Resseguradora de Warren Buffett faz parceria para desenvolver blockchain

Fonte: PRNewswire

A iXledger (antiga InsureX Technologies), empresa de tecnologia com sede em Londres, primeira a se desenvolver nesse ramo, com soluções de seguros transformadoras utilizando blockchain, anunciou hoje uma colaboração com a Gen Re, subsidiária do grupo Berkshire Hathaway Inc, controlado pelo mega investidor Warren Buffett.

Juntas, a iXledger e a Gen Re desenvolverão soluções para seguros de vida e saúde usando blockchain e outras tecnologias avançadas na fase inicial. Como uma das primeiras a adotar a solução blockchain da iXledger, a Gen Re se beneficiará da sua experiência na criação de software financeiro e no uso de tecnologias avançadas para criar mercados de última geração.

O objetivo é desenvolver casos de uso convincentes da tecnologia da iXledger entre os clientes da empresa de seguros de vida e saúde da Gen Re e oferecer-lhes processos transformadores. Este projeto inicialmente se concentrará no Reino Unido, com potencial de se expandir para outras regiões, dentre elas a Europa, a Ásia e os EUA.

A iXledger oferece soluções inovadoras de seguros, baseadas na tecnologia blockchain, que têm potencial para melhorar a eficiência e fornecer privacidade de dados. Atualmente, está sediada em Londres e se expandindo rapidamente para os EUA, a Europa e a Ásia.

“Estamos muito satisfeitos por ter estabelecido esta colaboração estratégica com a iXledger para criar soluções transformadoras que melhor atendam às necessidades dos nossos clientes”, disse Ross Campbell, Chefe de subscrição, pesquisa e desenvolvimento em biologia/saúde da Gen Re.

Ingemar Svensson, CEO da iXledger, comentou: “Estamos numa época em que a tecnologia pode aproveitar o poder dos dados e da conectividade para melhor atender às comunidades. Em um setor regulamentado, rico em informações, a tecnologia blockchain pode oferecer transparência e confiança”.

A Gen Re fornece soluções de resseguro para os setores de seguros de vida/saúde e propriedades/acidentes. Com US$ 13 bilhões em capital e aproximadamente US$ 5,6 bilhões em prêmios, é uma das principais resseguradoras do mundo, com uma rede global de escritórios nos principais mercados de resseguro.

ARTIGO: Investimento adequado à escala de risco é uma tendência marcante no setor de transporte e logística

????????????????????????????????????

por Sérgio Caron, Líder da Prática de Transportes da Marsh Brasil

Em maior ou menor intensidade e previsibilidade, os riscos estão sempre presentes em todo e qualquer instante da logística. Neste ponto, o seguro existe para dar sustentação ao negócio das empresas, reparando as mais diversas perdas e prejuízos incidentes e recorrentes na logística e no transporte de cargas, seja em âmbito nacional ou internacional.

O seguro é um elemento essencial para a continuidade da atividade logística, e estratégico para proteção do patrimônio do proprietário da carga, assim como, em outra vertente, dá amparo à responsabilidade civil de terceiros, atuantes durante o deslocamento das mais variadas cargas e nos mais variados percursos – modais de transportes, regiões, etc.

Integrado ao seguro, a tendência neste segmento é que devido à intensidade da atividade de roubo de cargas no Brasil, as seguradoras têm, cada vez mais, proposto regras mais robustas de gerenciamento de riscos. O investimento adequado à escala de risco (dependendo do tipo de produto transportado, valores dos carregamentos, regiões de trânsito, horários etc.) é uma tendência marcante no setor.

É essencial que toda a cadeia logística seja totalmente detalhada e explicada pelo cliente para que o corretor de seguros possa ter os elementos de análise em mãos. Com base nas operações realizadas e detalhadas, é preciso verificar se as propostas de seguros ofertadas pelas seguradoras amparam as diversas particularidades de cada operação logística. Muitas vezes, é preciso que essas propostas sofram ajustes e que algumas cláusulas sejam configuradas para atender à demanda específica de um determinado cliente. Outro aspecto muito importante que deve pesar no momento da análise são as exigências e recomendações sobre gerenciamento de riscos, pois exercem impacto direto nos custos envolvidos.

Serviços agregados, qualidade dos prestadores de serviços, prazos para pagamento de sinistros e automaticidade/capacidade dos contratos das seguradoras que atuam neste setor também são fatores igualmente relevantes na decisão da seguradora. Diferentemente de outros tipos de seguro, o seguro de transportes exige interação entre cliente e corretor ao longo dos 365 dias de vigência de uma apólice.

