Insurtechs vão ter que investir mais recursos e tempo em proteção de dados

A Kakau Seguros, plataforma de seguros digital, por assinatura, foi convidada para o InsurTech Rising Europe, principal evento sobre insurtechs da Europa, que tem como tema o futuro da indústria de seguros, com a ascensão da transformação digital. O CEO da Kakau Seguros, Henrique Volpi, irá participar do painel “Revolutionising the way insurers gain information from their customers through the use of AI”, que aborda como o uso de Inteligência Artificial está revolucionado o setor, no dia 12 deste mês, às 13h35, em Londres (Inglaterra).

Em julho, a Kakau participou em Londres do lançamento do livro “The Insurtech Book”, que discute a atuação das insurtechs hoje e no futuro, destacando o impactos da transformação digital nas seguradoras. O CEO da Kakau, Henrique Volpi,foi um dos autores. “É uma grande honra participar como palestrante de um evento internacional como esse, que debate a evolução na indústria de seguros. Além, é claro, de mostrar como a Kakau Seguros está contribuindo para isso”, explica o CEO e Co-Fundador da Kakau Seguros, Henrique Volpi.

Além da palestra, Volpi contará um pouco da jornada da Kakau Seguros, desde a criação da plataforma digital, detalhes da inovação de serviços que permitem ao usuário pausar e retomar seu seguro quando quiser, até o uso da assistente virtual, Anna, em uma demo no dia 10 de setembro, às 15h35.

Também se atualizará sobre o impacto das leis de proteção de dados que já está valendo na Europa e que no Brasil entrará em vigor em 2020. “Sempre fui fã de segurança da informação e por isso acho um tema super bacana! Acho também que o mundo acordou para isto por conta do caso da Cambridge Analytica e vai ficar cada vez mais complexo”, disse ele ao blog Sonho Seguro.

Segundo ele, a lei sancionada pelo presidente Michel Temer traz muitas implicações para as seguradoras, que movimentam dados dos clientes. “Eu concordo que ficou muito mais complexo. A grande maioria das “insurtechs” aqui e lá fora são baseadas em dados. Isto vale para que usa IOT, AI/machine learning (o nosso caso) e “big data” de modo geral. Mesmo no caso de blockchain, que em tese é super seguro, a empresa precisa considerar como coleta os dados, se está autorizado e como é feito o envio dos dados para o bloco”, comentou.

Ele disse que aproveitará sua estada em Londres para conversar bastante sobre o tema. “Mas o ponto é que agora a curadoria, ingestão e também o gerenciamento de dados foi para outro patamar. Pessoalmente acho isto tudo muito positivo. Temos que ter muito cuidado com a exposição de dados. Durante a minha carreira de TI eu vi muitas falhas e vazamentos que poderiam ter sido evitados. Acredito que o seguro cyber em parceira com empresas de segurança de TI será um “enforcement’ positivo e educador”, acrescentou.

No campo filosófico, afirma Volpi, os especialistas em tecnologia estão discutindo bastante se é legítimo precificar um serviço (seguro/serviços financeiros) baseado em dados e predições analíticas destes, mesmo que dentro das normas do GDPR e leis locais. “Na prática, as insurtechs vão ter que investir mais recursos e tempo tratando e implantando novas normas e regras por conta da GDPR e as políticas de proteção de dados”, finaliza.

Evento:

InsurTech Rising Europe
Dia: 12 de setembro
Horário do painel: 13h35
Inscrições e Informações: https://finance.knect365.com/insurtech/

Local: Tobacco Dock, Londres
Endereço: Wapping Ln, St Katharine’s &Wapping, London E1W 2SF, Reino Unido

VALOR: CVM prepara parecer sobre contrato de indenização para executivos

O Valor traz hoje uma matéria sobre o seguro Directors & Officers (D&O). As companhias que quiserem adotar contratos de indenização para seus executivos, com o objetivo de cobrir perdas causadas por processos judiciais ou administrativos, terão em breve um parecer da CVM com parâmetros que o regulador considera legítimo para esses acordos, traz o Valor. Polêmicos, esses contratos passaram a ser mais usados no Brasil após a Operação Lava-Jato como parte do pacote para atrair e reter executivos. Velhos conhecidos do mercado americano, esses acordos são usados, na maioria das vezes, em conjunto com o chamado seguro “D&O”.

