CVM lança estudo sobre riscos cibernéticos

Fonte: CVM

O risco cibernético tem sido cada vez mais discutido no âmbito acadêmico e em fóruns de reguladores internacionais de mercado de capitais. Diversos casos de ataques virtuais se tornaram manchete nos principais canais de comunicação do mundo, despertando a atenção de empresas, instituições governamentais e do público geral sobre o tema.

Com isso em pauta, além da crescente preocupação que surge em decorrência dos processos cada vez mais automatizados no mercado de capitais e sua potencial característica de risco sistêmico, a Assessoria de Análise Econômica e Gestão de Riscos (ASA) da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) lançou novo estudo: Percepção de riscos cibernéticos nas atividades de administradores fiduciários e intermediários.

“O estudo apresenta análise detalhada dos resultados obtidos com o questionário sobre percepção de riscos cibernéticos enviado aos participantes do mercado de capitais brasileiro. Além de fomentar a discussão sobre melhores práticas de gerenciamento de riscos cibernéticos no contexto das atividades dos nossos jurisdicionados,nosso objetivo foi produzir reflexões sobre eventos de risco cibernético considerados mais relevantes por nossa indústria de intermediação e administração fiduciária.” – comentou Rudrá Balmant, assistente técnico da ASA/CVM.
A partir dos resultados obtidos com a pesquisa, o estudo aborda, entre outras questões:

– conclusões sobre processos mais sensíveis aos riscos cibernéticos inerentes aos regulados.
– lacunas identificadas ao bom gerenciamento de riscos.
visões sobre ameaças, priorização de componentes de governança e atuação do órgão regulador na mitigação de riscos cibernéticos.

“Esse trabalho será importante para racionalizar futuras possíveis ações da CVM com relação aos riscos cibernéticos, além de fornecer subsídios para que os próprios participantes de mercado possam melhor coordenar suas iniciativas.” – concluiu Rafael Hotz, analista da ASA/CVM.

O trabalho também contou com o apoio de áreas técnicas da CVM (Superintendências de Tecnologia da Informação, de Relações com o Mercado e Intermediários, de Relações com Investidores Institucionais e de Proteção e Orientação aos Investidores).

“Risco cibernético refere-se aos potenciais resultados negativos associados aos ataques cibernéticos. Por sua vez, os ataques cibernéticos podem ser definidos como tentativas de comprometer a confidencialidade, integridade e disponibilidade de dados ou sistemas tecnológicos.”

(definição adotada pela IOSCO e utilizada no estudo.)

Susep divulga novas regras para PGBL e VGBL

Comunicado

“A Susep mantém um amplo diálogo com as entidades representativas do setor de seguros e vem antecipando tendências. Estamos coordenando grupos e comissões com o objetivo de autorizar produtos cada vez mais customizados e prontos para atender às necessidades do novo consumidor e fomentar o mercado. Nesse sentido, antenada à transição demográfica da população brasileira e às discussões em torno da reforma da Previdência, a autarquia identificou um ambiente favorável para o aperfeiçoamento dos produtos de acumulação e propôs, ao Conselho, uma profunda revisão dos normativos desse segmento”.

Com essas palavras, o titular da Superintendência de Seguro Privados, Joaquim Mendanha de Ataídes, comentou a deliberação do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) de acatar o conjunto de sugestões da autarquia em relação ao Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL) e ao Vida Gerador de Benefícios Livres (VGBL) e famílias.

A decisão ocorreu nesta sexta-feira, dia 22 de setembro, durante a 212ª sessão ordinária do CNSP, em Brasília. Na prática, segundo o diretor de Supervisão de Conduta da Susep, Carlos de Paula, as novas regras buscam estimular o desenvolvimento de um mercado de anuidades no Brasil em linha com os novos tempos. “Esse é mais um passo importante para o setor e para a sociedade, além de tornar o sistema mais ágil, menos burocrático e em certa medida inovador”, pontuou De Paula.

