Mercado segurador da AL se aproxima de US$ 160 bilhões

Um novo levantamento da área de Serviço de Estudos da Mapfre, publicado pela Fundación Mapfre, aponta que a participação mundial do mercado segurador latino americano tem crescido de forma sustentável ao longo do tempo. Reformas regulatórias contribuíram com a expansão do segmento na região, proporcionando a abertura do mercado, incorporando gradualmente requerimentos baseados em riscos e facilitando a criação e a distribuição de produtos que atingem camadas mais amplas da população.

“A participação da América Latina no mercado segurador global tem aumentado de forma constante nos últimos anos, mas ainda há bastante espaço para crescer com soluções inovadoras específicas para a realidade dos consumidores da região”, afirma Wilson Toneto, CEO da Mapfre no Brasil.

De 2007 a 2017, o mercado de seguro na região registrou uma taxa de crescimento médio anual (em dólares) de 6,4%, consistindo em um crescimento de 8,7% no caso do segmento de seguro de vida (VGBL), e de 4,8% no caso de não vida (automóveis, acidentes, crédito, riscos especiais, entre outros). Já o Índice de Evolução do Mercado (IEM) para o setor na região – indicador da tendência e maturidade dos mercados de seguros -, mostra progressos ao longo da última década.

O documento aponta que, em 2017, a diferença de proteção de seguro – Brecha de Protección de Seguros (BPS), em espanhol – ficou em US$ 256,2 bilhões, 5,2% a mais que o estimado no ano anterior. A análise confirma a predominância do seguro de vida e, portanto, seu maior potencial de crescimento.

A BPS representa a diferença entre cobertura de seguro que é economicamente necessária e benéfica para a sociedade, e o valor dessa cobertura realmente adquirida. Este índice permite identificar não só o déficit de sub-seguro de uma empresa, mas também o mercado de seguros potencial, que seria representado pelo tamanho do mercado que poderia ser alcançado.

O mercado de seguros em potencial da América Latina em 2017 (a soma do mercado segurador real e as BPS) foi de US$ 415,4 bilhões, o que significa 2,6 vezes o mercado atual da região (US$ 159,2 bilhões).

No Brasil, a BPS no ano passado ficou em R$ 281,8 bilhões (US$ 88,260 bilhões), o equivalente a 1,3 vezes o mercado de seguros no período. Por outro lado, a evolução do BPS na última década avançou para um equilíbrio entre vida e não-vida. O mercado de seguros em potencial para o país foi estimado em R$ 494 bilhões (US$ 154,706 bilhões), ou seja, 2,3 vezes o mercado total.

Nos últimos dez anos, o mercado de seguros para o Brasil teve uma taxa de crescimento anual média de 13,8%, 16,7% no segmento vida e 10% em não vida. O estudo da Mapfre conclui que, se manter a mesma dinâmica nos próximos dez anos, a taxa de crescimento do setor no Brasil seria suficiente para fechar de BPS em seguro de vida, mas não em não-vida.

Swiss Re Corporate Solutions México nomeia Newton Queiroz como CEO

A Swiss Re Corporate Solutions México nomeia Newton Queiroz como CEO a partir de hoje. Newton atuou como head de vendas para a América Latina na Swiss Re Corporate Solutions desde 2014. Veterano de mercado, possui mais de 15 anos de experiência em seguros, trabalhando para seguradoras e corretoras de seguros internacionais.

“Estamos satisfeitos que Newton liderará a nossa organização no México”, disse Axel Brohm, CEO para América Latina da Swiss Re Corporate Solutions. “Sua experiência e participação no negócio desempenharam um papel fundamental na criação da nossa operação neste país. Acredito que, com sua liderança, continuaremos a construir um caminho de sucesso no mercado”.

Newton seguiu a carreira do pai, Acácio Queiroz, que atuou em seguros por muitas décadas, como CEO da Cigna, ACE e Chubb para citar as principais passagens do executivo, que hoje compartilha sua experiência adquirida ao longo da carreira em palestras e conselho administrativo de empresas.

Prêmio de Inovação da CNseg bate recorde em inscrições

O número de projetos inscritos na edição de 2018 do Prêmio Antônio Carlos de Almeida Braga de Inovação em Seguros, promovido pela CNseg, superou as expectativas ao alcançar 115 inscrições, crescimento de 29% em relação ao ano anterior.