Capitalização distribui R$ 561,8 milhões em prêmios no semestre

Release

No primeiro semestre de 2017, os títulos de capitalização das modalidades Tradicional, Incentivo e Popular pagaram R$ 561,8 milhões em prêmios a clientes sorteados de todo o país. O montante representa um crescimento de 3,8 % em relação ao primeiro semestre do ano passado. Os dados foram divulgados essa semana pela Federação Nacional de Capitalização (FenaCap).

Na distribuição de prêmios os clientes do Sudeste ganharam R$ 271,6 milhões; em segundo lugar no ranking dos estados estão os contemplados da Região Sul, que já acumulam R$ 198,2 milhões em prêmios no semestre; R$ 47,8 milhões foi o montante distribuído em prêmios para os sortudos da Região Nordeste; portadores de títulos das Regiões Centro-Oeste e Norte ganharam R$ 36,4 milhões e R$ 7,8 milhões, respectivamente, no período.

Os dados divulgados pela FenaCap revelaram ainda que os resgates realizados antecipadamente, ou ao fim do prazo de vigência dos títulos, registraram um
decréscimo de 8,13%, somando R$ 9,3 bilhões no período. “Isso mostra que, em razão das incertezas na economia, as pessoas estão mais cautelosas, consumindo menos e procurando manter suas economias guardadas por mais tempo”, diz Marco Antonio Barros, presidente da Federação. Segundo ele, cada vez mais os títulos de capitalização, especialmente os da modalidade Tradicional, de acumulação com sorteios, vêm cumprindo o papel de instrumentos para desenvolvimento da disciplina financeira, pois os clientes preferem aguardar o fim do prazo para resgatar 100% da reserva formada, atualizada pela TR, e participar de todos os sorteios programados para o período.

As provisões técnicas – valores acumulados pelos clientes com títulos de capitalização ativos – alcançaram R$ 28,3 bilhões, apresentando um pequeno recuo em relação ao primeiro semestre de 2016 (R$ 29,7 bilhões). O faturamento das 17 empresas autorizadas a comercializar títulos de capitalização no Brasil foi de R$ 9,7 bilhões no período.

Zurich lança nova edição de campanha de incentivo para premiar corretores

Release

A Zurich, empresa global de seguros com experiência de 78 anos no mercado brasileiro, anuncia o lançamento da nova edição da campanha “Vou com a Zurich”, que reconhece e premia corretores parceiros em todo o Brasil com viagens para destinos especialmente selecionados. De acordo com Marcio Benevides, Head de Distribuição Brasil & Bancassurance, “Esta não é apenas uma campanha de incentivo às vendas, é também uma oportunidade de estarmos cada vez mais próximos do nosso principal canal de distribuição para estreitar laços, compartilhar experiências, entender expectativas e construir relações de longo prazo”.

Os corretores elegíveis à campanha são identificados através do programa de relacionamento, o “Experiência Zurich” que, além das viagens, proporciona outras vantagens, benefícios e incentivos. Fatores como volume de produção, mix de produtos, fidelidade e rentabilidade também são critérios de avaliação de desempenho utilizados pelo programa.

A Zurich realiza campanhas de incentivo desde 2012 e em 2017 levou seus parceiros com alta performance em 2016 para desfrutar de destinos como Barcelona, na Espanha, Praia do Forte, na Bahia, e Ushuaia, na Argentina. “As viagens são um verdadeiro convite ao encontro, ao compartilhamento de momentos especiais e um merecido reconhecimento. O constante exercício da busca pela excelência e superar expectativas faz parte da nossa proposta de valor”, afirma Marcio Benevides.

Susep cria programa para reforçar fiscalização e proteção ao consumidor

Em prol da manutenção de um canal de diálogo constante entre o Estado e os seus supervisionados, a Superintendência de Seguros Privados (Susep), por meio da sua Diretoria de Supervisão de Solvência (Disol), deu início a um programa de apresentações estratégicas de empresas de todos os portes e grupos do setor de seguros. Os encontros acontecem na sede da autarquia, no Rio de Janeiro, com o intuito de ouvir dos principais dirigentes das companhias, uma avaliação detalhada sobre os seus segmentos e ramos de atuação. A finalidade é contribuir para o desenvolvimento sustentável do setor e fortalecer o processo de supervisão.