“O Estado precisava abrir novas frentes em relação ao tema. Sabemos que o sistema tende a avançar mais nos próximos anos e quem ganhará com isso será o consumidor”, concluiu, informando que este ano, a Susep constituiu a Comissão Especial de Produtos de Previdência Privada e Vida que conta com representantes da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), da Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor) e da Federação Nacional das Empresas de Resseguros (Fenaber). O conjunto de alterações propostos também contou com a importante contribuição da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Entre as cinco alterações propostas pela Susep está a possibilidade de transformação de parte da provisão de benefícios em renda nos produtos PGBL, PGBL Programado, VGBL e VGBL Programado. De acordo com o voto da autarquia, também fica autorizada a inserção da figura do Participante/Segurado Qualificado, tomando como exemplo o disposto na Instrução da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) 554/14 para investidor qualificado.

Para mais, passa a vigorar a possibilidade de os fundos preverem remuneração com base em performance ou desempenho, além da taxa de administração; a atualização da tábua biométrica limite para AT-2000M; a previsão de regras de improvement de tábuas biométricas; e o aperfeiçoamento das cláusulas de vesting, sobretudo em relação à extinção do plano, da instituidora ou da inexistência de participantes vinculados ao plano coletivo.

Em síntese, o titular da Coordenação-Geral de Monitoramento de Conduta (CGCOM) da Susep, César da Rocha Neves, observa que as famílias PGBL e VGBL englobam mercados muito concentrados. “No caso do PGBL, em 2016, dez seguradoras eram responsáveis por 97% do total de contribuições e em relação ao VGBL, quatro seguradoras respondem por 92% dos prêmios”, explicou, acrescentando que as modificações propostas pela autarquia trarão mais fluidez e controle de riscos para as supervisionadas, redução do custo de capital e, principalmente, trarão mais transparência para o consumidor e a evolução dos fatores de renda oferecidos pelo mercado.

PGBL e família

Criado há 20 anos, em 1997, atualmente, há 20 sociedades seguradoras e Entidades Abertas de Previdência Aberta Complementar (EAPCs) comercializando o produto.

Criação de produtos:

· PGBL Programado – possibilita ao participante o planejamento de resgates programados em um único plano, sem prejuízo da conversão da provisão em renda atuarial;

· Plano com Desempenho Referenciado (PDR) – possibilita ao participante remuneração da provisão de rentabilidade do Fundo de Investimento Exclusivo (FIE), com critério de desempenho mínimo atrelado a um percentual de um índice de renda fixa.

Inovação de produtos:

· Plano de Previdência Vida Planejada: no plano com essa característica, o FIE, associado ao período de diferimento, deve apresentar percentual decrescente de exposição a investimentos com maior risco, especialmente em ativos de renda variável, ao logo do período de diferimento;

· Plano com Renda Imediata (PRI) com estrutura a termo de taxa de juros para cálculo do fator de conversão em renda: nesse caso, a estrutura pode ser elaborada pela própria sociedade seguradora/EAPC. A alteração visa a criar concorrência no mercado de seguros por meio de portabilidades para produtos mais atrativos;

· Planos com garantia de estrutura a termo de taxa de juros para cálculo do fator de conversão em renda: nesse caso, a estrutura deve ser elaborada por instituição independente, com conhecida capacidade técnica.

VGBL e família

Criado em 2001, atualmente, há 20 sociedades seguradoras comercializando o produto.

Criação de produtos:

· VGBL Programado – possibilita ao segurado o planejamento de resgates programados em um único plano, sem prejuízo da conversão da provisão em renda atuarial;

· Vida com Desempenho Referenciado (VDR) – possibilita ao segurado remuneração da provisão de rentabilidade do FIE, com critério de desempenho mínimo atrelado a um percentual de um índice de renda fixa.

Inovação de produtos:

· Vida Planejada: no plano com essa característica, o FIE, associado ao período de diferimento, deve apresentar percentual decrescente de exposição a investimentos com maior risco, especialmente em ativos de renda variável, ao logo do período de diferimento;

· Vida com Renda Imediata (VRI) com estrutura a termo de taxa de juros para cálculo do fator de conversão em renda: nesse caso, a estrutura pode ser elaborada pela própria sociedade seguradora. A alteração visa a criar concorrência no mercado de seguros por meio de portabilidades para produtos mais atrativos;

· Planos com garantia de estrutura a termo de taxa de juros para cálculo do fator de conversão em renda: nesse caso, a estrutura deve ser elaborada por instituição independente, com conhecida capacidade técnica.

