Uma crítica direta mudou a rota da Bradesco Seguros no campo. Ao ouvir que “o setor de seguros não conhece o agro”, o diretor comercial Leonardo Freitas decidiu rodar polos agrícolas de Brasília, Campo Grande, Cuiabá, Sorriso e Lucas do Rio Verde. O movimento, que uniu escuta ativa a ajustes concretos, resultou em uma guinada comercial: o portfólio de equipamentos agrícolas passou a cobrir mais de 350 máquinas e as vendas avançaram em dois dígitos.
“Eu não conhecia esse mundo”, admite Freitas. “Voltamos humildes — e transformados. Ao reconhecer que precisávamos aprender, as vendas de equipamentos avançaram em dois dígitos.” O executivo destaca a importância do agro, que responde por 26% do PIB brasileiro, para o grupo Bradesco, mas admite que a linguagem, as rotinas e o tempo de decisão do produtor rural nem sempre se conectavam com os processos de seguros. Formulários extensos, exigência de croquis e anexos eram entraves práticos que distanciavam a proteção das necessidades do cliente.
Para reduzir essas barreiras, a seguradora adotou uma estratégia de imersão. Em Brasília, esteve com representantes do governo; em Campo Grande, promoveu rodada de negócios com 40 empresários; em Cuiabá, dialogou com cooperativas; e em Sorriso e Lucas do Rio Verde percorreu a cadeia do campo, da semente à colheitadeira de R$ 10 milhões.
Dessa escuta nasceram mudanças tangíveis. A cobertura de equipamentos foi ampliada, a carteira da linha cresceu 22% e o vocabulário técnico da comunicação deu lugar à linguagem do produtor. Além disso, a Bradesco Seguros passou a acompanhar o calendário das principais feiras do setor — como Copavel, Cotrijal, Tecnoshow, Bahia Farm Show e Expointer.
O novo formato “Agro Show” consolida a virada: manhãs dedicadas a corretores especializados, em dinâmica de escuta e cocriação, e tardes ao lado dos clientes, vivenciando inovações tecnológicas e a realidade do campo. Inspirado no road show corporativo do grupo, o Agro Show adota a lógica de escuta, síntese e execução. Ideias que viram prática recebem o selo “Você pediu, a gente fez”, em um ciclo que inclui ajustes de produto, jornada e treinamento.
Para Freitas, a virada funcionou por três razões: respeito à cultura local, oferta de coberturas aderentes e corretores especializados no centro da estratégia. “Mais do que vender, buscamos mostrar valor. Em vez de culpar a falta de cultura de seguro, contamos vitórias e convocamos o mercado para crescer conosco”, afirma.
A abordagem também inspira outras frentes da seguradora, como o programa de sucessão “Ciclos”, voltado a famílias de corretores. O objetivo é auxiliar os corretores de seguros a prepararem a sucessão empresarial dos seus negócios. A “jornada” é o percurso de formação, que oferece conhecimento técnico e comportamental para garantir a continuidade das corretoras nas próximas gerações, através de aulas online ao vivo, materiais digitais e parcerias com especialistas.
A estratégia da seguradora está alinhada as expectativas do banco. A carteira do agronegócio do Bradesco atingiu R$ 130 bilhões no primeiro semestre deste ano, considerando todas as linhas direcionadas a clientes do segmento, não somente as operações voltadas ao produtor rural, segundo informou o banco em agosto. A projeção apresentada pelo banco é expandir a carteira agro em 10% a 15%, impulsionados pela crescente demanda por crédito e pela eficiência do E-agro, que oferece a facilidade do acesso digital para o produtor rural, além do seguro.
A carteira da Bradesco abrange diversos produtos de seguro agro, incluindo o Seguro de Equipamento Agrícola, que protege máquinas como tratores e colheitadeiras contra riscos como incêndio, roubo e danos. Além disso, o banco oferece o Seguro Agrícola,que protege lavouras contra riscos naturais. A carteira também inclui o Seguro Prestamista para Produtor Rural, que oferece proteção financeira em caso de imprevistos, e opções de Seguro de Vida Agro para os produtores e suas famílias.


















