CNP mira Coface enquanto disputa Prudential e amplia ofensiva para crescer em seguros

Grupo francês já está entre os grandes conglomerados seguradores do Brasil quando consideradas suas participações na Caixa Vida e Previdência, CNP Seguradora e Youse; compra da Prudential reforçaria posição em Vida, enquanto Coface abriria nova frente no seguro de crédito

A CNP Assurances está em uma ofensiva que pode ampliar significativamente sua presença no mercado de seguros mundial. O grupo francês estuda a aquisição da Coface, uma das maiores especialistas mundiais em seguro de crédito, ao mesmo tempo em que é apontada como favorito na disputa pela Prudential do Brasil. Por aqui, a CNP já está entre os grandes grupos seguradores quando consideradas de forma consolidada suas operações e participações, que incluem a parceria com a Caixa, a CNP Seguradora e a Youse. A compra da Prudential reforçaria ainda mais sua posição em Vida, enquanto a Coface representaria uma diversificação relevante para o seguro de crédito.

Os dois movimentos são complementares. A Prudential acrescentaria uma das maiores operações de Vida Individual do mercado brasileiro a uma estrutura que já possui escala no país. Já a Coface levaria a CNP para um negócio bastante diferente de sua atuação tradicional em Vida, Previdência, proteção e bancassurance, acrescentando seguro de crédito comercial, informações empresariais, cobrança de dívidas, single risk, garantia e factoring.

No Brasil, o tamanho da CNP nem sempre é percebido quando se observam apenas os rankings por seguradora. Isso porque parte relevante de seus negócios está vinculada à parceria com a Caixa e, portanto, aparece nas estatísticas sob as companhias dessa operação. Considerada como grupo segurador, a presença da francesa reúne a holding que contabiliza sua participação nos negócios com a Caixa, além da CNP Seguradora e da Youse.

A parceria com a Caixa é o principal pilar dessa presença. Na Caixa Vida e Previdência, por exemplo, a Caixa Seguridade detém 60% e a CNP, 40%. A própria CNP informa que a operação responde pela maior parte de seus negócios no país. Somadas às demais empresas controladas pelo grupo, essas operações colocam a companhia francesa entre os conglomerados relevantes do mercado brasileiro.

É justamente essa posição que torna a disputa pela Prudential estratégica. Caso a aquisição seja concretizada, a CNP adicionará uma companhia de forte presença em Vida Individual e ampliará sua escala em um dos segmentos em que já concentra sua atuação mundial.

Paralelamente, na França, a CNP estuda a aquisição da Coface. A informação foi publicada pela News Assurances Pro e pela Bloomberg, e posteriormente corroborada pela Reuters. As conversas ainda estão em estágio preliminar e a CNP pode decidir não apresentar uma proposta. Outros potenciais compradores também podem surgir. A operação representaria uma diversificação significativa dos negócios do grupo controlado pelo La Banque Postale.

Segundo as agências de notícias, outros potenciais interessados na Coface também podem surgir. Um dos principais pontos para uma eventual transação é a posição da Arch Capital Group, maior acionista da Coface, com participação de aproximadamente 29,9%. A companhia está listada na Bolsa de Paris desde 2014 e, após a divulgação das informações sobre uma possível aquisição, suas ações chegaram a subir 8,9%, levando o valor de mercado para cerca de € 2,6 bilhões.

Além da Arch, aparecem entre os acionistas relevantes da Coface a Silchester Investors, a Allianz Global Investors e o empresário Olivier Goudet, cada um com participação próxima de 5%. Segundo analistas citados pela publicação, aproximadamente 65% das ações da Coface estão em circulação no mercado (free float).

A Coface atua em um segmento bastante diferente dos negócios tradicionais da CNP Assurances. Especializada na proteção de empresas contra o risco de inadimplência de seus clientes, oferece seguro de crédito comercial, informações empresariais, cobrança de dívidas, seguros para riscos específicos (single risk), seguro garantia e factoring.

Uma eventual aquisição daria à CNP uma plataforma internacional em um segmento diretamente relacionado à atividade empresarial, às exportações e às cadeias globais de fornecimento.

A dimensão financeira da CNP ajuda a explicar sua capacidade para avaliar uma operação desse porte. Em 2025, o grupo registrou € 39,1 bilhões em prêmios, alta de 8,6% em bases comparáveis, e lucro líquido atribuível de € 1,492 bilhão. O índice de cobertura do SCR ficou em 256%, enquanto o patrimônio líquido atingiu € 22,7 bilhões.

A CNP é integralmente controlada pelo La Banque Postale e opera sob um modelo de bancassurance, combinando a distribuição por canais bancários com uma estratégia de múltiplas parcerias na França e nos mercados internacionais. O grupo possui mais de 8,7 mil funcionários, cerca de 10 milhões de segurados em produtos de poupança e aposentadoria e 33 milhões de clientes em proteção de pessoas e patrimônio.

Coface faturou € 1,85 bilhão em 2025

Os números da Coface também mostram a dimensão da eventual aquisição. Em 2025, a companhia registrou aproximadamente € 1,85 bilhão em receitas e lucro líquido de € 222 milhões, com índice de solvência em torno de 197%. Além dos seguros, a Coface possui uma importante operação de serviços, que inclui informações empresariais, cobrança e factoring.

A companhia atua internacionalmente em seguro de crédito e mantém presença em Portugal, onde oferece soluções de seguro de crédito, informações comerciais, cobrança, single risk e outros serviços relacionados à gestão do risco de crédito.

A CNP Assurances também está presente no mercado português. Entre suas operações estão a CNP Iberia, voltada a seguros de vida, acidentes e proteção de pagamentos, tanto em seguro direto quanto em resseguro, e a CNP Santander Insurance, joint venture com o Banco Santander que oferece produtos de proteção para clientes do Santander Consumer Finance em 12 países europeus, incluindo Portugal.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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