No texto cita que todas as 20 maiores companhias abertas do Brasil, com valores de mercado que vão de R$ 26 bilhões a R$ 300 bilhões na B3, contratam o seguro D&O. Entre elas, cinco já relataram em seu formulário de referência oferecer também o contrato de indenização: AmBev, Vale, Santander, Braskem e B3.

Mongeral Aegon lança novo programa educacional

A seguradora Mongeral Aegon lança, nesta semana, o Potencialize, o programa de educação da força de venda autônoma. A ação é promovida pela Universidade Corporativa da seguradora. O programa é voltado para os corretores de seguros de vida e previdência parceiros da Mongeral Aegon, e é mais uma iniciativa da companhia na valorização deste profissional tão importante no mercado.

O Potencialize inclui uma plataforma educacional na qual os corretores terão acesso a mais de 150 cursos. Os conteúdos têm como objetivo capacitar estes profissionais em temas que contribuam para vender mais e melhor, desenvolver competências de gestão, ampliar conhecimento sobre planejamento financeiro e sucessório, dentre outros. O corretor também poderá acessar os cursos através de um aplicativo para dispositivo móvel.

Além dos cursos, em outubro, a Universidade Mongeral Aegon promoverá o Congresso Potencialize. O evento reunirá 130 corretores parceiros da seguradora de todo país durante um dia no Rio de Janeiro repleto de palestras e debates sobre a profissão do corretor, tendências, qualificação profissional e temas inspiracionais. Neste primeiro ano o congresso será exclusivo para os parceiros da Mongeral Aegon e esta iniciativa já tem como propósito ampliar a oferta contribuindo para a qualificação da indústria de seguros.

“Formar e desenvolver corretores está no DNA de nossa seguradora. Estruturar o Programa Potencialize ampliará a oferta de ações de educação continuada, qualificando o corretor parceiro para ofertar as soluções de vida e previdência de uma forma cada vez mais qualificada e mais eficiente para a sociedade”, comenta Patrícia Campos, superintendente de Educação Corporativa da seguradora.

Em junho do ano passado a Mongeral Aegon inaugurou o espaço físico da sua Universidade Corporativa no Rio de Janeiro. O local conta com cinco salas de treinamento com capacidade para receber um total de 120 pessoas, espaço para café e ambiente dedicado à leitura. A Universidade Corporativa tem extensão nas 39 unidades de negócio da seguradora pelo país por meio de salas de treinamento.

Transformação digital traz maior competitividade ao setor de seguros

Marcos Cardoso, diretor global de seguros da Indra, afirma que melhorar a experiência dos clientes por meio da transformação digital e preparar as seguradoras para o novo perfil de consumidor é o principal foco da área de seguros da empresa, uma das principais empresas globais de consultoria e tecnologia. Veja abaixo a entrevista concedida ao blog Sonho Seguro.

Como avalia o andamento da transformação digital nas seguradoras brasileiras?

A transformação digital nas seguradoras está em diferentes níveis de maturidade e, em nossa visão, as que atuam com seguros massificados estão mais propensas a investir neste processo. Embora de maneira mais conservadora, as seguradoras que atuam com negócios coorporativos também buscam investir cada dia mais em inovação tecnológica para maior competitividade.

Quais segmentos de atuação (auto, vida, saúde, transporte etc) demandam mais transformação?

A transformação digital abrange diferentes âmbitos de inovação, por exemplo, gestão de riscos cibernéticos, vantagens competitivas, experiência do cliente e modelos disruptivos de negócio. Devido aos volumes envolvidos, as carteiras de seguro de automóvel e saúde, têm recebido maior investimento por parte das Seguradoras e por esta razão, estão mais avançadas no processo de transformação digital. Os negócios de seguros Vida e Residência tendem a receber os benefícios destes investimentos, já que as seguradoras buscam equalizar seus processos operacionais e ambientes tecnológicos.

Quais os setores das companhias (subscrição, comercial, financeiro etc) estão em estágio mais avançado?

Pela experiência da Indra, os processos de distribuição, cotação e subscrição são os que estão no estágio mais avançado da jornada de transformação digital e recebem muita atenção por parte das seguradoras. Em carteiras como Auto e Saúde, já identificamos iniciativas de transformação digital no backend, com demandas para atualização e introdução de novas tecnologias, tais como vistoria digital, IoT, Big Data e produtos personalizados.

