Victoria Werneck, economista da Icatu Seguros, avalia futuro da economia

“Hoje vejo uma recuperação para o Brasil seguindo o formato U. Se houvéssemos feito um isolamento sério e responsável desde março, o período de dor teria sido mais curto”, disse

Economista-chefe da Icatu Seguros, Victoria Werneck foi a convidada da live realizada pela seguradora em seu canal no Youtube na noite de quinta-feira, 28. A profissional trouxe um panorama econômico atualizado sobre a crise mundial e apresentou uma análise do momento atual e futuro para o Brasil.

Ela alerta que a crise causada pela pandemia é diferente de todas as outras crises econômicas na história do país, pois combina dois grandes choques macroeconômicos: um pelo lado da demanda e outro pelo lado da oferta, imposto pela necessidade do lockdown.

Os dados da economia dos Estados Unidos mostram a gravidade do momento atual. Lá, somente em abril, 20,5 milhões de pessoas perderam o emprego. Desde a segunda quinzena de março, 40,8 milhões de americanos entraram com pedidos de seguro-desemprego no país.

A especialista explicou que no Brasil, em particular, o timing foi ainda pior. No início do ano a economia apresentava certa retomada, com inflação sob controle, taxa de juros baixas, porém a pandemia desarticulou o avanço das reformas que tornariam possível uma consolidação fiscal, que ainda se faz necessária para o país voltar a crescer. Hoje enfrentamos uma complexa interação de três grandes crises: sanitária, econômica e política.

Analisando cenários de curto e médio prazo, para 2020 Victoria projeta que o PIB caia 8% e a Selic seja reduzida até 2%, sendo o segundo trimestre o pior do ano. Já em 2021, a projeção é um crescimento do PIB de 3%, com uma retomada lenta, porém que já simboliza algo positivo.

“Hoje vejo uma recuperação para o Brasil seguindo o formato U. Se houvéssemos feito um isolamento sério e responsável desde março, o período de dor teria sido mais curto. Por isso, agora temos que lidar com o problema por muito mais tempo. Existe ainda toda pressão para a retomada de atividades, o que pode resultar no surgimento de uma segunda onda da pandemia, como aconteceu no Chile, por exemplo, o que seria muito mais grave”, explica Victoria.

Com a chegada do “novo normal”, há ainda a questão mudança no padrão de consumo, que representa cerca de 70% do PIB. Se o nível de confiança continuar baixo será mais uma razão para que a recuperação econômica do país aconteça em U, segundo Victoria.

A discussão também levantou perceptivas positivas. Com o baque trazido pela crise, a tendência é que a pessoas fiquem mais atentas à necessidade de poupar e cuidar do dinheiro com mais responsabilidade, que fará subir a procura por planos de previdência, por exemplo.

Por mais que o cenário seja negativo de modo geral para os próximos meses, Victoria reforça características que podem ajudar o Brasil a se recuperar de uma crise dessa magnitude. “Contamos com um parque industrial verticalmente integrado, onde produzimos de tudo, um agronegócio extremamente produtivo e competitivo. O país pode se beneficiar disso ao longo do tempo, porém precisa evitar a incerteza que a crise política traz”, finaliza.

As lives da Icatu são realizadas semanalmente, sempre às quintas-feiras, com gestoras parceiras da companhia e especialistas do setor, levando informação sobre o cenário atual para clientes, corretores e parceiros. Na próxima quinta-feira, dia 04, às 11h, a live contará com a presença do presidente da Icatu Seguros, Luciano Snel, que falará sobre o momento atual da seguradora.

Para conferir o conteúdo completo, basta acessar o canal da Icatu no YouTube:

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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