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Mercado segurador recua 0,1% no acumulado até agosto, para R$ 160,4 bilhões

Denise Bueno
Escrito por Denise Bueno

Fonte: CNseg

Por Marcio Coriolano

Divulgados os dados de arrecadação do mês de agosto, os resultados nominais acumulados até o mês mostram estabilidade comparativamente a 2017, já que o avanço é pequeno. Como apontado anteriormente, o setor segurador permanece afetado pelo ciclo baixo da economia. As taxas de desemprego, menor renda agregada e a volatilidade dos ativos, bem como a exacerbação de expectativas em clima pré-eleitoral, pesam no ambiente da demanda por seguros, comportamento que também alcança os outros setores da economia brasileira.

Não obstante o estável resultado agregado, há segmentos de seguros com extraordinária resiliência. O ramo de Automóveis, o de Patrimônio e o de Cobertura de Pessoas – Planos de Risco são exemplos da preferência por proteção. O período antecedente de crédito aquecido ainda influencia positivamente os ramos Habitacional e de Crédito e Garantia. A dinâmica do setor agroindustrial, carro-chefe da economia brasileira, igualmente mostra que a procura por prevenção contra riscos característicos do ramo Rural permanece aquecida.

Na outra ponta das demandas, o segmento de Cobertura de Pessoas – Planos de Acumulação paga tributo à volatilidade de ativos e à forte concorrência no segmento mediante iniciativas de diferenciação competitiva pela redução das taxas de administração.

O setor segurador como um todo passa por forte ajuste em suas operações. A sinistralidade geral caiu quase seis pontos percentuais no acumulado até o mês de agosto, demonstrando maturidade da gestão de riscos e responsabilidade das companhias seguradoras diante das incertezas futuras.

O mesmo se verifica pela queda de despesas administrativas. Por outro lado, o permanente nível reduzido da taxa de juros afeta negativamente o resultado financeiro, com queda perto de 14,3% no intervalo de oito meses comparado a idêntico período de 2017.

O efeito final agregado alcança o patrimônio líquido setorial, embora apresente nível de padrão técnico elevado. Toda essa fotografia da dinâmica de desaceleração setorial pode ser mais bem medida pelo gráfico adiante que alinha a trajetória das taxas de crescimento dos diferentes segmentos de seguros em períodos de 12 meses móveis.

A competente análise detalhada do comportamento setorial é feita, em seguida, pelo professor Lauro Faria, da Escola Nacional de Seguros.

Por Lauro Faria, Economista da Escola Nacional de Seguros

O desempenho do mercado de seguros regulado pela SUSEP foi positivo em agosto passado, ratificando o crescimento da atividade securitária em 2018, embora, no geral, a taxas menores que as observadas no início do ano.
No grupo de seguros de danos e responsabilidades (ramos elementares), exceto DPVAT, os prêmios somaram R$ 6,4 bilhões, com decréscimo de 0,4% sobre julho.

A arrecadação do carro-chefe do grupo – seguros de automóveis – registrou aumento de 4,8% sobre julho, excelente resultado. Outros ramos com expansões dignas de nota foram o de seguros rurais, cujos prêmios tiveram aumento de 16,5% nessa mesma base de comparação, crédito e garantias, com 4,8%, e transportes, com 5,8%. A registrar a redução de prêmios dos seguros patrimoniais, de 9,3%, fortemente influenciada pelo volátil ramo de grandes riscos, cuja arrecadação diminuiu 34,5% em agosto contra julho.

No grupo de planos de risco de coberturas de pessoas, foram arrecadados R$ 3,3 bilhões, o que representou acréscimo de 5% sobre o resultado do mês anterior. Os aportes aos planos de acumulação PGBL e VGBL tiveram novamente recuperação em agosto, somando R$ 9,3 bilhões, 15% acima do observado em julho. Idem para os prêmios do seguro DPVAT e os aportes aos títulos de capitalização que cresceram, respectivamente, 8% e 6,1%.

A arrecadação total na área da Susep atingiu, assim, R$ 21,6 bilhões, 7,5% superior à do mês anterior. No acumulado do ano até agosto, tal variável foi de R$ 160,4 bilhões, com decréscimo de 0,1% sobre igual período do ano anterior. Sem contar o DPVAT, a taxa de variação foi positiva em 0,6%.