Fabio Protásio Oliveira assume a presidência da AIG no Brasil

A American International Group (AIG) indica Fabio Protásio Oliveira, atual Diretor de Property e Special Risks e de Seguros para Pessoas Físicas no Brasil, como novo Presidente da AIG Brasil. Oliveira sucede Paride Della Rosa, que, recentemente, foi nomeado Presidente da Zona Sul dos EUA.

Com mais de 14 anos de experiência em Seguros Corporativos e para Pessoas Físicas, e amplo conhecimento do mercado local, Oliveira apoiará o fortalecimento e a expansão da AIG no país. O executivo já ocupou posições de subscrição e de administração de responsabilidade crescente, incluindo a gerência do seguro D&O no Brasil, CUO (Chief Underwriter Officer) Regional para PMEs e a Diretoria de Seguros para Pessoas Físicas do Brasil.

Fabio Oliveira é formado em Engenharia de Sistemas e em Economia pela Universidade de Virgínia (EUA) e possui certificação CFA (Chartered Financial Analyst).

Zurich é reconhecida como uma das 100 melhores empresas em satisfação do cliente

Release

A Zurich, empresa global de seguros com experiência de 78 anos no mercado brasileiro, foi reconhecida pelo Instituto MESC – especialistas em pesquisas de mercado – , uma das 100 melhores empresas em satisfação do cliente. No segmento de seguro de veículos, a companhia figura entre as cinco melhores da categoria. A cerimônia de premiação ocorreu na noite do último dia 5, em São Paulo, e contou com as presenças do Diretor de Linhas Pessoais e Varejo da companhia, Walter Pereira, e da Head de Marketing & Comunicação, Ana Quintela.

“Este reconhecimento do mercado reflete os esforços da Zurich em colocar o cliente no centro de todas as suas iniciativas, desenvolvidas para facilitar o dia a dia do segurado”, afirma Walter Pereira, que recebeu a premiação em nome da empresa. “No mercado de seguro de veículos, especificamente, a companhia apresenta vários diferenciais, como o aplicativo ‘Zurich Automóvel’, que possibilita assistência de forma fácil e ágil, a Cobertura para Desemprego e Doenças Graves e ainda a simplicidade na contratação”.

A pesquisa do Instituto MESC, totalmente independente e isenta de patrocínio, considerou 24 segmentos do mercado brasileiro e ouviu mais de 300 mil clientes de todo o país, com mais de 500 mil opiniões registradas. Para figurar entre as 100 melhores, a Zurich participou de duas etapas, sendo que, a segunda, contava com a participação de outras 6 mil empresas. Na categoria de seguro de veículos, a companhia somou 98% de confiança na estatística da pesquisa para o segmento.

Para realizar o estudo, o MESC utilizou a metodologia do Pentagrama da Satisfação do Cliente, avaliando dois tópicos: a visão do cliente, que contou com 250 mil inscritos do Programa de Recompensas MESC, e a visão da empresa, analisando as notícias e conteúdos institucionais disponibilizados na internet nos últimos 12 meses. O estudo contou com auditoria da Alpha de Cronbach, seguindo todas as diretivas do Framework Safe Harbor.

8ª Conseguro: Transparência, linguagem clara e contratos simples, receita para reduzir judicialização

Fonte: CNseg

A equidade nas relações das operadoras de saúde e beneficiários no Brasil passa pela transparência; pela simplificação dos contratos; por uma linguagem mais clara nas especificações; por maior informação para evitar o desperdício e no encontro de soluções dialogadas, sem tanta judicialização. Em resumo, esse foi o norte do debate em torno da Proteção do Consumidor nas Relações de Saúde Suplementar, um dos temas do segundo dia da 7ª Conferência de Proteção do Consumidor de Seguro, que acontece no Rio de Janeiro, em paralelo com a 8ª CONSEGURO.

“Que nos próximos 27 anos, possamos aprimorar os contratos e torná-los mais simples, objetivos e claros. Que possamos incentivar o consumidor a conhecer seus direitos e compreender seus deveres, até para que possam questionar; e que possamos construir soluções dialogadas, sem a interferência dos órgãos fiscalizadores. Que esse diálogo possa ser construído com instrumentos de mediação ou da conciliação e que possa ser tecido em conjunto com a contribuição do conhecimento e experiência de todos”, sublinhou Angélica Carlini, advogada e especialista na área de Saúde Suplementar.

