A Bradsaúde encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 1,1 bilhão, crescimento de 14,4% em relação ao mesmo período do ano passado, e receita de R$ 14,3 bilhões, alta de 9,2%. A companhia também anunciou a distribuição de R$ 1 bilhão em dividendos, enquanto mantém os investimentos na expansão de sua rede hospitalar e em serviços de saúde. Somados aos juros sobre capital próprio já anunciados, os pagamentos aos acionistas chegam a R$ 1,48 bilhão em 2026.
A estratégia combina crescimento das operações, remuneração dos investidores e ampliação da estrutura assistencial. Durante coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (22), o CEO da Bradsaúde, Carlos Marinelli, afirmou que o desafio é preservar o equilíbrio entre essas diferentes prioridades, garantindo a sustentabilidade dos negócios e o retorno aos acionistas. “Temos que gerar os recursos necessários e trazer para o acionista o retorno que ele precisa e, ao mesmo tempo, fazer os investimentos que vão garantir os ciclos futuros de crescimento em diversas linhas de negócio, como a Atlântica Hospitais e Participações”, afirmou Marinelli, em resposta ao Sonho Seguro. José Pacheco, diretor de Relações com Investidores, e Vinicius Cruz, diretor financeiro também participaram da coletiva de imprensa.
A companhia anunciou a distribuição de R$ 1 bilhão em dividendos, dentro de uma política que estabelece o pagamento de pelo menos 50% do lucro anual aos acionistas. A remuneração considera a capacidade de solvência das empresas reguladas e as necessidades de capital para financiar novos investimentos. Segundo os executivos, a prioridade é remunerar os acionistas por meio de juros sobre capital próprio, complementados por dividendos. A expectativa é manter essa política de forma recorrente, respeitando as exigências regulatórias e os projetos de expansão.
A Bradsaúde encerrou setembro com R$ 30,8 bilhões em ativos financeiros e retorno anualizado sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) de 25,4%, ante 24,5% um ano antes. Nos nove primeiros meses de 2026, o lucro líquido atingiu R$ 3,49 bilhões, avanço de 23,2% na comparação anual.
A expansão da Atlântica Hospitais e Participações é uma das principais frentes de crescimento da Bradsaúde. A empresa registrou lucro líquido de R$ 53 milhões no terceiro trimestre, aumento de 191% em relação ao mesmo período de 2025. No acumulado de 12 meses, o resultado chegou a R$ 139 milhões, ante R$ 4 milhões no período anterior. O avanço reflete tanto a maturação dos hospitais já em operação quanto a contribuição dos novos ativos incorporados ao ecossistema de saúde.
A Atlântica D’Or, parceria entre a Atlântica Hospitais e a Rede D’Or, reúne atualmente 12 unidades, sendo sete em operação e cinco em expansão. Entre os movimentos recentes estão o anúncio da construção de um hospital em Jundiaí, no interior paulista, e a incorporação do Hospital Biocor, em Nova Lima, Minas Gerais. A capacidade contratada da rede deverá alcançar 4.449 leitos até 2030, ante 3.582 anteriormente previstos, expansão de 24,2%. Já o número de leitos disponíveis passou de 1.819 para 2.278, crescimento de 25,2%.
A maior participação dos hospitais também começa a aparecer na composição do lucro consolidado. Nos nove primeiros meses de 2025, a Atlântica respondia por apenas 1% do resultado da Bradsaúde. No mesmo período de 2026, essa participação subiu para 4%. A Bradesco Saúde, principal operação do grupo, respondeu por 83% do lucro, ante 81% um ano antes.
Marinelli destacou que a expansão não se limita aos hospitais. A companhia também mantém investimentos em oncologia, por meio da Croma Oncologia, e em serviços de atenção primária e secundária, com a Meu Doutor Novamed. “Hoje o país demanda serviços de qualidade”, afirmou o executivo, ao destacar a necessidade de desenvolver a estrutura assistencial e coordenar as diferentes operações do grupo. A avaliação da administração é que a maturação dos ativos já adquiridos amplia a capacidade de investimento da companhia, reduzindo a necessidade de novos aportes de capital.