Como avançar neste processo que requer elevado investimento financeiro diante da crise do país, que tem abalado seriamente as seguradoras?

O investimento em transformação digital é essencial para a competitividade no mercado segurador. Um dos pilares e benefício que a transformação digital proporciona é a eficiência operacional, que tende a baixar os custos operacionais das seguradoras.
Para avançar no processo de transformação digital, as seguradoras devem contar com parceiros estratégicos, com capacidade financeira e atuação internacional como a Indra que, além de conhecer o negócio de seus clientes, tem experiência na implementação de novas tecnologias e soluções próprias de seguros.

O que espera de 2019 em termos de transformação das seguradoras?

A economia compartilhada já é uma realidade e gera impactos relevantes no comportamento social. Acreditamos que o maior desafio das seguradoras será o desenvolvimento de produtos disruptivos e digitais para atrair e atender as necessidades dos novos consumidores de seguros. Para suportar estes produtos as seguradoras deverão reavaliar suas estruturas operacionais e tecnológicas, buscando reduzir custos e proporcionar maior escalabilidade. Desta forma, as seguradoras ganharão vantagem competitiva participando também da economia compartilhada, através de Cloud, BPO e novos modelos de negócios que as auxiliem na jornada de transformação digital. Para tanto, parceiros tecnológicos com experiências comprovadas, em nível global, são fundamentais para as seguradoras se aproveitarem dessa transformação.

IRB promove Innovation Day

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O IRB Brasil RE, empresa líder em resseguros que vem se reinventando desde a sua privatização em 2013, promoveu no dia 04/09 o IRB Innovation Day. A iniciativa foi uma parceria com o Templo, laboratório criativo referência em inovação, e reuniu grandes nomes dos mercados de tecnologia, digital, design e marketing. O encontro inédito marca um momento de crescimento e resultados surpreendentes da empresa, que tem investido cada vez mais em tecnologia e soluções inovadoras para produtos e serviços, tanto no Brasil quanto na América Latina.

Realizado para colaboradores da sede no Rio de Janeiro e transmitido por live streaming nos escritórios de São Paulo e Buenos Aires, o evento incluiu uma feira de startups, sessão de cocriação e flashtalks com profissionais consagrados como Henrique Von Atzingen, líder do laboratório de inovação, dados e inteligência da IBM, o ThinkLab; Michel Lent, pioneiro do mercado digital no Brasil; e Pedro Vasconcelos, cofundador da Fulllab, com 20 anos de experiência em marketing, comunicação e vendas.

O incentivo para o Dia da Inovação e o despertar para a necessidade de ampliar a discussão sobre esse assunto partiu do presidente do IRB Brasil RE, José Carlos Cardoso. “É um marco histórico na empresa e o início de uma nova era. O resseguro tradicional aos poucos deixa de ser suficiente para atender as demandas das seguradoras. Precisamos nos reinventar a cada dia e acompanhar a evolução digital, tecnológica e as necessidades dos nossos clientes. Ouvir os colaboradores e clientes e oferecer suporte e ferramentas para eles inovarem é o primeiro passo para esse novo salto que queremos dar”, afirmou Cardoso durante a abertura do evento.

A empresa já estava estruturada para trabalhar o tema. Este ano, foi criado um comitê com representantes de diversas diretorias e gerências para implementação de ações que incentivem novas ideias. O gerente de Gestão de Clientes, Lucas Mello, um dos líderes da iniciativa, acredita que o IRB Innovation Day é o pontapé inicial para um novo momento da empresa. “Nós já temos ações inovadoras setoriais e pontuais em algumas áreas, mas queremos avançar ainda mais neste tema, integrando o IRB para projetos ainda maiores. A inovação deve vir da empresa como um todo, por isso foi importante a participação das equipes. Agora, todos estão no mesmo nível de conhecimento e sabem da importância disso para a companhia. A ideia daqui pra frente é que a gente continue esse trabalho e não deixe o tema ser esquecido”, explicou.

