguros para eletrodomésticos, entre outros produtos, por haverem redes maiores de distribuição e os produtos ficarem mais associados às potenciais quebras mecânicas ou panes elétricas. Mas a TRR acredita que uma rede ampla como a Copel é uma boa oportunidade para o consumidor ter mais conforto e tranquilidade na compra, especialmente de colchões, adicionando mais tempo de garantia em relação ao prazo dado pelo fabricante. “Gostamos de apostar em varejos onde exista a oportunidade de atender as novas necessidades do consumidor em relação às garantias dadas pelos fabricantes”, explica Paulo Davidoff, superintendente de Afinidades da TRR.

O seguro garantia estendida dos produtos da Copel cobrirá peças e consertos sem nenhum custo adicional, quantas vezes forem necessárias, durante o período do plano contratado (um ou dois anos), terá atendimento em domicílio e cobertura dos custos de remoção do bem segurado. As coberturas usualmente se referem ao esgarçamento do tecido e a problemas com os componentes, como molas e espumas. Caso não seja possível o reparo, o produto será trocado por um novo, de valor limitado ao da nota fiscal – e neste caso o seguro é encerrado.

O custo desse novo seguro varia conforme o preço do colchão e é inferior a uma eventual necessidade de reparo do produto.

Riscos econômicos e sociais lideram lista de preocupações empresariais em 2017

Fonte: Zurich

O desemprego, as crises fiscais e o fracasso do governo de um país em fornecer estabilidade são os principais riscos que as empresas enfrentam no mundo, com crescente preocupação pelas questões cibernéticas. Essas informações fazem parte do Executive Opinion Survey, conduzido anualmente pela World Economic Forum (WEF), como parte do Global Risk Report 2017, e divulgada hoje (20/09).

O levantamento é realizado em parceria com seguradora global Zurich e a empresa de gerenciamento de risco Marsh & McLennan Companies. Para chegar aos resultados, o WEF ouviu 12.411 executivos de 136 países, que foram incentivados a identificar os cinco maiores riscos de fazer negócios em seus respectivos países, com impacto para os próximos dez anos.

“Este estudo é um grande direcionador para os principais líderes globais e reforça o cuidado que a Zurich tem com as organizações, uma vez que, para cuidar, é preciso considerar tudo o que pode interferir na continuidade de seus negócios”, destaca Edson Franco, presidente da Zurich no Brasil. “O acesso a informação é o principal aliado das companhias para que elas busquem as melhores formas de precaução contra as ameaças”.

Principais riscos globais e por região

Conduzido entre fevereiro e junho deste ano, o Executive Opinion Survey identificou os seguintes riscos globais como os dez principais:

Desemprego ou subemprego
Crise fiscal
Falha na governança nacional
Choque de preço da energia
Instabilidade social profunda
Falhas nas instituições ou mecanismos financeiros
Falhas na infraestrutura
Ataques cibernéticos
Conflito entre estados
Ataques terroristas

No Brasil, especificamente, os cinco maiores riscos identificados foram:

Falhas na governança nacional
Desemprego ou subemprego
Falhas na infraestrutura
Crise fiscal
Crise ou colapso do Estado

Os executivos da maioria das regiões apontaram o “desemprego ou o subemprego” e as “crises fiscais” como os dois maiores riscos, embora as regiões da América do Norte, do Leste Asiático e do Pacífico tenham manifestado maior preocupação com ataques cibernéticos e especulações. Influenciados pelo aumento do risco geopolítico, especialmente após adoção de políticas protecionistas, líderes empresariais na Europa, sul da Ásia, América Latina e Caribe, e a África Subsaariana apontaram preocupações com o potencial fracasso da governança nacional. Em sua lista de riscos urgentes, executivos europeus também acrescentaram “falha nas instituições ou mecanismos financeiros”. No sul da Ásia, o crescimento rápido nos centros urbanos levou os líderes dessa região a destacar o “fracasso do planejamento urbano” e a “falha da infraestrutura” como as principais ameaças potenciais para seus negócios.