Agora, os projetos inscritos que forem habilitados a concorrer serão submetidos à Comissão Julgadora, que definirá 15 cases finalistas, cinco em cada categoria da premiação (Comunicação; Produtos e Serviços; e Processos e Tecnologia).

Os projetos finalistas passarão por apresentação individual à banca – neste ano aberta ao público e transmitida ao vivo pela web – e os vencedores serão premiados no almoço das Lideranças de Mercado, realizado pela Confederação das Seguradoras no Copacabana Palace.

O Prêmio de Inovação em Seguros da CNseg, criado em 2011, avalia cases com práticas inovadoras de gestão de negócios, seus impactos nas rotinas operacionais, administrativas das seguradoras, e os benefícios em prol do consumidor.

Mais informações em www.premioseguro.com.br.

Pesquisa da Fenacor: mercado está mais pessimista

Pesquisa realizada pela Fenacor indica que, após dois meses crescendo, o índice de confiança do setor de seguros (ICSS) inverteu a sua trajetória em setembro, se situando agora em um patamar de leve pessimismo. “A incerteza eleitoral continua alta, o que tem afetado as respostas das companhias”, explica o consultor Francisco Galiza, responsável pelo estudo, acrescentando que as respostas mudam com facilidade de um mês para outro.

Segundo ele, enquanto permanecer a indefinição sobre o novo governo e o que de fato ele pretende fazer os indicadores devem ficar entre 90 e 100 pontos, em compasso de espera.

Veja o resultado da pesquisa, abaixo:

Conferência de Diversidade e Inclusão do setor de seguros

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A 1ª Conferência de Diversidade e Inclusão, realizada pela CNseg, a Confederação das Seguradoras, aconteceu hoje, dia 27 de setembro, em sua sede no Rio de Janeiro, reunindo lideranças do mercado segurador brasileiro e internacional. Entre os presentes, a vice-presidente da CNseg e presidente da FenaSaúde, Solange Beatriz Palheiro Mendes, o CEO da Zurich no Brasil e presidente da FenaPrevi, Edson Franco, a CEO do Lloyd’s os London, Inga Beale; e a líder do Grupo de Trabalho de Diversidade e Inclusão da CNseg, Ana Paula de Almeida Santos.

Em sua fala de abertura, Solange Beatriz ressaltou que, apesar de a diversidade ainda não fazer parte da cultura empresarial brasileira, vê várias seguradoras indo na direção desse movimento. E, segundo ela, isso é importante pois empresas com mais diversidade são mais inovadoras, criativas e engajadas, além de possuírem uma melhor imagem junto aos investidores.

Edson Franco, CEO da Zurich e presidente da FenaPrevi, destacou que é importante que as empresas assumam posições formais sobre o tema da diversidade para que possam ser cobradas no dia a dia. “É isso que torna sério os compromissos”, enfatizou.

A CEO do Lloyd’s of London, que foi a primeira mulher a ocupar esse cargo na empresa, afirmou que é preciso muita coragem para promover a diversidade em um mercado tão conservador quanto o segurador, composto majoritariamente de homens brancos.

Liberty Seguros reforça foco no crescimento do corretor em nova campanha

O corretor de seguros tem um papel fundamental para a Liberty Seguros, afinal, é ele quem está em constante contato com as necessidades do consumidor, pode pautar mudanças, melhorias e contribuir para o desenvolvimento do mercado. Por esse motivo, a seguradora lança a campanha Cresça com a Liberty, que convida os corretores a evoluírem seus negócios e crescerem junto à companhia.

Apresentada em primeira mão durante o Conec (Congresso de Corretores de Seguros do Estado de São Paulo), a campanha de comnicação engloba todas as iniciativas da Liberty com foco no corretor.

No último mês, a companhia lançou duas novidades com o objetivo de incentivar e capacitar os corretores a serem mais digitais: a Liberty Academia Digital, treinamento inovador que contou com importantes insights do time de atendimento do Facebook e visa habilitar os corretores a promover os produtos de seguro nas mídias sociais; e a ferramenta digital Meu Marketing, que oferece materiais de comunicação para mídias sociais e Whatsapp que podem ser personalizados com logo do corretor e enviados de forma rápida e prática aos seus clientes.

As duas iniciativas reforçam o posicionamento do Cresça com a Liberty para incentivar que os corretores modernizem as suas operações, desenvolvam as suas corretoras e evoluam em suas carreiras, além de reconhecer e premiar os parceiros com campanhas de incentivos, viagens e experiências diferenciadas.