Nessa mesma base de comparação, as taxas de variação apresentam apresentaram resultados semelhantes aos observados em julho: os prêmios do total de seguros de danos e responsabilidades (exceto DPVAT) cresceram 8,9%; os de seguros de automóvel, 7,3%; patrimonial, 8,3%; habitacional, 7,2%; transportes, 18,2%; crédito e garantia, 7,1%; garantia estendida, 10,1%; responsabilidade civil, 7,7% e rural, 14,2%. Os prêmios de seguros marítimos e aeronáuticos se mantiveram com recuo de 6,3%.

No grupo de planos de risco de coberturas de pessoas, a arrecadação cresceu 9,6% no acumulado do ano até agosto sobre igual período de 2017 enquanto que, os seguros de vida tiveram incremento de 8,7% e o seguro prestamista, 21,5%. Os prêmios do seguro viagem tiveram queda de 6,3%, em razão da menor procura de viagens ao exterior.

Examinando-se o movimento do mercado em prazo mais largo chamam atenção dois fatos:

O ritmo sistematicamente mais acentuado de crescimento dos prêmios dos planos de coberturas de pessoas em comparação com os dos seguros de danos e responsabilidades: no acumulado de 12 meses findos em agosto passado, enquanto aqueles cresceram 9,4% sobre o mesmo período findo em agosto de 2018, os prêmios dos seguros de danos e responsabilidades cresceram 7,8%;

A desaceleração e queda, nas taxas em 12 meses, dos aportes aos planos de acumulação verificadas desde o início de 2017: a taxa de crescimento de tais aportes passou de 22,4% no acumulado em 12 meses findo em abril de 2017 para -5,6% no acumulado em 12 meses findo em agosto passado (frente a iguais períodos de 12 meses anteriores).

A razão da maior expansão recente dos prêmios de planos de risco de coberturas de pessoas em comparação com os seguros de danos e responsabilidades prende-se a fatores tanto de demanda quanto de oferta, como a maior conscientização das pessoas sobre a necessidade de proteção securitária contra os riscos de mortalidade e morbidade e o aproveitamento de vendas na extensa rede bancária por parte das seguradoras ligadas a bancos. Já a evolução problemática recente dos planos de acumulação, como das demais aplicações de longo prazo, relaciona-se à queda das taxas de juros e às incertezas quanto à situação da economia no médio e longo prazo em razão da instabilidade política.

Na área da Susep (exceto DPVAT), a sinistralidade situou-se em 42,3% no período janeiro-agosto de 2018, com redução de 6 pontos de percentagem sobre o verificado no mesmo período de 2017. No grupo de seguros de danos e responsabilidades, a sinistralidade foi de 51,4% nos primeiros oito meses de 2018, inferior em 2,7 pontos de percentagem à do mesmo período de 2017. No grupo de planos de risco de coberturas de pessoas, a variável foi de 25,4% nesse período, inferior em 7,7 pontos de percentagem à do mesmo período de 2017.

O índice de despesas de comercialização do mercado como um todo, exceto DPVAT, foi de 24,5% no acumulado do ano até agosto, com redução de 0,4 ponto de percentagem frente ao mesmo período de 2017. No mesmo período e, no caso dos seguros de danos e responsabilidades, tal índice foi de 21,8% e, nos planos de risco de seguros de pessoas, foi de 29,3%. As despesas operacionais mais importantes das seguradoras mantiveram-se, portanto, em queda relativamente à receita de prêmios.

No acumulado do ano até agosto de 2018 e no agregado das seguradoras, as despesas administrativas cresceram 3% ante igual período de 2017, o resultado financeiro caiu 14,3% e o resultado patrimonial aumentou 30,9%. O lucro líquido dessas empresas aumentou 17,9% e a rentabilidade em 12 meses do patrimônio líquido agregado foi de 22,5% em janeiro-agosto de 2018, superior em 2,7 pontos percentuais à do mesmo período do ano anterior.

As atenções voltam-se no momento para a política econômica e social que será implementada pelo vencedor da eleição presidencial. Se prevalecer como norte a responsabilidade fiscal e monetária, o inicio será difícil, mas o futuro promissor. De todo modo, como os números acima demonstram, o mercado segurador foi dos menos afetados pela conjuntura recessiva desde 2015 e, portanto, está em excelentes condições para aproveitar a retomada que se espera à frente.

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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