Do início ao fim de sua palestra, Angélica – sócia da Carlini Sociedade de Advogados – ressaltou a importância do Código de Defesa do Consumidor (CDC), sobretudo, para proteger a vulnerabilidade do consumidor brasileiro, geralmente impactado pela deficiente educação formal e ausência de políticas públicas de educação financeira. Na opinião da advogada, o CDC chegou no momento certo, principalmente na área de saúde suplementar que, naquela época (1991) não era regulada nem possuía legislação própria. “O CDC foi de enorme importância naquele momento, com vigorosa aplicação e solução para problemas vitais que colocavam muitas pessoas em situação de vulnerabilidade”, enfatizou.

Ela destacou, no entanto, que, por mais que a integralidade e a universalidade sejam possíveis e buscadas na área de saúde preventiva e básica a que todos os cidadãos têm direito, em se tratando de saúde, não se pode dar tudo o que se tem disponível a todos, principalmente quando se trata de procedimentos e estruturas médicas. “Mas dar tudo a todos quando se trata de acesso a procedimentos mais complexos, caros, que exigem equipamentos, materiais ou medicamentos de alto custo não é possível porque não existem recursos para isso nem no setor público nem no setor privado”, atestou.

Para o presidente da Evidências Consultoria, Otávio Clark, um dos grandes responsáveis pelo desequilíbrio no sistema de saúde suplementar é o desperdício, tanto das operadoras de planos, quanto dos usuários. Segundo ele, existe uma série de situações clínicas que dispensam médico ou tratamento. É o caso, por exemplo, de teste de esforço ou exame de eletrocardiograma para quem pretende fazer exercício físico. De acordo com Clark, que é oncologista de formação, todas as evidências científicas, atestadas, inclusive, por quatro das maiores organizações de cardiologia do mundo, fazem recomendação contrária a esses procedimentos para quem deseja praticar esporte porque não há exame que mostre a previsibilidade de se ter enfarto e que garanta que a pessoa não terá problema. “Esse tipo de desperdício, que é feito aos milhares no Brasil, é um dos principais motivos do desequilíbrio que existe nas contas do setor”, atestou.

De acordo com Clark, estima-se que no Brasil, 30% do que se gasta em saúde suplementar são desperdícios com coisas que muitas vezes não funcionam para o consumidor e que provocam reajustes de 13,5% nos planos. “Isso é insustentável. Se tivermos reajuste dessa ordem a cada ano, em 6 anos e meio, o custo do plano de saúde dobrará. Precisamos debater isso com clareza”, assinalou.

Diante desse cenário possível de que, a médio prazo, o sistema de saúde suplementar não aguentará fazer frente às futuras demandas, o diretor da Bradesco Saúde Flávio Bitter disse considerar de grande relevância a discussão em torno desses desequilíbrios. “É o dever de casa do mercado. As operadoras de saúde têm papel fundamental de organizar melhor o sistema e seu modelo”.

Paulo Jorge Rascão Cardoso, diretor técnico da Amil, lembrou que, há 4 anos, a operadora amargou a liderança no índice de reclamações na ANS, o que fez com que se buscassem soluções “dentro da própria casa”, mudando procedimentos e criando novos canais de comunicação com os clientes. Em 2015, informou, a proporção eram de seis reclamações para cada 10 mil beneficiários Amil. Atualmente, frisou, a proporção é de 3. “Colocamos o dedo na ferida, resolvemos internamente, colocando o cliente no centro das discussões”, destacou.

8ª Conseguro: Blockchain: ameaça ou oportunidade no mercado de seguros?

Fonte: CNseg

O Blockchain já é considerada por muitos uma revolução silenciosa, mas só o tempo vai dizer se essa tenologia será avassalora ou não para a economia digital. O presente e o futuro desta ferramenta e o impacto que ela pode causar no mercado de seguros foram debatidos na palestra sobre Blockchain, realizada no 11º Insurance Service Meeting, paralelamente à 8ª CONSEGURO, com a participação de Mario Robredo, gerente sênior de Inovação e Novos Negócios Banking da Indra; Paulo Kurpan, superintendente executivo de Negócios da CNseg; e Marcio Alexandre Malfatti, sócio da Pimentel e Associados Advogados. A moderação foi feita por Fabio Leme, vice-presidente Técnico da HDI Seguros.

