No dia 3 de julho, a Swiss Re Corporate Solutions (SRCS) celebrou oito anos da joint venture com o Grupo Bradesco Seguros. “Temos uma parceria marcada por forte alinhamento cultural e foco no cliente. A relação próxima entre as duas instituições fortalece não apenas a companhia, mas os resultados alcançados no mercado brasileiro”, afirma Guilherme Perondi, CEO da operação no Brasil.
O canal de distribuição do Bradesco representa hoje 35% das vendas da SRCS no Brasil, sendo um crescimento expressivo, de 60%, via distribuição de varejo do Bradesco. “Nos reunimos na Suíça para comemorarmos a parceria, com conversas que consolidam ainda mais o desejo dos sócios de avançarem em soluções patrimoniais para as empresas brasileiras”, comentou.
Desde sua fundação, a parceria tem permitido uma oferta crescente de soluções inovadoras. Em maio, foi lançado o Seguro de Responsabilidade Civil Profissional, que amplia o portfólio com coberturas específicas para 11 categorias profissionais — incluindo médicos, advogados, engenheiros e arquitetos. A apólice, voltada a pessoas físicas e jurídicas com faturamento de até R$ 50 milhões por ano, oferece coberturas de até R$ 5 milhões, com proteção para falhas na prestação de serviços.
A atuação da SRCS segue firme em diferentes ramos. De janeiro a maio de 2025, foram R$ 685 milhões em prêmios emitidos — um crescimento de 21% em relação ao mesmo período do ano anterior, mesmo com o mercado expandindo apenas 7%, considerando apenas os ramos em que a companhia atua, reflexo principalmente do desaquecimento do agro. O balanço do primeiro semestre deve ser publicado no final de agosto.
Entre os destaques está o desempenho da cobertura de Responsabilidade Civil Profissional, que cresceu 80%, reforçando a demanda por proteção em segmentos como PME, engenharia e saúde. Produtos digitais também têm sido aprimorados, com soluções específicas para reformas, obras civis, cyber e responsabilidade civil geral. Já os seguros de grandes riscos tiveram desempenho em linha com o mercado, ou seja, fraco diante do cenário marcoeconômico complexo, enquanto segmentos como Patrimonial cresceram 20%. Apesar do bom desempenho, a sinistralidade do mercado subiu de 45% para 51%, puxada por eventos como incêndios e inadimplência de empresas ocorridos no primeiro semestre.
Perondi destaca que o cenário macroeconômico ainda impõe desafios — juros elevados inibem investimentos em infraestrutura, e a suspensão parcial do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) compromete a expansão do seguro agrícola. Segundo dados do MAPA, cerca de R$ 445 milhões do orçamento do PSR para 2025 foram bloqueados ou contingenciados, afetando diretamente a capacidade de proteção ao setor rural.
Ainda assim, a perspectiva de longo prazo é positiva para o segundo semestre. Segundo o executivo, os ativos brasileiros estão baratos, o que atrai investidores estrangeiros para os grandes projetos de infraestrutura, como túnel Santos Guarujá, ampliação das linhas de metros, entre outros, que exigem um programa de seguros parrudo.
Na pauta de médio prazo, a Swiss Re discute com o mercado a necessidade de um programa estruturado para cobertura de catástrofes naturais no Brasil, em modelo de parceria público-privada. Eventos como enchentes, geadas e queimadas — os chamados riscos secundários — já representam 40% das perdas seguradas globalmente, e vêm ganhando intensidade. Estudo do Swiss Re Institute aponta que as perdas seguradas por catástrofes naturais podem alcançar US$ 145 bilhões em 2025, podendo ultrapassar US$ 300 bilhões em anos extremos.
A urbanização crescente também eleva os riscos. “Se um furacão passar hoje por uma região densamente povoada, as perdas serão muito maiores do que no passado”, pontua o CEO, destacando que não há solução privada que cubra isoladamente tais eventos — a resposta precisa envolver políticas públicas e adaptação da infraestrutura urbana, diz, fazendo eco ao trabalho institucional comandado pela CNseg, a confederação das seguradoras.
No cenário global, o crescimento econômico previsto para 2025 é de apenas 2,3%, abaixo dos 2,8% de 2024, com desaceleração do comércio internacional e aumento do protecionismo. Esse ambiente também afeta o setor de seguros, que deve ter crescimento de prêmios de apenas 2%, frente aos 5,2% de 2024. A perspectiva é de leve retomada para 2,3% em 2026.
Apesar do ambiente desafiador, a Swiss Re Corporate Solutions segue investindo em tecnologia, novas coberturas e desenvolvimento de talentos. A companhia vem intensificando a formação de novos profissionais para suprir a lacuna deixada por aposentadorias, promovendo cursos e iniciativas para atrair jovens ao setor de seguros e resseguros. “Acreditamos no Brasil e na América Latina como regiões estratégicas. Os desafios são reais, mas as oportunidades são ainda maiores no médio e longo prazo”, ressalta Perondi.
Questões regulatórias também fazem parte da agenda da empresa, que tem acompanhado de perto os desdobramentos da nova legislação, com o marco legal de seguros que entra em vigor em dezembro próximo, e se engajado em discussões com a Superintendência de Seguros Privados (Susep), seguradoras e corretores. Um dos temas em pauta é a uniformização de questionários e critérios regulatórios na subscrição de riscos.
Para Perondi ter um questionário padronizado é um passo importante para tornar o mercado mais eficiente e ampliar o acesso a seguros por pequenas e médias empresas. Mas, por outro lado, há grande resistência de que o questionário seja padronizado, uma vez que a concorrência está acirrada e cada qual quer mostrar a sua expertise para o cliente, sem compartilhar com concorrentes. Algo similar como vem sendo dito pelos especialistas em AI.: quem tiver o melhor prompt obterá melhores respostas da indigência artificial generativa.


