Para o superintendente da Susep, Joaquim Mendanha de Ataídes, a iniciativa integra o rol de ações da autarquia, estruturadas pelo seu Conselho Diretor, como agente de fomento do setor de seguros. “Esse é mais um passo no sentido de reforçar a missão da Susep em benefício do consumidor, o principal ator do mercado de seguros”, observou. Nessa mesma linha, o diretor da Disol, Cássio Cabral Kelly, reitera a importância do ciclo de apresentações das empresas para aproximar a Susep dos reais desafios e oportunidades de cada segmento do setor. “A instituição do Programa de Apresentações das Supervisionadas pretende abordar questões que auxiliem a supervisão sob as perspectivas da regulação prudencial e de conduta em função de uma matriz de avaliação de riscos”, explicou.

Durante as apresentações do Programa, as empresas supervisionadas poderão expor seus posicionamentos de mercado em relação ao seu segmento de atuação, abordar as suas expectativas, os principais percalços e riscos emergentes por ramos, entre outros assuntos e/ou esclarecimentos. Além do diretor da Disol, do diretor da Diretoria de Supervisão de Conduta (Dicon), Carlos de Paula, e do assessor técnico da Disol, Luiz Fernando Hideichi Sasaki, os encontros contarão com a participação dos coordenadores-gerais de áreas-chave das diretorias, como a Coordenação-Geral de Fiscalização Prudencial (CGFIP), a Coordenação-Geral de Monitoramento Prudencial (CGMOP), a Coordenação-Geral de Fiscalização de Conduta (CGCOF) e a Coordenação- Geral de Monitoramento de Conduta (CGCOM).

Programa Fala Presidente, da Rádio CNseg, aborda essa e outras questões hoje

Fonte: CNseg

Enquanto busca retomar seu crescimento, a economia brasileira vive hoje uma queda na taxa básica de juros. Qual o impacto dessa mudança sobre o mercado de seguros? Quem responde a essa e muitas outras questões é o presidente da CNseg, Marcio Coriolano, no programa Fala Presidente, da Rádio CNseg. “As pessoas agora têm mais condições de retomar empréstimos e condições mais adequadas à sua capacidade de renda”, explica ele. “A queda da taxa de juros é boa para o país, para o consumidor e para as seguradoras também.”

Ouça

Seguros na bolsa, um bom investimento até agora

O Brasil tem seis empresas ligadas a seguros negociadas na bolsa de valores. Isso sem contar bancos, que têm destacado os ganhos com seguros em seus balanços, como Bradesco, com uma média de 30% do ganho proveniente de seguros no total do conglomerado, e Itaú, com média de 15% vindo de produtos do mercado segurador fiscalizado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep).

O blog Sonho Seguro solicitou a Economática um gráfico com o resultado das ações desde o lançamento em bolsa até o dia 25 de agosto de 2017. A Porto Seguro é a mais velha do quadro e a que registra a maior valorização. Estreou na bolsa em novembro de 2004. Já o maior volume negociado fica com a holding que controla as operações de seguros do Banco do Brasil, a BB Seguridade.

Veja o resultado para quem aplicou nas ações de seguros desde a entrada da empresa na bolsa:

Segundo gráfico elaborado pela Economática a pedido do blog Sonho Seguro, do dia da estreia, 19 de novembro de 2004 até o dia 25 de agosto, a valorização do papel da Porto foi de 914%. A demanda superou a oferta em cinco vezes. A maior parte dos papéis, 71%, ficou com investidores internacionais, e o restante com investidores locais. A empresa levantou R$ 328,11 milhões com a operação, sendo que R$ 248,31 milhões foram para o bolso dos controlares e o restante para o caixa da empresa. Os acionistas Rosa Empreendimentos e Stela Yara Blay venderam totalmente sua parte na companhia e passaram a ter apenas participação indireta. A empresa colocou no mercado 23,6%.

A centenária SulAmérica veio em outubro de 2007 com certificados de depósitos de ações no Nível 2 de governança corporativa da Bolsa. Esses títulos são conhecidos, no mercado de capitais, como Units. Com a emissão primária de 21.739.132 certificados de depósito de ações, a companhia levantou cerca de R$ 674 milhões. Do lançamento até o dia 25 de agosto, os papéis valorizaram 256%, segundo estudo da Economática. Fundada em 1895, a companhia possui cerca de 5,3 mil funcionários e atua em várias linhas de seguros, como saúde e odontológico, automóveis e outros ramos elementares, vida, além de outros segmentos, como previdência privada, investimentos e capitalização. A SulAmérica tem mais de 7 milhões de clientes, de pessoas físicas a grandes empresas, em todo o país. Em 2016, a companhia registrou receitas totais de R$ 16,8 bilhões.