“O corretor de seguros é peça fundamental para o sucesso e sustentabilidade do nosso negócio. Por isso trabalhamos para oferecer a melhor experiência para os nossos parceiros”, afirma Marcos Machini, Vice Presidente Comercial da Liberty Seguros. “O Cresça com a Liberty chega para incentivá-los a desenvolver cada vez mais seus negócios, contribuindo com o crescimento do mercado de seguros como um todo”, completa.

CNseg realiza a 8ª edição da Conferência de Proteção do Consumidor de Seguros

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Nesta última quarta-feira (26/09), a Confederação das Seguradoras realizou a 8ª edição da Conferência de Proteção do Consumidor de Seguros, em São Paulo. O evento reuniu profissionais do setor de seguros, representantes do governo, de entidades de defesa do consumidor e da sociedade civil, dispostos a debater aperfeiçoamentos nas relações entre consumidores, mercado e demais públicos.

Em sua mensagem de abertura, a vice-presidente da CNseg, presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) e sponsor (patrona) da ênfase do consumidor do planejamento estratégico da CNseg, Solange Beatriz Palheiros Mendes, destacou o consumidor como “foco da atenção, missão e trabalho da CNseg”, principalmente, na visão do presidente da Confederação, Marcio Coriolano, que colocou a educação em seguros na agenda de prioridades do setor. Por estar participando do Insurance Forum, que integra a agenda do G-20 realizado na Argentina, Coriolano enviou sua mensagem: “É preciso comemorar os avanços do setor nas relações com o consumidor. Temos progredido para adotar as melhores práticas nessa área e para o melhor entendimento do consumidor sobre o setor e seus produtos”.

A presidente da FenaSaúde ressaltou ainda que, cada vez mais, as empresas buscam compreender as expectativas e necessidades do consumidor. “Não podemos esquecer que o consumidor é a razão de ser do nosso negócio e, respaldado pelo Código de Defesa do Consumidor, está cada vez mais empoderado e consciente, assumindo papel preponderante, nas relações de consumo.”

Em seu pronunciamento de abertura, o presidente do Sindicato das Seguradoras, Previdência e Capitalização do Estado de São Paulo (Sindseg-SP), Mauro Batista, também pontuou o conhecimento como fator estratégico e a importância do entendimento mútuo. “Temos feito grandes esforços e investimentos para entender mais o cliente e para que ele também entenda o nosso segmento, que tem características bem peculiares. O seguro é indispensável à vida humana”.

O diretor-presidente substituto da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Leandro Fonseca da Silva, admitiu os desafios que o setor ainda enfrenta, mas lembrou também os avanços já feitos nos últimos 10 anos. “De fato, os problemas existem e jogar luz sobre eles nos ajuda a ter um setor melhor. Mas não vamos perder de vista a evolução”. Ele citou o alto índice resolutivo do sistema de intermediações criado pela ANS: a cada 5 reclamações, 4 são resolvidas.

O superintendente da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Joaquim Mendanha de Ataídes, apontou o canal de ouvidoria como ferramenta fundamental para garantir a qualidade. Segundo ele, “um mercado de seguros forte requer um regulador forte e um consumidor bem protegido e mais bem informado, frentes nas quais a Susep vem atuando por meio da supervisão contínua das seguradoras para avaliar o cumprimento das normas, visando a antecipação de problemas”.

Representando os órgãos de proteção do consumidor e destacando a importância do diálogo, a secretária nacional do consumidor da Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça, Ana Lúcia Vasconcelos, ressaltou com exemplos os pontos a serem melhorados. “Tivemos muitos avanços, mas ainda precisamos de melhorias. Ainda temos contratos de difícil compreensão e contratos por adesão, que não aceitam alterações. Outro problema é a capacitação adequada dos profissionais para comercialização de seguros, como nos casos de garantia estendida”.

A conferência contou também com os painéis: “A falácia da racionalidade e do comportamento do consumidor”; “O papel das ouvidorias como ferramenta estratégica de melhoria de produtos e processos”; “Tecnologia aplicada ao desenvolvimento de produtos e processos centrados no consumidor”; “O papel das ouvidorias como ferramenta estratégica de melhoria de produtos e processos”; “Colóquios de proteção do consumidor de seguros: trajetória e perspectivas – painel de procons e seguradoras” e “O princípio da reserva do possível”.

