O mercado supervisionado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) arrecadou R$ 139,59 bilhões entre janeiro e abril de 2026. O volume representa uma redução nominal de 0,8% em relação ao mesmo período do ano passado, reflexo principalmente da desaceleração dos produtos de acumulação e da capitalização. Apesar disso, os segmentos de seguros de danos e pessoas mantiveram trajetória de crescimento e seguem sustentando a expansão do setor.

Segundo o Boletim Susep de abril, os seguros de danos e pessoas, excluindo o VGBL, somaram R$ 74,8 bilhões em prêmios no acumulado do ano, alta nominal de 6,13% e crescimento real de 1,85% na comparação com os quatro primeiros meses de 2025. O segmento já responde por 55% de toda a arrecadação do mercado supervisionado.
Entre os seguros de pessoas, o principal destaque continua sendo o seguro de vida, que arrecadou R$ 13,17 bilhões até abril, crescimento nominal de 10,69%. O ramo representa quase metade de todo o mercado de pessoas. Também apresentaram forte desempenho o seguro prestamista, com expansão de 14,15%, e a categoria de outros seguros de pessoas, que avançou 13,86%. O segmento como um todo movimentou R$ 27,17 bilhões, crescimento nominal de 10,39% sobre igual período do ano passado.

Nos seguros de danos, o automóvel permaneceu como principal motor de arrecadação do mercado. Os prêmios atingiram R$ 20,26 bilhões, crescimento nominal de 6,55%, respondendo por 42% de todo o segmento. Além do auto, os maiores avanços foram observados nos seguros financeiros, que cresceram 25,3%, na fiança locatícia, com alta de 35%, nos seguros patrimoniais diversos, com expansão de 14,24%, e no habitacional, que avançou 11,37%.
Por outro lado, alguns ramos registraram retração relevante. O seguro rural recuou 3,62%, refletindo desafios enfrentados pelo agronegócio em determinadas regiões. Também apresentaram queda os seguros de transporte (-12,05%), responsabilidade civil (-3,6%) e riscos especiais patrimoniais (-9,3%). Entre os recuos mais expressivos aparecem os seguros ligados ao setor de energia (-36,96%) e os microsseguros (-53,89%), embora estes representem volumes menores de arrecadação.

A principal pressão sobre o resultado consolidado do setor continua vindo dos produtos de acumulação. As contribuições para VGBL, PGBL e previdência tradicional somaram R$ 54,32 bilhões até abril, queda nominal de 8,29%. O VGBL, que concentra a maior parte desse mercado, registrou retração de 10,1%, evidenciando o impacto da concorrência dos investimentos de renda fixa em um ambiente ainda marcado por juros elevados. Ainda assim, as contribuições superaram os resgates e benefícios em R$ 5,22 bilhões no período.
Já a capitalização arrecadou R$ 10,47 bilhões, redução de 4,91% na comparação anual. O destaque positivo ficou para os títulos de instrumento de garantia, que avançaram 12,99%, reforçando a utilização crescente do produto em contratos e operações empresariais.
Pelo lado dos pagamentos à sociedade, o setor desembolsou R$ 84,31 bilhões em indenizações, benefícios, resgates e sorteios nos quatro primeiros meses do ano. No mesmo período, R$ 9,79 bilhões dos prêmios emitidos pelas seguradoras foram cedidos ao mercado ressegurador. O boletim também passou a divulgar dados sobre aceitação de riscos provenientes do exterior pelas resseguradoras locais, que alcançaram R$ 478,35 milhões até março, sinalizando o avanço gradual da atuação internacional do mercado brasileiro de resseguros.
Outro indicador relevante é o estoque de provisões técnicas, que alcançou R$ 2,136 trilhões em abril, equivalente a 16,44% do Produto Interno Bruto (PIB). O volume reforça a importância crescente do setor segurador como formador de poupança de longo prazo e financiador indireto da economia brasileira.


