O encontro teve como mediador Herman Bessler, fundador do Templo, e trouxe debates importantes sobre inovação no setor de seguros e resseguros. Entre eles, se destacaram o design de serviço, ciência de dados, inteligência artificial e aplicações da tecnologia blockchain, que foi apontada como uma solução para o resseguro em função do custo mais acessível, imutabilidade, transparência e praticidade. Na sessão de cocriação, o desafio foi criar em equipe o cenário desejado do futuro de inovação no IRB, incentivando o trabalho colaborativo com foco em trazer o assunto para contribuir com o nosso mercado. Para fechar, foi aberta uma feira com oito startups de diversos segmentos, proporcionando experiências em 3D e realidade aumentada, além de bate-papos e esclarecimentos sobre o tema.

FenaSaúde apresenta medidas das operadoras para combater os custos do setor

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Com a pauta ‘Reajuste dos planos de saúde individuais e familiares de 2018 e 2019’, a Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal – presidida pela senadora Marta Suplicy – realizou debate, nesta terça-feira, dia 04, para esclarecer as razões do índice de reajuste autorizado pela ANS. Com a presença do órgão regulador, de entidades de defesa do consumidor e das operadoras, a audiência pública foi uma oportunidade para apontar caminhos e possíveis soluções para o setor.

O diretor executivo da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), José Cechin, representou às associadas à entidade. Durante sua apresentação, ele enumerou os fatores que impactam no aumento das despesas médicas pagas pelas operadoras e, em última instância, pelo próprio consumidor: preços elevados dos procedimentos, materiais e medicamentos; maior utilização dos serviços médicos, mesmo com menos consumidores no sistema; desperdícios e fraudes; adoção de novas tecnologias que não necessariamente geram resultados concretos no cuidado à saúde; judicialização; entre outros.

“Temos que entender e atacar as causas que impactam o aumento das despesas e, consequentemente, pesam no reajuste dos planos de saúde, seja individual ou coletivo. Compreendemos que o problema do reajuste desagrada a todos, principalmente o consumidor e as próprias operadoras. Para mudar essa realidade, precisamos da união dos agentes de toda a cadeia de saúde e não de divisão. O consumidor pode e deve ajudar nesse processo”, destaca Cechin.

Para enfrentar a escalada dos custos, Cechin apontou as ações realizadas pelas operadoras. “Investimento em atenção primária, com um médico generalista que coordena e direciona, quando necessário, o paciente para cuidados especializados, orientando o beneficiário dentro da rede médica disponível; negociação direta com os fabricantes para a compra de materiais, sem intermediações que pesam no custo final; mudança no modelo de remuneração dos profissionais de saúde para um baseado em resultados clínicos, diminuindo o peso do fee for service (pagamento por procedimentos realizados); sistemas para detecção de fraudes, que, quando comprovadas, há descredenciamento imediato do prestador e denúncia ao conselho federal da respectiva classe; ações judiciais nos Estados Unidos contra empresas fabricantes de produtos médicos que pagaram comissões a médicos brasileiros para uso de próteses e órteses, entre outras medidas”, enumera Cechin, que identificou ainda a falta de assimetria regulatória na cadeia de saúde: “É preciso uma ação legislativa que obrigue os prestadores de serviço, como hospitais, a divulgarem seus resultados clínicos e custos”.

Na visão do diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Leandro Fonseca da Silva, os custos elevados do setor também são reflexo do modelo assistencial adotado no país: “Hoje, o atendimento é fragmentado. Não há um único responsável pela gestão clínica do paciente. O atual modelo de pagamento, o fee for service, reforça ainda mais essa fragmentação. Para mudar esse cenário, é preciso pôr o paciente no centro dessa discussão. Além disso, precisamos de mais transparência, principalmente, nos resultados em saúde. Procuramos um prestador, por exemplo um hospital, mais pela reputação do que pelos resultados propriamente”.

Em relação à metodologia de cálculo de reajuste dos planos individuais, Fonseca enfatizou que o processo está sendo revisto: “Estamos revendo a metodologia no intuito de aprimorá-la e dar maior previsibilidade ao consumidor”. No fim da audiência, a senadora Marta Suplicy destacou que a proposição de ideias foi positiva em busca de avanços no setor: “Temos sugestões que podem ser apreciadas para propor alterações na legislação”.

Além de Cechin, Fonseca e Marta, a audiência reuniu, ainda, a secretária nacional de Relações de Consumo, da Secretaria Nacional do Consumidor, do Ministério da Justiça, Ana Lúcia Kenickel Vasconcelos; advogado do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), Igor Rodrigues Britto; o assessor jurídico da União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde, José Luiz Toro da Silva; e o advogado da Central Nacional Unimed, José Cláudio Ribeiro Oliveira.