Livretos – A CNseg lançou o livreto “Canais de Atendimento” durante a 8ª edição da Conferência de Proteção do Consumidor de Seguros, que integra o Programa de Educação em Seguros. A publicação apresenta as diferenças de cada canal disponível aos consumidores- Central de Atendimento, SAC, Ouvidorias- e explica as funcionalidades de cada modalidade. O livreto está disponível também em versão eletrônica, podendo ser consultado no portal da CNseg: http://cnseg.org.br/cnseg/publicacoes/livretos-de-educacao-em-seguros/.

Valor: Para produtor, subvenção para seguro é insuficiente

O Valor publicou o especial Agronegócio. Em 2017, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), o agronegócio respondeu por 21,59% do Produto Interno Bruto (PIB). Somando toda a cadeia produtiva (agricultura, agropecuária, silvicultura, máquinas e implementos, fertilizantes, defensivos, entre outros insumos), o PIB do agronegócio somou R$ 1,4 trilhão em 2017. Só as exportações movimentaram US$ 96 bilhões, gerando saldo positivo de US$ 81,8 bilhões na conta corrente do país.

Neste contexto, o seguro rural tem sido uma pauta importante dos presidenciais, traz matéria publicada no Valor.

Insurance Forum destaca o papel social do seguro e em breve divulgará compromissos à cúpula do G-20

Apesar de ter terminado, o Fórum de Seguros 2018 só será concluído com a divulgação do documento final previsto para ser divulgado ainda nesta semana. O evento começou no dia 24 e terminou no dia 26 para os participantes. Mas o comitê de reguladores mundiais de seguros permaneceu reunido em San Carlos de Bariloche com o comitê organizador para discutir quais as propostas e compromissos serão entregues para a cúpula do G20 em novembro, com o objetivo de alcançar consenso e desenhar políticas públicas. A imprensa ainda aguarda esse documento para divulgar, prometido para esta semana.

Na coletiva de imprensa no final do evento, na tarde do dia 26, os organizadores afirmaram que o setor de seguros teve pela primeira vez na história no âmbito do G20, discussões relevantes. “Não foi só um blábláblá. Foram discussões relevantes, com porta-vozes das maiores empresas do mundo e reguladores, mais interessados em ver o mercado crescer com foco na defesa do consumidor e solvência das companhias do que apenas decretar regras e fazê-las serem cumpridas”, disse José Cardoso, CEO do IRB Brasil Re,  um dos coordenadores do evento liderado pela Argentina.

Em dois dias de trabalho, que envolveu mais de 300 empresas líderes na indústria global, decidiu-se dar prioridade ao papel institucional do seguro através de investimentos na economia real, fazendo um impacto direto nas sociedades para desenvolver o crescimento dos países. Adrían Werthein, presidente do Fórum de Seguros, enfatizou que “o mundo dos seguros surge com uma identidade própria, onde hoje o seguro é visto como um vetor de negócios para financiar a infraestrutura e criar desenvolvimento”. Ele acrescentou: “O setor de seguros é um gerador de recursos próprios que podem ser direcionados para projetos de longo prazo”.

“O mais importante é que o setor de seguros conseguiu ter um papel dentro do G20 e um papel de investidor institucional, reconhecendo o valor que tem para o desenvolvimento de uma economia. Eu nunca vi a interação de reguladores e indústria como nesta reunião. Todos nós trabalhamos em uma agenda comum para que possa ser elevada aos líderes do G20 “, disse Juan Pazo, Superintendente de Seguros da Nação.

Gabinete do Secretário de Finanças, Santiago Bausili participou do encerramento do Fórum Seguro 2018 e disse: “Houve discussões muito interessantes, mas que se destaca é a contribuição para o seguro para a criação de economias resilientes. De uma perspectiva mais ampla, o seguro é uma indústria resiliente “. Nesse sentido, ele acrescentou: “Não consigo parar de pensar que há muito espaço para a indústria de seguros se expandir e encontrar novos desafios”.

Dada a importância do fórum, o presidente da Nação, Mauricio Macri, deu uma mensagem de boas-vindas aos participantes através de um vídeo gravado, no qual ele explicou que “é a tarefa deste governo criar as condições adequadas e apropriadas para que as seguradoras, como grandes investidores de longo prazo, podem financiar projetos na economia real, beneficiando diretamente o desenvolvimento de nosso país gerando empregos genuínos. ”

Em nome do governo, esteve presente na abertura ministro dos Transportes, Guillermo Dietrich, que observou que “a indústria de seguros é um dos principais investidores institucionais do mundo e hoje pode ser um protagonista nesse processo de mudança: através de investimentos que criam empregos, vão gerar oportunidades para todos os argentinos”.