Os riscos associados ao “fracasso da adaptação às alterações climáticas” apresentaram-se de forma bastante reduzida quando comparados as ameaças apontadas como “mais graves” –apenas os executivos canadenses colocam as mudanças climáticas em sua lista de riscos, com classificação baixa. Já a ameaça de potenciais atentados terroristas preocupou executivos na América do Norte, Oriente Médio e África do Norte, mas não conseguiu chegar ao ranking dos cinco melhores riscos entre as empresas de outras regiões.

“Os resultados da pesquisa apontam que, no médio prazo, os líderes empresariais estão focados nos riscos sociais e econômicos, mas também não devem subestimar o impacto potencial dos riscos ambientais e tecnológicos”, aponta John Scott, Chief Risk Officer, Commercial Insurance da Zurich. “Embora o crescimento econômico e os desenvolvimentos tecnológicos criem novas oportunidades para empresas e países, os riscos e eventos geopolíticos levaram a dúvidas que levantam questões sobre como gerenciar o negócio em momentos de incerteza”.

8ª Conseguro: Transferência de riscos ao mercado de capitais ganha importância no Brasil

Fonte: CNseg

Ao lado de tecnologias como a impressão 3D, o carro elétrico e o uso de bitcoins, a chamada “Insurance Securitization” ou, no Brasil, ILS – Instrumentos Ligados a Seguros, foi indicada pelo Citibank, em 2011, como uma das 10 ferramentas que revolucionariam o mundo. A informação é do diretor Geral da Terra Brasis, Rodrigo Botti, palestrante de um dos painéis do primeiro dia do 5º Encontro Nacional de Atuários, evento integrado à 8ª CONSEGURO. Na tarde desta terça-feira, 19 de setembro, ele explicou: “A prática, que consiste na transferência de riscos ao mercado de capitais, vem transformando a indústria de seguros internacional ao longo dos últimos 20 anos, e tem enorme potencial no Brasil”.

Botti teve como colegas de painel o superintendente de Investimentos da Tokio Marine, Roberto Takatsu, e o superintendente Executivo Técnico da CNseg, Alexandre Leal. Como exemplo prático, o executivo citou a emissão de um título de renda fixa, no começo deste ano, pela Terra Brasis, em parceria com um fundo de investimento internacional. “Em uma operação tradicional, a resseguradora recebe o risco de uma seguradora, retém parte desse risco e passa outra a seus parceiros retrocessionários. Já com o nosso programa de securitização, a parte de maior risco é transferida para o mercado de capitais”, explicou.

Em mercados como os dos Estados Unidos e da Europa, Botti afirma que os riscos mais usuais para esse tipo de prática são os de tempestades e vendavais e, no Japão, o de terremotos. “A grande atratividade para os investidores é a baixa correlação desses eventos com outros ativos financeiros. Catástrofes não são influenciadas pela Bolsa de Valores, pelo preço do óleo ou decisões políticas”, frisou, afirmando ainda que os riscos de seguros chegam a dar melhor retorno que títulos Corporate americanos com o mesmo rating.

No contexto econômico atual, o executivo diz que a queda do diferencial entre os juros do Brasil e dos Estados Unidos tornará investimentos em dólar cada vez mais atraentes, o que pode chamar a atenção dos investidores para o ILS. “Só o que falta para avançarmos ainda mais é a emissão dos títulos de investimentos ocorrer dentro do País, bem como a regulação dessa prática. Esse tema já está sendo discutindo junto aos órgãos do setor, inclusive foi criada uma subcomissão na Susep para isso, dentro da comissão dedicada ao desenvolvimento do mercado de Resseguros”, contou Botti.