Fraudes e desperdícios consumiram quase R$ 28 bilhões da saúde suplementar em 2017, aponta IESS

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Em 2017, quase R$ 28 bilhões dos gastos das operadoras de planos de saúde do País com contas hospitalares e exames foram consumidos indevidamente por fraudes e desperdícios com procedimentos desnecessários. A estimativa consta no estudo “Impacto das fraudes e dos desperdícios sobre gastos da Saúde Suplementar”, atualização do Texto para Discussão nº 62, produzido pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). A projeção é baseada em estudos técnicos a partir da revisão bibliográfica de trabalhos nacionais e internacionais sobre o tema.

“O trabalho é resultado de um esforço para dimensionar o impacto das fraudes no sistema de saúde suplementar do Brasil e apontar experiências bem-sucedidas no combate às práticas inadequadas”, comenta Luiz Augusto Carneiro, superintendente executivo do IESS. “As despesas assistenciais das operadoras médico-hospitalares somaram R$ 145,4 bilhões, em 2017. Sendo assim, os gastos de R$ 27,8 bilhões com fraudes e desperdícios representam 19,1% desse total, comprometendo fortemente a qualidade da assistência, as finanças do setor e acabando por onerar os contratantes de planos de saúde”, argumenta.

A atualização das estimativas mostra que entre 12% e 18% das contas hospitalares apresentam itens indevidos e de 25% a 40% dos exames laboratoriais não são necessários. Portanto, houve um gasto na saúde de aproximadamente 15 bilhões de reais com fraudes em contas hospitalares e 12 bilhões de reais em pedidos de exames laboratoriais não necessários.

O trabalho mostra que o porcentual de gastos com fraudes e desperdícios se manteve estável em 18,7% entre 2014 e 2015, evoluindo para o patamar de 19% em 2016 e 2017. A publicação também mostra a evolução das despesas assistenciais de planos médico-hospitalares. “As despesas evoluíram de R$108 bilhões, em 2014, para R$ 145 bi em 2017. No entanto, nesse período, cerca de 3 milhões de indivíduos ficaram sem assistência médica privada, ou seja, queda de 5,8%”, aponta Carneiro. “Diminui-se 5,8% do total de beneficiários, mas as despesas assistenciais apresentaram um aumento de 34,4% no período”, alerta.

Embora ressalve que a corrupção e a fraude são difíceis de serem detectadas na área da saúde – uma vez que a cadeia produtiva desse setor contempla diversos segmentos e particularidades em cada um deles, inclusive com distinção entre os sistemas públicos e privados –, o trabalho mostra que, no caso setor privado, as práticas abusivas se relacionam com a falta de necessidade ou o excesso de determinados tratamentos, exames e procedimentos, além de fraudes na comercialização de medicamentos e dispositivos médicos, entre outros.

Essas práticas abusivas são resultado da pouca transparência das relações entre os agentes do setor de saúde e da falta de indicadores de qualidade. Por mais que o País tenha iniciativas isoladas quanto ao problema, ainda é necessária uma melhora na fiscalização como, por exemplo, da regulação em todo o setor. “Hoje, a Agência Nacional de Saúde Suplementar regula apenas as operadoras de planos de saúde e não os demais agentes dessa cadeia de valor, resultando em uma assimetria de informações que barra o avanço da transparência entre o segmento e para toda a sociedade”, avalia o superintendente executivo do IESS. “Países da Europa e os Estados Unidos têm regulações mais severas, por exemplo, dos pagamentos e benefícios entre agentes do setor de saúde e indústria de medicamentos e dispositivos médicos, por exemplo, sendo obrigatória a divulgação desses ganhos”, arremata.

No Brasil, falta transparência nos sistemas de precificação de insumos e serviços de saúde e também no modelo de pagamento por serviços prestados na saúde. Isso se dá, principalmente por conta do modelo de remuneração mais comum, o fee-for-service, que privilegia o volume de procedimentos e não a sua qualidade e benefício ao paciente.