Cardoso também ressaltou que o IRB mantém a liderança do resseguro na região por ter um corpo diretivo destacado. O IRB foi eleito como a empresa com os melhores executivos de serviços financeiros não bancários da América Latina pelo Institutional Investor, principal premiação para executivos no mundo. A empresa competiu com seguradoras, bolsa de valores, empresas de cartão de crédito, assets e corretoras, sendo escolhido pelo voto de mais de 920 investidores e analistas de 384 instituições financeiras internacionais que possuem negócios da América Latina.

Neste ranking, os executivos da empresa estão entre os tops Chief Executive Officer (CEO), Chief Financial Officer (CFO) e profissionais de Relações com Investidores (RI) da América Latina neste ano. Cardoso e o vice-presidente Financeiro e de Relações com Investidores, Fernando Passos, conquistaram o segundo e primeiro lugares, como CEO e CFO, respectivamente. Já a vice-liderança entre os melhores profissionais de Relações com Investidores nesta mesma categoria é da gerente de Relações com Investidores do IRB, Sandra Matsumoto.

Legenda da foto: Juan Pazo, Superintendente Nacional de Seguros, Toyonari Sasaki, Vice Presidente da Associação de Seguros de Vida do Japão, José Cardoso, Presidente do IRB (Instituto Brasileiro de Resseguros); Adrián Werthein presidente do Comitê Executivo da reunião e acionista da Expert ART; e Alejandro Simon, CEO da Sancor Seguros.

Protecionismo no resseguro está na pauta da IAIS, que reúne os supervisores mundiais

Num tom tranquilo, mas com duras críticas, a representante de uma das maiores resseguradoras do mundo deu um recado firme aos organizadores do Insurance Forum Argentina, que debateu durante três dias temas relevantes no âmbito do G-20: “Barreiras comerciais no resseguro são um atraso”, afirmou Anja Biendarra, CEO da Munich Re na Colômbia, uma das palestrantes do painel “Negócios globalizados – a regulamentação global do mercado de resseguro”.

Anja mencionou que 44 países aumentaram o proteções a seus mercados locais nos últimos anos, incluindo a Alemanha o país de sua companhia, que exige que (re)seguradoras tenham presença local em seu divórcio com o Reino Unido. Estados Unidos são criticados por obrigar o deposito de colateral para negócios de resseguro feito com resseguradoras fora do pais. Brasil e Argentina são criticados no mundo ressegurador por manterem a exigência de que 40% de todo contrato de resseguro seja ofertado inicialmente para as resseguradoras locais. Os concorrentes vêem isso como barreiras comerciais e protecionismo.

Apesar de o Brasil e Argentina estarem indo na contramão, ao liberarem seus mercados antes monopolizados, ambos ainda tem um caminho a trilhar para acabar com barreiras comerciais. A primeira pergunta do mediador Jonathan Dixon, secretário geral do International Association of Insurance Supervisors (IAIS), foi direcionada ao CEO José Carlos Cardoso, presidente do IRB Brasil Re, questionando a legislação brasileira. Cardoso citou números de crescimento do mercado brasileiro após a abertura, em 2017, com a chegada de mais de 100 players mundiais. Desses, 16 são cadastrados como ressegurados locais, como Munich Re, Swiss Re, AIG, AXA, Scor, Mapfre entre os grupos mundiais. “Há muitas oportunidades no mercado brasileiro para todos em diversos segmentos, do rural a projetos de infraestrutura”, citou.

Cardoso enfatizou como o seguro e o resseguro subsidiam o crescimento dos setores industriais em diferentes níveis. Abordou ainda, de forma pragmática, como o mercado global de seguros contribui para amenizar as perdas com as grandes catástrofes. “O impacto é ainda maior atualmente com a alta severidade das catástrofes naturais, por conta de fatores diversos, entre eles o aquecimento global. O seguro e resseguro são fundamentais para recuperar e restabelecer as economias afetadas e o meio ambiente”.