Inicialmente, o foco da transferência de riscos foi na proteção contra catástrofes, mas hoje há espaço para seguros de Responsabilidade Civil de Automóvel, Garantia e Agrícola, entre outros, ainda pouco explorados. “Como investidor, enxergo oportunidades também em Longevidade, segmento no qual as próprias seguradoras de Vida poderiam se tornar importantes players de investimentos. Uma combinação dos dois ativos em seus portfólios poderia impulsionar bastante os mercados de transferência de riscos e Vida”, acrescentou Roberto Takatsi.

Ele também aposta no potencial da tecnologia para os riscos de crédito. “Aqui ainda não há forma de reduzir riscos de seguros de crédito e o ILS seria um caminho”, diagnosticou. Na visão do executivo, considerando-se os juros atuais em torno de 7% e que devem permanecer nesse patamar nos próximos anos, os investidores vão precisar se sofisticar, buscando novos ativos, tal como os securitizáveis.

Takatsi afirmou também que essa prática complementa o mercado de seguros e pode ajudar no aperfeiçoamento do gerenciamento de riscos, tornando-o mais eficiente que no modelo tradicional. “Espero que, na próxima CONSEGURO, já estejamos falando sobre as emissões locais de títulos de investimentos, vamos correr atrás disso”, finalizou.

Após a palestra, o moderador Alexandre Leal afirmou que a Comissão de Investimentos da CNseg, bem como os componentes do painel, estão à disposição dos participantes para aprofundar os debates, tirar dúvidas e ouvir sugestões sobre o tema.

8ª Conseguro: Consumidor do futuro será imaturo e marketing ditará rumo das ciências sociais, diz Pondé

Fonte: CNseg

O consumidor do futuro será inseguro, ansioso, imaturo, porém com uma forte conotação narcísica. Até mesmo paranoico. Essa é a previsão do filósofo Luiz Felipe Pondé, durante a palestra “Como educar o consumidor do futuro”, que integra a 7ª Conferência de Proteção do Consumidor de Seguros, que acontece pralelamente à 8ª CONSEGURO.

Para Pondé, o indivíduo é hoje parte de um cenário no qual imperam uma judicialização e um viés regulador em todos os níveis da sociedade moderna. São fatores, explica ele, que despertam uma ansiedade e, consequentemente, imagens que distorcem a realidade.

Há anos atuando no mercado, especialmente no segmento publicitário, o filósofo comparou os objetivos de pesquisas realizadas no campo das ciências sociais com os que servem a planejamento estratégicos de mercado: “Enquanto as pesquisas das ciências sociais mostram como ser humano deveria ser, as do planejamento estratégico mostram como os seres humanos são realmente.”

Embora imaturo, o consumidor do futuro comprará mais que um produto. Comprará um estilo. Será, como frisou Pondé, um consumidor “sem vergonha”, que buscará o que deseja, porém amarrado um contexto de ilusão promovido pelo marketing, que para o filósofo será a “grande ciência social do futuro”.

Liberdade é uma palavra com significado muito relativo nos tempos modernos. Pondé alerta que hoje somos “muito pouco livres” e que somos constantemente vigiados ao passar um simples cartão em uma máquina. Falta às novas gerações uma relação mais profunda com a educação. Pondé recorreu aos primórdios do conceito de educação dos filósofos da Grécia Antiga para esboçar uma digressão sobre o consumidor do futuro: “A palavra educação está no mesmo patamar semântico da palavra energia”, disse.

É exatamente essa energia que move o mundo moderno, pelos modelos da tecnologia da informação. A educação, porém, não acompanharia as mudanças sociais na mesma velocidade da TI, segundo Pondé. “Nunca estivemos tão perdidos com educação como estamos agora”, concluiu.

