A AM Best revisou sua perspectiva de negativa para estável para o mercado de resseguros do Brasil, citando sua resiliência a eventos relacionados ao clima e resultados financeiros favoráveis em 2025, impulsionados por uma disciplina de subscrição renovada. O relatório completo mundial será divulgado no Rendez-Vous de Septembre (RVS) é o maior e mais tradicional encontro anual do mundo para os setores de seguros, resseguros e gestão de riscos, realizado no Fairmont Monte-Carlo. A sua 68ª edição ocorre de 5 a 9 de setembro de 2026, servindo de palco para discussões bilaterais cruciais antes das renovações de contratos.
Além de novas iniciativas relacionadas ao resseguro e retrocessão, a revisão da perspectiva da AM Best para estável também reflete a recuperação sustentada da indústria de resseguros do Brasil devido à uma rigorosa seleção de riscos, juntamente com resultados financeiros benéficos, em meio às novas reformas tributárias que estão ocorrendo no país, de acordo com o Relatório de Segmento de Mercado da Best.
As recentes mudanças tributárias aplicadas às seguradoras e resseguradoras brasileiras pressionaram a lucratividade em 2025, mas também foram aplicadas às transações de câmbio, com as resseguradoras offshore pagando mais que o triplo dos impostos do que nos anos anteriores. Outra mudança ocorreu em abril de 2026, quando a reforma do Imposto sobre Valor Agregado no Brasil introduziu os impostos CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), substituindo os tributos federais, estaduais e municipais que costumavam complicar os procedimentos operacionais e de preços.
“A expectativa desta reforma é reduzir a cascata tributária para empresas com longas cadeias de suprimentos e, ao mesmo tempo, reforçar a carga tributária para os prestadores de serviços”, disse Ricardo Rodriguez Perez, analista financeiro sênior da AM Best. “A implementação piloto ocorrerá ao longo de 2026, o que deve mostrar lacunas operacionais.”
Entre os outros destaques do relatório:
- Os prêmios do setor de resseguros desaceleraram desde 2022, apesar dos resultados finais positivos em 2025. Essa desaceleração mostra a melhoria na seleção de riscos das resseguradoras locais, mas também reflete o aumento dos prêmios cedidos pelas seguradoras locais às resseguradoras offshore.
- O setor gerou resultados favoráveis de subscrição no final de 2025 pela primeira vez desde 2019. Em meio a seus resultados positivos, o ambiente de taxas de juros de dois dígitos (15% ao final de 2025) alimentou sua lucratividade, representando o terceiro ano consecutivo com resultados financeiros favoráveis. As linhas de negócios mais significativas que contribuíram para o crescimento anual em 2025 foram saúde, propriedade, automóvel, marítimo e risco financeiro.
- O Brasil está criando melhores condições para seu mercado de resseguro e retrocessão ao introduzir estruturas semelhantes a títulos vinculados a seguros (ILS), como a “Letra de Risco de Seguro”, que cede riscos a um veículo de propósito específico. Ele foi projetado para reduzir os custos de seguro para os consumidores brasileiros, fornecendo capital de resseguro mais eficiente de investidores institucionais.






