A BB Seguridade estreou na bolsa em abril de 2013, após uma oferta pública de ações que movimentou R$ 11,5 bilhões. Foi considerado na época o maior IPO do mundo no ano. A empresa chegou ao mercado valendo R$ 34 bilhões, quase a metade do valor de mercado do Banco do Brasil, na época avaliado em R$ 75 bilhões). Do lançamento até agora, a valorização foi de 105%. Depois de passar todos esses anos sendo a querida dos analistas de ações, a companhia sofreu ao divulgar no segundo trimestre queda no lucro e revisão do guidance para o ano de alta de 1 a 5% para queda de 1 a 5%. O lucro do segundo trimestre caiu 12%, fazendo o retorno sobre patrimônio líquido ajustado recuar 11 pontos, a 44,5%, o pior nível desde o terceiro trimestre de 2013. O presidente-executivo do BB, Paulo Caffarelli, informou no início de agosto que a BB Seguridade deve aderir em setembro ao programa de governança de estatais criado pela bolsa brasileira.

A Par Corretora de Seguros, agora Wiz, movimentou R$ 602 milhões com a oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) em junho de 2015. A demanda superou dez vezes o ofertado, somando R$ 5,3 bilhões. A Par Corretora chegou a Bolsa com valor de mercado de cerca de R$ 2 bilhões. O objetivo do IPO, que tem entre os sócios a Caixa Seguros e a GP Investimentos, era preparar o terreno para a esperada oferta bilionária da Caixa Seguros, que emperrou por discussões sobre o contrato que a Caixa tem com a francesa CNP, que termina em 2021.

A BR Insurance tinha um plano ousado: unir vários corretores. Em novembro de 2010 captou R$ 644,625 milhões em sua oferta inicial de ações. O preço de emissão ficou em R$ 1.350,00, no centro do intervalo sugerido, que variava de R$ 1.250,00 a R$ 1.450,00. A operação foi destinada apenas a investidores qualificados (com mais de R$ 300 mil em investimentos), institucionais e contou com esforços de colocação no exterior. A companhia fez uma operação mista. A emissão primária totalizou R$ 348,097 milhões, com a emissão de 257.850 ações ordinárias. A oferta secundária somou R$ 296,527 milhões, com a colocação de 219.650 papéis. Com o tempo, o plano de integrar vários corretores se mostrou um desafio e tanto, com sucessivas brigas entre os acionistas. O resultado é uma desvalorização de 92% no período analisado, da estreia até o dia 25 de agosto de 2017.

O IRB chegou a bolsa em 31 de julho de 2017, depois de duas tentativas frustradas pela crise brasileira. O ressegurador levantou R$ 2,003 bilhões em seu IPO. A oferta foi apenas secundária, ou seja, o capital movimentado foi para o bolso dos acionistas. Em menos de um mês, apresenta valorização de 9%. A União não vendeu suas ações e manteve 11,68% do IRB. Já o Fgeduc reduziu sua fatia de 15,76% para 8,86%, embolsando R$ 585,81 milhões. Maior acionista vendedor do IRB, o Fgeduc assegura parte do risco das operações do Fundo de Financiamento ao estudante do Ensino Superior (Fies). BB e Bradesco diminuíram cada um suas fatias de 20,43% para 15,23%, enquanto o Itaú encolheu de 14,94% para 11,14%. O FIP Barcelona, que reúne os fundos de pensão Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras) e Funcef (Caixa), saiu de 9,84% para 7,37%.

Apólices que garantem concessões podem sofrer impactos caso não haja um acordo de reequilíbrio

As rodovias concedidas à iniciativa privada durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff já pediram R$ 5,5 bilhões em revisões contratuais, informou o Valor Econômico em matéria publicada nesta segunda-feira, 28. Das oito concessões assinadas no período, uma foi cassada e quatro são alvo de processo administrativo – que pode resultar em retomada. Somente três empresas estão adimplentes com os compromissos assumidos em contrato. Algumas variações de custos podem ser reivindicadas pelas empresas a título de reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos. O valor, quando autorizado, é diluído na tarifa de pedágio. A queda no volume de tráfego, entretanto, não está entre elas, pois faz parte do risco natural do negócio. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) concedeu 41% do valor solicitado pelas concessionárias, pouco mais de R$ 2,25 bilhões.