ARTIGO: O Compliance na era da proteção de dados e privacidade

por Victor Graciani, compliance Officer Marsh Brasil

Governança, riscos e compliance. Eis três processos que integram diversas iniciativas corporativas que evitam conflitos, gastos com controles redundantes e garantem a conformidade com as leis, regulamentos e normas internas. Esse tema surgiu nos Estados Unidos, na década de 70 e foi se alastrando para o mundo por meio de regulamentações internacionais. No Brasil, o compliance corporativo, que caminhava lentamente até 2010, ganhou força com as investigações deflagradas pelo Ministério Público como Mensalão e Lava Jato, entre outras. A onda de corrupção estampada nas manchetes dos jornais locais colocou o tema na pauta nacional e impulsionou a promulgação da Lei Anticorrupção 12.846, em 2013, que estabeleceu uma série de regras e multas milionárias para punir os transgressores. Desde então, o tema compliance e governança corporativa, que já era uma realidade em economias maduras, passou a ser também um aliado no plano estratégico das empresas brasileiras, principalmente das nacionais, uma vez que as multinacionais já obedeciam as regras de seus países.

Embora o compliance tenha ganhado força, há muitos desafios a serem conquistados. A 4º revolução industrial trouxe novos riscos e também novas oportunidades. Robótica, computação quântica, biotecnologia e inteligência artificial abrem múltiplas formas de plataformas voltadas para o aperfeiçoamento do compliance e da governança corporativa, ao facilitar a transparência e combate à corrupção. Tanto o machine learning quanto a inteligência artificial já são utilizadas para ajudar os profissionais de compliance a tirar conclusões do vasto volume de dados com o qual se deparam diariamente, incluindo atualizações regulatórias.

Em 2018, todos os departamentos de compliance estão preocupados com a proteção de dados e os riscos de privacidade para deixar a empresa em conformidade com questões regulatórias que visam reforçar a segurança dos dados frente a seu crescente vazamento por meio de ataques cibernéticos, como mostra o General Data Protection Regulation (GDPR), que entrou em vigor na Europa em maio. A nova regulação considera dados pessoais como propriedade do indivíduo, não de controladores de dados.

E isso se aplica a todos os cidadãos da União Europeia, independentemente de onde se encontrem e da localização da organização a qual pertencem. Com isso, todas as empresas que fizerem negócios com qualquer país do bloco europeu serão obrigadas a proteger os dados pessoais e a privacidade dos seus cidadãos. Não é por menos a preocupação.

O recente relatório internacional “Preparação ao GDPR: um indicador de gestão de riscos cibernéticos” da Marsh revelou que 23% das empresas que precisavam se adequar à regulamentação (GDPR) sofreram ataques de hackers e 57% já estavam desenvolvendo práticas de governança e complaince para se adequar à lei. Em complemento, 49% desenvolveram um plano de resposta aos incidentes cibernéticos e 27% aumentaram a cobertura ou reestruturaram seu seguro de risco cibernético. No Brasil, um normativo semelhante foi aprovado, o que ajudará ainda mais os profissionais dedicados ao compliance a zelar pelo patrimônio do acionista.

Mitigação de riscos – Muitas equipes de compliance têm tido dificuldade em implementar os sistemas e processos necessários para lidar com a imensa quantidade de dados coletados, gerenciando o armazenamento dessas informações de acordo com critérios específicos e rastreando-os desde a sua coleta até a sua completa destruição. Porém, esse é um dos aspectos precisamente avaliados pelas seguradoras e que ajudam a evitar punições severas dos órgãos reguladores, além de consequências graves que a desconformidade pode gerar para a imagem e reputação da empresa.

Para ser minimamente efetivo, além de ter um bom programa de compliance, código de conduta e regras corporativas, é fundamental ter instrumentos de monitoramento que garantem o cumprimento dos objetivos. De nada adianta ter políticas e normas de procedimentos de gestão de riscos, se a empresa não tiver profissionais engajados com a gestão dos riscos.

É necessário também ter especialistas dedicados e independentes e até com autonomia para contrariar decisões da empresa, como recomendar que executivos não se relacionem com determinados clientes ou até mesmo que abandonem algum projeto que é visto como arriscado para a imagem da organização.

Um programa de compliance bem estruturado entende os objetivos da empresa e faz com que o corpo diretivo atinja a meta traçada no planejamento anual dentro de padrões de regras estabelecidos, que asseguram a sustentabilidade do negócio.

GBOEX é premiada

O GBOEX – Previdência e Seguros de Pessoas recebeu pela 6ª vez o Troféu Gaivota de Ouro – “Destaque no segmento de Entidade Aberta de Previdência Complementar sem fins lucrativos”. A empresa é uma das maiores EAPC’s do Brasil. Representa cerca de 60% desse mercado, sendo a primeira no ranking em arrecadação de planos de pecúlio no Brasil.

