Um evento climático extremo de grandes proporções poderia causar prejuízos de cerca de R$ 2,9 bilhões em ativos e residências na cidade de São Paulo. O alerta faz parte de um estudo inédito apresentado nesta sexta-feira (12) pelo Sindicato das Seguradoras de São Paulo (Sindseg-SP), em parceria com a consultoria global de riscos e resseguros Guy Carpenter, durante o anúncio de uma cooperação com a Prefeitura da capital voltada ao fortalecimento da resiliência climática, realizado hoje no Parque do Ibirapuera, em São Paulo.
A análise considera um cenário com recorrência de 100 anos — equivalente, segundo os autores, a eventos de magnitude semelhante às enchentes registradas no Rio Grande do Sul em 2024. O levantamento mostra ainda que uma em cada dez pessoas que vivem em habitações vulneráveis na cidade está exposta a riscos classificados como altos, muito altos ou extremos relacionados a eventos climáticos. Também estima impactos sobre a atividade econômica, com potencial de interrupção de operações em áreas comerciais e industriais da capital.
Representando o prefeito Ricardo Nunes, os secretários municipais Fabrício Cobra, das Subprefeituras, e Marcos Monteiro, de Infraestrutura Urbana e Obras, participaram do encontro que formalizou a parceria entre o setor segurador e o município. “São Paulo vem investindo continuamente em infraestrutura, monitoramento e tecnologia para ampliar sua capacidade de resposta aos eventos climáticos e a parceria com o setor de seguros fortalece esse trabalho. Quero parabenizar o Sindseg SP pela iniciativa e pelos estudos realizados. Tenho certeza de que essa cooperação contribuirá para tornar a cidade cada vez mais resiliente”, afirmou Cobra.

O estudo foi patrocinado pelo Sindseg-SP e desenvolvido pela Guy Carpenter com o objetivo de mapear a exposição da cidade a diferentes riscos climáticos e seus potenciais impactos sobre a população, a infraestrutura e os serviços essenciais. A iniciativa faz parte de um movimento crescente do mercado segurador de compartilhar com o poder público a inteligência utilizada tradicionalmente na precificação e gestão de riscos.
“A Prefeitura de São Paulo já está bem adiantada nessa agenda e o setor de seguros quer colocar sua experiência em gestão de riscos a serviço desse esforço. Acreditamos que a combinação de conhecimento técnico e cooperação pode gerar resultados positivos para a população”, afirmou Patricia Chacon, presidente do Sindseg-SP.
Segundo Pedro Farme, CEO da Guy Carpenter Brasil, a proposta foi ampliar a utilização dos modelos de risco para além da estimativa de perdas seguradas, incorporando aspectos relacionados à vulnerabilidade urbana, à continuidade dos serviços e aos impactos econômicos indiretos decorrentes dos eventos climáticos. “As mudanças climáticas tornam cada vez mais importante o uso de dados e evidências na tomada de decisão. O estudo oferece uma visão integrada desse cenário e ajuda a transformar informações em subsídios úteis para orientar ações e prioridades”, disse.
O levantamento destaca que os riscos climáticos deixaram de ser um desafio futuro para se tornarem uma realidade presente. Dados apresentados durante o evento mostram que mais de 93% dos municípios brasileiros sofreram impactos relacionados a chuvas intensas ou deslizamentos de terra nos últimos anos. Apenas em 2024, cerca de cinco milhões de pessoas tiveram danos em suas moradias em decorrência de desastres climáticos no país, com prejuízos estimados em R$ 36,2 bilhões em habitações. Nos últimos dez anos, as perdas públicas e privadas acumuladas alcançaram R$ 420 bilhões.
O estudo também reforça um debate que vem ganhando espaço entre seguradoras, resseguradoras e formuladores de políticas públicas: o impacto econômico de longo prazo dos desastres naturais. Segundo os dados apresentados, eventos climáticos não afetam apenas ativos físicos, mas também investimentos, consumo, arrecadação e desenvolvimento econômico. A conclusão é que economias com maior penetração de seguros tendem a apresentar recuperação mais rápida e menores perdas indiretas após grandes catástrofes.
Para Patricia Chacon, o anúncio representa apenas o início de uma agenda permanente de cooperação entre o setor segurador e o município. “Este é um primeiro passo. A aproximação entre poder público e setor de seguros cria oportunidades para compartilhar experiências, apoiar decisões estratégicas e ampliar a capacidade de preparação da capital diante dos desafios que virão”, afirmou.
A expectativa é que o trabalho realizado em São Paulo possa servir de referência para outras cidades brasileiras. Em um cenário de aumento da frequência e da intensidade dos eventos climáticos extremos, a iniciativa busca aproximar planejamento urbano, gestão pública e inteligência de riscos para reduzir vulnerabilidades e ampliar a capacidade de adaptação das cidades.


