O IRB lidera o segmento de locais. Dos prêmios totais de resseguros emitidos próximos de R$ 5 bilhões no primeiro semestre deste ano, o IRB foi responsável por R$ 3,3 bilhões, alta de 17% em relação aos seis primeiros meses de 2017. Depois de perder o monopólio, o IRB passou a ter uma participação em torno de 30% e neste ano contabiliza 46%. “Com apenas um ano após nosso IPO, temos resultados expressivos. Investimos em um corpo técnico especializado, serviços, tecnologia, novos produtos e aprimoramos muito o atendimento aos nossos clientes. E isso tem nos ajudado a crescer”, disse o presidente do IRB.

Cardoso comentou que em quatro anos a empresa teve a mais bem-sucedida história de turnaround do país, de R$ 2,7 bilhões para R$ 20,4 bilhões de valor de mercado. Resultado esse que tornou o IRB o oitavo maior ressegurador do mundo, sendo a líder em resseguros da América Latina e umas das maiores empresas do Brasil.

O IRB também é dono do maior lucro no período: R$ 541 milhões, avanço de 19% em relação ao mesmo período de 2017. Desde a abertura de capital, as ações do IRB acumulam valorização superior a 40% e hoje fazem parte da recomendação da carteira de investimento sugeridas pelos principais analistas do mercado de capital.

A Argentina, por sua vez, usou o modelo de abertura de resseguro do Brasil como modelo, como citou o Superintendente de Seguros da Argentina, Juan Pazo. Há também a preferência de oferta aos ressegurados locais. As cedentes argentinas podem colocar diretamente negócios com resseguradores admitidos até um máximo de 50% de seus prêmios cedidos por contrato a partir de 1º de julho, até 60% em 2018 e até 75% em 2019. A diferença está que na Argentina, a própria superintendência pode mudar a regra e tornar o mercado totalmente aberto. No Brasil, para isso acontecer é preciso uma lei complementar, o que significa uma burocracia e uma política muito maior para que o sistema atual mude.

“Ter um mercado de resseguro livre significa ampliar a concorrência, com produtos e preços diferenciados”, argumentou Anja, da Munich Re

Além de Brasil e Argentina, mercados como China, India e Indonesia também constavam no pedido aos órgãos reguladores sobre o fim das barreiras. “ “O protecionismo eleva o custo do resseguro, prejudica os consumidores e toda a sociedade ao reduzir o consumo de resseguro que visa mitigar os riscos das seguradoras e tornar o seguro um produto mais acessível as pessoas e ao próprio governo”, reforçou a executiva da Munich Re. Ela frisou que a baixa penetração de seguros faz com que as imensas perdas causadas por desastres climáticos custe caro para os países, pois os governos tem recursos limitados e como consequência tem limitações para socorrer a população atingida e recuperar a economia. “Ter um mercado de resseguro livre significa ampliar a concorrência, com produtos e preços diferenciados”, argumentou.

Francis Bouchard, responsável pela área de comunicações e relações públicas da Zurich, já adotou um estilo mais brincalhão em sua apresentação, mas seguiu na mesma linha de Anja. “O crescimento de governos populistas elevam as medidas protecionistas e isso atrapalha o mundo de resseguros, que tem como característica ser um mercado global de pulverização de riscos catastróficos”. Segundo ele, a Zurich tem buscado ajudar os gestores de riscos das corporações a gerenciar apólices globais, pois as barreiras trazem um problema a mais para ser gerenciado. Ele também ressaltou a importância do resseguro para o desenvolvimento do mercado de seguros, ao cita o resseguro ajuda a elevar a penetração do seguro por meio do apoio técnico e financeiro dado às seguradoras, as motivando a entrar em riscos declinados ou não explorados.

O presidente da Associação de Seguros e Resseguros das Bermudas, John Huff, defendeu também que os órgãos reguladores olhem para o tema com mais ênfase, a fim de que as empresas privadas possam assumir mais riscos que hoje ficam sob a tutela dos governos. “Somos especialistas nisso e podemos contribuir para que perdas catastróficas tenham cobertura para que os prejudicados possam se recuperar mais rapidamente”, argumentou.

Dixon finalizou o painel afirmando que os participantes do painel, bem como os integrantes da IAIS reconhecem que barreiras criam risco. “Acredito que todos farão um esforço para que os supervisores locais coloquem em prática medidas que acabem com o protecionismo, de acordo com as metas discutidas no âmbito da organização de cooperação entre os países.”