Uma das principais referências no setor, o GBOEX mantém, desde sua fundação há 105 anos, uma gestão firme e consolidada, que conquistou a credibilidade do mercado. Atua focada na manutenção e fortalecimento das relações com seus clientes e corretores de seguros. Presente de norte a sul do Brasil, trabalha com duas linhas de planos: uma é o PECÚLIO para a proteção do risco, amparando a família em caso de óbito do titular e, a outra, o PGBL, que visa à constituição de uma renda futura para o próprio titular. Oferece ainda a opção de contratação de cobertura de seguro de vida em seus planos, por meio de parceria estratégica com um grande grupo segurador.

“É com muito orgulho que recebemos mais essa premiação. Quem integra nossa equipe sabe que está desenvolvendo um trabalho não só para o presente, mas para o futuro também. A missão do GBOEX é assegurar e proteger as famílias, no caso da falta do titular do plano, bem como proporcionar vantagens no presente, por isso agrega uma ampla rede de convênios a serviço de seus associados. Esse atendimento é feito com carinho e dedicação.”, Ilton Oliveira, diretor-presidente da Diretoria Executiva.

A premiação, concedida pela Revista Seguro Total, foi entregue em cerimônia realizada na última semana, em São Paulo. O GBOEX foi representado pelo Gerente Nacional de Negócios Marco Antonio Viera Mattos e pelo Gerente da Unidade Belo Horizonte Francisco Corrêa de Araújo.

Blockchain provocará tsunami no setor de seguros

por Márcia Alves

No terceiro evento da série “Tecnologias disruptivas e seus impactos no seguro”, promovido pela APTS e a ENS, dia 29 de agosto, em São Paulo, o tema em debate foi Blockchain. Esta nova tecnologia, uma das mais disruptivas, tem potencial para causar um tsunami no setor de seguros, segundo o CEO da 88 Insurtech, Rodrigo Ventura. Na palestra de abertura do evento, ele explicou que o blockchain é um protocolo de segurança, comparado a uma espécie de livro contábil, que registra todas as operações financeiras.

A mudança mais impactante provocada por essa nova tecnologia, segundo Ventura, é a possibilidade de regular sinistro em tempo real, promovendo o imediato pagamento da indenização. Ele deu o exemplo de uma pessoa que está no aeroporto e recebe uma propaganda sobre seguro viagem direcionada por geolocalização para o seu celular. A pessoa adquire o seguro e, por causa do atraso do voo, já enfrenta o primeiro sinistro. Sem que o segurado precise avisar, a seguradora confirma o atraso e comunica o pagamento do sinistro ao segurado. “Não houve aviso de sinistro e nenhum intermediário na operação. Este é o impacto do blockchain”, disse.

Com a eliminação do aviso de sinistro e o pagamento imediato da indenização, Ventura prevê que não haverá mais conflitos entre segurados e seguradoras. Consequentemente, a arbitragem será desnecessária, bem como qualquer outro meio de resolução de conflito. Com o blockchain, também será possível acessar em tempo real os dados de seguradoras relacionados a números de contratos e sinistralidade, algo que, no presente, o órgão regulador tem acesso seis meses após o fechamento do ano fiscal.

Inovação – Wellington Lordelo, gerente de Solution Marketing & Business Development na Equinix, mostrou como o blockchain está avançando no mundo com a exposição de 50 casos de usos em diferentes segmentos. Em alguns países da Comunidade Europeia, por exemplo, o blockchain serve para o controle de fronteiras, validando passaportes em tempo real.

O mercado de seguros mundial também aderiu ao blockchain. Um dos projetos em curso, segundo Lordelo, é o Product rollout on RiskBlock platform, no qual seguradoras se juntaram para fazer a automação do processo de sinistros. A aplicação permite aos condutores de veículos motorizados e policiais confirmarem a precisão da cobertura de seguro em tempo real sem depender de formulários em papel.

Outro exemplo é o aplicativo de seguro paramétrico que usa previsões climáticas e contratos inteligentes para automatizar o processo de sinistros. “A tecnologia pode também revelar o perfil de condução do veículo. Se um motorista tem perfil mais agressivo que outro, não pode pagar prêmio igual, os riscos são diferentes. Isto significa a customização do seguro”, disse.

