Setor de seguros arrecada R$ 207,1 bilhões no semestre, alta de 0,52%

Seguros de danos e pessoas crescem 6,5%, enquanto queda do VGBL e da capitalização limita avanço do mercado; CNseg projeta expansão de 2,9% em 2026

O mercado segurador encerrou o primeiro semestre de 2026 com arrecadação de R$ 207,12 bilhões, crescimento nominal de 0,52% em relação aos R$ 206,05 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. O resultado mostra um avanço ainda tímido diante da projeção da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), que prevê crescimento de 2,9% para o setor em 2026, sem considerar saúde.

Os dados constam do Boletim Susep de junho e abrangem seguros de danos e pessoas, previdência privada aberta, incluindo VGBL e PGBL, e títulos de capitalização. Em termos reais, descontada a inflação, a receita total do mercado recuou 3,67% no primeiro semestre. 

O desempenho agregado, porém, esconde movimentos bastante distintos. Os seguros de danos e pessoas, excluído o VGBL, continuam puxando o crescimento e arrecadaram R$ 113,86 bilhões entre janeiro e junho, alta nominal de 6,51% e real de 2,07%. Já os produtos de acumulação — VGBL, PGBL e previdência tradicional — movimentaram R$ 77,69 bilhões, queda de 5,55%. A capitalização somou R$ 15,57 bilhões, retração de 7,84%. 

Só em junho, entretanto, houve uma aceleração importante. A receita total chegou a R$ 34,23 bilhões, 13,44% superior à de junho de 2025. Seguros arrecadaram R$ 20,17 bilhões no mês, crescimento de 7,15%, enquanto os produtos de acumulação movimentaram R$ 11,52 bilhões, salto de 37,15%. Capitalização, na direção oposta, caiu 13,95%, para R$ 2,54 bilhões. 

Dentro dos seguros, as carteiras de pessoas permanecem entre os destaques de 2026. O seguro de vida cresceu 10,29% em termos nominais e 5,70% em termos reais no primeiro semestre. O avanço reforça o peso crescente dos produtos de proteção no mercado, em contraste com a maior volatilidade observada na previdência e no VGBL. A expansão de vida ocorre ainda em um mercado de baixa penetração, no qual seguradoras vêm ampliando produtos, coberturas e canais de distribuição para alcançar novos consumidores.

Nos seguros de danos, auto continua como a maior carteira. Foram R$ 30,73 bilhões em prêmios no primeiro semestre, crescimento nominal de 6,29% e real de 1,86%. A modalidade respondeu por 42% de toda a arrecadação dos seguros de danos. Entre as carteiras que mais avançaram estão os seguros financeiros, com crescimento nominal de 22,92% e real de 17,77%. Já o seguro rural apresentou queda nominal de 3,56% na arrecadação do semestre. 

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VGBL derruba resultado da acumulação

A principal pressão sobre o resultado consolidado veio dos produtos de acumulação. VGBL, PGBL e previdência tradicional arrecadaram juntos R$ 77,69 bilhões, redução nominal de 5,55% e real de 9,49% frente ao primeiro semestre de 2025. O VGBL, responsável pela maior parcela desse mercado, registrou R$ 69,80 bilhões em contribuições, queda nominal de 7,14%. O desempenho foi parcialmente compensado pelo PGBL, que cresceu 14,54%, para R$ 6,43 bilhões. A previdência tradicional arrecadou R$ 1,46 bilhão, recuo de 1,17%. 

Apesar da menor entrada de recursos, a captação líquida permaneceu positiva. As contribuições superaram resgates e benefícios em R$ 4,15 bilhões no primeiro semestre. No VGBL, a contribuição líquida ficou positiva em R$ 6,88 bilhões, enquanto PGBL e previdência tradicional tiveram saldos negativos de R$ 1,46 bilhão e R$ 1,27 bilhão, respectivamente. 

A capitalização também contribuiu negativamente para o resultado agregado. O segmento arrecadou R$ 15,57 bilhões no primeiro semestre, queda nominal de 7,84% e real de 11,64% frente aos R$ 16,89 bilhões registrados um ano antes. A modalidade tradicional, que concentra 71% da arrecadação, movimentou R$ 11 bilhões, retração de 9,52%. Em contrapartida, instrumento de garantia cresceu 15,04%, para R$ 2,14 bilhões, e incentivo avançou 22,14%, para R$ 670 milhões. Filantropia premiável recuou 27,5%, para R$ 1,56 bilhão. 

R$ 126 bilhões retornam aos consumidores

As indenizações, resgates, benefícios e sorteios somaram R$ 126,17 bilhões entre janeiro e junho, queda nominal de 3,93% em relação ao primeiro semestre de 2025. Desse total, R$ 38,69 bilhões corresponderam às indenizações dos seguros, R$ 73,54 bilhões aos resgates e benefícios dos produtos de acumulação e R$ 13,94 bilhões aos resgates e sorteios da capitalização. 

O desempenho dos primeiros seis meses deixa o setor diante do desafio de acelerar no segundo semestre para alcançar a expansão de 2,9% projetada pela CNseg para 2026. A composição dos números, contudo, mostra que o problema não está nas carteiras tradicionais de seguros, que avançam 6,51%, mas principalmente nos produtos de acumulação e na capitalização. Uma recuperação do VGBL ao longo dos próximos meses será, portanto, determinante para aproximar o crescimento agregado da previsão para o ano.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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