Copa pode aumentar PIB em 1,5 ponto percentual, diz Ilan Goldenfajn

* a jornalista viajou a convite da Liberty Seguros, a seguradora oficial da Copa 2014

A Copa de 2014 no Brasil vai acontecer em 12 estados, que passam por ampla reforma para receber milhões de turistas no maior evento esportivo do mundo. Como isso irá impactar o Brasil? Ilan Goldfajn, economista chefe do Itaú Unibanco, apresentou números divulgados pelo Ministério do Esporte. São previstos mais de US$ 26 bilhões em investimentos e um incremento de um ponto percentual no PIB brasileiro com a realização da Copa no Brasil, citou durante coletiva de imprensa realizada nesta manhã na Marina da Glória, no Rio de Janeiro, palco montado pela FIFA para a realização do sorteio das eliminatórias, que acontecerá no sábado.

O economista cita como efeito Copa a criação de 250 mil empregos com carteira assinada, incremento de 3 milhões a mais de turistas, que vão gastar US$ 3 bilhões a mais no país, além de um avanço de 30% nas exportações. Enfim, são números impressionantes e apenas estimados com base no que já aconteceu em outros países. A grande preocupação dos jornalistas presentes no evento da FIFA, no entanto, era se o Brasil realmente estará pronto para o mundial, uma vez que as obras nos estádios estão apenas na fase inicial. “Muitos investimentos já começaram, graças às garantias financeiras apresentadas ao Comitê Organizador Local (COL)”, disse Rodrigo Paiva. “Agora é uma questão de engenharia, pois o investimento já nos foi apresentado”, afirmou o membro do COL.

Boa parte dos investimentos vem do governo. Segundo o economista do Itaú, o setor privado tem se juntado ao setor público para viabilizar projetos em diversas áreas, como turismo, transporte, consumo entre outros segmentos vitais para deixar o país pronto. “A nossa previsão de investimentos está na ordem de 23% do PIB em 2014. Estava em 19% do PIB, mas acho que podem chegar a 23% considerando-se todos os investimentos necessários para sustentar o crescimento da economia em geral e não apenas só pela Copa”, disse Goldfajn.

Há um grande empenho para deixar tudo pronto para a Copa das Confederações, que acontece de 15 a 30 de julho de 2013. Segundo Paiva, sete estádios estarão prontos para a realização dos eventos que antecedem em um ano o mundial esportivo. Um prazo que deixa muita gente com dúvidas se realmente dará tempo. A FIFA garante que sim, com base no acompanhamento diário que faz junto ao cronograma das obras, diz Paiva. Dentro deste contexto, há uma série de riscos que precisam ser mitigados. Uma das formas de reduzir o risco para tornar o custo do financiamento mais acessível e garantir que as obras serão finalizadas no prazo, mesmo diante de imprevistos, é o seguro.

Algumas obras, desde os estádios como também infraestrutura de transporte, hotelaria e gastronomia já estão definidas. Outras não. Mas uma coisa é certa. Todas elas contarão com um amplo programa de seguros, razão que levou o grupo Liberty Mutual a investir no Brasil nos últimos anos. “O Brasil é a bola da vez no mundo em razão do crescimento da economia, que apresenta indicadores macroeconômicos sólidos. E nós queremos ajudar a construir uma história de sucesso, oferecendo à sociedade programas de seguros sob medida para garantir a sustentabilidade financeira de tantos projetos, sejam pessoais como corporativos”, diz Luis Maurette, presidente da Liberty Seguros, a seguradora oficial da Copa 2014.

A expectativa da indústria de seguros é vender R$ 4,5 bilhões em seguros que envolvem os mundiais esportivos. Mas esse número é apenas uma estimativa grosseira, levando-se em conta os principais investimentos já divulgados pelo governo em obras de infraestrutura. “Todos desejam que a Copa 2014 seja um sucesso e com certeza será. A equipe Liberty trabalha para garantir a segurança e a realização deste que é o maior evento esportivo do mundo”, finaliza Maurette.

Conheça alguns tipos de seguros que um evento como a Copa do Mundo da FIFA 2014™ precisa para que seja um sucesso:

No show

Essa apólice garante despesas causadas pelo cancelamento ou de adiamento do evento por conta de imprevistos. A FIFA já comprou cobertura para “no show” para a Copa de 2014, juntamente com o pacote que garantir o mundial realizado na África. Devido a cláusulas de confidencialidade, porém, detalhes financeiros do contrato não podem ser revelados.

Este tipo de apólice cobre prejuízos que investidores possam vir a ter com a não realização do evento ou de parte dele. Se os espectadores de algum dos jogos, por exemplo, ficarem impossibilitados de chegar ao local ou os jogadores ficarem impedidos de jogar, os custos da promotora com a devolução do valor do ingresso ou de agendamento de uma nova data, corre por conta do seguro. A apólice também cobre os custos com a demanda dos patrocinadores, que geralmente pedem de volta o valor pago na publicidade de veiculação televisiva daquela partida.

Seguro garantia

Essa apólice assegura que o cumprimento do contrato entre as partes para que o empreendimento seja entregue. Caso uma das empresas envolvidas venha a falir, por exemplo, a seguradora assume a obra para finalizá-la dentro das condições acordadas. Afinal, a Copa tem data certa para começar e tudo tem de estar pronto para a realização desse grande evento.

Responsabilidade civil

Garantir o pagamento de indenizações a terceiros é praticamente uma obrigação hoje em dia. Entre as principais coberturas contratadas estão as de responsabilidade civil para indenizar terceiros prejudicados com a realização do evento, seja por produtos, profissionais tercerizados ou funcionários, montagem e desmontagem de estruturas e equipamentos. Estão cobertos riscos por contaminação de alimentos, direitos autorais, segurança e serviços médicos, bem como cobertura de acidentes pessoais para os atletas previstos na participação do evento.

Riscos de engenharia

Essa apólice é comprada geralmente pelos consórcios responsáveis pela construção de grandes empreendimentos, como estádios, hidrelétricas, rodovias, ferrovias. O contrato cobre riscos que envolvem erros de projetos e execução, bem como incêndio e roubo de materiais.

Seguro transporte

Garante o vai e vem de mercadorias em trânsito para que todo o circo seja montado, seja de um transformador para uma hidrelétrica ou os equipamentos de tecnologia para a montagem do centro de imprensa, entre outros usados pelos organizadores.

Directors & Officers (D&O)

A apólice de D&O tem por objetivo resguardar o patrimônio dos executivos envolvidos na organização dos jogos de uma eventual reclamação de terceiros que se sintam prejudicados por algum erro administrativo.

Property ou danos patrimoniais

Protege o patrimônio dos organizadores, como computadores e equipamentos de telecomunicações, até a montagem e desmontagem de equipamentos usados para a realização do evento.

Seguro de vida e de acidentes pessoais

O seguro de vida e de acidentes pessoais geralmente é comprado pelos organizadores para proteger atletas e a equipe contratada e terceirizada com o objetivo de indenizar familiares ou mesmo o titular do bilhete de seguro por morte, invalidez e despesas médico-hospitalares.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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