No mesmo painel, a superintendente da Associação de Educação Financeira do Brasil, Claudia Forte, reforçou a imagem empoderamento que norteia o consumidor atual. Ela recorreu à frase célebre do pensador Montesquieu para explicar quem será o consumidor do futuro: “Dê poder a um homem e verás quem ele é”. Claudia ressalta, no entanto, que ainda é cedo para afirmar como será o consumidor do futuro, mas concorda com Pondé que as gerações mais jovens vivem realmente sob uma imaturidade e onda consumista desenfreada. “Nós somos um país onde a cultura do ter é mais importante do que a do ser”, analisou. Claudia disse que a educação financeira poderá ser uma grande aliada para a preparação do consumidor do futuro.

Além de Pondé e Claudia Forte, também participaram do debate a especialista em defesa do consumidor, a advogada Maria Stella Gregori, e Silas Rivelle, ouvidor da Unimed e presidente da Comissão de Ouvidorias da CNseg. Ambos destacaram que o seguro tem papel preponderante para a educação do consumidor do futuro.

8ª Conseguro: A importância das avaliações de risco de crédito nas operações das seguradoras

Fonte: CNseg

A importância das avaliações de risco de crédito nas operações das seguradoras foi o tema debatido no painel Avaliação de Risco de Crédito, do 5º Encontro Nacional de Atuários, ocorrido em 19 de setembro, paralelamente à 8ª CONSEGURO, no Rio de Janeiro . De acordo com o moderador e superintendente atuarial da Mitsui Sumitomo, Gustavo Genovez, essa importância da avaliação se dá tanto para identificar oportunidade de diversificação e melhoria do retorno sobre o capital investido, quanto sob a ótica atuarial, no que se refere à modelagem desse processo de avaliação e também em relação à gestão de risco relativo aos processos de governança.

O painel foi aberto pelo head de análise de crédito da MSCI para a América Latina, Conrad Albrecht, que defendeu que as empresas não façam análise apenas de um ativo isolado, mas sim de uma carteira diversificada, avaliando, inclusive, a correlação entre os ativos. Ele explicou que, à medida em que a carteira cresce e se diversifica, é difícil executar uma análise assertiva sem o auxílio de um sistema como o oferecido pela MSCI e outros vendors.

“É importante a parte inicial de análise da empresas isoladamente. Mas, à medida em que a empresa vai crescendo a carteira e abrindo a exposição em diferentes mercados e diferentes senioridades, a análise de portifólio é mais indicada. É possível capturar o risco e a correlação entre os ativos, a relação entre as volatilidades e os retornos, o risco inerente, os movilmentos correlacionados e as perdas esperadas com a visão holística do portfólio”, argumenta Albrecht.

A MSCI tem sede nos EUA e operação na América Latina, com escritórios em São Paulo e em Monterey, no México. Hoje, a base instalada da empresa é de 20 clientes no Brasil, dos módulos de índice e de analytic, que comprende a parte de gestão de risco de portfólio.

Marcelo Otávio Wagner, supertintendente de planejamento de investimentos da BrasilPrev, informou que a empresa faz, além da análise tradicional, também análise de portifólio e testes de estresse, que permitem testar qual o efeito haveria na companhia se um efeito de crédito crítico ocorresse.

Ele observou que, hoje, a maior parte da carteira de ativos das seguradoras é baseada em títulos públicos federais. Com a queda da taxa de juros e a redução da atratividade desses títulos, as empresas têm a oportunidade de diversificar essas carteiras dentro dos limites regulatórios. Wagner comparou o cenário atual do Brasil com o vivido pelo Chile, nos anos 1990, e pelo México, na década passada, com queda na taxa de juros e oportunidade de diversificação de portfpolio, em que a renda fixa é o caminho natural. Ele observou quem dominar estas técnicas de análise de portfólio, especialmente simulações, tende a ter um diferencial competitivo e retornos melhores.

“O fato de as seguradoras terem livros com um componente anticíclico abre uma excelente oportunidade. E quem estiver preparado para as análises de portifólio mais complexas terá uma chance de ouro, na medida em que temos um mercado carente de crétido e em que as taxas de juros e as condições estão chegando a níveis adequados”, sinalizou Wagner, ao fechar sua apresentação.