Embora a demanda dos consumidores esteja forçando as seguradoras a inovarem em ritmo mais rápido, a questão é que, segundo Lordelo, boa parte dessas empresas ainda não está pronta para a transformação digital. “Mas precisam, porque essa é a oportunidade para se interconectarem com outros players. As empresas que não fizerem isso a partir de agora, terão dificuldades para acelerarem seus processos de inovação no futuro”, disse.

Grande inovação – Fernando Wosniak Steler, CEO e fundador da Direct.One, coloca o blockchain ao lado de grandes inovações da humanidade, como a internet, a Revolução Industrial, e a invenção da prensa, por Gutenberg, que mudaram a vida da sociedade ao preencherem gaps. No caso do blockchain, ele afirma que o gap é a troca de valores, que ainda é feita da mesma forma desde a invenção do dinheiro.

Da mesma forma que a internet enfrentou um período de maturação, o blockchain também entra agora nessa fase, dez anos depois de sua criação. Dentre as aplicações, Steler destacou o digital assets, que torna a liquidação mais rápida e barata na medida em que elimina os intermediários mais lentos. Outra é o smart contracts, que tem potencial para digitalizar e automatizar os atuais contratos estáticos ou em papel.

Steler apresentou o case Sura, em que a Direct.One faz a entrega de e-mail e documentos com comprovação em smart contracts. O registro em blockchain comprova data e hora, fornece a prova de conteúdo e assinaturas com arquivos criptografados. Ele lembrou que desde janeiro está em vigor a Resolução 359 do CNSP sobre meios remotos, que viabiliza o blockchain ao estabelecer que a emissão de apólices deve contemplar meios de conferir a autenticidade.

Segundo Steler, está claro que a Susep substituiu o certificado digital pelo blockchain. “Nada muda para o consumidor, que continuará a receber um pdf. No entanto, esse documento virá com a numeração de blockchain que poderá ser conferida em um analisador público de blockchain. Para a seguradora, significa mais agilidade e transparência”, disse.

Ferramenta poderosa – Eduardo Guedes, vice-presidente de Tecnologia e Operações na Seguros Sura, informou que a seguradora adota blockchain para gravação e envio de apólices, endossos e boletos na forma de smart contracts. “Os contratos inteligentes tem tudo a ver com a nossa indústria, com as apólices, os eventos de riscos, os registros, acionamento de assistência, indenização etc.”, disse.

Uma das vantagens do blockchain, segundo ele, é o compartilhamento de registros. “Posso ter todas as informações do cliente, sem saber quem ele é, e compartilhá-las, criando padrões e regras únicas para a operação de todo o mercado”, disse. Além do ganho de eficiência, Guedes destaca que essa rede pode ser pública ou privada, envolvendo, por exemplo, somente seguradoras, corretoras e resseguradoras. “Mas, se houver um repositório em que a informação de risco seja pública e as regras comuns, então o blockchain poderá revolucionar esse mercado”, disse.

Por enquanto, o blockchain não tem gerado ganhos financeiros para as seguradoras. Mas, Guedes indicou serviços que podem rentabilizar essa tecnologia, como, por exemplo, as vistorias e avaliações de riscos. “Na central de bônus, por exemplo, poderia ser utilizado o blockchain público, com controle de acesso, contendo todos os registros das apólices”, disse.

Por outro lado, ele considera que algumas questões precisam ser resolvidas para o uso de blockchain. Em relação à performance e escala, o executivo destaca que o blockchain é mais lento que um banco de dados, a criptografia consome processamento e a replicação de dados consome armazenagem. O custo também pode aumentar dependendo do número de transações. “Então, não é tão rápido e tão simples. Mas, é muito útil e muito poderoso”, disse.

Parceria – Durante o evento, o diretor Geral da Escola Nacional de Seguros (ENS), Renato Campos Martins Filho, ressaltou que a missão da entidade é o desenvolvimento do mercado de seguros por meio da qualificação dos profissionais. “Toda a entidade que também tenha essa missão é parceira da Escola”, disse. Osmar Bertacini, presidente da Associação Paulista dos Técnicos de Seguro (APTS) reconheceu a importância da parceria. “Disseminar o conhecimento é a missão da APTS, que agora conta com o valioso apoio da ENS”, disse.