Blockchain (na tradução livre “cadeia de blocos”) são bases de registros e dados distribuídos e compartilhados, que têm a função de criar um índice global para todas as transações que ocorrem em um determinado mercado. Funciona como o livro-razão da contabilidade, só que de forma pública, compartilhada e universal, com base no consenso e confiança entre as pessoas, sobre todas as informações, saldos e transações.

A tecnologia possibilita as movimentações feitas com moedas digitais (Bitcoins ou criptomoedas), ao validar as transações financeiras. Trata-se de uma ferramenta que faz com que as trocas monetárias sejam descentralizadas, transparentes e disponíveis para a conferência pública, diminuindo os riscos de fraudes e sem a necessidade de um banco central para a análise dos dados.

Mas o que isso pode significar para os setores da economia, incluindo o de seguros? Mudanças drásticas nas relações comercais e sociais. Mario Robredo explicou: “O Blockchain permite aprimorar serviços e produtos no mercado de seguros, aperfeiçoando o relacionamento entre empresas e clientes e oferecendo mais rapidez e agilidade nos processos. Por esse motivo, pode gerar uma redução de custos e também dos riscos que envolvem a operação de seguros”.
Segundo Mario, o blockchain tem potencial disruptivo, pois é capaz de combinar diversas tecnologias. “Pode ser utilizado pelo celular, é composto por moedas digitais e está associada à tecnologia bancária. É a peça que faltava na economia digital”, opinou.

A aplicação do blockchain no mercado de seguros pode ser feita nos processos de sinistros – do aviso ao pagamento; ou para a análise do seguro e dos riscos que envolvem a admissão da apólice. Sobre a inserção dessa tecnologia no dia a dia das seguradoras, Paulo Kurpan afirma que não vê isso acontecendo a curto prazo.

“Estamos vivendo um momento de transição, no universo das possibilidades. O blockchain traz ameaças e oportunidades para o mercado de seguros. O bom é que o nosso setor está em linha com o que está acontecendo no mundo. A CNseg está atenta às iovações que têm surgido e já pomovemos ações específicas junto a startups”, ressaltou Kurpan.

Para Marcio Alexandre Malfatti, o Blockchain pode funcionar de maneira efetiva em contratos cujas interpretações sejam simples. “Para tudo que tiver apenas duas possibilidades de respostas, ‘sim’ ou ‘não’, essa tecnologia funciona maravilhosamente bem, pois as regras de contrato nesse sistema são explícitas. O problema é quando há o ‘se não ou o ‘se sim’, ou seja, situações em que existem interpretações complexas, o que gera a necessidade de uma assistência jurídica e regulatória para auxiliar empresas e consumidores. Neste caso, só a tencnologia não basta”.

Malfatti não tem dúvidas sobre o impacto que o Blockchian pode causar na área jurídica das seguradoras. “Quem reclama da rapidez de liminares no segmento de saúde, o faz por ainda não conhecer o potencial do Blockchain”, disse, arrancando risos da plateia.

O impacto das novas tecnologias no mercado de trabalho também foi abordado pelos participantes . Na avaliação de Robredo, as inovação ameaçam somente profissionais com baixa qualificação. “Há uma ideia unânime de que as inovações digitais acabam com os empregos. Ela extingue alguns e, ao mesmo tempo, criam muitos outros”. Malfatti discordou: “O Blockchain poderá eliminar o trabalho de muitas pessoas qualificadas”.

8ª Conseguro: Mercado deve aprimorar as ações de gerenciamento de riscos e atuários têm muito a contribuir

Fonte: Cnseg

“Nunca fiz tanta reunião com operadoras sobre o modelo próprio de capital de risco, como agora. Há um entendimento dessa necessidade, o que demonstra que estamos amadurecendo”. A afirmação foi feita pelo gerente de Habilitação, Atuária e Estudos de Mercado da ANS, Washington Oliveira Alves, no painel “Avaliação dos Modelos de Solvência no Mercado de Saúde Suplementar”, no 5º Encontro Nacional de Atuários, que acontece paralelamente à 8ª CONSEGURO, no Rio.

