A Mapfre assumiu a liderança do ranking das maiores seguradoras da América Latina em 2025, encerrando o ano com US$ 11,04 bilhões em prêmios e 5,1% do mercado regional. A Bradesco Seguros, primeira colocada em 2024, caiu para a segunda posição, com US$ 10,30 bilhões e participação de 4,7%, mas manteve a liderança do ranking de “Vida” e a Mapfre a liderança no ranking de “Não Vida”, ou seguros gerais.
A troca no topo do ranking geral reflete sobretudo a retração dos produtos de acumulação no Brasil, em especial do VGBL, que atingiu os grupos mais dependentes desse negócio. Também pesou a desvalorização do real na comparação dos resultados em dólares.
O levantamento anual da Mapfre Economics, elaborado com dados dos órgãos supervisores da região, mostra um mercado que continuou a crescer, mas em velocidades opostas. Os prêmios totais avançaram 1,5%, para US$ 218,35 bilhões, após alta de 5,8% em 2024. O segmento de Não Vida cresceu 4,6%, para US$ 127,32 bilhões, enquanto Vida recuou 2,6%, para US$ 91,02 bilhões. Pela primeira vez em vários anos, todo o crescimento regional veio de Não Vida.
A Bradesco perdeu US$ 1,57 bilhão em prêmios na comparação com 2024, segundo o ranking, e sua participação regional diminuiu 0,8 ponto percentual. A Mapfre avançou de forma mais discreta, cerca de US$ 112 milhões, mas se beneficiou de uma operação distribuída entre diferentes países e ramos. A diferença entre as duas líderes terminou o ano em US$ 743 milhões.

A virada foi acompanhada por outras mudanças entre os brasileiros. A Brasilprev caiu do terceiro para o sexto lugar geral, após seus prêmios recuarem de US$ 10,40 bilhões para US$ 7,51 bilhões. O Itaú desceu oito posições, da nona para a 17ª, com US$ 4,07 bilhões. A Porto Seguro permaneceu em 16º, com US$ 4,28 bilhões. Já a MetLife e a mexicana GNP ganharam uma posição cada e passaram, respectivamente, ao quarto e ao quinto lugares.
Brasil encolhe; México ganha espaço
O Brasil continuou sendo o maior mercado de seguros da América Latina, mas sua participação no total regional caiu para 29,7%. Seus prêmios somaram US$ 64,89 bilhões em 2025, queda de 9,3% em dólares e de 6% em moeda local. O recuo veio quase inteiramente de Vida, que diminuiu 16,7% em dólares; Não Vida cresceu 3,4%.
Segundo a Mapfre Economics, as mudanças nas condições fiscais dos produtos de Vida com cobertura de sobrevivência alteraram os incentivos econômicos do VGBL, que responde por grande parte do segmento brasileiro de Vida. A desvalorização do real ampliou a queda quando os valores foram convertidos para dólares — moeda usada para comparar grupos de diferentes países no ranking.
O México seguiu a trajetória contrária. Segundo maior mercado da região, alcançou US$ 53,61 bilhões em prêmios, com crescimento de 12% em moeda local e 6,8% em dólares. O avanço de Vida e Não Vida ajudou o país a elevar sua participação regional para 24,6%, estreitando a distância em relação ao Brasil. A MetLife, por exemplo, obtém no mercado mexicano cerca de 59% dos prêmios que registra na América Latina.
O câmbio também ajuda a explicar resultados de outros países. Na Argentina, os prêmios cresceram 30,5% em moeda local, mas caíram 4,1% em dólares. O estudo associa o desempenho a um período de desinflação e normalização gradual da política monetária, em meio ao ajuste fiscal iniciado em 2024. No Chile, os prêmios subiram 12,3% em dólares, impulsionados por Vida e, especialmente, pelas rendas vitalícias em um ambiente de juros ainda elevados.
Colômbia e Peru avançaram, respectivamente, 9,4% e 13,9% em dólares. Em Porto Rico, o crescimento foi de 9,1%, apoiado sobretudo em Não Vida, com destaque para saúde. Essas diferenças de ritmo entre países e produtos ajudam a entender por que a queda brasileira teve tanto efeito sobre as posições das seguradoras no ranking geral.

Bradesco assume a liderança em Vida
A perda do primeiro lugar geral não retirou a Bradesco da liderança em Vida. O grupo passou do segundo para o primeiro posto nesse segmento, com US$ 8,33 bilhões em prêmios e 9,2% de participação regional. A mudança, porém, ocorreu em um ano de retração para as duas maiores brasileiras: os prêmios de Vida da Bradesco caíram 16,1%, enquanto os da Brasilprev diminuíram 27,8%. A Brasilprev, antiga líder, ficou em segundo lugar, com US$ 7,51 bilhões.
Entre os demais brasileiros, o Itaú aparece em oitavo, com US$ 3,41 bilhões, depois de perder duas posições. A Icatu ocupa o 16º lugar, com US$ 1,60 bilhão. O ranking também destaca grupos estrangeiros que atuam no Brasil, como MetLife, CNP Assurances, Zurich e Mapfre — esta última em sétimo lugar em Vida, com US$ 3,72 bilhões.
O resultado evidencia uma mudança na composição da disputa regional. Embora Bradesco e Brasilprev ainda ocupem os dois primeiros lugares, a participação conjunta das líderes diminuiu. Ao mesmo tempo, a MetLife subiu ao terceiro posto, ultrapassando a CNP Assurances. Os dez maiores grupos de Vida concentraram 53,8% dos prêmios do segmento em 2025, abaixo dos 57,9% registrados no ano anterior.

Mapfre mantém liderança em Não Vida
Em Não Vida, a Mapfre conservou a primeira posição, com US$ 7,33 bilhões em prêmios e 5,8% do mercado. A principal movimentação ocorreu logo abaixo: o grupo MHH, ligado à operação MCS em Porto Rico, saltou seis colocações e chegou ao segundo lugar, com US$ 5,24 bilhões. Talanx, Guidewell e Elevance completam o top 5.
A presença de MHH, Guidewell e Elevance entre os cinco maiores mostra a força do seguro saúde em Porto Rico no recorte de Não Vida. Para o estudo, o desempenho desse ramo também torna o ranking mais sensível aos custos médicos e às decisões regulatórias naquele mercado.
A Porto Seguro é a brasileira mais bem colocada em Não Vida: ocupa o décimo lugar, com US$ 3,94 bilhões. A Bradesco está em 17º, com US$ 1,97 bilhão. Entre os grupos estrangeiros com atuação no Brasil, aparecem ainda AXA em sétimo, Zurich em oitavo, Allianz em 12º, Chubb em 13º e Tokio Marine em 14º. A Talanx, terceira colocada, é o grupo controlador da HDI.
Os três rankings mostram, assim, faces diferentes da liderança regional. A Mapfre ocupa o primeiro lugar no total e em Não Vida; a Bradesco segue à frente em Vida. Para as brasileiras mais expostas ao VGBL, 2025 marcou uma perda de espaço diante da mudança nas condições do produto. Para os grupos com negócios distribuídos entre países e ramos, foi uma oportunidade de avançar em uma América Latina que cresceu, apesar da retração de seu maior mercado.
Fonte dos dados e das posições: “Ranking de grupos aseguradores en América Latina 2025”, Mapfre Economics/Fundación Mapfre. Os valores em dólares se referem a prêmios registrados na região, não apenas no país de origem de cada grupo.





