Diante disso, o blog Sonho Seguro foi perguntar ao especialista Eduardo Cruci, gerente de seguro garantia, como isso pode impactar as seguradoras:

“Os contratos de concessão possuem dispositivos de revisão contratual que tem por objetivo o reequilíbrio econômico-financeiro e, em função da desaceleração no cenário econômico dos últimos 3 anos, algumas concessões eventualmente não conseguiram atingir o volume de tráfego esperado quando da licitação. Dessa forma, nestes casos utilizaram o dispositivo para buscar ajustar suas obrigações, que em uma concessão resumem-se a três: Operacionais (qualidade do serviço, manutenção, sinalização, etc); Investimento (ampliação, duplicação, etc) e; Outorga (valor pago pelo contrato de concessão). Logo, o que se pede hoje é um reescalonamento dos valores a pagar nas outorgas anuais e também uma revisão do plano de investimento, pois à medida que a demanda esteja aquém do planejado, alguns dos investimentos podem deixar de serem priorizados.

Desta forma, as apólices que garantem as concessões podem eventualmente sofrer impactos caso não haja um acordo de reequilíbrio, e o concessionário não consiga manter suas obrigações. Em função de boa parte desses ativos terem sido concedidos a empresas atualmente em situação mais desafiadora, o cenário requer cautela. Tendo em vista que estamos verificando uma sinalização de melhoria econômica, isto deve contribuir para melhorar a capacidade de pagamento das empresas, no momento em que houver uma retomada da demanda.”

Setor de resseguros no Brasil caminha para ser um mercado mais sólido, afirma CEO da Munich Re

O grupo alemão Munich Re confirmou que mantém suas expectativas de lucro mundial para 2017 entre 2 bilhões a 2,4 bilhões de euros. A informação foi divulgada durante a publicação do balanço do segundo trimestre deste ano, quando apresentou lucro líquido de 733 milhões de euros. A queda de 25% no lucro trimestral foi melhor do que o esperado, em parte ajudado pela diminuição das catástrofes naturais. E como fica o Brasil neste contexto? Caminha para um mercado mais sólido, segundo Rodrigo Belloube, CEO da operação brasileira. “Acreditamos que o mercado em cinco anos será bem diferente do atual, talvez mais consolidado e de fato aberto”, disse ele ao Blog Sonho Seguro.

No Brasil, a Munich Re encerrou 2016 com prêmios de R$ 441,9 milhões (líquidos de comissão de resseguro), incremento de 15% em relação a 2015. O lucro líquido saltou de R$ 14 milhões para R$ 55,7 milhões. O resultado operacional praticamente quadriplicou, atingindo o montante de R$ 100,2 milhões ante R$ 27,8 milhões em 2015. “Nosso principal foco é estabelecer parcerias estratégicas com rol de clientes na pauta envolvendo assuntos pertinentes à gestão de risco, a partir das quais nosso desenvolvimento sustentável se materializa, conforme demonstram os resultados obtidos em 2016”.

Veja abaixo alguns trechos da entrevista:

Qual o impacto da recessão no resseguro no mercado brasileiro?

Há carteiras mais suscetíveis ao cenário macroeconômico, em particular aquelas que se desenvolvem em sintonia com os investimentos em infraestrutura. As mais óbvias são as relacionadas aos seguros de riscos de engenharia, que cobrem obras de diferentes magnitudes contra danos físicos acidentais e, dependendo do contrato, a perda financeira resultante do atraso gerado pelos trabalhos consequentes de reparo, e as garantias contratuais tanto no que tange ao desempenho quanto à completude das obrigações contratuais.

E as garantias ofertadas pelas seguradoras aos clientes?

Em relação às garantias, o impacto foi menos percebido em termos de escala, tanto para o mercado quanto para as operações individuais de seguradoras, em função da mudança radical no DNA da carteira. O mercado voltou-se principalmente para a demanda de garantias judiciais como fator compensatório da queda brusca nos investimentos em infraestrutura. A diferença na natureza do risco subjacente é significativa, o que leva a uma abordagem distinta na análise, precificação e gestão do risco durante seu ciclo de vida.

E a queda em carteiras como automóvel, trouxe perdas para resseguros?