Segundo ele, a agência estimula a adoção de modelos próprios e vê com “bons olhos” ações que visam a melhorar a gestão do risco. Nesse contexto, Alves credita um papel preponderante para os atuários, principalmente na “conversa com diretores de operadoras que têm ideias ousadas”.

O gerente da ANS ressaltou, contudo, que o “processo de amadurecimento” deve ser concluído rapidamente, pois, até 2022, as operadoras terão que estar 100% adequadas às regras de margem de solvência, que vêm sendo implementadas gradualmente.

Contudo, mesmo antes do final desse prazo, a agência vai editar nova regulamentação para riscos de subscrição, a qual já foi colocada, inclusive, em consulta pública. “Queremos chegar a algo bem próximo ao modelo regulatório de capital baseado em risco”, frisou, acrescentando que, no futuro, virão normas para riscos de crédito e outros mais.

Para ele, há gargalos a corrigir, como o fato de a maior parte das operadoras sequer ter uma área de gerenciamento de riscos.

Alves observou que, para obter melhores resultados no gerenciamento de riscos, a ANS incentiva a massificação das carteiras. Para tanto, a agência não vai criar empecilhos para quem decidir sair do mercado, repassando suas carteiras para outros grupos.

Coube ao professor adjunto da UERJ, William Moreira Lima Neto, apresentar a palestra sobre o tema central do painel, na qual demonstrou a importância de todo o mercado abraçar a ideia de aprimorar o gerenciamento de riscos. “Isso beneficia toda a sociedade”, comentou.

Para ele, é fundamental monitorar constantemente os riscos futuros e adotar um modelo de análise de riscos que englobe a projeção dos cenários nas linhas de negócios, o fluxo de caixa, a distribuição dos retornos oferecidos pelo negócio, a posterior revisão e, por fim, a decisão. “A maioria das pessoas olha o risco como uma medida de sinistralidade. Mas, isso é um erro. É preciso haver uma avaliação mais ampla”, alertou.

O professor acentuou ainda que os fatores de tolerância ao risco da corporação estão associados ao tamanho do grupo, dos recursos financeiros disponíveis e da habilidade ou da boa vontade em tolerar riscos.

Ele apontou o risco de subscrição como objeto de negócio das seguradoras e que deve ter como pilares os riscos de precificação, provisão, crédito, de mercado, etc.

Na opinião do professor, no caso específico do risco de precificação, é essencial partir de modelos já existentes e é importante agregar a dependência temporal, pois a empresa sempre vai trabalhar com projeções.
Ele observou também que o modelo interno deve estar alinhado com o processo de negócios da companhia, pois cada operadora tem critérios próprios de apropriação dos seus custos e receitas, nem sempre orientados com base no risco.

O painel teve como moderador o diretor de Compliance, Riscos e Atuária da SulAmérica, Reinaldo Amorim, segundo o qual há uma grande preocupação com a necessidade de adoção dos modelos internos de capital baseado em risco. “Isso é urgente e vital. Mas, é preciso ser cauteloso, pois requer complexidades que nem todo o mercado consegue atender”. Ele lembrou que, na Europa, há alguns anos, houve uma “onde de modelos internos”. Porém, poucas companhias se candidataram”, salientou.

8ª Conseguro: A importância dos ‘influenciadores digitais’ para educação financeira

Fonte: CNseg

Os chamados “influenciadores digitais” vêm ganhando cada vez mais espaço na produção de conteúdo e informação, voltados principalmente ao público jovem. Especialista em Psicologia Econômica, a jornalista e empresária Nathalia Arcuri criou em 2015 o blog “Me Poupe!”, a maior plataforma de entretenimento financeiro do mundo. Informar sobre educação financeira de forma rápida, divertida e com possibilidade de compartilhamento é o principal objetivo do veículo. Afirmou a digital influencer na palestra “O consumidor do presente: painel de jovens ‘influenciadores digitais’”, dentro do 2º Seminário de Riscos e Oportunidades Emergentes, que acontece em paralelo à 8ª CONSEGURO, com a participação do Superintendente Geral da Fundação CERTI e Conselheiro do Darwin Starter S.A., José Eduardo Fiates e do Diretor vice-presidente executivo da Unidade de Financiamentos e de Novos Negócios da B3, Roberto Dagnoni, além do moderador, Antonio Penteado Mendonça, advogado e jornalista.