Carteira cresce 745 mil vidas em 12 meses
A Bradsaúde encerrou setembro com 13,7 milhões de beneficiários, aumento de 745 mil vidas em relação ao terceiro trimestre de 2025. Desse total, 4,1 milhões estão nos planos médico-hospitalares e 9,6 milhões nos odontológicos.
Somente no terceiro trimestre foram adicionadas 117 mil vidas líquidas, sendo 51 mil em saúde e 67 mil em dental. O segmento de pequenas e médias empresas (PME) respondeu pela maior parte desse crescimento, com 92 mil novas vidas no período.
A companhia também ampliou sua participação no mercado de planos médico-hospitalares, de 7,3% no terceiro trimestre de 2025 para 7,9% em agosto de 2026, segundo os dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) apresentados pela empresa.
A expansão tem sido acompanhada pelo lançamento de produtos regionais, com redes assistenciais adaptadas às características de cada mercado. O plano Efetivo Plus, por exemplo, foi ampliado para novas localidades, incluindo Bahia, interior de São Paulo e Rio de Janeiro.
Durante a coletiva, Marinelli explicou que a estratégia busca equilibrar três variáveis: crescimento da carteira, evolução das receitas e controle da sinistralidade. “É muito difícil você equilibrar os dois pratinhos e entregar, ao mesmo tempo, estabilidade de sinistralidade e crescimento em número de vidas”, afirmou.
O executivo ressaltou que a expansão da carteira exige disciplina na subscrição dos contratos, especialmente no segmento de pequenas e médias empresas, e uma avaliação de longo prazo sobre a permanência dos clientes. A sinistralidade consolidada atingiu 84,5% no terceiro trimestre, ante 84% no mesmo período de 2025, aumento de 0,5 ponto percentual. No acumulado de 12 meses, o indicador ficou em 83,4%.
A companhia considera que os números demonstram relativa estabilidade, especialmente diante da expansão da carteira e da comparação com 2025, apontado pelos executivos como um dos anos de maior eficiência operacional de sua história.
Um dos movimentos recentes para preservar esse desempenho foi a criação de uma área sênior dedicada à performance assistencial da rede, liderada por um médico. A estrutura terá como foco o relacionamento com prestadores, especialmente hospitais, e a melhoria da resolutividade dos atendimentos. “Às vezes falamos muito de sinistralidade, mas ela precisa ter, de maneira muito direta e objetiva, um primeiro interessado, que é o beneficiário. Ele precisa ter um serviço adequado, resolutivo, atenção adequada e efetiva para suas necessidades”, disse Marinelli.
Segundo o executivo, a nova área trabalhará diretamente com os prestadores para desenvolver soluções que melhorem o desempenho assistencial, conciliando a qualidade dos serviços oferecidos aos beneficiários com o controle dos custos médico-hospitalares.
Questionada pelo Sonho Seguro sobre a possibilidade de reajustes menores em 2027, sem comprometer a rentabilidade, a administração não apresentou projeções específicas para os preços dos planos no próximo ano. Os executivos ressaltaram, porém, que a disciplina na subscrição, a adequação dos produtos aos diferentes mercados e a gestão da sinistralidade continuarão sendo determinantes para sustentar o crescimento.
O desempenho do trimestre também foi beneficiado pelo resultado financeiro, pela diluição das despesas administrativas e por ganhos tributários de aproximadamente R$ 70 milhões, relacionados à declaração de juros sobre capital próprio.
Durante a coletiva, os executivos explicaram que mais de 50% da carteira de investimentos está indexada à inflação, em alinhamento com as obrigações de longo prazo da companhia. Dessa forma, uma eventual redução da taxa básica de juros não teria impacto proporcional ao volume de ativos financeiros administrados. A administração também considera que juros menores poderiam favorecer a atividade econômica e reduzir a pressão financeira sobre as empresas clientes, contribuindo para a expansão dos planos de saúde empresariais.
Com o crescimento da carteira, a melhora dos resultados hospitalares e a política de remuneração aos acionistas, a Bradsaúde busca consolidar um modelo de negócios que combine a operação de planos de saúde e odontológicos com investimentos em prestação de serviços assistenciais. O desafio para 2027 será preservar a rentabilidade alcançada nos últimos trimestres enquanto amplia sua presença no mercado e desenvolve uma estrutura hospitalar cada vez maior.

