As carteiras de auto, ainda pouco resseguradas no País, também apresentaram desempenho decepcionante nos últimos anos em função da queda brusca na venda de carros novos, que tradicionalmente demandam mais seguro. A sinistralidade também piorou no geral, o que parece ter relação com o crescimento sensível de furtos e roubos. O impacto sentido pelos resseguradores nessa carteira foi mínimo; ela ainda é pouco ressegurada no Brasil, uma vez que as seguradoras brasileiras ainda não se atentaram para o custo competitivo do resseguro, como fonte de capital de risco, em comparação às alternativas de dívida ou injeção própria.

A qual o peso da Lava Jato no setor, uma vez que alguns dos principais clientes de seguros até 2014 em investigações, muitas falências de empresas concentradas por setores, pedido de recuperação judicial, além de executivos solicitando cobertura de D&O?

Não identificamos volatilidade maior do lado de sinistros por conta da Lava Jato. Conseguimos aglutinar como prática de gestão uma série de iniciativas especificas que, combinadas, geram resultados satisfatórios. Dentre elas estão a gestão de nossas exposições e acúmulos, uma seleção cuidadosa dos projetos a que nos expomos, a escolha criteriosa das seguradoras com quem trabalhamos, bem como critérios com bom balanço técnico-comercial para as garantias judiciais. Na ponta de prêmios, houve a substituição das garantias de desempenho e completude pelas judiciais, o que levou o mercado a uma nova natureza de risco subjacente, a uma nova carteira de garantias.

O que pode impactar os resultados em 2017?

Não identificamos um fator específico que nos leve a um resultado maior ou menor. A volatilidade de nosso negócio é endereçada com mecanismos usuais de proteção – um conjunto de retrocessões, ou de resseguro do resseguro. Para nós, o importante é continuar a desenvolver nosso negócio em linha com nosso planejamento estratégico nos três pilares que o formam: resseguro tradicional, resseguro como capital de risco e inovação, sempre com foco na excelência de serviços para nossos clientes, com base num diálogo permanente e próximo com eles, em toda a extensão da cadeia de valor. Feito isso, continuaremos no caminho de consolidar a operação brasileira como uma das líderes e mais rentáveis do mercado local.

O IPO do IRB traz algum impacto ao segmento de resseguros?

Acreditamos que transformações tangíveis somente ocorrerão se um novo acionista de cunho estratégico tiver autonomia para promovê-las e uma agenda factível e convincente. Mais do que o contexto específico do IPO, o importante, ao nosso ver, é reconhecer que o mercado brasileiro de resseguro é um dos mais ineficientes do mundo, com altíssima carga tributária que impõe aos resseguradores, tanto os capitalizados localmente quanto os internacionais, um peso quase inviabilizante e muito superior a outros centros vizinhos (Colômbia, por exemplo), um emaranhado regulatório com algumas provisões sem sentido algum (limitações de retrocessão intragrupo, por exemplo), e um tamanho pequeno.

Mesmo com a abertura, o segmento de resseguros ainda é considerado pequeno?

Sim, somos um mercado pequenino frente a outros da América Latina expostos a catástrofes naturais e, acrescentando ao desafio, com muita oferta de capacidade disponível. Não é à toa que a rentabilidade de praticamente todos os resseguradores atuando no Brasil é bastante baixa, o que tem promovido tentativas de internacionalização para aqueles de capital local, um apoio muito grande dos resultados na decrescente receita financeira, e, no que nos soa como tentativa de buscar um atalho ao ganho de escala, abordagens comerciais por vezes demasiadamente agressivas e sem sustentação. Não existe almoço de graça, a conta chega mais cedo ou mais tarde. Acreditamos que o mercado em cinco anos será bem diferente do atual, talvez mais consolidado e de fato aberto.

VALOR: Operadoras de saúde buscam redução de custos

A partir de setembro, os 1,4 milhão de usuários da Amil que têm plano com co-participação (o usuário paga um percentual do serviço utilizado) poderão acessar um simulador, com geolocalização, que permite a escolha dos serviços médicos mais próximos. “Ao clicar no serviço, o sistema reconhece o tipo de plano e mostra ao cliente o valor que será descontado dele na folha de pagamento”, diz Sergio Ricardo Santos, CEO da Amil. Outra ação pioneira é o uso de token para validação do atendimento, que recebeu cerca de R$ 5 milhões em investimento e começou em agosto. SulAmérica, Bradesco e Unimed contam sobre seus programas de prevenção, cuidados com doentes crônicos e facilidades no atendimento para evitar a ida de clientes para consultas em pronto socorro.

O especial pode ser acessado, por assinantes, no no porta do Valor Econômico