Nathalia Arcuri explicou que a iniciativa surgiu a partir da carência de conteúdos informativos sobre finanças na mídia nacional. Culturalmente, a sociedade brasileira não possui o hábito de poupar ou investir, algo que se estende aos chamados millenials (jovens nascidos a partir de 1995). Em pesquisa recente do Serasa, 15,7% da população inadimplente têm entre 18 e 25 anos. Além disso, sete em cada 10 jovens dessa faixa etária estão com as contas atrasadas. Ou seja, é um público que consome bastante e não foi educado financeiramente. Com isso, é um desafio para o mercado segurador atrair e conquistar esse grupo de consumidores.

Com base nesses dados, a inovação na comunicação entre os clientes e o setor, principalmente entre os jovens adultos se faz cada vez mais necessária. “Eles querem que a gente fale cada vez mais a linguagem deles, ou seja, divertida, horizontal e presente nas redes sociais”, explica a jornalista. Para ela, os seguros compõem o planejamento financeiro e esse público quer aprender cada vez mais sobre o assunto, só não sabe onde encontrar informações que sejam transparentes e acessíveis. Ou seja, antes de oferecer os produtos do mercado securitário, é importante educar esses jovens.

Esse novo consumidor trouxe também profundas transformações aos negócios tradicionais. Roberto Dagnoni explicou que empresas como Netflix, Uber, Amazon e Airbnb conquistaram seus clientes por fatores como economia de tempo, experiência inovadora, mudanças comportamentais, qualidade do serviço e variedade de oferta em um só lugar. Esse novo panorama de venda e consumo trouxe grandes prejuízos a parte da indústria tradicional. Para ele, as seguradoras ainda não são ameaçdas significativas por startups do setor.

Porém, se faz cada vez mais necessário o investimento em inovação e tecnologia para que mantenham seu espaço no mercado. Já para José Eduardo Fiates, o mercado segurador está em constante ameaça. No entanto, ele afirmou que onde há ameaça, há oportunidade de inovar. Além disso, as seguradoras são primordiais no incentivo ao empreendedorismo. Consequentemente, esses empreendedores digitais estão mudando a realidade do Brasil, pois distribuem riquezas.

8° Conseguro: ‘Recessão torna demanda por reformas mais urgente’, diz assessor especial do MF

Fonte: CNseg

O chefe da Assessoria Especial de Reformas Microeconômicas do Ministério da Fazenda, João Manoel Pinho de Mello, disse hoje, no segundo dia da 8° CONSEGURO, que a agenda de reformas irá continuar e precisa ser um compromisso do atual e dos futuros governos. Segundo ele, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, concentra a agenda no Ministério, o que protege as iniciativas. Além disso, a recessão torna a demanda por reformas mais urgente.

“A pedagogia da recessão é muito educativa”, resumiu o economista, que analisou a produtividade da economia brasileira nas últimas décadas para justificar a nova agenda de reformas no painel “Reformas Microeconômicas – Fomentando Novos Investimentos”, no evento realizado pela Confederação das Seguradoras.

Pinho de Mello destacou que a avaliação do atual governo é que o problema de produtividade no Brasil não está localizado em nenhum setor ou indústria específica. Pelo contrário, há empresas ineficientes em todos os mercados. A avaliação do Ministério da Fazenda é que o problema da produtividade é transversal. Logo, não adiantaria criar incentivos específicos para determinados setores.

“O problema do Brasil é transversal aos setores. É preciso endereçar questões tributárias, logísticas etc, que acabam por distorcer as decisões de negócios. A estratégia é melhorar esse ambiente, dar estabilidade regulatória, desburocratizar e resolver questões que distorcem decisões de negócios”, resumiu o assessor da Fazenda.

