Caminhos para o RH promover acesso ampliado e sustentável ao plano de saúde

Modelo de coparticipação viabiliza a assistência de forma sustentável, com qualidade e equilíbrio de custos

Por Flávio Bitter, diretor da Bradesco Saúde

Diversos levantamentos sobre benefícios corporativos indicam que o plano de saúde figura entre os mais valorizados pelos colaboradores, exercendo papel estratégico na atração e retenção de talentos. Um dos mais recentes, a Pesquisa de Benefícios da Robert Half, confirma que a assistência à saúde é o benefício não-financeiro mais importante para os empregados.

Em um cenário de custos médico-hospitalares que crescem ano após ano acima dos índices gerais de inflação, a busca por soluções sustentáveis de planos de saúde é crucial para que os RHs das empresas consigam oferecer a colaboradores e seus familiares esse benefício tão desejado, sem comprometer o orçamento.

É nesse contexto que a coparticipação, que consiste no compartilhamento de parte dos custos entre empresa e colaborador, tem se destacado como um modelo capaz de conciliar cuidados com a saúde de forma sustentável e a preço acessível.

Ao conferir maior previsibilidade orçamentária, preserva a capacidade de oferecer o benefício de forma sustentável. Um plano com percentual médio de coparticipação de 30% em procedimentos ambulatoriais como consultas, exames e terapias, por exemplo, pode representar redução de mais de 20% de custo fixo do plano para a empresa, especialmente entre as PMEs.

Além disso, conforme estabelecem a Lei dos Planos (9.656/98) e resoluções normativas da ANS, a coparticipação, sem a cobrança de contribuição fixa mensal do titular, evita passivo para as empresas nas situações de demissão sem justa causa (artigo 30) ou aposentadoria (art. 31) do colaborador, que tem o direito de permanecer no plano coletivo empresarial nas mesmas condições de cobertura e de preço que tinha enquanto ativo, desde que assumindo o custo integral da mensalidade.

Do ponto de vista do comportamento do beneficiário, a contribuição com uma pequena parcela prevê um uso mais consciente do plano. É o fenômeno conhecido como moral hazard. E se levarmos em conta o princípio do mutualismo, essência do seguro e da saúde suplementar, chegamos à inequívoca constatação de que mais pessoas utilizando o plano de forma adequada têm como consequência um produto mais acessível e sustentável para todos.

Os números mostram a aprovação dos beneficiários a esse modelo que equilibra acesso e custo: recente pesquisa do Vox Populi para o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) mostra que 84% dos entrevistados com plano de coparticipação consideram o valor razoável ou baixo. 

Por todos esses motivos, a adesão entre as empresas à coparticipação tem sido crescente. De acordo com a “Pesquisa de Benefícios de Saúde e Bem-Estar 2024”, realizada pela corretora Pipo Saúde em parceria com a MIT Management Sloan Review Brasil, o percentual de empresas que adotaram a coparticipação passou de 52% para 65% entre 2023 e 2024. O desafio, no entanto, está em disseminar esse conceito entre as micro, pequenas e médias empresas. Mesmo representando mais de 90% dos contratos coletivos de planos de saúde no Brasil, as PMEs são apenas 25% entre as que oferecem o modelo de coparticipação.

Fato é que a coparticipação representa uma importante evolução na forma como as empresas encaram a gestão de benefícios. Quando bem desenhada — com percentuais adequados, comunicação clara e alinhamento com programas de promoção de saúde — ela promove equilíbrio entre investimento e valor percebido. As empresas que adotam esse modelo frequentemente apresentam melhor saúde financeira e maior sustentabilidade do uso ao longo do tempo.

Cabe ao RH atuar como protagonista nessa jornada: educando, engajando, esclarecendo dúvidas e garantindo que o benefício seja percebido não apenas como proteção, mas como parte essencial da cultura de cuidado da organização. Dessa forma, levaremos a tranquilidade do plano de saúde a mais empresas e a mais brasileiros.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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