O esforço de desburocratização está entre as maiores preocupações mencionadas pelo técnico da Fazenda. Além disso, ele falou sobre o esforço de reduzir o spread bancário e de criar novas fontes de financiamento, já que há limites para as fontes atuais como o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
“As tentativas de baixar o spread pela força bruta não deram resultado, mas temos sinalização de que há oferta de capital de longo prazo para investimento de infraestrutura”, afirmou, citando os esforços para implantar o cadastro positivo de crédito e melhorar a lei de Recuperação Judicial.

Participante do mesmo painel, o economista Armando Castelar, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), confirmou que as políticas setoriais adotadas nos últimos anos têm tido impacto muito reduzido. “Algumas coisas que estamos fazendo não estão dando certo. Precisamos fazer algo diferente”, disse ele.

Além da abordagem setorial, o economista do Ibre/FGV analisou diversos outros paradigmas, como a questão da educação, o impacto da inovação, formalização etc. A produtividade, disse, não vai crescer com incentivos a formalização ou políticas setoriais. Questões como acesso ao capital para investimento são mais relevantes.

Mediador do painel, o economista Luiz Roberto Cunha, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), encerrou o painel com críticas às políticas recentes de incentivos. “A bolsa empresário tira recursos da saúde, da educação e da previdência, e não resolve o problema”, assinalou Cunha.

O conjunto de reformas sinalizado pelo representante do ministério da Fazenda está em linha com as necessidades identificadas no painel. “O Ministério da Fazenda está certo. Não tem bala de prata para o problema do ambiente de negócios e para que o Brasil consiga fazer com que as empresas invistam e contratem mais”, concluiu Cunha.

Agenda da Susep é fomentar o mercado de seguros tendo em mente o consumidor

Susep

Como aprimorar a educação securitária e ampliar o acesso da população aos produtos de seguros foram questões que permearam o painel ‘A regulação e o desenvolvimento do mercado de seguros’ nesta quarta-feira, 20 de setembro, como parte da programação da 8ª Conferência Brasileira de Seguros (Conseguro), promovida pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), no Rio de Janeiro. De acordo com o diretor de Administração da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Paulo dos Santos, as equipes da autarquia e do ministério da Fazenda vêm trabalhando em sinergia para encontrar meios que possam reduzir os custos regulatórios do setor e disseminar a cultura do seguro na população de forma geral.

“A Susep está desenvolvendo uma metodologia de impacto regulatório”, informou Paulo dos Santos durante a sua fala no painel, ressaltando que a maior parte dos votos do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) são produzidos pela própria autarquia e levados à discussão. “A Susep tem como papel maior fomentar o mercado, mas sempre tendo em consideração o consumidor. O Brasil tem uma capacidade de expansão muito grande, principalmente quando comparado com outros mercados. A Susep com uma certa frequência é procurada por empresas que ainda não operam no país, mas que têm vontade de entrar no mercado brasileiro por conta do seu potencial. Nós precisamos entender o que o nosso consumidor precisa e nem sempre ele mesmo sabe identificar suas necessidades. Então, o nosso grande desafio é conseguir desenvolver produtos adequados”, pontou, sinalizando que atender o consumidor também significa combater o mercado marginal.

Nessa mesma linha, a secretária-adjunta de Política Microeconômica do ministério da Fazenda, Priscila Grecov, corroborou que o mercado de seguros, considerando uma economia como a brasileira, ainda está muito aquém do que poderia ser. A secretária também reiterou o papel da regulação, estabelecido pelo Decreto-Lei nº 73, de 1966, que consiste, entre outros aspectos, em promover a expansão do mercado de seguros, propiciar condições operacionais necessárias para a sua integração no processo econômico do país, evitar a evasão de divisas, firmar o princípio da reciprocidade em operações de seguro, promover o aperfeiçoamento e preservar a liquidez e a solvência das sociedades seguradoras.

A cena de debate também contou com a participação do advogado e professor titular da faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Gustavo Binenbojm, que em sua palestra destacou o elevado grau de judicialização do setor de seguros brasileiro. Segundo ele, essa tendência desvaloriza os contratos e as bases regulatórias da Susep e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Amanhã, quinta-feira, 21 de setembro, último dia da Conferência, estarão em pauta outros temas que estão na agenda de trabalho da Susep e de todo o setor, como os novos desafios da previdência e a inovação no mercado de seguros.